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Notícias Carlos Brickmann

01 de junho de 2019

O problema do noticiário é os analistas levarem as notícias a sério

É como criticar uma piada porque peixe não fala. Na piada, fala, sim.

Já era mas continua sendo

O problema do noticiário político do Brasil é um só: os analistas, tanto da Universidade como da imprensa, insistem em levar as notícias a sério. Não dá. É como criticar uma piada porque peixe não fala. Na piada, fala, sim.

Neste momento, Bolsonaro e o presidente do Supremo, Dias Toffoli, estão em lua de mel. Toffoli participou do pacto de Bolsonaro com Rodrigo Maia “para destravar o Brasil”. Maia, que é do ramo, sabe que esse tal pacto não é para levar a sério. Mas Toffoli está animado. Depois do café da manhã com Bolsonaro e Maia, ficou novamente ao lado do presidente, que recebia deputadas e senadoras. Ouviu impassível quando Bolsonaro, depois de elogiá-lo (“uma pessoa excepcional”), disse: “É muito bom termos a Justiça ao nosso lado”. E completou fazendo com as mãos uma imitação de coração.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas acontece que, mais cedo ou mais tarde, alguma medida de Bolsonaro “para destravar o Brasil” irá chegar ao Supremo. Como Toffoli poderá participar do julgamento, ele que é “a Justiça ao lado” de Bolsonaro? E, caso se declare impedido, tudo o que o presidente fez para atraí-lo não terá tido nenhum resultado. Muito esforço para nada.

É desejável, inclusive nos temos da Constituição, que os presidentes dos três Poderes tenham relacionamento harmonioso. Mas confraternizar ultrapassa os limites do relacionamento desejável. Pode caber ao Supremo o julgamento de Flávio, o filho 01. Amizade, vá lá. Amizade colorida, não dá.

Não é, mas continua sendo

Outra novela curiosa é o tal fim do Centrão. Depois que o Centrão foi até alvo de manifestantes que apoiam o Governo, ninguém mais é do bloco. Os principais dirigentes do partido, inclusive o presidente ACM Neto, sustentam que Centrão era o grupo de políticos que girava em torno de Eduardo Cunha. Rodrigo Maia? Imagine! A eleição de Rodrigo Maia eliminou os últimos vestígios do Centrão. Aliás, o PR também não é Centrão. Mudou de nome e hoje é PL. O cacique é o mesmo, Valdemar Costa Neto. Mas são personagens diferentes. O Valdemar do PR talvez fosse Centrão, o do PL não é. Simples.

O morto-vivo

Aliás, o extinto Centrão, embora já não exista mais, continua operando como se existisse. Coisas de nossa estranha vida política, se levada a sério.

Bico longo, penas coloridas

O governador de São Paulo, João Dória Jr., acaba de assumir o controle do PSDB. Seu candidato, o deputado pernambucano Bruno Araújo, se elegeu presidente do partido. Toda a análise política é sobre o “novo PSDB”, que Dória “vai levar para a direita, abandonando a tradicional postura tucana de centro-esquerda”. Pois é. Mas, tirando o afastamento da antiga geração, toda com mais de 70 anos, do comando partidário, não há mudança. Dória surgiu na política há 40 anos, na campanha de Franco Montoro para o Senado. Foi um dos marqueteiros na eleição de Montoro para o Governo. Com Mário Covas como prefeito nomeado, dirigiu a Paulistur. Foi indicado por Fernando Henrique para dirigir a Embratur. Quem o lançou candidato a prefeito foi Alckmin. Seu vice era Bruno Covas, aliado até hoje, o neto de Mário Covas. É tucano de ponta a ponta. Não muda nada. PSDB é PSDB, para o bem ou para o mal. O que muda é a formação: Dória é melhor empresário que a média tucana, e tem menos diplomas universitários. Quem diz que ele é recém-chegado ao partido não pode ser levado a sério.

Em nome de Deus

Já a frase de Bolsonaro diante de fiéis da Assembleia de Deus tem de ser levada a sério: ele perguntou ao público se já não estava na hora de haver um ministro evangélico no STF. A Constituição fala em notável saber jurídico e ilibada reputação. Não se refere em nenhum momento à filiação religiosa de Suas Excelências. Nem para favorecer, nem para prejudicar. Se alguém tiver ilibada reputação e notável saber jurídico, suas convicções religiosas não importam. Mas, se quiser, Bolsonaro pode nomear um jurista evangélico para o STF. Basta desistir da nomeação de Moro em favor de um evangélico de notável saber jurídico e ilibada reputação (e que, aliás, não permitiria que a religião influenciasse seus votos – mesmo no caso que interessa ao presidente, contrário a tornar a homofobia um crime). Ou convença Sérgio Moro a adotar a vertente evangélica do cristianismo, e então nomeá-lo. Fora isso, estará só fazendo demagogia para buscar mais apoio dos evangélicos.

O original era melhor

E é difícil levar a sério a política quando o ministro da Educação aparece num vídeo simulando uma cena de Cantando na Chuva, o clássico musical lançado em 1952. Qual a mensagem que Sua Excelência queria transmitir? Não importa: qualquer que fosse, a cena da dança na chuva protagonizada por um ministro a abafaria. Para este colunista, que acha importante manter a liturgia do cargo, a única conclusão a que se pode chegar é que a dança original, com Gene Kelly, foi muito melhor que a do ministro. 

29 de maio de 2019

Manifestantes que pedia fechamento do Congresso não eram maioria

Bolsonaro elogiou os manifestantes. E qual foi a consequência de tudo?

Concordam em concordar

Não, eles não eram maioria: mas havia, entre os bolsonaristas que foram às ruas, estridentes grupos radicais, que pediam o fechamento do Congresso e do Supremo e insultavam Rodrigo Maia, o articulador das reformas. Bolsonaro elogiou os manifestantes. E qual foi a consequência de tudo?

O amor é lindo: o presidente Bolsonaro tomou café da manhã com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, Dias Toffoli, presidente do STF, David Alcolumbre, presidente do Senado, e todos decidiram apoiar uma agenda conjunta pelas reformas. Maravilha: concórdia, em nome dos superiores interesses do Brasil (e válida até que ocorra nova troca de insultos).

Mas que concórdia é essa? Um ministro do Supremo, a quem cabe julgar a constitucionalidade do que é votado, não pode fingir que não viu nada de ilegal, se ilegalidade houver. Ou seja, só apoia por apoiar. A Câmara aprovou a medida provisória que reduziu o número de ministérios de 29 para 22, e manteve o Coaf com Guedes, não com Moro. Bolsonaro se conformou (se o Senado mudar algo, a MP tem de voltar à Câmara, e talvez não haja tempo de votá-la até dia 3, quando expira e voltam a existir 29 ministérios). Mas o líder de Bolsonaro no Senado quer o Coaf na Justiça, e luta para mudar a MP. Ministro de Bolsonaro, Moro também quer que a MP mude. E ninguém se entende. Alcolumbre não fala, mas presta muita atenção.

Traduzindo, eles concordam apenas em concordar. Talvez funcione. E seja o que Deus quiser.

Centrão sem centrão

Diante das críticas dos manifestantes ao Centrão, visto como interessado só na Oração de São Francisco (“é dando que se recebe; é perdoando que se é perdoado”), Rodrigo Maia, mais Centrão impossível, convidou deputados para formar uma frente suprapartidária, deixando o Centrão de lado. Entram na lista desde Kim Kataguiri e Pedro Lupion, do DEM, até Sílvio Costa, do PRB, partido de Valdemar Costa Neto, e Tábata Amaral, a musa do pessoal de primeiro mandato, do PDT de Ciro Gomes. Objetivo: montar uma agenda positiva, seja lá isso o que for. Ou, mais simples, lutar pelas reformas, ao lado da equipe econômica, que se reunirá frequentemente com eles. A ver.

Precisa dar certo

A barafunda política atrapalhou algo que, diante da crise, estava correndo sem obstáculos: as reformas (já que, sem elas, não haverá investimentos nem a Previdência conseguirá pagar as aposentadorias). A demora no andamento das propostas já se reflete pesadamente no prestígio de Bolsonaro entre os investidores institucionais. A pesquisa da empresa de investimentos, que busca informações para seus investidores) mostra que a aprovação de Bolsonaro entre agentes do mercado financeiro caiu de 28% para 14%, de abril para cá. E 43% dos investidores institucionais avaliaram como ruim ou péssimo o desempenho do Governo. Em abril, esta era a sensação de 24% dos ouvidos.

Quem melhorou, para esse nicho específico de investidores institucionais, foi o Congresso: seu trabalho foi considerado ótimo ou bom por 32% (em abril eram 15%), e a porcentagem de ruim e péssimo caiu de 40% para 25%. Importante: 80% confiam na aprovação da reforma da Previdência neste ano. O percentual é o mesmo desde fevereiro. Espera-se que todas as votações no Congresso estejam concluídas no quarto trimestre. Mas se acredita que a reforma poupará R$ 700 bilhões em dois anos, embora a proposta original do Governo trabalhe com R$ 1,237 trilhão de economia.

Visão de futuro

De acordo com a pesquisa, se a reforma da Previdência não for aprovada, a Bolsa cairá 20%, para 75 mil pontos, e o dólar subirá 12%, para R$ 4,50. Se a reforma trouxer metade da economia proposta, a Bolsa subirá 7%, para 100 mil pontos, e o dólar ficará em R$ 3,90. Caso a reforma proposta pelo Governo passe integralmente, a Bolsa subirá 28%, para 120 mil pontos, e o câmbio irá para R$ 3,60 por dólar. Espera-se que, em quatro anos, a venda de ativos do Governo, no processo de privatização, atinja R$ 300 bilhões.

Aliados, mas desafetos

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, tem um esporte favorito: falar mal do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Mário Rodrigues, de quem é desafeto. Diz insistentemente que a ANTT está fragilizada por ter seu diretor citado em delação premiada, o que é ruim para a imagem e a credibilidade da agência.

Pois é: quando era subordinado ao ministro Moreira Franco, igualmente citado em delações, Tarcísio não se preocupava – tanto que não pediu para sair. Mas agora, para se livrar do desafeto, pensa até em mudar a estrutura do Ministério, fundindo a ANTT com a Antaq, Agência Nacional de Transporte Aquaviário.

O atual Governo parece copiar o PSDB, um partido de amigos composto 100% por inimigos. Os aliados do presidente querem exclusividade: não conseguem admitir a existência de outros aliados e os combatem com fervor.

19 de maio de 2019

Todos gritam, ninguém tem razão

A fala do ministro Weintraub sobre menos verbas para universidades federais foi um desastre político (embora pudesse até ser defensável).

E a oposição, ainda desnorteada, ganhou fôlego para grandes manifestações. Pela educação? Não: falava-se mais em Lula Livre do que em universidades. E não ficaria bem falar no tema, quando a principal universidade pública do país, a USP, paga a dois mil servidores mais que o teto estadual, R$ 23 mil. Um professor recordista ganha R$ 60 mil mensais. E a Universidade gasta toda a verba disponível, 5% do ICMS do Estado, em pagamento de pessoal.

Idiotas úteis? Bolsonaro poderia, especialmente fora do país, controlar o vocabulário. Falar da má distribuição das verbas públicas, que privilegiam o ensino superior e esquecem o fundamental, do desperdício de promover seminário com dinheiro público sobre filosofia do sexo anal. Preferiu xingar.

O país está em crise, mas o Supremo fecha contrato para banquetes com lagosta e vinhos premiados, o Senado contrata mais assessores, a Câmara diz que tem boa vontade mas a marcha da reforma da Previdência continua lenta. Bolsonaro discute se nazismo é de esquerda, avalia nos EUA a situação da Argentina e da Venezuela, e não mergulha na luta pela reforma. A Câmara, depois de ouvir o ministro Guedes informar que logo enviará um projeto de reforma tributária, vota nesta semana outro projeto – aliás, bem redigido, mas não é o do Governo. E os adeptos do Governo brigam uns com os outros.

Deixa conosco

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que vive entre tapas e beijos com Bolsonaro, disse em Nova York que o Governo atrapalha, mas o Congresso vai fazer a reforma da Previdência. Ironia: Bolsonaro fala contra a “velha política”, mas como não se mexe deixa o Centrão fazer o que acha preciso.

Fogo amigo

A comunicação do Governo é subordinada à Secretaria de Comunicação. O comunicador Fábio Wajngarten não se entende com o ministro, general Santos Cruz. Entende-se com Carlos, o filho 02, e com o polemista Olavo de Carvalho, que dos EUA dispara insultos contra o general (e outros militares), Mas é o general que libera a verba. Contra sua opinião, nada anda. Surgiu então uma fofoca brava: uma transcrição de WhatsApp em que ao general é atribuído o uso de adjetivos desrespeitosos contra Bolsonaro. A mensagem, que terminava dizendo que a solução seria o vice Mourão, foi levada, sem investigação, diretamente ao presidente. Isso dá uma ideia do clima no poder.

Cartas na mão

Bolsonaro herdou o país com inflação reduzida, os juros mais baixos que o Banco Central já pagou, encaminhou a reforma da Previdência e a lei de combate ao crime organizado. Graças ao agronegócio tem superávit comercial. Mas, com a barafunda política (e as investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro, o filho 01), a economia está parada: cresceu o número de desempregados (hoje maior que no período Dilma), o crescimento do PIB é reavaliado periodicamente para baixo, o dólar bate recordes de alta. Há uma boa notícia: Olavo de Carvalho disse que não vai mais dar palpites. Com isso, o tiroteio deve ficar menos intenso. Se Bolsonaro puder livrar-se de todos os que tentam tutelá-lo, pode errar, mas serão erros só seus, sem ajuda.

E os planos?

Há uma questão séria, que ainda não foi mencionada: Bolsonaro falou sobre Cristina Kirchner, criticou Maduro, mencionou Israel como país que, com diminutos recursos naturais, conseguiu se desenvolver, chamou os que se manifestaram contra o contingenciamento de verbas para Educação de “massa de manobra” e “idiotas úteis”, brigou com uma repórter da Folha de S.Paulo (e espalhou o vídeo da briga pela Internet), pediu que o ataquem, em vez de atacar seu filho Flávio, disse que as brigas entre as diversas alas bolsonaristas são “página virada”, mas não falou nada a respeito de planos para a criação de empregos (nem quais suas ideias para a Educação e a Saúde, áreas em que, por mais que prospere a agenda liberal do ministro Paulo Guedes, a ação do Estado é fundamental). O bolsonarismo pode por algum tempo discutir a opção pela bomba atômica de Eduardo, o filho 03, ou a balbúrdia que o ministro Weintraub aponta em universidades federais. Mas, se não houver emprego, não há discussão que resista. Chegará a hora em que emprego e salário serão os temas predominantes, por mais ideologizada que se tenha tornado luta política. Sem pão, todos brigam, ninguém tem razão.

A aposta

Não houve jeito: condenado a oito anos e dez meses, em segunda instância, José Dirceu recebeu ordem de prisão. Fez uma reunião com pouco mais de 300 militantes, prometeu continuar lutando na Justiça para se livrar da pena, garantiu que, preso, irá ler mais, acelerar o segundo volume de suas memórias, exercitar-se, cuidar da saúde, acompanhar a política. E a aposta: em quanto tempo o caro leitor acha que Dirceu será solto?

12 de maio de 2019

Crônica da morte que falhou

Não gosto de armas: balas aleijam e matam. Mas não entro na discussão sobre porte de armas na segurança pública.

Na Suíça e em Israel, onde cada cidadão tem em casa armas poderosas, e no Japão, onde civis raramente podem ter qualquer tipo de arma, o índice de criminalidade é baixo.

Mas tenho duas histórias para contar, a respeito da liberação de armas para jornalistas: nas duas, se estivesse armado, não teria como sair vivo.

Uma ocorreu no Brasil, uma no Uruguai. No Brasil, por sorte de repórter, fui à casa onde tinha ficado prisioneiro o embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado por militantes da luta armada. Cheguei instantes antes do fechamento da rua e entrei na casa. Cada serviço de informações (lá havia vários) achava que eu pertencia a outro. Eu achava que as notícias estavam liberadas, já que tudo o que perguntava me respondiam. A folhas tantas, liguei para o Jornal da Tarde, no Rio, e pedi um fotógrafo. Não havia ninguém disponível. Explodi: “Que cazzo de jornal que nem tem fotógrafo?”

Segundos depois, estava diante do cano de uma pistola. Um senhor de farda queria saber de que jornal se tratava – e, enfim, quem era eu? Ali mesmo me revistaram, apreenderam minhas anotações e meus documentos, me puseram entre dois soldados com metralhadoras. “Se tiver arma, é um deles”. Não tinha armas, fui liberado e avisado de que não poderia publicar nada. Publiquei tudo, mudei de hotel. E, creio, esqueceram de mim.

El coche de la Policía

No Uruguai, os tupamaros enfrentavam o regime (a caminho de uma ditadura militar). Tinha contatos com os dois lados. Aluguei um Maverick, que seria lançado aqui (outra matéria!) Convidaram-me para uma reunião de tupamaros e segui para lá de Maverick. Fui bem recebido, até que alguém cochichou algo ao líder do grupo. Fui cercado por jovens armados que queriam saber por que eu guiava um Maverick – e como saberia que era o carro favorito da Polícia, como o Falcon na Argentina? Instrução: “Viu demais. Se tiver arma, deem um jeito”. Não tinha arma, meu contato teve tempo de garantir que eu era repórter mesmo. A falta de armas me salvou.

Ficando fraco

Quando Bolsonaro assumiu, seu Governo se apoiava em Moro e Guedes. Moro, pela reputação e popularidade; Guedes, por ser bem aceito pelo mercado. Guedes, com poucos tropeços, continua poderoso; Moro, com seguidas derrotas, a última das quais o bloqueio do Congresso à transferência da COAF (que segue as movimentações financeiras), para sua pasta, vem murchando. Já perdeu umas sete batalhas, e duas vezes na questão das armas. Não acha que, com a população armada, o crime se reduza. Não acha, mas aceitou. E já disse que seu sonho maior é ir para o Supremo. OK, Bolsonaro agora sabe que ele não reage quando contrariado. Sabe também qual a chave para mantê-lo tranquilo. Moro continua sendo mais bem-visto do que Guedes e o próprio Bolsonaro, mas era maior do Curitiba do que é em Brasília.

A grande pergunta

Moro e os procuradores da Lava Jato são encarados com desconfiança por parlamentares. Óbvio: já ficou claro que não querem negociação e que, se desconfiarem de alguém, farão a denúncia escandalosa, com o alvo sendo preso para prestar depoimento. Qual possível vítima quer dar-lhes poder?

A voz do alto

O deputado federal Eduardo Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, o 03 e o 02, iniciaram campanha (pelo twitter, sempre) para que a COAF fique com Moro. Mas chamou a atenção o desinteresse do presidente e do ministro Onyx Lorenzoni pelo destino da COAF. Seu silêncio ensurdeceu o plenário.

Andando de lado

A pesquisa é do Ipespe, para a XP, que visa dar informações precisas a seus investidores. A popularidade do Governo caiu, mas dentro da margem de erro: os que o consideram ruim ou péssimo passaram de 26% para 31%, provavelmente com a adesão de pessoas que antes não tinham opinião. A porcentagem dos que acham o Governo bom ou ótimo se manteve estável.

Subindo

Quem cresceu na avaliação é o vice Hamilton Mourão, com 39% de ótimo e bom. Já 20% o consideram ruim ou péssimo. Como veem a contribuição de Mourão para o Governo? Ampla maioria, 82%, a avaliam como positiva ou neutra; e 20% consideram que a contribuição do vice é negativa.

Previdência

Pela primeira vez, a pesquisa XP Ipespe perguntou aos entrevistados o que acham da reforma da Previdência proposta pelo Governo. Divisão quase meio a meio: 50% contra (dos quais 22% acreditam, porém, que algum tipo de reforma tenha de ser feito); 45% a favor (dos quais 21% discordam de partes do projeto). E 75% acham que o Congresso aprovará a reforma.

08 de maio de 2019

Bolsonarismo: clima de abraço com punhal nas costas

Nem o mais crédulo dos bolsonaristas poderá acreditar que os ataques que seu filho Carlos 02 desfecha contra aliados não tenham apoio do presidente.

Livrai-nos dos amigos 

Diziam do PSDB que era um partido de amigos formado integralmente por inimigos. O bolsonarismo transforma o clima de abraço com punhal nas costas, até então exclusivamente tucano, numa festa infantil: entre adeptos do presidente, o debate já começa pela troca de insultos de baixo calão, sem que se saiba sequer o motivo da briga. Inimigos? Bobagem: Bolsonaro teve a sorte de encontrar, na liderança dos partidos de oposição, pesos-leves como Gleisi Hoffmann e Fernando Haddad. Desses inimigos ele se livra, e com facilidade. Difícil é livrar-se dos amigos, muito mais perigosos.

Nem o mais crédulo dos bolsonaristas poderá acreditar que os ataques que seu filho Carlos 02 desfecha contra aliados não tenham apoio do presidente. Seria humilhante imaginar que um presidente da República, com formação militar, aceite ser comandado por seus filhos. É ele, sem dúvida, o pai dos ataques. Por que faria isso? Ótima pergunta: ganha uma viagem à Venezuela quem souber respondê-la. Talvez – e isso é palpite, não informação – queira desarticular o Governo para, à maneira de Jânio, voltar nos braços do povo. Jânio, que era um gênio político, falhou. Bolsonaro não é um gênio político.

Os palavrões dirigidos por um aliado, a quem acaba de condecorar, aos militares de seu Governo, atingem não uma pessoa, mas uma instituição. E, se for verdade que todos são traidores, quem terá sido o incompetente que os escolheu? Poucas atividades são tão perigosas quanto brincar com fogo.

Lembrando Trotsky

O general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, assessor do Gabinete de Segurança Institucional, chamou o escritor Olavo de Carvalho, que tem atacado vários militares do Governo, de “Trotsky de direita”. Lev Davidovitch Bronstein, “Trotsky”, foi, ao lado de Lênin, um dos líderes da revolução comunista russa, e organizou o Exército Vermelho. Quando Lênin morreu, Trotsky perdeu a batalha pela sucessão para Stalin. Foi perseguido mundo afora e finalmente assassinado no México em 1940. Stalin não se importava com o papel de Trotsky na revolução: acusava-o de ser traidor “desde 1917”, ano da derrubada da monarquia russa.

Trotsky de direita – neste Governo, ninguém muda de posição, ninguém discorda: todos os atacados “sempre” foram traidores. Há ainda uma inversão de papéis, já que o Trostsky de direita persegue antes de ser perseguido. Mas é sempre útil lembrar um pouco de História.

Governo tem povo...

O curioso é que essas brigas internas do Governo acontecem numa hora em que as coisas vão razoavelmente bem. A reforma da Previdência passará, o prestígio de Bolsonaro se desgastou da posse para cá, mas seu apoio ainda é grande – de acordo com a Paraná Pesquisas, 53,1% da população acham que o país está no caminho certo, e 41,4% creem que está no caminho errado. Os bons números se repetem em todas as faixas de idade (exceto a de 16 a 24 anos), em todas as regiões do país (no Nordeste, a vantagem é menor: 49,3% a favor, 46,5% contra), em todas as faixas de escolaridade.

...e apoio empresarial

Na pesquisa do banco BTG/Pactual: entre empresários e executivos, 59% avaliam o Governo como ótimo ou bom, e 10% como ruim ou péssimo.

Por que?

Mesmo em condições favoráveis, Bolsonaro&Filhos criam problemas com generais. Não é coisa boa: civis devem mandar, mas xingar é muito feio.

Mexendo nas peças

O senador Fernando Bezerra, do MDB pernambucano, relator da Medida Provisória da reforma administrativa, quer que haja mais ministérios: a pasta de Desenvolvimento Regional deve virar duas, Cidades e Integração. E o presidente Bolsonaro já concordou, em nome da aprovação da MP. Para que o número de Ministérios não supere os atuais 22, uma saída bem brasileira: o Banco Central ganha autonomia, e seu presidente deixa de ser ministro. Só falta convencer os parlamentares, mas prevê-se vitória apertada do Governo.

Custo da Previdência

O Banco Interamericano de Desenvolvimento, BID, informa que o Brasil é o país que mais gasta com Previdência na América Latina: 12,5% do PIB. Em 2065, se não houver reforma, o custo deve chegar a 50,1% do PIB. É mais do que estará disponível para todas as despesas do Governo.

A aposta do Posto

O ministro da Economia, Paulo Guedes, declara-se otimista: acredita que o Brasil volta a crescer a partir de julho. O otimismo é maior do que parece: acredita que até julho as reformas estarão aprovadas. “Assim que forem aprovadas as reformas, o Brasil retomará o desenvolvimento”. A fase hoje é de desaceleração econômica, com aumento do desemprego. Diz Guedes que não há novidade na desaceleração: “o Brasil está prisioneiro de uma armadilha de baixo crescimento, e nós vamos escapar dela com as reformas”.

01 de maio de 2019

Quem ganha, quem perde

Quem ganha, quem perde

Guaidó, apoiado por Brasil, Estados Unidos e todos os países próximos, ou Maduro, apoiado por Cuba, Rússia e Bolívia?

Para os venezuelanos, neste momento, tanto faz: se Maduro continua, mantém sua política maluca, que conseguiu a façanha de transformar um dos maiores produtores mundiais de petróleo num país onde falta tudo; se Guaidó o derruba, mesmo que melhore dramaticamente o desempenho do Governo, levará bom tempo para reerguer a economia, e nesse tempo terá de enfrentar a desconfiança da população, na qual despertou esperanças que em curto prazo não serão satisfeitas.

E o confronto, quem ganha? Este colunista não se atreve a fazer qualquer previsão: se Maduro se manteve até agora no poder, apesar da calamitosa administração, é porque tem apoiadores fiéis; se Guaidó está solto, embora se tenha proclamado presidente da República, é porque tem apoio suficiente para que Maduro não consiga prendê-lo. A qualquer momento pode ocorrer um desfecho (ou não); não adiantaria sequer consultar uma lista de chefes militares, porque, conforme evolui a situação, muda a posição de cada chefe. Em 1964, o presidente João Goulart tinha a lealdade pétrea do general Amaury Kruel, seu amigo de longa data; e foi Kruel, em decisão de última hora, quem derrubou seu Governo (a notícia era tão improvável que os jornais a confirmaram várias vezes antes de publicá-la). Quem se diz aliado nem sempre o é. Na Venezuela, é melhor esperar mais para errar menos.

Um dia de sossego

O fim de semana marcou, no Brasil, um raro momento de trégua entre os aliados do presidente Bolsonaro. Embora Rodrigo Maia tenha falado mal do 02 e 03 – chamou Eduardo 03 de deslumbrado e Carlos 02 de radical - ele e Bolsonaro estão de bem. Segundo Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, “daqui para a frente é vida nova, os dois reabriram um canal direto”. Bolsonaro disse que respeita Maia, os dois almoçaram juntos no sábado, e o presidente, além de chamar a conversa de “maravilhosa”, garantiu que está namorando o presidente da Câmara. Com o namoro, a reforma da Previdência se acelera.

Os filhos do capitão

Eduardo e Carlos, criticados por Rodrigo Maia, tuitaram louvores à reforma, sem ataques. Ambos pensam em afastar o general Santos Cruz do Governo, mas isso até agora não gerou crise. Por enquanto, o clima é de paz.

O caminho das pedras

Quanto mais se acelerar a reforma melhor é para o Governo. O peculiar ritmo de andamento dos projetos na Câmara exige alguém experiente e com poder, como Rodrigo Maia, para buscar os atalhos. Um exemplo: a partir de ontem, começa a correr o prazo de 40 sessões da Câmara para a entrega do relatório da comissão especial. Mas ontem não é ontem: é terça que vem, dia 7, porque, graças ao Dia do Trabalho, a primeira sessão da Câmara ocorres só naquele dia. Seria possível, mesmo assim, votar a reforma da Previdência até 15 de julho, antes do recesso do meio do ano, mas junho é um mês ruim: um grande número de parlamentares volta para seus Estados para participar das festas juninas. Se a reforma ficar para depois das férias, vai levar mais uns dois meses – e se aproximar das festas de fim de ano, quando para tudo.

É mas não é

Normalmente não daria para votar nada antes do finzinho do ano. Mas, se os parlamentares acharem que vale a pena ficar com Bolsonaro, aí é possível.

Problema na exportação

Na Apex, Agência de Promoção das Exportações, o terceiro diretor de Gestão Corporativa do Governo Bolsonaro acaba de cair. O primeiro durou nove dias, e saiu por não ser fluente em inglês; o segundo, embaixador com experiência na área, caiu não se sabe bem por que, mas dizem que não se entendia com Letícia Catelani, diretora de Negócios e bolsonarista de primeira hora. O terceiro é próximo de Leda e do chanceler Ernesto Araújo, e saiu não se sabe o motivo. O próximo deve ser Sérgio Segóvia, um contra-almirante, que ao que se saiba não tem experiência em comércio exterior.

Exemplo de cima

O país enfrentava um gigantesco buraco nas contas públicas? O Supremo se deu um bom aumento, que repercute em todo o funcionalismo. O Supremo vem sendo criticado? Pois abriu concorrência para banquetes de luxo, com medalhões de lagosta na manteiga queimada, vinhos com tipo seleto de uva, envelhecidos em barris de carvalho francês ou americano, que tenham ganho ao menos quatro prêmios internacionais, espumantes também premiados e elaborados pelo método “champenois”; o mesmo desenvolvido há uns três séculos pelo abade D. Pérignon. Método Charmat, outra possibilidade? Nem pensar! E pratos como arroz de pato, moqueca de camarão, baiana ou capixaba, pato assado, salada Waldorf com camarão, tudo de bom. Preço máximo, R$ 1,1 bilhão, conforme o número de banquetes ofertado pelo STF.

Exemplo? E quem está disposto a dar um exemplo de economia?

24 de abril de 2019

Amigos do pai, inimigos do filho

Getúlio Vargas flertou com os nazistas e se juntou aos Aliados, festejou a tomada de Paris por Hitler e cedeu bases militares aos americanos.

 Dizem que certa vez recebeu um político que se queixou de um adversário, e Getúlio lhe disse que tinha razão. Pouco depois, veio o adversário, e falou mal do primeiro. Getúlio lhe deu razão. Alzira, filha e secretária, reclamou: “Pai, um falou contra o outro e o sr. deu razão aos dois!” Getúlio: “Você tem razão”.

É possível administrar assim – mas Getúlio, uma figura histórica que não aprecio, era um mago da política, o que Bolsonaro ainda não mostrou ser. E o incessante tiroteio entre aliados pode atrapalhar sua gestão. Seu filho 02, Carlos, brigou com Bebianno, com Mourão (chegou a insinuar que pessoas próximas ao presidente queriam sua morte), e pôs no YouTube do pai um vídeo em que o escritor Olavo de Carvalho insultava militares com palavras chulas. Bolsonaro mandou retirar o vídeo de seu canal, Carlos o compartilhou. Bolsonaro fez leve advertência a Carvalho, dizendo que ele é um patriota, mas suas palavras “não contribuem” para ajudar o Governo. Nada falou, porém, sobre o uso de seu YouTube pelo filho 02. Os militares pediam algo bem leve, não conseguiram: algo como “o filho tem direito à opinião, que nem sempre reflete a do pai”. Bolsonaro se diz convencido de que a militância virtual do filho 02 foi essencial para elegê-lo, ponto final.

Mas, com tanto tiro, como chegar unidos à votação da Previdência?

Prato cheio

Para quem gosta da fofocalhada política, as divergências entre militares e Olavo de Carvalho, este com apoio de Carlos 02, são um ótimo divertimento.  Carvalho disse que desde Euclides da Cunha, autor de Os Sertões, os militares se limitam à voz empostada e a cabelos pintados. O vice Mourão sugeriu que Carvalho volte a redigir horóscopos, no que, afirma, o escritor é competente. Carvalho já sugeriu que Bolsonaro nomeie para o Ministério seus três filhos políticos. Carlos considera Carvalho o único responsável pela série de vitórias conservadoras em eleições latino-americanas.  E Carvalho responsabiliza os militares por entregar o país aos comunistas. Este colunista tentou, sem êxito, imaginar um diálogo entre o ex-presidente Médici e seu ministro comunista Delfim Netto (sim, Delfim aparece nas listas de comunistas dos mais radicais), a respeito da entrega do país a comunistas de carteirinha como Tancredo Neves, José Sarney e outros líderes vermelhos.

A palavra de Tarso

A sorte do Governo é que a oposição também não consegue se unir e fica amarrada à palavra de ordem “Lula livre”. Até podem atingir esse objetivo, mas esquecendo o de se opor ao Governo. Quando a oposição se manifesta, é de maneira estranha. Vejamos Tarso Genro, petistíssimo, ministro de Lula em três pastas diferentes, ex-governador, professor universitário: disse que o ex-presidente peruano Alan García, ao suicidar-se no momento em que era preso sob suspeita de corrupção, “deu exemplo de dignidade”. Motivo: “Recusou a submissão às execuções sumárias pelos juízes treinados pela CIA para fulminar o Estado de Direito na América Latina.”

E Lula?

Estaria Tarso achando que Lula, ao manter-se vivo, não teve dignidade?

Ao trabalho

De acordo com dirigentes de várias facções de caminhoneiros, está afastada a hipótese de greve da categoria. Óbvio: se conseguiram tudo o que quiseram sem precisar da greve, por que a fariam? Mas o problema virá: como as autoridades fiscalizarão o preço mínimo do frete, se o assunto é tratado entre contratador e contratado, sem testemunhas? E, se a alta do petróleo se mantiver, como se evitará, sem dilmismo, que o diesel suba?

A festa dos vazamentos

O mérito é do repórter Pablo Fernandez, da BandNews FM: apurou um enorme esquema de venda de dados pessoais pela Internet. O caro leitor não deve sentir-se discriminado: há dados de autoridades, como por exemplo o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sérgio Moro. Quais as fontes de informação? Inúmeras: os dados vazam do INSS, de entidades diversas, do serviço público federal. Surgem telefones, celulares ou fixos, CPF, RG, endereços, informações bancárias, salário, ligações de parentesco. Já faz muitos anos, no centro de São Paulo, que há venda (livre, sem qualquer constrangimento) de CDs com listas de nomes e informações. Mas eram listas não muito acuradas. Hoje são listas de maior precisão.

Destino

Quando recebemos um estranho bilhete de cobrança, partindo de nosso próprio endereço de e-mail, essas listas podem ser a fonte. Aqueles call-centers chatíssimos, talvez esteja aí sua alimentação. E não é caro: nos oito sistemas identificados pela BandNews, R$ 75 mensais compram muita coisa. É ilegal. E daria cadeia, se houvesse investigação policial.

31 de março de 2019

Amizade eterna enquanto dure

Bolsonaro, Rodrigo Maia, Moro e Paulo Guedes estão de bem.

Segundo Bolsonaro, houve pequenas rusgas, “chuvas de verão”. Mas a amizade deve durar ao menos alguns dias: a crise viajou, foi para Israel. Lá, com recepção festiva, muitos acordos para assinar, não sobra tempo para novas brigas.

Todos cederam um pouco. Maia tinha dito que não ia falar com Moro, mas falou. Moro exigia análise rápida de suas medidas de combate ao crime organizado, mas, com a escolha da relatora na Comissão de Justiça, aceitou uma pequena demora, enquanto seu projeto é fundido com um anterior, de Alexandre de Moraes. Bolsonaro liberou Paulo Guedes para acordos com deputados, dentro da lei: recebe as emendas (legais) ao Orçamento e procura colocá-las de modo a que sejam úteis e se mantenham dentro do teto de gastos. O vice Mourão, que nem estava na briga, ficou feliz ao ser festejado por uns 600 empresários. Tudo está ótimo, ao menos enquanto estiver.

Os parlamentares, mesmo os mais pragmáticos, precisam se comportar. Se rejeitarem a reforma da Previdência e as consequências forem as que se anunciam – inflação em alta, menos investimentos, queda de empregos – vão levar a culpa. Colaborando, emplacam mais emendas, ficam de bem com o Governo Federal; e, se houver mesmo a tal “chuva de investimentos” que Guedes diz ser possível, tirarão fotos com ele e serão convidados para inaugurações. Claro, o filho 02 Carlos pode melar tudo. Mas nada é perfeito.

Como diz o poeta

Há quem diga que Jair Bolsonaro andou conversando com alguns de seus ministros militares, adeptos de mais moderação. É, porém, explosivo, reage com dureza quando se sente desafiado, e não serão conselhos de amigos, por mais respeitados que forem, que conseguirão contê-lo. Mas os negociadores de seus, dependendo do dia, aliados ou adversários, já sabem disso. E, para citar a própria expressão de Bolsonaro, de que as divergências foram chuvas de verão, é bom lembrar o que diz o autor da letra, Fernando Lobo: “Podemos ser amigos simplesmente/ coisas do amor, nunca mais”.

Pós-Israel

Bolsonaro combinou encontrar-se com Rodrigo Maia logo que voltar de Israel. O encontro deve selar o acordo de paz que ambos já anunciaram.

A guerra em números

Os índices mostram que as divergências entre Bolsonaro e Rodrigo Maia tiveram alto custo. O Índice de Confiança do Consumidor (FGV) desabou ao menor valor desde outubro de 2018, quando ainda havia dúvidas sobre o resultado das eleições. Em três meses – período de Bolsonaro no Governo – outro índice, o de Confiança do Comércio, caiu 8,3 pontos.

As armas do ministro

Guedes, embora não tenha experiência de articulação política, mantém bom entendimento com os parlamentares. E, além das conversas positivas sobre emendas ao Orçamento, acena com nova medida que agradará a Suas Excelências: um pacote de R$ 10 bilhões para Estados em dificuldades. Há governadores que assumiram Estados com cofres vazios e grandes dívidas. Ficarão felizes com a ajuda – e saberão que, se suas bancadas parlamentares estiverem de bem com o Governo Federal, será mais fácil obtê-la. O pacote, Programa de Equilíbrio Fiscal, está sob a responsabilidade do secretário do Tesouro, Mansueto Almeida. Ainda será analisado pela Procuradoria-Geral da Fazenda e passará pelo ministro Paulo Guedes, mas a promessa é de que tudo será enviado ao Congresso, para exame e votação, em 30 dias.

Os prazos

O deputado Marcelo Freitas, relator escolhido para a reforma da Previdência, promete entregar seu texto em 9 de abril. O projeto de segurança – junção dos textos de Alexandre de Moraes e de Sérgio Moro – deve estar pronto para votação, segundo as previsões dos especialistas em plenário, dentro de 45 dias. Isso, é óbvio, se o entendimento entre o Governo Federal e os parlamentares continuar bom até lá. De qualquer forma, a tramitação da reforma da Previdência no Congresso será iniciada no Senado, não mais na Câmara. A proposta foi feita por Moro e aceita tranquilamente por Maia. E Moro não criou obstáculos à fusão de seu projeto com o de Alexandre de Moraes, hoje ministro do Supremo. O acerto de posições entre ambos abre amplo campo para o entendimento político entre Governo e Congresso.

Águas passadas

Afinal, devem ou não os militares comemorar o 31 de março? Simples: se quiserem, que comemorem, como o vêm fazendo discretamente há muitos anos. Se não quiserem, que não comemorem. É tão ridículo proibi-los de lembrar a deposição de Jango quanto exigir que a festejem, 55 anos depois. É mais do que hora de trocar os militantes pelos historiadores. E não nos esqueçamos de que a grande imprensa, que hoje condena o “golpe”, na época o apoiava e chamava de “Revolução” – às vezes, Revolução Redentora.

13 de março de 2019

Assuntos essenciais parados e o país discutindo bobagens. Ainda bem

E estamos discutindo tweets e fake-news que, seja a razão de quem for, fazem tanta diferença quanto o resultado de um jogo sub-15. É triste.

Discutindo bobagens. Ainda bem

A reforma da Previdência, assunto essencial, está no Congresso. Outra reforma com alto potencial de controvérsia está para ser enviada: a que devolve ao Congresso sua missão básica de determinar o Orçamento, dando fim às porcentagens obrigatórias para Educação, Saúde, etc. O Ministério Público desistiu de criar uma fundação para lutar contra a corrupção, com verbas recuperadas após investigações. Um pacote anticrime, proposto por Sérgio Moro, está pronto para exame pelos parlamentares. Para o bem ou para o mal, são propostas que modificam muito a estrutura do país.

E estamos discutindo tweets e fake-news que, seja a razão de quem for, fazem tanta diferença quanto o resultado de um jogo sub-15. É triste.

Ou não: um leitor desta coluna, advogado e ex-ministro, lembra que, por menos relevantes que sejam esses temas, pelo menos não discutimos hoje alguns bilhões de reais em propinas, nem somos surpreendidos porque um diretor de estatal devolveu R$ 90 milhões – que tinha na conta! - para se livrar da prisão fechada. As notícias de hoje são sobre indecências no Carnaval ou declarações atribuídas a uma repórter que estaria se esforçando para que suas descobertas derrubem o presidente. Coisa mais micha!

O comportamento é ilegal? Cabe à Justiça decidir. A discussão é boba? É. Mas os temas são menos escandalosos que construir uma refinaria como Hugo Chavez mandou sem ele botar um centavo na obra. Esta coluna quer esquecê-los. Mas admite que é melhor discutir besteira do que ladroeira.

Passagem rápida

Discussões sobre um episódio do Carnaval e uma entrevista a um site francês, que nega ter feito a entrevista, são chatas demais. Não deve ser impossível que governistas defendam o projeto de reforma da Previdência e oposicionistas mostrem suas falhas. É melhor até para ler a notícia!

Os lucros do assassínio

Dois presos são apontados como assassinos de Marielle. Cessa com isso a choradeira de que o Governo não queria esclarecer o crime? Não: para os radicais que dividem o mundo entre nós e eles, o assassínio continua sendo culpa de Bolsonaro – embora as prisões tenham ocorrido em seu Governo, embora ele tenha dito que é preciso chegar aos mandantes. Sérgio Moro é criticado por não ter dito nada sobre as prisões – embora tenha emitido nota oficial sobre o tema. Ô, gente chata! Será que só pensa em lucro político?

Os ausentes

Há quase 50 anos, 1972, Tom Jobim já falava nas “águas de março fechando o verão”. Mas o prefeito da maior cidade brasileira, Bruno Covas, escolheu justo esta época para tirar férias na Europa. A tragédia atingiu São Paulo e alcançou Covas, obrigado a trabalhar na época de trabalho! Mas ele não está só. O Congresso começa a discutir a reforma da Previdência; o projeto anticorrupção também será debatido; o superministro Paulo Guedes anuncia uma mudança na estrutura do país, eliminando gastos obrigatórios e liberando os parlamentares para definir despesas e investimentos. É bem nessa hora que o articulador político do Governo, Onyx Lorenzoni, decide fazer um passeio à Antártida. Entre uma fria e outra, escolheu a fria errada.

Rico...

A Assembléia do Mato Grosso do Sul aprovou e o governador Reinaldo Azambuja, do PSDB, sancionou: a partir de agora, e com efeito retroativo a 1º de fevereiro, os salários do Tribunal de Contas do Estado podem ser aumentados em até 90%. Quase dobram. Quem decide os beneficiários é o presidente do TCE – sim, o próprio. Previsão de gastos? Não foi divulgada. Afinal, quem é rico de verdade não precisa perguntar o preço de nada.

...ri...

O Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul tem uma lista com uns 90 juízes e desembargadores que ganham bem acima do teto constitucional de R$ 39,2 mil. O salário mais baixo da lista é de R$ 64.812,58. O mais alto atinge R$ 135.576,90 – pouco mais que o triplo dos vencimentos de um ministro do Supremo, que deveria ser o servidor público mais bem pago. Ainda bem que o agronegócio anda próspero e paga as contas do Estado.

...à toa

E, completando o quadro, o governador Reinaldo Azambuja nomeou 27 comissionados (cargos de confiança) com salários que começam na faixa de R$ 28 mil. Cinco superam o teto, e deles o mais bem pago recebe R$ 92.985,55 mensais. O Estado é generoso e ninguém regula merreca.

Ninguém é de ferro

Indignado, caro leitor? Então, mais uma: o famoso Carnaval baiano, de longa duração, é para os fracos. A Câmara dos Deputados reiniciou ontem o trabalho, após 13 dias de Carnaval, com reuniões de bancadas estaduais. Resta uma dúvida: se o Carnaval de três dias era Tríduo Momesco, como será apelidado o de 13 dias? Teremos de chamá-lo de Trezena Momesca?

27 de fevereiro de 2019

O próprio governo Bolsonaro atrapalha seus projetos e gera desgaste

Ele não precisa do PT e de seus penduricalhos: o próprio Governo faz o trabalho da oposição

Já se sabe por que o presidente Bolsonaro não convidou os mais radicais partidos de oposição para discutir a reforma da Previdência. É que, em seu Governo, ele é situação e também oposição. Não precisa do PT e de seus penduricalhos: o próprio Governo faz o trabalho da oposição, incluindo a parte difícil, de atrapalhar seus próprios projetos e se desgastar sozinho.

A última do ministro da Educação, por exemplo, nem o mais esperto dos oposicionistas faria melhor: em nome do respeito aos símbolos da Pátria, ordenou que professores, funcionários das escolas e alunos, devidamente perfilados em frente á bandeira, cantem o Hino Nacional e leiam um texto, supostamente patriótico, que inclui o lema de campanha de Bolsonaro, o que é ilegal. E tudo seria filmado para exibição pública, sem que os pais fossem ouvidos. Uma advogada pertencente ao próprio partido do presidente, a campeã de votos Janaína Paschoal, sugeriu que o ministro da Educação arranje com urgência um assessor jurídico.

Não foi necessário: rapidamente, o ministro mudou as ordens. Não é mais preciso ler o lema da campanha do presidente, nem as crianças irão aparecer em vídeos sem autorização dos pais. Ah, agir sem pensar!

E para que? Por que banalizar um símbolo como o Hino Nacional? Já se ouve o hino em jogos de futebol. A torcida nem silêncio faz. Após ouvir a música-símbolo da união nacional, brigam, se machucam, se matam.

Aquele do Japonês

Este colunista nunca cantou hinos: era proibido, por estragar o conjunto. Mas conhecia as letras: “Japonês tem quatro filhos”, “e quando a Pátria amada precisar da macacada”, e o delicioso “eia, sus”, que vinha um pouco antes do Virundum. E pensar que a ideia era estimular o patriotismo!

Louvar o Senhor

Perfeito, até o ministro da Educação percebeu que tinha feito besteira. Mas a ideia original, de exigir que o lema da campanha presidencial fosse obrigatoriamente citado, forçava ateus ou seguidores de religiões não monoteístas a prestar homenagem ao Deus dos cultos abrâmicos, com origem em Abrahão: judeus, cristãos e muçulmanos. E talvez violassse até um dos Dez Mandamentos, “não usarás o nome de Deus em vão”.

Jogo fácil

E, não fossem os inimigos internos, até que a situação não estaria difícil: a oposição é comandada por Gleisi, algo com que sonha qualquer Governo do mundo. O ministro da Justiça é ídolo popular, o ministro da Economia tem amplo trânsito no mercado, o agronegócio disputa a liderança mundial com os Estados Unidos, o presidente Bolsonaro continua em lua de mel com o público. Diz a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria que ele é bem avaliado por 57,5% da população (43,4% são favoráveis à reforma da Previdência). O Governo é ótimo ou bom para 38,9%; e ruim ou péssimo para 19%. Excelentes índices. Mas o eleitor está atento: 56,8% acham que os filhos estão interferindo nas decisões de Bolsonaro.

Amadorismo, não

Embora o Governo tenha agências de publicidade escolhidas legalmente em concorrência, quis criar a campanha da reforma da Previdência com uma equipe interna da Secom, Secretaria de Comunicações. Não passou: o ministro da Economia, Paulo Guedes, a considerou “tosca”, e vetou-a. Foi tudo refeito por uma agência de verdade, a Artplan. Agora está em ordem.

Brumadinho no mar

A Assembleia paulista acaba de convocar os responsáveis pela operação da cava subaquática de Cubatão – um buraco abaixo do nível da água que armazena 2,4 bilhões de litros de materiais tóxicos. A cava, entre Cubatão e Santos, é operada pela VLI, cuja maior acionista é - adivinhe! - a Vale.

A cava tem 25 metros de profundidade e 400 de largura, ao lado de um manguezal. Ali estão os resíduos tóxicos de meio século de exploração do Polo Industrial de Cubatão. Até há pouco tempo os resíduos estavam no fundo do canal de Piaçaguera. Com a escavação da cratera, o canal foi dragado (para aumentar sua profundidade e permitir a passagem de navios maiores) e os resíduos amontoados num só lugar. Os planos são cobrir a cava com 1,5 metro de altura de material limpo, que taparia o material tóxico, até o final deste semestre. E o risco de contaminação seria afastado.

O grande risco

O problema é que não dá para combinar com o mar, nem exigir que as águas tenham bom comportamento. Que acontece com o material tóxico em caso de movimentos anormais da água, causados por exemplo por tempestade? É isso que a Assembléia estadual quer apurar agora. Porque um vazamento naquela região, dentro do mar, como será contido?

Pois é

Eduardo Bolsonaro defende o muro entre EUA e México. E daí?

24 de fevereiro de 2019

Unir, jamais. Desunir sempre

A base parlamentar de Bolsonaro é insuficiente para garantir a vitória da reforma

A proposta de reforma da Previdência não foi ainda integralmente enviada ao Congresso, e a parte que foi enviada está sob análise de quem entende: não é de um dia para outro que se vai avaliar toda a reforma. Mas, mesmo assim, mesmo sem saber muito bem de que se trata, o mercado se animou: já aceita receber juros menores em títulos do Tesouro (caíram de 13,5% para 9,5%) e o dólar deu uma boa descida diante do Real.

A base parlamentar de Bolsonaro é insuficiente para garantir a vitória da reforma – mas a força de sua expressiva vitória eleitoral, somada à boa reação do mercado, pode perfeitamente levar o Governo à vitória, a menos que, insatisfeita pela fraqueza da oposição, a família do presidente a reforce. É o que está ocorrendo: o senador Flávio, o filho 01, propõe que o Congresso mude a reforma. Se o filho do presidente deixa de defender suas propostas e sugere mudanças, como convencer quem nem parente é?

Todo o planejamento da reforma está baseado na redução das diferenças entre aposentadorias, hoje imensas: funcionário público aposentado recebe o salário integral dos ativos, filha de militares tem direito a manter a pensão após a morte do pai, assalariados da iniciativa privada têm limite bem mais baixo. Pois o senador 01 quer igualar os guardas municipais, para fim de aposentadoria, a policiais. Pode ter razão, mas não é essa a reforma que o Governo de seu pai propõe. Com união é difícil. Sem união, impossível.

No rumo

Valeu a pena ver, pela TV e pelo YouTube, as cenas da fronteira entre o Brasil e a Venezuela nos últimos dias, antes do fechamento da fronteira pelo presidente Nicolás Maduro. Muita gente cruzava a fronteira, sempre no sentido Venezuela-Brasil; ninguém no sentido Brasil-Venezuela. Se não há problemas na Venezuela, como afirmam os bolivarianos brasileiros, por que há tanta gente saindo? Vale conferir as imagens no You Tube.

Estranha coincidência

Não houve, nos últimos dias, alterações de preço nas refinarias da Petrobras. O dólar caiu. Mas, de quarta para quinta, em Brasília a gasolina passou de R$ 3,80 para R$ 4,23 – de repente, as marcas de todas as grandes distribuidoras tiveram alta parecida, sem maiores explicações. Diz o colunista Cláudio Humberto (www.diariodopoder.com.br) que, por causa deste surpreendente evento, espera-se que Bolsonaro autorize os produtores de álcool e as refinarias a fornecer combustível diretamente aos postos, sem precisar entregá-lo a distribuidoras que só elevam os custos.

Justiça x distribuidoras

O repórter Cláudio Tognolli foi processado por críticas duras que fez às distribuidoras de combustíveis – entre outros termos, usou “assalto ao consumidor” para definir a atitude das empresas. A Associação Nacional de Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência – Plural - que reúne BR, Shell e Ipiranga, donas de 70% do mercado, entrou na Justiça acusando-o de difamação. O juiz José Zoéga Coelho, do Juizado Especial Criminal, decidiu pela absolvição sumária. Uma derrota importante da Plural: o repórter bateu duro e ficou claro que nada mais fez exceto investigar e descrever os fatos que havia investigado e confirmado.

O falso herói

O principal repórter da principal revista alemã era uma farsa: inventava histórias magníficas e as publicava como se fossem verdadeiras. A revista, com todo seu sistema de controle de qualidade, publicou tudinho, sem nada questionar. E, se não fosse um repórter cujo prestígio não se comparava ao do falso herói, tudo se manteria sem problemas, enganando os leitores.

O principal repórter, um dos mais conhecidos e conceituados da Alemanha, era Claas Relotius; a revista, respeitadíssima, é Der Spiegel. E o jornalista que desmontou a farsa, Juan Moreno, também da Der Spiegel, foi quase massacrado ao colocar em dúvida as verdades do grande repórter. E, no entanto, tinha razão: hoje, a Der Spiegel adverte no site, onde há matérias de Relotius, que não há como garantir que sejam verdadeiras.

Lutar e provar 

Moreno, jornalista nascido na Espanha e criado na Alemanha, desconfiou de Relotius depois de uma reportagem que fizeram juntos. Moreno deveria acompanhar um grupo de migrantes até a fronteira e contar a viagem; Relotius, nos Estados Unidos, se infiltraria num grupo civil de milicianos dispostos a bloquear a passagem dos migrantes. Estranhou as informações do colega e começou a verificá-las. Aos poucos, descobriu que Claas Relotius entrevistara pessoas que nunca havia visto, descrevia locais em que nunca havia estado. Demorou até que alguém prestasse atenção no que dizia; nesse período, perdeu oito quilos.   

Hoje, a Der Spiegel reformulou seu controle de qualidade e abriu uma investigação interna: como pôde ser tão enganada por tanto tempo?

13 de fevereiro de 2019

Que ninguém se iluda: há divergências entre os filhos de Bolsonaro e o vice

Mas alguém me disse que essas divergências, embora continuem a existir, serão dia a dia menos barulhentas.

A hora dos generais

Que ninguém se iluda: não há divergência séria entre Bolsonaro e o vice. Há divergências entre os filhos de Bolsonaro e o vice; mas alguém me disse que essas divergências, embora continuem a existir, serão dia a dia menos barulhentas. Olavo de Carvalho, ideólogo de boa parte do Governo, autor da indicação de pelo menos dois ministros, Educação e Relações Exteriores, da total confiança de Eduardo Bolsonaro, tem seguidores e já abriu fogo contra o vice Mourão. Olavo é ouvido. Mas muito mais ouvido do que ele é um ministro que fala baixo, porém silencia as estridências de outros: o general Augusto Heleno, respeitadíssimo, principal contato de Bolsonaro com as Forças Armadas. Augusto Heleno, por sua força, evita ao máximo os conflitos abertos. Mas, em caso de divergência, é ele que ganha.

Heleno tem excelentes relações com Mourão e com Bolsonaro. Dizem que já pediu aos filhos de Bolsonaro que, exatamente por ser filhos, não se sintam tentados a pressionar o pai. Tudo indica que foi ouvido.

Um bom exemplo da ação de Heleno é o Sínodo da Amazônia, que se realiza em outubro, no Vaticano. Governistas radicais acusaram a Igreja de dar voz à esquerda para atacar Bolsonaro. Heleno disse que o Brasil deve só defender a Amazônia brasileira, sem se envolver em nada que envolva soberania de outros países ou temas religiosos. O Brasil não aceita lições de países que desmataram mais do que nós. Foi duro – e sem ataque à Igreja.

Bem aposentados

Há meses o país debate a reforma da Previdência – e fomos informados de que, se não houver reforma, o Tesouro quebra. Goiás, depois de longo período de Governo tucano, está em situação de emergência financeira. Mas nem todos ficam tristes: a folha de pagamento oficial de auditores fiscais, alguns na ativa, alguns aposentados, mostra que em dezembro o menor salário foi de R$ 54.893,00 – mais de 50% acima do recebido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, o máximo que poderia ser pago se no Brasil a lei fosse cumprida. O maior pagamento é de R$ 58.797,00.

Muito bem aposentados

Mas não inveje os auditores fiscais de Goiás: na Bahia, igualmente com imensas dificuldades financeiras, há pagamentos mais substanciosos. Bom exemplo é a folha de dezembro de desembargadores ativos e inativos. O mais bem aquinhoado recebeu, líquidos, após os descontos, R$105.346,66. No meio há quatro ganhando pouco acima de R$ 95 mil (e um, menos favorecido, ganhando apenas R$ 90 mil e algumas quireras). O mais mal pago das Excelências tem de sobreviver com R$ 32.370 mensais – e, como é salário líquido, também superior aos vencimentos dos ministros do STF, que deveriam ser o teto dos pagamentos feitos a servidores públicos.

Claro, este salário é em folha. Vantagens extras, como carro com chofer, gasolina, plano de saúde e vale-refeição, são pagas por fora.

Ideia de fôlego

O Governo e a indústria química acabam de lançar um projeto que, além de suas finalidades específicas, sejam quais forem, já que pelo título fica difícil entender quais serão, testará o fôlego de quem se envolver nos trabalhos. Nome: "Programa de Articulação Nacional entre Empresas, Governo e Instituições Acadêmicas para a Prevenção e Mitigação  do Risco de Eventos Químicos, Biológicos, Radiológicos e Nucleares Selecionados". O programa já nasce com um apelido: Pangeia. O nome é grego e significa “toda a Terra”. E todo o ar, para respirar enquanto se diz o nome da coisa.

Muitos em um

El Salvador, na América Central, escapou à disputa tradicional entre os dois maiores partidos e elegeu presidente da República um deputado não muito conhecido: Nayib Bukele, 37 anos. Sua avó paterna, católica romana, nasceu em Belém, na área que hoje é administrada pela Autoridade Palestina; o avô paterno, ortodoxo grego, nasceu em Jerusalém. Seu pai se converteu ao islamismo. Sua esposa é judia. Um exemplo de conciliação, num país que enfrentou décadas de guerra civil e ainda hoje tem as marcas.

Não para

Bolsonaro se recupera bem, mas enfrentou há pouco uma séria cirurgia e teve pneumonia. Aparentemente, não dá importância a isso: tem viagem para os Estados Unidos de 18 a 20 de março, a convite de Trump. Passa rapidamente por Brasília, rearruma as malas e segue para o Chile, de 22 a 23 de março. Aí tem um mês e pouco de permanência no Brasil e volta aos EUA, em 14 de maio, para receber o título de Pessoa do Ano, conferido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos - “reconhecimento de sua intenção fortemente declarada de fomentar laços comerciais e diplomáticos mais próximos entre Brasil e EUA e seu firme comprometimento em construir uma parceria forte e duradoura entre as duas nações”. O título é entregue num jantar de gala no Museu de História Natural de Nova York.

10 de fevereiro de 2019

A vida é apenas um detalhe

Não, não foi um incêndio que matou dez crianças e feriu três no Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio.

Quem os matou pode ser descoberto sem o rigoroso inquérito. Basta verificar quem mandou abrigar as crianças em contêineres, num terreno que, sem condições, não poderia ser usado.

Não, não foi a ruptura da barragem de Brumadinho que deixou mais de 300 mortos e desaparecidos e envenenou os rios que levavam água para a população. Dois dias antes da ruptura, revelam e-mails trocados entre duas empresas que cuidavam da segurança da barragem e funcionários da Vale, a mineradora tinha sido avisada dos problemas nos sensores que deveriam monitorar a estrutura de Brumadinho. Que fez a Vale, nesses dois dias? Na melhor das hipóteses, orou para que nada ocorresse. Na pior, nem deu bola: seu negócio é minério, não vidas humanas. Não verificaram nem as sirenes.

Não, não será um acidente, nem uma fatalidade, se Itabira, muito maior que Brumadinho, for vítima de uma barragem com 200 vezes a capacidade da que se rompeu. O repórter Rodrigo Hidalgo, da Band, filmou as brechas na segurança e a matéria foi ao ar, em rede nacional. E a Vale? Silêncio.

Não, não são casos isolados, o do Flamengo e o da Vale, o de Mariana e o de Brumadinho, ou, que Deus não o permita, o que ameaça Itabira. São todos o mesmo problema: o importante é cuidar exclusivamente do negócio e não se mexer para torná-lo seguro. A vida humana é apenas um detalhe.

Assassínio a prazo

Não, não foi um temporal inesperado o culpado pelas mortes e o caos no Rio. Os radares detectaram a movimentação da tempestade de Paraty para o Rio com quatro horas de antecedência. Se ninguém se mexeu, não é culpa dos radares. O fato é que há muitos anos as verbas para proteção da cidade contra temporais foram reduzidas a uns 30% do que se gastava – e que já era pouco. Percorra o Rio (não só o Rio, boa parte de nossas cidades, mas lá a área é sujeita a chuvas muito fortes) e verá que os esgotos estão fora de uso há tempos, até com capim nascendo nas bocas de lobo. A ocupação desordenada de morros eliminou as árvores que reduziam a velocidade das águas. As favelas estão em áreas de risco. Desculpe, caro leitor: já não há mais favelas, há comunidades. O nome é outro, apenas o risco é o mesmo.

A saúde do presidente

Um deputado federal do PSOL disse que o presidente Bolsonaro estava às portas da morte. Some-se a isso a pneumonia, uma doença perigosa; as fotos em que o presidente, com sonda nasal e provavelmente irritadíssimo por não poder sair logo do hospital, mostrava péssima aparência; e houve uma onda de boatos sobre a saúde de Bolsonaro. Seus médicos foram direto ao ponto: a pneumonia cedeu, o presidente voltou a comer (era alimentado, antes, por sonda), sua recuperação é boa. Fica mais alguns dias no hospital, mas vai bem. E aos poucos vai sendo autorizado a receber seus ministros.

Sarar é preciso

O ideal, acredita este colunista, seria que Bolsonaro aceitasse relaxar: no hospital, cuidaria exclusivamente da saúde, sem tentar ao mesmo tempo exercer a Presidência. Tem um vice, que ele escolheu, e se assumir por uns dias permitirá que Bolsonaro fique um pouco mais tranquilo. E é bom para o Governo: hoje, falta a voz do presidente bem na hora das reformas.

Impunidade, não

Lembra da juíza que colocou uma adolescente numa cela em que só havia homens adultos? A juíza Clarice Maria de Andrade foi severamente punida pelo Conselho Nacional de Justiça: está sem trabalhar (“em disponibilidade”) mas ganha seu salário direitinho, como se estivesse em plena atividade. A maldição bíblica - “ganharás o pão com o suor de seu rosto” - não a atinge. Mas não imagine que esta é uma situação provisória, imposta pelo CNJ: já foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal.

Lula, segunda sentença

Com a condenação a 12 anos e 11 meses (esta pelo sítio de Atibaia), Lula acumula pouco menos de 25 anos de pena – e restam ainda sete outros processos. Caso a nova condenação seja confirmada em segunda instância, Lula, mesmo que seja absolvido em todos os demais processos e libertado o mais rapidamente possível, terá quatro anos e alguns meses a cumprir. E o pior, para o PT, é que está havendo dificuldade para mobilizar militantes para manifestações em favor do ex-presidente. Na última, em seu reduto de São Bernardo, com todo o comando petista, não havia nem mil pessoas.

Nos tempos da ditadura

Agora, que está meio na moda negar que tenha havido ditadura militar, vale a pena ler a revista Zumbido, editada pelo SESC: em boa reportagem de Chico Spagnolo e Wagner Amorosino, surgem os pareceres da Censura vetando letras de músicas de que os censores não gostavam. E é de graça: está no site https://medium.com/zumbido. Vale a pena.

30 de janeiro de 2019

Uma tragédia como a de Brumadinho tem tudo para unir o país.

Mas há quem pense e torça para que as coisas piorem, ainda mais

Histórias de horror e ódio

Uma tragédia como a de Brumadinho tem tudo para unir o país. Tirando os responsáveis por ela, que devem ser identificados e processados, o Brasil todo, sem distinção ideológica, torcendo para que mais sobreviventes sejam encontrados, e enaltecendo todos os que participam das buscas. Só que não.

E o ódio ideológico não está apenas na Internet: transparece também nos jornais. Israel mandou uma força-tarefa para ajudar nas buscas? Junta-se o antissemitismo (“o dono da Vale é judeu, Israel usou a chance para ocupar Brumadinho”) – o dono da Vale não é judeu, a Vale não tem um dono, mas pertence a grupos econômicos e a fundos de pensão estatais – mas isso não é problema: o importante é espalhar o mal. O senador Roberto Requião diz que o grupo israelense veio é para derrubar o Governo da Venezuela. Desde quando Minas está perto da Venezuela? O importante é desmerecer a ajuda, como se fosse fruto de um pacto entre Bolsonaro, a quem odeiam, e os judeus, a quem têm horror. Têm de culpar alguém pelos problemas de Maduro – por que não Bolsonaro e os israelenses da equipe de salvamento?

Antissemitismo existe faz tempo. Mas torcer para que o equipamento de Israel não funcione, e assumir essa torcida, é coisa que não se via desde o nazismo. Como não se via alguém torcer contra as vítimas só para culpar o presidente que odeiam. Citando Nelson Rodrigues (a quem essa gente também odiava) há situações em que até os idiotas perdem a modéstia.

O horror

Enquanto se perde tempo discutindo se o equipamento israelense de busca é ou não melhor que o brasileiro (não faz a menor diferença: no caso, mais equipamento e mais gente é melhor do que menos), vai-se perdendo o foco da discussão – ou os focos: a) quem deveria manter a barragem em boas condições; b) quem atestou que a barragem estava em boas condições; c) várias pessoas disseram que esse tipo de barragem é inadequado – é ou não é?; d) um empresário disse que ofereceu à Vale uma nova solução em que os rejeitos de minério são separados da água, que é tratada e lançada de novo nos rios, e transformados numa pasta, que ocupa menos espaço e não está sujeita a mudanças no regime de chuva ou a pequenos abalos de terra. É claro que ele quer vender seu produto. Mas, se o produto contribui para reduzir os riscos da mineração, por que não? A Vale tem recursos para estudar essas soluções e escolher a melhor. Nos últimos três anos não o fez.

O ódio

E, no momento em que é preciso pensar em salvar vidas, localizar quem não pôde escapar, há cretinos discutindo “o plano judaico de conquistar o mundo”, ou sugerindo que 132 israelenses ocuparam parte do território nacional. Reclamam até da bandeira brasileira no ombro da farda, ao lado da israelense. Mas ajudar no trabalho, doar algo – ah, isso não, isso é caro.

Rigoroso inquérito

Claro, claro, há multas gigantescas aplicadas à Vale, além da realização de um rigoroso inquérito para apurar responsabilidades. Multa? Então, tá. Há três anos, a barragem da Samarco matou gente, poluiu rios, destruiu o meio-ambiente. A Samarco – pertencente à Vale e à BHP Billiton – foi pesadamente multada, em R$ 350 milhões. Hoje, a Samarco deve R$ 350 milhões em multas. Perguntar não ofende – que é que pagou em três anos? E não foi por falta de dinheiro: o lucro da empresa no ano anterior foi de R$ 7,6 bilhões. Mas, convenhamos, é melhor não pagar do que pagar, né?

Nenhum executivo da Samarco foi condenado criminalmente. Há processo contra 21 réus na Justiça Federal em Minas (depois há recursos!), ainda na fase de ouvir testemunhas. Há muito, muito tempo pela frente.

E citemos Luís Fernando Veríssimo quanto ao rigoroso inquérito: não é a mesma coisa que inquérito rigoroso. É exatamente o contrário.

Acredite se quiser

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, disse que o Governo dará prioridade à fiscalização das 3.386 barragens de alto risco. No Brasil há mais de 20 mil barragens, supostamente menos perigosas.

Renovação

No dia 1º, sexta-feira, Senado e Câmara elegem seus novos presidentes. O caro leitor certamente se lembra da surpresa com o índice de renovação das Casas do Legislativo, o que incluiu a derrota de nomes eternos como Romero Jucá, Eduardo Suplicy, Eunício Oliveira, Magno Malta. Pois bem, a renovação tem agora seu primeiro teste: o favorito para presidir a Câmara é Rodrigo Maia, que está no cargo desde 2016; e o favorito na disputa pelo Senado é Renan Calheiros, que tenta seu quinto mandato como presidente.

A grande frase

Do venezuelano Nicolás Maduro, que tenta se segurar no poder: “Já fui ao futuro, voltei e vi que tudo está bem e a união cívico-militar garante a paz e a felicidade ao nosso povo”.

23 de janeiro de 2019

Bolsonaro usou só 9 minutos para falar com a cúpula da economia mundial

Em Davos, fez um discurso simples e colocou diante do público suas ideias básicas de Governo

A favor do bem, contra o mal

Havia amplo tempo disponível, mais de meia hora, dos quais Bolsonaro usou só nove minutos para mostrar suas ideias à cúpula da economia mundial. Nada contra falar pouco: um dos melhores discursos da História mundial, a consagração do Cemitério de Gettysburg por Lincoln, durou menos de dois minutos (“o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desaparecerá da face da Terra”). Mas Bolsonaro não é Lincoln, sabe disso, e não se arriscou à eloquência. Em Davos, fez um discurso simples e colocou diante do público suas ideias básicas de Governo – que, de maneira geral, coincidem com o pensamento liberal do Fórum Econômico Mundial.

Confirmou, internacionalmente, o papel predominante de Sérgio Moro e de Paulo Guedes em seu Governo. Prometeu fazer “as reformas que o mundo espera”, “transformar o Brasil num dos melhores países do mundo para fazer negócios”, investir pesado em segurança pública para permitir que turistas se sintam à vontade para conhecer regiões como o Pantanal e a Amazônia, simplificar impostos para facilitar a vida dos empreendedores.

Salientou, enfim, a interrelação entre agropecuária e meio-ambiente, um dependente do outro; ressaltou a vontade do Brasil de exercer a diplomacia sem nenhum viés ideológico; e se referiu à busca de novos mercados. Considerando-se o público a que se dirigiu e com quem o Brasil vai lidar, foi como se dizer a favor da saúde e contra a doença. Deve ter funcionado.

Aceno

Davos é uma reunião de expoentes do capitalismo; mas fazem questão de se considerar expoentes do capitalismo moderno, com preocupações ambientais e sociais. Bolsonaro fez citação específica sobre o tema: que o Brasil é o país que mais preserva florestas no mundo (há um estudo com os números, para que não restem dúvidas). Faz parte da postura moderna.

Sob nova direção

Com Jair Bolsonaro em Davos, o Brasil tem novo presidente: Hamilton Mourão, que continua despachando do gabinete de vice. Bolsonaro volta e, logo depois, faz uma nova cirurgia, para retirar a bolsa de colostomia que usa desde o atentado e religar o intestino. Embora Bolsonaro tenha pedido que seja montado um escritório para que possa despachar em seu apartamento no Hospital Albert Einstein, SP, Mourão deve continuar em exercício até que o presidente tenha alta médica e possa voltar ao Planalto. Quanto tempo isso leva? Depende da evolução do caso. Mas não será surpreendente que demore de dez dias a duas semanas, se tudo correr bem.

Herança maldita

O eleitorado goiano derrotou os tucanos de ponta a ponta: elegeu para o Governo o oposicionista Ronaldo Caiado, contra José Elinton, o tucano candidato à reeleição, e surrou exemplarmente o tucano-chefe, Marconi Perillo, que se julgava favorito na disputa pelo Senado (no lugar dele, quem se elegeu foi o jornalista Jorge Kajuru). Mas as marcas do tucanato ainda estão vivas: o governador Ronaldo Caiado, diante do déficit fiscal, causado pelo aumento das despesas públicas nos governos anteriores, teve que decretar situação de calamidade financeira, por 180 dias. Só assim poderá combater o aumento das despesas públicas e reduzir o déficit que herdou.

O tempo tudo encobre

Um dos homens mais influentes do Brasil, Jorge Serpa, que atuou na política desde o segundo governo Vargas até o segundo governo Fernando Henrique (e talvez no primeiro de Lula), morreu neste domingo, dia 20, aos 96 anos. Serpa foi possivelmente o principal assessor de Roberto Marinho desde o início do regime militar. Quem o conhecia preferia não se referir a ele pelo nome (indício de respeito por sua atitude discreta): era O Onça, um mago capaz de conversar com todos os envolvidos em qualquer questão.Sinal dos tempos: não havia políticos no sepultamento. Nem integrantes da família Marinho. Nem representante das Organizações Globo. Serpa deixou viúva dona Vicentina, neta do ex-presidente Eurico Dutra.

Os dias de hoje

Serpa influiu poderosamente em todos os veículos de imprensa de Roberto Marinho. Hoje não há ninguém, nos meios de comunicação, que se aproxime de seu porte. O jornalista Fernando Albrecht, em seu ótimo blog (http://fernandoalbrecht.blog.br/), descreve a imprensa, hoje: “Foram-se os tempos em que as direções dos jornais controlavam as redações. Há muitos anos as direções perderam o controle das redações. Pior: não sabem lidar com isso, não sabem recuperá-lo. Todos falam línguas diferentes e o resultado – óbvio – é a formação de nichos ou de tribos que controlam até territorialmente um determinado espaço das redações.”

O próximo passo

Do promotor Roberto Livianu, sobre corrupção empresarial: a pena mais importante para empresários corruptos é fazer com que percam suas ações.