• Banner Cultura Governo do PI
  • Obras no Litoral Cultura
  • SOS Unimed
  • Novo app Jornal O Dia
M³

Somos Carvalho, mas com pitada “Pereira”

Quem não nos conhece pessoalmente pode até imaginar que estamos sempre com as unhas feitas...

30/01/2012 08:40h

Quem não nos conhece pessoalmente pode até imaginar que estamos sempre com as unhas feitas, nunca enfrentamos um fogão, um tanque ou uma vassoura.

Para alguns, a imagem de mulher moderna talvez não combine muito com os afazeres domésticos mais básicos (e chatos...), como tirar pó dos móveis ou lavar banheiros (o pior de todos).

Para muitos, ser uma M³ talvez seja sinônimo apenas de celulares, notebooks, agenda cheia, roupas de trabalho e conversa feminista. Desculpe decepcionar quem nos imagina desta maneira, pois temos uma pitada de "Pereirão" - sem o bigode e sem o macacão cinza, claro.

Somos mulheres de carne e osso que têm, sim, lista de supermercado para fazer toda semana, padaria pra passar todas as noites, preocupações com a faxina da casa, com as coisas em ordem, a pia que entope, a geladeira que não refrigera, o ar-condicionado que pinga, a lâmpada da cozinha que queima, o muro do quintal que infiltra e a pintura da sala que ficou suja por graça dos nossos "anjos". Temos preocupação com o almoço que precisamos definir com nossas funcionárias e, quando elas faltam, mergulhamos no universo "do lar", sem restrições.

É claro que algumas atividades, definitivamente, não nos agrada, mas nesses momentos é o dever de fazer que fala mais alto e move não apenas a gente, mas todos aqueles que passam perto e têm a sorte de serem convocados.

O fato é que apesar do nosso desejo de sermos, sim, bonequinhas de luxo, somos gente de verdade, do mundo real. Por isso, não é a frigideira suja esquecida sobre a pia pelos nossos ajudantes que nos deixará sem sono, mas certamente nos fará refletir sobre nossas funções. Se o passar dos anos tirou as mulheres dos limites do lar e possibilitou a construção de carreiras profissionais, faltou nos ensinarem como melhor dividir as atribuições domésticas.

Pra falar a verdade, sem medo de parecer fútil, a gente sente falta de ter tempo pra um monte de coisas bobas, como passar a tarde no salão de beleza, lendo Caras e experimentando hidratações diferentes pros cabelos; ou de simplesmente sair do trabalho e ir tomar um café tranquilamente, em meio a fofocas com as amigas.

Talvez aquela história de que a grama do vizinho parece sempre mais verde seja em parte verdadeira, porque quando olhamos pra nossas amigas solteiras e sem filhos morremos de inveja da liberdade que elas têm em serem donas do próprio tempo. Mas depois, quando a gente olha de novo pra nossa própria grama, que tem tanto da gente, da nossa participação, do nosso tempo e do nosso lado 'Pereirão", como não achar que melhor mesmo é a nossa vida, com nossos grandes e pequenos problemas, nossas alegrias e frustrações diárias, nossa eterna tentativa de fazer certo em meio ao caos doméstico?


Deixe seu comentário


Notícias Relacionadas