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M³

Múltiplas fantasias

Uma brincadeira que pode mostrar aos homens um pouco do que é ser mulher

06/03/2011 00:00h

Em pleno carnaval, não tem como não fazer uma brincadeira com o que há de mais representativo na folia de Momo - as fantasias. A festa - uma das mais democráticas do país - permite que "reis" usem roupas de "plebeus" e vice-versa. No entanto, uma das brincadeiras mais frequentes do carnaval é a troca de sexo, ou melhor, é ver homens vestidos de mulher e mulheres vestidas de homem. É comum ver pelas ruas, mesmo que por algumas horas, alguns corajosos experimentando pular o carnaval sobre saltos agulha, usando meias arrastão, unhas pintadas, cílios postiços e maquiagem no rosto.

Na brincadeira, sempre muito divertida, é possível perceber a dificuldade deles em entender o universo feminino. Além de (normalmente) transformarem-se em exemplares horríveis do que seria uma mulher, eles experimentam as dores do sapato desconfortável, os pudores causados pela vestimenta e, principalmente, a ideia de ter que lidar com tudo isso sem perder o charme. Claro que isso não é um resumo do que é ser mulher ou do que é ser feminina, mas dá gosto ver os marmanjos brincando com isso.

Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, que esse ano será exatamente na terça-feira de Carnaval, que tal se os marmanjos levassem a brincadeira a sério e tentassem se colocar no lugar das mulheres? Não só sentir o desconforto do salto alto, mas entender o equilíbrio imprimido em cada passo. Não só ostentar a peruca de longos cabelos, mas tentar compreender que cabelos longos não significam ideias curtas. Não só usar maquiagem, mas entender os mecanismos que fazem com que tentemos parecer mais bonitas. Não só experimentar por um dia usar vestido, mas tentar se colocar verdeiramente em nossa pele. Não só carregar uma bolsa pesada por estar cheia de coisas "essenciais", mas também perceber que nosso estado de alerta constante reflete nossa preocupação incessante com todas as tarefas diárias. Não só decidir qual será o almoço ou a prioridade da faxina do dia, mas perceber que mesmo nos esforçando muito, às vezes, falhamos.

Se os homens tentassem fazer isso, talvez teríamos uma sociedade mais igualitária, mais humana. E a alegria do entendimento mútuo seria o nosso verdadeiro carnaval.


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