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Minuta para indicar Eduardo está pronta, diz governo

O processo tem duas etapas. Primeiro, em caráter consultivo, há uma sabatina e uma votação na CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado. Aprovado ou rejeitado, o nome do indicado vai ao plenário da Casa.

17/07/2019 08:19h

O porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros, afirmou nesta terça-feira (16) que o Itamaraty já tem pronta uma minuta do documento pelo qual o governo dos EUA será consultado sobre a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o posto de embaixador em Washington.

No jargão diplomático, o documento é chamado de pedido de agrément.

"A partir da confirmação da firma desse agrément, outros aspectos haverão de ser desenvolvidos para a ida do deputado aos EUA como nosso embaixador", afirmou o porta-voz.

Na praxe da diplomacia, o pedido de agrément ocorre em sigilo e antecede a divulgação do nome do selecionado para chefiar uma embaixada no exterior. Trata-se de uma forma para certificar-se de que o país que recebe o novo embaixador não tem nenhuma resistência ao escolhido.

Assim, a forma como o presidente vem tratando a designação de seu filho já foge das tradições diplomáticas.

Rêgo Barros também disse que o presidente não pensa em nenhum outro nome para o posto, mas que não sabe se ele esperará ou não a concessão do agrément para formalizar a designação de Eduardo e dar início à tramitação no Senado. Os EUA costumam demorar de quatro a seis semanas para responder a um pedido desse tipo.

Apesar das críticas de opositores e de aliados, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), disse que já há maioria na Casa para aprovar a indicação.

O processo tem duas etapas. Primeiro, em caráter consultivo, há uma sabatina e uma votação na CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado. Aprovado ou rejeitado, o nome do indicado vai ao plenário da Casa.

"O governo tem maioria no Senado. Essa maioria já foi testada em duas ocasiões, e o governo obteve 54, 55 votos. Então, apesar de toda a polêmica e o debate em torno dessa indicação, ela ainda não foi formalizada, mas se for formalizada, o governo tem votos para aprovar tanto na comissão como no plenário", disse.

Bezerra disse que o presidente está "muito inclinado" a formalizar a indicação. Pela manhã, o próprio presidente disse que, por ele, a formalização está definida, mas reconheceu o risco de que a indicação podia não ter a chancela do Poder Legislativo.

Na segunda, a presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), a senadora Simone Tebet (MDB-MS), disse que a indicação foi o "maior erro" do presidente.

"É logico que corre o risco. Tudo que você faz corre o risco de dar certo ou dar errado. Estamos tentando acertar", disse Bolsonaro. "Se a decisão for essa, o Senado vai sabatiná-lo e vai decidir. E ponto final. Se não for aprovado, ele fica na Câmara."

"Da minha parte, está definida. Conversei com ele [Eduardo] novamente antes de ontem. Há interesse. Acho que se tiverem argumentos contrários, que não sejam chulos, eu estou pronto, porque não é nepotismo", acrescentou.

O presidente voltou a dizer que seu filho é qualificado para o posto diplomático e que ele não pode ser criticado por ter fritado hambúrguer nos EUA, argumentado utilizado pelo próprio deputado ao comentar a indicação.

"Sabe por que ele foi fritar hambúrguer lá? Porque eu, como deputado, não tinha como bancá-lo seis meses sem ele trabalhar. Foi aprender o inglês. Eu frito hambúrguer acho que melhor que ele. Talvez por isso eu seja presidente."

Fonte: Folhapress
Edição: Maria Clara Estrêla
Por: Sandy Swamy

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