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O desafio de criar meninos...

Uma mulher escreveu uma carta para sua mãe, falando de como era preciso repensar a forma como meninas são criadas em nossa sociedade.

20/10/2013 00:00h

Por Clarissa Carvalho

Mãe de Pedro, José e Antônio

Recentemente me deparei com um texto na internet que me tocou o coração. Uma mulher escreveu uma carta para sua mãe, falando de como era preciso repensar a forma como meninas são criadas em nossa sociedade. 

A mulher, agora mãe também de uma menina, lembrava-se de ter aprendido ao longo da vida que seu valor maior era a beleza e que era preciso estar sempre magra, sempre bela, sempre dentro dos padrões opressores e inatingíveis que construímos para as mulheres na sociedade ocidental contemporânea. Minha primeira reação foi compartilhar o texto com os/as amigos/as que têm filhas. A segunda reação foi respirar aliviada por ser mãe de menino e não de menina. “Opa! O que tem de errado aí?” – pensei depois. 

Foi preciso algumas horas pra eu me dar conta de que eu tenho responsabilidade igual, se não maior, na criação de futuros homens que, embora não sejam vítimas dessa ditadura do corpo e da beleza, fazem parte dessa sociedade que julga a mulher principalmente em termos estéticos. 

Eu sei que o que falamos é sempre bem menos aproveitado que nossos exemplos. E me pergunto até que ponto não estou educando meus filhos para acreditarem que mulher deve ser medida de acordo com sua beleza e aspecto jovem. 

Até que ponto meu comportamento como mulher não está mostrando aos meus filhos – de forma implícita, sem palavras – que meu maior valor está na minha pele sem rugas ou no meu manequim eternamente 36? 

Na mesma semana, a notícia de que mais uma mulher foi vítima da situação constrangedora de ter um vídeo íntimo distribuído na internet pelo ex-namorado me deixou ainda mais ciente da minha responsabilidade como mãe de meninos. Que homens são esses que queremos em nossa sociedade? 

Tenho mais medo de ser mãe do troglodita que distribuiu o vídeo do que da moça que foi vítima de sua indiscrição. Não é esse o tipo de homem que quero criar, que abusa da confiança de uma pessoa com quem teve intimidade para vingar-se de ter sido deixado. 

Entendi que meu desafio como mãe de menino não é menor que o desafio dos pais e mães de meninas: criar cidadãos que entendam a mulher não como objeto e sim como indivíduos.

... E meninas!

Por Elizângela Carvalho

Mãe da Emília

Mães de meninos, como a Cacá, não querem ver no futuro que seus filhos se transformaram em trogloditas por não perceberem as mulheres além da embalagem. E nós, mães de meninas, vivemos o difícil conflito de incentivar que elas tenham o direito de fazer suas escolhas, sintam-se seguras para tanto, mas sem deixar de compreender as expectativas que a sociedade nos impõe.

Aprendemos com o tempo, depois de muita autoanálise, autocrítica e choro, que somos pessoas normais e, por isso mesmo, temos qualidades e defeitos físicos, mas que podem ser trabalhados em nosso favor. Hoje, sabemos que o dedinho torto ou as sobrancelhas que teimam em ficar desalinhadas são defeitos com os quais vamos lidar pelo resto da vida e, quer saber, já nem nos incomodam tanto assim.

Não precisamos ficar sem depilar as axilas para mostrar que estamos acima “dos padrões convencionais”, mas, acredito que nosso desafio maior é mostrar às nossas filhas que a vaidade tem um espaço em nossas vidas, mas não nos define.

Por: Por Elizângela Carvalho e Clarissa Carvalho

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