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Celso Pires

O aparente colapso do acordo nuclear iraniano

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, vem tentando mediar uma solução para manutenção do acordo junto ao Irã.

18/07/2019 10:23h

O acordo nuclear histórico entre o Irã e potências mundiais parece estar prestes a entrar em colapso. O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, vem tentando mediar uma solução para manutenção do acordo junto ao Irã. O objetivo é, entre outras coisas, tentar reduzir a tensão entre Washington e Teerã, desde a imposição de sanções pelos Estados Unidos da América e a ameaça iraniana em descumprir as tratativas. As suspeitas de que o Irã estaria usando seu programa de energia nuclear para encobertar o desenvolvimento de uma bomba atômica levaram a Organização das Nações 

Unidas – O.N.U, os E.U.A e a União Europeia a impor sanções com o objetivo de persuadir o país a conter suas ambições armamentistas de cunho nuclear. O Irã insistiu que seu programa nuclear era pacífico, no entanto em 2015 chegou a um acordo com seis países, Estados Unidos da América, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha. Tendo concordado no bojo do ajuste em limitar o enriquecimento de urânio (material que pode ser usado tanto para alimentar reatores como artefatos nucleares); reformular um reator de água pesada que estava sendo construído, e de cujo combustível irradiado poderia ser obtido plutônio, usado em bombas atômicas; e permitir a realização de inspeções internacionais. 

Em troca, as respectivas sanções foram suspensas, permitindo ao Irã retomar as exportações de petróleo, sua principal fonte de receita do governo. Entretanto, uma forte crise foi se incrementando ao longo dos dois últimos anos. O presidente dos E.U.A, o senhor Donald Trump, abandonou o acordo em maio de 2018. Tendo começado a partir daí a restabelecer as sanções, isso ao alvedrio do aforismo latino internacionalmente aceito da pacta sunt servanda, que afirma que os acordos devem ser cumpridos, ou seja, pactos assumidos devem ser respeitados. Em novembro do mesmo ano, as sanções que tinham como alvo os setores petrolífero e financeiro do Irã entraram em vigor. Tais medidas repressivas 

provocaram um colapso econômico e forte aumento da inflação no Irã. O Irã reagiu deixando de cumprir alguns compromissos do acordo nuclear. Ainda suspendeu as vendas obrigatórias para o exterior do excedente de urânio enriquecido e água pesada. Agora por último, deu aos cinco países que ainda participam do acordo um ultimato de 60 dias para proteger as vendas de petróleo iraniano das sanções dos E.U.A. Caso contrário, o Irã suspenderá suas restrições ao enriquecimento de urânio e interromperá a reformulação de seu reator de água pesada. A Agência Inter

nacional de Energia Atômica, que realiza as inspeções, afirma que o Irã já aumentou a produção de urânio enriquecido, todavia ainda não se saberia certamente quanto. No contexto de todo esse imbróglio resta a dúvida do que os Estados Unidos da América, na pessoa do seu presidente Donald Trump, realmente desejam. Trump garante que almeja renegociar todo o acordo, o ampliando para incluir o programa de mísseis balísticos do Irã e seu envolvimento em conflitos no Oriente Médio. Objetivos estes, largamente utópicos e que por óbvio tem con

duzido o Irã a um estado de convencimento de que o acordo não poderá ser renegociado. Trump, não assume que rompeu um tratado internacional mais por um desejo kafkaniano em desfazer tudo que foi feito pelo seu predecessor Barack Obama, do que por uma real aspiração em melhorar a conjuntura posta. Sendo que, pelo bem ou pelo mal, uma renegociação deve ser baseada nos termos já expostos no acordo e não por uma imposição unilateral sua. Neste panorama, o aparente rumo a ser tomado será o do colapso do acordo nuclear com o Irã.


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