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M³

Uma "mega" decisão

Uma barriga visivelmente mega chamou a atenção do país no início deste ano.

09/02/2012 20:09h

Uma barriga visivelmente mega chamou a atenção do país no início deste ano. Uma educadora, casada, 25 anos, mãe de um menino, decidiu "improvisar" e anunciar uma gravidez de quadrigêmeos no interior de São Paulo.

O caso, que depois revelou uma farsa, deixou no ar quais seriam as intenções da suposta Mega-grávida, que logo se tornou atração das emissoras nacionais e dos veículos de comunicação pelo país - encantados pelas imagens de uma barriga que surpreendia a todo. Queria ela buscar uma reconciliação com o pai até então distante após discussões entre eles? Desejava ela ter seus minutos de fama? Como imaginava que terminaria a história, já que um dia os bebês teriam que nascer? Será algum tipo de distúrbio psicológico? Por que o marido compartilhou da farsa?

Essas e outras perguntas nos fazem lembrar dos antigos e mal-fadados golpes da barriga, exibidos à exaustão nas telenovelas (principalmente nas tramas mexicanas) e, infelizmente, ainda observados na vida real.

Seja qual for o motivo que levou a paulistana a encenar a gestação fantástica, rara e que cativou milhares de brasileiros, o que fica para nós é o incômodo de perceber que para muitas mulheres a maternidade ainda "funciona" como receita para problemas conjugais, para convencer o noivo indeciso a tomar uma decisão, para curar a solidão, para buscar a solidariedade alheia, a atenção do outro, etc. Essa percepção nos incomoda tanto por atribuir a um bebê uma responsabilidade que não lhe cabe (reolver os problemas dos pais) como por reproduzir a ultrapassada noção de que os filhos podem convencer os parceiros a manter uma relação quando nada mais dá certo.

Para nós, a experiência da gravidez, ou melhor, da maternidade, está longe de ser um problema ou uma solução e, mais que isso, entendemos que há um equívoco no mínimo fundamental quando é entendida de uma das duas formas.

Entendemos a maternidade como uma decisão pessoal, instransferível e desarmada de qualquer subterfúfio. Nos tornamos mães sabendo que essa decisão nos traria muitas mudanças (positivas e negativas), mas o fato é que estávamos de peito aberto para elas, sem esperar remuneração.


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