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M³

Quebrando ovos e estereótipos

Presidente Dilma Rousseff faz omelete e discute reajuste do salário mínimo

13/03/2011 00:00h

Vamos tentar fazer um exercício. Em primeiro lugar, é preciso fechar os olhos (ou melhor, um olho, para não interromper a leitura) e imaginar como seria uma pessoa que carrega sobre os ombros o peso de conduzir uma nação de milhões de pessoas, composta por múltiplas raças, marcada por estupendas desigualdades sociais, culturais e econômicas. Somado a isso, pense também que essa pessoa precisa ter a capacidade de lidar com conflitos internacionais, disputas comerciais entre países aliados, entre forças políticas, etc.

Pois bem, até semana passada também achávamos que se tratava de uma pessoa (homem ou mulher) com a sisudez e a distância da rotina de uma pessoa comum que as responsabilidades de comandar um país parecem exigir. No entanto, ao assistir a um programa matinal de culinária, fomos surpreendidas pela presidenta Dilma Rousseff quebrando ovos e conversando com a apresentadora sobre o possível retorno da CPMF e sobre a política de reajuste do salário mínimo nacional aprovada pelo Congresso.

Com a naturalidade de quem faz omeletes em casa, inclusive para improvisar diante dos deslizes inerentes à experiência culinária, a presidente (é difícil acostumar com presidenta) mostrou que não se trata de uma função/ocupação masculina e que, portanto, ela não precisa ser tomada pelo estereótipo do gênero masculino para ter seu trabalho reconhecido. Dilma mostrou, com a delicadeza de quem quebra ovos em rede nacional, que ser presidente é uma ocupação que exige competência - ponto.

Seja homem ou seja mulher, o que faz a diferença não é a altura da voz, o medo que é capaz de impor ou a força aplicada ao bater na mesa. A diferença está na maneira de conduzir as coisas, no diálogo e no respeito consquistado - e isso não é uma questão de gênero, mas de educação.

Ao ir a um programa ao vivo, transmitido para todo o país para cozinhar e falar sobre suas decisões, a presidente Dilma Rousseff quebrou a visão prevalente no senso comum de que ela teria - obrigatoriamente - de dar continuidade a modelos anteriores de gestão, esquecendo inclusive de quem ela é.

Isso reafirma nossa convicção de que hoje a questão não é mais a "ascenção" da mulher ao mercado de trabalho, o avanço feminino nas universidades ou a invasão feminina nas atividades antes consideradas seara masculina.

Conquistamos sim o mercado de trabalho e já demos todas as provas de que somos capazes de desempenhar qualquer tarefa. O que precisa ser entendido agora, por homens e mulheres, é que não precisamos vestir terno, usar gravata e ter bigode para usufruir o reconhecimento do nosso trabalho. Continuaremos preocupadas com o cabelo, com os filhos e com a carreira.


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