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Notícias Lasciva

19 de junho de 2018

A disforia de gênero e as dores dos homens trans

Para quem está preso em um corpo no qual não se encaixa, a disforia é sinônimo de dor.

Disforia… uma palavra que entrou no meu vocabulário recentemente, mas chegou carregada de sentidos que vão além do que está no dicionário. Lá, ela significa basicamente um estado caracterizado por ansiedade, depressão e inquietude. Para quem está preso em um corpo no qual não se encaixa, a disforia é sinônimo de dor.

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Cortamos o cabelo quando não estamos satisfeitas com o visual. Malhamos e fazemos dieta para conseguir os músculos que queremos. Fazemos lipo para tirar a barriga e botamos silicone para ganhar seios ou bumbum. Conquistar o corpo que desejamos é bem mais fácil quando a identidade de gênero e o sexo com qual nascemos estão em harmonia, mas as coisas são realmente difíceis para os homens trans.

Essa semana assisti vários vídeos sobre o assunto e eles falam muito da disforia de gênero. Alguns homens trans tristeza com os seios, não gostam do órgão genital que veem no espelho, querem barba, voz masculina e um corpo sem curvas. Mas antes que você conclua que eles querem ser homens, eu digo que isso é exatamente o que eles são.

O problema é que as pessoas se preocupam tanto em ditar a felicidade alheia, que não têm tempo para tentar compreender que cada um tem a sua própria maneira de ser feliz. Hoje ouvi uma frase de uma pessoa que ainda tenta descobrir se é homem trans: “Um dia que se vive sem ser quem a gente realmente é, é morrer pouco a pouco”.

Thammy Miranda, filho da Gretchen, sempre relata no seu instagram as violências que sofre. Não são agressões físicas, mas maltratam como se fossem. “Pra quê isso de querer ser homem?”, “Era mais bonita antes”, “Você nunca vai deixar de ser mulher”, “Falta o principal”.

Para os homens trans, nascer no corpo de mulher é um erro de percurso agravado pela violência psicológica constante, praticada por uma sociedade desinformada e não empática.

18 de maio de 2018

Educar os meninos de hoje é o que vai proteger as mulheres do futuro

Atualmente, todas nós vivemos em perigo e há pouca coisa que possamos fazer para evitar o feminicídio nesse contexto.

Dois casos de feminicídio em menos de 72 horas ganham repercussão em Teresina e eu fico pensando que não há mais nada a ser dito sobre essas tragédias. Que é machismo, que é doloroso e que é perigoso ser mulher não é novidade. Parece que a gente fica falando mais do mesmo e que isso não leva a lugar nenhum.


Assassino da Gisleide

O sentimento de impotência se apossou de mim desde que eu soube de mais uma mulher assassinada. A pergunta sobre o que eu poderia fazer como feminista, como jornalista e como mulher ficou sem resposta por algumas horas.

Iarla, Camila e Aretha foram assassinadas dentro dos carros dos seus (ex) namorados. Gisleide morreu na própria casa, vítima de um homem que ela havia conhecido há 15 dias pelas redes sociais. Muitas outras tiveram suas vidas tiradas e nós sequer ficamos sabendo.


Assassino da Aretha

Os mais precipitados podem dizer que as mulheres não devem entrar nos carros dos namorados quando eles se mostrarem violentos. Podem sugerir que elas não confiem em homens que conheceram há pouco tempo e que não os leve para dentro de suas casas, mas nenhuma dessas orientações é realmente útil quando a gente sabe que o problema não é com a mulher. Ela poderá ser assassinada independente das decisões que toma, isso quando depende dela tomar alguma decisão.

Dizemos com muita frequência que a culpa pelo crime nunca é da vítima, e vamos repetir insistentemente. É sempre do machismo, da ideia de que nós somos objetos e de que os homens, dentro dos seus carros ou no comando do lar, são superiores a nós. Da cultura que ensina a eles, desde a infância, quem tem que mandar na relação.

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Assassino da Camila

Depois de algumas horas pensando sobre tudo isso, a resposta para as perguntas que estava fazendo a mim mesma não poderia ser mais óbvia. A solução contra o feminicídio só existe a longo prazo e passa pela educação dos meninos de hoje. Apenas isso vai evitar que eles se tornem os assassinos do futuro.

Cobrar a punição dos homens que já mataram é o que nos resta fazer a curto prazo. Talvez, apenas talvez, os assassinos de mulheres em potencial tenham medo de ir pra cadeia e não façam novas vítimas. Mas só isso é muito pouco.

A solução real está nas escolas, com o debate sobre gênero. Sim, aquele mesmo que alguns políticos e fanáticos religiosos querem proibir. Está também dentro de casa. Ensinar aos meninos sobre respeito e igualdade entre os sexos é a nossa única esperança.

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Assassino da Iarla

A pergunta sobre quantas mulheres ainda precisarão morrer para que o machismo acabe, já virou lugar comum. É bem catastrófico dizer, mas até que as crianças cheguem à fase adulta bem educados contra o machismo, serão muitas mortes. E a vítima pode ser quem está escrevendo ou quem está lendo esse texto. Pode ser quem nunca ouviu falar sobre nada disso. Atualmente, todas nós vivemos em perigo e há pouca coisa que possamos fazer para evitar o feminicídio nesse contexto. Mas podemos proteger as mulheres do futuro, educando os meninos no presente.

10 de maio de 2018

Ser mulher é uma ousadia que exige atos de resistência

Para os machistas, respeito é algo a que nenhuma mulher tem direito. No fundo, o problema não é o que fazemos, mas qualquer coisa que fizermos.

Fui chamada de prostituta. Assim, sem que eu pedisse, sem que eu quisesse. Aconteceu esta semana, em uma postagem feita no Facebook. 

Um homem com o nome Magalhães Ernesto Marinho Lincoln Magalhães (sim, ele repete o sobrenome) se achou no direito de postar que o “Empréstimo do governo do Wellington Dias a Caixa vai servir para pagar as prostitutas do jornalismo piauiense”.

Ele não citou meu nome, certamente nem me conhece, mas a frase agressiva e machista foi direcionada para uma mulher jornalista do Piauí. Justamente o que eu também sou, e por isso me senti diretamente atingida. 

Para os machistas, respeito é algo a que nenhuma mulher tem direito. Não importa se ela está dançando na balada, de roupa curta ou vestida com blazer, trabalhando desde as primeiras horas do dia. No fundo, o problema não é o que fazemos, mas qualquer coisa que fizermos. E as críticas nunca serão respeitosas ou construtivas.

É inaceitável a forma como os homens atacam a nossa honra. Prostituta, vadia, vagabunda… Assim somos chamadas quando querem nos atingir, mesmo que seja relacionado a algo profissional. Até quando a agressão é direcionada para outro homem, é a mulher que eles ofendem. Filho da puta! Vou comer tua mãe!

Homens como o Magalhães Ernesto Marinho Lincoln Magalhães existem aos montes. Alguns estão bem perto de nós e torna a nossa vida bem difícil. Às vezes eles são diretos, outras vezes tentam disfarçar a misoginia, mas todos os machistas, sem exceção, nos agridem de alguma forma.

Ser mulher não é apenas uma questão de gênero. É uma ousadia que exige de nós estratégias de sobrevivência e atos diários de resistência.

Contra o Magalhães Ernesto Marinho Lincoln Magalhães e todos os tipos iguais a ele, sejamos fortes e unidas. É o único caminho viável.


08 de maio de 2018

Moça, seja líder no seu relacionamento

Conhecemos ou somos mulheres fortes, interessantes e inteligentes sendo subjugadas em seus relacionamentos amorosos.

“Todas as vezes que você espera um homem dizer se estão namorando, ou sempre que você espera um convite do cara, você não está exercendo a liderança”. O assunto principal não era relacionamentos, mas a frase dita pela palestrante Priscila de Sá, em um evento do Google direcionado para mulheres em Teresina, me despertou interesse.

Exercer a liderança é algo que muitas de nós já fazemos na nossa carreira profissional, mas ainda temos dificuldade no campo afetivo. Frequentemente conhecemos ou somos mulheres fortes, interessantes e inteligentes sendo subjugadas em seus relacionamentos amorosos.

Por que isso acontece eu não sei dizer de certeza, mas algumas conjecturas me vêm à mente e todas elas passam pela estrutura muito enraizada do machismo, que ensina as mulheres a esperarem a chegada do príncipe encantado. E também nos ensina que, se as coisas não derem certo, a culpa foi exclusivamente nossa.

Por isso, quando achamos que o grande amor da nossa vida chegou, temos medo. Medo de demonstrar interesse porque o cara pode achar que a gente é pegajosa. Medo de tomar iniciativa porque ele pode nos achar atirada demais. Temos medo do que falar, de como agir, do que vestir, do que pensar. Temos medo de estragar tudo com as nossas expectativas, temos medo de nos apaixonar e de sermos descartadas.

Medo é só o que resta quando nos falta segurança, autoestima e liderança. Deixamos nossa felicidade nas mãos que quem imaginamos ser capaz de garanti-la, quando não entendemos que essa é uma responsabilidade grande demais para entregarmos a uma pessoa qualquer.

É esse o motivo porque exercer a liderança também nos relacionamentos afetivos é tão importante. Se ele confunde carinho com exagero, é porque não era recíproco. Se ele te acha vadia quando você toma atitude, é só mais um machista de quem deverá manter distância. Na condição de protagonistas, pensamos e agimos sem medo. E isso é libertador! 

25 de abril de 2018

O segredo pra comemorar bodas de brilhante

A gente ouve tanto que o sexo esfria depois de um tempo de relacionamento, que acaba acreditando nisso com naturalidade, como se não pudesse ser de outra forma.

Alguém que me lê neste momento já parou pra refletir que o sexo é tratado como o primo pobre do amor? Sabe aquele parente que todo mundo acha divertido, que gosta da companhia pra ir à balada, mas que todo mundo julga como irresponsável e que ninguém realmente dá valor?

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Se os relacionamentos formassem uma família, era nessa condição em que o sexo estaria. O amor, pelo contrário, seria o parente bem sucessivo, maduro, que conseguiu estabilidade na vida e que, por isso, é mais valorizado que os outros.

E eu sou a parente polêmica que defende que isso está muito errado. Amor e sexo deveriam ter o mesmo peso dentro das relações. Tem uma música da Rita Lee que resume bem o que eu quero dizer: ‘amor sem sexo é amizade’.

A gente ouve tanto que o sexo esfria depois de um tempo de relacionamento, que acaba acreditando nisso com naturalidade, como se não pudesse ser de outra forma. Como se amor só combinasse com dormir de conchinha depois de um papai e mamãe. Como se a cumplicidade que o casal ganha com os anos de namoro ou de casamento tivesse que ocupar o espaço antes destinado às noites de sono perdidas com sexo intenso e prazeroso.

Quando eu era criança, queria ouvir meus pais fazendo sexo. Pra mim, aquilo era a prova de que o casamento ia bem e de que eles nunca iriam se separar. Já adulta, eu vejo casais felizes e, instintivamente, me pergunto se eles fazem sexo com frequência e de qualidade. Quando vejo casais de velhinhos juntos após 50 anos, tenho muita vontade de perguntar se eles ainda têm vida sexual ativa, nem que seja uma vez por mês.

Se a gente abandonar o conservadorismo, vai perceber o quanto tratamos com preconceito o primo pobre e como é importante dar a ele o mesmo valor que damos ao parente concursado.

Aos 31 anos, continuo pensando da mesma forma de quando eu era criança: não existe relação duradoura e feliz sem sexo.

Vai por mim e lembra de me mandar o convite pras bodas de brilhante.

09 de abril de 2018

Quem é você no relacionamento abusivo?

É preciso desfazer o mito de que nós, lésbicas, não agimos de forma abusiva com as nossas companheiras.

Muito se tem falado sobre os riscos do relacionamento abusivo. Textos, listas e testes indicam quando uma pessoa é vítima dessa situação. Sempre lemos sobre o assunto tentando identificar se somos uma delas.

Então observamos com cuidado os relacionamentos alheios e também o nosso. Sempre atentas, remoemos ações ou palavras que possam sinalizar qualquer atitude suspeita das outras pessoas. Mas, na via contrária? Será que estamos cuidando para não nos tornarmos as algozes?

Aqui, vou fazer um recorte para os relacionamentos homoafetivos entre mulheres. É preciso desfazer o mito de que nós, lésbicas, não agimos de forma abusiva com as nossas companheiras. Ciúmes, proibições, restrições de amizades e controle excessivo são algumas das realidades vividas cotidianamente por boa parte dos casais.

Isso ocorre porque a cultura machista não impregnou apenas os homens. Nós, contaminadas também, acabamos por reproduzir tais comportamentos, geralmente potencializados por sentimentos de insegurança ou por relações frágeis, que não tiveram tempo de serem amadurecidas. Sabe aquela piada de que sapatão conhece hoje e amanhã já está casada? Então…

Devemos tirar a venda para enxergarmos a realidade tal como ela é. Ciúme não é prova de amor, controle não é cuidado, brigas constantes não é normal e agressões, mesmo quando vindas de mãos femininas, continuam sendo agressões.

Quem é você no relacionamento abusivo? Sejamos nós vítimas ou algozes, identificar o papel que estamos desempenhando é o passo inicial para mudar a situação e para viver um relacionamento saudável.

01 de abril de 2018

O que aprendemos com Jesus?

Eu, se fosse ele, demorava um pouco mais para voltar. Tá valendo a pena fazer esse sacrifício agora não.

Interrompemos a programação desse blog - mas nem tanto - para falar de Jesus Cristo. Páscoa, você sabe como é, todo mundo lembra desse homem que “veio para nos livrar dos nossos pecados”.

É tão simples pensar dessa forma, né? “Eu tinha vários pecados cabeludos, mas veio alguém, sofreu tudo que foi coisa ruim e eu fiquei pura novamente”. Não foi necessário refletir sobre os erros, não precisou fazer uma reforma íntima, não teve que se remexer por dentro para avaliar que defeitos poderiam ser melhorados… Bastou alguém morrer e as pessoas todas já estavam de boas, ok, vida que segue.

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A vida e a morte de Jesus Cristo me trazem sempre reflexões sobre os rumos que a humanidade tomou 2018 anos após o nascimento desse homem. Se a gente tirar da história de Jesus todos os elementos bíblicos e religiosos, ainda assim permanece um ser humano político, crítico, contestador, militante e humanista que tem muito a nos ensinar sobre tolerância, respeito, amor, humildade e mais tanta coisa boa, que nem cabe aqui nesse parágrafo.

Mas o que a gente aprendeu a partir do exemplo dele? Quase nada! Quando Jesus tava na cruz, todo ensanguentado, com prego pelo corpo e quase morrendo, pediu a Deus que perdoasse aquelas pessoas, pois elas não sabiam o que diziam. Mais de dois milênios depois, continuam malhando o Judas todo domingo de Páscoa. É uma vingança que nunca acaba e %$#&-se o que Jesus aconselhou.

Tenho pra mim que, se Jesus voltasse hoje em dia, ele ouviria muitas frases do tipo: “Vai pra Cuba!”. “Leva o bandido pra casa!”. “Você defende é os direitos dos mano”. “E se ele estuprasse tua mãe, Maria? Você pensaria dessa forma?”... E se ele fosse assassinado, teria a reputação manchada e ainda diriam que merecia morrer, porque defendia bandido.

Evoluímos muito pouco a nossa humanidade, mas preferimos repetir exaustivamente a ideia vazia de que estamos salvos do ~ pecado original ~ porque Jesus morreu por nós. Eu, se fosse ele, demorava um pouco mais para voltar. Tá valendo a pena fazer esse sacrifício agora não.

16 de março de 2018

Como Marielle, todas nós. Presentes!

Os tiros na cabeça de uma mulher negra, lésbica, periférica e feminista têm como objetivo calar a todas nós. Nos querem com medo.

O assassinato de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, não foi uma execução como as que estamos acostumadas a ver. Não foi somente queima de arquivo ou um incômodo com as denúncias que ela fazia, geralmente direcionadas à violência policial e à atuação de milícias na capital carioca. A morte de Marielle é um recado. Os tiros na sua cabeça têm como objetivo calar a todas nós. Nos querem com medo de sermos as próximas.


Arte: Márcio Sena/ODIA


Marielle foi a vítima perfeita para quem quer nos ameaçar. Com a trajetória que construiu, sua morte tem visibilidade garantida e dissemina o recado. Por outro lado, a vida de uma mulher negra, lésbica, periférica e feminista vale menos na nossa sociedade machista, burguesa e conservadora. Resumindo, fica mais fácil negligenciar a investigação ou apontar um bode expiatório, mantendo os verdadeiros culpados impunes.

Importante lembrar os fatos que antecederam a execução de Marielle, como a sua nomeação para relatora da intervenção federal no Rio de Janeiro e a presença suspeita, na Câmara de Vereadores, de um ex-vereador, preso por envolvimento com a milícia. Ele foi indiciado devido a uma CPI na qual Marielle trabalhou quando ainda era assessora do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ).

Parecem muito paranoicas as suspeitas que surgem após essa tragédia, mas isso não é aleatório. É, no mínimo, sintomática a falta de confiança de muitos brasileiros no estado e no seu braço armado. É que os precedentes são muitos e a história já nos mostrou do que o poder é capaz quando se sente ameaçado.

A boa notícia é que a luta de Marielle não será extinta como a sua vida. Aqueles tiros atingiram a todas nós de forma arrasadora, mas também serviram para espalhar os ideais que ela defendia. Mexeram com gente demais. O recado do lado de lá, terá a resposta de cá.

Mulheres, presentes! Negras, presentes! Periféricas, presentes! Lésbicas, presentes! Feministas, presentes!

14 de fevereiro de 2018

A histeria coletiva com os seios da Bruna Marquezine

A “polêmica” que revela mais sobre os problemas de quem reclama, do que sobre os “defeitos” do corpo da atriz.

Até agora eu estou procurando o defeito que as pessoas acharam nos seios da Bruna Marquezine, e só encontro problema na mente de quem criticou.

Da parte dos homens, constato que eles realmente não gostam de mulher. Uma boneca inflável lhes cai bem, pois possui a forma que eles escolheram no catálogo, com os seios plásticos e duros e com três buracos para receber um único pinto, que geralmente não corresponde aos ideais mínimos de beleza. Ah, e essa “mulher” ainda fica calada, quietinha no canto que o homem a colocar.

Mas a Bruna também foi criticada por mulheres. E aí é que minha cabeça dá um nó. É como se, criticando uma celebridade considerada ícone de beleza, as pobres mortais conseguissem elevar sua auto estima. A lógica é diminuir a outra para se sentir melhor. Isso vale pra peitos, pra bunda e pra comportamento social.

A Bruna poderia colocar silicone, mas não o fez. Obviamente não tenho atestado para falar em nome dela, mas arrisco dizer que ela se gosta da forma como é. Se eu, com meus seios pequenos, minhas gorduras localizadas e todas as celulites e estrias, me olho no espelho e continuo normalmente minhas atividades diárias, por que ela não faria o mesmo? Por causa da opinião pública? hahahaha (riso bem debochado).

Que tempos loucos vivemos, em que um corpo natural é desvalorizado? Que mundo é esse, onde se sentir bem consigo mesma vale menos do que agradar a opinião alheia? A “polêmica” sobre os seios da Bruna Marquezine revela mais sobre os problemas de quem reclama, do que sobre os “defeitos” do corpo dela.

18 de janeiro de 2018

Desafio Lasciva: Qual é a sua fantasia sexual?

Quando o assunto é sexualidade, só duas exigências se sobrepõem: reciprocidade e responsabilidade.

Existe um limite para as fantasias sexuais? Um dia desses - o povo me faz cada pergunta - uma pessoa manda essa: “Tu acha que um cara que quer enfiar a mão na vagina da mulher é perigoso?”. Primeiro eu ri, depois opinei. “Ele só seria perigoso se obrigasse você a fazer isso”.

Mas, vale colocar a mulher em uma condição de submissão? Bater e apanhar, pode? Simular uma situação de violência ou agressão é permitido? A resposta para qualquer pergunta nesse sentido é sempre “depende”.

Quando o assunto é sexualidade, só duas exigências se sobrepõem: reciprocidade e responsabilidade. Se as duas, três ou 100 pessoas envolvidas naquela relação sexual forem responsáveis pelos seus atos e quiserem a mesma coisa, qual o problema em realizar o desejo? Inclusive, quando você encontrar alguém que tenha fetiches parecidos com os seus, peça logo pra casar. Nada é melhor do que essa compatibilidade sexual.

A nossa sociedade criou tanto tabu em cima do sexo, que existe quase um manual de instrução do que pode e o que não pode. Claro, que essas regras limitantes valem principalmente para as mulheres. E, como a maioria das relações é heterossexual, isso significa que está na mão dos homens decidir quais fantasias são permitidas.

Está aí o problema. O fetiche dificilmente é da mulher ou pelo menos compartilhado pelo casal. E não venha me dizer que nós não temos fantasias sexuais estrambólicas. Muitas só não conseguem é externalizar isso. Sentem medo, vergonha ou nem se permitem dar liberdade àquele pensamento que está bem escondido no subconsciente.

E para nos libertarmos dessas amarras, lanço aqui um Desafio Lasciva para as mulheres. Quando terminar de ler esse texto, pensa bem e me responde: Qual é a sua fantasia sexual?

20 de dezembro de 2017

O que essa dor na lombar tem a ver com minha orientação sexual?

Os conflitos de identidade relacionados à sexualidade surgem quando eu preciso lutar pela valorização dentro dos ambientes em que estou inserida.

Que a homofobia mata e maltrata, todos nós que somos vítimas já sabemos, mas que ela provoca dores físicas foi algo que descobri após dois anos de terapia, quando meu psicólogo explicou sobre a Formação em Leitura Biológica.

Antes de falar melhor sobre essa relação, preciso dizer que a decisão por expor parte do meu processo terapêutico é consciente e respeita os limites éticos. Não estou transcrevendo o que foi dialogado com o terapeuta. Trata-se de uma interpretação, com base no que consegui apreender até o momento. Dito isto, continuo...

Desde 2013 eu sinto dores nas costas, com períodos mais ou menos intensos. Após tratamento com remédio ou fisioterapia elas melhoram, mas em algum momento voltam a incomodar. O que isso tem a ver com minha orientação sexual se explica pela localização das dores. 

Parece complicado, mas na prática é bem simples de compreender, principalmente quando o terapeuta tem uma visão holística do ser humano e não isola os aspectos emocionais das causas espirituais e biológicas.

Minhas dores se concentram na lombar, o que indica conflitos de identidade e sentimento de desvalorização, de acordo com a abordagem da Formação em Leitura Biológica, que ainda é pouco aplicada em Teresina. Como o incômodo irradia para a região pélvica, existe uma relação mais próxima com a sexualidade. 

Explicando a grosso modo é como se – de forma inconsciente – eu me sentisse desvalorizada por ser diferente. Os conflitos de identidade relacionados à sexualidade surgem quando eu preciso lutar pela valorização dentro dos ambientes em que estou inserida. 

Na busca por resolver esses conflitos de identidade e para ser valorizada da forma como sou, ou seja, lésbica, eu uso minha capacidade intelectual para enfrentar a homofobia. E toda a carga emocional decorrente desses embates vai parar na coluna. 

E agora? O que fazer depois de descobrir tudo isso, justamente nesse contexto social que exige de nós termos mais força para o embate contra a homofobia?

Segundo o meu terapeuta, não será necessário desenvolver maior resistência à dor (ufa!). Só em ter consciência da causa do problema, os impactos emocionais já serão menores. Aliado a isso, preciso trabalhar internamente essa necessidade de valorização externa e focar na autovalorização, compreendendo que o outro não define quem eu sou.

Come on, hold on!

14 de dezembro de 2017

Qual seu nível de "cidadão de bem"?

Faça o teste e descubra.

Você defende o combate à violência com selvageria, acredita que o Brasil vai se tornar melhor quando as pessoas puderem ter uma arma ou faz comentários raivosos nas redes sociais contra militantes de esquerda ou defensores de qualquer minoria social?  

Faça o teste e descubra qual seu nível de "cidadão de bem".


1 – Você acha que bandido bom é bandido morto?

a)  Sim

b)  Não

2 – Você acha que as mulheres não precisam de feminismo?

a)  Sim

b)  Não

3 – Você concorda que não existe racismo no Brasil?

a)  Sim

b)  Não

4 – Você já encerrou uma discussão dizendo que aquilo era mimimi?

a)  Sim

b)  Não

5 – Você concorda que o problema da criminalidade se resolveria com a redução da maioridade penal?

a)  Sim

b)  Não

6 – Você curte páginas de “orgulho hétero”?

a)  Sim

b)  Não

7 – Você já disse que mulher é vítima de violência doméstica porque gosta de apanhar?

a)  Sim

b)  Não

8 – Você já disse a frase: “Não sou (...), mas (...)”?

a)  Sim

b)  Não

9 – Você acredita em “ideologia de gênero” ou em “ditadura gayzista”?

a)  Sim

b)  Não

10 – Você votaria no Bolsonaro?

a)  Sim

b)  Não

11 – Você trai a sua esposa ou namorada?

a)  Sim

b)  Não

12 – Você teve filho (a) fora do casamento quando estava casado?

a)  Sim

b)  Não

13 – Você abandonou a criança?

a)  Sim

b)  Não

14 – Você acha que os militares são o melhor para o Brasil?

a)  Sim

b)  Não

15 – Você acha que cantada no meio da rua é um elogio à mulher?

a)  Sim

b)  Não


Se você marcou:

0 vezes a opção sim: Parabéns, você é saudável.

1 a 5 vezes a opção sim: Há um resquício de cidadão de bem no seu espírito, mas é possível acabar com isso antes que a bactéria se espalhe.

Acima de 5 vezes a opção sim: Você está doente! Provavelmente é aquela pessoa que finge ser justa e honesta.

Defende a família tradicional e pensa que é um bom pai e um bom companheiro amoroso, mas não perde a oportunidade de ficar com outras mulheres, enquanto a sua esposa está em casa cuidando das crianças sozinha.

Você defende a meritocracia e afirma que, quem segue o caminho do crime só o faz porque é ruim e, por isso, deve morrer. Talvez você nunca tenha refletido que algum jovem bandido assassinado poderia ser o filho que você deixou perdido por aí. Aquele, concebido fora do casamento.

11 de dezembro de 2017

Comportamento de manada: os bois querem nos pisotear

Basta que alguém tenha a coragem de verbalizar ou escrever um comentário intolerante, que os demais se sentirão à vontade para fazer o mesmo.

Há algum tempo venho notando que o mundo está pior no que se refere à intolerância, ao conservadorismo e à disseminação de discursos extremistas. A minha dúvida era se as pessoas sempre pensaram assim e não tinham o alcance das redes sociais para manifestarem todo seu ódio, ou se houve alguma mudança comportamental em massa na humanidade.

E foi lendo uma matéria da BBC sobre como o “comportamento de manada” permite a manipulação da opinião pública, que eu cheguei perto de uma conclusão. O conceito refere-se à característica psicológica que leva as pessoas a seguirem uma ideia compartilhada por outras.

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Resumindo, basta que alguém tenha a coragem de verbalizar ou escrever um comentário intolerante, que os demais se sentirão à vontade para fazer o mesmo. Junte a isso o anonimato garantido pelas redes sociais e está elaborado o cenário de horror que temos visto.

Sem capacidade crítica e com uma formação humanitária deficiente, as pessoas se comportam como bois, sem se preocuparem com os danos que as pisadas das suas patas poderão causar a quem não se encaixa no padrão defendido pela manada.

Refleti, então, que os intolerantes sempre existiram com os mesmos pensamentos que manifestam agora. A diferença é que há alguns anos, quando o mundo era melhor, esses seres tinham vergonha de revelar seu preconceito, seu machismo ou de fazer apologia à violência. Sentiam a necessidade de fingir o que não eram ou de, pelo menos, omitir suas “opiniões”.

Os intolerantes de hoje imaginavam que ninguém seria capaz de defendê-los, mas ultimamente descobriram que há quem compartilhe das mesmas ideias. Eis aí um grande problema social, que tem como consequência o fortalecimento de uma sociedade excludente e doentia.

Mas acredito que há esperança. Se o comportamento de manada existe para o mal, devemos ressignificá-lo para o bem. Se eles disseminam ódio, intolerância e violência, vamos espalhar amor, tolerância e respeito. Os bois estão soltos e nós não podemos ficar sentados esperando para sermos pisoteados.

27 de novembro de 2017

Homofobia: quando não mata o corpo, destrói a alma

A turma do “não sou preconceituoso, mas...” compõe 99% dos homofóbicos. Eles não matam o corpo, mas destroem a alma

É cada dia mais evidente, pra mim, que os danos causados pelos homofóbicos que batem ou o que matam não são os piores. Em quantidade, digamos que eles representam 1% do grupo. Eles poderão responder a um processo ou ser presos. Há esperança de que sejam punidos e sirvam de exemplo.

Os mais nocivos são aqueles que fingem. A turma do “não sou preconceituoso, mas...”, que compõe 99% dos homofóbicos. Eles não matam o corpo, mas destroem a alma. E não serão responsabilizados por isso. Pelo contrário, são considerados “cidadãos de bem”, dignos de respeito.

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Quem presencia as atitudes dessas pessoas, não consegue perceber de imediato que são preconceituosas. É que elas vestem a homofobia com a capa da piada, da opinião, e – vejam só! – do amor.

Eis aí o motivo pelo qual afirmo que são mais danosos. Do homofóbico violento nós podemos fugir. Se nos sentirmos em perigo, podemos gritar, pedir socorro, chamar a polícia. Mas, dos homofóbicos dissimulados, temos que ser vítimas silenciosas. Denunciá-los pode nos transformar em algozes. “Você está exagerando...”, “Tem que respeitar a opinião”, “Eles não são obrigados a entender”, “Eles são de outra época”... E por aí vai.

Não se leva em consideração os males que essas pessoas causam à nossa alma. Poucos compreendem que elas não nos tiram sangue, mas arrancam lágrimas, destroçam o nosso coração, acabam com as nossas forças e com as esperanças de que um dia as coisas poderão ser melhores.

Geralmente, aqueles que escondem a homofobia estão logo ali, ao nosso lado. São pessoas tão próximas, que nós demoramos para admitir do que elas realmente são capazes. E, quando descobrimos, a dor se mistura com decepção e vergonha.

Tentamos compreender como o preconceito de pessoas que tanto amamos chegou àquele ponto, e não conseguimos. É um sentimento de impotência tão grande, que nossa única vontade é de nos distanciar daquilo que está nos fazendo tanto mal. Só que esta não é uma alternativa. O fardo precisa ser carregado.

Isso não significa, obviamente, se curvar diante do preconceito, mas encará-lo como uma missão. Vai ser desgastante, vai doer a cada palavra dita ou não dita, a cada reflexão que não foi feita, mas - quem sabe um dia - a gente consiga tirar essas pessoas das trevas da homofobia.

Eu gosto muito da palavra “resistência” e é ela que me guia. Sejamos firmes e resistentes. Se nada conseguirmos mudar, pelo menos ninguém pode nos acusar de não termos lutado para tornar melhores as pessoas que amamos.





Enquete

Um jovem morreu ao sofrer descarga elétrica colocando celular para carregar. Quais cuidados você toma em relação a isso?

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