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Notícias Lasciva

14 de fevereiro de 2018

A histeria coletiva com os seios da Bruna Marquezine

A “polêmica” que revela mais sobre os problemas de quem reclama, do que sobre os “defeitos” do corpo da atriz.

Até agora eu estou procurando o defeito que as pessoas acharam nos seios da Bruna Marquezine, e só encontro problema na mente de quem criticou.

Da parte dos homens, constato que eles realmente não gostam de mulher. Uma boneca inflável lhes cai bem, pois possui a forma que eles escolheram no catálogo, com os seios plásticos e duros e com três buracos para receber um único pinto, que geralmente não corresponde aos ideais mínimos de beleza. Ah, e essa “mulher” ainda fica calada, quietinha no canto que o homem a colocar.

Mas a Bruna também foi criticada por mulheres. E aí é que minha cabeça dá um nó. É como se, criticando uma celebridade considerada ícone de beleza, as pobres mortais conseguissem elevar sua auto estima. A lógica é diminuir a outra para se sentir melhor. Isso vale pra peitos, pra bunda e pra comportamento social.

A Bruna poderia colocar silicone, mas não o fez. Obviamente não tenho atestado para falar em nome dela, mas arrisco dizer que ela se gosta da forma como é. Se eu, com meus seios pequenos, minhas gorduras localizadas e todas as celulites e estrias, me olho no espelho e continuo normalmente minhas atividades diárias, por que ela não faria o mesmo? Por causa da opinião pública? hahahaha (riso bem debochado).

Que tempos loucos vivemos, em que um corpo natural é desvalorizado? Que mundo é esse, onde se sentir bem consigo mesma vale menos do que agradar a opinião alheia? A “polêmica” sobre os seios da Bruna Marquezine revela mais sobre os problemas de quem reclama, do que sobre os “defeitos” do corpo dela.

18 de janeiro de 2018

Desafio Lasciva: Qual é a sua fantasia sexual?

Quando o assunto é sexualidade, só duas exigências se sobrepõem: reciprocidade e responsabilidade.

Existe um limite para as fantasias sexuais? Um dia desses - o povo me faz cada pergunta - uma pessoa manda essa: “Tu acha que um cara que quer enfiar a mão na vagina da mulher é perigoso?”. Primeiro eu ri, depois opinei. “Ele só seria perigoso se obrigasse você a fazer isso”.

Mas, vale colocar a mulher em uma condição de submissão? Bater e apanhar, pode? Simular uma situação de violência ou agressão é permitido? A resposta para qualquer pergunta nesse sentido é sempre “depende”.

Quando o assunto é sexualidade, só duas exigências se sobrepõem: reciprocidade e responsabilidade. Se as duas, três ou 100 pessoas envolvidas naquela relação sexual forem responsáveis pelos seus atos e quiserem a mesma coisa, qual o problema em realizar o desejo? Inclusive, quando você encontrar alguém que tenha fetiches parecidos com os seus, peça logo pra casar. Nada é melhor do que essa compatibilidade sexual.

A nossa sociedade criou tanto tabu em cima do sexo, que existe quase um manual de instrução do que pode e o que não pode. Claro, que essas regras limitantes valem principalmente para as mulheres. E, como a maioria das relações é heterossexual, isso significa que está na mão dos homens decidir quais fantasias são permitidas.

Está aí o problema. O fetiche dificilmente é da mulher ou pelo menos compartilhado pelo casal. E não venha me dizer que nós não temos fantasias sexuais estrambólicas. Muitas só não conseguem é externalizar isso. Sentem medo, vergonha ou nem se permitem dar liberdade àquele pensamento que está bem escondido no subconsciente.

E para nos libertarmos dessas amarras, lanço aqui um Desafio Lasciva para as mulheres. Quando terminar de ler esse texto, pensa bem e me responde: Qual é a sua fantasia sexual?

20 de dezembro de 2017

O que essa dor na lombar tem a ver com minha orientação sexual?

Os conflitos de identidade relacionados à sexualidade surgem quando eu preciso lutar pela valorização dentro dos ambientes em que estou inserida.

Que a homofobia mata e maltrata, todos nós que somos vítimas já sabemos, mas que ela provoca dores físicas foi algo que descobri após dois anos de terapia, quando meu psicólogo explicou sobre a Formação em Leitura Biológica.

Antes de falar melhor sobre essa relação, preciso dizer que a decisão por expor parte do meu processo terapêutico é consciente e respeita os limites éticos. Não estou transcrevendo o que foi dialogado com o terapeuta. Trata-se de uma interpretação, com base no que consegui apreender até o momento. Dito isto, continuo...

Desde 2013 eu sinto dores nas costas, com períodos mais ou menos intensos. Após tratamento com remédio ou fisioterapia elas melhoram, mas em algum momento voltam a incomodar. O que isso tem a ver com minha orientação sexual se explica pela localização das dores. 

Parece complicado, mas na prática é bem simples de compreender, principalmente quando o terapeuta tem uma visão holística do ser humano e não isola os aspectos emocionais das causas espirituais e biológicas.

Minhas dores se concentram na lombar, o que indica conflitos de identidade e sentimento de desvalorização, de acordo com a abordagem da Formação em Leitura Biológica, que ainda é pouco aplicada em Teresina. Como o incômodo irradia para a região pélvica, existe uma relação mais próxima com a sexualidade. 

Explicando a grosso modo é como se – de forma inconsciente – eu me sentisse desvalorizada por ser diferente. Os conflitos de identidade relacionados à sexualidade surgem quando eu preciso lutar pela valorização dentro dos ambientes em que estou inserida. 

Na busca por resolver esses conflitos de identidade e para ser valorizada da forma como sou, ou seja, lésbica, eu uso minha capacidade intelectual para enfrentar a homofobia. E toda a carga emocional decorrente desses embates vai parar na coluna. 

E agora? O que fazer depois de descobrir tudo isso, justamente nesse contexto social que exige de nós termos mais força para o embate contra a homofobia?

Segundo o meu terapeuta, não será necessário desenvolver maior resistência à dor (ufa!). Só em ter consciência da causa do problema, os impactos emocionais já serão menores. Aliado a isso, preciso trabalhar internamente essa necessidade de valorização externa e focar na autovalorização, compreendendo que o outro não define quem eu sou.

Come on, hold on!

14 de dezembro de 2017

Qual seu nível de "cidadão de bem"?

Faça o teste e descubra.

Você defende o combate à violência com selvageria, acredita que o Brasil vai se tornar melhor quando as pessoas puderem ter uma arma ou faz comentários raivosos nas redes sociais contra militantes de esquerda ou defensores de qualquer minoria social?  

Faça o teste e descubra qual seu nível de "cidadão de bem".


1 – Você acha que bandido bom é bandido morto?

a)  Sim

b)  Não

2 – Você acha que as mulheres não precisam de feminismo?

a)  Sim

b)  Não

3 – Você concorda que não existe racismo no Brasil?

a)  Sim

b)  Não

4 – Você já encerrou uma discussão dizendo que aquilo era mimimi?

a)  Sim

b)  Não

5 – Você concorda que o problema da criminalidade se resolveria com a redução da maioridade penal?

a)  Sim

b)  Não

6 – Você curte páginas de “orgulho hétero”?

a)  Sim

b)  Não

7 – Você já disse que mulher é vítima de violência doméstica porque gosta de apanhar?

a)  Sim

b)  Não

8 – Você já disse a frase: “Não sou (...), mas (...)”?

a)  Sim

b)  Não

9 – Você acredita em “ideologia de gênero” ou em “ditadura gayzista”?

a)  Sim

b)  Não

10 – Você votaria no Bolsonaro?

a)  Sim

b)  Não

11 – Você trai a sua esposa ou namorada?

a)  Sim

b)  Não

12 – Você teve filho (a) fora do casamento quando estava casado?

a)  Sim

b)  Não

13 – Você abandonou a criança?

a)  Sim

b)  Não

14 – Você acha que os militares são o melhor para o Brasil?

a)  Sim

b)  Não

15 – Você acha que cantada no meio da rua é um elogio à mulher?

a)  Sim

b)  Não


Se você marcou:

0 vezes a opção sim: Parabéns, você é saudável.

1 a 5 vezes a opção sim: Há um resquício de cidadão de bem no seu espírito, mas é possível acabar com isso antes que a bactéria se espalhe.

Acima de 5 vezes a opção sim: Você está doente! Provavelmente é aquela pessoa que finge ser justa e honesta.

Defende a família tradicional e pensa que é um bom pai e um bom companheiro amoroso, mas não perde a oportunidade de ficar com outras mulheres, enquanto a sua esposa está em casa cuidando das crianças sozinha.

Você defende a meritocracia e afirma que, quem segue o caminho do crime só o faz porque é ruim e, por isso, deve morrer. Talvez você nunca tenha refletido que algum jovem bandido assassinado poderia ser o filho que você deixou perdido por aí. Aquele, concebido fora do casamento.

11 de dezembro de 2017

Comportamento de manada: os bois querem nos pisotear

Basta que alguém tenha a coragem de verbalizar ou escrever um comentário intolerante, que os demais se sentirão à vontade para fazer o mesmo.

Há algum tempo venho notando que o mundo está pior no que se refere à intolerância, ao conservadorismo e à disseminação de discursos extremistas. A minha dúvida era se as pessoas sempre pensaram assim e não tinham o alcance das redes sociais para manifestarem todo seu ódio, ou se houve alguma mudança comportamental em massa na humanidade.

E foi lendo uma matéria da BBC sobre como o “comportamento de manada” permite a manipulação da opinião pública, que eu cheguei perto de uma conclusão. O conceito refere-se à característica psicológica que leva as pessoas a seguirem uma ideia compartilhada por outras.

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Resumindo, basta que alguém tenha a coragem de verbalizar ou escrever um comentário intolerante, que os demais se sentirão à vontade para fazer o mesmo. Junte a isso o anonimato garantido pelas redes sociais e está elaborado o cenário de horror que temos visto.

Sem capacidade crítica e com uma formação humanitária deficiente, as pessoas se comportam como bois, sem se preocuparem com os danos que as pisadas das suas patas poderão causar a quem não se encaixa no padrão defendido pela manada.

Refleti, então, que os intolerantes sempre existiram com os mesmos pensamentos que manifestam agora. A diferença é que há alguns anos, quando o mundo era melhor, esses seres tinham vergonha de revelar seu preconceito, seu machismo ou de fazer apologia à violência. Sentiam a necessidade de fingir o que não eram ou de, pelo menos, omitir suas “opiniões”.

Os intolerantes de hoje imaginavam que ninguém seria capaz de defendê-los, mas ultimamente descobriram que há quem compartilhe das mesmas ideias. Eis aí um grande problema social, que tem como consequência o fortalecimento de uma sociedade excludente e doentia.

Mas acredito que há esperança. Se o comportamento de manada existe para o mal, devemos ressignificá-lo para o bem. Se eles disseminam ódio, intolerância e violência, vamos espalhar amor, tolerância e respeito. Os bois estão soltos e nós não podemos ficar sentados esperando para sermos pisoteados.

27 de novembro de 2017

Homofobia: quando não mata o corpo, destrói a alma

A turma do “não sou preconceituoso, mas...” compõe 99% dos homofóbicos. Eles não matam o corpo, mas destroem a alma

É cada dia mais evidente, pra mim, que os danos causados pelos homofóbicos que batem ou o que matam não são os piores. Em quantidade, digamos que eles representam 1% do grupo. Eles poderão responder a um processo ou ser presos. Há esperança de que sejam punidos e sirvam de exemplo.

Os mais nocivos são aqueles que fingem. A turma do “não sou preconceituoso, mas...”, que compõe 99% dos homofóbicos. Eles não matam o corpo, mas destroem a alma. E não serão responsabilizados por isso. Pelo contrário, são considerados “cidadãos de bem”, dignos de respeito.

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Quem presencia as atitudes dessas pessoas, não consegue perceber de imediato que são preconceituosas. É que elas vestem a homofobia com a capa da piada, da opinião, e – vejam só! – do amor.

Eis aí o motivo pelo qual afirmo que são mais danosos. Do homofóbico violento nós podemos fugir. Se nos sentirmos em perigo, podemos gritar, pedir socorro, chamar a polícia. Mas, dos homofóbicos dissimulados, temos que ser vítimas silenciosas. Denunciá-los pode nos transformar em algozes. “Você está exagerando...”, “Tem que respeitar a opinião”, “Eles não são obrigados a entender”, “Eles são de outra época”... E por aí vai.

Não se leva em consideração os males que essas pessoas causam à nossa alma. Poucos compreendem que elas não nos tiram sangue, mas arrancam lágrimas, destroçam o nosso coração, acabam com as nossas forças e com as esperanças de que um dia as coisas poderão ser melhores.

Geralmente, aqueles que escondem a homofobia estão logo ali, ao nosso lado. São pessoas tão próximas, que nós demoramos para admitir do que elas realmente são capazes. E, quando descobrimos, a dor se mistura com decepção e vergonha.

Tentamos compreender como o preconceito de pessoas que tanto amamos chegou àquele ponto, e não conseguimos. É um sentimento de impotência tão grande, que nossa única vontade é de nos distanciar daquilo que está nos fazendo tanto mal. Só que esta não é uma alternativa. O fardo precisa ser carregado.

Isso não significa, obviamente, se curvar diante do preconceito, mas encará-lo como uma missão. Vai ser desgastante, vai doer a cada palavra dita ou não dita, a cada reflexão que não foi feita, mas - quem sabe um dia - a gente consiga tirar essas pessoas das trevas da homofobia.

Eu gosto muito da palavra “resistência” e é ela que me guia. Sejamos firmes e resistentes. Se nada conseguirmos mudar, pelo menos ninguém pode nos acusar de não termos lutado para tornar melhores as pessoas que amamos.

08 de novembro de 2017

O que você acha da ideologia de gênero?

Minha tia perguntou, de supetão, o que eu achava sobre ideologia de gênero. A frase veio acompanhada do vídeo de um pastor

Dia desses, uma tia me pegou de supetão. Mandou uma mensagem no whatsapp perguntando o que eu achava da “ideologia de gênero”. A frase veio acompanhada do vídeo de um pastor.

Pensei em simplesmente ignorar, mas ela não é o tipo de pessoa que merece tal resposta. Então, disse apenas que “ideologia de gênero” era um termo criado por gente que estava preocupado com o c... alheio e reproduzido por quem não se dava ao trabalho de entender as coisas antes de sair opinando. Ela riu e a conversa parou aí.

Mas, hoje, aproveitei o trajeto de ônibus da minha casa até o jornal para ler sobre a palestra de Judith Butler no Brasil e sobre a polêmica que isso causou. E foi aí que eu me deparei com a resposta certa para a pergunta da minha tia.

De acordo com a filósofa contemporânea norte-americana, “o ataque ao gênero provavelmente emerge do medo a respeito de mudanças na família, no papel da mulher, na questão do aborto e das tecnologias para reprodução, direitos LGBTs e casamento homoafetivo".

Sempre que alguém fala que a “ideologia de gênero” deve ser proibida nas escolas, eu lembro de um episódio que aconteceu comigo quando eu fazia a quarta série lá na Escola Francisco Filgueira Sampaio Angelim, no Mundo Novo.

Era a primeira vez que chegavam livros e eu peguei um sobre educação sexual. Na hora que Dona Maria, minha professora, me viu com aquilo, arrancou das minhas mãos e escondeu o material embaixo da blusa. Ficou horrorizada! Quando eu contei a história pra mainha, ela riu, me falou sobre o conteúdo que havia ali e explicou que não era nada demais. Simples assim.

O que os conservadores estão fazendo em pleno século XXI, é o mesmo que Dona Maria fez comigo 20 anos atrás. Querem proibir crianças e adolescentes de terem conhecimento. Dessa forma, os jovens não poderão ser protagonistas de uma nova realidade e as coisas continuam como são: boas apenas para quem segue um padrão heteronormativo (homem -> mulher -> casamento -> filhos).

O debate sobre gênero não está relacionado apenas à sexualidade (como os conservadores insistem em ressaltar), mas também envolve a discussão sobre a igualdade entre homens e mulheres, sobre respeito e tolerância. É, de fato, um assunto muito abrangente e perigoso para quem não suporta a ideia de que as pessoas têm direito à liberdade.

No final das contas, a resposta à pergunta da minha tia, sobre o que eu acho da “ideologia de gênero”, se resume àquela que eu dei, mas pelo menos esse texto explica a coisa de forma mais didática.

Vou já mandar esse link pra ela. 

01 de novembro de 2017

A morte lenta das vítimas de feminicídio

Feminicidas matam a auto estima da mulher, as relações afetivas, a capacidade de reação. Fazem a alma das vítimas sangrar, para depois sangrarem o corpo

Durante muito tempo, o word não reconhecia a palavra feminicídio. Ficava aquela linha vermelha, indicando que havia algum erro ortográfico. Mas, hoje, a linha vermelha não apareceu. É assustador constatar que a frequência com que temos noticiado esses crimes, tornou a expressão comum.

Só que a palavra feminicídio não dá conta da morte lenta que as vítimas sofreram. O atestado de óbito, com dia e hora em que o crime foi consumado, também não. A Camilla, a Iarla, a Francisca, a Hettyany, e mais centenas de mulheres que foram assassinadas pelo machismo, morreram ainda em vida. Foram definhando um pouquinho a cada dia.

Acredito que o feminicídio é um dos crimes mais premeditados que existe porque, antes de matar a mulher, os feminicidas matam a auto estima dela, as relações afetivas, a capacidade de reação. Fazem a alma das vítimas sangrar, para depois sangrarem o corpo.


Edição de 1º de novembro do Jornal O DIA

Essa não é uma reflexão muito difícil de fazer, mas parece que a sociedade se sente mais confortável em não considerar as consequências emocionais dos relacionamentos abusivos. Fácil mesmo é julgar as vítimas, mesmo depois que elas já não podem se defender.

As perguntas mais frequentes a cada novo caso de feminicídio demonstram a insensibilidade para perceber o verdadeiro culpado pelo crime. Por que ela aguentou tanto tempo? Por que não denunciou? Por que estava com ele? Por que deixou a situação chegar a esse ponto? Por que...

A cada vez que alguém faz um comentário desse tipo, morre uma criança chamada empatia. Culpar a inércia de quem está dentro de um relacionamento abusivo é a opção mais simplista e, por que não dizer, desonesta.

A sociedade acha que as mulheres devem se colocar em uma condição de fragilidade; incentiva elas a namorarem, porque entende que, sozinhas, não conseguem ser felizes; estimula o perdão ao namorado, mesmo quando as atitudes dele são questionáveis; considera o ciúme uma prova de amor.

São essas atitudes frequentes que reforçam os comportamentos machistas. E são esses comportamentos machistas que alimentam a certeza da superioridade, do poder e da posse do homem sobre a mulher. Está aí a linha de produção do feminicídio.

24 de outubro de 2017

Sexo oral: precisa gostar pra fazer direito

Sabe aquele olhar de desejo, a pegada com vontade, o corpo arrepiado? O sexo exige tesão para ser realmente bom

Eu já falei aqui sobre a falta de habilidade dos homens em fazer sexo oral nas mulheres. E isso acontece principalmente porque eles não estão muito preocupados em aprender. Acham que nasceram sabendo ou que tiveram os melhores professores: os filmes pornôs.

Já as mulheres são mais aplicadas e estão sempre buscando aperfeiçoamento. Para isso, têm o apoio de cursos eróticos, leem sobre o assunto, perguntam para quem pode ensinar (tipo os amigos gays), veem vídeos (incluindo os pornôs). Enfim... elas se preocupam em aprender. Perceberam a diferença?

Mas uma coisa vale tanto para os homens como para as mulheres. Não adianta conhecer todas as técnicas e aplicá-las de forma mecânica. Sabe aquele olhar de desejo, a pegada com vontade, o corpo arrepiado? O sexo, de modo geral, exige tesão verdadeiro para ser realmente gostoso.

No oral, não adianta botar a boca simplesmente porque a outra pessoa pediu, insistiu ou exigiu. Só funciona bem se você fizer com prazer. Pelo contrário, uma falsa expressão de desejo parece apenas uma careta horrível. Você vai bater o dente, usar a língua de forma errada e provocar incômodo.

Para quem realmente gosta da prática do sexo oral, o Blog Lasciva está sorteando oito entradas, com direito a acompanhante, para o curso Delícias Orais, que acontece no dia 29 de outubro, na Rua Beijamin Constant, 2037, perto da panificadora Modelo da Campos Sales.

Veja as regras na página do Portal O DIA, no Facebook.

16 de outubro de 2017

11 de outubro de 2017

Nossas crianças morrem

Essa dor não está nas estatísticas, não aparece nos jornais e nem afeta as pessoas mais insensíveis

O assunto não é alegre às vésperas de um 12 de outubro, mas é necessário. De acordo com o levantamento sobre o Índice de Homicídios de Adolescentes (IHA) do Unicef, o Piauí é 7º estado do Brasil onde os jovens têm mais chances de serem assassinados.

Por aqui, a taxa é de 5,57 adolescentes mortos para cada grupo de mil habitantes. Teresina também figura entre as 10 capitais com maior taxa de mortes de adolescentes: 6,59 assassinatos para cada grupo de mil habitantes. O mesmo levantamento do Unicef mostra que as chances de um negro ser assassinado são quase três vezes maiores do que as de um jovem pardo, amarelo ou branco.

Nossas crianças morrem, mas dificilmente haverá alguma grande comoção com essa alarmante estatística, seja da sociedade em geral, seja dos gestores públicos. Isso porque as principais vítimas são os negros pobres da periferia. É como se essa condição fosse uma sentença.

As declarações sobre a maioria dos assassinatos se resumem aos termos “acerto de contas”, “precedentes criminais”, “envolvimento com o crime”, “conhecido da polícia”. As frases saem da boca de fontes oficiais como uma tentativa de aliviar o peso da morte.

Para algumas pessoas que usam a lógica do “bandido bom é bandido morto”, a estratégia funciona, mas ela não ameniza o sofrimento da mãe lá do bairro Renascença, que na noite de terça-feira (10) travou uma luta com o assassino do filho.

Essa dor não está nas estatísticas, não aparece nos jornais e nem afeta as pessoas mais insensíveis. O extermínio da juventude negra da periferia não é visto como ele realmente se configura: um problema social grave.

06 de outubro de 2017

É travesti. Pode matar?

O júri cunhou uma nova modalidade de justiça. Mesmo enxergando o réu como culpado, decidiram absolvê-lo.

Matar travesti não é crime no Piauí, pelo menos no entendimento de alguns membros que participaram do julgamento do professor Luís Augusto Antunes, apontado como assassino da travesti Makelly Castro em 2014.

Não é raro os tribunais de júri considerarem inocentes suspeitos de crimes, principalmente quando estes não geram grande comoção popular, quando a vítima é mulher pobre ou quando o suposto assassino é da elite. Até aí, não existe novidade, embora sempre fique o sentimento de impunidade e de revolta.


Mas, no julgamento do caso envolvendo a morte de Makelly Castro, o júri cunhou uma nova modalidade de justiça. Mesmo enxergando o réu como culpado, decidiram absolvê-lo. Não se trata de falta de provas sobre a autoria do crime, a ponto de haver dúvidas quanto à possível punição de um inocente. 

Esse tipo de entendimento - que o réu matou, mas não deve ser punido - geralmente ocorre quando a ação é em legítima defesa. É o caso de matar um assaltante, por exemplo. Mas que risco Makelly oferecia para o seu algoz? Em que momento ele se sentiu ameaçado a ponto de ter que matá-la? Será que o júri refletiu sobre essas questões?

Para o promotor do caso, a incoerência jurídica ocorreu porque os jurados se confundiram com as perguntas da juíza Maria Zilnar. Primeiro, eles tinham que dizer se o réu era o autor do crime. O resultado foi de 4 a 2 pelo sim. Depois, a juíza perguntou se o réu deveria ser condenado pelo crime de homicídio. O placar foi de 4 a 3 pela não.

Parece improvável que um júri seja incapaz de compreender tais perguntas. Faltou aos membros sensibilidade, atenção ao caso e um mínimo de senso de justiça. Resumindo, eles não consideram que matar uma travesti merece castigo.

03 de outubro de 2017

A pedofilia não está no museu

Causa estranhamento que a performance com nu artístico, exibida na semana passada dentro do Museu de Arte Moderna, tenha sido acusada de pedofilia

A Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde define a pedofilia como preferência sexual por crianças, ou seja, trata-se de uma perversão, um desvio sexual que leva um indivíduo adulto a se sentir sexualmente atraído por meninos ou meninas. 

O Estatuto da Criança e do Adolescente trata de crimes envolvendo a pedofilia. São eles: utilização de criança ou adolescente em cena pornográfica ou de sexo explícito; comércio de material pedófilo; difusão de pedofilia; posse de material pornográfico; simulacro de pedofilia e aliciamento de menores. 

Importante destacar que a expressão “cena de sexo explícito ou pornográfica” compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais.

Diante dessas informações, causa estranhamento que a performance com nu artístico, exibida na semana passada dentro do Museu de Arte Moderna, tenha sido acusada de pedofilia. As imagens divulgadas na internet mostram uma criança tocando os pés e as mãos do artista, sem referência alguma à pornografia ou ao sexo explícito. 

Importante alertar a população que inexistem registros policiais, denúncias ou boletins de ocorrência sobre aliciamento, abuso ou estupro de menores praticado dentro de um museu, na presença de dezenas de pessoas, durante uma performance artística.

Por outro lado, diariamente é noticiado o crime de pedofilia praticado dentro dos lares brasileiros. Os criminosos, em vez de artistas, são pais, padrastos, tios, amigos, vizinhos, enfim... pessoas próximas das vítimas e de seus familiares. 

A pergunta que fica é: essas crianças, verdadeiramente vulneráveis aos pedófilos, são protegidas? A preocupação dos mais conservadores é mesmo com as vítimas ou com a liberdade artística? O que incomoda de verdade é a pedofilia ou simplesmente a naturalização da nudez?

27 de setembro de 2017

Você que inventou o amor, faça o favor de explicar

Investir na relação significa basicamente ultrapassar os momentos de crise, perdoar o que é perdoável, ressignificar os sentimentos e reinventá-los

Eu não sei falar de amor, eu não entendo nada de amor e nem sei se sei amar. Em uma conversa entre amigas, me sinto a pessoa com menos know how no assunto. Todo mundo fala de uma forma madura, sensata, bonita... e eu fico lá pensando impulsivamente, igual uma menina de 15 anos.

Mas, antes de me julgarem, reconheçamos que esse é um sentimento muito difícil de entender. Primeiro, que pode ser confundido com paixão. É nessa fase que a gente sente todas aquelas sensações de insegurança, ciúmes e medo. Por outro lado, achamos que encontramos o grande amor, que não existe ninguém igual. A gente faz planos pra vida, pra morte e pra reencarnação.

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Só que essa carga emotiva não dura mais que alguns meses. No máximo, poucos anos. Aí vem a segunda fase, que é a da calmaria. Um sentimento tranquilo, seguro, sereno. Pronto! O casal está numa sintonia maravilhosa, nada pode afetar aquela harmonia... #SQN, meus amigos.

Eu não sei qual o nome do cão que atenta, mas deve haver um específico pra atuar nessa área de fazer com que as sensações acima ganhem contornos diferentes. O que parecia tranquilidade se transforma em chatice. A sintonia passa a ser apenas o previsível. A segurança dá até uma raiva, porque falta alguma coisa para apimentar a relação.

É aí que começa a terceira fase, decisiva pro futuro do casal. Chega o momento de refletir sobre o sentimento que um tem pelo outro, de avaliar se ainda existe amor, ou se ele nunca existiu. De decidir, enfim, se devem seguir juntos e como vai se configurar essa nova relação.

Existe a teoria de que o amor romântico é uma grande utopia. E perceber isso nos deixa decepcionados. Manter um relacionamento, portanto, dependeria muito mais da decisão consciente do casal, do que de um sentimento arrebatador, que os une para a vida toda. Na prática, essa teoria diz que não existe alma gêmea natural, nós é que a formamos a partir de muito esforço e de investimento na relação.

Investir significa basicamente ultrapassar os momentos de crise, perdoar o que é perdoável (não estou falando de agressão e nem de relacionamento abusivo), ressignificar os sentimentos e reinventar a relação sempre que ela estiver entrando na mesmice.

Agora, me digam: isso é fácil? Quem consegue? Qual o nível de maturidade que precisa atingir pra não ter vontade de sair correndo logo na segunda fase?

Tem um verso de uma música do Chico Buarque que diz: “Você que inventou a tristeza / Ora, tenha a fineza / De desinventar”. Com a permissão do grande poeta, faço uma adaptação: “Você que inventou o amor / Ora, faça o favor / De explicar”.