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Indústria cai pelo 3º mês seguido e tem pior julho em 4 anos

Confiança baixa, crise na Argentina e atividade global lenta contribuíram para este cenário

04/09/2019 12:09h

A indústria adentrou no segundo semestre com queda na produção, mantendo tendência de retração nos últimos dois meses. A produção industrial brasileira encolheu 0,3% em julho comparativamente ao mês anterior (com ajuste sazonal), mantendo a terceira perda consecutiva e escrevendo o pior desempenho para o mês em quatro anos. Na comparação interanual, a produção recuou 2,5%. “O resultado decepcionou o mercado e veio na contramão do consenso de mercado, que previa alta (+0,6% MoM e +1,3% YoY), mas veio em linha com a projeção da REAG, que contrariamente apostava em uma perda mais forte, de -0,8% MoM e -3,4% YoY”, explica a economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto. Segundo ela, três fatores explicam a leitura de julho para a indústria: baixa confiança do empresário na retomada do crescimento doméstico, crise na Argentina e desaceleração da economia global.

O retrocesso de 0,3% em julho é o pior para o mês desde 2015 (-1,8%), enquanto o de 2,5% é o mais contundente também para o mês desde 2016 (-6,1%). O dado de junho foi revisado para pior, passando a mostrar contração de 0,7% sobre maio, ante queda estimada anteriormente de 0,6%. No acumulado de 2019, a produção acumula baixa de 1,7%. Em 12 meses, a indústria recua 1,3%, indicando perda de velocidade, já que no período até junho a contração havia sido de 0,8%. Segundo o IBGE, que divulgou os números, a trajetória da indústria pela métrica de 12 meses tem sido “predominantemente descendente” desde julho de 2018, quando em 12 meses a produção acumulava alta de 3,2%.

Simone explica que onze dos 26 ramos pesquisados mostraram quedas na produção, com destaque para dois setores com forte peso no setor: bebidas (-4,0%) e produtos alimentícios (-1,0%) exercendo as maiores influências negativas. São segmentos que têm sido fortemente impactados pela perda de tração no consumo. Já entre os 15 setores que ampliaram a produção, destaque a produção em indústrias extrativas, com alta de 6,0%, a terceira consecutiva.

“Para 2019, a Reag projeta que a indústria feche o ano com perda de 0,3%, após ter ensaiado voltar a crescer nos dois anos anteriores. Esperamos que a indústria apresente alta mais robusta em 2020, com aumento de 4,3%”, finaliza Simone.


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