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Itainópolis

Lauane Vieira fala sobre sua arte musical e dá dicas aos novos talentos

‘Sempre gostei do que eu não tinha aqui’, diz a amante da leitura e da MPB

27/11/2017 17:17h - Atualizado em 27/11/2017 18:19h

Lauane Vieira está cursando Terapia Ocupacional na FACID, em Teresina. Mas ela se destaca também por duas virtudes culturais: a paixão que tem pela leitura, desde os doze anos, e pela música, desde a infância. “Sempre gostei do que eu não tinha aqui. As pessoas que conviviam comigo falavam que eu era diferente, porque buscava coisas que, para elas, naquele tempo, não era normal, por exemplo, a leitura de um livro ou uma música que elas não conheciam.”

Sua escritora favorita é a modernista portuguesa Florbela Espanca. A autora de poemas de cunho confessional e sentimental é a leitura que Lauane recomenda, tanto para adolescentes quanto para jovens. “Ela faz sonetos perfeitos. Ela me inspira, pois fala de uma forma que nos faz pensar.”

A jovem de vinte anos começou a perceber seu talento musical logo na infância, período no qual pedia ao pai instrumentos musicais de brinquedo. Mas aos doze anos, pediu de presente seu primeiro violão. O pai imaginava que era só para brincar, e essa desconfiança serviu para motivá-la. “Fiquei com isso na cabeça e pensei: ‘Vamos ver se é só para brincar!’”.

O desafio para Lauane foi muito dificultoso, já que ela quase não tinha a quem recorrer. “Nem por isso eu desisti. Tive ajuda de poucas pessoas, como Damon. Mas no geral, aprendi mais foi sozinha. Quando a gente gosta e tem vontade, a gente aprende. Só precisa correr atrás.” Foi então que a artista aprendeu o básico, vindo a se aperfeiçoar somente depois que passou a tocar na igreja. E hoje, além de violão, ela toca também baixo e teclado.

Mas não é só na igreja que Lauane exerce sua arte. Formando dupla com Wenzo Rocha, a também cantora disse que, mesmo sem pretensão de crescer, a dupla ficou conhecida e as pessoas passaram a convidar para tocar em bares e restaurantes. “Estamos com essa parceria e pretendemos levá-la por um bom tempo”, afirma Vieira.

Outros artistas que lhe serviram de inspiração foram Wanderson Ferreira – mais conhecido como Seu Wando – e o pai dele. “Ele me ajudou muito. Eu sou muito grata a ele. A ele e ao pai dele, o Kiko, outro que me influenciou, e ainda hoje me influencia. Tenho muita consideração a eles, sou muito grata aos dois.”

A admiradora de Florbela Espanca tem um gosto musical diferenciado. Os clássicos fazem parte de seu gênero favorito. “Eu gostava mais daquele rock pesado, só que fui começando a apreciar mais aquele rock calmo e, conforme fui gostando, fui começando a apreciar outros estilos musicais voltados mais para o clássico, como Bon Iver e Gregory Alan Isakov, que são músicas serenas.” Mas em se tratando de músicas nacionais, sua predileção tende a Mallu Magalhães, Banda do Mar, Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci.

E para quem deseja tomar gosto pela leitura e se tornar um bom leitor, a dica que nossa entrevistada dá é se tornar curioso. “Que tal você fazer uma leitura para analisar? Não adie, faça logo. É uma coisa boa, que faz você crescer. É uma viagem sem sair do lugar.” Mas para quem não tem acesso a livros impressos, ela sugere a busca pelas versões digitais.

Já para aqueles que desconfiam ter alguma inclinação para o campo da música, a fã de Mallu Magalhães aconselha persistência, pois ela mesma já pensou em desistir. E explica: “No começo é chato, e não dá para já ir tocando a música favorita”. Lauane conhece muitas pessoas com vontade de aprender, porém sem ter quem as ensine. “Se você quer, se você tem vontade, você vai conseguir. Se foi assim comigo, pode ser com qualquer pessoa. Não desista! Continue.”

Sendo uma pessoa que viaja muito, de certa forma, Lauane Vieira tem uma visão de mundo mais ampla, por isso sente falta de muita coisa em Itainópolis, em termos de cultura. Para uma cidade em que o único lazer são os paredões nos fins de semana, ela sugere eventos em praça pública, nos quais teriam um espaço os músicos anônimos itainopolenses, já que muitos deles só têm oportunidade de mostrar suas aptidões nas igrejas. “Nos fins de semana, poderíamos ter um espaço aberto onde nossos jovens tivessem a liberdade de se expressar, mostrando o que eles sabem fazer, pois aqui é uma cidade que tem muita gente talentosa.”

A estudante acadêmica não percebe em nosso município nenhum incentivo às culturas literária e musical, e lamenta a falta de políticas públicas voltadas para essas e outras artes. “O mundo de hoje está muito pobre de conhecimento, e não há oferta de cultura aos jovens, que estão se desviando para a mediocridade.” Ela ainda mostra, concretamente, como nossos representantes políticos poderiam investir na cultura: “Deveríamos ter bibliotecas e programas para incentivar os jovens a ler. Era para termos eventos que os estimulassem a buscar alternativas em caminhos diferentes, desde a música, a dança ou o esporte...”.

E para encerrar, a jovem entrevistada cita o exemplo de Daniela, que recentemente formou uma escolinha de futebol e uma companhia de música. “É uma menina muito talentosa, que desenvolveu um projeto muito bom. A garotada que não tinha o que fazer agora está praticando esporte. É disso que nossa cidade precisa, é disso que nossos jovens precisam: entretenimento saudável, para que não fiquem ociosos.”



Fotos: Lauane Vieira, Damon Ferreira, Wanderson Rodrigues, Wenzo Rocha e Daniela Silva

Fonte: Lauane Vieira
Edição: Anderson Monteiro
Por: Anderson Monteiro

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