• Patrimônio 09/17
  • Unimed
  • assinatura jornal

Fed eleva juros dos Estados Unidos pela segunda vez no ano

Taxas ficaram acima de 1% pela primeira vez desde a crise financeira de 2008.

14/06/2017 18:32h

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (14) elevar a taxa de juros do país pela segunda vez neste ano, para a faixa entre 1% e 1,25%. Com isso, os juros ficarão acima de 1% pela primeira vez desde a crise financeira de 2008.

O Fed citou o contínuo crescimento econômico dos Estados Unidos e o fortalecimento do mercado de trabalho, e anunciou que começará a reduzir sua carteira de Treasuries e outros títulos este ano, destaca a agência Reuters.

Em sua reunião do mês passado, o Comitê de Política Monetária do Fed optou por manter entre os juros entre 0,75% e 1%. Na reunião de março, foi anunciada a primeira elevação desde a posse do presidente Donald Trump, elevando aa taxa básica (equivalente à Selic brasileira) para a faixa entre 0,75 e 1% – contra 0,5% e 0,75% anteriormente.

A expectativa é de que os juros subam mais uma vez até o final deste ano, de acordo com as projeções divulgadas pelo Fed, mantendo a estimativa anterior.

Alta nos juros dos EUA: O que muda para o Brasil?

Uma expectativa por mais aumentos da taxa de juros nos EUA tendem a motivar um movimento de alta do dólar em relação ao real

Com juros mais altos, os Estados Unidos tornam-se mais atraentes para investidores, o que motiva uma saída de recursos de outros mercados, como o Brasil

Previsão de PIB maior

O Fed aumentou sua previsão de crescimento econômico nos Estados Unidos neste ano. O Produto Interno Bruto (PIB) americano deve aumentar 2,2% em termos anuais no último trimestre de 2017, ou 0,1 ponto mais do que o previsto em março, segundo as novas projeções do comitê.

Pela manhã, foi divulgado que as vendas no varejo dos Estados Unidos registraram a maior queda em 16 meses e os preços ao consumidor caíram inesperadamente, sugerindo enfraquecimento da demanda doméstica, o que reduziu as apostas de uma alta adicional neste ano.

Nos últimos meses, o órgão dirigido por Janet Yellen constatou a recuperação do consumo nos EUA, que representa quase dois terços da atividade econômica total. Além disso, a taxa de desemprego continua em rota de queda, e em maio fechou em 4,3%, percentual mais baixo desde 2001. Já a inflação tem ficado levemente acima da meta oficial, de 2% anual.

Entretanto, há dúvidas sobre o tamanho e o escopo do estímulo fiscal que a administração Trump pode injetar na economia dos EUA com as promessas de campanha de reforma tributária, redução das regulações financeiras e gastos com a construção.

Efeitos da decisão

O mercado acredita que uma alta dos juros pelo Fed pode motivar uma transferência de parte dos recursos aplicados em países emergentes para os EUA. Os títulos do Tesouro americano, atrelados à taxa de juros norte-americana, são considerados o investimento mais seguro do mundo. Se confirmado, esse fluxo de capital pode levar a uma tendência de alta do dólar em relação a moedas emergentes como o real.

A decisão de investimentos depende, entretanto, do apetite de risco dos investidores. Os mais conservadores tendem a procurar economias mais seguras para alocar seu capital, mesmo que paguem juros mais baixos. Em 2008, por exemplo, durante a crise do subprime nos Estados Unidos, a demanda por títulos do Tesouro americano cresceu.

Já os investidores que têm mais apetite ao risco aceitam aplicar recursos em economias mais arriscadas, como os países emergentes, que pagam juros maiores. Quando as taxas de juros estavam próximas de zero nos Estados Unidos, muitos investidores buscaram aplicar seus recursos em ativos de maior rentabilidade em mercados considerados mais arriscados, entre eles o Brasil.

Mesmo com a alta do juro americano, o diferencial de taxas em relação ao Brasil ainda é grande. O Brasil tem uma taxa básica de juros atual de 10,25% ao ano.

Histórico de decisões

Em dezembro de 2015, o Fed promoveu a primeira alta dos juros na maior economia do mundoem quase uma década. Desde então, as taxas passaram de uma faixa próxima a zero para o patamar entre 0,25% a 0,50%, até subirem para 0,50% a 0,75% em dezembro de 2016. Em março, o BC dos EUA anunciou a primeira alta após a posse de Trump, para a faixa entre 0,75 e 1% – contra 0,5% e 0,75% anteriormente.

A taxa básica de juros dos EUA foi reduzida a patamares próximos a zero em 2008, para dar fôlego à economia norte-americana durante a crise financeira internacional.

Um aumento dos juros nesta quarta-feira já estava precificado nos rendimentos dos títulos e nos mercados financeiros em geral, com os investidores calculando a probabilidade de tal ação em 95%, segundo programa FedWatch do CME Group.

Fonte: G1

Deixe seu comentário

Tags: Fed, juros, EUA,