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Coelho Neto - MA

Maranhenses mantidos em condição de escravidão ameaçam incendiar obras

Os operários, a maioria da região de Capinzal do Norte (MA),

27/05/2014 07:14h

Sessenta e quatro operários, aliciados no interior do Maranhão e levados para trabalhar em condições de escravidão em Pereira Barreto, no interior de São Paulo, ameaçam fazer quebra-quebra, inclusive incendiar o canteiro de obras, se empregadores não pagarem seus salários e os levarem de volta para suas cidades. O clima é de tensão. Na tarde desta segunda-feira (26), eles hostilizaram e por pouco não viraram o carro de um sindicalista que intermediava uma tentativa de acordo entre as partes.

Os operários, a maioria da região de Capinzal do Norte (MA), que trabalhavam na construção de 150 casas populares da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), em Pereira Barreto (SP), chegaram dia 9 de maio, mas no dia 18 foram despejados de hotéis por falta de pagamento; um deles, João Lopes da Silva, 58 anos, morreu enquanto passava a noite na rua.

Eles não receberam salários e não tiveram as carteiras assinadas. O Ministério Público do Trabalho (MPT) diz que vai processar os empregadores, a prefeitura e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), do governo estadual paulista, por trabalho escravo.

Silva morreu na madrugada de terça-feira e no dia seguinte a Landa Engenharia - empresa que venceu a concorrência da CDHU para a construção das casas e responsável pela contratação dos trabalhadores -, assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) se comprometendo a pagar os direitos trabalhistas e o transporte dos trabalhadores para suas cidades de origem até sexta-feira, assim como a alimentação e hospedagem dos operários enquanto eles permanecerem em Pereira Barreto. O acordo não foi cumprido, o que revoltou os operários.

"O pessoal aqui está muito nervoso, temos mulheres e filhos que estão esperando nosso dinheiro", disse o operário Diego Inácio, que mora em Porto Franco (MA). "Eles nos prometeram pagar R$ 4 mil de salários, pegaram nossas carteiras e depois nos deixaram aqui, sem nada. Sem carteira, sem trabalho e sem salário", diz. "Depois, prometeram nos pagar e nos mandar de volta até sexta-feira e até agora nada. Não podemos ficar aqui parados, sendo enganados desse jeito", afirmou.

Na tarde desta segunda-feira, um grupo de operários hostilizou um dos sindicalistas que tentava intermediar um acordo entre os trabalhadores e empregadores.

No final da tarde, a procuradora Guiomar Guimarães, do MPT, disse que tentaria convencer os trabalhadores a esperar até terça-feira para que pudesse entrar com uma ação cautelar tendo o sindicato como assistente. "

Fonte: Jornal do Brasil

 


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