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Celso Pires

Pandemia e desinformação no Irã.

O vice-ministro da Saúde do iraniano foi diagnosticado com covid-19 em meio ao surto que já matou 15 pessoas no país.

26/03/2020 10:51h

Um dia depois de Iraj Harirchi aparecer suando muito em uma coletiva de imprensa televisionada, um porta-voz da pasta da saúde confirmou que ele estava contaminado com o novo coronavírus e que fora submetido a quarentena. Diante do episódio, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, pediu que à população que não entrasse em pânico. Rouhani sustentou uma postura positiva no sentido de superação ao vírus. Desde a segunda quinzena de fevereiro, foram notificados 95 casos no Irã, no entanto acredita-se que o número seja bem maior. A Organização Mundial de Saúde – O.M.S. afirmou ser "profundamente preocupante" o aumento dos casos de pessoas contaminadas no país. O diretor regional da Organização das Nações Unidas – O.N.U. tinha uma viagem marcada para o Irã, mas resolveu adiar o compromisso. Um porta-voz da O.M.S asseverou que a organização está definindo uma data para a visita de uma missão técnica ao país. Confirmou ainda o envio de suprimentos médicos e kits para diagnosticar a doença. Existe mais de 80 mil casos confirmados de covid-19 no mundo, com 2,7 mil mortes, sendo a grande maioria na China. Durante a coletiva de imprensa, Harirchi rebateu acusações feitas por um membro do parlamento proveniente de Qom, considerado epicentro do surto no país, de que as autoridades estariam tentando esconder a real dimensão da contaminação no Irã. Ahmad Amirabadi-Farahani afirmou que a covid-19 teria chegado à cidade havia três semanas e que havia feito 50 vítimas apenas no local. O vice-ministro da Saúde negou que o número estivesse correto e disse que renunciaria se ficasse comprovado que pelo menos metade daquele total tivesse morrido por causa da doença em Qom. Amirabadi-Farahani disse posteriormente ter mandado ao vice-ministro uma lista de 40 pessoas que teriam falecido e afirmou que aguardava seu pedido de demissão. O secretário do Conselho Nacional de Segurança, Ali Shamkhani, declarou ter pedido ao procurador-geral para checar a veracidade das alegações do membro do parlamento. O grande problema dessa situação em torno do coronavírus é que tanto espalhar fake news quanto esconder a verdade pode perturbar a segurança nacional e prejudicar a sociedade. As autoridades iranianas têm rejeitado a hipótese de colocar Qom em quarentena e isso é prejudicial à saúde da sociedade internacional, pois permite que o vírus se alastre. A cidade abriga o santuário dedicado a Fatima Masumeh, irmã do oitavo imã, Reza, e é visitada por milhões de peregrinos muçulmanos e por turistas todos os anos. O local também reúne alguns dos principais clérigos xiitas e dezenas de milhares de estudantes de teologia que vêm de todo o país participar do seminário conduzido por eles. Acredita-se que o Irã tenha sido a fonte para a contaminação de países vizinhos como Afeganistão, Bahrein, Iraque, Kuwait e Omã, que acabaram proibindo viagens para a república islâmica. Os Emirados Árabes Unidos, um hub importante no Oriente Médio, suspenderam todos os voos de passageiros e de carga para o Irã como medida de precaução, pois já foram registrados 13 casos no país. A realidade é que o Irã vive no eterno conflito entre religião e ciência. Os relatórios recebidos de cidades em todo o Irã indicam que o número de casos é na verdade bem maior do que está sendo divulgado pelas autoridades. Ao contrário da Itália, o governo iraniano se recusa a impor quarentena às áreas afetadas pelo surto, sob o argumento de que esta é uma medida antiquada, na qual não acreditam. Os santuários xiitas nas cidades de Qom e Mashhad seguem abertos à visitação, apesar de Qom ser um dos centros do surto. Muitos aiatolás importantes acreditam que o santuário, que atrai milhões de peregrinos do mundo inteiro, e seu importante seminário, são o orgulho do mundo xiita. Fechá-lo seria algo de grande impacto para os clérigos, e algo a que não gostariam de se submeter a não ser que houvesse pressão internacional. A atual situação mostra um conflito claro entre fundamentalismo religioso e ciência. O Irã não tem os suprimentos médicos necessários para conter o avanço do surto. As máscaras de proteção disponíveis no país já se esgotaram e não há kits suficientes para fazer o exame que detecta a doença. Uma parte dos profissionais de saúde foi infectada, portanto existe ainda um temor de que não haverá médicos e enfermeiros suficientes para tratar dos pacientes contaminados. A maioria dos iranianos está extremamente preocupada e com esse tipo de postura adotada pelo Irã, toda a comunidade internacional também deveria ficar.


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