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Mochileiros do Piauí

Bem vindos ao Cânion do rio Poti, um paraíso genuinamente piauiense

Paredões e gargantas escondem inscrições rupestres e diversos desenhos na pedra

04/05/2014 23:06h - Atualizado em 13/07/2014 18:51h

Texto e fotos: Samuel Brandão

O Piauí é mesmo uma terra repleta de belezas naturais, algumas ainda intocáveis, acessíveis somente aos aventureiros mais dispostos e pessoas que fazem da contemplação da natureza o seu encantamento, a sua completude. Nossa aventura de hoje nos leva ao Cânion do Rio Poti, uma fenda geológica, localizada na região da serra da Ibiapaba, entre o Piauí e o Ceará, e de uma beleza única com suas diversas cavernas e grandes paredões moldados pela ação da água.

Já era noite quando chegamos ao município de Castelo do Piauí, a 184 Km da capital Teresina, sendo essa a principal entrada para o Cânion do rio Poti. De lá percorremos mais 50 Km, mata adentro, até a fazenda do Enjeitado onde seria o nosso ponto de acampamento, no meio do caminho por conta das condições da estrada uma das caminhonetes ficou na lama e só conseguimos tirá-la do atoleiro quando já era manhã, nada que alguns “espartanos” sem medo de lama não resolvessem.

O ponto de apoio no Cânion é a fazenda do Enjeitado.(Eduardo Marchão)

Já no Enjeitado, um belo café da manhã nos esperava e mesmo sem um descanso para alguns, partimos para o nosso destino principal com o grupo Piauí Trilhas de Aventura e Ecoturismo. Nossa dia seria cheio, com direito a trilhas, rapel e remada em meio a um dos lugares mais paradisíacos do Piauí.

O Rio Poti nasce na serra da Joaninha no município de Quiterianópolis (CE), a aproximadamente 600 metros de altitude. Quando entra no estado do Piauí, encontra uma falha geológica formada pela erosão mecânica de sedimentos resultado da força das águas, aproveitando assim uma falha tectônica conhecida como Lineamento Transbrasiliano, esse processo ocorreu a cerca de 400 milhões de anos, na era Paleozóica. Essa erosão rendeu formações bem peculiares e de uma beleza inestimável para o solo piauiense. São cavernas, gargantas, paredões com quase 60 metros de altura e com as mais diferentes formas e texturas desenhadas pelo água na própria pedra, há lugares em que os paredões chegam a quase encostar de uma margem para outra como no Pulo da Onça.

Aqui a erosão foi mais forte. Chegamos ao fim do Cânion, logo após essas rochas fica a cachoeira da Lembrada.(Samuel Brandão)

No decorrer dos paredões também podem ser encontradas inscrições rupestres o que rende ainda mais importância histórica e turística a esse lugar.

Toda essa beleza natural aliada a um céu magnífico são o palco perfeito para esportes de aventura como o rapel, o trekking, o slackline ,o caiaquismo e o melhor a ressaltar, é que aqui, a água do rio Poti é límpida e transparente diferentemente de quando percorre a capital, onde a poluição desenfreada e os esgotos jogados in natura transformam esse gigante gentil em um grande esgoto.

O Piauí possui inúmeras belezas naturais ainda inexploradas, o Cânion do Rio Poti é uma delas, mas em vez de sua viabilização turística existe um projeto de construção de um barragem bem próxima, o que segundo especialistas pode acarretar na degradação desse bem natural de valor imensurável.  É preciso que as autoridades repensem a utilização desses pontenciais, aliando preservação ambiental com geração de renda e é preciso que o piauiense se aproprie de suas riquezas naturais assim como nossos vizinhos de estado. 

Fonte: Mochileiros do Piauí
Edição: Samuel Brandão
Por: Samuel Brandão

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