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Notícias Especiais

14 de dezembro de 2019

Moradores tentam pacificar comunidades marcadas pela violência

Moradores tentam pacificar comunidades marcadas pela violência

Arte é alternativa usada para mudar a realidade da região que sofre com um histórico conflito de gangues

O rapper Luciano Leite hoje tem trânsito livre entre as vilas por anos consideradas inimigas “Esses conflitos existem desde que nos entendemos como gente nessa comunidade, o que atrapalhou muito o crescimento da região. O conflito foi evoluindo, entrou arma, drogas, polícia e fomos perdendo muitas amizades, amigos, conhecidos e pessoas próximas morreram”. 

O relato do editor de vídeo e rapper Luciano Leite, de 34 anos, parece a narração de uma cena muito comum em grandes cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro, cujos índices de violência são bastante elevados. Mas, essa é uma realidade que está muito próxima de nós, do nosso dia a dia, na nossa Teresina. 

(Foto: Jailson Soares/ODia)

O cenário são as vilas Santa Cruz, São José e Paraíso, no bairro Promorar, zona Sul da Capital. Uma região marcada pela violência e conhecida pelos confrontos entre gangues. Palco de muitas mortes, falta de estrutura, famílias destruídas, mas também de música, arte e esperança. Apesar da rivalidade entre os grupos, o desejo de tornar as comunidades um lugar para todos nunca deixou de existir. 

Luciano Leite reside na Vila Santa Cruz e já presenciou muitos conflitos. Ele, junto com o rapper Preto Kedé, morador da Vila São José, foram os primeiros a buscarem uma pacificação através da música.

“O hip hop entrou de uma forma construtiva. Na época, começamos com a dança e, nesse meio da cultura hip hop, eu conheci um cara que era viral, que é o Kedé, mas só viemos ter contato quando criamos o grupo ‘A Irmandade’, onde tentamos falar e transparecer para aqueles envolvidos em conflitos de gangues através da música”, afirma.

O começo da mudança 

O rapper conta que a parceria provocou um período de turbulência entre as duas comunidades. Se transitar entre as vilas São José e Santa Cruz era complicado, a junção dificultou ainda mais. “Então, começamos a escrever, a gravar as músicas e nessa caminhada as pessoas foram vendo que estava tendo resultado, foram abraçando a ideia e fomos ganhando o respeito de todos, até o ponto de chegar a termos acesso, tanto eu lá [Vila São José], quanto o Kedé aqui [Vila Santa Cruz]”, disse.

O rapper Luciano Leite hoje tem trânsito livre entre as vilas por anos consideradas inimigas (Foto: Jailson Soares/ODia)

Se antes o acesso era limitado, tanto para os moradores como para quem precisava se deslocar pela cidade, como taxistas e mototaxistas, essa parceria entre Luciano e Kedé foi criando, aos poucos, uma certa tranquilidade para a população e tornou-se cada vez mais presente na vida das comunidades.

Antes, até quem não era envolvido com o conflito de gangue e grupos rivais tinha medo. Pessoas, pais de família, mães. A gente que viveu isso também tinha medo, até hoje temos um pouco de receio de dobrar a rua e topar com alguém, mas hoje a gente ganhou muito respeito das comunidades e somos conhecidos”, salienta Luciano Leite.

Raízes do conflito 

Os conflitos entre as vilas Santa Cruz, São José e Paraíso iniciaram em 2009, após a morte de um jovem que jogava bola em um campo de futebol na região. “Ainda éramos moleques e eu vi isso de perto. Ele morava na Vila Paraíso, então eles vingaram a morte do rapaz na Vila São José, e foi assim que começou, um eliminando o da outra comunidade”, conta Luciano Leite, acrescentando que, desde então, centenas de pessoas foram assassinadas por conta dessa rivalidade.

Cenário esse que está bem diferente atualmente. Graças à música, a comunidade está vivendo dias mais tranquilos e a rivalidade entre as gangues diminuiu o derramamento de sangue. “Ainda ouvimos, vez ou outra, tiros sendo disparados na comunidade durante a madrugada. Mas hoje já conseguimos ver as pessoas andando nas ruas, crianças brincando e as pessoas estão mais sossegadas. A gente está vendo que deu resultado, não só com a música, mas a cultura e em organização”, confessa.

11 de dezembro de 2019

Medo de perder direitos impulsiona casamentos LGBTs no Piauí

Medo de perder direitos impulsiona casamentos LGBTs no Piauí

Casais revelam que, com a eleição do presidente Jair Bolsonaro em 2018, resolveram acelerar os trâmites matrimoniais. Dados do IBGE comprovam aumento

A união civil entre casais LGBTs aumentou 85% em 2018 e uma das motivações seria o resultado das eleições presidenciais no Brasil. Segundo casais homoafetivos, a onda de conservadorismo que emergiu com a eleição de Jair Bolsonaro, os deixaram apreensivos quanto a possível perda de direitos.   

A advogada Mishelle Coelho, de 35 anos, e a auxiliar de veterinária Vivianne Avila, de 29, tinham planos de oficializar a relação de cinco anos com uma cerimônia não só para celebrar o amor, mas também pelo “receio de perder o direito de casar, ter os mesmo direitos de um casal considerado normal devido à onda de conservadorismo”. Elas casaram no dia 9 de novembro de 2018, pouco tempo depois que Jair Bolsonaro foi eleito o 38º presidente da república do Brasil.

“Primeiramente eu me casei por amor. Eu já convivia com a minha esposa há cinco anos e completamos um ano de casadas no mês passado. Nós oficializamos nossa relação justamente por esse receio que, neste ano de 2019, algumas mudanças que foram discutidas durante a campanha presidencial fossem cumpridas. Uma delas era diminuir os direitos dos casais homoafetivos em virtude da conservação da família tradicional”, afirma Mishelle, em entrevista ao Portal O Dia.

Durante a corrida presidencial em 2018, Mishelle e Vivianne acompanharam as declarações do então candidato Jair Bolsonaro sobre os direitos LGBT e, consequentemente, a definição do conceito de família.

“O nosso casamento tem também esse viés político, mas foi por amor, por querer constituir uma família, foi por querer construir uma vida juntas e oficializar uma situação que a gente já vivia. Muito embora nós sejamos casadas, quando vamos falar para as pessoas que somos casadas, elas acham que não é algo oficial. Às vezes, precisamos até comprovar mostrando nossa certidão de casamento”, aponta Mishelle, que casou no auditório da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), juntamente com mais de 200 casais heterossexuais.

Para Mishelle, além de passar um recado contra o conservadorismo vigente, o casamento entre pessoas do mesmo sexo faz com que pessoas LGBT se sintam encorajadas para tomar a decisão de casar. “Eu acredito que existem muitas pessoas que não têm coragem de assumir, de casar e assumir pra sociedade em geral que estão vivendo uma relação homoafetiva por receio do preconceito, retaliações. Após meu casamento, três amigas também se casaram por minha influência”, completa.


Dados

Dados do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na última quarta-feira (04), mostram que casamentos entre pessoas do mesmo sexo aumentaram 87,5% no Piauí entre 2013 a 2018.

Mesmo com o número expressivo, em comparação ao total de matrimônios oficializados no Piauí no mesmo período, casais LGBT representam apenas 0,45% de acordo com a pesquisa.

Os dados também mostram que a variação do casamento LGBT realizado no intervalo de 2013 e 2018 entre cônjuges masculinos foi de 325%. No mesmo período, houve crescimento de 55,56% no número de casamentos nos quais os cônjuges eram mulheres.


Matizes preparou casamento comunitário em Teresina

No ano passado, também temendo a perda de direitos, diversos casais LGBTs oficializaram as relações durante um casamento coletivo realizado pelo Grupo Matizes - organização não-governamental que atua na prestação de assessoria jurídica para lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros no Estado.

A vice-coordenadora do grupo, Marinalva Santana, disse ao Portal O Dia que, à época, as pessoas estavam se sentindo ameaçadas e por essa razão procuraram oficializar a união.

“Quando realizamos os casamentos naquela época, as pessoas estavam se sentindo ameaçadas e nos procuraram para oficialização da união logo após o presidente Jair Bolsonaro ser eleito. As pessoas tinham receio de perder seu direito de matrimônio após 10 e 15 anos de relação e, muitas delas, casaram. O Dado do IBGE com certeza é um retrato disso”, avalia.

Sobre o casamento LGBT

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar em 2011. Porém, uma resolução aprovada em 2013 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) obriga que os cartórios de todo o país realizem o casamento civil e converta a união estável homoafetiva em casamento. 


07 de dezembro de 2019

Imigrantes venezuelanos buscam um novo recomeço em Teresina

Imigrantes venezuelanos buscam um novo recomeço em Teresina

Sem moradia e emprego, tentando superar as barreiras impostas pela língua e pelos costumes, famílias de imigrantes da Venezuela chegaram a Teresina em busca de oportunidade, mas aqui encontraram o desalento.

A história do Brasil confunde-se com a história da imigração no país ou vice-versa. Ainda em 1530, aqui estão os portugueses envolvidos com o plantio da cana-de-açúcar. Durante o Brasil-Colônia e ao longo do período monárquico, a imigração portuguesa se impõe como a mais expressiva. Mais adiante, início do século XIX, a imensidão do território nacional é vista, na Europa e na Ásia, como uma vastidão de oportunidades.

Diante de dificuldades econômicas em suas terras natais, suíços, italianos, alemães, espanhóis e japoneses vislumbram a chance única de prosperar por estas bandas, estabelecendo-se, sobretudo, nas regiões Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo) e Sul (Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Depois, chegam outros imigrantes de diferentes procedências, como sírio-libaneses e armênios, chineses e coreanos.

Afinal, com o fim da escravidão no país, ano 1888, muitos latifundiários preferem contratar como mão de obra imigrantes europeus em vez de ex-escravos, mediante estímulo do próprio governo, que incentiva campanhas para trazê-los. Há, também, os que vêm para cá, fugindo das duas grandes guerras mundiais que atingem, com crueldade, o continente europeu. Por tudo isso, não é à toa que, na recém-lançada autobiografia de Fernanda Montenegro, “Prólogo, ato, epílogo: memórias”, ao relembrar a saga de seus antepassados: lavradores portugueses, do lado paterno; pastores sardos, do lado materno, ela diz que os avós maternos chegam no mesmo navio, ano 1897, como integrantes de uma caravana de 800 italianos destinados a trabalhar nos cafezais de Minas Gerais.

Os portugueses da família paterna, por sua vez, não vieram em levas de imigrantes, mas, sim, para se unirem aos parentes já instalados no Rio de Janeiro. “A grande dama da dramaturgia brasileira” reforça os males que acompanham a imigração desde então, com um desabafo genuíno: “não se é imigrante impunemente.”

Teresina dos venezuelanos

Na realidade, não é fácil. Daí, a dificuldade de discutir a imigração. Nossa Teresina é, agora, também, a Teresina dos venezuelanos. As diferenças vão além das vestimentas. 

Estão nos hábitos mais simplórios. Agravam o problema de moradia de nossos sem-teto. Ampliam as margens do desemprego. De uma forma incipiente ou subjacente, podem incrementar a delinquência. Inquietam a população.

Não importam os esforços do Poder Público local. Há, ainda, muito a ser feito. Por exemplo, desde que os refugiados começaram a chegar à capital do Estado, as autoridades buscam reduzir a mendicância e, sobretudo, impedir que os adultos utilizem suas crianças para isso, em grave delito previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Mesmo assim, vez por outra, crianças e anciãos são vistos nos semáforos a solicitarem ajuda.Uma moeda que seja! 

Foto: Assis Fernandes.

Este é o retrato em preto e branco dos últimos seis meses em que os venezuelanos habitam Teresina, por onde já passaram cerca de 220 cidadãos. Atualmente, apenas 140 continuam na cidade. Muitos foram buscar abrigo em outros estados, alegando que o auxílio oferecido pelos governantes não supre suas demandas básicas.

Na cidade, eles estão abrigados em dois locais. No bairro Poti Velho, estão 55 pessoas sob a coordenação da instituição filantrópica Cáritas Diocesana de Teresina. No bairro Buenos Aires, são 85 imigrantes, sob o apoio da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi).

Foto: Assis Fernandes.

Visita a um dos dois albergues – o do Poti Velho – na antiga Associação dos Pescadores, nos dá ideia de como estão sobrevivendo. A imagem dos venezuelanos largados num local onde o calor parece sufocar, a sujeira sobra e a desesperança marca presença, é aflitiva. 

Há indivíduos de todas as idades. Há velhos, adultos, jovens e muitas crianças. As palavras parecem e são, de fato, inócuas e inúteis para descrever os corpos esquálidos e a tristeza estampada no olhar. São silenciosos. Além da barreira da língua – a maioria não fala sequer o espanhol, mas, sim, a língua nativa de suas tribos, a exemplo da tribo Warao – e há o temor estampado no rosto frente ao futuro e aos estranhos que chegam por lá.

Ao entrar no abrigo, o primeiro olhar dá conta de um grande pátio, com uma mesa ao centro, geladeira, fogão e tanque de lava roupa deteriorados, por onde correm em círculo crianças de todo tamanho, aparentemente imunes à dor do abandono. Nas salas transformadas em “casas” para as muitas famílias, o mau cheiro toma de conta. É possível ver roupas jogadas no chão, restos de comida, colchões rasgados, meias, sapatos velhos, chinelos rotos, panelas sem tampa ou artisticamente amassadas, etc. etc. O ventilador de teto que não mais funciona serve de lar para as aranhas que parecem disputar espaço. O banheiro é outro lugar desumano: canos quebrados, chuveiro inexistente, bacia com água, porta sem fechadura que não fecha, varais improvisados, onde peças íntimas morrem de pudor. Uma situação que representa a tristeza de viver longe do habitat natural. Em meio a esse cenário, o ócio consome o lugar, não há o que fazer,não há para onde ir.

Em seu país de origem, os venezuelanos caçavam e plantavam para comer e sobreviver. Mas em meio à selva de pedra, esse trabalho não é possível. O alimento vem através da Semcaspi. A cada semana, seus representantes levam alimentação, com o cuidado extremo de respeitar os hábitos alimentares dos imigrantes. Mesmo assim, a comida que recebem dos governantes parece insuficiente. As queixas são muitas. Além de manterem uma dieta diferente, comem muito.

As conquistas dos venezuelanos que estão abrigados em Teresina

Dentre todos os desafios, alguns direitos já foram conquistados junto aos órgãos públicos, como emissão da carteira de identidade, carteira de trabalho e CPF. Outra novidade muito boa, sobre a qual o Cacique Abel Rattia conta com muita alegria é que há cerca de 15 dias, as crianças do abrigo do Poti Velho começaram a estudar com voluntários do Movimento pela Paz na Periferia ou MP3.

“Vamos ficar aqui e as crianças estão indo à escola. Estou acompanhando as crianças, terça e quinta. Por aqui ninguém aprende nada. Todos os dias, a criança fica sem fazer nada e aqui não vai aprender português. Lá, elas brincam, comem e voltam para cá.”

O Coordenador do MP3, Francisco Chagas do Nascimento Júnior, ou, simplesmente, Júnior MP3, conta que a iniciativa de alfabetizar cerca de 60 crianças e adolescentes surgiu ao perceberem a ociosidade vivenciada por esses meninos e essas meninas no lugar de acolhimento.

“Eles são crianças em idade escolar. Estavam sem fazer nada há mais de seis meses nos abrigos. Então pegamos uma liderança indígena que trabalhava na tribo como professor. Ele está ajudando a ministrar as aulas junto com os voluntários do MP3. Auxiliam com atividades esportivas; na alimentação; na recepção e na limpeza. Porém, falta combustível e mais alimentação. Precisamos resolver para o ano de 2020. Precisamos de frango, arroz, macarrão, batata e macaxeira para atendê-los de forma integral de segunda a sexta-feira,” reitera Júnior MP3.

Além disso, o MP3 pede para a sociedade civil doar, sempre que possível, materiais de limpeza e de higiene, material escolar e esportivo, colchonete e frutas. O Cacique Abel Rattia vai além e pede roupas, fraldas, remédios, alimentação e produto de limpeza, pois segundo ele, o que vem da prefeitura não é suficiente. Tudo em torno do objetivo maior de assegurar dignidade e oportunidades para as crianças indígenas e sua gente. Afinal, sempre é tempo de rever o fato de que, como diz Fernanda Montenegro, “não se é imigrante impunemente.” Há permanente aflição em busca de sobrevivência!



02 de dezembro de 2019

Ceia natalina sob encomenda é opção para quem busca praticidade

Ceia natalina sob encomenda é opção para quem busca praticidade

Algumas empresas oferecem esse serviço em Teresina, uma proposta que tem tido muita aceitação no mercado.

O final do ano está chegando e com ele as festas de Natal e confraternizações, momento de comer bem e celebrar com familiares e amigos. Por isso, nada melhor que uma mesa farta e saborosa para acompanhar esses momentos especiais. E como muitas pessoas querem aproveitar os encontros para ficar mais próximos dos entes queridos, passar o dia inteiro na cozinha preparando a ceia não é uma opção.

Por isso, uma alternativa é encomendar a ceia já pronta. Algumas empresas oferecem esse serviço em Teresina, uma proposta que tem tido muita aceitação no mercado. Cynthia Ribeiro, cake designer e culinarista, é responsável por um desses estabelecimentos. Ela e a mãe administram um buffet há oito anos e, desde o ano passado, começaram a fornecer ceias natalinas prontas.

“A vida de todo mundo está tão corrida que acaba faltando tempo e disposição para cozinhar e preparar suas refeições. Elas querem aproveitar esse momento com a família para ficarem mais tempo juntas e não querem perder tempo cozinhando; por isso, as pessoas estão mudando seus hábitos e optando por comprar tudo já pronto”, comenta a culinarista.

Cynthia lembra que, há alguns anos, as famílias costumavam procurar os buffets e outros estabelecimentos para que assassem o peru ou porco, por ser um preparo mais trabalhoso e que demanda tempo. Mas, justamente pela praticidade, a demanda passou a crescer para os outros pratos da ceia. 

“Desde o ano passado, temos sentido que as pessoas já estão nos procurando para fazer a refeição completa. Elas não querem mais fazer nada, querem encomendar tudo, desde o arroz, a salada, o prato principal e a sobremesa. Vendo essa demanda, passamos a oferecer a ceia completa já pronta e a procura tem sido boa”, comenta.

É muito comum que em festas de Natal e confraternizações cada membro fique responsável por preparar e levar um prato, compondo assim a ceia. Porém, arrecadar uma cota de cada integrante e contratar o serviço de buffet acaba sendo mais vantajoso e em conta. 

“Hoje as pessoas preferem fazer uma cota e encomendar a ceia; então quando chega lá, já está tudo no ponto. E sai até mais barato, porque quem fica com o peru acaba pagando mais caro. As pessoas estão optando por esse tipo de proposta pela praticidade. Antigamente, nem todo mundo trabalhava fora, mas hoje as mães de família não ficam mais o dia todo em casa. Como a mulher está cada vez mais ativa no mercado de trabalho, tudo tem que ser mais prático por conta desse tempo, pois ninguém tem como ficar o dia todo na cozinha”, reforça Cynthia Ribeiro.


Pedidos devem ser feitos com antecedência

O brasileiro tem o hábito de deixar tudo para a última hora, o que pode ser bastante arriscado. Quem quer encomendar uma ceia de Natal pronta precisa ficar atento aos prazos dos buffets, que necessitam fechar suas encomendas, abastecer o estoque e se programar para entregar todos os pedidos no prazo certo.

A cake designer e culinarista Cynthia Ribeiro pontua que os pedidos devem ser feitos até a primeira quinzena de dezembro, tanto para ceias familiares como de confraternização. “Muitas pessoas estão perguntando como faz para reservar, mas fechar o pacote somente 15 dias antes. Nós temos um número certo de encomendas que recebemos, que é de 20 ceias para o dia 24. Precisamos que o pedido seja feito com antecedência exatamente para que nós também possamos nos organizar”, salienta.

O pacote não deixa a desejar e serve até 20 pessoas. Porém, a especialista lembra que é possível fechar uma ceia para mais ou menos pessoas, desde que combinado previamente. No menu são oferecidas duas opções de carnes, uma de salada, uma massa, um tipo de arroz e a sobremesa. Apesar da diversidade de pratos, a culinarista ressalta quais são as opções mais solicitadas pelos clientes.

“A pessoa encomenda e, no dia 24, nós deixamos o pedido na casa dela. Também recebemos encomendas para confraternizações de empresas. Deixamos tudo nas vasilhas descartáveis ou, se a pessoa quiser, ela pode trazer seus recipientes um dia antes. Mesmo o cardápio sendo bastante variado, o peru e o filé são os mais procurados, acredito que pela tradição”, acrescenta. 

Geração de emprego

E para dar conta de tantas encomendas, o quadro de funcionários é aumentado nesse período. Cynthia Ribeiro explica que seis pessoas já fazem parte da equipe, mas, nesta época do ano, são abertas novas vagas.

“Sempre contratamos mais pessoas para trabalhar no final de semana, para que consigamos atender à demanda. Temos as pessoas que já trabalham conosco há alguns anos e isso gera emprego. Esse é um período que aquece bastante, não somente em relação à ceia de Natal ou confraternização, mas em casamentos e festas em geral. Até os casamentos estão sendo realizados mais em dezembro do que em maio”, conclui a cake designer e culinarista.


Pets precisam de cuidados nas festas de final de ano

Pets precisam de cuidados nas festas de final de ano

Os fogos de artifício também podem deixar animal estressado, ansioso e com medo

Uma das preocupações nesta época do ano para quem tem cães e gatos é o risco de choque elétrico e outros acidentes domésticos. Os atrativos pisca-piscas das árvores de Natal, bem como os outros enfeites podem ser engolidos pelos animais e causar sérios problemas. A médica veterinária Joyce Magalhães diz que isso pode acontecer porque os pets são muito curiosos.

“Enfeites que se mexem ou acendem luz despertam ainda mais a curiosidade dos pets. A gente tem que pensar que tudo que eles pegam eles põem na boca. Então, a probabilidade de eles quebrarem o enfeite e engolir, seja de plástico ou de vidro, é muito grande”, declara Joyce Magalhães.

Para a veterinária, o animal é como uma criança e você deve comprar os enfeites pensando nos riscos que podem causar. Outra dica é que os tutores deixem os enfeites suspensos, longe do alcance dos animais. Sobre a fiação dos pisca-piscas, ela recomenda que não deixe o fio ao alcance do gato.

“O choque é uma grande preocupação da gente nessa época do ano devido à quantidade de luzes que costumamos utilizar para enfeitar a casa. Se o gato estiver ocioso, ele pode mexer nos fios de modo que possa se enroscar e morder. Nesse caso, é urgência e emergência e tem que correr para a clínica mais próxima e já conversando com o veterinário”, frisa Joyce Magalhães.

Ao engolir algum objeto também é importante levar o animal ao veterinário para realizar exames, como Raio-X. O profissional vai verificar se realmente o animal ingeriu um objeto estranho, qual o tamanho e as medidas a serem tomadas, pois cada caso é um procedimento diferente.


Fogos de artifício podem deixar animal estressado, ansioso e com medo

Após as festas de Natal, vêm os fogos de artifício na virada de ano. Os barulhos e as luzes podem deixar o animal estressado, ansioso e com medo. O ideal é que o processo de dessensibilização seja feito ainda quando filhote, para que ele se adapte aos sons estranhos.

“Às vezes, a gente mora em apartamento, mora sozinho, não tem criança, e o dia do filhote em casa é muito silencioso e o ideal é que não seja assim. Quando filhote, a gente expõe o animalzinho a barulhos mais intensos para que vejam que não é nada demais”, orienta Joyce Magalhães.

Se o cachorro ou gato for adulto e já tiver medo de fogos, o ideal é procurar um profissional, pois para dessensibilizá-lo é preciso fazer uso da medicina interativa. 

“O perigo de quando o animal já possui o medo é que, com o decorrer dos anos, ele pode ter uma parada cardiorrespiratória devido à ansiedade e ao medo que sente. Mas para ajudar, podemos utilizar a musicoterapia ou a acupuntura. Outra coisa importante é que se ele entrou em baixo da cama ou de algum móvel, não tente tirar ele porque é o lugar que ele se sente seguro. Coloque um som da televisão que ele já está acostumado, a música é boa porque os batimentos cardíacos vão no ritmo da música e libera dopamina, serotonina e vai acalmando o animal”, explica Joyce Magalhães 

A veterinária ressalta ainda que não é recomendado segurar o animal no colo e ficar apertando, porque isso deixa o animal mais ansioso e com medo. O ideal é usar alternativas como um espaço que ele se sinta, mas seguro. “Ainda dá tempo de procurar um profissional e treinar o animal para a virada do ano. Temos que evitar fugas, acidentes, porque o pet quer fugir do barulho, então vamos ajudá-lo a perceber que ele pode conviver com aquilo”, conclui Joyce Magalhães.


Curiosidade: Qual o dia certo para montar a árvore de Natal?

As festas de fim de ano mexem com a emoção e o imaginário de várias pessoas. Muitas, ansiosas pelo período, já começam a montar a árvore de Natal logo após o Dia das Crianças. Mas existe um dia certo para montar este símbolo natalino?

Segundo a tradição cristã, o dia certo para montar a árvore de Natal é no primeiro domingo do Advento — tempo litúrgico que dura quatro semanas e marca a preparação para o nascimento de Jesus. Em 2019, essa data é dia 1º de dezembro.

Já o presépio deve aguardar mais duas semanas para ser montado: ele aparece no terceiro domingo do Advento — dia 15 de dezembro, que é marcado pelo Evangelho da anunciação de Jesus pelo anjo Gabriel à Maria. Esta data também é uma alternativa para montar a árvore de Natal, já que alguns grupos católicos têm o costume de deixar para este dia.

E quando desmontar?

O dia que marca o fim das festividades de Natal na Igreja Católica é o Dia de Reis, que acontece no dia 6 de janeiro. No entanto, como a celebração da liturgia em si só acontece no domingo após a data, a decoração se estende até o dia 12 de janeiro de 2020. 

30 de novembro de 2019

Decoração sustentável é aposta para festas natalinas

Decoração sustentável é aposta para festas natalinas

Arquiteta dá dicas de como reutilizar peças usadas em anos anteriores, os tecidos que estão em alta e os itens que conquistam as crianças

Decorar a casa para o Natal é um dos momentos que envolve toda a família. E para este fim de ano, a arquiteta de eventos, Karine Tito, revela que decorações de mesa monocráticas, ou seja, tudo em uma só cor, seja vermelho, azul ou verde, é a tendência. 

“Eu sou a favor que a pessoa use o que tem em casa porque, com o meio ambiente como está, a gente não pode estar comprando toda hora para decorar mesa de Natal. Então, acho interessante quando a gente consegue, com pequenos detalhes, deixar a mesa com cara natalina sem precisar fazer grandes investimentos, aproveitando o máximo possível com criatividade”, diz Karine Tito.

Karine Tito defende criatividade para montar mesa sem grandes investimentos (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

De acordo com a arquiteta, outra opção para enfeitar a mesa é aproveitar um tecido xadrez ou com estampa natalina para fazer guardanapo, jogo de americano, toalha de mesa, caminho de mesa. Além disso, este ano, os tecidos naturais estão em alta, como linhos e algodões. Por outro lado, não são indicados tecidos adamascados. Há ainda a possibilidade de usar decorações de anos anteriores, como as bolas, para colocar no centro da mesa. 

“Para o centro da mesa, a pinha é sempre interessante, é algo que não envelhece, dá uma cara natalina a qualquer mesa, seja uma mesa sofistica ou descontraída, e acho superbacana. Se tiver criança em casa, vale muito à pena apostar nos personagens lúdicos de Natal, Papai Noel e rena; criança adora. E é uma coisa que as pessoas não colocam muito nas mesas. A Tuia, que é o pinheiro pequeno, se colocar em saquinho de estopa já dá uma super graça na mesa, uma coisa fácil de ser feita”, fala Karine Tito.

Talheres e taças 

Se você for servir vinho na ceia, Karine Tito destaca que deve ser em taças para que a pessoa possa ver o colorido da bebida. Os copos para água podem ser de algum modelo mais enfeitado. 

Já para os temidos talheres, Karine dá uma dica infalível. “É fácil: as coisas femininas (tipo taça e faca) são à direita e, à esquerda, o masculino (o garfo, o copo). Já a colher de sobremesa fica na parte de cima do prato, e pronto”, orienta Karine Tito. 

(Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Para as louças, algumas opções são brincar com as estampas, e utilizar as cores azul e dourada. Na árvore de Natal, a arquiteta destaca que as fitas coloridas são uma opção com bom custo-benefício, ou ainda mudar a cor dos piscas, para dar cara nova para a árvore. 

“Eu gosto muito quando você coloca minis porta-retratos em árvore. As pessoas amam, é diferente e ainda podem levar de lembrancinha depois da ceia de Natal. Mas afinal, todo mundo que vai em nossa casa quer ser bem acolhido, independente do investimento que você faz na mesa de Natal. Tem a ver com o carinho que você recebe da pessoa. Às vezes, fazer uma hashtag para colocar no nome de cada um ou um docinho em cima do prato... Portanto, não é o luxo que está na mesa, e sim o cuidado”, conclui Karine Tito

26 de novembro de 2019

Sou educadora. Sou mulher. Sou travesti

Sou educadora. Sou mulher. Sou travesti

Mulheres travestis narram episódios de alegria, preconceito, medo e esperança na capital do Piauí.

Em fevereiro de 2019, Letícia Carolina Pereira do Nascimento tomou posse na Universidade Federal do Piauí (Ufpi), Campus de Floriano. A docente é a primeira travesti a ocupar o cargo na instituição. Já Josiane Borges é a única da família a concluir o ensino superior. A mulher trans se formou em Serviço Social, trabalha na área e atua no movimento de Travestis e Transexuais do Piauí. Nas políticas públicas, Maria Laura dos Reis, assessora da Superintendência dos Direitos Humanos do Estado e travesti, busca informar, lutar por direitos e combater os crimes praticados contra seus pares. São histórias que se conversam, inspiram e narram episódios de alegria, preconceito, medo e esperança na capital do Piauí.


Josiane lembra do receio, em relação aos seus pais, ao se afirmar como mulher durante a adolescência - Foto: Isis Fernanda

Nas últimas décadas, a comunidade LGBTQ+ colheu grandes conquistas no Brasil e no mundo, como o uso do nome social e reconhecimento da identidade de gênero em 2009, o direito à união homoafetiva em 2013 e a retirada da transexualidade da lista de doenças pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018. As ruas, lojas, praças, escolas, universidades e ambientes de lazer de Teresina são preenchidos, agora, com mais diversidade e os movimentos sociais têm ganhado mais força.

Embora novos espaços tenham sido conquistados, há certa resistência da população em conviver com mulheres transexuais e travestis, fato que resulta, segundo Maria Laura, na marginalização dessas pessoas. “A população LGBTQ+, historicamente, vivencia essa exclusão, esse ciclo de violência que começa na família, na maioria das vezes”, comenta. “Eu atuo com a identidade política de travesti para poder tirar esses estigmas ruins que ainda existem sobre a perspectiva de que ser travesti é prostituição, é marginalidade, é drogadição, é depravação”, explica a assessora.


Maria Laura lembra reivindicações que já foram alcançadas - Foto: Divulgação

Já Josiane Borges lembra do receio, em relação aos seus pais, ao se afirmar como mulher, durante a adolescência. A assistente social confidencia que sempre se sentiu pertencente ao universo feminino, mas não tinha referências de transgêneros para se apoiar. “No momento em que eu quis me expressar da forma com a qual eu me identificava, meus pais tentavam de algum jeito me prender”, relembra.

Violência

A violência também é um dos temores que afetam a população LGBTQ+. O Brasil é considerado um dos países que mais matam travestis e transexuais no mundo. “Se eu disser que eu saio de casa tranquila todo dia, eu estou mentindo. Eu saio de casa, mas eu não sei se eu vou voltar. Porque eu posso ser vítima de um assalto, de um latrocínio, de outra coisa, mas eu posso muito mais ser vítima de transfobia”, declara Maria Laura.

Letícia Carolina diz se sentir protegida por ser professora universitária e não precisar pegar ônibus com frequência, mas isso não anula o receio que experimenta ao deixar a segurança do lar. “Não costumo andar em espaços de alta vulnerabilidade. Praticamente minha vida é de casa pra universidade. E isso me protege muito, mas não quer dizer que eu não tenha medo”, afirma.

GPtrans atua na proteção, educação e promoção de políticas públicas 

A partir do interesse de ter um órgão para proteger, educar e promover políticas públicas em prol dos transexuais, em 2010 foi fundado o Grupo Piauiense de Travestis e Transexuais (GPtrans). 

“Nós sentimos a necessidade de ter esse grupo organizado para poder reivindicar alguns direitos que ainda nos eram negados, como a questão do nome social, acesso a alguns espaços masculinos e femininos, a empregabilidade, acesso às universidades ou a própria escola mesmo, do ensino fundamental e médio”, esclarece Maria Laura.

Letícia Carolina vê o GPtrans como um coletivo de empoderamento. “Quando eu falo de empoderamento, quero destacar que ele só pode ser compreendido quando todas nós, mulheres trans, estivermos em situação de não-vulnerabilidade. Então, nós entendemos que nossa luta é coletiva. Eu, Letícia Carolina, não sou uma mulher trans empoderada enquanto outra mulher trans sofrer com a invulnerabilidade, transfobia e o preconceito”, aponta. A docente acrescenta que o “GPtrans é um grupo onde nós nos apoiamos mutuamente, aprendemos sobre o nosso gênero e nos fortalecemos enquanto um grupo de travestis”.

O coletivo já executou ações junto ao Ministério Público e Governo do Estado para visitas a presídios, formação para agentes penitenciários sobre o tratamento de detentas travestis e transexuais; cursos para profissionais da saúde e jornalistas de como abordar assuntos que dizem respeito ao gênero, dentre outros.

As reuniões do grupo acontecem uma vez por semana, com sede no prédio da Secretaria de Assistência Social e Cidadania do estado (Sasc), Centro da cidade.

Sonhos e conquistas

Chegar ao mercado de trabalho formal, fazer um curso superior e se inserir em outros espaços da sociedade são alguns dos desejos de jovens travestis e transexuais.

Josiane Borges assumiu-se mulher aos 18 anos e teve de lidar com situações desconfortáveis até cursar Serviço Social. Entretanto, viu na academia uma forma de dar voz e visibilidade à comunidade trans. “Entrei em uma faculdade que respeitou o meu nome social. Já existia uma política de nome social dentro do estado do Piauí, que era reconhecida por lei e nós conseguimos usufruir desse direito”, relata. Hoje, aos 32, Josiane pretende fazer mestrado e acrescenta “meu sonho é esse: educação, trabalho e segurança para pessoas travestis e transexuais”.


Letícia Caroline quer entrar no Doutorado e ser a primeira travesti com o título na UFPI - Foto: Divulgação

Para Letícia Caroline, a meta agora é entrar no Doutorado e ser a primeira travesti com o título na UFPI. “Após ser doutora, eu pretendo construir o meu currículo para que eu possa estar inserida dentro de um programa de pós-graduação e assim servir como referência para o recebimento de outras pessoas travestis, gays, lésbicas, que não se sentem representadas dentro da universidade”.

Já Maria Laura tem planos de continuar seu trabalho junto à comunidade LGBTQ+ e causas feministas. “O meu sonho é de que as pessoas não sejam impedidas de estar num lugar por conta da cor da pele, orientação sexual ou identidade de gênero. Ele é contínuo. Ver as travestis e transexuais no mercado de trabalho formal, trabalhando nos shoppings, nas lojas, em repartições públicas. É um sonho coletivo, de que todas as travestis e transexuais sejam consideradas cidadãs com mais respeito”.

25 de novembro de 2019

Hemopi: o coração do sistema de saúde do Piauí

Hemopi: o coração do sistema de saúde do Piauí

Hemocentro, que garante manutenção da vida de milhares de pacientes, elenca avanços e modernizações, mas enfrenta dificuldades orçamentárias

O corpo humano precisa que todos os órgãos estejam em perfeita sintonia para funcionar. Cérebro, coração, pulmões e demais órgãos agem de forma interdependente, o que quer dizer que só realizam bem suas funções quando os demais também o fazem. A rede de saúde pública imita o sistema de um corpo humano. Para funcionar adequadamente, necessita que hospitais, postos de saúde, clínicas e hemocentros consigam realizar seu trabalho isoladamente, mas também em conjunto. Nesta estrutura, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí (Hemopi) pode ser considerado o coração de todo esse sistema. É ele quem abastece as instituições de saúde do Estado com a produção e distribuição de sangue, garantindo a manutenção de vidas de milhares de pessoas diariamente. 

A importância do Hemopi não vem de agora.  o Hemocentro elenca avanços e modernizações, mas também enfrenta dificuldades orçamentárias. 

Como um coração que não pode nunca parar de bater e prestes a comemorar 50 anos de funcionamento, o Hemopi continua mantendo a prestação dos serviços. São cerca de 150 atendimentos semanais em assistência especializadas a portadores de doenças hematológicas e doadores. No ambulatório, os pacientes têm acesso a consultas nas áreas médica, hematologia, gastro-hepatologia, enfermagem, fisioterapia, nutrição, odontologia, psicologia e serviço social. Todos os atendimentos são gratuitos, realizados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Somos o único fornecedor de sangue do Piauí. Aqui, dia a dia, tentamos ao máximo buscar essa prestação de serviço de qualidade, reconhecemos as dificuldades em meio a esta intensa crise que assola o Brasil e, sobretudo, nosso Piauí. Mas o Hemopi também vai na contramão disso, avançando na sua estrutura e modernização”, destaca o diretor geral do Hemopi, Jurandir Filho.

Hemorrede

A hemorrede do Piauí é composta pelo hemocentro-coordenador, localizado em Teresina, e três núcleos de hemoterapia, localizados em Picos, Parnaíba e Floriano. Estes últimos também são responsáveis por coletar, processar e distribuir sangue por todo o Estado.

O sangue é insubstituível e sem ele é impossível viver. Por isso, o Ministério da Saúde e os Hemocentros reforçam periodicamente a importância de os brasileiros adotarem a cultura solidária da doação regular e espontânea de sangue.

“Sabemos da extensa legislação sanitária vigente no país, são muitas leis, muitas regulamentações, muitas portarias que regulamentam todo serviço hemoterápico no Brasil e o Hemopi sempre busca acertar. Recentemente, a Anvisa e a Vigilância Sanitária do Estado classificaram o Centro com baixo risco de contaminação, isso é uma conquista. Por isso, pedimos que as pessoas continuem a fazer doações, precisamos de voluntários para continuar salvando vidas”, finaliza o diretor.

23 de novembro de 2019

No Piauí, mil pacientes precisam de serviços contínuos do Hemopi

No Piauí, mil pacientes precisam de serviços contínuos do Hemopi

Prestes a comemorar 50 anos de funcionamento, o Hemocentro realiza cerca de 150 atendimentos semanais em assistência a portadores de doenças hematológicas e doadores.

Além de pessoas que se submetem a procedimentos e intervenções médicas ou atendimentos em situações de emergência e calamidades, o sangue também é indispensável para que pacientes com doenças crônicas graves - como doença falciforme, aplasia medular e talassemia - possam viver por mais tempo e com mais qualidade. No Piauí, de acordo com a coordenação do ambulatório do Hemopi, são acompanhados mais de 700 pacientes com doença falciforme e outros 250 com coagulopatias.

Francilene Barbosa de Sousa é uma das que frequenta o Centro mensalmente, mas a sua presença não é por um diagnóstico próprio, mas do seu filho, o pequeno Antônio Emílio, de 2 anos. Diagnosticado aos três meses com aplasia medular, ele necessita continuamente de transfusões de sangue para continuar vivendo.

Francilene Barbosa acompanha o filho Antônio Emílio, que tem aplasia medular. Foto: Jailson Soares.

A aplasia medular - ou aplasia da medula óssea - é uma doença caracterizada pela alteração no funcionamento da medula óssea, que é responsável pela produção das células do sangue. Quando é comprometida por qualquer fator, sua produção pode ser reduzida ou até mesmo parada, o que leva a concentrações baixas de hemácias, plaquetas e leucócitos circulantes no sangue.

Mas o diagnóstico de Antônio também revela outro cenário: os desafios para a realização do tratamento. Isto porque Francilene é apenas uma das centenas de pessoas que vem do interior do Piauí para receber os serviços que são ofertados exclusivamente pelo Hemopi. No Piauí, só o hemocentro-coordenador é capaz de ofertar atendimento para o tratamento das doenças crônicas.

 “A gente não tem transporte e a minha cunhada dá o carro pra gente vir. Estávamos ten­do ajuda do gestor da cidade com a doação de 30 litros de gasolina, mas ele cortou em junho e a gente tem muita dificuldade mesmo. Meu es­poso trabalha na roça, eu sou dona de casa, pra gente vir pra cá a gente tá arrecadando o dinheiro da gasolina”, de­clara.

Ela, o esposo e o filho já chegaram a dormir dentro do carro quando o tratamen­to do garoto exigia mais dias de permanência em Teresina. Para ela, a esperança é que o filho consiga um doador de medula compatível.

 Cadastro de medula óssea pode mudar a vida de Antônio

Milhares de vidas podem ser modificadas com a doação de medula, a de Antô­nio Emílio é uma delas. E tudo depende de um ato bem simples: se voluntariar para a doação.

Para o cadastramento, na hora da doação de sangue, basta também se prontifi­car a entrar no cadastro de doação de medula. No procedimento, será necessária a coleta de uma amostra de sangue (5 ml) para testes de tipificação HLA – fundamental para a compatibilidade do transplante.

Estes dados serão incluí­dos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) e, em caso de identificação de compatibilidade com um pa­ciente, a pessoa é contatada para realizar outros testes.

Em meio a tantas difi­culdades de manter o tra­tamento do filho em Tere­sina, Francilene não perde as esperanças. “Eu tenho esperança da gente encon­trar um doador mais rápido possível e que meu filho vai ser curado”, afirma.

 Uma única doação pode salvar até quatro vidas

O sangue é insubstituível e sem ele é impossível viver. Por isso, o Ministério da Saú­de reforça periodicamente a importância de os brasileiros adotarem a cultura solidária da doação regular e espontâ­nea de sangue. Segundo o Mi­nistério da Saúde, uma única doação pode salvar até quatro vidas.

O objetivo é manter os esto­ques de sangue sempre abas­tecidos e não apenas em datas específicas ou quando algum conhecido precisar.

Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos e que es­tejam pesando mais de 50kg. Além disso, é preciso apre­sentar documento oficial com foto e menores de 18 anos podem doar com consenti­mento formal dos responsá­veis.

Pessoas com febre, gripe resfriado, diarreia recente, grá­vidas e mulheres no pós-parto não podem doar temporaria­mente. E o procedimento para doação de sangue é simples, e totalmente seguro. Não há riscos para o doador, porque nenhum material usado na do sangue é reutilizado, que elimina qualquer possibili­dade de contaminação.

15 de novembro de 2019

Memória como um direito: mecanismo de cura e cuidado

Memória como um direito: mecanismo de cura e cuidado

Para a psicóloga e psicanalista, Joice Silva dos Santos, a memória do povo negro foi usada como símbolo para uma trajetória de servidão e massacre

A forma de contar uma história pode repercutir de inúmeras formas na vida dos sujeitos-alvos das narrativas. Na visão da psicóloga e psicanalista, Joice Silva dos Santos, a memória do povo negro foi usada, ao longo dos anos, como símbolo para uma trajetória de servidão e massacre. E para encerrar o racismo é também preciso que se findem essas narrativas únicas.


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“Crescemos acreditando, pessoas brancas e pessoas pretas, que os negros nasceram para a servidão, que nossa história no Brasil começou nos navios negreiros, mas nós não viemos, não brotamos de navios. O acesso à memória vai ser um dos mecanismos de cura e cuidado de uma sociedade racista e colonizada para com o povo negro”, destaca.

Joice afirma que, para isso, é necessária uma atuação em várias frentes. “Precisamos de um movimento social, de um reconhecimento do governo que, de fato, no Brasil existe racismo e que ele possa ser abordado como uma tecnologia de sofrimento e dominação. Para, assim, criarmos técnicas que possam mudar isso. Intervir de maneira focal, mas produzir movimentos macros e micros, que sejam capazes de acionar uma memória que a gente não teve direito”, reafirma.


Na visão da psicóloga e psicanalista Joice dos Santos, a memória do povo negro foi usada como símbolo de servidão e massacre (Foto: Elias Fontinele/ODIA)

É nesta perspectiva que a educação contribui de uma forma tão direta para situar as novas gerações com o contato da história para além das narrativas do negro, ligado apenas à opressão e à violência. Ao subverter esses pensamentos, subverte-se, também, a produção de sofrimentos causados pelo racismo.

“Precisamos de representação para que a gente possa produzir, de fato, a ocupação real dos espaços de poder. Para que eu consiga me ver de outras maneiras, porque eu crio uma sociedade extremamente racista em que pessoas negras só aparecem na TV enquanto domésticas, empregadas, prostitutas, criminosos, eu estou dizendo para pessoas pretas que é esse o destino delas e estou dizendo para pessoas brancas que é dessa maneira que elas devem nos enxergar. E não vamos aceitar mais isso”, finaliza.

Luta antirracista compromete educação transformadora

Luta antirracista compromete educação transformadora

O professor de história Vinícius Cardoso lembra que a lei torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas

A escola é um espaço em que o conhecimento e a capacidade crítica dos indivíduos são constantemente incentivados. Por isso, é um espaço que tem papel fundamental na construção da sociedade e, assim, no comprometimento com a luta antirracista. Quem destaca estes aspectos é o professor de história Vinicius Cardoso ao explicar que educadores, professores e demais gestores de educação devem contribuir para que os alunos consigam superar construções de uma sociedade ainda baseada em estruturas racistas.

Vinícius lembra que desde 2003, a Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio.


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“O racismo faz parte de uma construção social e eu acredito na revolução, acredito nas microrrevoluções, ou seja: tem que acontecer primeiro com você, que, ao mudar, vai poder mudar o próximo. Como educadores, temos que proporcionar outras visões e levar questionamentos que explorem atitudes consideradas comuns. Por que você chega em um local falando: ‘e, aí, nagada?!’ Por que fala ‘a coisa ficou preta’ e não ‘a coisa ficou branca’?”, temos que problematizar esse tipo de atitude para eles perceberem que as coisas não são bem assim. Há racismo em muitas de nossas ações e elas precisam ser combatidas”, considera.

É por isso que conhecer a história afro-brasileira e africana é tão importante. É a partir dela que os alunos são incentivados a dar importância às vidas negras que foram escravizadas, entender as lutas que resultaram na abolição da prática da escravidão, além de outros avanços fundamentais como a formatação da constituição que define o racismo como crime.

“Infelizmente, 16 anos após a implementação da lei que estabelece a obrigação do ensino sobre a cultura afro-brasileira, poucos professores de história, literatura e arte abordam a temática. Este ainda é um ponto falho que deve ser corrigido. Lembro da fala do Mano Brown (cantor do grupo rapper Racionais) cantando Diário de um Detento junto com o Seu Jorge na abertura de um show: ‘em algum lugar da América Latina é 20 de novembro, mas todo dia é dia de preto’. Então a gente não deve se limitar a dizer que só existe um Dia da Consciência Negra, temos que mostrar essa importância do negro para a história do Brasil”, reafirma o professor.

Nas salas de aula, com a atuação de Vinícius, a consciência antirracista é ressaltada a partir do desenvolvimento da cultura afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade brasileira, na qual os negros são considerados como sujeitos históricos, valorizando-se, portanto, o pensamento e as ideias de importantes intelectuais negros brasileiros, a cultura (música, culinária, dança) e as religiões de matrizes africanas.

"Somos todos diferentes e temos de saber conviver com as diferenças"

Naise queria mudar o corpo, mas quem mudou, com a chegada da filha Afra há quatro anos, foi a sua forma de pensar.

Há pouco mais de cinco anos, quando Naise Caldas ainda não era mãe, ela diz lembrar que a vontade de fazer uma cirurgia plástica no nariz passava com recorrência por seus pensamentos. A ideia era fruto de um incômodo que ela aprendeu a ter consigo, depois de tanto ouvir que tinha o nariz de batata e outras definições pejorativas. Naise queria mudar o corpo, mas quem mudou, com a chegada da filha Afra há quatro anos, foi a sua forma de pensar. Por saber que muito dos seus traços negróides seriam também os da filha, ela buscou superar as distorções que a sociedade a fazia ter com o próprio corpo. E deu certo. Tanto que Naise e Afra fazem existir, hoje em dia, uma conta no Instagram usada para exaltar aspectos da cultura negra com mais de 40 mil seguidores, o @maedaafra.

“Este argumento que todo mundo é igual não pode ser usado na nossa sociedade. Na verdade, somos todos diferentes e temos de saber conviver com as diferenças. O que eu faço com a Afra é fazer com que ela saia da bolha, que ela Negritude entenda que existem pessoas de todos os tipos de cores, que o cabelo dela é de um jeito e que ela é normal por isso. Ela se entender como uma pessoa normal já me tranquiliza”, explica Naise.

Entender-se negra, com características negras que a fazem completa, também foi importantíssimo para que a mãe passasse os mesmos conceitos para a filha. Não só a ideia da cirurgia no nariz ficou pra trás, mas também o processo de alisamento de cabelo.


Naise Caldas superou as distorções que a sociedade a fazia ter com o próprio corpo (Foto: Arquivo Pessoal)

Por tanto reforçar estes aspectos da educação da filha, Afra, de quatro anos, é uma menina cheia de orgulho de si. E Naise sabe a importância disso. “Eu não queria ver a Afra chegando em casa chorando, como eu fazia quando criança, porque as crianças me apelidavam”, lembra.


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Na rede social, ela compartilha dicas de cuidados com o cabelo da filha, que vão desde o tratamento e manutenção dos cachos a novos penteados. O feedback é quase sempre instantâneo e é por ele que Naise mantém a conta ativa. “Não ganho dinheiro algum com isso, o retorno é saber que estou contribuindo para a vida de muitas mães e filhas negras. Afinal, quando nasce uma criança, também nasce uma mãe. O cabelo negro é muito bonito, mas ele precisa de dedicação e amor. A Afra ama o cabelo dela. Dia desses, viu a Thais Araújo na televisão e soltou: olha, mãe, ela tem o cabelo bonito como o meu”, lembra.

A constante busca por afirmação fazem da mãe e da filha duas mulheres conscientes da força de sua negritude e de Naise uma voz forte quanto ao combate ao racismo na sociedade.

Antirracismo: bandeira deve ser levantada pela sociedade

Antirracismo: bandeira deve ser levantada pela sociedade

A prática deixa chagas nas diferenças que existem na educação, na saúde e até na economia, entre pessoas brancas e negras.

No mês em que é comemorado o Dia da Consciência Negra, dois episódios de racismo ganharam repercussão em partidas de futebol dentro e fora do país: um no clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG, no dia 10 de novembro, no Mineirão, em que um segurança foi confrontado por dois torcedores que chamaram atenção para a sua cor; e o outro sofrido pelos jogadores brasileiros Dentinho e Taison, ambos do Shakhtar Donetsk, que foram vítimas de racismo durante um clássico na Ucrânia contra o Dínamo de Kiev, também último domingo (10).

Os cenários evidenciam que a luta antirracista é uma bandeira que não pode ser deixada de lado na sociedade atual. Como enfatiza Ângela Davis, professora e filósofa estado-unidense: “em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”. Engana-se quem acha que os efeitos do racismo no Brasil limitam-se a agressões verbais ou violências diretas. A prática deixa chagas nas diferenças que existem na educação, na saúde e até na economia, entre pessoas brancas e negras.


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De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua), os salários pagos pelo trabalho de pretos, pardos e brancos são, em média, diferentes. Enquanto brancos ganharam em média R$ 2.897 em 2018, pardos ganharam R$ 1.659 e pretos R$ 1.636. Para se ter uma ideia, a média nacional dos rendimentos pelo trabalho é de R$ 2.234.

Segundo análise dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feita pela Fundação Perseu Abramo, em 2016, pretos e pardos são 78% entre os mais pobres e somente 25% entre os mais ricos. A consequência desse fato pode ser vista na desigualdade social e econômica no Brasil.

A pesquisa da PNAD-Contínua, que analisou todo o ano de 2018, mostra que em relação à cor ou raça foram registrados 10,3 anos de estudos para as pessoas de cor branca e de 8,4 anos para as de cor preta ou parda. A média brasileira foi de 9,3 anos. Atualmente, o Nordeste é a região do Brasil com maior percentual de pessoas autodeclaradas pretas.


(Foto: Folhapress)

O Piauí é o terceiro estado do Nordeste com maior percentual da população autodeclarada negra já que, aqui, 80% da população se considera preta ou parda. Dia da Consciência Negra O Dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro em todo o país. A data homenageia Zumbi, um pernambucano que nasceu livre, mas foi escravizado aos seis anos de idade. Mais tarde, ele voltaria para sua terra natal e seria líder do Quilombo dos Palmares. Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695.

02 de novembro de 2019

Mãe de anjo: PI pode ter Dia de Sensibilização à Perda Gestacional

Mãe de anjo: PI pode ter Dia de Sensibilização à Perda Gestacional

A intenção é promover uma mudança de cultura na população do Estado sobre o assunto.

Sensível aos relatos das mães de anjo, o deputado estadual Franzé Silva apresentou um projeto de lei para instituir o Dia Estadual de Sensibilização à Perda Gestacional e Neonatal no Piauí. A intenção é promover uma mudança de cultura na população do Estado sobre o assunto.

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 “É uma oportunidade para pais e mães recordarem a memória de seus filhos e para estimular a conscientização sobre o impacto que a perda de um filho causa a uma família. É uma oportunidade também de alertar as maternidades que ainda não estão preparadas para lidar com o problema, que causa tanto sofrimento aos pais e, principalmente, aprender a respeitar o luto materno”, explica o parlamentar. 

A data sugerida é o dia 15 de outubro, que já é lembrado em outros países e cidades brasileiras. Nos Estados Unidos, desde 1988, são realizadas ações de sensibilização a um atendimento acolhedor à mulher que tem gravidez interrompida. Já em 2002, a temática ganhou notoriedade no Brasil. Em Teresina, é possível encontrar o grupo “Mães de Anjo Reviver” , que foi idealizado por Lucélia Rocha, após perder sua filha em 2013 e ter a necessidade de criar uma rede de apoio às mulheres que também sofrem com a perda de um filho. 

“Em 2013, eu tive uma perda gestacional com 27 semanas. A Ana Luiza nasceu em silêncio. Foi um momento muito doloroso desde a notícia até o processo do parto normal. Você não espera viver isso, você espera a vida e não a morte. Então eu fiquei devastada e tinha necessidade de conhecer mulheres que passaram pela mesma perda, porque eu não tinha ninguém para conversar, porque as pessoas achavam que eu sofria mais falando sobre isso. Mas foi um efeito contrário”, relembra. 

Para encontrar outras mães que passavam pela mesma situação, Lucélia procurou, nas redes sociais, mulheres de Teresina que quisessem trocar experiências e se acolher. No primeiro momento, foi criado um grupo no WhatsApp com cinco pessoas. Depois, tais mulheres resolveram se encontrar. 


Deputado estadual Franzé Silva apresentou um projeto de lei para instituir o Dia Estadual de Sensibilização à Perda Gestacional e Neonatal no Piauí. Arquivo Pessoal

“Um tempo depois, surgiu a necessidade de um encontro presencial e o grupo foi aumentando. Hoje fazemos um encontro mensal com a presença de psicólogos para falar sobre o luto, os filhos que existem dentro de nós e quebrar todos os tabus”, conta Lucélia Rocha.

Sobre o projeto de lei para criar o Dia Estadual de Sensibilização à Perda Gestacional e Neonatal no Piauí, Lucélia Rocha defende que é de suma importância, pois vai atingir várias esferas da sociedade, auxiliando as mães a terem politicas públicas voltadas para a perda.

 “A lei é um passo muito grande que a gente está dando, porque ela proporciona visibilidade sobre esse assunto que ainda é um tabu. E com esse projeto de lei, vai ajudar as famílias que passam por isso. E pegando o outro lado, temos os hospitais, onde existe a necessidade de criar a sensibilização nos profissionais das maternidades. Se a equipe não for preparada para tornar o momento humanizado, o sofrimento aumenta. Mesmo uma mãe com o colo vazio, ela merece ser chama de mãe”, conclui Lucélia Rocha.

Mãe de Anjo: “Têm dias que acordo com raiva e revolta”, diz mãe

Mãe de Anjo: “Têm dias que acordo com raiva e revolta”, diz mãe

A narrativa é da professora Daniela Gomes, que perdeu seu bebê no período pós-neonatal. Ele tinha dois meses quando teve complicações de saúde e faleceu.

“No início da gestação, participava de um grupo, no WhatsApp, de mães; onde trocávamos experiências, tirávamos dúvidas, era um suporte nessa nova etapa da minha vida. Com a perda do meu pequeno coração (Otávio Augusto), eu já não fazia mais parte daquele grupo. Como ele tinha me feito tão bem, senti a necessidade de procurar um grupo de mães que passaram pelo que eu passei, para dividir os meus sentimentos e saber como caminhar após a perda”. A narrativa é da professora Daniela Gomes, que perdeu seu bebê no período pós-neonatal. Ele tinha dois meses quando teve complicações de saúde e faleceu.

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Daniela sentiu o desejo de saber como lidar com a saudade do filho. E ao buscar por redes sociais que falavam sobre ‘mães de anjos’, encontrou a conta no Instagram @entremaesdeanjos . Lá ela pode perceber que não está sozinha neste momento de luto, que muitas mães passam por perdas diariamente.

“É um grupo que está sempre atualizado, isso nos faz sentir acolhida! Porque a maioria da sociedade pensa que, quando a gente perde um bebê pequeno, não sofre, porque o tempo foi curto pra criar laços”, fala.

Para Daniela, além do grupo de mães que vivenciam a mesma dor, a sua família é essencial neste período de luto, que dura pouco mais de um mês. “É muito difícil! Têm dias que acordo naquela fase de raiva e revolta, com a cabeça cheia de porquês; em outros dias, entro na fase da aceitação. E com isso percebi que a dor entre as mães á a mesma, mas cada uma passa pelo momento de forma diferente”, expõe.

Grupos de apoio ajudam mães de anjos

“Muitas mulheres têm perdas gestacionais, mas acabam silenciando as suas dores por terem a sensação de que não serão compreendidas e sofrem sozinhas. É importante que a mulher busque grupo de apoio, em que tem outras pessoas que passaram pela mesma experiência; assim a mãe vai se sentir segura. Os grupos podem auxiliar nesse processo de elaboração do luto”, argumenta a psicóloga Julia Gomes

O grupo Entre Mães de Anjos , por exemplo, foi criado pela pedagoga Daniela Rezes, que iniciou as reflexões em sua conta pessoal, com relatos sobre a sua filha. E a partir da hashtag #mãesdeanjos foi ganhando mais visibilidade e seguidores. “Quando eu cheguei a três mil seguidores, não era mais a conta da Daniela Rezes. Mas da Dani Rezes, que escreve para as mães de anjos. Foi então que eu mudei o nome para Entre Mães de Anjos. A minha conta é mais direcionada a perda de bebês, seja perda gestacional (abortos espontâneos, retidos e perda tardia) e perdas neonatais (bebês prematuros)”, explica. 

Daniela Rezes teve uma perda e o motivo não foi diagnosticado. A partir da sua experiência, ela ajuda outras mães a aprenderem a conviver com a saudade do filho. Para trabalhar os casos mais complicados, Dani Rezes conta com o apoio da psicóloga Fernanda Rangel,  que realiza bate-papos com as mães através de vídeo ao vivo nas redes sociais e encaminha as mães para grupos de apoio em suas cidades. 

“As falas são as mesmas, mudam apenas o endereço. São falas como ‘me pedem para eu esquecer, que vai doer menos’; ‘meu esposo me deixou’; ‘não tenho compreensão’; ‘minha família não me escuta, pede para eu não falar do bebê’. Violência obstétrica e negligência médica. ‘O que fazer com as coisas do bebê?’; ‘Dani, chorar ajuda a aliviar?’. E muitas querem apenas conversar”, descreve. 


Daniela Rzes dona da Página @entremaesdeanjos, perdeu o bebê com 36 semanas e 06 dias.  Arquivo Pessoal

Para Daniela Rezes, utilizar falas de amor com essas mães é um dos caminhos para amenizar a dor. Mas trabalhar com essa temática e com pessoas tão fragilizadas neste momento é complexo. Assim, a pedagoga teve que fazer mudanças pessoais, ter acompanhamento psicoterápico e se conhecer melhor para se envolver na causa e auxiliar cada vez mais mulheres.

Mãe  de anjo: falta humanização dos profissionais de saúde

Mãe de anjo: falta humanização dos profissionais de saúde

Viviane Bandeira lembra o atendimento insensível que teve no momento da perda gestacional. Para eterizar o filho ela fez uma tatuagem.

Os profissionais da saúde têm um papel fundamental no momento de uma perca gestacional. Por não saber qual o contexto que envolve a morte da criança ou o processo que a família estava passando na gestação, qualquer palavra pode trazer prejuízos irreparáveis.

Viviane Bandeira  lembra o atendimento insensível que teve naquele momento. “Quero chamar atenção aqui para a necessidade de humanização dos profissionais de saúde. O médico ultrassonografista me deu a notícia dizendo ‘aqui não tem mais nada, tá morto’. E isso foi de uma crueldade que eu nem consigo mensurar. Para ele, era um feto. Para mim e para meu marido, era nosso filho amado. A gravidez tinha pouco mais de um mês, mas era o nosso filho”, descreve.

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Após a notícia, Viviane esperou alguns dias para fazer a curetagem. O procedimento foi realizado em uma clínica particular e, de acordo com ela, os profissionais da instituição não sabiam como se portar diante do luto da família.

“Imagina entrar num centro cirúrgico pra fazer uma curetagem e nas salas ao lado ter várias mulheres parindo seus bebês. Imagina você sair de lá sem o seu bebê, com o barulho e choro dos bebês de outras famílias em seus ouvidos. É muito sofrido”, diz Viviane Bandeira.

“É importante legitimar o sofrimento da família”, orienta psicóloga

Segundo a psicóloga Julia Gomes , é importante lembrar que a mulher que perde um bebê sempre vai ser mãe daquela criança. No momento de luto, é importante legitimar o sofrimento da família, reconhecer, acolher e se colocar à disposição para escuta, pois o luto é um processo de montanha russa, onde os pensamentos vão e voltam, e as mulheres precisam falar sobre o assunto. Esta é exatamente a sensação que Viviane Bandeira passou. 

No primeiro momento, ela preferiu ficar quieta. Mas depois percebeu que falar sobre o momento poderia ajudar muitas mães. Então, ela começou a escrever para um blog no PortalODIA.com, intitulado “Cá entre mães”, onde compartilhava seus momentos e de outras mães de anjos.


Viviane Bandeira fez uma tatuagem para eternizar o filho. Arquivo Pessoal

 “Também fiz uma tatuagem pra eternizar minha estrela, Maria/Lucas, na minha pele. Ano passado, no aniversário de quatro anos da passagem de Maria/Lucas, fiz terapia de ressignificação do luto, encarando essa dor para seguir melhor”, revela Viviane. Como recomendado pelas psicólogas, falar é a melhor forma de trabalhar o luto. 

Na casa da Viviane Bandeira, o assunto não é tabu. Ela conversa com suas filhas e inclui o bebê que não está fisicamente entre eles. “Luísa tem três anos e sabe que é irmã de uma estrela, que essa estrela viveu na barriga da mamãe e não nasceu e foi brilhar no céu. Elas olham o céu à noite e dizem ver nossa estrelinha. Mas pouca gente entende essa nossa forma de encarar a perda. A nossa escolha é incluir nosso filho que não nasceu e permanecer no amor”, conclui

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Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 20% das gravidezes diagnosticadas evoluem para interrupção espontâneas

“Soubemos da gravidez no dia 13 de setembro. Dia 15 de outubro, ao chegar do trabalho para almoçar na casa da minha mãe, vi que havia uma mancha de sangue na calcinha. Eu sabia que meu filho estava ali. Tentei ficar calma, pra acalmar minha mãe. Chamei meu marido, fomos ao médico e a ultrassonografia confirmou que já não havia batimentos cardíacos. Nosso filho havia morrido”. Este é o relato da jornalista Viviane Bandeira, mãe de Laura, Luísa e da estrela Maria ou Lucas. 

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 20% das gravidezes diagnosticadas evoluem para interrupção espontânea e são considerados abortos espontâneos se feto pesar menos de 500 gramas e ter aproximadamente de 20 a 22 semanas de gestação. 

Os casos ocorrem, principalmente, com idade gestacional entre 8 e 12 semanas; destas, 50% são causadas por anormalidades. Algumas das principais causas são: idade materna avançada, alcoolismo, tabagismo, peso materno, aborto espontâneo prévio e fatores genéticos. Já a morte neonatal acontece nas primeiras 4 semanas de vida ou 28 dias incompletos. Enquanto a morte pós-neonatal é considerada nos meses seguintes até um ano de idade. 

Viviane conversa com suas filhas e inclui o bebê que não está fisicamente entre eles (Foto: Acervo pessoal)

Porém, a morte de um bebê na fase gestacional ou neonatal não chega a ser tratada como luto válido por pessoas que acreditam que não houve um período suficiente para criar um vínculo. É o que descreve a psicóloga Fernanda Rangel. “O luto são reações que as pessoas têm diante da perda que é importante pra ela. O entendimento das pessoas é que se a criança não nasceu ou nasceu e, logo em seguida, morreu, é como se não existisse história e as pessoas não conseguem entender o porquê da dor”, afirma. 

Por outro lado, de acordo com a psicóloga Julia Gomes, isso acontece porque falar sobre morte ainda é um tabu Mães de anjos: o luto silenciado na sociedade. As pessoas não são preparadas para saber lidar com o luto. A tendência é se afastar ou se isolar. “Quando se perde o bebê, existe um impacto muito  forte, porque as pessoas se afastam ou tentam minimizar o que foi vivido. É como se as pessoas quisessem que a mãe esquecesse o bebê e a existência dele. Mas é preciso entender o luto como um processo não que tem um começo e um fim. É algo que precisa ser vivido e que vai ser um processo de adaptação emocional, física, social e espiritual a uma nova realidade. Se os sintomas se prolongarem e trazerem dificuldades nas atividades do dia a dia, pode ser preciso uma atenção mais intensa. Mas o luto precisa ser vivido”, alerta a psicóloga.

Vínculo é real

A jornalista Viviane Bandeira ressalta que a falta de um filho que não nasceu ou nasceu e morreu pouco tempo depois é tão forte quanto de uma pessoa querida que viveu durante muitos anos. “O fato de as pessoas acharem que porque nossos filhos não nasceram ou porque nasceram e morreram ainda muito pequenos, nós não tenhamos o direito ao luto. Somos mães. Somos pais. Nossos filhos morreram. Não importa se nasceram ou se ainda estavam sendo gestados. São nossos filhos. Nós os amamos e sentimos sua falta”, desabafa Viviane. 

27 de outubro de 2019

Povoado Alegria: população está consumindo água contaminada

Povoado Alegria: população está consumindo água contaminada

Pesquisa desenvolvida por estudante do Ifpi aponta a presença de coliformes fecais na água consumida pelos moradores do povoado. Aquífero da região também está contaminado.

Água de má qualidade e aumento do risco de exposição a doenças. É esta a realidade de várias famílias que vivem no Povoado Alegria, na zona Rural Sul de Teresina, onde muitas residências ainda utilizam um mecanismo antigo de captação de água: os poços cacimbões. Estes poços consistem basicamente em escavações sem revestimento próximo a margens de reservatórios de águas superficiais.

Localizado muitas vezes nos fundos das casas, estes poços geralmente são escavados em áreas inapropriadas, como perto de fossas e cemitérios, por exemplo. A água que eles armazenam, também na maioria das vezes, possui qualidade duvidosa e às vezes vem contaminada com patógenos e materiais nocivos à saúde.


Moradora retira água de poço cacimbão no Povoado Alegria. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

Foi isso que constatou a pesquisa desenvolvida pela estudante Francielly Lopes Silva, do Instituto Federal do Piauí (Ifpi). Sob orientação do professor Érico Gomes, a jovem investigou a qualidade água utilizada para consumo pelos moradores do Povoado Alegria e chegou à conclusão que, em alguns casos, o líquido é contaminado por coliformes fecais, o que coloca em risco a saúde da população daquela região.

A reportagem do Portal O Dia foi até o povoado acompanhada de Francielly e do professor Érico. No local, eles explicaram que esses poços cacimbões utilizam a água de um aquífero superficial, chamado de aquífero livre, e que este aquífero está sujeito a vários tipos de contaminação. 


A estudante Francielly Lopes e o professor Érico Gomes no Povoado Alegria. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

“Desde uma fossa, um galinheiro, um cemitério. Aqui não tem saneamento básico também e é um local onde tem concentração de potenciais poluentes. Todos esses contaminantes vão infiltrar nesse solo e no período da chuva, tanto o nível do lençol freático sobe, como a própria chuva, ao penetrar no solo, leva esses patógenos para a água. Então temos contaminação por diferentes fontes”, explica o professor Érico.

Ele lembra que, quando um morador cava um poço cacimbão, ele não percebe todos os fatores de contaminação nas proximidades e que isso acarreta num potencial para infectar a água que irá consumir. No local, por exemplo, foi constatada a presença de vários contaminantes, entre eles galinheiros, fossas sépticas e até mesmo um cemitério. 

“Eles acham que estão com água de boa qualidade, mas isso tudo vai lentamente contaminando o aquífero. Geralmente consomem esse líquido sem fervura, então temos também a circulação de doenças simples de veiculação hídrica atacando a comunidade”, pontua.


Um dos contaminantes é um cemitério localizado a poucos metros dos poços cacimbões. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

Francielly, autora da pesquisa, explica que estes poços cacimbões foram construídos no final da década de 1990, até que a Prefeitura construiu um poço que distribuiria água para toda a população. A partir do momento em que houve água nas torneiras, muitos poços ficaram inutilizáveis, alguns foram utilizados como fossas e outros abandonados e até mesmo soterrados.

Em sua pesquisa, Francielly encontrou 60 poços cacimbões, mais da metade deles desativados e alguns soterrados. Mas 22 ainda são utilizados para alguma coisa, como para armazenar água para consumo próprio, para lavar louça ou somente para aguar jardins. Para a análise, cinco poços foram selecionados: quatro cacimbões e o poço tubular que distribui água para toda a comunidade


Francielly é a autora da pesquisa e moradora do Povoado Alegria. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

“Todos os poços cacimbões deram contaminados, ou seja, fora da legislação. Porque a portaria de consolidação nº 5 do Ministério da Saúde diz que a água para consumo humano não deve ter bactéria do grupo coliforme, nenhuma bactéria em 100 ml de água. Se já estiver contaminada, tem que ter um tratamento prévio, cloração ou fervura, e a água desses poços não ficou dentro dos parâmetros”, explicou Francielly.

Um dos pontos analisados pela estudante na pesquisa foi justamente os locais onde estes poços cacimbões são construídos. Geralmente, os moradores cavam na área mais baixa da propriedade, onde a água chega com mais facilidade, e na parte mais alta da propriedade fica a casa e a fossa ao lado da casa. Por gravidade, aquele material migra através da água e vai contaminando o poço que está logo abaixo. Cria-se, assim, o cenário para a contaminação do aquífero superficial. 


O professor Érico Gomes fala sobre os critérios que devem ser observados na construção de um cacimbão. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

“Quanto mais perto do rio, mais fácil encontrar a água, fica mais raso, por isso às vezes tendem a cavar num local mais baixo da propriedade, porque o nível do lençol freático fica mais perto da superfície. Dá menos trabalho cavar o poço, porque fica mais raso, mas ao mesmo tempo a possibilidade de contaminação vai ser maior”, afirma o professor Érico.

Quando se constrói um poço, o ideal é isolar a parte superficial em até 12 metros. Esse isolamento, segundo ele, impede que a água mais superficial caia dentro do poço. Até mesmo os poços tubulares possuem uma sapata de proteção e a norma vigente diz que essa estrutura tem que ser de concreto, de 1,5 metro por 1 metro em volta do poço para impedir que as águas superficiais penetrem entre a parede da escavação e o solo.

“Às vezes nem manilha tem. As pessoas só cavam o poço e revestem com alguma madeira ou tijolos. Pela proximidade com o cemitério, com fossas no entorno, provavelmente o lençol freático deva estar todo contaminado pelo que a gente chama de pluma de contaminação, que é a dispersão, dentro do lençol, de poluentes, além da própria falta de saneamento, que é outra fonte de contaminantes”, destaca.


Alguns dos poços são feitos com manilhas. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

Preocupa também, segundo os pesquisadores, o fato de que em Teresina e muitos locais do Piauí esses poços serem escavados em solos arenosos que são porosos e permeáveis, o que facilita a infiltração da água com rapidez e também a contaminação mais rápida. Diante de todo o achado, os pesquisadores lembram que é preciso que as comunidades tenham cuidado de, ao ingerir a água de um poço cacimbão, ferver e fazer um tratamento prévio para poderem consumir com segurança e sem riscos à saúde.

Moradores acreditam que a água é própria para consumo e usam como alternativa

De acordo com os moradores do povoado, a água dos poços cacimbões só é utilizada quando eles não podem contar com a água do poço tubular instalado na região. Este poço foi construído pela Prefeitura atende a 90% do Povoado Alegria, mas os moradores reclamam que a falta de água nele é frequente, o que deixa como única alternativa o consumo da água sem controle de qualidade dos cacimbões.

Um desses moradores é o aposentado Antônio Chaves de Sousa, 73 anos, que mora no Povoado Alegria desde que nasceu. Aposentado, o morador relata que construiu o poço da sua residência há mais de 30 anos e, apesar de ser contemplado com o abastecimento do poço tubular, o cacimbão ainda é uma opção quando falta água na comunidade.


O aposentado Antônio Chaves de Sousa retira água do poço cacimbão localizado em sua residência. (Foto: Jailson Soares/O Dia) 

Apesar de ser um dos poços em que foi constatada a presença de coliformes na pesquisa realizada pelo Ifpi, o aposentado é firme em afirmar que a água do cacimbão é límpida e própria para consumo. “O olho d’água dele fica perto da areia grossa e não “baldeia” de jeito nenhum. Pode ser no inverno ou no verão, é sempre limpa. Ele é tampado todo tempo para proteger, porque tenho quatro crianças em casa, até mesmo pra não cair nada dentro”, afirma, tomando a água com as mãos e levando à boca.


“O olho d’água dele fica perto da areia grossa e não “baldeia” de jeito nenhum. Pode ser no inverno ou no verão, é sempre limpa" - Antônio Chaves de Sousa, morador do Povoado Alegria


Além de seu Antônio, outras 14 pessoas residem na casa feita de tijolos e sem reboco. De família humilde, o aposentado relata que usa água de poços cacimbões desde criança. Somente com a chegada do poço tubular que passou a pagar uma taxa de R$15 pelo consumo. “Eu morava aqui na beira do rio com a minha mãe, lá também era cacimbão. A gente carregava o galão num varal, um na frente e outro atrás”, relembra.


Aposentado Antônio Chaves de Sousa relata que usa água dos poços cacimbões desde criança. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

O banho é um dos usos dados à água dos poços cacimbões. Quando o abastecimento de energia é interrompido e a água do poço tubular não chega às casas das famílias, moradores como o seu Antônio utilizam os cacimbões para dar conta dos afazeres domésticos. Nesses dias, até mesmo as crianças tomam banho com a água retirada desses poços. “Eles gostam porque a água é fria. Você pode ver que não tem um granito”, finaliza o aposentado ao dar banho em um dos seus bisnetos.


Aposentado Antônio Chaves de Sousa dá banho em uma criança da família. (Foto: Jailson Soares/O Dia

Posto de saúde fica atento a sinais de doenças relacionadas ao consumo da água

Desconforto abdominal, ânsia de vômito, náuseas, dores de cabeça, diarreia e às vezes até febre. São esses os sintomas mais comuns encontrados nos pacientes que buscam atendimento no posto de saúde do Povoado Alegria. Segundo os profissionais da unidade, eles estão intimamente relacionados ao consumo de água sem o devido tratamento.

A equipe da unidade de atenção de básica se mantém vigilante quanto a esses casos e, além do tratamento daqueles que buscam o posto, eles também fazem o acompanhamento nas casas e um trabalho de conscientização da necessidade de se ter certos cuidados com a água que eles ingerem.


Posto de Saúde localizado no Povoado Alegria. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

Michelle Leane, enfermeira e coordenadora da UBS do Povoado Alegria, explica que as visitas são feitas quase que diariamente e o foco são as crianças, pessoas idosas e puérperas, ou seja, as pessoas consideradas mais vulneráveis em relação ao consumo desta água.

“Recebemos da FMS [Fundação Municipal de Saúde] hipocloritos de sódio e os agentes fazem essa educação nas residências, pra que eles usem esse hipoclorito. Eles podem pegar esse material gratuitamente e para usar você dissolve um frasco a cada 3 litros de água, inclusive para fazer a limpeza”, explica a coordenadora.


Michelle Leane, coordenadora do Posto de Saúde do Povoado Alegria. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

Quando são detectados casos de diarreia, por exemplo, os médicos da unidade imediatamente notificam à equipe de vigilância da FMS que faz o acompanhamento. São investigados, nesses casos, o que o paciente consumiu antes de sentir os sintomas, aplicado um tratamento à base de soro e antitérmicos, em casos de febre, enquanto os profissionais vão atrás da causa da doença.

Antigamente, os casos de doenças relacionadas à contaminação da água e de alimentos consumidos pelos moradores do Alegria eram mais frequentes, mas atualmente a demanda tem sido menor, devido, principalmente, ao trabalho de conscientização feito pelos agentes de saúde.


Quando são detectados casos de diarreia, por exemplo, os médicos da unidade imediatamente notificam à equipe de vigilância da FMS que faz o acompanhamento.


É isto o que pontua a agente de saúde Ana Maria Morais. De acordo com ela, o principal problema é os moradores pensarem que só porque a água que consomem está limpa só porque é límpida. 

“Estou há 25 anos na área e praticamente sei todas as casas que têm poço cacimbão e as que não têm. E a gente vê que naquelas casas onde a água é consumida do poço cacimbão, os casos mais frequentes de diarreia, de vômito, mal-estar. Hoje a gente trabalha em cima da orientação: tem que usar o filtro, tem que usar o hipoclorito e como a população está sendo educada, os casos de diarreia e infecção intestinal diminuíram bastante”.


Ana Maria Morais é agente de saúde do Povoado Alegria há 25 anos. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

Contraponto

Os populares disseram que a Águas de Teresina que atende a região com a distribuição de água encanada. No entanto a empresa negou.

O Portal O Dia procurou a Águas de Teresina, responsável pela produção e distribuição de água na Capital e a empresa disse que atende somente o perímetro urbano de Teresina, conforme prevê o contrato de subconcessão, e que a região do Povoado Alegria não entra nessa área de abrangência. A Águas de Teresina argumentou, por fim, que não pode responder por aquela região porque não opera por lá.

Durante visita ao Povoado Alegria, a equipe do O Dia, acompanhada dos pesquisadores do Ifpi, constatou que o terreno onde está instalado o poço tubular está repleto de lixo, incluindo lixo hospitalar. A avaliação dos pesquisadores mostrou que no local não há sapata de proteção obrigatória para impedir a infiltração de poluentes no solo e, consequentemente, no aquífero.

Procurada para falar sobre o poço tubular da Prefeitura que atende ao Povoado Alegria, a Superintendência de Desenvolvimento Rural (SDR) disse que os dois poços existentes na área foram desativados pela própria PMT há 10 anos quando a Agespisa se tornou responsável pelo abastecimento de água da região. 


Local onde poço tubular está instalado é impróprio, dizem pesquisadores. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

Por meio de nota, a SDR acrescentou que o poço em questão deve ter sido reativado por terceiros. A respeito da cobrança da taxa mínima aos moradores pelo uso da estrutura, o órgão alegou que deve ser uma cobrança vinda dos próprios moradores que podem ter reativado o poço porque não queriam arcar com o pagamento do abastecimento por parte da Agespisa.

O órgão reiterou que não tem nada feito nem administrado pela Prefeitura na região em relação a poços e que enviará uma equipe ao local para apurar a situação e toma as providências cabíveis.

Posto de saúde descarta material hospitalar em poço desativado

Durante a visita ao povoado Alegria, a equipe do Portal O Dia flagrou ainda material hospitalar do posto de saúde local sendo descartado em um poço desativado que fica atrás da unidade médica, a poucos metros do poço tubular. Foram encontrados vários resíduos, inclusive infectantes dentro de sacos identificados com o símbolo do serviço de saúde. 


Material infectante foi encontrado dentro de poço desativado. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

Esta contaminação por material hospitalar, segundo o professor Érico, é seríssima porque, diferente da contaminação por coliformes, tem-se produtos químicos tóxicos de alto poder de contaminação do lençol freático. Para piorar a situação, não se sabe há quanto tempo este material está ali continuamente liberando elementos químicos na água.

“A gente não sabe a dispersão desses contaminantes, não sabemos o tempo que estão aí, então é algo gravíssimo para toda a comunidade, principalmente para essas casas que usam os poços cacimbões. Ou seja, não basta a contaminação por fossas, ainda constatamos contaminação por resíduos do posto de saúde em um poço aberto, abandonado, sem depósito adequado de produtos tóxicos”, afirma o professor.

Atrás do posto de saúde da comunidade também foi constatado o descarte irregular de lixo hospitalar e residencial. O local fica entre os poços cacimbões e tubular. O Portal O Dia procurou a FMS para comentar a respeito do descarte de resíduos do posto de saúde no local. Por meio de nota, a Fundação disse que o local já foi devidamente limpo e que acionou a Vigilância Sanitária para averiguar o trabalho realizado e orientar quanto à disposição dos resíduos.


Lixo encontrado atrás do posto de saúde da comunidade. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

A FMS comunicou ainda que irá investigar o caso, informando de antemão que a UBS possui plano de gerenciamento de resíduos sólidos e segue rigorosamente o descarte de seu lixo. “Os servidores, rotineiramente, fazem a segregação e acondicionamento dos lixos da maneira adequada e, posteriormente, o lixo identificado como comum é recolhido pelo caminhão de coleta e o lixo identificado como infectante é recolhido por empresa terceirizada, contratada pela FMS””, diz a nota.

26 de outubro de 2019

Estação de tratamento entrega o esgoto com até 85% de eficiência

Estação de tratamento entrega o esgoto com até 85% de eficiência

Apesar do bom desempenho, o descarte irregular de lixo ainda complica o processo executado pela Águas de Teresina

Todo o esgoto coletado nas casas e empreendimentos de Teresina passa por Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) ou Estações Elevatórias de Esgoto (EEE). É esse sistema que garante o tratamento do esgoto ao final do percurso e que, por isso, precisa ser bem mantido pela concessionária, mas também por seus usuários.

A resolução nacional que estabeleceu condições e padrões de lançamento do esgoto na natureza determina que o tratamento dos resíduos deve remover 60% da carga orgânica antes do lançamento direto na água limpa. 

Hoje, em Teresina, a eficiência do processo chega a 85%, mas o descarte irregular de lixo ainda complica o processo.

“Temos alguns complicadores que são causados por nós mesmos: o ato de jogar lixo e resíduos no sistema é um deles. Essa é a dificuldade que temos dentro da estação, porque o lixo chega e tem o risco de obstrução do motor de uma bomba, como já aconteceu de encontrarmos fronha de travesseiro, fralda. Além de gerar a queima de equipamento, pode causar a quebra de alguma estrutura, entupimento de ligações domiciliares, prejuízos não só para a empresa, mas para a população como um todo”, ressalta Guilherme Medina, coordenador de Tratamento de Esgoto da Águas de Teresina.

Por ano, na rede de esgoto de Teresina são retirados 240 toneladas de resíduos do processo de tratamento de esgotos, o que permite encher 60 papa-entulhos apenas de resíduos sólidos.


Um litro de óleo pode contaminar um milhão de litros de água

Um litro de óleo pode contaminar um milhão de litros de água

O óleo descartado de forma incorreta também pode prejudicar o solo. Por isso, deve-se atentar para o uso racional da substância

O alerta feito pelo descarte de resíduos sólidos, não é menos impactante quando o assunto é o óleo de cozinha. O produto usado principalmente para fritar alimentos está presente em praticamente todas as residências, bares e restaurantes e é composto por substâncias insolúveis em água (lipídeos). Infelizmente, seu descarte nemsempre é feito corretamente, causando prejuízos imensuráveis ao meio ambiente. 

Ao mensurar o impacto, as contas assustam: um litro de óleo pode poluir cerca de um milhão de litros de água. Essa quantidade de água é o que uma pessoa pode consumir, aproximadamente, ao longo de 14 anos de sua vida.

Paulo Ronaldo Sousa Teixeira, professor doutor do Instituto Federal do Piauí (IFPI), explica que o óleo despejado na rede pública causa prejuízos múltiplos.

Paulo Ronaldo explica que o óleo despejado na rede pública causa prejuízos múltiplos. Foto: Jailson Soares 

“Um dos problemas mais corriqueiros é que o óleo despejado entra na tubulação e vai poluir algum afluente, algum rio. Ele não é miscível em água, ou seja, não se mistura com facilidade e, pela diferença de densidade, o óleo também é mais leve e tende a ficar submerso nos rios formando uma película que desfavorece o meio ambiente. A entrada de luz é prejudicada e essa entrada de luz deficiente provoca uma série de reações como, por exemplo, a impossibilidade da fotossíntese. Não tendo produção de oxigênio, a tendência é ter muita morte de peixes e essa película formada precisa de muito tempo para se degradar, agente estima que um quilo de óleo passa 14 anos na natureza”, alerta o pesquisador.

Além disso, o óleo despejado nas tubulações com outros dejetos tende a se impregnar nas paredes do sistema de esgotamento. “Ao invés de lidar com um problema, que é o prejuízo que esse óleo causa no meio ambiente, lidamos com dois: para livrar o encanamento da obstrução vão ser usados produtos químicos, que são os detergentes, e isso vai criar mais sujeira, gasto e demanda de tempo”, explica o professor.

Da mesma forma que prejudica as estruturas da cidade, os mananciais, o óleo descartado de forma incorreta também pode prejudicar o solo. Por isso, o professor alerta para o uso racional da substância, além da utilização para a transformação do produto, que pode ser convertido, mesmo depois de já ser utilizado, em itens como: sabão, tintas e até biodiesel.

Usado de forma correta, produto gera lucro e renda

Para tentar amenizar o impacto que o óleo de cozinha pode causar na natureza, por conta do descarte incorreto, e também gerar fluxo econômico, há três anos uma empresa oferece um serviço de recolhimento deste composto em Teresina. Atualmente, na Capital do Piauí, 400 empresas (bares e restaurantes) estão cadastradas no serviço e, por mês, são coletados aproximadamente 17 mil litros (17 toneladas) de óleo de cozinha usado.

Se somado com a quantidade coletada em outros municípios do Piauí em que a empresa atende, esse valor pode chegar a 24 mil litros de óleo, ou 24 toneladas mensais. Por ano, o óleo recolhido na Capital chega a 204 mil litros (204 toneladas). Em números, isso significa que seria possível encher mais de 20 cisternas de 10 mil litros somente com óleo de cozinha usado.

Sobre o óleo de cozinha descartado de forma incorreta no meio ambiente, Jefferson Sales, supervisor de rotas da empresa Indama, descreve como um desastre. “Imagina todo esse óleo sendo despejado na natureza. É um desastre. É preciso que as pessoas tenham consciência ambiental. Algumas pessoas individuais ligam dizendo que têm uma vasilha ou garrafa pet com óleo e nós nos disponibilizamos a ir até o local recolher, justamente para que ela evite jogar no ralo e cause um prejuízo à sociedade e ao meio ambiente”, frisa.

Segundo Carlos Clay Araújo de Oliveira, gerente comercial da empresa, ao abrir um estabelecimento, as empresas precisam apresentar um certificado ou contrato com uma empresa para a correta destinação do óleo, permitindo assim a concessão da licença de funcionamento.

“Somos a única empresa que chega para comprar o lixo que precisa ser descartado por não ter mais serventia. Muitas empresas nos ligam perguntando quanto cobramos para recolher o óleo, mas nós não cobramos, pelo contrário, pagamos pelo óleo utilizado por eles, R$ 0,40 pelo quilo do óleo”, conta. 

23 de outubro de 2019

Regularização fundiária contribui para padronização

Regularização fundiária contribui para padronização

Projeto Água Legal tem trabalhado junto às famílias cujas moradias foram regularizadas recentemente pelo município.

Leia: Água desperdiçada daria para comprar um apartamento por dia em Teresina 

Outra ação desenvolvida pela Águas de Teresina é a Água Legal, onde equipes da empresa vão em cada bairro padronizar as ligações, fazer a retirada de irregularidades, tanto de ligações que deveriam estar cortadas, mas estão funcionando, como daqueles consumidores que estão ativos, mas possuem desvios de água. Todavia, a principal ação deste projeto é a regularização das áreas de ocupação. 

Duas áreas, que antes eram ocupação, já foram atendidas pela Água Legal, o residencial Dilma Rousseff e o Parque Vitória, garantindo uma redução de perda de água de 64%. “Antes, nós não podíamos atuar pela questão fundiária, pois não podemos atuar onde não tem uma regularização fundiária com o município. Quando o município cedeu a autorização para entrar nessas áreas, nós começamos o trabalho”, expõe. 

Das regiões que ainda não possuem regularização, grande parte do que é consumido entra no índice de perda, pois não é calculado e a empresa não pode deixar de abastecer por se tratar de famílias que precisam de água. 

“Quando nós chegamos nessas unidades que não têm ainda o abastecimento regularizado, eles fazem questão de ter a ligação. Mesmo que ele passe a ser um cliente e tenha que pagar o seu consumo, porque, a partir disso, eles têm o direito de exigir o abastecimento durante todo dia, que são coisas que eles não têm. Na verdade, a população clama para que a Águas de Teresina trabalhe nessas regiões, fazendo implantação de redes, pois eles sentem necessidade de ter o abastecimento regular”, pondera Diogo Freitas. 


Foto: Divulgação

Área irregular consome até cinco vezes mais que ligação normal 

A água que abastece as áreas sem regularização fundiária, como o Parque Eliane, não é contabilizada pela Águas de Teresina e entra para o índice de perda da produção. E essas famílias não podem ser penalizadas, já que a punição só é imposta aos clientes de fato e a família só se torna cliente da empresa quando a área é regularizada pelo município. 

Segundo a Águas de Teresina, nas áreas de ocupação irregular da cidade, já foram cadastrados 20 mil domicílios que furtam água de algum ponto. “Se colocarmos 20 mil domicílios com quatro habilitantes por casa, dá cerca de 1.000 habitantes. E uma área que não tem compromisso com o uso da água, que não está pagando o que consome, essas pessoas chegam a consumir até 5 vezes mais que o normal e podem estar consumindo por 400 mil pessoas. A água não está sendo medida, mas está sendo consumida”, ressalta Diogo Freitas, coordenador de Fiscalização da Águas de Teresina. 


"Uma área que não tem compromisso com o uso da água, que não está pagando o que consome, essas pessoas chegam a consumir até 5 vezes mais que o normal" - Diogo Freitas


Para cada de tipo de fraude, a empresa aplica uma punição. No caso da pessoa que teve a água cortada e não fez a quitação e optou por fazer a auto religação, quando a fiscalização identificar o débito, será cobrado pela fraude. Neste caso, o valor varia de acordo com o uso do cliente. 

“Cliente que frauda um corte simples pode chegar a R$ 400 [de multa]. Se o consumidor faz algum tipo de dano proposital ao hidrômetro, a multa pode ultrapassar R$ 800. Na ligação direta, quando há o desvio de água, o valor pode passar de R$ 100. Se for cliente comercial, pode ser maior”, alerta Diogo Freitas. 

“Quando falta água, passam de dois a três dias sem voltar”, diz moradora do Parque Eliane 

O Parque Eliane, localizado na região do bairro Angelim, na zona Sul de Teresina, está a 17 km do Centro da cidade. O parque nasceu de uma invasão ainda nos anos 2000 e é uma das áreas que serão contempladas com a regulamentação do abastecimento. Mas enquanto a regularização não chega, moradores relatam suas dificuldades diárias. 

“A gente pegava água no balde. Minha mãe chegou no começo, tinha que pegar água na casa dos vizinhos, armazenar em baldes. Tem bairro mais novo que já tem a regularização e o nosso não. Até hoje, eu guardo água na caixa d’água e tampo. Antes, a gente pegava água no Cras da Irmã Dulce, fazia uma fila enorme, porque eram os dois bairros, Parque Eliane e Irmã Dulce”, lembra Francisca Oliveira, de 31 anos, que mora no Parque Eliane há 18 anos. 


Moradora mostra cano de rua usado pela comunidade quando falta água nas casas - Foto: Elias Fontinele/O Dia

O diferencial da ocupação é que, desde o início, recebeu encanação geral nas ruas. E segundo Maria do Perpétuo Socorro, atualmente, mesmo que algumas residências não tenham hidrômetro, é cobrada uma taxa mínima mensal dos moradores. 

“Quando eu cheguei, veio o governo e colocou os canos. Falta regularizar o registro. O meu irmão morava aqui e, quando cheguei, já tinham os canos gerais. Todo mês a gente paga uns talões, uma taxa mínima de R$ 40, falta completar a regularização. Eles ainda não vieram aqui, só vi passando na TV [que eles seriam contemplados com a regulamentação], mas ainda não procuraram a gente”, conta Maria do Perpétuo Socorro. 


"Eles ainda não vieram aqui, só vi passando na TV [que eles seriam contemplados com a regulamentação], mas ainda não procuraram a gente” - Maria do Perpétuo Socorro


Entre as principais reclamações dos moradores está a constante falta de água na região. “Quando falta água, passam de dois a três dias sem voltar. Hoje, os moradores pegam água em cano que não possui torneira, apenas o tampão. Para pegar água, a gente tem que ficar abaixadas, aparando com um balde”, conta Maria do Perpétuo Socorro. 

O cano que a moradora se refere fica localizado em uma rua sem asfalto, que dá acesso à Avenida Santa Me. Paulina. Esta é a única opção para os moradores conseguirem um pouco de água quando acaba nas residências. 

Diante das dificuldades, Francisca Oliveira diz que, para a comunidade, a regularização é essencial, pois várias casas possuem crianças e idosos, e fica quase impossível viver com qualidade de vida sem água. “Para os moradores será de grande importância a conclusão da regulamentação, pois não faltará mais água para as necessidades básicas. E o valor a ser pago não é uma preocupação, só de pensar que não precisa mais guardar água já é um grande presente”, conclui Francisca Oliveira.


Quem paga essa conta?

Água perdida é de responsabilidade da concessionária, garante Águas de Teresina

Segundo a empresa, a diferença entre a água produzida e a contabilizada nos hidrômetros é de sua responsabilidade e não dos demais consumidores

Conforme o coordenador de Fiscalização da Águas de Teresina, Diogo Freitas, a água perdida é responsabilidade da concessionária. Logo, o maior interessado em diminuir o índice de perda é a própria empresa. O cliente não paga pela água que é desperdiçada, ele só paga pelo que passa no hidrômetro.

“Assim, ao contrário do que os consumidores acreditam, a água que é perdida no vazamento da rua ou de uma pessoa que faz o desvio de água, o morador não é penalizado. Nós que temos a necessidade de acabar com essas irregularidades”, esclarece Diogo Freitas.

Denúncia

Mas o cliente pode denunciar casos de desvio que conheça na vizinhança, pois o abastecimento no local pode ser prejudicado pela fraude. Para fazer a denúncia anônima é preciso indicar o endereço, daí será aberta uma solicitação interna. Em seguida, uma equipe vai ao local verificar se procede as informações. A verificação é feita em até sete dias. 

As reclamações podem ser feitas no site http://www.aguasdeteresina.com.br/contato/; pelo telefone 0800 226 2000; através do 115; WhatsApp (86) 98124-3199 ou em uma das oito lojas de atendimento localizadas nos seguintes endereços:

- Buenos Aires: Rua Engenheiro Alves de Noronha, s/n.

- Centro: Rua Governador Raimundo Artur de Vasconcelos, 2438.

- Itararé: Avenida Joaquim Nelson, s/n.

- Parque Piauí: BR 316, s/n.

- Santa Maria da Codipi: Rua Ministro Sérgio Mota, s/n.

- Espaço da Cidadania, Shopping Rio Poty: Av. Marechal Castelo Branco, 911.

- Shopping da Cidade: Praça da Bandeira, s/n.

- Show Auto Mall: Avenida Joao XXIII, 5325.

O atendimento presencial nos bairros acontece de segunda à sexta, de 7h às 17h. No Espaço Cidadania do Shopping Rio Poty, é de 7h às 17h, no Shopping da Cidade, de 7h30 às 17h30 e no Show Auto Mall das 7h30 às 13h30.

Água desperdiçada daria para comprar um apartamento por dia

Água desperdiçada daria para comprar um apartamento por dia

Do volume total de água produzida na Capital, 44,89% é desperdiçado. O percentual em dinheiro representa, no mínimo, R$ 371.617,82 diariamente.

Você sabe a quantidade de água que é jogada no ralo todos os dias? Na capital piauiense, ela chega a 44,89% de tudo que é produzido. Segundo a Águas de Teresina, por dia, são produzidos 269.815,94 m³ de água, ou seja, 269.815.935,48 litros por dia. Todavia, 121.127,06 m³, ou 121.127.056,31 litros de água são perdidos diariamente na Capital. Mas o que esses números representam? Transformando em uma equação, que se baseia no valor cobrado pela concessionária de água na taxa mínima praticada em Teresina (que é de R$ 30,68 para o consumo de até 10 m³), esse desperdício é de, no mínimo, R$ 371.617,82 por dia.

Segundo Diogo Freitas, coordenador de Fiscalização da Águas de Teresina, as perdas podem ocorrer de diversas formas, a exemplo da perda aparente, que são os vazamentos nas ruas; ou devido a um hidrômetro com defeito, que não faz a medição correta da água; ou ainda por conta das ligações irregulares, que desviam água para não passar pelo hidrômetro. Também pode ocorrer pelo extravasamento de reservatórios, perdas comerciais e devido aos hidrômetros antigos, que marcam menos do que está passando. 


Foto: Jailson Soares/O Dia

Freitas destaca que a vida útil do hidrômetro é de aproximadamente 5 anos, porém é possível encontrar em Teresina medidores com até 20 anos de uso. Levando em consideração todos estes cenários, o índice de perda é calculado pela Águas de Teresina com base em tudo que sai dos reservatórios em comparação com a água que é medida em cada domicílio. 

“Dentro da perda, a maior parte está fora dos vazamentos, é onde a gente não consegue medir. É produzido na estação de tratamento, mas não conseguimos medir nos medidores. Com o que perdemos seria possível abastecer metade da cidade a mais”, explica Diogo.

Obras de pavimentação acabam provocando vazamentos na rede

As obras de pavimentação pela cidade também têm contribuído para a perda de água no sistema. Isto porque elas mexem com a estrutura da rede, que é antiga, e acaba causando vazamentos. Atualmente, a Águas de Teresina corrige, em média, 5.500 vazamentos por mês. 

“São redes antigas, que não têm como trocar em toda cidade; não dá para sair tirando os anais. Fazemos quando aparece vazamento, porque não podemos deixar toda população sem água e sem mobilidade urbana. A extensão de rede que tem em Teresina é de 2.400 quilômetros. Dá pra ir até Brasília e sobra. Embora doa na gente, a questão dos vazamentos é um problema que só será resolvido a longo prazo”, afirma Diogo Freitas.


"Dentro da perda, a maior parte está fora dos vazamentos, é onde a gente não consegue medir" - Diogo Freitas


Ações para reduzir índice de perda já apresentam resultados 

Há dois anos, o índice de perda de água vem diminuindo na Capital com as ações voltadas para troca de equipamentos de PVC por novas tecnologias. De julho a dezembro de 2017, por exemplo, era perdido 59% do que se produzia pela Águas de Teresina. Já de janeiro a dezembro de 2018, o número baixou para 56%. E, atualmente, o índice de perda alcança 44,89%.

“Nós não conseguimos chegar a 0% da perda da água, nós temos uma meta atual de chegar a 25% em 2027, que é o fim do nosso contrato.  É muito difícil atingir um índice de perda zero, é quase impossível”, argumenta Diogo Freitas.

O coordenador de Fiscalização da Águas de Teresina esclarece que as estratégias para reduzir o índice de perda de água na Capital mudaram. Anteriormente, era feito o reparo dos vazamentos, só que com o grande número de vazamentos, não era observado retorno positivo desse método, pois quando a empresa fazia o reparo em determinado local, com os dias, a pressão da água voltava a danificar outro ponto da encanação. 


Info: O Dia

“Isso ocorria devido ao tempo do material e à qualidade, pois não é adequado para os dias de hoje. As pressões que trabalhamos atualmente são diferentes. Então, nós passamos a substituir o ramal, que é o que liga a rede de distribuição até o cliente”, esclarece o coordenador de Fiscalização da Águas de Teresina, acrescentando que, até agora, já foram substituídos mais de 6 mil ramais na cidade, o que representa, em linha reta, mais de 35 km, já que cada ramal tem, em média, de 5 a 6 metros.

Já de 2018 para 2019, comparando mês a mês, houve uma redução de 10% no número de vazamentos. Para Diogo Freitas, este resultado é motivado pelo Centro Operacional, que funciona da seguinte maneira: antes do cliente ligar, o sistema mostra que a pressão da água está baixa em determinada área. O primeiro passo é ver se tem vazamento aparente. Caso não haja, começa o trabalho de detecção de algum vazamento não aparente.

Continue lendo emRegularização fundiária contribui para padronização 

18 de outubro de 2019

Especial 'Dia do Poeta': poesia de cordel - trovas e rimas populares

Especial 'Dia do Poeta': poesia de cordel - trovas e rimas populares

Paulo Henrique Pereira despertou para escrita de cordel quando tinha apenas 8 anos

Mônica Gentil lembra que a poesia de cordel já existia há muitos anos. Antigamente, era possível vê-las em rimas populares, trovas e repentes. Hoje, ela está nas novelas, em programas de televisão, declamada pelo cearense Bráulio Bessa e nas redes sociais.

Paulo Henrique Pereira, de 24 anos, é natural de Picos (PI), mas mora na cidade de Jaicós (PI), a 364 km de Teresina. Ele utiliza o Instagram para divulgar seu trabalho de cordelista, atualmente tem mais de 10 mil seguidores. Mas o despertar para escrita de cordel surgiu quando ele tinha apenas 8 anos.


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“Comecei a escrever depois que ganhei um folheto de cordel de presente da minha mãe, ‘As proezas de João Grilo’. E foi amor à primeira vista. Desde então, procuro escrever sobre conflitos da vida. Eu venho de família pobre, a gente passou por muita dificuldade, teve muitos casos de suicídio. Então meus cordéis são de superação, minha poesia fala sobre luta, sobre vencer os desafios”, diz Paulo Henrique Pereira.

Um dos seus cordéis que ganhou espaço e alcançou outros estados foi o texto “Dar um fim a própria vida nunca será a solução”, que o picoense escreveu logo após perder três pessoas da sua família, que se suicidaram.


Hoje Paulo Henrique Pereira, de 24 anos, tem mais de 10 mil seguidores no Instagram - Foto: Reprodução/Instagram

Alerta

Apesar do sucesso das poesias nas redes sociais, a professora Mônica Gentil diz que lhe preocupa a instantaneidade da internet, que faz com que tudo seja fugaz. “O tempo exigiu do poeta que se renovasse. Antes, os jovens procuravam livro, hoje procuram praticidade nas redes sociais. Você pode ler bons textos como de Fernando Pessoa na internet, mas não tem a magia de um livro. No livro você para, chora, ri. Já as redes sociais têm que ser rápidas. A minha preocupação é que a rede social não dá espaço para o jovem pensar, porque tem que ser rápido e tem outro texto para ser lido”, conclui Monica Gentil.


Dar um fim a própria vida nunca será a solução 

Perceba que a dor

Por mais que seja grande

Não cresce o bastante

Pra ser maior que o amor

Ele que é o curador

Quem devolve a satisfação

Põe fim na escuridão

Faz com que você resista

Dar o fim à própria vida

Nunca será a solução

Por isso, passe a se amar

Valorize sua existência

Tenha fé e paciência

Nunca pare de sonhar

Você tem tanto pra realizar

Acredite nisso, irmão

Segure firme na mão

De uma pessoa amiga

Pois dar o fim à própria vida

Nunca será é a solução.


Novos poetas disseminam sensibilidade nas redes sociais

Novos poetas disseminam sensibilidade nas redes sociais

O piauiense Ítalo Lima, por exemplo, leva para seu perfil no Instagram leveza, objetividade e discussões atuais, traduzindo sentimentos em palavras.

A poesia está em toda parte. É possível ver versos com reflexões sobre o mundo em livros, grafites, pichações, cordel, repentes e nas redes sociais. A pós-modernidade trouxe um novo olhar das rimas para os poetas que, no próximo dia 20, comemoram sua criatividade, imaginação e sensibilidade com as palavras. 

Segundo a professora de Literatura, Mônica Gentil, quando se fala em poesia, logo se associa a poiêsis, da época de Aristóteles, que nada mais é que o fazer literário, que não está ligado à rima ou estrofes.


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“Quando surgiram os textos de poesia como literário, se tinha a escrita poética, dramática, narrativa. Já os textos líricos eram em primeira pessoa, o eu lírico, e, por meio destes versos, ficou a ideia de poesia”, explica Mônica Gentil.

Todavia, com o tempo, a poesia tradicional, com quartetos, sextetos e versos alexandrinos, deram espaço a uma liberdade literária, que não segue com rigidez a questão da estrutura.

Ítalo Lima, por exemplo, é um poeta versátil. Ele diz que a poesia o encontrou precocemente, o acolheu desde os 14 anos. Mas que somente aos 18 anos, ele acreditou em seu talento e resolveu escrever para sobreviver em meio aos conflitos.


Foto: Reprodução/Instagram

“Pode soar esquisito, mas eu busco sempre minhas inspirações onde a dor faz morada. É no sorriso que você disfarça. Nos olhos aflitos que todo mundo esconde. Na solidão que a gente ameniza. No adeus dito em voz trêmula. Em toda dor que a gente esconde minha poesia quer fazer de abrigo. Minha matéria-prima é fazer da dor poemas em linhas tortas”, descreve Ítalo Lima. 

Os textos nas redes sociais pedem leveza, objetividade e discussões atuais. O poeta tem mais de 17 mil pessoas seguindo seu perfil no Instagram, onde busca diversificar os temas da sua poesia. Além disso, o teresinense escreve para uma revista local. São textos distintos, que trazem um pouco da alma do escritor. 

“Atualmente, eu escrevo na coluna da Revista Revestrés e é sempre com um texto inédito. Nesse espaço eu me cobro mais, tento sempre dar o máximo de mim. Não que nas minhas redes sociais eu seja mais relaxado, eu só busco ser mais abrangente e diversifico ao máximo o tipo de conteúdo. Nas minhas redes, eu posso assumir várias personas e, ainda sim, ser eu mesmo, que dorme e acorda aflito e que tem boleto pra pagar”, conta Ítalo Lima.