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Economista diz que liberar o FGTS não basta para fazer o PIB crescer

Professor do Departamento de Economia da UFPI acredita que boa parte dos trabalhadores vão usar dinheiro extra para pagar contas, não para consumir mais.

25/07/2019 14:26h - Atualizado em 25/07/2019 19:15h

O economista Osmar Alencar Júnior, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Piauí, avalia que a liberação de parte dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) não será suficiente para proporcionar uma recuperação da economia do país.

Na última quarta-feira, após o governo anunciar as regras para os saques do FGTS e do PIS/Pasep, o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, afirmou que a medida deve permitir um crescimento extra de 0,35 ponto percentual do Produto Interno Bruto brasileiro ao longo dos próximos 12 meses, além de proporcionar a criação de 2,9 milhões de empregos formais durante os próximos dez anos. Além dos saques iniciais de até R$ 500, que poderão ocorrer entre setembro e dezembro deste ano, os trabalhadores poderão continuar sacando parte dos recursos de suas contas ativas ou inativas do FGTS ao longo dos próximos anos, sempre no mês de aniversário. 

Segundo o economista Osmar Alencar Júnior, a tendência é que a maioria dos trabalhadores usem os recursos para pagar contas atrasadas, tendo em vista a grande quantidade de brasileiros inadimplentes no país. Por esta razão, ele acredita que a medida anunciada pelo governo não conseguirá, de forma isolada, fazer o PIB crescer, tampouco gerar postos de trabalho. 

O economista Osmar Alencar Júnior, professor do Departamento de Economia da UFPI (Foto: Elias Fontinele / O DIA)

Conforme levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), até abril deste ano havia 62,6 milhões de pessoas inadimplentes no Brasil, o que representa quase 41% da população adulta.

No primeiro semestre de 2019, em comparação com o fim do ano passado, o volume de consumidores com contas atrasadas cresceu 9%.

"A situação econômica do país é muito grave. Vários economistas estão apontando uma tendência de queda no PIB, podendo cair até 1%, ou seja, uma tremenda recessão. Nós temos indicadores alarmantes de desemprego no nosso país, beirando 14 milhões, fora os desalentados, que são aqueles que nem estão mais procurando emprego. Nós temos um consumo muito reprimido, por conta da redução da renda da população, do aumento da pobreza e da miséria em nosso país [...] O próprio governo afirma que cerca de 80% das contas de FGTS têm saldo de até R$ 500, e essa é a grande massa que fará os saques. Mas esses R$ 500 será que são suficientes para gerar emprego? Talvez esse dinheiro seja usado pela maior parte da população para quitar alguma dívida com o sistema financeiro. Mas não acredito que isso vá implicar geração de emprego e aumento de produtividade", avalia Osmar Alencar Júnior.

Osmar Alencar foi entrevistado no programa O DIA News 1ª Edição (Foto: Elias Fontinele / O DIA)

O economista também diz entender que, até agora, a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) tomou mais medidas que podem aumentar a crise no país do que combatê-la. 

"Nesses primeiros meses do governo Bolsonaro, nós não temos enxergado medidas no sentido de mudar essa lógica recessiva e até depressiva da economia brasileira. Pelo contrário, a política implementada até agora é uma política de ajuste fiscal, com cortes nos gastos do governo e com uma série de privatizações, o que, na minha opinião, implica consequências de mais recessão para o país. Ora, se o PIB é composto pelo consumo privado, pelos investimentos, pelos gastos do governo e pelas exportações e importações, quando eu deprimo esses indicadores a tendência é que o PIB caia. E a gente não vê, por exemplo, uma política do governo no sentido de gerar emprego", opina o economista.

Por: Cícero Portela e Breno Cavalcante

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