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Notícias Mundo

16 de dezembro de 2017

14 de dezembro de 2017

Homem-bomba mata ao menos 17 em academia de polícia na Somália

Todas as vítimas era policiais e além dos mortos, ataque deixou pelo menos 20 feridos.

Um homem-bomba suicida disfarçado entrou em um campo de treinamento da polícia em Mogadíscio, capital da Somália, nesta quinta-feira (14) e matou ao menos 17 pessoas, disseram autoridades do país.
O porta-voz da polícia, major Mohamed Hussein, afirmou que o terrorista tinha explosivos amarrados ao corpo e se infiltrou na Academia de Treinamento da Polícia General Kahiye durante um desfile matinal. Todas as vítimas eram policiais -além dos mortos, há pelo menos 20 feridos.
O grupo extremista Al Shabaab reivindicou a responsabilidade pelo ataque e deu um número maior de mortes.
"Nós matamos 27 policiais e ferimos mais", disse Abdiasis Abu Musab, porta-voz das operações militares do grupo, que realiza atentados frequentes em Mogadíscio e outras cidades.


Foto: Said Yusuf Warsame

O grupo -ligado à rede terrorista Al Qaeda- defende uma insurgência contra o atual governo, apoiado pela ONU (Organização das Nações Unidas) e pela União Africana, para impor sua própria interpretação estrita do Islã.
Os militantes foram expulsos de Mogadíscio em 2011 e, desde então, perderam território para as forças de paz da União Africana e para o Exército local.
Os ataques do Al Shabaab vêm em um momento em que a União Africana finaliza planos para cortar sua missão de manutenção da paz chamada Amisom.
A força de 22 mil pessoas foi implantada há uma década, mas está programada para perder 1.000 soldados neste mês como parte de um plano de longo prazo para se retirar o país e passar a segurança ao Exército da Somália.
As forças de paz foram implantadas para ajudar a garantir um governo que lutou para estabelecer o controle em um país que mergulhou na guerra civil no início da década de 1990.

13 de dezembro de 2017

Mendigo rouba 300 mil euros em aeroporto internacional de Paris

Homem de cerca de 50 anos estava revirando lixeiras em busca de comida quando encostou em porta de depósito de valores e ela se abriu.

a imprensa francesa já o considera o “mendigo mais rico do mundo”. Um SDF (“sans domicilie fixe”, “sem domicílio fixo”, como são chamados os mendigos na França) de 50 anos pegou dois sacos repletos de dinheiro, com 300 mil euros, ao encostar numa porta aberta de um galpão do aeroporto internacional Charles de Gaulle – Roissy, em Paris.

Ele estava apenas revirando lixeiras atrás de comida, antes de encontrar uma porta aberta no depósito da empresa de transporte Loomis no terminal 2F do aeroporto internacional de Roissy [onde chegam os voos procedentes do Brasil].

Segundo o jornal "Aujourd’hui en France", trata-se de “um roubo que entra imediatamente na categoria dos primeiros lugares da estupidez criminal”. O ato foi executado “com apenas duas armas: a sorte e a coragem”.

“O vagabundo se aproveitou de um concurso de circunstâncias para se dar um enorme presente de Natal”, disse um dos responsáveis pelo local ao "Aujourd’hui en France". O roubo aconteceu às 17h30 de sexta-feira (8) nos corredores de entrega de mercadorias da empresa no terminal 2F.

O alarme soou no local onde são guardadas grandes somas de dinheiro e os policiais notaram que a porta havia sido deixada aberta. Ao assistirem as imagens das câmeras de segurança, um homem de fenótipo europeu, de mais ou menos 50 anos, revira lixeiras. Ele se apoia sobre uma porta e se mostra surpreso quando ela se abre. Imediatamente, o mendigo coloca sua mala no chão e entra no recinto.

Sem arma, sem ódio, sem violência

O jornal "Aujourd’hui en France" conta que, alguns minutos mais tarde, o mendigo sai do local carregando dois sacos cheios de dinheiro. Ele “acelera o passo, abandona sua mala e sai correndo em direção a uma via sem câmeras de segurança. A empresa Loomis é responsável por fornecer as notas de euros que circulam nos caixas eletrônicos da região.

“Resta compreender como as portas deste galpão, que deveriam estar trancadas, puderam se abrir tão facilmente”, diz o jornal. Contactada pela imprensa, a empresa foi incapaz de explicar o que poderia ter acontecido. As investigações continuam para encontrar o ladrão. “A única pista é que os policiais do aeroporto conhecem o homem”, explica o diário francês.

“Existem entre 50 e cem pessoas que vivem como ele, de revirar latas de lixo no aeroporto. Mas ele não deve estar precisando disso nesse momento”, finaliza "Aujourd’hui en France".

12 de dezembro de 2017

Tripulantes de submarino morreram em explosão, diz relatório

De acordo com a investigação, todos os tripulantes morreram imediatamente por conta da liberação de uma energia similiar a 5,7 toneladas de explosivo

Os 44 tripulantes do submarino ARA San Juan, que desapareceu no dia 15 de novembro, morreram em uma explosão na embarcação, revelou um relatório preparado pelos Estados Unidos e publicado pelo jornal “La Nación” na noite desta segunda-feira (11). De acordo com os dados obtidos pelos norte-americanos, que foram os primeiros a notificar sobre uma explosão na área de buscas, todos morreram imediatamente por conta da liberação de uma energia similar a 5,7 toneladas de explosivos a 380 metros de profundidade.   

O documento foi criado pelo Escritório de Inteligência Naval, ligada à Marinha do país, e foi repassado para as autoridades argentinas. Segundo o “La Nación”, os militares locais afirmaram que o relatório “apresenta um indício a mais”, mas não confirmaram as informações.   

O ARA San Juan fez uma série de comunicações com a Marinha Militar argentina no dia de seu desaparecimento, sendo a última cerca de duas horas antes dos norte-americanos detectaram um “evento similar a uma explosão” na rota do equipamento. Em duas delas, os tripulantes relataram falhas nas baterias e um “princípio de incêndio” dentro do submarino.   

O sumiço do submarino ocorreu enquanto ele navegava pelo Golfo de São Jorge após uma missão em Ushuaia. Apesar de já ter reconhecido a morte dos tripulantes, o governo argentino mantém as operações de busca para localizar os destroços do submarino como forma de “manter sua promessa” às famílias das vítimas. 

11 de dezembro de 2017

Explosivo é detonado em estação de metrô e ônibus em Nova York

Bombeiros informam que há quatro feridos, mas sem risco grave. Segundo prefeito, caso foi tentativa malsucedida de ataque terrorista.

Um artefato explosivo foi detonado em uma estação de metrô e ônibus no centro de Manhattan, em Nova York, por volta de 7h30 (no horário local) desta segunda-feira (11). Um suspeito, identificado como Akayed Ullah, de 27 anos, foi detido. Ferido, ele foi levado ao hospital.

O prefeito da cidade, Bill de Blasio, disse que foi uma "tentativa de ataque terrorista" que não deu certo. Os bombeiros informaram que o suspeito tem queimaduras e lacerações, e que outras três pessoas têm ferimentos leves.

A explosão ocorreu na estação que fica no cruzamento da Rua 42 com a 8ª Avenida, por onde passam três linhas de metrô e está também o terminal de ônibus da Port Authority. O governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, informou que o artefato é de "baixa tecnologia" -- trata-se de uma bomba caseira que o suspeito tinha amarrada a seu corpo com velcro e zíperes.

 Um suspeito, identificado como Akayed Ullah, de 27 anos, foi detido. (Foto: Reprodução/Twitter)

Ullah, que agiu sozinho, foi identificado pela imprensa americana como natural de Bangladesh. Segundo a agência Associated Press, policiais disseram que o suspeito teria inspiração nos radicais do Estado Islâmico, mas não tinha contato com o grupo terrorista.

Segundo informações da agência Reuters, ele não tinha histórico criminal e visitou Bangladesh pela última vez em setembro. Segundo o inspetor geral da polícia local, as informações foram emitidas com base no número de passaporte de Ullah.

Por precaução, as linhas A, C e E do metrô tiveram o itinerário alterado, passando a não parar na estação onde ocorreu o incidente. As ruas do entorno foram bloqueadas e o esquadrão antibombas foi acionado. Após algumas horas, os serviços de transporte foram restabelecidos.

Andre Rodriguez, de 62 anos, disse ao "New York Times" que ouviu a explosão pouco antes das 7h30 quando entrava no metrô. "Estava passando pela catraca. Parecia uma explosão, e todos começaram a correr", contou.

Já Alicja Wlodkowski, de 51 anos, disse que estava em um restaurante dentro do complexo da estação quando de repente viu uma multidão de pessoas correndo. "Uma mulher caiu, e ninguém parou para ajudá-la porque estava uma loucura", disse. "Então diminuiu. Eu fiquei de pé, observando e com medo", relatou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi informado do ocorrido.

Centenas de indonésios queimam bandeiras dos EUA e Israel

Durante protestos, vários grupos muçulmanos gritaram palavras de ordem contra Trump e simularam execuções de bonecos do presidente americano

Centenas de indonésios queimaram nesta segunda-feira bandeiras americanas e israelenses em frente à embaixada dos Estados Unidos em Jacarta, e exigiram ao governo que rompa laços diplomáticos com o país devido à decisão do presidente Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

Vários grupos muçulmanos, entre eles a radical Frente de Defensores do Islã (FPI), gritaram palavras de ordem contra Trump e simularam execuções de bonecos do presidente americano.

“A Frente de Defensores do Islã exige ao governo da Indonésia que rompa relações diplomáticas com os Estados Unidos e expulse imediatamente o embaixador americano da Indonésia”, exigiu esta organização por meio de um comunicado.

Trata-se do terceiro protesto organizado desde sexta-feira na capital da Indonésia, o país com a comunidade islâmica mais numerosa do mundo, com a participação dos principais grupos muçulmanos e partidos políticos de tendência islâmica do país.

A embaixada americana pediu na sexta-feira aos seus cidadãos que tomem precauções e evitem as áreas onde ocorram manifestações. Trump reconheceu na semana passada Jerusalém como capital de Israel e prometeu a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para a Cidade Santa, perante os protestos de numerosos países.

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, condenou na quinta-feira a decisão de Trump e lhe pediu que reconsiderasse sua postura. Widodo participará amanhã e na quarta-feira da reunião extraordinária convocada em Istambul pela Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) para debater a decisão de Trump. A Indonésia conta com uma população de 260 milhões de habitantes, dos quais 88% professa o islã.

10 de dezembro de 2017

Polícia acusa casal por assassinato de brasileira em ilha do Havaí

Stephen Brown, 23, e a namorada, Hailey Dandurand, 20, foram presos na quinta e acusados de homicídio em segundo grau -quando há intenção de matar.

Duas pessoas foram acusadas neste sábado (9) pela polícia dos Estados Unidos de envolvimento no assassinato da brasileira Telma Boinville, que aconteceu na ilha de Oahu, no Estado do Havaí, informou o jornal local "Honolulu Star-Advertiser".
De acordo com a publicação, Stephen Brown, 23, e a namorada, Hailey Dandurand, 20, foram presos na quinta e acusados de homicídio em segundo grau -quando há intenção de matar, mas o crime não foi premeditado.
Brown também foi acusado de roubo, sequestro e posse não autorizada de informações pessoais confidenciais. A fiança para ele foi estabelecida em US$ 1 milhão, e, para a namorada, em US$ 500 mil.
A vítima, de 51 anos, foi encontrada morta na quinta-feira (7) na casa onde trabalhava como faxineira. Sua filha de oito anos foi amarrada no andar superior da residência.


Foto: Reprodução/Facebook/Telma Boinville

O marido de Boinville, Kevin Emery, disse à imprensa local que a mulher foi sufocada e espancada com um taco de beisebol. Segundo ele, os criminosos também levaram a bolsa e o carro da vítima, uma picape Toyota Tacoma.
A filha identificou os suspeitos depois que o pai lhe mostrou imagens dos dois no Facebook, ainda segundo informações do "Honolulu Star-Advertiser". Brown já havia sido acusado anteriormente este ano por agressão contra uma ex-namorada.
Maior campeão mundial da história do surfe, com 11 títulos, o americano Kelly Slater chegou a publicar mensagem em uma rede social na qual alertou os moradores da região sobre o veículo da Toyota, que estaria conectado com o crime. "Eu não conheço a vítima, mas ela é amiga de muitos de meus amigos. Isso é horrível", disse o surfista.
De acordo com o periódico local, a brasileira também trabalhava como professora substituta em uma escola primária e ajudava crianças brasileiras a se adaptarem à língua inglesa.
Família e amigos fizeram uma vigília em memória de Boinville na sexta-feira (8), na praia de Log Cabins, próxima do local do crime.
À reportagem, o Itamaraty informou que o consulado brasileiro em Los Angeles e o cônsul honorário do Brasil em Honolulu entraram em contato com a família e estão fornecendo a assistência necessária.

08 de dezembro de 2017

Pantone anuncia 'ultravioleta' como cor de 2018

cones do pop, como Jimi Hendrix e David Bowie, influenciaram escolha. Empresa seleciona, a cada ano, tom que simboliza tendências de moda, design e cultura.

A cor de 2018 será o "ultravioleta", segundo a Pantone. A empresa americana de consultoria de cores escolhe, a cada ano, uma cor que simboliza tendências de moda, design e humor cultural.

A decisão se baseia, entre outros fatores, em ícones da cultura pop, como Jimi Hendrix e David Bowie, ambos marcados por tons de roxo, afirmou a companhia no anúncio. Cores da natureza também inspiraram a escolha.


Imagem divulgada pela Pantone no anúncio da cor do ano de 2018 (Foto: Divulgação/Pantone)

Segundo a Pantone, a cor de 2018 é "dramaticamente provocativa e pensativa". Ela "comunica originalidade, engenhosidade e pensamento visionário que nos indica o futuro", disse Leatrice Eiseman, diretora executiva da empresa.

"Designers e marcas devem se sentir capacitados para usar a cor para inspirar e influenciar", acrescentou.

Em 2017, a cor escolhida foi o "greenery", um tom de verde. A empresa justificou a decisão afirmando que ela representava "a tranquilidade que desejamos em meio a um ambiente social e político tumultuado".


A cor ultravioleta em cartela da Pantone (Foto: Pantone Color Institute via AP)

A Pantone seleciona a cor do ano desde 2000. Entre as vencedoras anteriores, estão ainda “honeysuckle” (tom de rosa), “marsala” (tom entre o roxo e o vermelho escuro) e “sand dollar” (tom de bege).

07 de dezembro de 2017

Juiz pede prisão de Cristina Kirchner sob acusação de acobertar terroristas

Magistrado pediu que a ex-presidente, que atualmente é senadora, perca o foro privilegiado. Segundo imprensa local, é improvável que caso avance no curto prazo.

Um juiz federal pediu a prisão preventiva da ex-presidente argentina Cristina Kirchner sob acusação de acobertar criminosos iranianos envolvidos no atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia). O caso será analisado pelo Senado, já que Cristina tem foro privilegiado por atualmente ser senadora.

O magistrado Claudio Bonadio pediu que a senadora perca o foro para ser detida, segundo informou nesta quinta-feira (7) o jornal “Clarín”.

Cristina Kirchner nega as acusações e diz que o governo de Mauricio Macri usa o Poder Judiciário para perseguir opositores.

Por ordens emitidas pelo juiz Bonadio, foram presos nesta quinta-feira antigos aliados de Kirchner. Carlos Zannini, secretário Legal e Técnico de Cristina, e o líder sindical Luis D'Elía, além de Jorge "Yussuf" Khalil, representante da comunidade muçulmana da Argentina, foram detidos por envolvimento suspeita de interferir nas investigações sobre o atentado, que deixou 85 mortos em 1994.

Avanço lento

O caso de Cristina Kirchner agora será analisado pelo Senado, mas segundo a imprensa argentina, é improvável que a tramitação avance com rapidez.

De acordo com o "Clarín", o regimento interno do Senado argentino, bem como o fato de a casa estar em recesso, pode fazer com que o pedido de perda do foro seja votado em uma questão de meses.

Além disso, a perda do foro teria de ser aprovada por dois terços dos senadores - como a bancada peronista conta com mais de um terço dos assentos da casa, a expectativa é de que o pedido do juiz Bonadio não passe.

O caso Amia e as investigações

O promotor Alberto Nisman denunciou em 2015, dias antes de ser encontrado morto, que a ex-presidente montou um esquema criminal para acobertar os supostos responsáveis pelo atentado a fim de melhorar a relação comercial com o Irã.

Nisman afirmava que um memorando assinado entre a Argentina e o Irã, em 2013, buscava na realidade acobertar, entre outros, o ex-presidente iraniano Ali Akbar Rafsanjani.

O atentado ocorreu em julho de 1994, na sede da Amia, no centro de Buenos Aires. Um braço palestino do grupo libanês Hezbollah, chamado Ansar Allah, reivindicou o ataque. A milícia libanesa é aliada do governo iraniano, ambos xiitas.

06 de dezembro de 2017

Trump contraria apelos e reconhece Jerusalém como capital de Israel

Decisão é considerada polêmica, uma vez que os palestinos querem Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (6) que reconhece Jerusalém como capital de Israel e que pediu ao Departamento de Estado que inicie o processo de transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém.

O anúncio foi feito um dia após diversos apelos da comunidade internacional para que a decisão não fosse tomada. O reconhecimento de Jerusalém como capital é considerado polêmico, uma vez que os palestinos querem Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado, e a comunidade internacional não reconhece a reivindicação israelense sobre a cidade como um todo. Entenda.

"Meu anúncio marca o começo de uma nova abordagem no conflito entre Israel e palestinos", anunciou Trump no início de seu discurso feito na Casa Branca. "Hoje reconhecemos o óbvio".

"Com o anúncio reafirmo o comprometimento da minha administração com um futuro de paz", disse o presidente. Trump disse que os EUA estão "profundamente comprometidos" em facilitar um "acordo de paz aceitável" tanto para israelenses como para palestinos e em apoiar uma solução de dois Estados no Oriente Médio, caso os dois lados queiram isso.

Para o presidente, Jerusalém deve continuar sendo o lugar sagrado e local de culto de judeus, muçulmanos e cristãos. Trump também disse que o dia pede "calma, vozes de moderação", para que a ordem prevaleça sobre o ódio.

Segundo anunciou Trump, o vice-presidente Mike Pence irá ao Oriente Médio nos próximos dias.

EUA reconhecem Jerusalém como capital de Israel (Foto: Arte/G1)

Com o anúncio, Trump cumpre uma promessa feita ainda durante a campanha eleitoral.

Sua decisão faz com que seja cumprida a lei que prevê o reconhecimento de Jerusalém como capital que foi adotado pelo Congresso Americano em 1995. A aplicação da lei vinha sendo adiada nas últimas duas décadas, sob justificativa de "interesses de segurança nacional". Em junho, o próprio Trump prorrogou a lei por mais seis meses.

"Depois de mais de duas décadas de adiamento, não estamos mais perto de um acordo de paz duradouro", disse Trump.

Reação

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu reagiu dizendo que o anúncio é uma "decisão valente e justa" e um "marco histórico". O premiê afirmou que qualquer acordo de paz com os palestinos deve incluir Jerusalém como a capital de Israel e pediu que outros países sigam os EUA na decisão de transferir suas embaixadas a Jerusalém.

O movimento islâmico Hamas, que evoca toda a cidade de Jerusalém como a capital de um futuro Estado da Palestina, disse que a decisão de Trump abre "as portas do inferno".

Países como a França, Turquia e o Egito rejeitaram a decisão de Trump.

'Consequências perigosas'

Trump passou o dia de terça-feira (4) telefonando para vários lideres árabes para dizer que tinha a intenção de transferir a embaixada americana em Israel a Jerusalém.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, o Rei Abdullah da Jordânia e o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi argumentaram com o mandatário americano que a decisão unilateral pode desencadear ainda mais turbulência na região.

Trump notificou Abbas sobre "suas intenções de mover a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém", afirmou o porta-voz do presidente palestino, Nabil Abu Rdainah.

Abbas, em resposta, "alertou para as consequências perigosas que tal decisão teria no processo de paz e também para a paz, segurança e estabilidade na região e no mundo", e também apelou para que o Papa Francisco, os líderes da Rússia, da França e da Jordânia intervenham na questão.

Alerta

O alerta de Abbas, no entanto, não foi o único feito a Trump.

O presidente egípcio alertou Trump contra "medidas que prejudiquem as chances de paz no Oriente Médio". O comunicado da presidência afirma ainda que al-Sisi "afirmou a posição do Egito de preservar o status legal de Jerusalém dentro do âmbito de referências internacionais e resoluções relevantes da ONU".

O rei da Jordânia advertiu Trump que tal medida teria "graves consequências na estabilidade e segurança da região" e iria obstruir os esforços norte-americanos de retomar as negociações de paz entre palestinos e israelenses, segundo comunicado do ministério das Relações Exteriores jordaniano.

A decisão fomentará a violência e não contribuirá para o processo de paz, alertou a Jordânia, que é guardiã dos lugares santos muçulmanos de Jerusalém. A posição jordaniana também foi comunicada pelo ministro do país, Ayman Safadi, em uma conversa telefônica com seu homólogo americano Rex Tillerson.

Ainda na terça-feira, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse ao líder americano que o status de Jerusalém é "uma linha vermelha" para os muçulmanos. Erdogan ameaçou ainda ameçou romper as relações diplomáticas com Israel caso o governo americano transferisse sua representação diplomática.

"Senhor Trump, Jerusalém é uma linha vermelha para os muçulmanos. É uma violação da lei internacional tomar uma decisão apoiando Israel enquanto as feridas da sociedade palestina ainda estão sangrando", completou Erdogan.

Promessa

Trump prometeu, durante a campanha presidencial de 2016, que iria transferir a embaixada para Jerusalém, como uma forma de satisfazer a base pró-Israel de direita que o ajudou a conquistar a presidência.

O ministro da Inteligência de Israel, Israel Katz, se encontrou na semana passada com funcionários americanos em Washington, e disse à Rádio do Exército de Israel: "Minha impressão é de que o presidente vai reconhecer Jerusalém, a eterna capital do povo judeu por 3.000 anos, como a capital do estado de Israel."

Já sobre uma eventual onda de violência desencadeada pela eventual decisão de Trump, Katz foi categórico ao dizer que Israel estava pronta para todas as opções.

Controvérsia

O status de Jerusalém é considerado um dos maiores obstáculos nas negociações de paz entre Israel e Palestina.

A cidade foi anexada por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, que considera a cidade como capital indivisível. Na época, a decisão contrariou recomendações do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Já os palestinos consideram Jerusalém Oriental, atualmente controlada por Israel, como a capital de seu futuro estado. Jerusalém é considerada um local sagrado pelos judeus, muçulmanos e cristãos.

05 de dezembro de 2017

Deputado americano acusado de assédio anuncia sua aposentadoria

John Conyers Jr. fez o anúncio durante um programa de rádio em Detroit, sua base eleitoral.

O deputado democrata americano John Conyers Jr. anunciou nesta terça-feira (5) sua aposentadoria da Câmara depois de diversas denúncias de assédio contra ele feitas por antigas assessores.

Ele fez o anúncio durante um programa de rádio em Detroit, sua base eleitoral, no qual disse que vai apoiar o filho, John Conyers 3º, para substituí-lo. Além dele, o senador estadual Ian Conyers, sobrinho-neto do deputado, também disse que pretende concorrer ao cargo.

Não está claro se a aposentadoria significa que ele vai renunciar imediatamente ou se vai esperar até as eleições do ano que vem para deixar o cargo.

Eleito inicialmente em 1964 para a Câmara por Michigan, Conyers, 88, é o mais antigo membro da Casa e o congressista negro que mais tempo permaneceu no cargo.

"Eu estou no processo de fazer meus planos de aposentadoria. Eu me aposento hoje [quarta]", disse de um hospital de Detroit, onde foi internado na quarta-feira (29).

"Meu legado não pode ser comprometido ou diminuído de nenhuma forma pelo que está acontecendo", disse ele em referência às denúncias de assédio, que ele nega. "Isto também vai passar. Meu legado vai continuar através dos meus filhos".

Conyers se reelegeu com facilidade em 2016 para um novo mandato no seu distrito, que tem maioria democrata, mas vem enfrentando uma série de pedidos de colegas nas últimas semanas para deixar o cargo depois das denúncias de assédio.

Entre os que pediram sua renúncia estão a líder do Partido Democrata na Câmara, Nancy Pelosi, e o presidente da Casa, o republicano Paul Ryan.

O advogado de Conyers, Arnold Reed, disse que a saúde é a principal razão para o deputado deixar o cargo. O deputado já tinha anunciado sua saída do comitê judiciário da Casa, onde era o principal representante dos democratas.

O comitê de ética da Casa também já tinha começado a investigar as acusações contra o democrata.

DENÚNCIAS

Na segunda (4), mais uma mulher que apresentou uma denúncia contra o deputado. Elisa Grubbs, que disse foi assessora de Conyers entre 2001 e 2013, disse que ele passou a mão por baixo de sua saia e apalpou sua coxa quando ela estava sentada ao seu lado dele durante um evento em uma igreja.

"O deputado Conyers colocou a mão embaixo da minha saia e apertou minha coxa enquanto eu estava sentada a seu lado na primeira fileira de uma igreja" disse Grubbs no comunicado em que relata o caso. "Fiquei assustada, me levantei e gritei 'Ele passou a mão na minha coxa!'. Outros assessores presenciaram a cena".

Ela disse que também viu o deputado apalpar pernas e nádegas de outras assessoras, incluindo Marion Brown, que denunciou Conyers publicamente na semana passada -Brown e Grubbs são primas.

Segundo ela, o assédio "era uma parte constante da vida de quem trabalha no escritório do deputado Conyers".

O comunicado foi divulgado por Lisa Boom, advogada de Grubbs e que até pouco tempo integrava a equipe de defesa do produtor de cinema Harvey Weinstein.

Quando ele foi denunciada por uma série de mulheres de assédio e estupro, a advogada deixou a equipe do produtor e passou a atender vítimas de crimes sexuais.

Por isso, Reed advogado de Conyers, disse que as novas acusações "são mais uma tolice da advogada de Harvey Weinstein".

Deanna Maher, que comandou o escritório de Conyers em Michigan entre 1997 e 2005, também acusou o deputado de ter uma conduta sexual imprópria. Uma outra assessora não-identificada chegou a apresentar uma denúncia a um tribunal em fevereiro de 2017, mas desistiu do caso depois que o juiz negou segredo de justiça.

As acusações contra contra Weinstein deram início a uma série de denúncias contra celebridades, artistas, jornalistas e políticos americanos por assédio, abuso e estupro.

Além de Conyers, o senador democrata Al Franken também é acusado de assédio, assim como Roy Moore, candidato republicano ao senado por Alabama.

04 de dezembro de 2017

ONU quer recorde de US$ 22,5 bilhões para ajuda humanitária em 2018

De acordo com a ONU, as necessidades continuarão em "níveis excepcionalmente altos" na Nigéria e no Sudão do Sul.

As agências humanitárias da ONU vão precisar de um recorde de 22,5 bilhões para cobrir as necessidades humanitárias a nível global em 2018. Segundo as Nações Unidas, o valor será necessário para fazer chegar ajuda básica a 91 milhões de pessoas em maior vulnerabilidade. O apoio inclui alimentos, abrigo, cuidados de saúde, educação de emergência, proteção e de outro tipo. A informação é da ONU News.

Famílias em tendas em acampamento para refugiados em Bagdá, no Iraque (Foto: WFP / Mohammed Al Bahbahani)

O valor, anunciado no início deste mês, é US$ 300 milhões mais alto que o deste ano. De acordo com a ONU, as necessidades continuarão em "níveis excepcionalmente altos" na Nigéria e no Sudão do Sul. E as crises de refugiados na Síria e no Iêmen provavelmente continuarão a ser as maiores do mundo.

A expectativa é que as necessidades diminuam em vários países, mas ainda não de forma significativa. Nesse grupo estão o Afeganistão, a Etiópia, o Iraque, o Mali e a Ucrânia. Por outro lado, deverá  crescer de forma substancial o nível de carências em países como Burundi, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Líbia e Somália.

Conflitos prolongados

As Nações Unidas estimam que 136 milhões de pessoas precisem de ajuda humanitária e de proteção em todo o mundo devido a conflitos prolongados, desastres naturais, epidemias e deslocamentos. O subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, disse que entidades do setor só podem responder às crescentes necessidades com o apoio generoso dos doadores.

O também coordenador da Assistência de Emergência das Nações Unidas acrescentou que investir em planos de resposta coordenada é uma escolha sólida porque "oferece resultados tangíveis e mensuráveis, e tem um histórico comprovado de sucesso".

Em 2017, as agências humanitárias prestaram atendimento a dezenas de milhões de pessoas necessitadas, poupando milhões de vidas. Até o final de novembro, os doadores forneceram quase US$ 13 bilhões, considerado um valor recorde de financiamento para planos de resposta humanitária.

A ONU destaca que grupos de auxílio e doadores ajudaram a evitar a fome no Sudão do Sul, na Somália, no nordeste da Nigéria e no Iêmen, além de se terem mobilizado mais para oferecer assistência rápida aos refugiados rohingya que fugiram da violência em Mianmar.

03 de dezembro de 2017

6 indicadores colocam os EUA no mesmo nível de países pobres

Apesar de ser a primeira economia no mundo, Estados Unidos aparecem atrás em muitas medições de desenvolvimento social na comparação com outros países ricos, revelando um país de contrastes assim como o Brasil.

"Estamos nos tornando um país do terceiro mundo", disse Donald Trump em 16 de junho de 2015, quando anunciou sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos.

A afirmação, que Trump repetiu em outras ocasiões durante o quase um ano e meio da campanha eleitoral, baseou-se no desempenho dos EUA em indicadores da educação na comparação mundial - algo apontado como exagerado por seus críticos.

No entanto, a realidade é que há vários indicadores de desenvolvimento social em que os Estados Unidos aparecem atrás na comparação com outros países ricos - e, às vezes, lado a lado com países em desenvolvimento.

O assunto é alvo de debates no país, onde especialistas e cidadãos diferem em sua avaliação sobre a situação dos pobres no país.

Um estudo do Centro de Pesquisas Pew aponta, por exemplo, que a maioria dos americanos de classe média e alta concorda com a ideia de que "os pobres hoje vivem situação mais fácil porque podem receber benefícios do governo sem fazer nada em troca".

Por outro lado, dois terços dos cidadãos de baixa renda concordam com a afirmação de que "os pobres têm uma vida difícil porque os benefícios sociais não são suficientes para ajudá-los a viver uma vida decente".

A BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, listou alguns dos indicadores que colocam em xeque os níveis de desenvolvimento e bem-estar nos Estados Unidos.

1. Expectativa de vida

O relatório mais recente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) indica que a expectativa de vida dos americanos é de 79,2 anos.

Esse dado coloca o país como o 40º do mundo, atrás de um conjunto de países desenvolvidos mas também de alguns países latino-americanos, como Chile, Costa Rica e Cuba - essa não é, no entanto, a realidade da comparação com o Brasil, onde a expectativa de vida é de 74,7 anos.

O país líder nesse indicador é o Japão, com 83,7 anos, e o lanterna é a Suazilândia, com 48,9 anos.

Mas, assim como no Brasil, essas médias nacionais variam consideravelmente quando segmentadas por escolaridade e raça.

Nos EUA, enquanto a expectativa de vida de um homem branco com educação universitária é de 80 anos, a de um homem afro-americano com baixa escolaridade é de 66 anos, segundo pesquisas do Centro Nacional sobre a Pobreza nos Estados Unidos (NPC, na sigla em inglês).

"O problema nos Estados Unidos é que o bem-estar é incrivelmente estratificado", explicou à BBC Mundo um dos autores do estudo, Luke Shaefer, professor e diretor da Iniciativa para a Solução da Pobreza da Universidade de Michigan, nos EUA.

"O país aparece muito bem se você compara o estrato superior da sociedade americana com os países ricos. A questão é a incrível diferença no bem-estar entre os pobres e os americanos com mais recursos", aponta, acrescentando que, em 2008, a expectativa de vida para os homens afro-americanos sem educação superior era equivalente à dos cidadãos do Paquistão, Butão e Mongólia.

2. Mortalidade infantil

Os números sobre mortalidade infantil - o número de crianças que morrem por mil nascidos vivos - é outro indicador clássico do bem-estar social.

De acordo com o relatório mais recente do Pnud, que utiliza dados de 2015, esse indicador é de 5,6 nos EUA. Isso o coloca no 44º lugar do mundo, novamente superado pelos países ricos como um todo, bem como por Cuba, Bósnia e Croácia.

Nesse caso, as diferenças sociais dentro dos Estados Unidos também são evidentes. De acordo com Shaefer, em 2011, a taxa de mortalidade infantil entre os afro-americanos era semelhante à de Togo e da Ilha de Granada.

O bem-estar das crianças americanas também é colocado em xeque quando são considerados indicadores de pobreza infantil.

De acordo com um estudo do Unicef de 2012, que comparou a situação de crianças em 35 países de economia avançada, os Estados Unidos apareceram no penúltimo lugar - antes apenas da Romênia.

O indicador de pobreza infantil relativa, que mede a porcentagem de crianças que vivem em uma família cuja renda - ajustada ao tamanho e à composição da família - é inferior a 50% da renda média nacional, registrou 23,1% das crianças americanas nesta situação.

3. Mortalidade materna

Desde o início deste século, os Estados Unidos registraram um aumento nos índices de mortalidade materna, cuja taxa passou de 17,5 mortes por mil nascimentos em 2000 para 26,5 em 2015, de acordo com um estudo publicado na revista científica "The Lancet" em janeiro deste ano.

É um fenômeno que vai na contramão das tendências no restante do mundo industrializado, onde houve um declínio no mesmo período. Esse foi o caso, por exemplo, do Japão (de 8,8 para 6,4), Dinamarca (de 5,8 para 4,2), Canadá (de 7,7 para 7,3) e França (de 11,7 para 7,8).

Além disso, o número registrado nos Estados Unidos é superior ao da Costa Rica (24,3), da China (17,7), do Vietnã (15,6) e do Líbano (15,3).

Nesse caso, há também uma clara desigualdade nos Estados Unidos: a taxa de mortalidade materna entre mulheres brancas é de 13, mas entre as afro-americanas é de 44.

4. Taxa de homicídios

A segurança pessoal, a possibilidade de proteger a própria vida, é considerada outro elemento básico do bem-estar social.

De acordo com o relatório mais recente do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNDOC), os Estados Unidos registram uma taxa de homicídio de 4,88 óbitos por 100 mil pessoas, o que o coloca em 59º lugar no mundo.

Esse número contrasta com o de países europeus, como Áustria (0,51) ou Holanda (0,61), mas também com o Canadá (1,68) e até a Albânia (2,28), Bangladesh (2,51) e Chile (3,59, de acordo com dados de 2014, os mais recentes).

No estudo publicado pelo Centro Nacional sobre a Pobreza, Shaefer sugere analisar não os dados nacionais de homicídios, mas sim a situação individual das cidades americanas com mais de 200 mil habitantes e taxa de pobreza de 25%.

Nelas, o número de homicídios aumenta para 24,4 (de acordo com dados de 2012), situação ligeiramente melhor que a da Colômbia (26,5) e do Brasil (26,74) - mas muito pior do que a Argentina (6,53), o Peru (7,16) e o Uruguai (8,42).

5. Gravidez na adolescência

Além de representar um risco para a saúde das mulheres jovens, a gravidez na adolescência é frequentemente associada à vulnerabilidade.

Segundo dados do Banco Mundial para 2015, os EUA registram uma taxa de 21 nascimentos desse tipo para cada mil mulheres entre 15 e 19 anos de idade - colocando o país no 68º lugar do mundo, mesmo nível de Djibouti e Aruba, e bem acima da média de países com altos níveis de renda.

Outros países ricos têm números bem mais baixos, como Japão (4), Alemanha (6) e França (9). No Brasil, a taxa é de 67.

6. Educação

Os EUA são sede de dezenas das melhores universidades do mundo. Mas isso não significa que a formação média dos americanos esteja à altura desses centros de excelência.

De acordo com um estudo realizado no âmbito do Programa Internacional para Avaliação de Competências (PIAAC, na sigla em inglês), entre os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país teve uma performance considerada medíocre.

A pesquisa mediu três níveis educacionais diferentes em termos de capacidade de leitura e habilidade numérica: pessoas que não completaram o ensino médio, indivíduos com ensino médio completo e outros com pelo menos dois anos de ensino universitário cursado.

Participaram da análise pouco mais de 20 países: Austrália, Áustria, Canadá, República Checa, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Japão, Países Baixos, Noruega, Polônia, Coréia do Sul, Eslováquia, Espanha, Suécia, Estados Unidos, Bélgica e Reino Unido.

No teste sobre a capacidade de leitura, entre aqueles que não haviam terminado o ensino médio, os americanos ficaram entre os cinco países com os piores resultados; entre aqueles que completaram esse nível de estudos, o país ficou abaixo da média de todos.

No caso de pessoas que tinham começado a cursar a universidade, os americanos ficaram acima de oito países, empataram com outros seis - mas foram ultrapassados ​​por sete nações.

Além disso, os Estados Unidos registraram a maior diferença entre os resultados obtidos por aqueles que não terminaram o Ensino Médio e aqueles que têm pelo menos dois anos de ensino universitário.

Na avaliação das habilidades numéricas, os americanos ficaram consistentemente abaixo da média da OCDE nos três níveis educacionais estudados. Além disso, o país ficou na lanterna em dois níveis: entre os que não terminaram o ensino médio e aqueles que concluíram esta etapa.

Para aqueles que completaram pelo menos dois anos de ensino superior, os EUA superaram a Espanha e a Itália e se igualaram a outros cinco países - ficando atrás de 15 outras nações.

As causas das diferenças em relação aos países ricos

Ao explicar por que os EUA registram indicadores de desenvolvimento tão significativamente abaixo de outros países ricos, Shaefer aponta para as peculiaridades da rede de assistência social no país.

"Os Estados Unidos sempre tiveram uma rede de segurança social menos generosa. Os programas sociais visam os pobres, em vez de serem benefícios universais, como é o caso em muitos outros países industrializados onde, além disso, você não possui essas enormes disparidades de riqueza que temos aqui", explica.

Shaefer publicou o livro "Dois dólares por dia: vivendo com quase nada nos Estados Unidos", no qual acompanhou famílias americanas que sobreviviam com cerca R$ 6,4 (em valores atuais) por dia por pessoa.

"O que faz diferença nos Estados Unidos é que muitos deles também têm seguro de saúde e cupons de comida, mas não têm dinheiro em espécie. O que você faz nos EUA quando você não tem dinheiro para pagar a energia elétrica ou as coisas que você precisa em uma entrevista de emprego? Em 2011, havia 1,5 milhão de famílias e mais de 3 milhões de crianças nos Estados Unidos que viviam assim", afirma.

No entanto, essa visão sobre a pobreza no país e as falhas do sistema de assistência social não é compartilhada por todos.

Um estudo da Fundação Heritage questionou a validade dos dados do Censo dos Estados Unidos - que estimou haver quase 15 milhões de crianças vivendo na pobreza em 2014. Para a fundação, esses dados não levavam em conta muitos dos benefícios sociais que as famílias dessas crianças recebiam do Estado.

Para a instituição, famílias com crianças oficialmente listadas em estatísticas de pobreza vivem em condições favoráveis.

"A família média pobre nos Estados Unidos tem ar-condicionado, um carro ou caminhonete, TV a cabo, um computador, um telefone celular e (se houver crianças na casa) videogames. Eles têm o suficiente para comer e não são malnutridos", diz o estudo da fundação.

"Eles vivem em uma casa confortável que está em boas condições e têm mais espaço do que a média não pobre da Alemanha, França, Suécia e Reino Unido", acrescenta.

Shaefer, no entanto, questiona essa visão e adverte que, embora muitas famílias pobres nos Estados Unidos residam em casas amplas, muitas vezes elas não têm dinheiro para aluguel ou serviços básicos, como calefação.

"Se os pobres nos Estados Unidos têm tantos recursos, então por que seus resultados são tão ruins? Sabemos que indicadores como a expectativa de vida estão claramente ligados à renda e que os pobres americanos têm uma taxa muito baixa", rebate o pesquisador.

"As pessoas dizem que os pobres nos Estados Unidos são ricos pelos padrões internacionais, mas isso claramente não é verdade porque seus resultados são muito piores do que os do resto da sociedade", conclui.

02 de dezembro de 2017

Em Bangladesh, papa Francisco alerta para o 'terrorismo da fofoca'

A fala foi considerada uma opção leve para encerrar uma viagem marcada por tensões

 O papa Francisco visitou neste sábado (2) um abrigo para órfãos, mães solteiras e idosos em Dhaka, como parte de seu último dia de viagem a Bangladesh. A instituição foi fundada nos anos 1970 por Madre Teresa para acolher mulheres que engravidaram após serem estupradas por soldados paquistaneses durante a guerra de independência do país. Madre Teresa foi canonizada em 2016.

Após visitar o Mianmar,Papa Francisco chega a Bangladesh. Foto: Reprodução/ Mazur/catholicnews

Em um discurso improvisado, o papa pediu a padres e freiras que atentassem para os perigos do "terrorismo da fofoca". "Quantas comunidades religiosas já foram destruídas por causa do espírito da fofoca? Por favor, mordam a língua", disse.

A fala foi considerada uma opção leve para encerrar uma viagem marcada por tensões. Na sexta-feira (1º), Francisco se reuniu na capital de Bangladesh com 18 refugiados da minoria muçulmana rohingya. Foi a primeira vez que o papa se referiu a eles pelo nome desde o início de sua viagem à Ásia.

"A presença de Deus hoje também se chama rohingya", declarou ao término do encontro com os muçulmanos que fugiram da onda de violência em Mianmar, país vizinho e de maioria budista.

"Deixe-nos continuar a fazer a coisa certa e a ajudá-los. Vamos continuar a trabalhar para garantir que seus direitos sejam reconhecidos", disse o papa. "Não deixemos que nossos corações se fechem, não vamos virar o rosto", acrescentou.

Até então, Francisco não havia mencionado a palavra "rohingya". O Vaticano temia que isso pudesse motivar ataques contra cristãos em Mianmar. Mais de 620 mil rohingya fugiram para Bangladesh desde o fim de agosto. A ONU e os EUA acusam o Exército birmanês de fazer uma "limpeza étnica" contra o grupo.

01 de dezembro de 2017

Rinocerontes são devolvidos à natureza sem chifres para não atrair caçadores

Comércio ilegal de produtos feitos a partir do chifre dos rinocerontes coloca animais em risco em várias reservas africanas. Crença da medicina tradicional oriental sustenta que material pode curar doenças.

Cinco filhotes órfãos de rinocerontes foram devolvidos à natureza na última semana na África do Sul. As mães desses rinocerontes foram mortas para o comércio de chifres.

Os filhotes foram resgatados, cuidados e reabilitados pela organização de proteção de rinocerontes Rhino Revolution, com base na África do Sul, durante dois anos.

A organização "reabilita" animais que sofreram violências para devolvê-los à natureza, de forma que se mantenham independentes e não domesticados. Seus chifres foram retirados para que eles não virem alvo de caçadores ilegais.

O comércio ilegal de chifres de rinocerontes é uma prática comum em vários países da África.

Os cinco filhotes tiveram seus chifres removidos (o azul se deve ao spray antisséptico) para evitar caçadores ilegais (Foto: Divulgação/Rhino Revolution)

O material é então traficado para países como China e Vietnã, onde é extremamente valorizado - comparável a ouro. O negócio se baseia na crença, sem base científica, de que o chifre – que é feito do mesmo material que as unhas dos pés – pode curar tudo, de câncer a pedra nos rins.

Os animais vieram de diferentes reservas na África e tinham diferentes idades ao chegar ao "orfanato" da organização.

Os cinco filhotes foram aos poucos apresentados um ao outro e rapidamente formaram um grupo. Agora que todos têm entre dois e três anos de idade, são grandes o bastante para se defender sozinhos na natureza.

Animais formaram um grupo e foram devolvidos à natureza em reserva na África do Sul (Foto: Divulgação/Rhino Revolution)

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Pretória , na África do Sul, está acompanhando a adaptação deles à natureza. Os animais estão sendo monitorados à distância para avaliar condição física, comportamento e níveis de estresse e saúde.

Uma vez que se adaptarem a esse novo ambiente, eles serão introduzidos a uma região mais ampla da reserva, onde há rinocerontes brancos, para que possam se integrar aos poucos e se reproduzir quando chegar a hora para assim manter sua população.

Argentina encerra busca de sobreviventes de submarino desaparecido

28 navios, nove aeronaves e 4 mil homens participaram das operações de busca nos últimos 15 dias, que contaram com o apoio de 18 países, segundo o comunicado da Marinha

A Marinha argentina encerrou, nesta quinta-feira (30/11), as buscas pelos 44 tripulantes do submarino "ARA San Juan", que desapareceu há duas semanas no Atlântico Sul, mas permanece a procura do casco do submergível.

"Mudança de fase (de resgate) para busca", declarou o porta-voz da Marinha, Enrique Balbi. Apesar de não ser possível afirmar que morreram, "não há evidência alguma do naufrágio nas áreas exploradas" e já transcorreu o "dobro do tempo" estimado para se encontrar alguém com vida. 

Em entrevista coletiva, Balbi lamentou que "apesar da magnitude dos esforços realizados, não foi possível localizar o submarino". Ao ser perguntado se os 44 tripulantes estão mortos, Balbi respondeu: "não posso ser categórico sobre qualquer afirmação".

O porta-voz acrescentou que a operação internacional de busca do submarino prosseguirá. O presidente Mauricio Macri gravará uma mensagem ao país na manhã desta sexta-feira, informou a agência oficial de notícias Telam. "A esperança de se encontrar alguém vivo é zero", disse à AFP um alto oficial da Marinha que pediu para não ser identificado. "Se perdeu a metade da capacidade submarina da Argentina", que tem apenas outros dois submarinos, um ativo e outro em reparo.


A.R.A. "San Juan" realizou o último contato no dia 15 de novembro. Foto:Reprodução/Marinha

No total, 28 navios, nove aeronaves e 4 mil homens participaram das operações de busca nos últimos 15 dias, que contaram com o apoio de 18 países, segundo o comunicado da Marinha. Ao longo de duas semanas, "foram vasculhadas 557.000 milhas náuticas quadradas de exploração visual e 1.049.479 milhas náuticas quadradas de exploração por radar, sem contato com o submarino".

A Marinha dos Estados Unidos anunciou o envio de um novo veículo de rastreamento por controle remoto - o CURV-21 - para auxiliar nas operações de busca. O submergível é capaz de descer até 20 mil pés (6.096 metros) e está equipado com um sonar e uma câmera de alta resolução. Após o anúncio do encerramento das buscas da tripulação, familiares dos marinheiros reagiram de forma diversa.

"Acabam de atirar pela janela a última esperança que tínhamos", disse ao canal C5N Luis Tagliapietra, pai de Damián 'Lucho' Tagliapietra, 27 anos, um dos membros da tripulação do "ARA San Juan". Já Jorge Villareal, pai do oficial Fernando Villareal, 38, não desiste: "sigo com esperança e fé, nosso otimismo permanece, independentemente do que eles dizem".

O último contato do submarino com a base em Mar del Plata ocorreu na manhã do dia 15 de novembro, quando navegava pelo Atlântico Sul, na altura do Golfo San Jorge, a 450 km da costa. Em sua última mensagem, o "ARA San Juan" informou que havia superado uma avaria nas baterias - reportada horas antes - provocada pela entrada de água pelo snorkel.

Três horas após a comunicação, um ruído similar a uma explosão ocorreu na mesma zona onde estava o submarino. O "ARA San Juan" havia zarpado no dia 11 de novembro, de Ushuaia (3.200 km ao sul de Buenos Aires) para regressar a Mar del Plata (400 km ao sul da capital).