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Batalha

A visita do Governador!

Texto do batalhense Padre Leonardo Sales acerca da visita do Governado a Batalha

28/01/2016 21:13h

Padre Leonardo Sales

A recente visita do Governador do Piauí à Batalha, (15-01-2016) para inauguração de obras e, sem dúvidas também para a consolidação de conchavos políticos para as eleições municipais deste ano, me fez refletir sobre que caminho seguiremos em 2016. Pois, os pretendentes a cargos públicos começam já a se movimentarem, olhando para um lado e piscando para o outro.

As obras inauguradas e os atos do Senhor Governador, soam mais que meras inaugurações e apontam para apoios futuros, na velha tática vergonhosa do toma lá-da-cá. Títulos de terra conferidos, sem nenhuma resposta sobre casos de proprietários de terra que gritam aos céus, como o da missionária Conceição que perdeu seu título de propriedade sem explicações razoáveis; quadra de esporte inaugurada numa Escola; linha de transmissão e distribuição de energia. Acham os meus concidadãos batalhenses que tudo isto é gratuito? Não! Isto tem um preço, o da sua consciência, e do seu voto, para a perpetuação da velha política local, do troca-troca de sobrenomes.

A situação pode ser medida pelas fotos que abundam nas redes sociais, onde a “corte” do Governador aparece sempre ladeada de lideranças locais, em busca de um lugar à luz dos holofotes; para qualquer inteligência medíocre não são presenças gratuitas, nem interessadas no bem comum, mas na manutenção de interesses futuros.

Os descompassos da atual administração municipal cantam um refrão de que é preciso aprender novas lições e fazer diferente. As mudanças não significam apenas substituir nomes, siglas, programas ou até mesmo prioridades. Essas ações já são práticas comuns, com resultados pouco relevantes, diante das necessidades e das oportunidades para saltos mais qualitativos no conjunto de um município que vai perdendo chances importantes para o seu desenvolvimento.

A incompetência e a mediocridade na representação do povo ou no exercício daquilo que de fato nos compete nos diversos serviços e responsabilidades que temos é evidente. Não basta agir só contanto com nossas escolhas e preferências para garantir a nossa comodidade, ou para garantir aquilo que se acha que é o melhor!

Para transformar esses cenários desoladores, não bastam as mudanças em propósitos e hábitos pessoais. A renovação das consciências é minimamente presumível para que seja superado o descaso com que se costuma tratar a vida e as coisas na sociedade batalhense.

Se não houver mudança de conduta, haverá ainda mais o comprometimento do Bem e da Justiça. Os mais pobres e indefesos sempre pagam o preço mais alto. Não diz respeito apenas a funcionamentos comuns e nem mesmo se resolverá com mudanças de nomes ou substituição de legendas partidárias. A crise, quando de caráter antropológico, é algo mais sério e profundo. Exige novos entendimentos e grande investimento na configuração mais consistente do tecido cultural.

Assim, não basta resolver o caos perpetuado na sede dos poderes. Lá estão urgências que precisam de novas e velozes reconfigurações. Mas é necessária uma revolução cultural na sociedade batalhense, a partir de análises, assessorias especializadas, engajamentos mais efetivos e afetivos!

A falta de líderes com lucidez para ajudar na superação das muitas crises é um peso sobre os ombros de todos. Liderar, na contramão de mandos ou manipulações em prol de interesses próprios, partidários e mesquinhos, exige posturas cidadãs, altruísmo, generosidade e clareza sobre as direções a serem tomadas para promover o bem comum.

A carência de líderes autênticos compromete instituições. Não são poucos os segmentos que simplesmente buscam explorar as riquezas e o potencial daquilo que pertence ao povo, sem oferecer a contrapartida necessária à coletividade. Anomalias antropológicas minam a cultura da solidariedade, impedem desdobramentos construtivos e inovadores em benefício de todos.

O que mais se vê é o aumento de conluios e conivências, acordos em favor de interesses abrigados no território da mesquinhez e da indiferença em relação ao bem de todos. Vale analisar o conjunto de ações e os projetos existentes na sociedade batalhense, com atenção especial para a própria cidade, o bairro e a comunidade onde se vive.

Em Batalha, e não só nela, constata-se, com frequência, certo marasmo, a inexistência de projetos arrojados com o propósito de atender às necessidades importantes do povo. Basta para tal a constatação que se asfaltam ruas, em tempos de aquecimento global, mas não se investe um metro em saneamento básico, e em rede de esgoto.

Hoje, quando alguém faz alarde a respeito de um feito ou de uma obra, desconfia-se de que é uma resposta atendida com décadas de atraso. Para que governantes, administradores e profissionais diversos não fiquem ancorados no estreitamento da mediocridade, é necessária inteligência assertiva e sensibilidade nascida da sabedoria.

Da visita do Governador fica a percepção óbvia que muitos se contentam com um volume de afazeres e mesmo obras que são “o feijão com arroz” de cada dia. No entanto, o compromisso social de buscar a inovação e a inventividade, em benefício de todos, é um quadro de carência. A preocupação predominante relaciona-se à acumulação de bens, fortalecida pelo medo de não ter. Por isso, não há coragem para investir. O receio de perder aprisiona líderes políticos, empresariais, culturais, religiosos na mediocridade de ações e na condição de mantenedores do óbvio.

Isso inviabiliza o crescimento e as respostas novas. Se esse aprisionamento é consequência da tensão econômica, política ou de outra ordem qualquer, muito mais se relaciona a uma terrível crise cultural. As correções precisam ser feitas na raiz. Não bastam transformações pontuais sem gerar nova mentalidade.

Nossa querida Batalha tem essências históricas, religiosas e culturais, tradições, experiências, personagens e natureza que merecem, mais do que nunca, um mutirão capitaneado por todos os líderes, orientados por gestos de altruísmo.

Essa união é necessária para que sejam possíveis apoios, ações, valorização e investimentos em projetos capazes de consolidar Batalha no lugar que lhe é próprio no cenário estadual. Há de se criar oportunidades para superar as muitas crises. Isso requer a coragem para viver a dinâmica da “saída”, superando a mera conservação. Eis o caminho para inovar e participar de grandes projetos que se desenham para 2016, se quisermos fugir à mesmice, o que acho difícil, mas tenho esperança!

Pe. Leonardo de Sales.

Edição: Célio Jr

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