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Notícias Brasil

16 de outubro de 2017

Temer sanciona lei que permite à Justiça Militar julgar crimes contra civis

Regra vale para crimes eventualmente cometidos por militares em missões de Garantia da Lei e da Ordem, como no caso do RJ.

O presidente Michel Temer sancionou um projeto de lei aprovado pelo Congresso que estabelece a Justiça Militar como o foro para julgamento de eventuais crimes cometidos por militares contra civis durante operações como o emprego de militares na segurança pública do Rio de Janeiro. Atualmente, esses crimes são julgados pela Justiça comum.

As regras que o projeto estabelece valem para o caso de homicídios dolosos (com a intenção de matar) e outros crimes dolosos contra a vida, como tentativa de homicídio.

Pelo projeto, as regras valem para as seguintes situações:

  • operações de paz e de garantia da lei e da ordem (GLO);
  • cumprimento de tarefas estabelecidas pelo presidente da República ou pelo ministro da Defesa;
  • ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão militar.

O militar das Forças Armadas que não estiver em operação militar e que praticar um homicídio de um civil continuará a ser julgado pela Justiça Comum. Isso não foi modificado pela proposta.

Segundo afirmou o autor, deputado Espiridião Amin (PP-SC), na justificativa do projeto, a legislação atual não faz uma alusão expressa à atuação dos militares em operações como a de garantia da lei e da ordem. Segundo Amin, isso pode levar homens das Forças Armadas que matem um civil em operação a ser julgados na Justiça Comum.


Foto: Agência Brasil

“Não havendo expressa alusão à atuação dos militares no contexto de operações de GLO, e não havendo um consenso acerca da natureza dessas ações, corre-se o risco de não ser-lhes assegurada a proteção e a segurança jurídica que o diploma legal busca conferir”, afirmou Amin.

O militar das Forças Armadas que não estiver em operação militar e que praticar um homicídio de um civil continuará a ser julgado pela Justiça Comum. Isso não foi modificado pela proposta.

Texto foi pensado para as Olimpíadas

Originalmente, o projeto trazia um trecho que dizia que as mudanças valeriam até dezembro de 2016. A intenção do autor era que as regras estivessem em vigor durante o período das Olimpíadas do Rio, mas o projeto não avançou no ano passado.

Por isso, foi vetado o artigo que trazia o prazo para a vigência da lei, tornando a regra permanente.

Diz o trecho para as razões do veto: "As hipóteses que justificam a competência da Justiça Militar da União, incluídas as estabelecidas pelo projeto sob sanção, não devem ser de caráter transitório, sob pena de comprometer a segurança jurídica. Ademais, o emprego recorrente das Forças Armadas como último recurso estatal em ações de segurança pública justifica a existência de uma norma permanente a regular a questão. Por fim, não se configura adequado estabelecer-se competência de tribunal com limitação temporal, sob pena de se poder interpretar a medida como o estabelecimento de um tribunal de exceção, vedado pelo artigo 5º, inciso XXXVII da Constituição".

Crítica ao projeto

Em nota técnica enviada ao Congresso, o Ministério Público Federal se posicionou contrário à proposta em setembro. O órgão considera a medida “inconstitucional”.

Na avaliação do MPF, o projeto extrapola a competência da Justiça Militar estabelecida pela legislação.

Além disso, para o órgão, a medida contraria a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e posições firmadas pela Comissão de Direitos Humanos da Nações Unidas, que definem a atuação da Justiça Militar apenas para o julgamento de casos que envolvam ofensa às instituições militares.

Ministro Fachin diz que vídeos de Funaro 'não deveriam' ser divulgados

Material está no site oficial da Câmara desde o dia 29 de setembro, mas começou a ser divulgado na última sexta-feira (13). Advogado de Temer falou em 'criminoso vazamento'. Câmara diz que seguiu 'as regras legais'.

A assessoria do gabinete do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou neste domingo (15) que o ministro não retirou o sigilo da delação de Lúcio Funaro e que, no entendimento do magistrado, os vídeos dos depoimentos do operador financeiro à Procuradoria Geral da República "não deveriam ter sido divulgados".

O material foi enviado pelo STF no dia 22 de setembro, em ofício endereçado ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Os vídeos ficaram disponíveis no site da Câmara no dia 29, mas só começaram a ser divulgados na última sexta-feira (13).

No sábado (14), a defesa do presidente Michel Temer, citado nas delações de Funaro, classificou a divulgação dos vídeos de "criminoso vazamento". O advogado de Temer, Eduardo Carnelós, disse ainda que a liberação dos vídeos constituía "mais um abjeto golpe ao estado democrático de direito". Em nova nota divulgada neste domingo, Carnelós afirmou desconhecer que os vídeos estivessem disponíveis no site da Câmara desde setembro e disse que "jamais" quis imputar crime a Rodrigo Maia.

No domingo, mesmo depois da explicação de Carnelós, o presidente da Câmara reagiu às declarações do advogado de Temer. Em entrevista ao Blog de Andreia Sadi, Maia se disse "perplexo" com a acusação.


Ministro Edson Fachin (Foto: Carlos Humberto / SCO STF)

"Da minha parte, uma perplexidade muito grande ver o advogado do presidente da República, depois de tudo que fiz pelo presidente, da agenda que construí com ele, de toda defesa que fiz na primeira denúncia, ser tratado de forma absurda e – vamos chamar assim – sem nenhum tipo de prova, de criminoso", disse o presidente da Câmara.

Também neste domingo, depois que o gabinete de Fachin informou que os vídeos não deveriam ter sido divulgados, Maia afirmou ao G1 que a Câmara está "seguindo a determinação do ministro Fachin". Antes, em nota da Presidência, a Câmara já havia afirmado que estava cumprido "as regras legais".

"Eu levei o responsável da Câmara pra reunião com a presidente [do STF] Cármen Lúcia. Ela chamou o ministro Fachin, que deixou claro aquilo que estava sob sigilo, e os funcionários da Câmara estão executando a determinação dele", disse Maia.

O presidente da Câmara também declarou que, durante a reunião, Fachin tratou "apenas daquilo que estava sob sigilo" e citou um arquivo que estava sob essa condição. "O restante não tinha tratamento sigiloso", disse Maia ao ser questionado sobre os vídeos da delação.

Entidades pedem que Temer vete projeto que muda Lei Maria da Penha

Texto permite que a polícia conceda medidas protetivas a vítimas da violência doméstica. Organizações vinculadas ao judiciário veem inconstitucionalidade na proposição

O Senado aprovou, na última terça-feira (10), um projeto que altera a Lei Maria da Penha ao permitir que delegados concedam medidas protetivas de urgência a vítimas da violência doméstica. Atualmente, apenas os juízes podem definir as medidas. Entidades de direitos humanos e vinculadas ao judiciário pedem que o presidente Michel Temer (PMDB) vete o projeto.

As organizações de direitos da mulher, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Defensoria Pública e o Ministério Público se manifestaram contra o texto por verem inconstitucionalidade na proposição, que transfere prerrogativas judiciais a agentes policiais, além da falta de estrutura das delegacias e de capacitação dos agentes de polícia no país para atenderem às demandas das mulheres em situação de violência.


Em 2017, a lei completa 11 anos. Foto:Reprodução/Campanha contra violência contra mulher


De acordo com o texto, "a concessão de medidas protetivas de urgência pelo delegado só será admitida em caso de risco real ou iminente à vida ou à integridade física e psicológica da mulher e de seus dependentes”. Nessa hipótese, depois de aplicar as medidas, a autoridade policial terá de comunicar a decisão ao juiz e ao Ministério Público em até 24 horas, para que ele possa manter ou rever essa intervenção.

Do deputado Sergio Vidigal (PDT-ES), a proposta acrescenta artigos à Lei Maria da Penha. “Um dos objetivos do projeto é assegurar, nas delegacias de polícia, o atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar por servidor habilitado, preferencialmente do sexo feminino, pois há relatos de mulheres que são ridicularizadas por policiais quando tentam registrar a ocorrência”, diz texto do Senado.

Para o presidente do Senado em exercício no dia da aprovação, senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que comandou as votações, a aprovação do PLC é um avanço importante na legislação de proteção à mulher. Ele registrou a presença em plenário de delegadas de polícia em apoio à aprovação do projeto.

"Quem não conhece o sistema de Justiça, pensa que é algo positivo. A mulher vai à delegacia, registra a ocorrência e já sai com a medida de proteção de urgência. Mas na prática não vai ser dessa forma. Não basta ter um papel na mão. É essencial que essa decisão seja comunicada ao agressor. Então, o que vai acontecer na prática, é que a polícia vai ter que parar o seu trabalho de polícia, que é realizar a investigação criminal, para cumprir mandados de intimação ao agressor. O problema que temos hoje no sistema de Justiça é que a polícia não está conseguindo cumprir a função de fazer investigação criminal. O que em um primeiro momento parece ser uma maior proteção, a médio e longo prazo vai se transformar em impunidade", diz o promotor Thiago Pierobom, titular da 3ª Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher em Situação de Violência Doméstica de Brasília e coordenador do Núcleo de Gênero Pró-Mulher do MPDFT.

Uma das notas de repúdio, do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais dos Ministérios Públicos dos Estados e da União (CNPG), por meio do Grupo Nacional de Direitos Humanos (GNDH) e da Comissão Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher (Copevid), diz que o artigo que admite que o delegado de polícia “decida sobre o deferimento de medidas protetivas de urgência, após o registro da ocorrência policial, representa violação ao princípio constitucional da reserva de jurisdição e subverte o sistema jurídico baseado na separação de poderes”.

Outra nota, das juízas e juízes de violência doméstica e familiar contra a mulher do Fórum Nacional de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid), afirma que o projeto de lei é “inconstitucional e fere o princípio da tripartição dos Poderes ao permitir que a autoridade policial, que não é investida na função jurisdicional, aplique medidas de proteção de urgência e despreze os poderes constitucionais conferidos ao Poder Judiciário”.

“A Lei Maria da Penha, considerada uma das três melhores do mundo pela ONU no que se refere ao combate à violência contra a mulher, não pode ser alterada sem uma discussão maior com a sociedade e com os operadores do direito”, diz o texto.

"O grande receio que nós temos é que já foi uma luta histórica constituir a constitucionalidade da Lei Maria da Penha. Inclusive, essa proposta dos delegados foi trazida em 2005 quando estavam construindo a Lei Maria da Penha. E naquela época, o movimento de mulheres recusou essa possibilidade porque sabia que era inconstitucional. Se eu coloco uma norma inconstitucional dentro da lei, daqui alguns meses, o STF vai considerar inconstitucional essa norma. Isso a médio prazo tem o sério risco de enfraquecer a Lei Maria da Penha", afirma Pierobom.

Segundo Leila Linhares Barsted, diretora da Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (Cepia) e uma das redatoras do texto da Lei Maria da Penha, “o projeto não foi discutido com o movimento de mulheres, foi debatido a portas fechadas. Todo grupo que discutiu a Lei Maria da Penha, e que vem há anos defendendo a implementação dessa lei, sequer foi chamado para essa discussão”, disse.

“A lei dá à polícia [prerrogativas] que estão constitucionalmente previstas para o Poder Judiciário. A outra questão é que ao receber a medida protetiva na polícia, na sede policial, a mulher deixa de ter acesso às instituições da Justiça, basicamente à Defensoria Pública e o Judiciário. Já existem muitas experiências, aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, sabendo que há um risco de vida para a mulher, imediatamente contata o Poder Judiciário e em poucas horas pode dar essa medida protetiva”, completa.

Ainda de acordo com Barsted, há várias propostas que buscam “descaracterizar a Lei Maria da Penha, todas elas com perspectivas de esvaziar a sua amplidão e, inclusive, a questão de gênero que a lei incorpora”.

Medidas Protetivas

As medidas protetivas podem ser o afastamento do agressor do lar ou local de convivência com a vítima, a fixação de limite mínimo de distância que o agressor deve manter em relação à vítima e a suspensão da posse ou restrição do porte de armas, se for o caso. O agressor também pode ser proibido de entrar em contato com a vítima, seus familiares e testemunhas por qualquer meio ou, ainda, deverá obedecer à restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço militar. Outra medida que pode ser aplicada pelo juiz em proteção à mulher vítima de violência é a obrigação de o agressor pagar pensão alimentícia provisional ou alimentos provisórios.

"Essa norma específica é inconstitucional: regras estabelecem claramente que restrições relacionadas ao domicílio de uma pessoa ou a liberdade de uma pessoa só podem ser feitas mediante decisão judicial. A polícia não pode violar o local que a pessoa mora e nem restringir a liberdade de uma pessoa. E as medidas protetivas de urgência, elas acabam carregando um forte caráter de restrição. Tanto o local onde a pessoa mora, porque a pessoa tem que sair de casa, e a liberdade, porque restringe a liberdade da pessoa especialmente não se aproximando da mulher vítima de violência doméstica. Portanto, dar poderes jurisdicionais à polícia retirando do Poder Judiciário é uma medida que é inconstitucional", diz Pierobom.

15 de outubro de 2017

Defesa de Temer critica vazamento de delação de Funaro e rebate acusações

“É evidente que o criminoso vazamento foi produzido por quem pretende insistir na criação de grave crise política no país", afirmaram os advogados.

A defesa do presidente Michel Temer criticou hoje (14) o vazamento dos vídeos com depoimentos da delação premiada do doleiro Lúcio Funaro à Procuradoria-Geral da República (PGR). Em nota, o advogado Eduardo Carnelós diz que o vazamento é “criminoso” e foi produzido por quem pretende “insistir na criação de grave crise política no país”. O advogado de Temer também afirma que as declarações de Funaro são “vazias” e “sem fundamento”.

“É evidente que o criminoso vazamento foi produzido por quem pretende insistir na criação de grave crise política no país, por meio da instauração de ação penal para a qual não há justa causa”, diz a nota.

O depoimento foi prestado por Funaro no fim de agosto. Nas gravações, divulgadas nessa sexta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, Funaro diz que o ex-deputado Eduardo Cunha recebia dinheiro de propina e repassava valores ao presidente Michel Temer. Funaro também relata que buscou com o ex-assessor especial do presidente Temer, José Yunes, um pacote com dinheiro e afirmou que Yunes tinha conhecimento do conteúdo entregue.

O Palácio do Planalto informou que o presidente Temer não fazia parte de nenhuma bancada, referindo-se ao grupo de Eduardo Cunha, e diz que “toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa”.


Foto: Lula Marques

Para a defesa de Temer, o vazamento tem o propósito de constranger parlamentares da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara que vão votar na próxima semana o parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) pela rejeição do pedido de autorização para dar sequência à denúncia apresentada pela PGR contra o presidente Temer.

Segundo Carnelós, Funaro faz acusações vazias e sem provas. “As afirmações do desqualificado delator não passam de acusações vazias, sem fundamento sem nenhum elemento de prova ou indiciário, e baseadas no que ele diz ter ouvido do ex-deputado Eduardo Cunha, o qual já o desmentiu e o fez de forma inequívoca, assegurando nunca ter feito tais afirmações.”

Defesa de Yunes

Em nota sobre os vídeos da delação de Funaro, o advogado de José Yunes, José Luis Oliveira Lima, diz que o doleiro já faltou com a verdade em inúmeras oportunidades e não tem credibilidade. “José Yunes, ao contrário de Funaro, goza de credibilidade. Tão logo esses fatos ficaram públicos procurou a PGR e prestou todos os esclarecimentos devidos. Segundo Lima, Yunes irá processar Funaro por denúncia caluniosa.

Agência Brasil ainda não obteve resposta da defesa de Eduardo Cunha.

14 de outubro de 2017

Governo Temer defende rever prisão após 2ª instância

Parecer elaborado pela AGU defende pena deve ser executada somente depois de esgotados todos os recursos da defesa.

Em parecer enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (11), o governo Michel Temer defendeu a revisão da possibilidade de prisões após condenação de segunda instância, tema cuja discussão tem dividido os ministros da corte.
O documento, elaborado pela AGU (Advocacia-Geral da União), com despacho da ministra Grace Mendonça, afirma que a pena deve ser executada somente depois de esgotados todos os recursos da defesa. A informação foi publicada pelo jornal "O Estado de S.Paulo" e confirmada pela Folha de S.Paulo.
No ano passado, o STF decidiu -em votação apertada, por seis votos a cinco- admitir prisões após condenação em segundo grau. O assunto, porém, voltará em breve ao plenário da corte, que pediu manifestações sobre o tema para a Presidência da República, o Senado e a Câmara.
Para a AGU, que representa a Presidência, a primeira decisão do Supremo "flexibiliza o princípio da presunção de inocência". Ainda de acordo com o órgão, o acusado tem direito à liberdade, como regra geral, no decorrer da persecução penal.


Temer afirma que a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância gera "instabilidade" (Agência Brasil)

Alguns ministros, como Gilmar Mendes e Rosa Weber, já sinalizaram que podem rever seus votos. Gilmar passou a concordar com Dias Toffoli no julgamento do ano passado, argumentando que a pena deve aguardar recurso especial no Superior Tribunal de Justiça para ser executada. Rosa, por sua vez, indicou que ainda está refletindo sobre o assunto mas mudaria seu voto para o outro lado, contrário ao de Gilmar.
Dessa forma, o ministro Alexandre de Moraes, indicado por Temer ao STF no início deste ano, deve desempatar o julgamento.
Em meio à Lava Jato, investigadores criticam a possível revisão da decisão inicial do Supremo, visto que a mudança poderia desestimular delações premiadas.
O governo Temer, por sua vez, afirma que a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância gera "instabilidade".

Acordo de delação de Funaro prevê pagamento de multa e regime fechado

Operador de políticos do PMDB, o doleiro terá 5 anos para pagar a multa. Além dos 2 anos na cadeia, ele também ficará detido em prisão domiciliar e prestará serviços à comunidade.

Os termos do acordo de delação premiada do doleiro Lúcio Funaro com a Procuradoria Geral da República (PGR) preevem o pagamento de uma multa aos cofres públicos de R$ 45 milhões e o cumprimento de prisão em regime fechado em presídio de apenas 2 anos.

O restante da pena de 30 anos acertada com os procuradores da República será cumprida pelo doleiro em prisão de regime domiciliar, prestação de serviços à comunidade e estudos definidos em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF). O tempo que ele se dedicar aos estudos e aos serviços ainda reduzirá parte da pena.

Apontado como operador de propinas de políticos do PMDB, Funaro está preso desde junho de 2016. Depois de meses de negociação, ele fechou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público em 21 de agosto deste ano, no qual se comprometeu a revelar e detalhar todos os crimes nos quais se envolveu nos últimos anos.

Próximo do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do dono da J&F Joesley Batista, o doleiro prometeu aos procuradores da República entregar provas que demonstrem o envolvimento de políticos e empresários em esquemas de corrupção que agiam, entre outros lugares, no Congresso Nacional, na Caixa Econômica Federal e no Ministério da Agricultura.

Um dos focos dos depoimentos de Funaro ao MPF foi o grupo que ficou conhecido como PMDB da Câmara, que incluía, além de Cunha, o presidente Michel Temer, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) e os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves.

A delação premiada foi homologada em setembro pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso havia sido remetido à Suprema Corte porque, nos depoimentos à PGR, o doleiro citou nomes de pessoas com foro privilegiado, entre os quais o presidente Michel Temer.

Leonardo Gryner deixa cadeia pública em Benfica, Zona Norte do Rio

Ex-diretor de operações do comitê Rio 2016 e braço-direito de Carlos Nuzman, ex-presidente do comitê e do COB, Gryner deixou a unidade prisional por volta das 8h deste sábado (14).

eonardo Gryner, ex-diretor de operações do comitê Rio 2016 e braço-direito do ex-presidente do comitê e do COB Carlos Arthur Nuzman, deixou a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, por volta das 8h deste sábado (14), segundo informações da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Gryner foi solto após decisão do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

Leonardo foi preso na última quinta-feira (5) durante a operação Unfair Play. Segundo os investigadores, as provas colhidas na primeira etapa da Unfair Play mostraram evidências de que Nuzman e Gryner foram os agentes responsáveis por fazer a ligação entre o esquema de propinas de Cabral e membros africanos do COI, por meio de Arthur Soares. Eles são suspeitos de intermediar a compra de votos para que o Rio de Janeiro sediasse as olimpíadas de 2016.


Leonardo Gryner (Foto: Reprodução)

Na decisão que revoga a prisão, Bretas argumentou que "não mais subsistem os motivos que ensejaram a prorrogação da prisão temporária do investigado". Na ocasião da prorrogação da prisão temporária de Gryner, o juiz escreveu que havia "possibilidade de o investigado exercer o seu poder de influência em detrimento do andamento das investigações, estas ainda dependentes da análise de vasto material arrecadado e outro ainda não obtido do COB".

No dia 5, Gryner foi preso em casa, em um apartamento de luxo em Laranjeiras, na Zona Sul. Ex-diretor do COB, ele também foi diretor de Comunicação e Marketing da candidatura do Rio à sede olímpica, e teve encontros com o filho do ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo, suspeito de ter recebido propina para votar no Rio de Janeiro como sede dos jogos.

Bolsonaro diz que cancelou palestra porque organizador seria ligado à CUT

Em entrevista à BBC Brasil, Mark Langevin, o americano que convidou Bolsonaro para dar a palestra, disse que a recusa ao convite mostra que o pré-candidato "não está pronto para um debate democrático, aberto ao público".

Depois de cancelar sua participação num debate em Washington dizendo ter compromissos demais em Nova York, o deputado Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PSC em turnê pelos Estados Unidos, revelou nas redes sociais o motivo por trás da desistência repentina.
Bolsonaro, que passou o dia visitando o memorial às vítimas do 11 de Setembro e passeando pela Times Square, não foi à capital dos Estados Unidos porque o organizador do evento na Universidade George Washington, onde ele falaria nesta sexta (13), teria feito campanha para a ex-presidente Dilma Rousseff e teria ligações com a CUT (Central Única dos Trabalhadores).
Em entrevista à BBC Brasil, Mark Langevin, o americano que convidou Bolsonaro para dar a palestra, disse que a recusa ao convite mostra que o pré-candidato "não está pronto para um debate democrático, aberto ao público".
No Instagram, o filho do pré-candidato Eduardo Bolsonaro, também deputado federal pelo PSC, chamou o convite de "arapuca", contando que não foram à capital americana para o mais aguardado e mais controverso momento da turnê de seu pai pelos Estados Unidos.


Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Ele reproduziu ainda um suposto e-mail de Langevin, em que ele teria chamado Bolsonaro de um "vagabundo" e covarde ao cancelar o evento na universidade por ter "medo de perguntas".
Ele também reclamou que o convite fora para uma palestra e não um debate. O post desmentiu uma alegação de um dos organizadores da agenda do pré-candidato, que disse que havia tantos convites para outros compromissos em Nova York, a terceira parada da viagem, que a ida à capital seria inviável.
Bolsonaro, no caso, não fez mais do que passear pela maior cidade americana.
Na semana passada, um grupo de acadêmicos brasileiros e ativistas contrários a Bolsonaro criou um abaixo-assinado para tentar impedir a palestra. Nesta quinta, havia 900 assinaturas -só sete delas identificadas como alunos ou professores da universidade. Grande parte dos signatários tem ligação com instituições de ensino no Brasil.
Segundo o texto, o evento com Bolsonaro na universidade "faz parte de um tour que busca suavizar sua imagem preconceituosa para cortejar mais votos liberais".
Há uma semana, Langevin respondeu dizendo reconhecer "que muitos se opõem a qualquer diálogo com o deputado", mas que a programação ainda estava mantida.
"Democracia requer respeito e bom senso com todos, mesmo com aqueles que têm opiniões e promovem preferências de políticas questionáveis, se não antidemocráticas", escreveu Langevin.
Na carta, ele dizia que seu instituto "não endossa as provocações de Bolsonaro", mas que seu convite era para que o deputado "esclarecesse e debatesse suas posições".
Esse não foi o primeiro evento cancelado no "tour" de Bolsonaro pelos EUA, que teve, além de Nova York, passagens por Miami e Boston.

13 de outubro de 2017

Moro dá 48 horas para Lula entregar recibos originais de aluguel

O juiz considerou desnecessária uma audiência formal para a entrega dos recibos.

O juiz Sergio Moro deu prazo de 48 horas nesta sexta-feira (13) para a defesa do ex-presidente Lula entregar os recibos originais de pagamentos de aluguéis do apartamento vizinho ao que Lula mora em São Bernardo do Campo (SP).
O apartamento, que pertence ao empresário Glaucos da Costamarques, é um dos pontos da acusação na ação que Lula responde sob suspeita de receber propina da Odebrecht por meio da compra de um terreno onde seria construída a sede do Instituto Lula.
Moro considerou desnecessária uma audiência formal para a entrega dos recibos.
"Os recibos deverão ser entregues na Secretaria deste Juízo e que os acautelará para submetê-los a perícia caso seja de fato deferida", diz trecho do despacho assinado por Moro.


Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Segundo a acusação do Ministério Público Federal, o apartamento teria sido comprado com propina da Odebrecht, obtida por meio de contratos com a Petrobras.
Lula nega irregularidades e diz que quem cuidava do pagamento do aluguel era sua mulher, Marisa Letícia, morta em fevereiro. Segundo o ex-presidente, os pagamentos foram registrados em declarações do Imposto de Renda, tanto dele quanto de Costamarques.
Em nota, a defesa de Lula se diz surpresa pelo fato de Moro não aceitar uma audiência para a entrega dos documentos.
"Temos interesse no reconhecimento de que os documentos são autênticos, como sempre afirmamos, e atendem a recomendação de entrega feita pelo próprio juiz", diz o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins.

Brasil pode ser rebaixado se não sair a reforma da Previdência, diz agência

Na S&P, o Brasil tem nota de crédito BB, com perspectiva negativa, o que significa que o país tem uma chance em três de sofrer novo rebaixamento

Se o governo fracassar em aprovar a reforma da Previdência ou se indicar que tenta ganhar tempo para negociar as mudanças, a nota de crédito do Brasil pode sofrer novo rebaixamento, afirmou Joydeep Mukherji, analista da agência de classificação de risco S&P Global Ratings, nesta quinta-feira (12).

As declarações foram feitas durante apresentação pela internet sobre as perspectivas para os países emergentes neste ano e no próximo. Na S&P, o Brasil tem nota de crédito BB, com perspectiva negativa, o que significa que o país tem uma chance em três de sofrer novo rebaixamento.

Segundo Mukherji, a agência espera alguma sinalização de que o Planalto vai tentar aprovar a reforma antes do início das campanhas para as eleições de 2018, de forma que o próximo governo consiga se dedicar a passar outras mudanças fiscais.

"O que nós procuramos agora não é uma estabilização milagrosa do endividamento, porque ele vai continuar crescendo nos próximos três ou quatro anos facilmente, sob qualquer cenário", afirmou. "O que estamos olhando é se o governo pode dar alguns passos agora, antes das eleições de 2018, para dar mais espaço para o próximo governo lidar com essa questão."

"Estamos tentando ver se o governo [do presidente Michel] Temer, após todas as acusações contra ele, ainda tem capacidade de fazer avançar a reforma da Previdência, assim como outras que são importantes, mas não tão emblemáticas hoje", complementou.

O próximo governo já vai herdar um grande problema fiscal, ressaltou o analista, independentemente do que a atual Administração fizer. Então o que a S&P busca é um "passo significativo" do Planalto para dar fôlego ao próximo governo. "Se isso não acontecer ou se parecer que não vai acontecer, o rating pode ser rebaixado. Nós esperamos resolver isso antes das campanhas eleitorais começarem no próximo ano", ressaltou.

Em agosto, a agência retirou a observação negativa sobre a nota brasileira, colocada em maio após a crise provocada pelo vazamento da delação do empresário Joesley Batista, da JBS, que mergulhou o governo em caos político.

Histórico

O Brasil é considerado mau pagador pelas três principais agências de classificação de risco em atuação. Quanto melhor a classificação de um país, menor tende a ser o desembolso com os juros dos financiamentos, e vice-versa. Um país que tem grau especulativo é visto como tendo uma capacidade inadequada de honrar seus compromissos financeiros.

Para investidores estrangeiros, a avaliação das agências serve como termômetro para saber se a remuneração de um papel está adequada ao risco do investimento.

A S&P foi a primeira agência a retirar o selo de bom pagador do país, em setembro de 2015. Três meses depois, foi a vez de a agência Fitch também retirar o grau de investimento do Brasil. A Moody's foi a última a rebaixar a nota de crédito do país, em fevereiro do ano passado.

A S&P foi a primeira agência de classificação de risco a elevar o Brasil ao chamado grau de investimento, em abril de 2008, no segundo mandato do presidente Lula. Depois, Fitch (maio de 2008) e Moody´s (setembro de 2009) também deram a mesma chancela ao Brasil.

Reforma permite eleição de nanico com muitos votos

Duas medidas antinanicos foram aprovadas: votação nacional mínima de 1,5% na eleição para a Câmara e proibição de coligações.

Apesar de ter criado regras duras para barrar a existência de partidos com baixo desempenho nas urnas, a reforma política recém-aprovada pelo Congresso também trouxe uma alteração que permite, em casos excepcionalíssimos, a eleição de candidatos dessas legendas que tenham obtido votação muito expressiva.
Em linhas gerais, deputados e senadores aprovaram duas medidas antinanicos.
1) A exigência, a partir de 2018, de uma votação nacional mínima de 1,5% na eleição para a Câmara dos Deputados (piso que chegará a 3% em 2030) para que as siglas tenham acesso a verbas do fundo partidário e a tempo de propaganda em TVs e rádios.
2) A proibição, a partir das eleições de 2020, de coligações, mecanismo utilizado pelas pequenas e médias siglas para aumentar suas chances de eleger representantes para o Legislativo.
Nesta segunda criou-se um "refresco" para os candidatos supervotados das legendas nanicas. A mudança foi noticiada pelo jornal "Valor Econômico".

Funciona assim: pelas atuais regras, somente os partidos que atingem o chamado quociente eleitoral elegem representantes para as Câmaras municipais, Assembleias Legislativas e Câmara dos Deputados.
O quociente é calculado pela divisão do total dos votos válidos pelo número de cadeiras disponíveis.
São Paulo, por exemplo, elege 70 deputados federais. Em 2014 houve 21,3 milhões de votos válidos para a Câmara dos Deputados.
Dessa forma, dividindo-se esse total por 70, chegou-se na ocasião a um quociente eleitoral de 303,8 mil votos.
Ou seja, somente os partidos e as coligações que obtiveram pelo menos 303,8 mil votos conseguiram eleger deputados federais.
Pela regra aprovada agora pelo Congresso, os partidos ou as coligações (elas ainda serão permitidas em 2018) que não atingirem o quociente eleitoral também poderão disputar as chamadas "sobras" -as vagas não preenchidas na primeira divisão matemática.
De toda forma, a eleição de um candidato de partido nanico só ocorrerá em casos excepcionalíssimos, quando o político dessa sigla tiver obtido uma votação bastante expressiva.
Tome-se novamente o exemplo de São Paulo, em 2014. Na primeira divisão, 62 das 70 vagas foram preenchidas, restando oito "sobras".
Caso a regra aprovada agora pelo Congresso estivesse em vigor naquela época, não haveria nenhuma modificação na divisão dessas oito cadeiras. Ou seja, os eleitos seriam os mesmos.
Uma alteração ocorreria na eleição de 2010, no Rio Grande do Sul.
Na ocasião, Luciana Genro (PSOL) foi a nona mais votada no Estado, com 129,5 mil votos, mas acabou não sendo eleita deputada federal porque o partido não atingiu o quociente eleitoral.
Caso a regra atual já estivesse valendo, o PSOL poderia entrar na disputa das 5 "sobras" (o Estado elege 31 deputados federais) e Luciana ficaria com a última dessas vagas.

12 de outubro de 2017

Santuário de Nossa Senhora Aparecida recebe 200 mil fiéis no feriado

Milhares de romeiros viajaram de cidades próximas caminhando pelo acostamento da Rodovia Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, mesmo sob forte calor.

O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no município de Aparecida (SP), recebe aproximadamente 200 mil visitantes hoje (12), cerca de 30 mil pessoas a mais que a estimativa inicial. No feriado do ano passado, que caiu em uma terça-feira, foram recebidos 150 mil fiéis. A celebração este ano comemora os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Santuário de Nossa Senhora Aparecida (Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil)

Milhares de romeiros viajaram de cidades próximas caminhando pelo acostamento da Rodovia Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, mesmo sob forte calor. A temperatura média registrada na cidade é  32 graus. Dentro do santuário, foram feitos 388 atendimentos médicos até as 14h, nenhum caso grave.

Sebastião Henrique de Moraes, de 44 anos, levou 11 horas para percorrer 40 quilômetros a pé. Ele saiu de sua cidade, Pindamonhangaba (SP), na tarde de ontem (11) e ainda pretende voltar a pé. “Este é o sétimo ano que venho. Tive promessas para que meus dois filhos melhorassem, mas eles morreram. As outras foram recebidas, toda promessa que eu faço, eu recebo”.

O romeiro fez a peregrinação ao lado da família de oito pessoas. Mesmo cansado, ele aguardava há mais de uma hora em uma fila para se aproximar da imagem da santa. “Quero agradecer a ela, já que tenho essa chance, quero conversar com ela de pertinho”.

Excursões

O estacionamento da basílica, com capacidade para 3 mil carros e 2 mil ônibus, lotou logo no início da manhã. Lindalva Ribeiro, 60 anos, veio em uma excursão de ônibus da cidade de Ipiaú, na Bahia. Foram 26 horas de viagem junto a 45 pessoas. “Estamos aqui desde terça-feira. A gente está apaixonada por Aparecida, tudo muito lindo. Cada ano que a gente vem é diferente. Sou devotíssima. Agradecemos, pagamos promessas”.

Para o padre João Batista de Almeida, reitor do Santuário Nacional, a festa deste ano celebra 300 anos de graças e bençãos. “A história da santa vai continuar nessa caminhada missionária pelos próximos 300 anos”. Nesta edição, a igreja e a Justiça do Trabalho se uniram numa campanha para erradicar o trabalho infantil.

“Temos mais de 2,5 milhões de crianças trabalhando e perdendo o seu tempo de infância. Somamos força com a Justiça do Trabalho, para tomar consciência de que a criança precisa estudar e brincar. Criamos a #chegadetrabalhoinfantil”, disse.

Em vídeo exibido durante a missa solene, às 9h30, o Papa Francisco mandou recado ao povo brasileiro, desejando força para enfrentar a corrupção. O padre João comentou sobre a ausência do papa, que havia prometido, assim que assumiu o papado, que viria para a festa de 300 de Nossa Senhora.

“No ano passado, fomos a Roma levar a imagem e o papa já dava sinais de que não viria. A razão é pastoral da igreja. Este ano, seria de visitas de bispos, ele tem que receber um por um. Uma viagem internacional iria custar uma semana a ele”, disse o padre.

Ausência de autoridades

O padre João falou ainda sobre a ausência de autoridades na festividade – apenas o governador Geraldo Alckmin compareceu. “A igreja está sempre de portas abertas a todos, são sempre bem-vindos. Mas não é tradição a presença de autoridades, a não ser Alckmin, que já vinha desde antes”.

O padre também respondeu ao questionamento de jornalistas a respeito da ausência do presidente Michel Temer. “Nós o convidamos, mas não é tradição. Se eu fosse presidente do Brasil viria. De repente, a assessoria [do presidente] não se atentou”, disse o padre.

Alckmin

O governador Geraldo Alckmin disse que rezou pelos doentes, pelos que sofrem e pelo seu filho Thomaz Rodrigues Alckmin, que morreu em abril de 2015 em uma queda de helicóptero. “É sempre uma emoção renovada, nossa senhora, padroeira do nosso país, a mãe nunca abandona, é amor, sempre está presente. É uma grande alegria”.

O governador falou ainda que a sua presença na festa da santa padroeira do país não tem ligação com a política. “Não misturo política e religião. Se amanhã eu não for candidato a nada e não tiver nenhum cargo, continuarei vindo aqui na basílica, como faço há décadas”.

Justiça revalida parte do acordo de leniência da J&F

Na decisão, juiz diz que a sustação do acordo poderia prejudicar o andamento de investigações relativas à Operação Greenfield.

Um mês após suspender o acordo de leniência da J&F para fins criminais, o juiz federal Vallisney de Souza, da 10ª Vara Federal em Brasília, decidiu nesta quarta-feira (11) revalidar parte do acordo firmado em junho pelo grupo e a Procuradoria da República no Distrito Federal. As informações são da Agência Brasil.

Na decisão, Vallisney diz que a sustação do acordo poderia prejudicar o andamento de investigações relativas à Operação Greenfield, que apura um esquema de desvio em fundos de pensão de empresas estatais, e a Lava Jato, além de atrasar o processo de pagamento de indenizações.

"A sustação dos efeitos da homologação pode prejudicar de fato a própria verdade real que se quer buscar com as investigações e processos criminais na Operação Greenfiels, Cui Bono (Lava Jato) e Sépis, pelo fato de que possíveis aderentes pessoas naturais podem vir a ser testemunhas ou colaboradores na investigação criminal e que, se continuar a sustação da homologação, haverá prejuízo para a Justiça Penal", argumentou Vallisney de Souza.

A decisão desta quarta, segundo o magistrado, refere-se apenas à Cláusula 13 do acordo, que trata da adesão de pessoas ao acordo para fins criminais exclusivos às operações Operação Greenfiels, Cui Bono e Sépis.

O acordo de leniência firmado com o Grupo J&F, controlador da JBS, prevê que empresa pague R$ 10,3 bilhões de multa e ressarcimento mínimo pelo esquema de corrupção envolvendo o pagamento de propina a agentes públicos. Prevê ainda que a destinação de R$ 8 bilhões a órgãos públicos prejudicados pelos atos criminosos e o restante (R$ 2,3 bilhões) para o financiamento de projetos sociais. Além disso, o acordo estabelece o pagamento da multa, ao longo de 25 anos, corrigida pelo IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo). Com isso, a previsão do Ministério Público é de que a multa, ao final, supere os R$ 20 bilhões.

No mês passado, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anulou a imunidade penal que havia concedido ao empresário Joesley Batista, dono da JBS, e a Ricardo Saud ex-executivo da empresa. O benefício foi anulado porque Janot concluiu que Batista e Saud omitiram informações durante o processo de assinatura do acordo de delação premiada.

Logo após a decisão da Procuradoria-Geral da República, a Justiça Federal em Brasília decidiu suspender o acordo de leniência da J&F para fins criminais.

Imagem de Aparecida foi restaurada após atentado em 1978

Artista plástica brasileira Maria Helena Chartuni foi a responsável por fazer o restauro da imagem em 33 dias. Atentado foi em 1978

Símbolo nacional da fé católica, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi alvo de um atentado na década de 70 e precisou ser restaurada após ser quebrada em 200 pedaços. Na época, a missão de 'salvar' a imagem foi dada para a artista plástica brasileira Maria Helena Chartuni.

"Me disseram 'precisamos restaurar essa imagem', mas não falaram em quantos pedaços estava. Aí colocaram lá na minha sala e quando abriram [a caixa com a imagem] eu vi o tamanho do estrago. Senti pânico", relembra.


Maria Helena Chartuni durante o restauro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Foto: Arquivo Pessoal/ Maria Helena Chartun

Foram 33 dias de trabalho ininterrupto e minucioso de Chartuni para restaurar a imagem, que atualmente fica protegida em um nicho blindado a quatro metros do chão no Santuário Nacional, em Aparecida (SP). A artista plástica relembra que só se deu conta da amplitude do trabalho quando a imagem foi levada de volta ao Santuário Nacional.

Nossa Senhora voltou à Aparecida no dia 19 agosto de 1978. Ela foi transportada do vão do Masp até a cidade no interior de São Paulo em um caminhão do Corpo de Bombeiros em um cortejo acompanhado por milhares de fiéis.

"Minha ficha só caiu quando ela foi entregue. Nunca vi tanta gente na minha vida. E não era gente que ia lá de curiosidade. Eram pessoas que quando Ela passava, choravam, se emocionavam. Os caminhoneiros lá da Dutra, que na epoca era só uma pista, paravam no acostamento, ajoelhavam nas cargas lá de cima, rezavam. Aquilo começou a me dar um nó na garganta. Eu nunca imaginava isso".

Atentado


Após restauro, imagem é levada de volta para Aparecida. Foto: Divulgação/ Portal A12

O atentado aconteceu em 16 de maio de 1978 enquanto a missa das 20h era celebrada na Basílica Velha em Aparecida.

Durante a missa, o jovem Rogério Marcos de Oliveira, de 19 anos, visivelmente transtornado, avançou em direção à Santa no altar. Saltou a uma altura de dois metros até o cofre de ouro com frente de vidro, onde estava a imagem. Na terceira tentativa, ele conseguiu quebrar o vidro e pegar a imagem de Nossa Senhora.

O homem correu até a rua e apesar de ser alcançado por um guarda, conseguiu derrubar Nossa Senhora no chão. A imagem quebrou em centenas de pedaços. O suspeito foi detido e tratado como doente mental.

O restauro foi realizado em 33 dias pela artista plástica que na época trabalhava no Museu de Arte de São Paulo (Masp). Maria Helena utilizou uma cola com fixação mais rápida e as partes que faltaram foram reconstituídas. Atualmente, a Santa está em exposição em um nicho de ouro no Santuário Nacional de Aparecida. O local é principal ponto de peregrinação no templo, que é o maior do país.

11 de outubro de 2017

Madrasta de Isabella Nardoni deixa presídio para Dia das Crianças

Anna Carolina Jatobá foi condenada a 26 anos e 8 meses pela morte da enteada Isabella Nardoni, então com 5 anos, ao lado do marido Alexandre Nardoni.

Anna Carolina Jatobá deixou a penitenciária Santa Maria Eufrásia Pelletier pela primeira vez após receber o benefício de saída temporária para o Dia das Crianças. Presa desde 2008, a madrasta de Isabella Nardoni conseguiu a progressão de regime para o semi-aberto em julho, o que tornou candidata à permissão de passar feriados em casa. Segundo o portal G1, ela saiu do presídio de Tremembé por volta de 8h desta quarta-feira e precisa retornar até as 17h de segunda-feira.

Anna Carolina Jatobá, condenada no caso Isabella Nardoni (Foto: Reprodução)

Anna Carolina Jatobá foi condenada a 26 anos e 8 meses pela morte da enteada Isabella Nardoni, então com 5 anos, ao lado do marido Alexandre Nardoni. Ele não cumpre os requisitos para receber o benefício. Em tese, ele só poderá pedir o "saidão" à Justiça a partir julho de 2019. A madrasta, por sua vez, já cumpriu um sexto da pena e está em regime semiaberto.

Mãe de dois filhos de 10 e 12 anos, Anna Carolina deve passar o feriado com as crianças, que moram com a família dela em São Paulo. A madrasta sempre negou a autoria do crime e, em conversa com assistente social na cadeia, destacou que "não se sentia culpada nem arrependida, porque era inocente".

Sob a justificativa de que cumpre no presídio suas tarefas disciplinares de forma satisfatória e diante de um laudo psicológico afirmando que a chance de cometer novo crime é “nula”, Anna Carolina obteve progressão de regime em julho. Com isso, ela passou a ter direito a cinco saídas temporárias por ano em datas comemorativas, com autorização do presídio.

Cachorro invade casamento, deita no véu da noiva e é adotado

Parece anedota, mas aconteceu na cerimônia em Laranjal Paulista (SP). Relato viralizou no Facebook

Dois anos planejando o casamento dos sonhos em uma rotina puxada. E nem isso poderia preparar a servidora pública Marília Pieroni, 28 anos, e o projetista Matheus Martins, de mesma idade, para o que estava por vir.

Uma chuva intensa ameaçava estragar a cerimônia (com cobertura improvisada), além de um “penetra” em busca de abrigo: um cachorro de rua que entrava e saía do salão, deixando todos os convidados apreensivos e se alojando no tapete da entrada principal.

“Eu não entendia o que estava acontecendo. Estava no carro e a cerimônia estava demorando demais para começar, mas eu não sabia o porquê”, conta Pieroni. 


O cachorro, logo apelidado de ‘Snoop’, continuou na festa e conquistou a simpatia dos convidados. Foto: Reprodução

A resposta veio no altar, quando o cachorro se deitou preguiçosamente sobre sua vestimenta. “Ele deitou no meu véu!”, respondeu com espontaneidade e um riso. “Deve saber que eu amo”. Os convidados respiraram aliviados e o “penetra” se tornou convidado especial na festa.

O relato de seu amigo Sisnando de Luca, comemorando a felicidade matrimonial que imprevisto nenhum poderia abalar, conquistou o Facebook e tem, até o momento, 6.784 curtidas e 888 compartilhamentos.

“É um pouco desgastante a organização, porque parece que nada vai sair como o previsto”, revela a servidora. E nada saiu, mesmo. “Às vezes a gente planeja tanto para que nada errado aconteça e coisas assim dão um toque especial. Ficou mais perfeito ainda.”

Final duplamente feliz

O cachorro, logo apelidado de ‘Snoop’, continuou na festa e conquistou a simpatia dos convidados. “Antes da minha reação, muitos convidados não estavam gostando de sua presença, pensando que ia estragar a festa e me deixar desapontada. Depois, parece que quebrei o gelo”.

Antes sofrendo tentativas de ser espantado a todo custo para deixar a noiva entrar, Snoop continuou por perto recebendo mimos – e muita comida – durante o evento. Mas, tão repentinamente quanto chegou, foi embora.

“Sempre morei com gato, cachorro, coelho, tartaruga, hamster, peixe… Eu sou a louca dos bichos”, conta Marília, cuja coelhinha de estimação, Lolla, faleceu pouco antes do casamento. “Estava muito triste, mas depois lembrei do acontecido e pensei: ‘Acho que é a Lolla voltando”.

A recém-casada foi em busca do cachorro, sem sucesso. Até que uma senhora que o alimentava quando passava pela rua ficou sabendo de sua história e a ajudou a reencontrar Snoop, que agora integra a família. “Fiquei encantada com a inocência dele ao deitar no meu véu, achei uma belezinha”, conclui.

Mulher de Nem, ex-chefe do tráfico na Rocinha, é presa no Rio de Janeiro

Prisão de Danúbia Rangel acontece no dia que em que as Forças Armadas voltaram a operar na comunidade.

A mulher do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, foi presa nesta quarta-feira na Ilha do Governador, na zona norte do Rio, a 30 quilômetros da favela na zona sul.
A prisão de Danúbia Rangel, 33, ocorre no dia em que as as Forças Armadas voltaram a operar na comunidade, em São Conrado, zona sul.
Ela estava foragida após ter sido condenada a 28 anos de prisão por tráfico, associação ao tráfico e corrupção.
Danúbia foi detida por volta das 16h quando saía de carro, sozinha, do apartamento de uma amiga, próximo ao Morro do Dendê, na Ilha do Governador, zona norte. Ela foi levada à Cidade da Polícia, também na zona norte carioca, para o cumprimento de mandado de prisão. Ficará detida no Complexo de Gericinó, em Bangu, zona oeste.
Danúbia deixou a Rocinha em setembro, após racha da facção ADA (Amigo dos Amigos), que controla do tráfico de drogas no morro. O conflito completa um mês na próxima terça (17). Rogério Avelino, o Rogério 157, era segurança de Nem e havia herdado parte do controle da venda de drogas na Rocinha desde que o chefe foi preso, em 2011.


Danúbia Rangel, mulher do traficante Nem

A guerra começou porque, da cadeia de segurança máxima em Rondônia, Nem ordenou que Rogério devolvesse as bocas de fumo a um de seus aliados. Rogério se negou a entregá-las, matou aliados de Nem e expulsou sua companheira Danúbia do morro.
Perfil
Nascida no Complexo da Maré, conjunto de favelas da zona norte carioca, Danúbia tem outros dois chefões do tráfico no currículo amoroso: Luiz Fernando da Silva, o Mandioca, e o substituto dele, Marcélio de Souza Andrade. Ambos morreram em confrontos com a polícia, o que lhe rendeu o apelido de Viúva Negra.
Foi em 2006 que ela conheceu Nem em uma festa e se mudou para a Rocinha. Tempo depois, nasceu Yasmin, filha do casal.
Desde que conheceu o traficante, ela mergulhou num mundo de luxo. Ele a presenteava com passeios de lancha, helicóptero e joias, entre elas um pingente com a letra N em referência a ele próprio.
Nas redes sociais, há diversos perfis atribuídos a Danúbia com fotos em que ela exibe sua roupa e seu estilo de vida. Em 2008, o traficante chegou a organizar para a mulher um show do rapper americano Ja Rule na favela.
No entanto, nem tudo eram flores na relação: escutas telefônicas revelaram que Nem agredia a mulher por ciúme. Em mais de um áudio obtido pela polícia, Danúbia relata a uma amiga que havia sido agredida. Apesar disso, desde a prisão de Nem, ela defende e faz juras de amor e fidelidade ao traficante nas redes sociais.
Operação na Rocinha
As ações desta terça (10) na Rocinha são desdobramentos da operação que busca reprimir esses grupos em guerra.
Polícia e Forças Armadas fizeram operação conjunta em busca de depósitos de armas e drogas na mata da parte alta da favela.
Os militares retornaram à comunidade onze dias após desmontarem o cerco à favela. Segundo as autoridades, a ação desta terça foi pontual.
As tropas chegaram já na madrugada, às 5h40, e deixaram a favela por volta das 15h desta terça.
Sete blindados e 550 homens das Forças Armadas se juntaram a outros 550 policiais militares, que ocupam a comunidade desde a saída das tropas federais, em 29 de setembro. Caes farejadores e detectores de metais foram usados nas buscas.
A Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio, que coordena as atividades, não divulgou balanço da operação nem confirmou nova ação nesta quarta (11).
Desde o início do confronto e das operações integradas, 11 supostos traficantes foram mortos -quatro na tentativa de invasão- e 28 pessoas pessoas foram presas, dos quais cinco menores de idade apreendidos.
Foram apreendidos ainda 21 fuzis, cinco escopetas e 19 pistolas, além de 35 granadas. Mais de duas toneladas de drogas também teriam sido encontradas.
Últimos dias
A saída das Forças Armadas resultou em um recrudescimento da violência na Rocinha. A Polícia Militar faz incursões diárias em pontos estratégicos em busca de criminosos dos dois grupos que ainda estão no local.
Só no final de semana, três civis foram baleados em razão dos confrontos. No domingo, após troca de tiros, dois suspeitos foram encontrados mortos. A polícia não divulgou a identidade deles.
Já na segunda, policiais do Batalhão de Choque prenderam duas menores de idade e uma mulher com uma mala com drogas. Um dos braços direitos de Rogério 157 também foi preso, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.
Ao todo, 3.344 alunos ficaram sem aulas nesta terça-feira, com o fechamento de oito escolas e creches municipais na Rocinha. Ao longo do dia, houve tiros esporádicos na favela. Mototaxistas pediram paz em um protesto em frente à comunidade.
Na operação, militares circularam pela área de mata, que permite aos bandidos locais para guarda de drogas e rotas de fuga para as zonas sul e norte do Rio.
O porta-voz do Comando Militar do Leste, coronel Roberto Itamar, afirmou que o fato de a operação ter sido encerrada não significa que os militares não possam ser empregados novamente.
A reportagem apurou que nenhuma carga relevante foi achada neste primeiro momento. Segundo uma fonte envolvida na operação, contudo, o resultado é considerado positivo porque as forças de segurança puderam descartar locais que tinham sido indicados como possíveis depósitos.

10 de outubro de 2017

Madrasta de Isabella Nardoni terá 'saidinha' de Dia das Crianças

Presas da P1 feminina de Tremembé, onde Anna Carolina Jatobá é interna, podem deixar a unidade a partir das 7h desta quarta (11).

Anna Carolina Jatobá, condenada a 26 anos e 8 meses de prisão pela morte da enteada Isabella Nardoni, foi autorizada a deixar a penitenciária em Tremembé (SP), nesta quarta-feira (11), na saída temporária de Dia das Crianças. Essa será a primeira vez que a detenta deixa a prisão desde a concessão do regime semiaberto.

A informação foi apurada pelo G1 na semana em que a Justiça impôs sigilo ao processo da presa. O pedido foi feito pela defesa de Anna Carolina.

A presidiária é interna da Penitenciária Santa Maria Eufrásia Pelletier, a P1 feminina, desde 2008 - a unidade é conhecida por abrigar presas de casos de grande repercussão, como Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais; e Elize Mtsunaga, que matou e esquartejou o marido..

Anna Carolina deve deixar o presídio nesta quarta (11), a partir das 7h, com retorno previsto à unidade até as 17h da próxima segunda-feira (16). Ela deve passar o período com os filhos de 10 e 12 anos, que moram com os pais na capital.

O advogado da presa, Roberto Podval, foi procurado por telefone, mas preferiu não comentar o assunto.

A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) foi procurada às 16h45 por email e o G1 aguardava retorno até a publicação da reportagem.

Marido

O marido de Anna Carolina Jatobá e pai de Isabella Nardoni, também condenado pela morte da menina, cumpre pena em regime fechado na Penitenciária 2 de Tremembé.

Ele pode pedir progressão de regime em julho de 2019, quando tiver cumprido 2/5 da pena.

Caso Isabella

Em 29 de março de 2008, Isabella foi jogada da janela do apartamento do casal, no sexto andar de um prédio no bairro do Carandiru, na Zona Norte de São Paulo. Os condenados negam o crime. Eles alegam que uma outra pessoa entrou na residência e matou a criança.

A acusação se baseou em provas periciais produzidas pela Polícia Civil. Para o Ministério Público, Anna Jatobá esganou Isabella Nardoni e Alexandre jogou o corpo da filha pela janela. Antes, o casal teria cortado uma tela de proteção do apartamento.

Forças Armadas retornam à favela da Rocinha no Rio de Janeiro

Sete veículos blindados e 550 homens do Exército, Marinha e Aeronáutica estão sendo empregados em uma operação de varredura na parte alta da favela.

Militares das Forças Armadas retornaram à Rocinha na manhã desta terça-feira (10) para dar apoio a uma operação da Polícia Militar na comunidade.

Sete veículos blindados e 550 homens do Exército, Marinha e Aeronáutica estão sendo empregados em uma operação de varredura na parte alta da favela.

As tropas federais foram solicitadas pela Secretaria de Segurança do Estado. O objetivo é dar apoio para que policiais possam checar informações sobre a existência de esconderijos de armas e drogas na mata que fica no alto da favela.

Foto: Rogerio Santana/ GERJ

Homens das Forças Armadas estão equipados com detectores de metal e pólvora, enquanto policiais vasculham o local com cães. No total, 1.100 homens atuam na região- 550 policiais militares e outros 550 das tropas federais.

Segundo o porta-voz do Comando Militar do Leste, coronel Roberto Itamar, o emprego das Forças Armadas irá durar o tempo que levar a varredura. A ideia é que os militares não permaneçam na Rocinha após o término da operação, que deve terminar nesta terça-feira.

Até às 10h30, não tinham sido registrados confrontos entre criminosos e as forças de segurança. Nenhuma apreensão havia sido feita ainda.

Retorno

Os militares retornaram à Rocinha onze dias após a desmobilização das tropas federais, que ocuparam o morro por uma semana. Desde que as Forças Armadas saíram, no último dia 29, há registro de diversos confrontos entre policiais e traficantes na favela.

Na segunda-feira, duas pessoas morreram. Houve tiroteios na parte baixa da favela em duas ocasiões durante a manhã e uma última troca de tiros à tarde. No final de semana, ao menos três civis foram baleados nos confrontos armados na Rocinha.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os militares chegaram pela primeira vez à Rocinha no último dia 17. Na ocasião, os conflitos no morro já duravam cinco dias. Desde o dia 12 que traficantes rivais se enfrentavam. A polícia interveio e em 17 de setembro recebeu o reforço de 950 homens das Forças Armadas, que ocuparam as principais vias de acesso à favela.

Os conflitos começaram após um racha na facção ADA (Amigo dos Amigos), que domina a venda de drogas na Rocinha. O então chefe do tráfico, Rogério Avelino, o Rogério 157, teria se recusado a devolver o controle das bocas de fumo da região a pessoas indicadas pelo antigo dono, o Antônio Bonfim Lopes, o Nem, preso em Rondônia.

Rogério era braço direito de Nem e passou a controlar o tráfico da Rocinha quando o chefe foi preso, em 2011. Recentemente, Nem teria dado ordem para que Rogério entregasse os pontos de venda de droga a um outro aliado. O traficante se recusou e matou os aliados do antigo chefe, o que culminou em uma tentativa de invasão da Rocinha por homens de outros morros ligados a Nem.

Quando as Forças Armadas anunciaram a saída da Rocinha, no último dia 29, havia indícios de que, mesmo após o cerco, homens dos dois lados do conflito ainda permaneciam na favela. Moradores relataram que os criminosos voltavam aos seus postos à noite, quando a presença policial era reduzida. O temor era de que a guerra do tráfico voltasse com a saída das tropas federais.

Após a saída, a polícia reforçou o contingente no morro com 550 homens. Desde então, tiroteios têm sido frequentes na Rocinha.

Foto: Agência Brasil

Migração

Pesquisa Datafolha feita com os moradores do Rio realizada em 3 e 4 de outubro constatou que 7 em 10 moradores da cidade querem deixá-la por causa da violência. A porcentagem é maior entre os mais escolarizados.

Além disso, para os cidadãos cariocas, mais da metade dos moradores do Rio acredita que os usuários de droga são mais responsáveis pela violência na cidade do que os traficantes.

Fachin manda arquivar inquérito que investigava Renan, Jucá e Sarney

Ministro do STF acolheu pedido da PGR, que concluiu que 'não houve a prática de nenhum ato concreto'. Ex-presidente da Transpetro denunciou plano para atrapalhar a Lava Jato.

elator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luiz Edson Fachin determinou o arquivamento do inquérito aberto para investigar os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR) e do ex-presidente da República José Sarney (PMDB). O magistrado acolheu recomendação da Procuradoria Geral da República (PGR).

No mês passado, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou que o ministro do STF ordenasse o arquivamento do inquérito aberto com base na delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Um dos delatores da Lava Jato, Machado apontou uma suposta tentativa dos três peemedebistas de tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato.

Inicialmente, conversas gravadas pelo ex-dirigente da Transpetro indicavam um plano para "embaraçar" as investigações sobre o esquema de corrupção que agia na Petrobras.

O inquérito foi aberto por ordem de Fachin a pedido do próprio Janot. Numa das conversas de Machado com Romero Jucá, o senador sugeria a mudança do governo a fim de viabilizar um pacto para "estancar a sangria" representada pela Lava Jato.


Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney eram investigados com base na delação premiada de Sérgio Machado (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil; Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em julho, a Policia Federal (PF) já havia dito que uma eventual intenção não poderia ser considerada crime e, portanto, os políticos não teriam cometido atos de obstrução da Justiça.

No pedido de arquivamento, Janot segue a linha da Polícia Federal e afirma que a divulgação da gravação trouxe à tona "toda estratégia então planejada". "Certamente, se não fosse a revelação, os investigados tentariam levar adiante seu plano", ponderou o ex-procurador-geral.

À época, Janot argumentou que tais atos não são "penalmente puníveis". "De fato, não houve a prática de nenhum ato concreto para além da exteriorização do plano delitivo."

O antecessor de Raquel Dodge afirmou ainda que eventuais projetos de lei poderiam ter sido apresentados com uma roupagem de aperfeiçoamento jurídico, mas com a ideia escusa de interromper as investigações de crimes.

09 de outubro de 2017

Mais de 80% dos brasileiros acham que pessoas comuns podem combater corrupção

Esta é a maior taxa observada na América Latina. Ao todo, foram entrevistadas mais de 22 mil pessoas em 20 países latinos.

Uma pesquisa feita pela Transparência Internacional mostrou que 83% dos brasileiros acreditam que pessoas comuns podem fazer a diferença na luta contra a corrupção. Esta é a maior taxa observada na América Latina, seguida por Costa Rica e Paraguai, ambas com 82%, segundo o Barômetro Global de Corrupção. Foram entrevistadas 22.302 pessoas residentes em 20 países da América Latina e do Caribe, entre maio e dezembro de 2016. No Brasil, os dados foram coletados em maio e junho de 2016.

Segundo o relatório divulgado hoje (9), 11% dos brasileiros disseram ter pagado propina nos 12 meses anteriores à pesquisa para acessar serviços básicos (escola pública, hospital, confecção de documento de identidade, polícia, tribunais e serviços de saneamento), uma das menores taxas da América Latina, à frente apenas de Trinidad e Tobago (6%).

"Esse número é bem menor do que no México, que é 50%, ou no Peru, que é quase 40%. Isso também vai na contramão de um certo discurso inadequado de que todo brasileiro é corrupto, desonesto, que o país não tem jeito. Temos que reconhecer que nosso país está passando por uma crise profunda, é um momento difícil que parece apontar para um futuro ruim, mas a corrupção sistêmica que percebemos talvez se dê nas altas esferas de poder, não na vida cotidiana do cidadão comum", avaliou o consultor sênior da Transparência Internacional no Brasil, Fabiano Angélico.


Foto: Pragmatismo Político

O Barômetro Global de Corrupção mostra ainda que 83% dos brasileiros entrevistados acreditam que pessoas comuns podem fazer a diferença na luta contra a corrupção. Outros 71% responderam que passariam um dia inteiro em um tribunal para fornecer evidências de casos de corrupção. O brasileiro é também o que mais acredita ser socialmente aceitável reportar casos de corrupção (74%). Oito em cada dez brasileiros disseram que se sentiriam obrigados a reportar um caso de corrupção caso presenciasse (81%).

“Existe uma percepção da população brasileira de que ela tem um papel na luta contra a corrupção e no fato de que a sociedade pode ajudar no combate à corrupção, o que é um dado muito positivo e acertado. Em nenhum país que conseguiu controlar a corrupção apenas os órgãos de Estado, classe política e Judiciário agiram. A sociedade tem papel importante em apoiar e cobrar”, afirmou Angélico.

Segundo os dados, há percepção tanto de brasileiros, quanto de peruanos, chilenos e venezuelanos de que a corrupção aumentou nos 12 meses anteriores à consulta. São considerados especialmente corruptos os policiais e os políticos por pelo menos 47% dos entrevistados. Mais da metade (53%) dos entrevistados também avaliaram que os governos vão mal no combate à corrupção.

Dove pede desculpas por propaganda acusada de racismo nas redes

Na propaganda, um GIF de três segundos para um sabão líquido da marca, uma mulher negra tira uma camiseta para revelar uma mulher branca, que remove sua camiseta e revela uma terceira mulher.

 A marca de cosméticos Dove, propriedade da gigante holandesa Unilever, pediu desculpas após a difusão on-line de um anúncio acusado de racismo pelos usuários de redes sociais.
"Em uma imagem publicada nessa semana, erramos ao representar as mulheres de cor, e lamentamos profundamente os danos causados", declarou em uma mensagem publicada no Facebook e no Twitter.
Na propaganda, um GIF de três segundos para um sabão líquido da marca, uma mulher negra tira uma camiseta para revelar uma mulher branca, que remove sua camiseta e revela uma terceira mulher.
A ação, originalmente transmitida na página da Dove Estados Unidos no Facebook, foi amplamente denunciada por usuários da rede em todo o mundo. A transição da mulher negra para as mulheres brancas evocou um mote que já foi muito utilizado pela publicidade de sabonetes: uma pessoa negra "suja" é "limpa" até a brancura.
"Ser negro significa ser sujo e indesejável?", postou uma usuária do Twitter, pedindo boicote aos produtos Dove e Unilever.
A hastag #BoycottDove era amplamente replicada na rede social na manhã desta segunda-feira (9).
Marissa Solan, porta-voz da Dove, disse no domingo (8) que o GIF "pretendia transmitir que o Dove Body Wash é para todas as mulheres e é uma celebração da diversidade, mas entendemos errado e, como resultado, ofendemos muitas pessoas."
Ela acrescentou que Dove removeu a postagem da rede e está "reavaliando nossos processos internos para criar e revisar conteúdo."
Na Bolsa de Valores de Londres, às 07h30 (4h30 de Brasília), o preço da ação da Unilever caia ligeiramente, 0,39%, em um mercado estável.
Em 2013, outra marca de cosméticos da Unilever teve que se desculpar após a polêmica criada por um concurso na Tailândia em torno de um produto para clareamento da pele.
O anúncio da Dove não é um caso isolado de uma empresa -a própria marca já foi acusada de racismo anteriormente.

Morre mais uma criança vítima do ataque à creche em Janaúba

Com a morte do menino de 5 anos, o número de vítimas do incêndio chega a 11

Mais uma criança vítima do ataque à creche Gente Inocente, em Janaúba (MG), morreu na madrugada de hoje (9) em um hospital de Belo Horizonte – Mateus Felipe Rocha Santos, de 5 anos. Agora são 11 mortos – nove crianças, a professora e o autor do ataque. A professora Heley Abreu Batista, de 43 anos, que ajudou no resgate das crianças que sobreviveram à tragédia, recebeu, por seu ato de heroísmo, a Ordem Nacional do Mérito.

A decisão foi do presidente Michel Temer. Em nota, a Presidência da República informou que a honraria é concedida a pessoas que deram exemplos de dedicação ao país.

Duas crianças que sobreviveram ao ataque receberam alta médica nesse domingo (8) – Ludmila Cristine Ferreira Silva, de 6 anos, e Arthur Gabriel Soares, 4 anos, estavam internados em hospitais de Montes Claros. Ainda há 24 vítimas internadas em hospitais de Janaúba, Montes Claros e Belo Horizonte.


Algumas das crianças da creche que morreram na tragédia. Foto: Reprodução/Globo

Na manhã da última quinta-feira (5), um vigia que trabalhava na creche Gente Inocente e estava de licença médica entrou no local e ateou fogo em crianças, professoras e nele mesmo.

Homenagem 

A prefeitura de Janaúba, cidade da tragédia, promete reinaugurar em até 80 dias a unidade de ensino, que deve ganhar o nome da professora Heley de Abreu, morta no incêndio. Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, na tarde deste domingo, 8, o prefeito Carlos Isaildon Mendes (PSDB) afirmou que um grupo de empresários da região vai assumir a reforma.


Professora Heley de Abreu que morreu tentando salvar os alunos do incêndio. Foto: Reprodução/Globo

No sábado, o prefeito esteve reunido com representantes da Polícia Civil, secretários do município, engenheiros e arquitetos de Janaúba e de Montes Claros, principal cidade da região norte de Minas, para discutir o destino da creche.

“Os empresários vão assumir todo o custo da reforma da creche, descaracterizando todo o ambiente que aquelas crianças presenciaram”, afirmou.

Os técnicos realizaram medições no imóvel, que foi vistoriado e fotografado para elaboração do projeto de reforma, que deve ser entregue na próxima sexta-feira, 13.

“Só saberemos exatamente o que vai ocorrer com o prédio após a entrega do projeto arquitetônico” disse Mendes. “O compromisso da prefeitura com os empresários é entregar limpo – e não demolido. A previsão é que no máximo em 80 dias a creche seja inaugurada no mesmo local.”

Segundo o prefeito, a sugestão levantada na reunião é que a unidade de ensino passe a se chamar “Gente Inocente – Heley de Abreu”. A professora de 43 anos é considerada uma “heroína” na cidade.

De acordo com testemunhas, Heley tentava socorrer as crianças em meio ao incêndio quando percebeu que o vigilante estava retornando ao local, com mais combustível e um palito de fósforo nas mãos. Ela tentou impedir o criminoso e os dois chegaram a entrar em luta corporal.

A perícia da Polícia Civil no imóvel deve ser concluída na terça-feira, 10, segundo o prefeito. O jornal teve acesso ao interior da creche e constatou o estrago provocado pelo fogo, que atingiu as três salas e o salão principal da unidade. Das hélices dos ventiladores, por exemplo, sobraram apenas um fio de plástico, derretido.

A queda do forro de PVC, que derreteu com o incêndio, teria sido a principal causa das lesões sofridas pelas vítimas do ataque, segundo análise inicial da Perícia.

Apesar de ter sido inaugurada há 17 anos, a unidade de ensino, que abrigava até bebês do berçário, não era equipada por extintores nem tinha alvará dos Bombeiros. Todos os cômodos da creche, que tem 200 metros quadrados, foram incinerados. De PVC, o forro do salão principal praticamente desapareceu, restante apenas partes retorcidas pelo chão.

08 de outubro de 2017

Parte de camarote desaba durante show de Ivete em Aracaju e deixa feridos

Cerca de 60 pessoas foram atendidas e 26 levadas para dois hospitais. Ivete Sangalo interrompeu o show quando percebeu o tumulto

Uma parte da estrutura de um camarote da Odonto Fantasy desabou durante o show de Ivete Sangalo na madrugada deste domingo (8) em Aracaju e deixou dezenas de pessoas feridas. Começou a chover e muitas pessoas subiram no camarote. A aglomeração foi grande, e a parte superior não resistiu e cedeu. O Samu foi acionado e prestou os primeiros socorros. Cerca de 60 pessoas foram atendidas e 26 levadas para dois hospitais. Todos passam bem e foram liberados.

Ivete Sangalo interrompeu o show quando percebeu o tumulto. "Peço calma nesta hora. Vamos colaborar com os bombeiros e descer do camarote gradativamente. Vou aguardar a organização do evento avaliar a situação e decidir se devo continuar o show", comentou a cantora.

Em seguida, os organizadores do evento subiram no palco e acalmaram os 'odontomaníacos'. "A gente pede desculpas. Nós temos responsabilidade e comprometimento com todos vocês aqui. São 20 anos de história da Odonto Fantasy e fazemos tudo com muito carinho. Vamos continuar a festa sim. Agradecemos a compreensão de todos. Pedimos que o público do camarote desça provisoriamente para que possamos fazer um isolamento. Não existem feridos graves. Esse tipo de imprevisto pode acontecer e todas as medidas estão sendo tomadas. Guardem as pulseiras e depois vamos ver o que vamos fazer", disse Gustavo Paixão.

Os feridos foram atendidos no pronto-socorro e cerca de 40 minutos depois o show continuou.

Entre os feridos estava Carlos Barros que sofreu ferimentos leves nas pernas. "Cheguei de Salvador para participar da festa pela primeira vez e estava tudo lindo até que este imprevisto ocorreu. Foi tudo muito rápido e não percebemos como começou; Muita gente começou a subir e todos estavam dançando ao som de Ivete. Foi muito tenso e a gente achou que todo o camarote fosse cair", lamenta.

Cerca de 22 mil pessoas participaram da 20ª edição da Odonto Fantasy que é maior festa a fantasia do Norte-Nordeste. Além de Ivete, se apresentaram Saulo Fernandes, Solange Almeida, Jota Quest, Léo Santana e Cartel de Bali. A festa foi realizada no Sítio Terencio, localizado na Rodovia dos Náufragos, em Aracaju.

07 de outubro de 2017

Sete em cada 10 moradores deixariam o Rio por causa da violência, diz Datafolha

Para 74% dos entrevistados, o desempenho do governo na área de segurança tem sido ruim ou péssimo.

Uma pesquisa feita pelo Datafolha divulgada neste sábado (7) pelo jornal Folha de S.Paulo mostra que 72% dos moradores do Rio de Janeiro iriam embora da cidade por causa da violência. De acordo com o levantamento, a vontade de sair do Rio é majoritária em todas as regiões e faixas socioeconômicas.

Ao todo, foram ouvidas 812 pessoas e a margem de erro é de quatro pontos percentuais. O levantamento foi feito na terça (3) e quarta-feira (4). Para 74% dos entrevistados, o desempenho do governo Luiz Fernando Pezão (PMDB) na área de segurança tem sido ruim ou péssimo; 21% consideram regular e 5%, ótimo ou bom. Nas ruas, 90% se dizem inseguros ao caminhar à noite pela cidade.


Foto: Rogerio Santana/ GERJ

Com relação às Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), 62% acreditam que elas não melhoraram a segurança da cidade; 57% afirmam que não melhoraram a segurança das comunidades com UPP e 56% que não melhoraram os seus entornos. Para 70% dos mradores, o modelo precisa de mudanças.

Ainda segundo a pesquisa do datafolha, 83% dos moradores do rio são a favor da atuação dos militares no combate à violência local, 15% são contra. Sobre a eficácia, 52% afirmam que a presença do Exército não mudou em nada a realidade local, 44% dizem que melhorou, e 2% que piorou.

O Datafolha também perguntou de quem os moradores do Rio têm mais medo e 49% disseram bandidos, 23% polícia e outros 23% ambos na mesma proporção. Apenas 2% disseram não ter medo de nenhum dos deles. O medo da polícia aumenta a 28% entre os mais pobres, que ganham até dois salários mínimos de renda familiar mensal, e os mais jovens - de 16 a 24 anos.

Incrédulos, familiares enterram crianças de 4 anos após episódio em creche

10 pessoas morreram depois que o vigia da creche ateou fogo no local e nele mesmo na última quinta (05)..

Victor Hugo está calado. Com só quatro anos, "não sei se ele entende" o que está acontecendo, diz seu avô, Jovecino da Silva, 61. Por muito pouco, a criança não se somou às cerca de 50 vítimas do atentado em uma creche de Janaúba, em Minas Gerais.
Uma delas, Ana Clara Ferreira Silva -irmã gêmea de Victor Hugo. Ela estava na creche quando o guarda ateou fogo na escola –morreu na hora. Victor Hugo também poderia estar lá, mas faltou à aula naquele dia, "por um problema na vista", diz o pai, Nelson Silva de Jesus.
Os gêmeos viviam brincando, diz o avô Jovecino, lavrador de Jacaré Grande, zona rural de Janaúba, e que foi à cidade para se despedir da neta. O outro avô, Antonio Pereira da Silva, 56, também lembra da menina da mesma forma. "Eu levava os meninos para a creche de vez em quando, era uma festa. Não sei mais como vai ser, se vão continuar lá. Por que traz muita lembrança, né?", diz ele, que interrompe a conversa com a reportagem para atender à filha, Luana Ferreira, que chorava, desconsolada, sobre o caixão: "Mão deixa meu anjo ir".
Nelson, pai das crianças, conta que estava em casa na manhã de quinta, a poucos quarteirões da creche, quando ouviu "uma barulheira, gente passando, depois sirene". Foi à rua ver o que era a movimentação e viu a fumaça que saía da creche.


Creche ficou destruída após o ataque em Janaúba (Foto: Natália Jael/Inter TV Grande Minas)

"Um negócio horrível", afirmou, em voz baixa, poucas horas após a tragédia. No dia seguinte, no enterro, não conseguiu falar. Outros dois filhos do casal também estavam na creche, mas passam bem, segundo a família.
Bicicleta e futebol eram os passatempos prediletos de Ruan Miguel Soares Silva, também de quatro anos (como todas as crianças mortas), diz Paulo Soares, 41, trabalhador rural e tio do menino. "Eu vinha brincar com ele sempre que podia, ele adorava", diz.
Filho único, o menino vai deixar "um vazio, um silêncio na casa agora, vamos ver como vão fazer", conta. "A família é toda simples, somos trabalhadores rurais. Um anjinho desses, como podem fazer isso? Um psicopata...", desabafa, no velório do pequeno sobrinho.
Gracinha
Quase xarás, Juan Pablo e Ruan Miguel costumavam brincar juntos, diz Gabriela Ferreira dos Santos, 32, que também mora na região e lembra ainda de outro homônimo, um ano mais velho que a dupla, internado em Montes Claros, com 30% do corpo queimado.
"De cabelo lisinho, sorriso no rosto, mas com cara séria às vezes, uma gracinha", diz, referindo-se a Juan Pablo.
Além deles, morreu também no atentado Luiz Davi Carlos Rodrigues, lembrado pela tia, a diarista Cristiane Rodrigues, 37, pela facilidade com que usava o celular dos mais velhos. "Pensar que nunca mais vai vou ver aquela criança, que fazia graça, mandava áudio no grupo do WhatsApp da família", diz. "Tirava foto e pedia para colocar filtro, carinha de animal", completa uma prima.
O velório, como no caso das outras vítimas, também foi feito em casa, no bairro Barbosa, próximo à creche. Além dos pais, Luiz deixou ainda um irmão mais velho.
Morreram ainda outras três crianças: Renan Nicolas dos Santos Silvas e duas meninas, que foram internadas em Montes Claros, Cecília Davina Gonçalves Dias (que chegou a ser reanimada durante a madrugada após sofrer paradas cardíacas) e Yasmin Medeiros Sabino -que teve 90% do corpo queimado.

'Não tenho vergonha de mim', diz jovem tatuado na testa em recuperação

Crime aconteceu em 9 junho deste ano. Juíza ainda não decidiu futuro dos agressores, que estão presos

Internado desde 13 de junho em uma clínica para tratamento contra o vício de crack e álcool, na Grande São Paulo, o adolescente de 17 anos que teve a testa tatuada por dois homens em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, disse que vive um dia por vez e que perdoa os responsáveis pela marca que ainda carrega em sua pele com a frase “eu sou ladrão e vacilão”. 

“Estou aprendendo a viver. A gente tem de viver um dia de cada vez. Já sei o que posso fazer da minha vida: estudar, trabalhar e viver a vida como cidadão. Hoje sei o limite das coisas. Droga derrotou muito a minha vida e a da minha família. Não quero mais, não tenho mais vontade de usar, só quero ficar limpo e andar para frente”, disse ele.

Os responsáveis pela inscrição na pele do adolescente são o tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis, 27 anos, e o vizinho Ronildo Moreira de Araújo, 29 anos. Em 12 de setembro, a audiência de instrução para julgá-los foi realizada. A dupla segue presa até a decisão da Justiça.

Tratamento

O menino passa 24 horas na clínica Grand House, em Mairiporã, onde é feito o tratamento, gratuito. A rotina para concretizar o sonho de estudar e trabalhar passa por uma programação de atividades, que incluem atendimento psiquiátrico e psicológico, de convivência social e atividades lúdicas e esportivas. O local tem academia, campo de futebol, lago, jardim, piscina, a galinha “Fênix” e o cachorro “Snoopy”, que são os mascotes da clínica.

“Depois que aconteceu aquele fato comigo eu entendi que não posso mais viver no mundo das drogas. Tenho que colocar na minha cabeça que sou uma pessoa que tem pai, mãe, que nunca me deixaram de lado”, disse o garoto.

Recuperação

“Eu sou uma pessoa que crê muito em Deus, sei que é minha última chance para eu ficar limpo. Minha mente está aberta, ela estava fechada, não queria ouvir ninguém, não queria escutar ninguém, eu queria ser meu próprio Deus. Coloquei um objetivo na minha vida: crescer, fazer uma escola, um trabalho, e ser digno, honesto”, afirmou ele.

O jovem relembrou a manhã daquele 9 de junho, quando foi dominado pelos dois rapazes e teve a testa tatuada. “Aquele dia eu estava com problema, estava alcoolizado e defini para mim pegar o que não é meu e acabei fazendo coisa errada. Hoje eu tenho na minha mente que não posso fazer isso, se eu quiser alguma coisa eu tenho de trabalhar e conquistar. Eu quero ser engenheiro ou trabalhar com informática.”

“A Justiça já está feita, eu também errei, mas os dois erraram, deixo na mão da Justiça. Penso mais na minha recuperação, né. Quero ser um bom filho, um pai de família, um bom irmão. Eu perdoo, do fundo do coração eu perdoo. A única coisa que eles fizeram foi justiça com as próprias mãos, mas a Justiça já foi feita”, disse o adolescente.

Diante do espelho

O adolescente passou pela terceira sessão para retirada da tatuagem da testa nesta semana. Ele está confiante no tratamento e espera um dia olhar no espelho e não ver mais a inscrição tatuada. “Assim, quando me olho no espelho, eu consigo me olhar no espelho e não vejo uma pessoa má, sou uma pessoa do bem que está se transformando. Hoje em dia eu consigo olhar no espelho. Eu não tenho vergonha de mim, eu não vou ter vergonha de mim.”

“Às vezes eu não me olho no espelho. Tem vezes que eu fico assim: poxa, não saiu ainda. Mas o tratamento está sendo feito. Olhar no espelho eu consigo, mais do que antes, porque antes eu não olhava, antes eu não conseguia olhar, quando olhava para mim não conseguia me identificar, não sabia quem era eu, hoje eu consigo ver quem sou eu”, disse ele.

Primeiro passo

A psicóloga Marcela Abrahao da Silveira, coordenadora da Clínica Grand House, disse que o adolescente se adaptou bem ao tratamento de desintoxicação. "Nós temos a questão do primeiro passo, porque a doença é biopsicossocial, física, mental, espiritual e comportamental. O que designa esse primeiro passo é o paciente ter consciência de que é impotente e de que a vida estava incontrolável."

Segundo ela, o paciente precisa entender que a realidade em que estava vivendo, sob efeito das drogas e a atual são distintas. "É o primeiro passo para de fato ele começar a entrar em recuperação, a entrar com a realidade dele, que é essa realidade da perda de controle, a ingovernabilidade e aceitação. Muitas vezes o paciente recém chegado não compreende isso. É preciso aceitar as derrotas de cabeça erguida para poder alcançar as vitórias e assim seguir em frente.”

06 de outubro de 2017

Movimento separatista faz plebiscito informal nos três Estados do Sul

O movimento O Sul É o Meu o País fará a segunda edição do Plebisul, com urnas espalhadas por 900 municípios de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A deterioração política e econômica do Brasil e a transferência de recursos financeiros abaixo do desejado pela União podem motivar o surgimento de um novo país, formado pelos três Estados do Sul. Ao menos esses são alguns dos argumentos do movimento O Sul É o Meu o País, que neste sábado (7) fará a segunda edição do Plebisul, com urnas espalhadas por 900 municípios de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

"Você quer que Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul formem um país independente?" é a questão que será apresentada aos participantes.

A votação do movimento ocorre uma semana após plebiscito separatista da Catalunha (Espanha), que terminou com 90,09% dos votantes favoráveis à independência e 7,87% contrários -o restante votou em branco ou anulou.

Índice muito alto? Na primeira edição do Plebisul, em outubro do ano passado, 95,74% dos 616 mil participantes apoiaram a proposta de independência sulista. Neste ano, a expectativa é alcançar entre 1 milhão e 2 milhões de votantes.

"O Sul independente tem um grande potencial de ser um país de primeiro mundo. Enquanto estivermos atrelados a Brasília nós não temos esta condição. Nós ficamos no cabresto, como costumamos dizer aqui no Sul", afirmou Anidria Rocha, uma das lideranças do movimento.

Os organizadores afirmam que um grupo de mais de 20 mil voluntários estará envolvido com o processo.

O movimento existe desde 1992, mas ganhou força nos últimos anos. Segundo ela, o principal motivo é a deterioração da situação política e econômica do Brasil. Outra queixa é sobre a região ficar com um baixo índice dos recursos produzidos. "Apenas 20% dos recursos produzidos na região permanecem nos Estados do Sul, enquanto o restante fica 'encastelado' em Brasília."

A integrante do movimento disse saber que o plebiscito não tem valor legal e que o sonho separatista ainda está distante -a maioria dos apoiadores da causa acredita que a conquista da independência levará cerca de dez anos.

Apesar disso, neste sábado o grupo também coletará assinaturas com o objetivo de apresentar um projeto de lei de iniciativa popular que propõe a realização de um plebiscito oficial nos três Estados do Sul junto com as eleições de 2018.

Docente de ciência política da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Rodrigo Stumpf González disse que o movimento do Sul do Brasil é diferente do observado em outras regiões do mundo, como na própria Espanha (onde atua como professor visitante da Universidade Autônoma de Madri), na Escócia ou no Curdistão.

Segundo ele, esses locais foram formados a partir da fusão de comunidades políticas com uma organização, cultura e língua comuns. "Já o Brasil é um país que foi fundado a partir da colonização portuguesa e no qual foram incorporados outros grupos de imigrantes, dentro de uma unidade política nacional que surgiu como um Estado unitário, e onde os Estados da federação têm uma existência posterior."

'POUCA VIABILIDADE'

De acordo com González, a conquista da independência do Sul do país é "um projeto com pouquíssima viabilidade" porque é proibida pela Constituição. O primeiro artigo do texto constitucional "estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e Distrito Federal".

No ano passado o grupo tentou realizar o plebiscito no mesmo dia das eleições municipais, mas foi obrigado a alterar a data após uma decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Santa Catarina.

Na decisão, o desembargador Cesar Augusto Mimoso Ruiz Abreu alegou que a consulta poderia atrapalhar as eleições. Ele também entendeu a votação como uma tentativa de desmembrar parte do território nacional, o que é considerado um crime com pena que varia de quatro a 12 anos de prisão. O crime citado pelo TRE está previsto na lei 7.170, no artigo 11.

Como a data foi alterada, no entanto, para ele não havia nenhum impedimento para o a realização do Plebisul.

O plebiscito é realizado, também, num momento em que o Rio Grande do Sul enfrenta grave crise financeira. O Estado anunciou na quarta (4) que vai vender cerca de 49% do capital votante do banco estatal Banrisul.

O governo, que enfrenta dificuldades para pagar salários e dívidas, decretou em novembro do ano passado estado de calamidade financeira. O Estado fechou 2016 com resultado primário apontando deficit de R$ 104 milhões, de acordo com o Tesouro Nacional.

PULVERIZADO

Apesar de estar em estágio mais avançado, O Sul É o Meu o País não é o único grupo separatista existente no Brasil.

Pernambuco também tem um movimento organizado, assim como São Paulo, que no ano passado realizou o próprio plebiscito. O Sampadeus, como foi chamado, teve a participação de 48.917 pessoas, das quais 54,2% votaram pela independência de São Paulo.

Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, além da região da Amazônia e até mesmo Brasília registram inciativas separatistas.

Para González, movimentos desse tipo podem interferir na política nacional, dependendo da capacidade de mobilização de eleitores e da constituição de uma representação no Congresso, a exemplo do que fazem partidos separatistas na Espanha.

"Essa é uma possibilidade, que eles venham a conseguir mobilizar eleitores no sentido de criar uma representação parlamentar e, com isso, negociar uma mudança no pacto federativo e na distribuição de recursos, e não necessariamente na conquista de uma independência", disse.

Só poderá ir às urnas neste sábado quem tiver mais de 16 anos e for eleitor de um dos três Estados do Sul. O pleito será das 8h às 20h. Os locais de votação estão disponíveis no site sullivre.org.

Vendedor some após enviar fotos misteriosas para família pelo WhatsApp

Guilherme Telles, de 35 anos, está desaparecido desde terça-feira (3). Imagens do jovem com ferimentos foram enviadas para amigos e familiares.

Um vendedor desapareceu, na noite da última terça-feira (3), após entrar em um carro de um aplicativo de transporte, em frente a um bar, em Santos, no litoral de São Paulo. Guilherme Telles, de 35 anos, tinha acabado de começar em um novo emprego. A hipótese de que Telles tenha sido vítima de um crime é cogitada pela polícia.

A polícia está investigando o caso. Na última quarta-feira (4), imagens de Guilherme, com uma série de ferimentos nos braços, foram enviadas a uma amiga pelo celular do próprio jovem, que repassou para a família. De acordo com informações da polícia, ainda não é possível saber se as fotos foram enviadas pelo jovem ou por uma segunda pessoa. Após esse último contato, o celular do rapaz foi desligado.

Guilherme saiu para trabalhar, no shopping Praiamar, na manhã de terça-feira. Na hora do almoço, retornou para casa e, depois, voltou para o serviço. A família esperava que ele fosse para casa assim que encerrasse o trabalho, porém, ele enviou uma mensagem de texto para a mãe dizendo que iria dormir na casa de um amigo e que só retornaria por volta das 12h de quarta-feira. Os familiares acreditaram que o vendedor iria para casa no dia seguinte, porém, ele não apareceu.

Guilherme tem uma tatuagem de caveira em uma das mãos (Foto: Arquivo Pessoal)

“Esse foi o último contato que ele fez, na terça-feira, por WhatsApp. Na quarta-feira, por volta das 17h, uma amiga dele, que conhece a minha mãe, perguntou se ela sabia dele. Ele tinha mandado fotos para ela com alguns ferimentos no corpo. Os cortes pareciam ser superficiais. Ele teria mandado isso na quarta-feira, às 12h, e desde esse horário o celular não atende mais”, conta uma das irmãs do vendedor, que prefere não se identificar.

A irmã diz ainda que amigos de Guilherme disseram ter visto o jovem, na noite de terça-feira, no bar do Carlão, na rua Pindorama. Ele teria chamado um carro do aplicativo de transporte Uber e dito que iria para a casa noturna Pink. Porém, a casa não estava aberta para o público naquela noite. Na mensagem à família, Guilherme teria dito que iria dormir na casa de um amigo, porém, esse amigo disse que não combinou nada com o vendedor.

Guilherme usava tênis vinho, calça jeans e camisa preta. Ele tem tatuagens nos braços, nas mãos (caveira), nas costas (sol) e no peito (terço). A família fez um boletim de ocorrência de desaparecimento, nesta quinta-feira (5), e está desesperada atrás de notícias.

“Ele estava preocupado, triste, tinha saído do emprego recentemente e estava querendo sair desse ambiente noturno. Agora estava em um novo emprego, em um quiosque no shopping. Está complicado. Ficar sem ter notícias é horrível”, finaliza.

Vendedor some após enviar fotos misteriosas para família pelo WhatsApp

Guilherme Telles, de 35 anos, está desaparecido desde terça-feira (3). Imagens do jovem com ferimentos foram enviadas para amigos e familiares.

Um vendedor desapareceu, na noite da última terça-feira (3), após entrar em um carro de um aplicativo de transporte, em frente a um bar, em Santos, no litoral de São Paulo. Guilherme Telles, de 35 anos, tinha acabado de começar em um novo emprego. A hipótese de que Telles tenha sido vítima de um crime é cogitada pela polícia.

A polícia está investigando o caso. Na última quarta-feira (4), imagens de Guilherme, com uma série de ferimentos nos braços, foram enviadas a uma amiga pelo celular do próprio jovem, que repassou para a família. De acordo com informações da polícia, ainda não é possível saber se as fotos foram enviadas pelo jovem ou por uma segunda pessoa. Após esse último contato, o celular do rapaz foi desligado.

Guilherme saiu para trabalhar, no shopping Praiamar, na manhã de terça-feira. Na hora do almoço, retornou para casa e, depois, voltou para o serviço. A família esperava que ele fosse para casa assim que encerrasse o trabalho, porém, ele enviou uma mensagem de texto para a mãe dizendo que iria dormir na casa de um amigo e que só retornaria por volta das 12h de quarta-feira. Os familiares acreditaram que o vendedor iria para casa no dia seguinte, porém, ele não apareceu.

Guilherme tem uma tatuagem de caveira em uma das mãos (Foto: Arquivo Pessoal)

“Esse foi o último contato que ele fez, na terça-feira, por WhatsApp. Na quarta-feira, por volta das 17h, uma amiga dele, que conhece a minha mãe, perguntou se ela sabia dele. Ele tinha mandado fotos para ela com alguns ferimentos no corpo. Os cortes pareciam ser superficiais. Ele teria mandado isso na quarta-feira, às 12h, e desde esse horário o celular não atende mais”, conta uma das irmãs do vendedor, que prefere não se identificar.

A irmã diz ainda que amigos de Guilherme disseram ter visto o jovem, na noite de terça-feira, no bar do Carlão, na rua Pindorama. Ele teria chamado um carro do aplicativo de transporte Uber e dito que iria para a casa noturna Pink. Porém, a casa não estava aberta para o público naquela noite. Na mensagem à família, Guilherme teria dito que iria dormir na casa de um amigo, porém, esse amigo disse que não combinou nada com o vendedor.

Guilherme usava tênis vinho, calça jeans e camisa preta. Ele tem tatuagens nos braços, nas mãos (caveira), nas costas (sol) e no peito (terço). A família fez um boletim de ocorrência de desaparecimento, nesta quinta-feira (5), e está desesperada atrás de notícias.

“Ele estava preocupado, triste, tinha saído do emprego recentemente e estava querendo sair desse ambiente noturno. Agora estava em um novo emprego, em um quiosque no shopping. Está complicado. Ficar sem ter notícias é horrível”, finaliza.

Mais duas crianças morrem após vigia atear fogo em creche em Janaúba

Cecília Davine Gonçalves Dias e Yasmin Medeiros Salvino, ambas de 4 anos, estavam internadas em Montes Claros; professora também morreu.

A assessoria de comunicação do Hospital Santa Casa de Montes Claros confirmou, na tarde desta sexta-feira (6), a morte de mais duas crianças, ambas de 4 anos, vítimas do ataque a uma creche ocorrido em Janaúba nesta quinta-feira (5). Elas estavam internadas em estado grave na instituição.

Com a nova atualização, o número de crianças mortas sobe para sete.

Cecília Davina Gonçalves Dias teve a morte confirmada por volta das 13h15; Yasmin Medeiros Salvino às 14h21. A creche em que elas estavam foi incendiada pelo vigia noturno Damião Soares dos Santos, de 50 anos, segundo a polícia. Ele também morreu.

Outra vítima do ataque foi professora Helley Abreu Batista, de 43 anos. Ela teve 90% do corpo queimado e morreu na noite de quinta.

Outras crianças e funcionários da creche ficaram feridos no ataque. Nesta sexta-feira (6), 41 pessoas seguiam internadas em hospitais de Janaúba, Montes Claros e Belo Horizonte, de acordo com informações do Corpo de Bombeiros. Entre os feridos que seguem em hospital, 37 são crianças.

Duas funcionárias da creche, que estão em estado grave, foram transferidas de helicóptero de Janaúba para Belo Horizonte na manhã desta sexta.

O Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, também recebeu na madrugada mais quatro crianças feridas. Unidade é referência no estado em tratamento de queimaduras.

Vítimas

- Ana Clara Ferreira Silva, 4 anos

- Luiz Davi Carlos Rodrigues, 4 anos

- Juan Pablo Cruz dos Santos, 4 anos

- Juan Miguel Soares Silva, 4 anos

- Renan Nicolas Santos, 4 anos

- Yasmin Medeiros Salvino, 4 anos

- Cecília Davine G. Dias, 4 anos

- Helley Abreu Batista, professora, 43 anos

Queimadura de vias aéreas é o maior risco em vítimas de creche em Minas

Três crianças que tiveram queimaduras nas vias aéreas foram transferidas na manhã desta sexta para Belo Horizonte.

Em visita ao Hospital João 23, em Belo Horizonte, o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Luciano Chaves, afirmou que a maior preocupação dos médicos em relação às vítimas de incêndio em creche de Janaúba (MG) é com a queimadura de vias respiratórias.
"As queimaduras, além do comprometimento da superfície corporal, tem a gravidade do comprometimento pulmonar. A inalação da fumaça prejudica muito o prognóstico de saúde das crianças", disse.
Segundo ele, o comprometimento das vias aéreas tem potencial mais grave. Três crianças que tiveram queimaduras nas vias aéreas foram transferidas na manhã desta sexta (6) do hospital João 23 para o hospital Odilon Behrens, ambos em BH.
Chaves informou que o banco de peles da Santa Casa de Porto Alegre tem peles suficientes para 15 crianças e que o material já está bloqueado para ser usado nas vítimas de Janaúba se necessário.


Atendimento a vítimas do incêndio em creche de Janaúba (Foto: Hospital Regional de Janaúba/Divulgação)

A sociedade também ofereceu equipe médica de emergência para reforçar o atendimento no João 23, que é um hospital de referência para o tratamento de queimaduras na América Latina.
Chaves veio participar de evento em BH e foi ao hospital prestar solidariedade e apoio científico. "O que vimos no CTI é uma cena muito triste, são crianças que estão todas entubadas, é um quadro realmente grave."
Doação
O hospital João 23 também recebeu nesta manhã uma doação de vinte caixas de curativos de biocelulose para queimaduras.
Cada caixa contém 12 películas de 16 cm por 21 cm, quantidade que pode atender as dez pessoas internadas atualmente no hospital -oito são crianças.
Segundo a enfermeira Ludmila Ramalho, a empresa responsável pela fabricação dos curativos, chamados de Nexfill, ofereceu a doação ao hospital, que aceitou prontamente.
Os curativos são finos como uma folha de seda, são transparentes e de uso único, não é preciso trocá-lo constantemente.

COI afasta Nuzman de funções e suspende o Comitê Olímpico do Brasil

Nuzman era membro honorário do COI e integrava a comissão de coordenação para os Jogos de Tóquio-2020.

O Comitê Executivo do COI (Comitê Olímpico Internacional) anunciou há instantes que Carlos Arthur Nuzman, preso nesta quinta-feira (5) pela Polícia Federal, foi suspenso de suas funções na entidade.
Nuzman era membro honorário do COI e integrava a comissão de coordenação para os Jogos de Tóquio-2020.
Além disso, o comitê internacional suspendeu o Comitê Olímpico Brasileiro.
Com a punição, o COB está impedido de receber pagamentos e subsídios repassados pelo COI. O comitê nacional também perde seus direitos como filiado ao COI, como fazer parte de associações de comitês olímpicos nacionais.


Fotos: Francisco Medeiros/ME

Apesar disso, o COI ressaltou que os atletas brasileiros não serão prejudicados. O país poderá enviar delegação para os Jogos Olímpicos de Inverno, que ocorrerão em fevereiro próximo, em PyeongChang, na Coreia do Sul, e outros eventos.
Bolsas escolares a atletas do país, geralmente concedidas por meio do programa Solidariedade Olímpica, também estão mantidas.
As sanções, que são provisórias, passam a vigorar de imediato.
Elas só serão derrubadas um vez que a liderança do COB apresente um plano de governança que satisfaça o comitê executivo do COI.
Liderado por seu presidente, o alemão Thomas Bach, o comitê executivo do COI acatou recomendação da comissão de ética da entidade, deliberada nesta sexta-feira (6).
O chefe da comissão, o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, expressou que Nuzman ainda tem direito a defesa, mas diante da gravidade dos fatos é urgente que o COI tome uma posição.
Em respeito à regra 59 da Carta Olímpica, ele sugeriu que o COI retirasse Nuzman dos cargos que ocupava, o que foi acatado.
Rio-2016
Na mesma nota divulgada, o COI afirmou que encerrou toda e qualquer obrigação com o Comitê Organizador dos Jogos do Rio, do qual Nuzman é presidente, em dezembro de 2016.
E que todas as cooperações financeiras até mesmo excederam o que era combinado. Assim, o COI não dará qualquer assistência ao Rio-2016, que hoje ainda tem uma dívida de quase R$ 130 milhões a saldar com fornecedores, consumidores e ex-funcionários.
"O COI decide suspender provisoriamente todas as relações com o Rio-2016", disse o comunicado.
A suspensão pode ser revista caso problemas de governança do Comitê Organizador Rio-2016 satisfaçam a cúpula do COI.
Entretanto, dificilmente a dívida dos organizadores será quitada, uma vez que a prefeitura do Rio, o governo do Estado e a União têm se recusado a repassar recursos.

Criança é reanimada após incêndio em creche em MG; outras cinco morreram

Na noite desta quinta, os bombeiros chegaram a confirmar a morte de uma sexta criança, de quatro anos. A informação foi corrigida nesta manhã.

As Autoridades da polícia e do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informaram nesta sexta-feira (6) que cinco crianças morreram em um incêndio nesta quinta (5) em uma creche em Janaúba (554 km de Belo Horizonte).
O fogo foi provocado por Damião Soares dos Santos, 50, vigia da creche, que também morreu. Uma professora da creche, Heley de Abreu Silva
Batista, 43, também morreu após ter 90% do corpo queimado na tentativa de salvar as crianças.
Na noite desta quinta, os bombeiros chegaram a confirmar a morte de uma sexta criança, de quatro anos. A informação foi corrigida nesta manhã -a criança foi reanimada após sofrer paradas cardíacas.


Atendimento a vítimas do incêndio em creche de Janaúba (Foto: Hospital Regional de Janaúba/Divulgação)

"Felizmente, por um erro de avaliação médica, uma criança do sexo feminino, de 4 anos, que estava em parada cardíaca, após sucessivas manobras de reanimação cardiopulmonar, foi reanimada", afirmam em nota.
As crianças que morreram tinham quatro anos de idade -Juan Pablo Cruz dos Santos, Luiz Davi Carlos Rodrigues, Ruan Miguel Soares Silva, Ana Clara Ferreira Silva e Renan Nicolas dos Santos Silva.
Feridos
Treze pessoas -11 delas crianças- foram transportadas de avião para o Hospital João 23, em Belo Horizonte, que é referência no tratamento de queimaduras. As duas professoras da creche, de 63 e 42 anos,
chegaram a BH por volta das 11h. Todos os internados estão em estado gravíssimo.
Outras 16 crianças, com idades entre 1 e 6 anos, foram levadas a Montes Claros, no norte de Minas, onde recebem tratamento. Duas adultas de 23 e 51 anos também é atendida na cidade.
Há ainda 12 crianças internadas no Hospital Regional de Janaúba.
Havia cerca de 60 crianças no Centro Municipal Infantil "Gente Inocente" na manhã de quinta, quando o vigia arremessou gasolina em várias crianças e em si mesmo e ateou fogo em seguida.
Um total de oito aeronaves foi mobilizada para o atendimento às vítimas -três da Polícia Militar, Polícia Civil e Bombeiros, duas dotadas de UTI móvel e três particulares, de empresários da região.

Barack Obama faz palestras no Brasil com as presenças de Huck e Taís Araujo

Ex-presidente dos Estados Unidos participou de Fórum Cidadão Global, realizado pelo jornal Valor Econômico, em parceria com o Santander/AAdvantage, em São Paulo

O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama fez uma palestra durante o Fórum Cidadão Global, realizado pelo jornal Valor Econômico em parceria com o Santander/AAdvantage, na manhã desta quinta-feira (05), em São Paulo.

Além de Obama, o evento teve os palestrantes Martin Wolf, editor e principal comentarista econômico do Financial Times, e Robert Salomon, professor da Stern School of Business da New York University. José Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo, e Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil, também participaram do evento.


Frederic Kachar, diretor executivo da Divisão de Publicação do Grupo Globo, e Barack Obama. Foto: Ricardo Cardoso/Divulgação

"O presidente Obama é um dos principais defensores do papel do cidadão global do século 21 para superar nossos maiores desafios sociais”, explica Frederic Kachar, Diretor de Mídia Impressa do Grupo Globo, que conduziu a entrevista com Obama. "Temos a honra de receber o presidente Obama no Brasil, pela primeira vez desde que deixou o cargo, para compartilhar sua perspectiva e ideias únicas entre os principais líderes do nosso país."

Um time de famosos formado pelo apresentador Pedro Bial, a jornalista Maria Júlia Coutinho, o jornalista Rodrigo Bocardi, o apresentador Luciano Huck e a atriz Taís Araújo marcou presença na palestra de Obama. "Quem caiu da cama cedo pra ver @barackobama falar???", vibrou Taís em post feito no Instagram.


Taís Araújo, Rachel Maia e Maju. Foto: Reprodução

Menina dada como morta é reanimada, outras cinco morreram

As crianças que morreram tinham quatro anos de idade. Outras 19 crianças, com idades entre 1 e 6 anos, foram levadas a Montes Claros para receber tratamento

Autoridades da polícia e do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informaram nesta sexta-feira (6) que cinco crianças morreram em um incêndio nesta quinta (5) em uma creche em Janaúba (554 km de Belo Horizonte). O fogo foi provocado por Damião Soares dos Santos, 50, vigia da creche, que também morreu. Uma professora da creche, Heley de Abreu Silva Batista, 43, também morreu após ter 90% do corpo queimado na tentativa de salvar as crianças.


Situação de como ficou a creche após o incêndio. Foto: Reprodução/ TV Globo

Na noite desta quinta (5), os bombeiros chegaram a confirmar a morte de uma sexta criança, de quatro anos. A informação foi corrigida nesta manhã -a criança foi reanimada após sofrer paradas cardíacas.

"Felizmente, por um erro de avaliação médica, uma criança do sexo feminino, de 4 anos, que estava em parada cardíaca, após sucessivas manobras de reanimação cardiopulmonar, foi reanimada", afirmam em nota.

As crianças que morreram tinham quatro anos de idade -Juan Pablo Cruz dos Santos, Luiz Davi Carlos Rodrigues, Ruan Miguel Soares Silva, Ana Clara Ferreira Silva e Renan Nicolas dos Santos Silva.

Feridos

Nove crianças foram transportadas de avião para o Hospital João 23, em Belo Horizonte, que é referência no tratamento de queimaduras. Duas professoras da creche, de 63 e 42 anos, estão sendo levadas de Janaúba a BH nesta manhã.

Outras 19 crianças, com idades entre 1 e 6 anos, foram levadas a Montes Claros, no norte de Minas, onde recebem tratamento. Uma adulta de 23 anos também é atendida na cidade.

Há ainda 30 pessoas feridas, entre militares e vizinhos, que participaram do resgate e precisaram de atendimento médico devido a queimaduras leves e inalação de fumaça. Outras 12 crianças estão em observação no Hospital Regional de Janaúba pelas mesmas razões.

Havia cerca de 60 crianças no Centro Municipal Infantil "Gente Inocente" na manhã de quinta (5), quando o vigia arremessou gasolina em várias crianças e em si mesmo e ateou fogo em seguida.

Um total de oito aeronaves foi mobilizada para o atendimento às vítimas -três da Polícia Militar, Polícia Civil e Bombeiros, duas dotadas de UTI móvel e três particulares, de empresários da região.

05 de outubro de 2017

Única aposta de R$ 3,50 fatura prêmio de R$ 54,2 milhões da Mega-Sena

Na lotérica onde aposta foi feita funcionários nem imaginam quem seria o vencedor. Premiação saiu no dia do padroeiro da cidade, São Francisco de Assis.

ma única aposta no valor de R$ 3,50 feita em uma lotérica de Assis (SP) levou o prêmio de mais de R$ 54,2 milhões da Mega-Sena. As dezenas - 04 - 19 - 27 - 38 - 54 – 57 – foram sorteadas no município de Itapiranga (SC) na noite de quarta-feira (4).

O jogo premiado foi feito em uma lotérica que fica na Vila Xavier, mas com tantas apostas os funcionários nem suspeitam de um ganhador. “O movimento é muito grande, a gente teve muitas apostas nos últimos dias, a gente não consegue lembrar, por mais que tente”, conta a dona da lotérica, Maria Cristina Cardoso.

Pelas estatísticas, a possibilidade de ganhar um prêmio desse é de uma em 50 milhões. E quem fez a aposta não deixou para o último dia, porque quarta-feira foi feriado em Assis, em comemoração ao dia de São Francisco de Assis padroeiro da cidade, e a lotérica responsável pelo jogo estava fechada.


Prêmio passa dos R$ 54,2 milhões e saiu para uma única aposta feita em Assis (Foto: Reprodução / TV TEM )

E será que o santo, homenageado bem na entrada da cidade, deu uma ajudinha, foi sorte mesmo ou só coincidência? “Eu não acredito em sorte, mas se a pessoa jogou e conseguiu, bom para ela. Ela deve estar feliz”, afirma a cabelereira Célia Aparecida da Costa.

Foram apenas seis números que deixaram o ganhador milionário. “Eu iria fazer um check-up, cuidar da saúde e depois a caridade, ajudar quem precisa, uns amigos”, afirma o aposentado José Parizotto.

Em Assis, não se fala em outra coisa e a cidade, que ficou com fama de “pé quente”, atraiu um monte de apostador às lotéricas. O novo milionário ainda é desconhecido, mas já têm algumas suspeitas. “Estão comentando que saiu para os funcionários de um supermercado, mas não dá para saber”, aposta o comerciante Antônio Nogueira Neto.

Até o fim da manhã desta quinta-feira (5), o ganhador ainda não havia sacado o prêmio, segundo a assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal.

Fachin manda rescisão da delação da J&F para análise de Raquel Dodge

Envio para avaliação da nova procuradora-geral da República foi um pedido da defesa do empresário Joesley Batista. Revisão do acordo foi anunciada pelo ex-procurador, Rodrigo Janot.

O ministro Edson Fachin determinou nesta quinta-feira (5) o envio da rescisão da delação premiada da J&F para análise da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge. O pedido para o envio foi feito pela defesa do empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo empresarial.

Os advogados alegaram que a nova análise é necessária porque houve quebra do acordo por parte do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e que as supostas violações devem ser avaliadas pela nova procuradora.


Ministro Edson Fachin (Foto: Carlos Humberto / SCO STF)

Janot decidiu rescindir o acordo de colaboração premiada com o Joesley e o irmão dele, Wesley Batista, no mês passado, depois que foram descobertas gravações de conversas que não haviam sido entregues pelos empresários aos investigadores.

A defesa tinha prazo de dez dias para se manifestar ao ministro sobre a revisão do acordo. Em vez disso, apresentou o pedido de reanálise, alegando que foi Janot quem descumpriu o acordo. A defesa também pediu mais tempo para oferecer a resposta sobre a homologação da rescisão do acordo de delação premiada, que ainda vai ser decidida por Fachin.


Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Segundo a defesa, Janot violou a regra de confidencialidade do acordo porque divulgou informações confidenciais que ainda estão sob sigilo.

Fachin negou estender o prazo para que a defesa se manifestasse e determinou a intimação do Ministério Público, caso a procuradoria queira se manifestar sobre as alegações de Joesley.

Morre segurança que ateou fogo em crianças de creche em Janaúba, MG

Quatro crianças morreram; cerca de 40 pessoas foram levadas para o hospital local – 25 delas seguem internadas.

Morreu no hospital o vigia que ateou fogo em crianças de uma creche em Janaúba, no Norte de Minas Gerais, nesta quinta-feira (5). A informação foi confirmada pela assessoria da unidade às 14h50. Damião Soares dos Santos, de 50 anos, era funcionário efetivo da prefeitura desde 2008.

Segundo a Polícia Militar, ele jogou álcool nas crianças e nele mesmo e, em seguida, ateou fogo. Quatro crianças de 4 anos morreram no local.


O vigia Damião Soares dos Santos morreu no hospital de Jabaúna (Foto: Polícia Civil/Reprodução)

A prefeitura informou que Damião pediu afastamento no mês de setembro alegando problema de saúde. Nesta quinta, ele foi à creche entregar o atestado médico e cometeu o crime. A prefeitura não esclareceu qual era o problema de saúde informado pelo funcionário.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

Mortos e feridos

Segundo o Instituto Médico-Legal da cidade, morreram no ataque:

  • Ana Clara Ferreira Silva, 4 anos
  • Luiz Davi Carlos Rodrigues, 4 anos
  • Juan Pablo Cruz dos Santos, 4 anos
  • Juan Miguel Soares Silva, 4 anos

De acordo com a assessoria do Hospital Regional de Janaúba, cerca de 40 pessoas foram atendidas pela unidade – 25 delas foram internadas com queimaduras e 15, que estavam em estado de choque, já foram liberadas.

Entre os pacientes internados, 14 são crianças com idades entre 4 e 5 anos. Também há funcionários da creche entre os feridos. Todos os internador tiveram mais de 20% do corpo queimado, e 15 pessoas respiram com a ajuda de aparelhos.


Atendimento a vítimas do incêndio em creche de Janaúba (Foto: Hospital Regional de Janaúba/Divulgação)

Os nomes dos feridos ainda não foram divulgados.

A Polícia Militar informou que uma aeronave da PM está no local para socorrer as vítimas. Ainda segundo a PM, um avião do governo do Estado foi de Belo Horizonte para Janaúba para transportar os feridos até o Hospital João XXIII, na capital mineira, que é referência em tratamento de queimaduras em Minas.

A cidade de Janaúba tem quase 67 mil habitantes, segundo o último Censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, e está a cerca de 600 km da capital mineira.

Falta de materiais hospitalares

O hospital de Janaúba, para onde os feridos foram levados, precisa de doações de materiais que são usados no tratamento de queimaduras.

De acordo com a diretoria do hospital, não há mais materiais disponíveis na cidade, e a equipe do local agora trabalha na triagem dos estoques que restaram e das doações que estão chegando no estabelecimento.

Procuradora diz que e-mails revelam propina para grupo "nossos amigos"

O documento do MPF ressalta que, na primeira fase da operação, ficou claro que uma empresa ligada a Arthur Soares depositou R$ 2 milhões em uma conta ligada a Papa Diack.

Após a Polícia Federal cumprir mandado de prisão contra Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil), e Leonardo Gryner, ex-diretor da entidade, as autoridades detalharam a Operação Unfair Play, desdobramento da Lava Jato. Segundo a procuradora da república, Fabiana Schneider, foram encontrados e-mails que revelam pagamento de propina por parte do dirigente a um grupo conhecido como "nossos amigos".


Carlos Arthur Nuzman (Francisco Medeiros/ME)

"Com a continuação da Operação Unfair Play, tivemos uma primeira rodada de buscas na qual foram colhidas matérias consistentes e importantes, que nos permitiram avançar à fase atual, o segundo tempo. A primeira parte diz respeito a e-mail com conteúdo revelador e determinante a efetiva participação dos integrantes do COB. Nuzmal e Gryner. Demonstra a intermediação de pagamentos do lado brasileiro de Papa Diack. E-mails revelam que dinheiro eram para um conjunto de pessoas, designados como "nossos amigos". Além dos e-mails, durante as buscas foi localizado um dossiê elaborado pelo Sergio Cortez, que está preso. Um dossiê produzido a pedido do Nuzman em face de uma pessoa, seu opositor. Há outros elementos importantes. De elos que se formam dos integrantes. Identificamos planilhas com contas a apagar, com destinação de dinheiro ao comitê organizador, que contratou a empresa Masan. O fluxo deveria ser o contrário. Identificados e-mails com ligação direta entre Gryner e Suarez. Contradiz o próprio depoimento de Gryner. Nesses 30 dias foi identificada mais uma foto da farra dos guardanapos. Ele também estava presente no episódio", disse Fabiana.


Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O documento do MPF ressalta que, na primeira fase da operação, ficou claro que uma empresa ligada a Arthur Soares depositou R$ 2 milhões em uma conta ligada a Papa Diack, filho do presidente da IAAF, na véspera da eleição que escolheu o Rio como sede da Olimpíada de 2016. Mas não havia ficado "totalmente esclarecido" quem intermediou o pagamento da propina. Para o MPF, foram Nuzman e seu "braço direito" Leonardo Gryner.
Isso ficou comprovado a partir de e-mails trocados entre Diack, Gryner e Nuzman no fim de 2009, poucos meses depois da votação, no qual o senegalês cobra depósitos que deveriam ter sido realizados em contas bancárias em Moscou e no Senegal. Nessas mesmas contas, a empresa de Arthur Soares, a Matlock, havia feito depósitos que somam US$ 2 milhões.
Em outro e-mail, Papa Diack diz que está tendo dificuldades com um "problema" e diz que está enfrentando todo tipo de constrangimento de pessoas que confiaram no comprometimento dos senegaleses em Copenhague. Foi na capital dinamarquesa que aconteceu a escolha do Rio como sede da Olimpíada. Depois, Gryner responde pedindo desculpas e dizendo que tem um novo "patrocinador".
Para os investigadores, isso não apenas comprova que Nuzman e Gryner tinham conhecimento do fato como "fizeram todo o trabalho de intermediação". Além disso, deixa claro que os pagamentos não se limitaram a US$ 2 milhões, uma vez que foram feitos depósitos subsequentes.
No pedido de prisão apresentado pelo Ministério Público Federal, Nuzman é acusado de tentativa de ocultação de bens. Também é apontado um aumento de patrimônio de Nuzman de mais de 457% entre os anos de 2006 e 2016.
Como exemplo, o Ministério Público citou uma chave apreendida na primeira fase da operação que poderia corresponder a um cofre na Suíça, considerando que estava guardada junto a cartões de visita de agentes que trabalham como serviço de locação.

MAM descumpriu lei, diz ministro da Cultura em reunião com deputados

Para Sá Leitão, a interação entre uma criança e um artista nu feriu o que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente.

"Houve um claro descumprimento no que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente", disse o ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão sobre a interação entre uma criança e um artista nu no MAM (Museu de Arte Moderna) durante a performance de "La Bête" na última terça (26), que gerou diversas manifestações contra a exposição.
A afirmação do ministro ocorreu durante reunião, realizada nesta quarta (4), com o deputado e tesoureiro da Frente Parlamentar Evangélica, Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ).
Em trecho do encontro, o deputado pergunta para o ministro se o ocorrido no MAM pode ser considerado crime. Entretanto, Sá Leitão desvia da pergunta e afirma que "cabe às pessoas que eventualmente tenham se sentido prejudicadas recorram à justiça."


Ministro da Cultura, Sá Leitão

Procurado pela reportagem, o ministro enviou um nota oficial do posicionamento em relação à exposição do MAM, que não explica por qual motivo ele considera que a exposição tenha infringido o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). A reportagem indagou quais seriam esses motivos, mas não obteve resposta até a publicação desta nota.
Rumo às trevas
Em setembro, durante entrevista, Leitão ponderou que os protestos que ocorreram contra a mostra "Queermuseu" são próprios da democracia. Entretanto, quando manifestações artísticas são impedidas de acontecer, isso pode culminar em um "caminho rumo às trevas".
Na ocasião, o representante da pasta afirmou que os impedimentos, como no caso do "Queermuseu", poderiam ser evitados com um projeto de lei que implantasse uma classificação indicativa também para exposições, como acontece no cinema.

Segurança de creche ateia fogo em crianças; cinco morreram, 40 estão feridos

Homem também ateou fogo em seu próprio corpo e está em estado grave

Pelo menos quatro crianças e uma professora morreram queimadas em uma creche em Janaúba, no Norte de Minas, na manhã desta quinta-feira (5). Segundo as primeiras informações da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, o guarda do Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, no Bairro Rio Novo, ateou fogo em algumas crianças e em seu próprio corpo. Ele está no hospital em estado grave. A creche Cemei Gente Inocente, atende crianças de 2 a 4 anos. 

Há divergência no número de mortos na tragédia. Inicialmente, os bombeiros falaram em seis crianças mortas, mas depois atualizaram o número de mortos para quatro pessoas - dado confirmado pelo Samu. De acordo com dados da Polícia Militar, quarto crianças e uma professora morreram.

O número de feridos ainda não foi divulgado, mas, segundo a assessoria do Hospital Regional de Janaúba, cerca de 40 pessoas, entre crianças e adultos, deram entrada na unidade de saúde. Entre os pacientes, 15 respiram com a ajuda de aparelhos.


Familiares das crianças, bombeiros e policiais estão no local. Foto: Reprodução/Estado de Minas

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), vai a Janaúba, no Norte do estado, acompanhar o socorro às vítimas e as investigações sobre a tragédia. O chefe do Executivo determinou a criação de um posto de comando emergencial na cidade. Duas unidades do Samu de Janaúba estão no local e equipes de cinco cidades do Norte de Minas estão em deslocamento para atendimento da ocorrência.

A Polícia Militar informou que uma aeronave da PM está no local para socorrer as vítimas. Ainda segundo a PM, um avião do governo do Estado está saindo de Belo Horizonte para Janaúba para transportar os feridos até o Hospital João XXIII, na capital mineira, que é referência em tratamento de queimaduras em Minas. O helicóptero Pegasus da corporação já está no local com uma equipe do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) prestando os primeiros socorros.

Sem suporte

Por meio das redes sociais o Hospital Regional de Janaúba está  pedindo doações de materiais, visto que o hospital não estava preparado para uma tragédia dessas.


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04 de outubro de 2017

Câmara deve votar nesta quarta-feira projeto que cria novo fundo eleitoral

Parlamentares correm contra o tempo para aprovar mudanças já para as eleições de 2018. Também nesta quarta, STF analisará validade da Ficha Limpa para casos anteriores a 2010.

A Câmara dos Deputados deverá votar nesta quarta-feira (4) um projeto que cria um fundo para financiar as campanhas eleitorais.

Esse projeto foi aprovado pelo Senado na semana passada e, nesta terça (3), os deputados aprovaram o regime de urgência da proposta.

O texto prevê a criação de um fundo com recursos públicos e estabelece regras para a distribuição do dinheiro entre os partidos. Não há, porém, consenso entre os parlamentares sobre o conteúdo a ser aprovado nesta quarta.

Como o pleito do ano que vem está marcado para 7 de outubro, os parlamentares correm contra o tempo para aprovar mudanças. Isso porque, para valerem já nas eleições de 2018, as regras precisam ser aprovadas até está sexta (6), um ano antes da votação.

Diante da proibição de doações empresarias, os políticos têm interesse em achar uma saída para bancar as campanhas.


Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ficha Limpa

Para esta quarta também está prevista, no Supremo Tribunal Federal, a decisão sobre se a Lei da Ficha Limpa se aplica a casos de candidatos condenados por abuso de poder político e econômico antes de 2010, ou seja, antes de a lei entrar em vigor.

Se o julgamento for concluído ainda nesta semana, o entendimento ao qual a maioria dos ministros chegar poderá valer para as eleições do ano que vem.

O caso começou a ser discutido em 2015 e foi retomado na semana passada. O placar atual é de 5 votos a 3 pela aplicação da lei antes de 2010.

Se for possível, o STF também poderá iniciar, ainda na sessão desta quarta, a discussão sobre a possibilidade das candidaturas avulsas ou independentes, na qual pessoas poderão disputar cargos eletivos sem serem filiadas a partidos políticos.

Cláusula de desempenho e fim das coligações

Nesta terça, o Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria, já a partir do ano que vem, uma cláusula de desempenho para os partidos terem acesso ao fundo partidário e ao tempo de TV.

Essa PEC também prevê o fim das coligações partidárias, mas somente a partir de 2020.

Segundo informou o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), a proposta será promulgada pelo Congresso, em sessão conjunta formada por deputados e senadores, até esta quinta (5).

Se a cláusula aprovada já estivesse em vigor nas eleições de 2014, 14 legendas seriam afetadas pelas regras.

Tucanos querem saída definitiva de Aécio da presidência do PSDB

Tucanos reivindicam que Aécio deixe o cargo para tentar conter o desgaste sofrido pela sigla com as acusações de corrupção contra o senador.

Dirigentes e parlamentares do PSDB vão cobrar a saída definitiva do senador Aécio Neves (MG) da presidência do partido nas próximas semanas. Eles querem que o mineiro renuncie ao posto assim que o Senado concluir a votação sobre seu afastamento do cargo, prevista para o dia 17.
Tucanos reivindicam que Aécio deixe o cargo para tentar conter o desgaste sofrido pela sigla com as acusações de corrupção contra o senador. Para eles, a situação se agravou com a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que determinou que o mineiro fosse afastado do cargo e cumpra recolhimento noturno em casa.
O movimento é encabeçado por integrantes da ala paulista do PSDB, vinculados ao governador Geraldo Alckmin. Eles acreditam que a permanência de Aécio no posto, mesmo licenciado, é insustentável e pode prejudicar as pretensões eleitorais de integrantes da sigla em 2018 -inclusive a pré-candidatura de Alckmin ao Palácio do Planalto.
O senador é alvo de denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal ao STF pelos crimes de obstrução da Justiça e corrupção passiva. Ele foi gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS, a quem pediu R$ 2 milhões.


Foto: Lula Marques/AGPT

Desde maio, quando foi afastado do mandato pela primeira vez pelo STF, Aécio está licenciado da presidência do PSDB, que é exercida interinamente pelo senador Tasso Jereissati (CE). Apesar disso, o mineiro mantém influência sobre a sigla, em especial sobre parte da bancada na Câmara.
Nos últimos meses, Aécio ampliou sua interlocução com o presidente Michel Temer para evitar a deterioração do relacionamento entre o Palácio do Planalto e o PSDB, que ameaçava abandonar o governo. Nesta semana, o senador atuou para tentar conter as divisões na bancada tucana com a escolha do deputado Bonifácio de Andrada (MG) para relatar a segunda denúncia contra Temer.
Tampão
Tucanos discutiram a saída definitiva de Aécio da presidência do PSDB em almoço nesta terça-feira (3), no gabinete de Tasso. Segundo relatos, mesmo os principais aliados do senador mineiro concordaram que o afastamento é essencial para preservar o partido.
Caso Aécio renuncie, a direção do PSDB será obrigada a convocar uma reunião de sua cúpula para eleger um novo presidente.
A tendência é que esse novo comando da sigla seja eleito para um mandato-tampão, até dezembro, quando uma convenção nacional da legenda deve escolher um presidente para os próximos dois anos.
Alguns tucanos, entretanto, defendem que o presidente escolhido nessa eleição extraordinária comande o partido pelos próximos dois anos.
Em qualquer cenário, o favorito para uma eleição convocada para as próximas semanas é o próprio Tasso Jereissati. Ele tem o apoio dos principais dirigentes do PSDB e se aproximou de Alckmin.

03 de outubro de 2017

Bolsonaro é condenado a pagar R$ 50 mil a comunidades quilombolas

O deputado havia sido processado por discriminação com base em declarações feitas durante um discurso no Clube Hebraica, em abril.

O deputado federal e provável candidato à presidente Jair Bolsonaro (PSC) foi condenado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro a pagar R$ 50 mil a comunidades quilombolas e à população negra por danos morais. Os recursos devem ser revertidos para o Fundo Federal de Defesa dos Direitos Difusos.
A sentença é resultado de uma ação ajuizada pelo Ministério Público Federal, que processou o deputado por discriminação com base em declarações feitas durante discurso no Clube Hebraica, no Rio, em abril deste ano.
Na ocasião, Bolsonaro afirmou que visitou uma comunidade quilombola e "o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas" e que "nem para procriador ele serve mais".
Os procuradores Ana Padilha e Renato Machado, que assinam a ação, dizem que "o julgamento ofensivo, preconceituoso e discriminatório do réu a respeito das populações negras e quilombolas é incontestável".


Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Dizem ainda que as afirmações "desumanizam as pessoas negras, retirando-lhes a honra e a dignidade ao associá-las à condição de animais". Na ação, os procuradores pediam uma indenização de R$ 300 mil.
Na sentença, a juíza federal Frana Elizabeth Mendes julgou como "parcialmente procedente" o pedido do MPF e fixou indenização de R$ 50 mil.
A juíza destacou que, ao fazer declarações em tom jocoso sobre os quilombolas, Bolsonaro "não expôs simplesmente que discorda da política pública que prevê gastos com o aludido grupo, mas inegavelmente proferiu palavras ofensivas e desrespeitosas".
Também afirmou que é "descabida" a utilização da imunidade parlamentar para "encobrir manifestações ofensivas, discriminatórias a alguém ou a algum grupo, sem nenhuma finalidade relacionada à função do parlamentar".
Segundo a magistrada, "embora assegurado constitucionalmente", o direito de liberdade de expressão "não é absoluto, encontrando limites éticos, morais e sociais de respeito ao próximo e à coletividade".
Procurada, a defesa de Jair Bolsonaro informou que vai recorrer da decisão.

02 de outubro de 2017

Túmulo de médium Chico Xavier é alvo de vandalismo em Minas

O monumento fica no cemitério de Uberaba, ao lado do túmulo onde o médium foi enterrado em 2002. O vidro, que é blindado, ficou trincado com as pedradas.

O vidro que protege o busto do médium Chico Xavier foi alvo de pedradas na manhã deste sábado (30) em Uberaba (418 km de Belo Horizonte).
O monumento fica no cemitério de Uberaba, ao lado do túmulo onde o médium foi enterrado em 2002. O vidro, que é blindado, ficou trincado com as pedradas.
"Não acredito que foi só vandalismo. De alguma forma, queriam atingi-lo", afirma Eurípedes Higino Reis, filho do médium.
Ele diz acreditar que o monumento pode ter sido alvo de pedradas por intolerância religiosa. "Somente esta semana, atacaram três terreiros de umbanda aqui na cidade. A gente fica preocupado", afirma.


Na manhã desta segunda-feira (2), Higino esteve no cemitério com um serralheiro. Vai instalar grades em torno do vidro que protege o busto para evitar novos casos de vandalismo.
Esta é a segunda vez em pouco mais de dois anos que o busto é atacado. Em junho de 2015, o vidro que protege o túmulo de Chico Xavier apareceu trincado. Na ocasião, grades foram instaladas ao redor do túmulo.
Chico Xavier foi um dos líderes religiosos mais importantes do Brasil e um dos principais responsáveis pela divulgação da doutrina espírita no país. Ele psicografou cerca de 450 livros que venderam mais de 50 milhões de unidades
O túmulo do médium é um dos principais pontos turísticos de Uberaba e recebe cerca de 2.500 visitantes toda semana.
O cemitério não possui câmeras de segurança. A família do médium optou por não prestar queixa à polícia e não há suspeitos do ato de vandalismo.