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M³

Preservação da escola

Preferimos pensar na escola como um lugar seguro e necessário

18/04/2011 10:09h

Não, ninguém mais aguenta ouvir falar da tragédia do Realengo. Além de trazer os componentes básicos para se transformar em um grande caso para a imprensa - vítimas inocentes, vilão que se mata sem responder o porquê de seu ato, comoção pública -, o caso acaba por nos levar a refletir sobre várias questões.

Em primeiro lugar, é lógico que todos se perguntam o que leva alguém a agir da maneira que Wellington Oliveira. Seria fácil responder simplesmente loucura. Mas a loucura sempre vai existir. E o que temos que pensar mesmo é no acesso à saúde, principalmene à saúde mental, que nos parece ainda mais negligenciada em nosso país.

Outra questão que vem sendo discutida com mais frequência esses dias é o desarmamento. Se não existissem armas nas mãos de civis, viveríamos mais seguros. Mas como desarmar os bandidos?

Começa-se a discutir também a segurança nas escolas. Porque todos os dias pais e mães mandam seus filhos para colégios públicos ou privados acreditando que eles estarão, no mínimo, "em boas mãos". E quando um caso como o de Realengo toma conta das nossas TVs, jornais, da imprensa em geral, invadindo nosso cotidiano, acabamos por nos deixar tomar pelo medo de que algo assim aconteça a nossos pequenos.

O pânico que se segue a um acontecimento assim acaba por cegar alguns para o que realmente merece ser discutido e vemos em filas de banco, supermercados e nas salas de espera de consultórios médicos pais e mães defendendo o uso de detector de metais em escolas e outros artefatos do gênero.

Sabemos que a questão da segurança não é simples e que a complexidade do problema mostra que não há solução única. O que acreditamos, com certeza, é que não vamos jamais incorporar o colete à prova de balas ao uniforme escolar de nossos filhos, e nem ver a eles e a seus colegas serem revistados todas as manhãs na entrada do colégio. É preciso que discutamos, sim, a questão da segurança nas escolas, mas é preciso bom senso para não confundir causas e efeitos.

Somos de um tempo em que o ambiente escolar era aquele que tinha gosto de salgado com refrigerante, tinha recreio agitado, corrida para chegar antes dos colegas na fila da cantina, conversa com o vendedor de batata frita e, acima de qualquer outra coisa, segurança. Podíamos até inventar dor de barriga de manhã cedo para tentar faltar a escola ou ainda dormir com farda para poder dormir mais um pouquinho, mas nunca nos faltou a certeza de que a escola era um caminho necessário - fundamental. É isso que nós queremos que nossos filhos vivam, somente. Sem armas nem detectores de metal.


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