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Notícias Especiais

19 de fevereiro de 2020

Cortes de bolsas em instituições também causam impacto social

Cortes de bolsas em instituições também causam impacto social

Pró-reitor destaca que, além de trazer prejuízos no campo de pesquisas e inovação, os cortes prejudicam financeiramente os alunos.

No Instituo Federal do Piauí (Ifpi), diversos cursos foram afetados com o corte das bolsas em 2019, como Mecânica, Biologia, Informática, Eletrônica, Eletrotécnica, entre outros. A maior parte das bolsas de pesquisa é voltada para a área de convivência com a seca e produção agrícola no Piauí, “pois é uma área muito sensível, especialmente em um Estado como o nosso, na produção de alimento, do semiárido e sertão piauiense”, disse pró-reitor José Luís de Oliveira e Silva.


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O valor das bolsas varia de R$ 100 a R$ 400, sendo R$ 100 para bolsas de Ensino Médio, pagas pelo CNPQ, e R$ 300 as pagas pelo Ifpi, além de bolsas de Ensino Superior, de R$ 400. O corte tem prejudicado os alunos, não somente de forma acadêmica, mas também familiar.


O corte das bolsas em 2019 afetou áreas como Mecânica, Biologia, Informática, Eletrônica, Eletrotécnica - Foto: Arquivo O Dia

“A bolsa ajuda muitos alunos. Em média, 80% dos alunos do Ifpi são de classe D e E, de classe baixa, muitas vezes são famílias compostas por oito membros, onde só um trabalha e tem fonte de renda. Então, uma instituição como o Ifpi, para além da Educação em si, oferece uma ajuda financeira para essas famílias, porque esses jovens se alimentam dentro do Ifpi, o que já é uma economia dentro de casa; recebem algum tipo de bolsa e isso ajuda no sustento da família”, conclui o pró-reitor de Pesquisa.

Situação na Uespi e Ufpi

Procurada pela reportagem de O DIA para saber a situação das bolsas ofertadas, a Universidade Estadual do Piauí (Uespi), por meio da Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa, informou que não houve cortes em 2019. Segundo a universidade, atualmente, há 9 bolsas Capes (sendo 5 de Letras; e 4 do Mestrado em Química), as quais não sofreram nem cortes nem atrasos. Além disso, a instituição conta também com 12 bolsas pagas pelo Governo do Estado. Essas, em 2019, tiveram um atraso, mas também não houve cortes.

Já a Universidade Federal do Piauí (Ufpi) foi procurada pela reportagem, mas não deu retorno até o fechamento desta edição.

Instituto Federal do Piauí estima redução de 40% no orçamento para 2020

Instituto Federal do Piauí estima redução de 40% no orçamento para 2020

Pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação teme que prejuízo chegue às bolsas de mestrado e doutorado.

Quase um ano após o corte de bolsas de pesquisas nas universidades e institutos federais do país, as instituições ainda sofrem com a repercussão do caso. O Instituto Federal do Piauí (Ifpi), por exemplo, estima que ocorra uma redução de 40% do orçamento enviado para 2020, o que pode voltar a prejudicar os programas de bolsas.

Segundo José Luís de Oliveira e Silva, pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do Ifpi, em 2019, 23 bolsas chegaram a ser canceladas devido ao corte autorizado pelo Governo Federal e, após quatro meses, a instituição conseguiu reaver algumas delas. 

“Ano passado, tivemos um cancelamento inicial de 23 bolsas de CNPQ, que é a minoria na instituição, pois a maior parte das bolsas são pagas com recursos do próprio Ifpi. No Fórum de Pró-reitores de Pesquisa, que congrega instituições do Brasil inteiro, conseguiram reverter algumas dessas bolsas, mas ainda assim causa prejuízo. Com o cancelamento de quatro meses, quando o sistema reabriu para que pudéssemos implementar, contou esse tempo que estava fechado. Reavemos as bolsas, mas não com o pagamento integral, assim, os alunos só receberiam referente a sete meses”, explica José Luís de Oliveira e Silva.


Ano passado foram canceladas 23 bolsas de CNPQ no instituto federal - Foto: Arquivo O Dia

O pró-reitor comenta que, atualmente, estão sendo finalizadas as bolsas pagas com recursos do próprio Ifpi, que somam quase 480, mas lamenta que as bolsas deste ano possam ser afetadas e pesquisas sejam paradas devido à falta de orçamento.

“Infelizmente, para o ano de 2020, se prevê uma diminuição drástica, uma vez que essas bolsas são pagas com os nossos recursos. Ainda não sabemos quantas bolsas serão ofertadas, mas estamos lutando para que não acabe. No melhor cenário, sabemos que haverá uma diminuição drástica no número de bolsas. Além disso, estão sob ameaça as bolsas dos mestrados, que o MEC informou que vai diminuir, mas ainda não deu uma previsão, assim como foram suspensas ofertas de novas bolsas para doutorado”, acrescenta.

18 de fevereiro de 2020

A mulher precisa se perceber para tomar posição contra a violência

A mulher precisa se perceber para tomar posição contra a violência

Psicóloga diz que não pode impor que mulher saia de relacionamento abusivo. Essa é uma decisão pessoal, a partir de seu fortalecimento.

“As mulheres foram ensinadas que, quando você casar, tem que baixar a cabeça quando o seu marido mandar limpar a casa, fazer comida. Por mais que sejam atitudes que não há agressão, mostra o machismo muito forte. E ainda se ele briga com você, ele tem razão. Mas a gente percebe que isso vem mudando”, explica a psicóloga Amanda Graziela. 


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A profissional também destaca que a mulher, que está vivendo um relacionamento violento e/ou abusivo, precisa entender e querer sair dele. “Não posso impor sobre a mulher que ela saia do relacionamento, é preciso fortalecer a mulher e isso acontece com a ampliação da consciência. Porque ela sabe que aquilo faz mal, mas ela precisa se perceber para tomar a posição. Geralmente, as mulheres que denunciam, voltam e tiram a queixa. Quando ela tem autonomia e fortalecimento, ela pode até retirar, mas ela fez aquilo por entender a situação”, diz Amanda Graziela.


Amanda Graziela afirma que violência e submissão da mulher foram construídas culturalmente - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Sobre relacionamento amoroso onde a mulher sofre agressão, a psicóloga lembra que é preciso ter um equilíbrio e doação de ambos. Quando não há reciprocidade e um quer se sobrepor ao outro, pode causar problemas.

“Muitas pessoas entendem errado a Maria da Penha e acham que é só violência física, mas as agressões são morais, sexual, patrimonial, psicológica. É importante ver em que grau você está. Mas hoje estamos lutando contra isso, porque as mulheres de referência são as empoderadas, que têm autonomia”, fala Amanda Graziela.

Centro de Referência Esperança Garcia oferece apoio a mulheres vítimas de violência

O Centro de Referência Esperança Garcia foi implantado em março de 2015 com o objetivo de atender as mulheres que sofrem violência. O atendimento é multidisciplinar, com psicóloga, assistente social e assessoria jurídica. Mas de acordo com a coordenadora do centro, Roberta Mara, somente estas atividades não seriam suficientes para dar autonomia e empoderamento às mulheres.

“A nossa proposta não é que a mulher denuncie, mas que ela perceba a necessidade, que ela faça, mas que ela também queira [denunciar]. Por isso, incluímos o grupo reflexivo com temáticas diferentes. As práticas integrativas, que são massagem relaxante, florais, reiki, atividades coletivas como cinema, piquenique e a beleza oculta, buscam a autoestima dessas mulheres. Tem mulher que nunca se maquiou, pois o agressor não deixa; não corta o cabelo porque o marido diz que quer que ela fique daquele jeito”, descreve Roberta Mara. 

“A gente não quer que ela rompa com o agressor, mas que rompa com a violência.  E o agressor muitas vezes está reproduzindo o que aprendeu com os pais e avôs. Buscamos desnaturalizar a violência, a mulher tem que perceber que a violência não é natural; e, com autonomia, ela que vai decidir”, destaca Roberta Mara.


Roberta Mara diz que atendimento no Centro é multidisciplinar - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Serviços

O Centro de Referência Esperança Garcia atende mulheres, de 18 a 59 anos, que foram encaminhadas por alguma unidade de saúde ou porque ouviram falar do Centro. 

Em 5 anos, mais de 600 mulheres foram atendidas no Centro. Ao todo, foram 1.000 atendimentos, pois cada atendimento é contado como único.

“A gente vai desligando a mulher quando percebe que ela já tem autonomia, ou ela desiste. Temos uma meta de 150 mulheres ao ano. Atualmente, temos 172 inseridas. Têm as que vêm sistematicamente e ou pontualmente, essas a gente não desliga com curto prazo, a gente fica monitorando e orientando por telefone”, finaliza Roberta Mara.

Para mais informações sobre o Centro de Referência Esperança Garcia, basta ligar para (86) 3233- 3798.

Uma em cada três mulheres sofre violência física ou sexual

Uma em cada três mulheres sofre violência física ou sexual

Mulher detalha como começou a perceber a agressividade do companheiro e hoje não está mais com ele

“Teve um dia que eu estava mexendo no meu telefone e ele bateu na minha perna dizendo ‘você pensa que eu sou idiota?’. E eu estava conversando com umas amigas que falavam sobre relacionamento abusivo e desceu uma lágrima. Ele pensou que eu estava falando com um homem. Outro dia, ele bebeu muito e deu um murro na televisão e eu fiquei pensando que se ele bateu na televisão, ele poderia me bater também e eu precisava me sair. São pequenas coisas que chegam até o feminicídio”. Esse relato é de Bárbara Silva*, uma lutadora de jiu-jítsu, que tem 28 anos e duas filhas, e mesmo sendo independente e sabendo se defender, foi vítima de violência doméstica

Bárbara faz parte dos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que revelam que aproximadamente uma em cada três mulheres, ou seja 35% da população feminina em todo o mundo, sofre violência física ou sexual por parte do parceiro ou de terceiros durante a vida.

“Eu vivi um relacionamento com um rapaz durante 8 anos. E após várias decepções amorosas, encontrei esse rapaz e com ele eu vivia presa, ele mexia com meu psicológico, era ciumento e eu não aguentava mais, porque eu só pensava nele e isso me sufocou, eu não conseguia trabalhar, não tinha amizades”, lembra Bárbara.


Segundo a OMS, o Brasil é o quinto maior do mundo em homicídios contra mulher - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Este mês, a lutadora se livrou do parceiro que a torturava. Ela contou com a ajuda de uma amiga que também viveu um relacionamento abusivo. Ao decidir sair de casa, o ex-companheiro se ofereceu para levar a mudança de Bárbara, pois queria saber o seu novo endereço; mas ela não aceitou a ‘ajuda’.

“Eu consegui o dinheiro emprestado para pagar o frete e levar as coisas pra casa da minha amiga. E hoje estou me sentindo leve. Eu me encorajei e mostrei pra ele que ele também conseguia viver sem mim”, desabafa.

O relacionamento da lutadora começou de forma repentina. Em um mês já estavam morando juntos. E o então companheiro começou a ficar agressivo com as filhas da Bárbara, com os pais e com ela.

“Eu meio que supri uma necessidade. Como ele entrou na minha vida como um príncipe, ele me fez ser dependente, e aquela mulher que criou as filhas, que cuidava dos pais doentes, não existia mais. Eu sei quem eu sou, a mulher que cuida de tudo e eu não quero mais um homem mandando em mim”, empodera Bárbara Silva.

* Nome fictício usado para preservar a identidade da vítima

“Ele colocava a faca no meu pescoço e perguntava se eu duvidava que ele me matasse”

O Brasil é o quinto maior do mundo em homicídios contra mulher, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O índice aponta que são 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres. A maioria dos crimes é cometida dentro de casa, por pessoas próximas às vítimas. O número de notificações de agressões também é assustador. Em 2017, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde registrou 230.078 casos de agressão física doméstica contra mulheres.

Regina Moraes* sofreu violência psicológica, física e moral. Ela estava casada há 2 anos e tem uma filha de 5 anos. “Ele me dizia coisas como: ‘Eu não te quero mais’, ‘vai procurar um macho’, ‘vai viver a sua vida’, ‘nega macaca’, ‘você não vale nada, é vagabunda’. Ele colocava a faca no meu pescoço e perguntava se eu duvidava que ele me matasse. E ele falava alto para minha mãe escutar, e eu ficava com medo porque ele queria colocar minha família no meio. Queria ver sangue e eu não. Eu só fazia chorar, e pensei que eu não queria viver minha vida toda desse jeito”, lamenta.

Regina está separada há mais de um ano, mas as consequências psicológicas ainda são sentidas. Ela tem crises frequentes e buscou ajuda psicológica após procurar a Defensoria Pública do Piauí para pedir a retirada do companheiro da casa.

“Depois do casamento, ele mudou completamente, tanto fazia eu sofrer como minha mãe que estava debilitada, e com isso piorou. Ele vinha com agressões pra mim, minha mãe escutava e passava mal; ele me xingava, me agredia, eu saia correndo. Eu não deixei tudo isso afetar minha filha, mas mesmo ela sendo pequena, ela lembra que ele quebrou a porta. Mas digo que agora ele está bem, vivendo com outra mulher, e eu estou bem também”, fala Regina.

Um dos principais motivos que levou Regina a sair da violência foi um pedido da sua mãe antes de falecer. Atualmente, a sua principal arma é o sorriso no rosto e a busca por independência.

“Quando minha mãe estava no leito na morte e disse que não queria ver eu sofrendo com essa vida, foi o ponto final. Eu prometi que ia resolver minha vida e me separar dele. Minha mãe não o viu saindo da casa, mas aonde ela estiver, ela está vendo que eu estou bem e feliz”, conclui Regina.

* Nome fictício usado para preservar a identidade da vítima

15 de fevereiro de 2020

Vestimentas e adereços provocam discussão de gênero em Teresina

Vestimentas e adereços provocam discussão de gênero em Teresina

De acordo com a designer de moda e estilista, Sara de Paula, o estilo importa muito mais do que o gênero.

Moda tem sexo? Faz bem pouco tempo que as discussões sobre gênero tomam conta das redes sociais, do dia a dia das pessoas e até dos veículos de imprensa que buscam acompanhar as tendências da sociedade. De acordo com a designer de moda e estilista, Sara de Paula, a indústria da moda sempre foi receptiva a ideias transgressivas, o estilo importa muito mais do que o gênero.

“Nós somos seres visuais e roupa sempre foi, digamos assim, uma extensão do nosso corpo. As roupas ultrapassam as barreiras de gênero. Então hoje não existe mais isso, de roupa masculina e feminina. O que vai existir é uma versão para homens e mulheres”, conta.

No entendimento da estilista, as marcas estão certas ao se alinharem às discussões impostas pela sociedade. A moda, segundo ela, vive um momento de repaginação do passado.

“As pessoas tendem a julgar as outras pelas roupas, principalmente quando a gente se fala em tamanho de roupa, sejam elas curtas, longas, cortadas, furadas... E a gente sabe que roupa não define caráter de ninguém. A moda vive numa fase repaginação do passado, diria da década de 20 aos anos 2000. Então hoje, vai muito do seu estilo e do que você se identifica”, esclarece Sara.

A estudante de Direito Clara Martins, de 21 anos, é adepta as novas tendências do mundo da moda. Ela conta que por muitas vezes deixou de usar determinadas roupas por vergonha do próprio corpo. Hoje, essa barreira foi superada.


Vestimentas e adereços provocam discussão de gênero em Teresina. Arquivo O Dia

“Eu tenho gordurinhas no meu corpo e tinha muito receio de usar roupas que mostrassem a minha barriga. Mas desde o ano passado comecei a usar e, sem ligar para a opinião dos outros, coloquei meu bem-estar em primeiro lugar. Aqui em Teresina o sol castiga demais, então é sempre bom usar roupas mais curtas porque acaba sendo mais confortável”, conta.

Semanas atrás, um jovem identificado com Davi Lutasi, de 20 anos, divulgou um vídeo numa rede social onde mostra um funcionário de um Fast Food na zona Leste de Teresina se recusando a atendê-lo devido a sua vestimenta.

O jovem usava uma camisa do modelo cropped, quando foi impedido de comprar no estabelecimento. A empresa do ocorrido chegou a demitir o funcionário envolvido no caso, mas após uma reunião com Davi, decidiram pela readmissão do trabalhador. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e levantou a discussão sobre usa de diferentes roupas em locais públicos e privados.

O “Top Cropped” foi o nome que receberam as blusas curtas que deixam parte da barriga à mostra. Seu surgimento foi nos anos 80, usada por homens e mulheres não apenas para a prática esportiva, mas por bandas como Spicy Girls que influenciaram uma geração de adolescentes.

“O cropped é peça que não se resume apenas ao top. Na verdade, é uma roupa mais curta, ou seja, pode ser uma calça mais curta, jaqueta, uma camiseta cortadinha... Então é uma vestimenta muito adequada para Teresina, por causa do calor”, explica Sara de Paula.

12 de fevereiro de 2020

Amado Batista comemora 44 anos de carreira e visita o Sistema O DIA

Amado Batista comemora 44 anos de carreira e visita o Sistema O DIA

Em quatro décadas de história, Amado Batista não apenas ganhou milhares de fãs como também passou a fazer parte da cultura brasileira com seu jeito próprio de produzir canções.

Sucesso nas rádios e nos corações apaixonados de milhares de fãs durante quatro décadas, Amado Batista, de 68 anos, comemora 44 anos de carreira de forma especial: o lançamento comemorativo em CD e DVD de seus maiores sucessos denominado “Amado Batista – 44 anos”. Na tarde desta quarta-feira (12), o artista visitou os estúdios do Sistema O DIA de Comunicação e concedeu uma entrevista à FM O DIA.

Amado Batista e seu filho Rick Batista. Foto: Elias Fontenele.

“Muitas coisas boas aconteceram, muitas músicas boas surgiram. Graças a vocês que sempre tocaram as minhas músicas, mostraram o meu trabalho para as pessoas. Sou muito grato a todos vocês”, disse.

Antes mesmo de entrar no prédio, Amado foi recepcionado por fãs que distribuíram muito carinho. Maria Deuzimar, de 59 anos, mora no bairro Piçarreira e se emocionou ao abraçar o artista que, segundo ela, fez parte da sua adolescência.

“Desde os meus 15 anos sou apaixonada pelas músicas do Amado Batista. É uma emoção que vem de dentro, não sei explicar. Cheguei no prédio era antes das 13h, já são quase 16h. Moro na Piçarreira e estou muito feliz por esse momento”, conta.

Amado Batista. Foto: Elias Fontenele. 

Em quatro décadas de história, Amado Batista não apenas ganhou milhares de fãs como também passou a fazer parte da cultura brasileira com seu jeito próprio de produzir canções. Nos anos 70, teve a ideia de unir a sonoridade das modas de viola, o apuro melódico da Jovem Guarda, o viés popular da música brasileira e escreveu músicas em forma de crônica.

O projeto “Amado Batista – 44 anos” traz as músicas mais tocadas e visualizadas do cantor no YouTube durante quatro décadas. Na rede social, ele possui mais de 300 milhões de visualizações. São 17 faixas além de três músicas inéditas para ninguém botar defeito.

“Foi muito fácil fazer esse projeto porque são as músicas mais visualizadas e ouvidas no YouTube no mundo. Então escolhi as 17 com maiores visualizações e coloquei três músicas inéditas. Eu ia colocar duas, aí aparece meu filho (Rick Batista) compondo maravilhosamente bem”, brincou.

Filho segue os passos do pai

Rick Batista falou como é ser filho de um dos cantores mais renomados da música brasileira. Seguindo os passos do pai, o artista lançou a música “Golpe Fatal”, que já ganhou as rádios do Brasil e do mundo. Os outros dois lançamentos vêm logo na sequência, "Larga Tudo e Vem Correndo" e "Amor".

“Não pesa ser filho do Amado. Meu pai é muito amigo, temos a mesma mentalidade na questão musical e isso faz com que nos demos muito bem. É muito gratificante ter meu pai como meu conselheiro, meu amigo, parceiro... A cada dia que passa, eu percebo o quanto eu sou parecido com ele. Então, meu pai pra mim é meu ídolo, meu rei”, disse.

Os sucessos

Mesmo sobrevivendo à diversidade musical existente na sociedade, o “Amado Batista – 44 anos” presenteia os fãs com hits de todas as fases, primeiro, "Desisto", de 1977, lançado inicialmente em compacto.

Dos anos 80, "Seresteiro das Noites", "Chance", "Mulher Carinhosa", "Ex-Amor" e "Folha Seca". As duas últimas trazem Jorge, da dupla Jorge e Mateus, e Simone e Simaria como convidados, respectivamente.

Já para os apaixonados dos anos 90, o trabalho contempla sucessos como "Princesa", "Amar Amar", "Quem Foi o Ladrão", "Não Quero Falar com Ela" e mais duas com convidados e amigos. Junto a Moacyr Franco, visivelmente emocionado, canta "Madrugada na Cidade".

Com o cantor Kell Smith, Amado Batista faz dueto em "Separação". Do novo milênio, o artista canta "Estou Só", "Alucinação" e "Solidão Sem Fim". 

Em quatro décadas de história, essa é 40º lançamento. Ao final do projeto, Amado Batista homenageia o filho na última canção, onde mostra a pegada romântica em "Da Porta Para Fora". 

10 de fevereiro de 2020

Advocacia Geral da União busca proximidade com os piauienses

Advocacia Geral da União busca proximidade com os piauienses

O Jornal O Dia conversou com o Procurador Chefe da Procuradoria Federal no Piauí, Caio Coelho; e com o Procurador Chefe da Procuradoria da União, Sergio Miranda.

Buscar uma relação mais próxima com a sociedade é uma das metas da Advocacia Geral da União (AGU) para o ano de 2020 no Piauí. Com uma estrutura enxuta, o órgão, que tem como missão manter o controle jurídico da União e proteger o patrimônio público, trabalha para aumentar a produtividade e responder às demandas. Atualmente a AGU no Piauí conta com 54 Procuradores Federais, 16 Advogados da União e 12 Procuradores da Fazenda Nacional. O Jornal O Dia conversou com o Procurador Chefe da Procuradoria Federal no Piauí, Caio Coelho; e com o Procurador Chefe da Procuradoria da União, Sergio Miranda. Os gestores analisam o desempenho da AGU nos últimos anos e apresentam as metas para 2020 no Piauí.

Que balanço é possível fazer das atividades da AGU no Piauí nos últimos anos? O saldo é positivo?

Caio Coelho - Os resultados são muito positivos, mas o nosso anseio é sempre evoluir, nunca se contentar com o que foi feito. A ideia é apresentar o que foi feito, mas sempre buscar evolução. A nossa premissa para evolução é sempre atuar com muita governança e com muita inovação, buscando, de fato, concretizar políticas públicas do Estado. Políticas públicas são ações do Estado para promover diretos que a Constituição garante aos cidadãos. No ano passado, nós atuamos nos mais diversos eixos. Podemos destacar a atuação na infraestrutura, no eixo social, na redução de litigiosidade. O que é redução de litigiosidade? São ferramentas para o processo judicial andar de forma mais rápida, de forma que o cidadão tenha o direito que ele pleiteou reconhecido. Na infraestrutura, a título de exemplo, a gente atuou ativamente em diversas rodovias federais, seja pela consultoria jurídica da União, seja pela Procuradoria Federal. No eixo social, temos atuação no Exame Nacional do Ensino Médio, que recentemente foi possível derrubar uma liminar que impediria a matrícula de mais de 2 milhões de candidatos no SISU. Fizemos acordos na matéria previdenciária. A gente sabe que no estado do Piauí, os nossos municípios dependem muito do Fundo de Participação e também dos valores pagos a título de benefícios da Previdência Social. Ano passado, nós firmamos quase 14 mil acordos em matéria previdenciária que representam uma distribuição de renda no montante de mais de R$ 100 milhões.

De modo geral, a população ainda desconhece o papel da AGU? É preciso ampliar divulgação desse papel?

Caio Coelho- De certa forma, sim. Esse é um dos motivos que nos levam a fazer essa prestação de contas. A população precisa conhecer o que é feito, e que vem sendo muito bem feito. Temos a certeza que a cada ano procuraremos fazer o melhor. A sociedade ainda desconhece o papel da Advocacia Geral da União, que é uma instituição que transita nos mais diversos cenários, nos mais diversos fóruns. É uma instituição que tem sido muito importante para o estado brasileiro. Temos tido um papel de protagonista em diversos setores. Nesse ano, por exemplo, nós participaremos da concessão do aeroporto de Teresina, que será um grande avanço, trará investimentos, mais conforto para os usuários.

Sérgio Miranda- A sociedade ainda vê muito a gente como aqueles que estão lá para defender o Estado quando demandados. Não é só esse o nosso papel. O papel da Advocacia Geral da União é muito mais amplo. Nós atuamos em diversas áreas, desde a formulação da política pública até no contencioso. Muitas vezes a sociedade não tem ideia do papel, da dimensão do que é o nosso trabalho. Nós atuamos também, através da Procuradoria da Fazenda Nacional, na arrecadação tributária, que movimenta toda a máquina do Estado. Atuamos, de modo a garantir os interesses da sociedade, através do ajuizamento de ações civis públicas de interesse coletivo. Então, o nosso papel, de fato, ainda é muito desconhecido pela sociedade.

Caio Coelho- Esse ponto das ações públicas é interessante, porque no ano passado aconteceu a questão do óleo nas praias. Uma atuação enérgica e eficiente foi a da Advocacia Geral da União, em conjunto com a Marinha, Ibama e ICMBio, para que de fato fosse possível identificar e responsabilizar quem realmente realizou esse dano ambiental.

Em relação aos chamados acordos de Leniência, qual a atuação da AGU nesse sentido? De que forma isso beneficia a população?

Caio Coelho - Os acordos de leniência são capitalizados principalmente pela Procuradoria Geral da União. Tomo a liberdade aqui até de trazer um dado concreto. No ano passado, o Advogado Geral da União anunciou que vão ser recuperados quase R$ 7,5 bilhões em acordos de leniência, envolvendo grandes empresas, principalmente do eixo da Construção Civil. O acordo de leniência é uma ferramenta importante porque ele visa a reparação do dano, visa a devolução do que foi enriquecido ilicitamente, ou seja, aquilo que foi desviado e mais, ainda tem a culminação de multas. Fora esse aspecto de retorno ao estado, tem o aspecto de tentativa de manutenção da atividade econômica.

Sérgio Miranda - Eu acho que um dos pontos mais importantes do acordo de leniência é possibilitar que a empresa continue desenvolvendo suas atividades, todavia, dentro da legalidade. A empresa vai fazer um ajustamento da sua conduta para atuar dentro da legalidade.

A AGU acompanha a aplicação desses valores que retornam aos cofres públicos?

Sérgio Miranda- O acordo de leniência é firmado junto à controladoria geral da união e Advocacia Geral da União. São esses dois órgãos que atuam junto a esses acordos. Os recursos desviados são devolvidos ao órgão que sofreu o dano e ele será o responsável por aplicá-lo. Há um acompanhamento por parte da Controladoria e havendo algum indício de irregularidade e de desvio isso é comunicado à Advocacia Geral da União para que adote as medidas judiciais. Um detalhe é que aqui no Piauí nós não tivemos nenhum acordo de leniência, porque não houve nenhuma empresa ainda em um caso de corrupção que ensejasse um acordo de leniência.

Em relação ao trabalho da AGU no Piauí, o orçamento anual destinado é o suficiente para suprir as demandas, ou existe um déficit orçamentário?

Caio Coelho- a gente vive em um momento de reorganização fiscal do estado brasileiro. Acho que cabe a todos as instituições públicas tentar se readequar e o caminho para isso é a inovação. A gente tem que fazer mais com menos. O Brasil enfrentou uma crise fiscal muito grande, ainda está enfrentando. Todo o serviço público é consciente disso, por isso temos que ter a responsabilidade com a coisa pública, de forma a produzir sempre mais com menos. Então, essa questão orçamentária é uma decisão da Presidência da República, e a nossa missão aqui é fazer frente e, se possível, até economizar.

Sérgio Miranda- É uma realidade que não é só nossa da Advocacia Geral da União, é uma realidade nacional. Essa crise que atingiu o país teve repercussão generalizada. O que nós temos que fazer é buscar a inovação, investir em tecnologia, para que a gente possa trabalhar cada vez mais com um aumento de demanda, que nós recebemos no dia a dia, com o pessoal e recursos materiais que nós dispomos e devolver a sociedade um trabalho cada vez melhor. Como fazer isso? Com inovação, investimento em tecnologia, para que a gente possa superar essas dificuldades materiais que estamos enfrentando. Sabemos que não é uma coisa que irá ser solucionada a curto prazo, já é necessário que a economia do Brasil melhore, reaqueça, para que os investimentos voltem a ser feitos.

Os senhores falaram que há um projeto de aproximar a AGU da comunidade. Que ações estão no planejamento para o ano de 2020 para, realmente, conquistar essa maior proximidade com a população?

Caio Coelho- Talvez esse eixo é o que precisa ser desenvolvido bem, a nossa divulgação institucional. A informação tem que chegar à sociedade. A sociedade tem que ter a Advocacia Geral da União como referência. Sem contar, um trabalho que nós podemos fazer também com mutirões, em causas previdenciárias, que nós fazemos constantemente. Ano passado tivemos mutirões previdenciários. Mutirões de parcelamento de débitos. Ano passado fizemos um trabalho de divulgação para todos os órgãos da indústria e do comércio, sobre a possibilidade desse parcelamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional tem a rotina também de estar sempre em contato com aquele cidadão, com aquele grupo econômico que queira realmente sanar algum passivo que tem. Então, é um trabalho de vários eixos. É uma construção com o tempo, o que a gente quer fazer.

Sérgio Miranda- A nossa ideia é realmente essa, que haja sempre uma prestação de contas do nosso serviço, para que, cada vez mais, a sociedade nos conheça.

Sobre o planejamento para o ano de 2020, o que é possível destacar? Qual será o foco do trabalho da AGU no Piauí?

Caio Coelho- Dentro da AGU, a gente tem um planejamento estratégico e instrumentos de governança. Estamos montando o plano de ação, mas já existem metas a ser estabelecidas. A eficiência processual, por exemplo, é sempre algo que a gente almeja. A gente quer sempre atuar de uma forma melhor e de uma forma mais célere, até para poder enfrentar esse fenômeno que a gente chama de judicialização, em que tudo hoje vira um processo judicial. A AGU também sofre com isso, porque temos que responder a essa gama de processos. Um levantamento do ano passado, nós chegamos ao número de 200 mil manifestações em processos judiciais aqui no Piauí. É muito processo judicial. Então, a gente tem que atuar muito forte nesse eixo da redução da litigiosidade. Também temos que focar no eixo da inovação na gestão, não se contentar, fazer sempre mais. Tem frase bem interessante, que diz que nós, servidores públicos, não basta sermos assíduos e fazer o nosso trabalho. Temos que pensar além disso. Então, esse é o novo viés do serviço público que a gente quer propor para a AGU.

Sérgio Miranda- No âmbito da Procuradoria da União, acho que o que nós devemos focar realmente é na melhora da atuação. Como fazer isso? Através da redução de litigiosidade. O nosso propósito é entregar ao cidadão o seu direito efetivo. A gente faz isso fazendo a verificação do que é de fato devido. Aquilo que realmente for direito do cidadão, buscar fazer acordos, para reduzir o nosso estoque judicial e reduzir o tempo de duração desses processos. Essa é uma meta para o ano de 2020.

08 de fevereiro de 2020

Petrônio Portella: o senador que negociou o desmonte da ditadura militar

Petrônio Portella: o senador que negociou o desmonte da ditadura militar

Eleito pelo Piauí, Petrônio dizia em seus pronunciamentos que o regime militar era temporário e que a democracia precisava ser retomada

A morte do senador Petrô­nio Portella, 40 anos atrás, deixou a redemocratização do Brasil em suspenso. De forma inesperada, ele morreu em 6 de janeiro de 1980, aos 54 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco. A ditadura estava no meio de um deli­cado processo de desmonte. Cabia a Petrônio desde 1977, em nome do regime militar, negociar com a sociedade, a oposição e até políticos go­vernistas os termos dessa transição e, assim, viabilizar a volta da democracia.

Foto: Divulgação Aquivo Senado.

Todas as medidas de abertu­ra tomadas até então tinham as digitais de Petrônio: a derruba­da do abusivo Ato Institucio­nal 5 (AI-5), a volta do habeas corpus para presos políticos, o fim da censura, a proibição da cassação arbitrária de políti­cos, a reorganização do mo­vimento estudantil, a anistia dos adversários do governo encarcerados ou exilados e o fim do bipartidarismo. Para o processo ser concluído, po­rém, faltavam os últimos e decisivos passos: as eleições diretas, a saída dos militares do poder e uma nova Cons­tituição.

Há 40 anos, o Brasil ficou com medo de que, sem mais contar com a ação política de Petrônio, o governo do gene­ral João Figueiredo não resis­tisse à pressão da linha dura e a redemocratização acabasse sendo empurrada para um futuro distante ou até mesmo abortada.

Petrônio Portella tornou­-se senador em 1967, elei­to pelo Piauí. Documentos históricos guardados no Ar­quivo do Senado, em Brasí­lia, mostram que, apesar de pertencer à Arena (partido governista) e ser alinhado aos generais do Palácio do Planal­to, ele insistia, em seus pro­nunciamentos, que o regime militar era temporário e que a democracia precisava ser re­tomada. Mas fazia isso, claro, sem atacar os governos dos quais fazia parte.

— Não vou negar, aqui da tribuna, que as instituições es­tão sob controle. Longe ainda estamos do caminho da demo­cracia — declarou ele, em tom de lamento.

— Vivemos momento de ex­cepcionalidade. Não modela­mos na plenitude o nosso sis­tema político, já aperfeiçoado, mas ainda por tomar a forma definitiva, em que a segurança se concilie com a liberdade — afirmou em outra ocasião.

— O Ato Institucional nú­mero 5 é transitório, como transitório é o processo de qualquer revolução — disse.

Da mesma forma, o senador nunca disfarçou o incômodo diante das violências pratica­das pela ditadura.

— Sinto indignação — dis­cursou ele, depois que policiais invadiram a Universidade de Brasília (UnB) para espancar e prender estudantes. — Mas faço a diferença fundamental entre o governo da República e beleguins policiais que de­sobedecem às autoridades e exorbitam nas diligências. Sua Excelência [o presidente Cos­ta e Silva] fica com a nação, que pede providências e se solidariza com os estudantes, injustamente pisoteados pela política.

— Digo de forma frontal, sem subterfúgios: tanto sou contra a violência daqueles que querem regimes totalitá­rios como sou contra a vio­lência daqueles que, detendo o poder, dele abusam. Esta, a minha norma — respondeu a um senador do MDB (parti­do da oposição) que o acusara de ser crítico da violência dos “subversivos” e complacente com os abusos do governo.

 O negociador: entre a linha dura e a oposição

 Petrônio Portella presidiu o Senado duas vezes, em 1971-1972 e 1977-1978. Foi no último período que ele alcançou o posto de negociador da abertura. O presidente da vez era o ge­neral Ernesto Geisel, que havia chegado em 1974 com o plano de iniciar a “disten­são” (como ele chamava a abertura do regime). Para ajudá-lo na missão, convo­cou Petrônio.

Era uma missão difícil. O senador precisaria dobrar tanto a linha dura (militar e política), que desejava man­ter a ditadura a qualquer custo, quanto a oposição (MDB e organizações re­presentativas da sociedade), que queria dinamitar o regi­me militar já.

Foto: Divulgação Aquivo Senado.

O presidente do Sena­do sabia que, diante das circunstâncias, a abertura só se tornaria realidade se fosse feita passo a passo, de forma controlada e com salvaguardas para aqueles que estavam no governo. Eles, afinal, só aceitariam sair do poder tendo a ga­rantia de que não seriam vítimas de revanche. Pe­trônio, portanto, teria que convencer a linha dura e a oposição a ceder nas suas posições e a aceitar o ca­minho intermediário.

— Cometem um erro gravíssimo os políticos que tentam forçar as pare­des do regime — afirmou o senador, referindo-se à tática oposicionista de ba­ter de frente com o gover­no. — Precisamos ter uma atuação realística. Muitas conquistas haverão de ser pleiteadas, mas que não sejam pelo simples pro­testo, que em si mesmo é estéril, mas por mensa­gens, estudos, contribui­ções.

Geisel identificou no senador do Piauí todas as características de um exímio negociador polí­tico: era cordial, não tra­tava os adversários como inimigos, não enfiava seus pontos de vista pela goela dos interlocutores, ouvia os argumentos con­trários, cumpria a palavra dada, era conciliador, agia com pragmatismo. Eram características que ele já deixava transparecer em seus pronunciamentos no Senado.

— Como defensores da política do presidente Er­nesto Geisel nesta Casa, caber-nos-á ir aonde nos chamarem para a discussão os nossos nobres adversá­rios [do MDB]. Divergen­tes, com certeza, são os nossos caminhos. Mas cre­mos nos nossos, e a força das convicções imprimirá autenticidade aos debates, que serão tão fortes e vee­mentes quanto respeito­sos — afirmou ele, antes de ser chamado para ajudar no desmonte da ditadura.

Pragmático e inovador

Graças à intercessão de Pe­trônio Portella, políticos da oposição que estavam na mira da ditadura puderam escapar da cassação. No caso do sena­dor Leite Chaves (MDB-PR), que fizera um pronunciamen­to comparando o Exército bra­sileiro à SS nazista, Petrônio convenceu-o a discursar logo em seguida derramando-se em elogios ao Exército. No caso do presidente nacional do MDB, deputado Ulysses Guimarães (SP), que redigira uma nota pública comparan­do o general Geisel ao ditador africano Idi Amin, o senador correu ao Palácio do Planalto e conseguiu aplacar a ira do pre­sidente.

Foto: Divulgação Aquivo Senado.

Em diversas ocasiões, Pe­trônio já havia demonstrado o quão pragmático era. Em 1964, como governador do Piauí, ele contrariou a posição oficial de seu partido, a UDN, e condenou publicamente o golpe de Estado contra o pre­sidente João Goulart. Pouco tempo depois, ao perceber que os militares não deixariam o poder, mudou de posição e alinhou-se ao regime.

Seu pragmatismo também havia ficado claro no primeiro período em que comandou o Senado, no biênio 1971-1972. Por causa do AI-5, editado no fim de 1968, o poder de criar leis ficou praticamente todo nas mãos do presidente da Re­pública, e o Congresso acabou reduzido a uma instituição decorativa. Vendo que não conseguiria ter uma atuação política expressiva como pre­sidente do Senado, Petrônio dedicou-se a reforçar a estru­tura administrativa da Casa.

Ele construiu um anexo para abrigar comissões e ga­binetes, reequipou a gráfica, estimulou a publicação de li­vros sobre direito e história e fundou o Prodasen — centro de processamento de dados que tornou o Senado uma das primeiras Casas legisla­tivas do mundo a entrar na era da informática, facilitan­do o trabalho dos senadores especialmente na análise da numeralha dos Orçamentos públicos anuais.

Em 1971, Petrônio abriu uma das sessões plenárias convidando os colegas a co­nhecerem essa maravilha chamada computador:

— Senhores senadores, na parte posterior do Plenário, encontra-se um terminal de com­putador eletrônico, assistido por funcionários de uma firma dentre as muitas interessadas na concor­rência que o Senado

O senador que negociou o desmonte da ditadura militar

Único com acesso direto ao “Olimpo

Petrônio ganhou tanta con­fiança dos generais que passou de mero cumpridor de ordens a conselheiro de presidentes. O deputado federal Tancredo Neves (MDB-MG), um dos líderes da oposição no Con­gresso Nacional, dizia que, de todos os parlamentares do país, o senador do Piauí era o único que tinha acesso direto ao “Olimpo”, isto é, ao princi­pal gabinete do Palácio do Pla­nalto.

Foto: Divulgação Aquivo Senado.

A escolha de Petrônio como negociador do governo foi importante para diminuir as resistências do MDB e abri-lo para as discussões em torno da redemocratização. Justamente nesse momento, o partido co­meçava a radicalizar. Vindo de uma vitória acachapante nas eleições de 1974 para o Sena­do e a Câmara dos Deputados, o MDB acreditava que poderia trazer a redemocratização na marra, contando apenas com o respaldo popular, sem diálogo com o governo.

Uma das bandeiras do parti­do no Congresso era a convo­cação de uma Assembleia Na­cional Constituinte, algo que a ditadura jamais permitiria naquele momento. O general Geisel já avisara que, sim, ha­veria a distensão, porém “len­ta, gradativa e segura”.

Em 1977, com a carta branca dada por Geisel, o presidente do Senado deu início à chama­da Missão Portella. Ele viajou pelo Brasil ouvindo entidades representativas da sociedade, que elencaram as medidas que julgavam necessárias para a abertura. A Associação Brasi­leira de Imprensa (ABI), por exemplo, pediu o fim da cen­sura. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a anistia. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a volta do habeas corpus para crimes políticos, o que libertaria pessoas injustamente pre­sas e reduziria os casos de tortura nos presídios.

Cada passo da Missão Portella era noticiado pelos jornais. Com isso, Petrônio acalmava a sociedade, mos­trando que o governo estava de fato empenhado na redemocratização, e, de forma indireta, forçava o MDB a abraçar, ainda que a contragosto, a pauta do Executivo. Tal aproximação com a oposição foi uma façanha que provavelmente nenhum outro presi­dente do Senado daqueles tempos teria conseguido — como o sena­dor Filinto Müller (Arena-MT), que comandou a Casa em 1973 e estava alinhado com os radicais da ditadura.

— Tenho cansado de animar a Missão Portella. Gosto exatamente de conversa. O que antes não havia eram as conversas — discursou o senador Danton Jobim (MDB-RJ). — O senador Petrônio Portella está tentando, evidentemente, fazer uma agenda. Acho que se deve conversar com toda a gente que seja represen­tativa. A nação não está representa­da apenas pelo seu Parlamento, não apenas por nós aqui dentro. Hoje há toda uma realidade social lá fora, que fala, que se expressa, que pres­siona os governos, que orienta os governos.

— O fato novo na política brasi­leira, graças à Missão Portella, é que os partidos políticos, talvez pela primeira vez em assunto de tama­nha profundidade e complexidade, não estão sendo chamados para o confronto, mas convocados para um acordo que se destina a garantir es­tabilidade política ao país — avaliou o senador José Sarney (Arena-MA).

 De senador a ministro da Justiça

O trabalho de Petrônio pela aber­tura política era tão determinado que ele contava aos interlocutores mais próximos ter a certeza de que, caso a linha dura do regime conseguisse virar o jogo e voltar a ditar os rumos do país, ele seria um dos primeiros políticos a ser cassado e preso.

Dos diálogos da Missão Portella, nasceu a Emenda Constitucional 11, de 1978, que sepultou praticamente toda a legislação abusiva da ditadura, incluindo os Atos Institucionais. A proposta que foi aprovada pelo Con­gresso Nacional havia sido redigida pelo próprio senador.

Graças a esse feito, ele foi convida­do em 1979 pelo presidente seguin­te, o general João Baptista Figueire­do, a assumir o Ministério da Justiça e dar prosseguimento à abertura po­lítica. Sob Petrônio, o ministério dei­xou de agir como polícia do regime, começou a fechar os porões da dita­dura e passou a ter uma atuação emi­nentemente política. Como ministro da Justiça, ele escreveu o projeto da anistia e o do fim do bipartidarismo, que também receberam a chancela do Congresso e viraram lei.

Petrônio ocupou a cadeira de mi­nistro por menos de um ano. Quan­do o ataque cardíaco o matou, no início de 1980, ele estava no auge da carreira política — Figueiredo acre­ditava que ele seria seu sucessor na Presidência da República — e ainda tinha muito a fazer pela abertura po­lítica. Muitos temeram pelo futuro da redemocratização. Os receios, po­rém, não se confirmaram. O proces­so continuou em execução, bem ali­cerçado nas medidas tomadas pelo governo graças à ação de Petrônio em seus últimos três anos de vida. O poder seria devolvido aos civis em 1985, e a Constituição democrática seria assinada em 1988.

O ex-senador Mauro Benevides, que na década de 1970 pertencia à bancada do MDB, eleito pelo Ceará, avalia hoje:

— Não é contraditório que Petrô­nio Portella tenha sido um democra­ta e, ao mesmo tempo, um homem do regime militar. No MDB, éramos muitos lutando pela abertura, mas nossa ação, como oposicionistas num momento de anormalidade, tinha alcance limitado. Ele, mesmo sendo um só, conseguiu muitas mu­danças concretas por estar dentro do governo. Se Petrônio lutou pela redemocratização, ele foi, sim, um democrata.

O jornalista Zózimo Tavares, au­tor do livro Petrônio Portella — uma biografia, diz que o senador e minis­tro piauiense não tem o reconheci­mento que merece:

— Diversos políticos que inte­gravam a oposição e militantes que enfrentavam a ditadura são exal­tados hoje, enquanto Petrônio permanece esquecido. É o preço que ele paga por ter pertencido ao regime. Isso é uma injustiça. O que Petrônio fez foi optar pelo pragmatismo, buscar resultados. E ele conseguiu os resultados.

Motoristas de aplicativo relatam dores e insegurança na profissão

Motoristas de aplicativo relatam dores e insegurança na profissão

Para fugir do desemprego, piauienses optam pelo serviço de delivery, que não oferece garantias trabalhistas

João Victor Leal, de 18 anos, está há 5 meses trabalhando como entregador por aplicativo. Em um dia, ele recebe em média R$ 70. Mas mesmo com o pouco tempo de atuação no ramo, ele já sente as sequelas do trabalho. “Sinto muita dor na coluna”, diz João Victor.

Além do desconforto nas costas, o jovem teme pela sua segurança. “Essa foi uma forma de ganhar dinheiro, para não ficar parado. Eu coloco a bag apoiada no banco, nunca sofri acidente, mas tenho medo, porque o aplicativo não dá segurança”, conta.

Foto: Assis Soares.

Já Samuel Nascimento trabalha, há 4 meses, como entregador de comida, utilizando sua bicicleta. Para o jovem, seu maior medo é o trânsito, pois em muitas avenidas não têm ciclovias.

“Por enquanto, está compensando trabalhar assim, mas de bicicleta é perigoso, por causa dos acidentes, os motoristas não respeitam. E a bag pesa quando coloco os pedidos de comida, mas aguento, nada que não dê para suportar”, fala Samuel.

No Brasil, até novembro de 2019, eram mais de 11,9 milhões de pessoas procurando emprego, de acordo com os dados da PNAD Contínua; e este é um dos motivos que está levando os jovens a optarem pelo trabalho por aplicativo.

Para sair desta estatística do desemprego, Valqueres Alves, de 39 anos, resolveu deixar a profissão de mototaxista e, há 3 meses, trabalha com delivery. Mas para conseguir ter uma renda melhor no final do mês, ele tem que trabalhar de domingo a domingo.

“Eu era mototáxi, mas como as corridas caíram por causa dos aplicativos, eu entrei nos aplicativos. Eu ficava muito parado quando era mototáxi, já no delivery, antes de finalizar uma entrega, já tem outra. Por dia, tiro R$ 80, mas tenho que ficar até 18h, eu não passo mais tempo por que tenho medo, muitos já foram assaltados”, afirma Valqueres.

“A justificativa das empresas é que não existe esse vínculo empregatício”, diz motorista de aplicativo

Há oito meses, Franklin Wernz decidiu se tornar motorista por aplicativo. Há quase dois anos desempregado, optou por trabalhar desta maneira como forma de se manter enquanto não consegue um emprego de carteira assinada. Apesar de exercer a atividade diariamente, ele não vê o trabalho como um emprego e sabe que a categoria não tem direitos garantidos pela legislação.

“Não digo que ser motorista de aplicativo seja o ‘emprego ideal’, pois estamos diariamente correndo riscos na rua. Os gastos são exorbitantes com combustível, manutenção. Passamos por diversas situações, mas é a forma que hoje muitas pessoas encontram para sustentar suas famílias. É uma luta diária que temos que enfrentar, mas que tirou muitas pessoas da estatística do desemprego”, comenta.

Franklin Wernz explica ainda que a profissão de motorista de aplicativo é uma atividade caracterizada como informal/autônomo e, devido a isso, ele não contribui para o INSS. O jovem destaca também que a categoria se encaixa como microempreendedor individual (MEI), mas por não ser obrigatório o cadastro no MEI, isso faz com que muitos motoristas não tenham alguns direitos contemplados, o que pode ser prejudicial a longo prazo.

Ainda com relação aos direitos que a categoria deveria ter, o motorista pontua que muitas empresas alegam não ter vínculo empregatício, por isso não podem arcar com esses custos trabalhistas.

“A justificativa das empresas é que não existe esse vínculo empregatício, pois ela apenas serve como mediação entre o passageiro e motorista, e o motorista aceita a corrida se quiser. Porém, isso tem inconsistência, pois trabalhamos com taxas mínimas de aceitação e cancelamento, ou seja, temos de certa forma compromisso e obrigação de aceitar as corridas, pois estamos sujeitos a ‘punições’, como, por exemplo, ficar bloqueado por alguns minutos, caso você recuse cinco corridas seguidas e se essas taxas mínimas não forem atingidas, reduz a quantidade de corridas enviadas para aquele motorista, afetando, assim, diretamente seu ganho”, confessa.

Contudo, Franklin Wernz admite que, se os motoristas tivessem vínculo direto através da Consolidação da Leis do Trabalho (CLT), faria com que eles perdessem autonomia, vez que teriam que cumprir algumas exigências, como carga horária mínima, atingir metas, entre outras. “Mas vejo que seria importante esse vínculo, pois teríamos mais direitos, como salário, férias, folga remunerada, plano de saúde, 13° salário, o que melhoraria e muito na qualidade de vida e dignidade do motorista”, conclui Franklin Wernz.

Entregadores podem ter desgaste na coluna, alerta fisioterapeuta

A bolsa térmica ou bag utilizada pelos entregadores de comida pesa, em média, 16 quilos. E carregar esse peso pode trazer prejuízos à coluna. É o que alerta o fisioterapeuta Alexandre Mota. O especialista, inclusive, destaca que o recomendado seria que bag fosse acoplada a moto ou à bicicleta. Mas, como esta não é a realidade da maioria dos trabalhadores, ele dá algumas dicas para aliviar dores e problemas futuros.

Alexandre Mota orienta como aliviar dores. Foto: Assis Fernandes.

“Primeiro a bag tem que ficar bem adaptada ao corpo para não ficar com uma folga, entre as alças e as costas, pois fica puxando os ombros pra trás, e ainda faz com que o motoqueiro jogue a cabeça pra frente. Já a altura da mochila, o ideal é que fique no nível da cintura; passou da cintura, já está deslocando o centro de grávida e já vai estar sobrecarregando a coluna”, orienta Alexandre Mota.

A postura ao sentar na moto ou bike, também é determinante. Ao sentar de forma errada, o profissional pode adquirir problemas de coluna, desgaste, hérnia de disco, bico de papagaio, problema na pélvis, quadril, ombro e na coluna cervical.

“Normalmente, os motoqueiros sentam com o bumbum pra dentro, fazendo um “C” com a coluna. Mas o ideal é que você sente bem apoiado no bumbum, sobre a pelve, porque já dá pra manter a coluna numa posição melhor”, indica Alexandre Mota.

Já para os motoristas que passam o dia sentados, sem movimentar as pernas ou curvando a coluna quando está cansado, o fisioterapeuta tem recomendações específicas, pois a altura do banco, posição dos braços e joelhos prejudicam a postura correta.

“Com relação ao ajuste do carro têm muitas regras. Primeiro a distância do banco tem que ser de uma forma que a pessoas consiga pisar na embreagem, por exemplo, sem esticar completamente a perna. “A altura do banco, não pode ser muito alta para não pressionar a parte de trás do joelho, tem que ficar 2 dedos de distância”, diz Alexandre Mota.

Sobre a inclinação do banco, o profissional ressalta que o motorista tem que conseguir encostar o punho no volante e não tensionar os ombros para dirigir. Para a cabeça, não é indicada que fique encostada no apoio, porque pode dar sono e, na hora de um impacto, joga a cabeça para frente. A dica para a coluna é que não sente em cima do sacro, o recomendado é empinar um pouco o bumbum, para manter correta a coluna.

Motoristas devem se organizar para buscar direitos, orienta advogado

O advogado especialista em Direito Processual do Trabalho, Frank Aguiar Rodrigues, destaca que não há nenhuma legislação trabalhista que ampare e venha a proteger os trabalhadores de aplicativos que atuam no Brasil.

“O que nós temos é o Artigo 3º, da CLT, que apresenta cinco requisitos, que no caso concreto deve-se avaliar se um trabalhador é empregado. No caso dos aplicativos, se faz necessário analisar esses cinco requisitos. No Brasil, deve-se materializar a relação de emprego para depois discutir os direitos”, comenta.

Foto: Jailson Soares.

O advogado destaca quais são esses cinco pontos: pessoa física, pessoalidade, subordinação: o trabalhador deve obedecer às ordens do padrão, “o que é fácil comprovar para quem trabalha como motorista por aplicativo”. Onerosidade: “que é receber pagamento, algo também fácil de comprovar”. Além disso, há a habitualidade: “precisa ser verificado caso a caso se o entregador trabalha mais de dois dias na semana. Se isso for comprovado, terá uma possível caracterização de relação de emprego e de todos os direitos, inclusive o previdenciário de desconto no INSS”, explica Frank Aguiar Rodrigues.

Por isso, o advogado recomenda que os motoristas de aplicativo se organizem em entidades, de forma a ter um respaldo jurídico para que seus direitos sejam garantidos. “Eles devem tentar criar entidades representativas, uma associação, que é muito simples, e começar a buscar o jurídico para demandar ações que defendam a categoria, até para despersonalizar a figura do empregado, pois este pode ser demitido caso bata de frente com a empresa”, ressalta.

O especialista comenta também que os motoristas que trabalham por aplicativos não estão protegidos pelo Direito do Trabalho atual, por isso precisam criar metodologia para se representarem.

“Eles devem procurar líderes de poderes, legisladores a nível municipal, estadual e federal, que é o que tem competência para modificar as normas trabalhistas, de acordo com a Constituição Federal, artigo 22”, cita.

Muitos desses trabalhadores estão exposto a sol e chuva, correndo risco de vida, tanto pelas intempéries da natureza como risco de acidentes. Por isso, deveriam receber adicionais de insalubridade e de periculosidade, mas, por não terem a profissão regulamentada, esse direito não é garantido.

“Esses trabalhadores não têm uma legislação que os beneficiem diretamente. O direito do trabalho não evoluiu. Apesar das reformas para alcançar, essas figuras ainda passam por análise caso a caso. Esses trabalhadores que estão expostos a sol e chuva, considerados elementos de insalubridade, também estão expostos à periculosidade, pois andam de moto. Na CLT diz que os condutores de motocicleta terão direito a um adicional de 30% de periculosidade, que seria até melhor que a insalubridade, mas o direito do trabalho passa pelo reconhecimento do vínculo antes do direito”, comenta.

01 de fevereiro de 2020

Gente que fez e faz notícia: especial em alusão aos 69 anos do Jornal O Dia

Gente que fez e faz notícia: especial em alusão aos 69 anos do Jornal O Dia

Há 69 anos, as páginas do Jornal O DIA são referência histórica não só do Piauí, como também do Brasil e do mundo

Pelas páginas do Jornal O DIA, há 69 anos, passam acontecimentos e personagens que contam a história não só do Piauí, como também do Brasil e do mundo. Para fazê-lo, são necessárias muitas mãos e empenho. Repórteres, fotógrafos, editores, diagramadores, gráficos e entregadores compõem a engrenagem humana que possibilita, diariamente, que as notícias se formem em palavras e imagens estampadas no papel. E, com a marca de credibilidade, chega até o leitor. Neste 1º de fevereiro, O DIA comemora seu aniversário com a 19.585ª publicação.

Foto: Jailson Soares.

Depois de tantos anos, por ser uma mídia com tempo de apuração e edição, o jornal existe não apenas para contar histórias, mas para explicá-las. Por isso, é dividido por editorias e oferta ao leitor compreensão nas áreas de política, cidade, economia, empreendedorismo, cultura e temáticas nacionais. Valmir Miranda, que é presidente do Sistema O Dia de Comunicação, destaca o porquê de a credibilidade ser usada como o grande trunfo do veículo de comunicação.

“A questão de focar na credibilidade é decorrência de uma postura da empresa desde o início. O meu pai transformou o jornal, que era semanal, em diário e deixava muito claro o que queria: uma informação crível, muito bem checada, que fizesse o jornal como um espelho do que acontece na cidade. Então, o jornal passou a ser um retrato da cidade com informações que o leitor podia e pode confiar”, explica.

Hoje, depois de tantos anos de história, o acervo d’O DIA é o maior do Piauí e um dos maiores do Nordeste. Todas as edições publicadas desde a pioneira, em 1º de fevereiro de 1951, até a mais recente, estão guardadas na sede do Sistema O DIA e, as edições mais recentes, disponíveis nas plataformas digitais.

“Eu me lembro que, para fazer um jornal, as palavras eram formadas por compunidor, de letra por letra, então consigo visualizar esta história com a incrível evolução nesses últimos 50 anos. Mas a coisa mais importante não mudou: o tratamento da informação até hoje é continuado com credibilidade”, considera Valmir Miranda.

Para comemorar toda esta história, O DIA escuta pessoas que também fazem notícia. Em suas áreas de atuação tem deixado um legado e, como consumidores de notícia, entendido a importância da informação checada e creditável.

Política, uma arte de engajamento

Deolindo começou a estampar as páginas do jornal em 2012, quando o movimento #ContraOAumento movimentou a Capital

Em 2012, Deolindo Mou­ra estampava declaração nas páginas do Jornal O DIA em frases afirmativas contra o aumento da passagem de ôni­bus em Teresina, no #Con­traOAumento – movimento que levou milhares de jovens às ruas da Capital. À época, ele se organizava nas agremia­ções estudantis em prol de pautas para a juventude. Hoje, Deolindo continua movimen­tando notícias na Capital, mas com um mandato eletivo pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara de Vereado­res, fazendo da política, uma arte de engajamento.

“Hoje, continuo como um mobilizador. Estou na praça do Mocambinho com um grupo de mulheres em­preendedoras, continuo sen­do mobilizador de grupo de voluntariado, de quadrilha juninas e, também, de mo­toristas de aplicativo – algo que nunca pensei em repre­sentar. Então, como verea­dor, tenho papel para além de fazer crítica construtiva, em buscar solução para os problemas da cidade ativa­mente”, considera.

Deolindo Mou­ra. Foto: Jailson Soares.

Visão que aprendeu a ter muito antes do mandato. No fim da década de 90, o jo­vem se organizava enquanto militante nos movimentos estudantis. No colégio Liceu Piauiense, no Centro de Tere­sina, fez parte de organização que reivindicou e conseguiu implementar reformas e me­lhorias na unidade escolar. Depois, as bandeiras se am­pliaram para a luta da educa­ção pública de qualidade e to­mou maiores dimensões.

Em 2012, na efervescência com as manifestações contra o aumento de passagem, o jovem ganhou impulso para se candidatar a um manda­to eletivo. Mas a vitória não veio naquele ano, e sim quatro anos depois. “A vida me deu algumas boas oportunidades, conhecer o movimento estu­dantil ainda no Ensino Funda­mental e participar ativamen­te no Ensino Médio no Liceu Piauiense, foi uma delas. De lá, carrego boa parte das boas amizades e da minha trajetó­ria de vida”, afirma.

Como representante po­pular, Deolindo se mantém ligado às pautas populares através de muitas formas. A constância em acompanhar o noticiário da Capital, atra­vés das TVs, jornais, internet e jornais é uma delas. “A im­prensa tem um papel impor­tantíssimo. Além da informa­ção que eu recebo, também é onde podemos levar para mais pessoas os projetos que estão sendo discutidos na Câmara”, finaliza.

Amor servido em palavras e sabores

Quando conta sua história, cada parte do corpo de Larissa Batista, de 33 anos, parece guardar uma memória associada à sua relação com a cozinha. Desde marcas de queimadu­ras nas mãos por travessuras com panelas na infância ou pela afetividade olfativa e visual em receber conhecidos e desconhecidos para saborear novos pratos. A chef piauiense, além de transmitir sensações em seus preparos, tam­bém faz da cozinha uma arte das palavras: há quatro anos assina, no Jornal O DIA, a coluna Sabor do Dia.

“A conectividade da cozinha de integrar e tra­zer as pessoas sempre esteve junto comigo, esse negócio agregador, sabe? Quando eu tinha 16 anos, todos os meus amigos já almoçavam lá em casa. Lá pelos 20, já eram os amigos da mi­nha mãe que queriam que eu cozinhasse. Então, sempre foi uma coisa muito natural”, relata.

Larissa Batista. Foto: Jailson Soares. 

Tão natural que Larissa não viu, por mui­tos anos, o seu talento na cozinha como uma oportunidade de profissão. Antes de virar chef, tentou a faculdade de arquitetura e designer de moda. Mas a prática de se testar em novos pra­tos e sabores, nunca a abandonou.

Na primeira década dos anos 2000, resolveu estudar gastronomia, mas com a sua típica in­quietude, quis viver a profissão de forma mais experimentada. “Depois de um tempo, larguei a faculdade e fui viajar, conheci Argentina, Uruguai, Chile e fui conhecendo, descobrindo sabores. Depois, viajei dentro do Piauí por três anos, fiz três viagens para conhecer os ingre­dientes piauienses. Acho que troquei a sala de aula pelo autoconhecimento e pelos livros de culinária que sempre comprei e li muito. Quan­do olhei pra dentro do nosso Estado, acho que entendi o real sentido da comida”, explica.

Professora de cursos profissionalizantes no Piauí e Maranhão e sempre cozinhando em grandes eventos, Larissa também descobriu, há quatro anos, que os sabores também podem ser destacados em palavras. Em sua coluna no Jornal O DIA, ela apresenta mais que receitas, mas as histórias de novos e consagrados chefs e novidades no ramo da gastronomia.

“A cozinha pra mim é vida, é renovação, transformação, é nisso que a cozinha se resu­me: tudo está englobado. Ali é um momento de conectividade, onde mora o amor. É o meu amor que está na minha comida, no meu tra­balho, que vai para dentro da coluna também”, afirma.

Usando a comunicação que vai à mesa e às páginas do jornal, Larissa continua ampliando o movimento de uma gastronomia acessível e prazerosa.

Música em movimento com DNA piauiense

Há 15 anos, a banda de música autoral, que surgia carregada de letras com aspectos do cotidiano piauiense, nascia nos palcos de festivais em Teresina e estampava as capas do Caderno Torquato, como até hoje ainda faz. A Validuaté ganhou, com o tempo, não apenas mais fama, mas construiu um caminho de representatividade dentro do cenário de referência musical do Estado. Mas tal caminho, na visão do vocalista Zé Quaresma, de 37 anos, ainda é longo para que este espaço se efetive de fato.

“A música piauiense precisa de uma representatividade na música brasileira e nós, enquanto banda, vamos usar todas as ferramentas à nossa disposição para conseguir isso. Ainda não conseguimos de fato e pode ser que não sejamos nós que conseguiremos. A gente cresce vendo artistas que são referências para a gente e são referência para seus Estados e, no Piauí, quem são eles?”, questiona.

Zé Quaresma. Foto: Jailson Soares.

A inquietação do músico é o que traça as perspectivas, para este ano, para a banda. Segundo ele, a Validuaté pretende lançar um novo álbum em 2020 e fazer turnê para o estado de São Paulo – onde o cenário musical possibilita um maior contato com produtores e oportunidades de destaque.

“São Paulo é o grande centro da música do Brasil. A verdade é que tudo passa por São Paulo e a sensação é de que é preciso perseverar e estar lá, interagindo com artistas, produtores, para poder fazer este caminho mais consolidado de representatividade”, considera.

No Piauí, os muitos anos de trajetória já possibilitaram que a banda abrisse canais com diversos públicos através de shows com milhares de pessoas que, em coro, acompanham as músicas dos cinco discos já produzidos pela banda. Uma resposta que, na visão de Quaresma, segue sem uma receita única. “A gente foi vendo a resposta às músicas nos shows, nas apresentações, e foi vendo que o caminho estava certo”, explica.

Como compositor, é de Quaresma muitas das melodias que embalam as letras da banda. E são as referências literárias, musicais e do cotidiano que ele usa para se inspirar. Mas o forte DNA piauiense não impede que a banda ganhe outros públicos. A melodia compassada e envolvente permite que a banda continue levando o Piauí para muitas partes do Brasil.

Negócios à vista

Com um mercado cada vez mais estruturado, Teresina tem se destacado em potencialidades turísticas e de oferta de serviços. Por conta disso, os empresários locais diversificam nos segmentos de hotelaria, gastronomia e entretenimento e fortalecem ainda mais a potência econômica do município.

Para Eduardo Rufino, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Piauí (Abrasel), o fio condutor de negócios para quem mora e quem visita a Capital passa, sem dúvidas, pelos setores da alimentação fora do lar.

“O ramo da alimentação fora do lar, se comparada com a indústria, tem pesquisas que mostram que a cada R$ 100 mil de faturamento, uma indústria emprega uma pessoa e um restaurante, 10. É claro que as indústrias têm um potencial gigante, mas, no critério de empregabilidade, nós também temos de fazer este destaque”, ressalta.

Além de presidir a Abrasel, Eduardo é proprietário de uma cafetaria pioneira em Teresina, a Fazendaria Café. Como visão de empresário e gestor da Associação, ele destaca o valor da comunicação para o impulso econômico dos negócios. “Quando uma empresa consegue estar na imprensa, na mídia, ela consegue se comunicar com o seu público e alcançar outros. Nós, na Abrasel, temos uma grande força que vem da imprensa, no Jornal, por exemplo, na cobertura dos nossos eventos”, afirma.

Eventos renomados como Festival Maria Isabel, Brasil Sabor e De Bar em Bar estão na lista dos eventos impulsionados pela associação e destacados pelo empresário. Este ano, a partir de maio, o público pode esperar movimentação no polo de empreendedorismo gastronômico da cidade. E tanto os eventos quanto as novidades do ramo empresarial ganham destaque no Jornal O DIA, sobretudo às segundas-feiras, quando é veiculado o caderno Empreender. A publicação dá espaço para os novos negócios, tendências de mercado, atividades empresariais e movimentação criativa do ramo econômico em Teresina.

Esporte como potência de vida dentro e fora dos campos

No campo, quando ele entra em jogo pelo River Atlético Clube, a torcida não clama pelo jogador José Correia, de 36 anos, mas pelo apelido que o consolidou como um goleiro tão talentoso quanto do esportista que o inspirou: Mondragón. Atualmente, Mondragón é um dos grandes destaques do time do River nesta temporada, e apresenta uma história de superação e determinação que começa no estado de Pernambuco e segue no Piauí.

Dentro desta trajetória, ser goleiro foi mais uma consequência do destino que uma escolha individual. “Fui assistir ao treino do meu primo que estava jogando o pernambucano sub-17 e o apelido dele era Ricón, um jogador colombiano, então o técnico pediu pra eu ficar no gol. Eu disse que não tinha experiência, mas mesmo assim fui. Como chamavam ele de Ricón, fui apelidado de Mondragón, que também é um goleiro colombiano. E aí pegou e não larguei mais a posição”, conta.

Mondragón. Foto: Elias Fontenele.

Apesar de sempre ter afinidade com o esporte, não foi fácil a permanência do atleta em campo. Vindo de uma família de poucos recursos, com dez irmãos, pai ausente e mãe atribulada entre os cuidados de casa e da criação dos filhos, era dele e do irmão mais velho a missão de sustentar toda a família.

“Morava em Vitória de Santo Antônio quando disputei o campeonato pernambucano de juvenil aberto e surgiu a oportunidade para eu fazer um teste no Porto. Então fiz e passei. Cheguei em casa alegre, comemorando a notícia, mas meu irmão disse que eu não poderia seguir jogando porque tínhamos que sustentar a casa. Foi nesse momento que minha mãe me deu uma orientação que mudou a minha vida”, relembra.

Na ocasião, a mãe do atleta incentivou sua ida para o time com um veredito: “se é isso que você quer, você vai tentar. Mesmo que eu só tenha um pão, eu divido com seu irmão e fico com fome. Mas você vai”, relembra as palavras de incentivo.

Mondragón embarcou na indicação da mãe e no seu sonho. Em sua trajetória passou por times como Porto, Sete de Setembro, Ipiranga, Carpinense, Treze, Picos e, atualmente, River.

Já conhecido no futebol do Nordeste, o atleta sabe do respeito que tem aos times que veste a camisa e a torcida que representa. “É bom ver a gente sair na mídia, ver que as pessoas acompanham as partidas, mas isso não me sobe mais a cabeça. Hoje, eu sei lidar com as coisas. Sei receber os elogios, mas também levar as críticas”, considera.

Para este ano, o desafio do jogador e da sua equipe está na Copa do Nordeste, que já teve partida em que ele defendeu um pênalti; mas também no campeonato piauiense, onde a equipe ainda não conseguiu bons resultados. “Cada jogo é um jogo e todos os dias temos que buscar o melhor resultado. É isso que tento mostrar pros colegas e aplicar na minha vida”, finaliza.

25 de janeiro de 2020

Confira as cirurgias plásticas mais realizadas por homens

Confira as cirurgias plásticas mais realizadas por homens

Preenchimento facial, Lipoaspiração, Rinoplastia fazem parte da lista destas cirurgias.

- Lifting facial (Ritidoplastia)É a cirurgia que promove o reposicionamento das estruturas da face, eliminando a flacidez e a pele excessiva. É recomendado para homens que apresentam sinais de envelhecimento como rugas de expressão e excesso de pele deixando o paciente com aspecto cansado.

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- Blefaroplastia (cirurgia das pálpebras): Elimina o excesso de pele e gordura nas pálpebras superiores e inferiores, proporcionado um olhar mais descansado e rejuvenescido.

- Preenchimento facial: Consiste na aplicação de ácido hialurônico em regiões com sulcos, aperfeiçoando o contorno do rosto e dando um formato mais harmônico.

- Aplicação de toxina botulínica: Muito procurada para amenizar as rugas e linhas de expressão.

- Lipoaspiração: Através de uma cânula, o cirurgião plástico consegue tratar de maneira eficiente o excesso de gordura nas regiões do abdômen, dorso, culotes, parte interna das coxas, braços e papada, conferindo um contorno corporal mais harmonioso.

- Rinoplastia: Essa cirurgia visa tratar uma das regiões anatômicas mais importantes da face, o nariz. Responsável por ser um dos elementos que equilibram a beleza facial, é comum que pacientes insatisfeitos com a formato nariz se sintam constrangidos e incomodados. De uma anatomia peculiar e complexa, esse procedimento começa antes mesmo do ato cirúrgico, onde o cirurgião plástico deverá entender as expectativas do paciente.

- Transplante Capilar: Além do transplante de unidade folicular, há também a técnica de extração de unidade folicular, um método onde os folículos capilares são retirados livremente de uma área doadora, sendo capaz de ser feito tanto pelo cirurgião quanto por um robô. Após a remoção, os enxertos são cuidadosamente preparados para a implantação e colocados para atingir o melhor ângulo, direção e padrão no local do enxerto.

- Mentoplastia: É um procedimento cirúrgico para remodelar o queixo utilizando implantes ouo osso. Muitas vezes, o cirurgião plástico pode recomendar a cirurgia do queixo juntamente com a cirurgia do nariz, de modo a atingir proporções faciais equilibradas - isto porque o tamanho do queixo pode aumentar ou diminuir o tamanho percebido do nariz. Esta cirurgia ajuda a dar equilíbrio harmonioso de suas características faciais para que se sinta melhor com a sua aparência.

- Otoplastia: A otoplastia é a cirurgia para correção das deformidades da orelha. Uma das mais comuns é a orelha em abano que causa grande transtorno psicossocial principalmente nas crianças em idade escolar. Essa cirurgia pode ser realizada com anestesia geral ou local, procedimento que costuma durar entre uma ou duas horas.

- Prótese de peitoral: As próteses são feitas de silicone, mas não como uma prótese de mama. Elas são de silicone sólido, com afinco que varia para imitar o tecido muscular. Os implantes mamários têm uma cápsula e são preenchidos. Por isso, são distintos visual e sensorialmente dos utilizados em homens.

- Prótese de panturrilha: A aplicação das próteses na panturrilha é relativamente simples. O procedimento dura cerca de uma hora e o paciente mantém- se no hospital por 24 horas. O procedimento cirúrgico se baseia na inserção de uma prótese de silicone em gel na panturrilha. Ele é feito através de um corte na região posterior do joelho, situada na dobra posterior do joelho. É feito uma "bolsa" ou descolado um espaço acima do músculo, então, é inserido o implante e é realizada a sutura da incisão. 

- Ginecomastia: A ginecomastia é o nome científico dado ao crescimento anormal das mamas nos homens. Essa alteração ocorre devido ao uso de certas medicações, drogas, anabolizantes, genética e a algumas síndromes sexuais. Com a cirurgia para correção de ginecomastia é retirado o excesso de tecido glandular e/ou tecido gorduroso.

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Preocupados cada vez mais com a aparência, eles procuram especialmente intervenções faciais.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica,cada dois minutos, um homem faz um procedimento estético. Preocupados cada vez mais com a aparência, eles procuram especialmente intervenções faciais. No consultório do cirurgião plástico William Machado, em Teresina, a demanda deste público cresce, apesar de ainda tímida.

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“O mercado masculino vem crescendo muito, mas é claro que a procura maior ainda são de mulheres. A maioria dos homens procura procedimentos mais simples, como preenchimento, botox, harmonização do rosto, ou cirurgias como a rinoplastia (nariz) ou otoplastia (orelha)”, destaca o médico.

Com o avanço da tecnologia, os procedimentos estão cada vez menos invasivos, e as cicatrizes ficam mais discretas ou até inexistentes. Soma-se a isso a rápida recuperação, e, dependendo do procedimento cirúrgico, o homem pode voltar ao seu trabalho no mesmo dia. Ou seja, a cirurgia plástica pode contribuir para correção de disfuncionalidades, melhoria da estética, e dá ao homem mais segurança e eleva sua autoestima.

Segundo William Machado, o público que tem buscado com maior frequência as intervenções cirúrgicas é variado. Alguns homens, ainda na adolescência, já se submetem à otoplastia para correção do incômodo com o formato da orelha. Com o passar do tempo, as intervenções mais procuradas já são harmonização facial, rinoplastia, entre outras.

Como toda cirurgia, a plástica também envolve cuidados pré e pós ser realizada. Para passar por mudanças, a pessoa tem de estar com a saúde equilibrada e realizar todos os exames necessários.

Empresária investe na oferta de serviços estéticos para homens

Empresária investe na oferta de serviços estéticos para homens

O ‘boom’ do autocuidado masculino pode estar mais vivo que nunca, mas ele não chegou agora.

O ‘boom’ do autocuidado masculino pode estar mais vivo que nunca, mas ele não chegou agora. O setor da beleza já se mobiliza, mesmo que timidamente, há anos para este público. Um exemplo é a rede de salões de beleza da empresária Fátima Sousa, que há 20 anos iniciou a oferta de serviços segmentos para atrair o público masculino para o salão. 

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O empreendimento cresceu e, hoje, a empresária conta que já atende quase que na mesma proporção homens e mulheres na busca por serviços de estética.

“Quando ninguém falava do espaço masculino, nós criamos à época, há muitos anos, os serviços da beleza e companhia homens. Conseguimos atender e oferecer serviços diferenciados para homens que vêm lavar, escovar, fazer reflexologia, fazer a barba, massagem, Photon Dome. Então, essa história de tratar homem diferente de mulher não existe mais. Homem tem sentimento como mulher tem, homem tem a mesma necessidade de cuidar da saúde, da autoestima, acabou aquela história de que homem não pode se arrumar, não pode chorar, não pode estar em sua melhor forma”, destaca Fátima.

Empresária investe na oferta de serviços estéticos para homens há 20 anos. Foto Jailson Soares

Mas algumas diferenças são percebidas entre os dois públicos. Para os homens, praticidade e pontualidade acabam sendo cobradas com muito mais frequência, mas a empresária também ressalta que a fidelidade deste público é maior.  “Geralmente, ao gostar do serviço, eles permanecem e realmente se fidelizam.  Aqui, recebemos toda uma geração de filhos, pais e avôs”, destaca Fátima.

Percebendo esta relação, o empreendimento oferta serviços que vão desde o primeiro corte de cabelo da criança a intervenções para lidar com cabelos grisalhos. Mas também toda a parte de estética corporal para cuidado de barba, cabelo, unha, intervenções relaxantes e quiropráticas.

Diariamente, são cerca de 50 homens que procuram ter acesso a mais cuidados consigo no espaço.

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Antony Marquez foi escolhido como Mister Brasil 2019, em um concurso que aconteceu em dezembro passado.

Nada de apenas barba, cabelo e bigode. Esses cuidados também valem, mas a quantidade de homens preocupados com a estética tem levado o mercado a oferecer serviços pensando neste público. E isso só é possível porque muitos mais homens têm deixado estereótipos de lado e buscado cuidados para o corpo sem medo de assumir que, sim, gostam de se cuidar. 

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Afinal, sentir- se bem consigo é uma meta almejada por ambos os gêneros, não apenas para mulheres. Um piauiense, aliás, dá o norte para encarar os novos hábitos masculinos. Antony Marquez foi escolhido como Mister Brasil 2019, em um concurso que aconteceu em dezembro passado.

O jovem de 23 anos não tem vergonha de assumir suas preferências: o cuidado com o corpo, com a mente e defender as pautas voltadas à equidade de gênero. Antony não é alguém que passe despercebido, tanto por seus ideais quanto pela beleza. Os 1,98m de altura, porte robusto,  roupas assentadas no corpo, cabelo e barba bem feitos já entregam que a boa aparência é algo essencial para ele. 

Padrão que não veio apenas por conta da sua prática como modelo, mas também por ter encarado o universo da beleza desde muito cedo, ainda dentro de casa.

“Cresci em uma base feminina, vi a garra das mulheres sendo donas de casa, trabalhando, tendo papel de chefe dentro da minha criação. Eu represento o homem moderno, porque ainda temos estereótipos machistas dentro da sociedade, e eu quero continuar a quebrar este paradigma, não só na carreira como modelo, mas também no dia a dia”, afirma.


Eles se cuidam: Intervenções estéticas ganham espaço com o público masculino. Foto: Jailson Dias

Com tranquilidade e nenhum constrangimento, ele destaca os procedimentos estéticos que já fez: entram na lista a harmonização facial, clareamento dentário, além de ser constantemente acompanhado por uma clínica de estética em Teresina para manter os cuidados com a pele e o corpo. Soma-se a isso, academia e alimentação balanceada que são uma preocupação constante.

“A gente serve como inspiração, então, o que mais tenho no Instagram são homens e mulheres que buscam se cuidar e eu sei que acabo sendo referência para este público. Os homens perguntam, interagem e, aos poucos, dá pra ver que este homem moderno, mais preocupado com o bem-estar, também começa a existir”, considera.

É claro que, para Antony, todos esses cuidados ganham uma preocupação mais fervorosa por ele estar comprometido com o trabalho com a imagem. Em outubro, inclusive, o jovem representará o Brasil em uma competição internacional na Malásia, concorrendo com outros 50 modelos. Mas como espelho de uma geração que abandona que inibem o homem o jovem é consciente cuidados com o corpo mas os cuidados com que está inserido intelectual, também.

“Na competição, causas sociais. acompanhei o com câncer Maria Carvalho Santos atividades com do sistema penitenciário. mobilizado com muito importante, poder levar um pouco bagagem cultural do partes do Brasil", finaliza.

18 de janeiro de 2020

Crossfit: a modalidade esportiva que desafia os limites dos praticantes

Crossfit: a modalidade esportiva que desafia os limites dos praticantes

Sheila Fontenele perdeu 20 quilos em um ano de crossfit, além de superar os limites.

“Tudo começou quando Gustavo, meu esposo, começou a praticar crossfit e passei almoços inteiros o ouvindo falar dos movimentos ou sobre como ele se sente à beira da morte ao final dos treinos, e que, de alguma maneira, ele nunca se sentiu tão vivo. Comecei a notar que ele ficou mais preocupado com a alimentação e começou a usar camisetas com estampa de Kettlebell. E aí, você tem certeza que aquilo só pode ser alguma espécie de lavagem cerebral e, então, você odeia o crossfit”. Este texto é um trecho de uma publicação das redes sociais da jornalista e cerimonialista Sheila Fontenele.

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Após esse ódio descrito por ela, a curiosidade sobre a modalidade a consumiu. Ela, então, decidiu marcar a primeira aula de crossfit. De lá até agora, já se passaram um ano e vinte quilos foram perdidos. Além do incentivo do marido, neste período, a jornalista também havia acabado de ganhar um bebê, o pequeno Luiz Gustavo. O ganho de peso, na época, foi por um bom motivo, um sonho que havia sido realizado.

“Eu estava com 86 quilos e eu precisava de uma atividade de alta intensidade para conseguir perder peso, então decidi entrar no crossfit. No início foi curiosidade, mas depois fui gostando da modalidade, que, no fim, acaba viciando, não sei o que é, e quando você vai vendo os resultados, é uma coisa incrível. Hoje, um ano depois, eu estou com 66 quilos, foram 20 quilos que eu consegui perder e tudo da forma mais saudável possível, aliada a uma dieta balanceada”, conta Sheila Fontenele.

A cerimonialista lembra que a modalidade esportiva é um ambiente em que as pessoas são unidas, pois a atividade é em grupo, ajuda na socialização e todos se tornam amigos. O crossfit, ainda a possibilitou ter um melhor treino cardiorrespiratório, mais disciplina e foco na atividade física.


Sheila Fontenele e sue marido no Crossfit. Arquivo Pessoal

Em novembro, Sheila Fontenele participou de uma competição interna na academia em que treina e ficou em segundo lugar em sua modalidade, intermediário.

“Tinham 15 concorrentes e eu consegui ficar em segundo lugar e eu tenho 35 anos e perdi para uma menina de 22 anos. Então, pra mim, é como se fosse primeiro lugar. E fiquei muito feliz, foi uma superação, como se ganhasse uma medalha de ouro, como se ganhasse as olimpíadas”, comenta.

Para quem começar a fazer crossfit, a dica da jornalista é que a pessoa faça uma aula experimental. Ela garante que os primeiros dias não serão fáceis. Mas os resultados serão animadores.

“A primeira aula é horrível, a segunda você dá vontade de desistir, e na terceira você não quer mais ir. Mas, quando você vai tentado, resultando e conseguindo executar os movimentos, superando os teus limites, aquilo lhe motiva. O crossfit é isso, você e você, é a tua superação pessoalE para quem quer, não precisa ter medo, é só ter perseverança que o resultado vem”, conclui Sheila Fontenele.

Parques ambientais: qualidade de vida aliada ao lazer

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Além de se exercitar, o cidadão pode ver pássaros, patos, peixes e sentar na grama quando o cansaço bater.

Caminhar em parques ambientais é uma forma de estar próximo à natureza em meio aos grandes prédios e avenidas de Teresina. Além de se exercitar, o cidadão pode ver pássaros, patos, peixes e sentar na grama quando o cansaço bater. O Parque da Cidade, Estação Cidadania, Matias Matos, Encontro dos Rios e Parque da Macaúba são administrados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semam). Exemplos de equipamentos públicos que podem ser bem aproveitados pela população gratuitamente.

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 No Parque da Cidade, localizado no bairro Primavera, a população pode desfrutar de uma área com aproximadamente 17 hectares. O local também abriga o Batalhão de Polícia Ambiental do Estado do Piauí e funciona todos os dias da semana, das 6h às 19h.

O Parque Estação Cidadaniasituado no cruzamento das avenidas Frei Serafim com a Miguel Rosa, possui um lago, fontes luminosas, pergolados, palco com camarim e banheiros, anfiteatro com capacidade para 1.500 pessoas e um estacionamento para mais de 280 veículos.

Além de contar com uma Galeria de Arte Santeira, que reúne cerca de 50 esculturas produzidas por grandes artesãos locais. O espaço abre às segundas-feiras, das 5h30 às 10h (somente pista de caminhada); de terça a sexta-feira, das 5h30 às 10h e das 16h às 21h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 5h30 às 21h30.


Parques ambientais: qualidade de vida aliada ao lazer. Arquivo O dia

Outra opção é o Parque Ambiental Matias Matos,  mais conhecido como Lagoa do Mocambinho, que possui cerca de 4,9 hectares, onde estão estruturadas quadras de esportes (futebol de areia e society, badminton e basquete), ciclovias, playground, pista de caminhada, academia popular, quiosques, prédio administrativo, palco para apresentações culturais e área contemplativa no entorno da lagoa, com grana natural para oferecer mais conforto aos visitantes. O parque está aberto às segundas-feiras, das 5h30 às 10h (somente pista de caminhada); de terça a domingo, das 5h30 às 10h e das 16h às 21h30.

Já o ponto que marca a confluência entre os rios Parnaíba e o Poti, o Parque Ambiental Encontro dos Rios é um dos principais cartões postais da Capital, localizado no bairro Poti Velho. Ao percorrer o parque, o público tem à disposição uma área urbanizada e bem iluminada, onde podem ter acesso a quiosque, playground e uma trilha projetada que fica à disposição do público de segunda à sexta- feira, das 6h às 18h, e aos sábados domingos e feriados, das 6h às 19h.

E o Parque da Macaúba possui uma área de sete mil metros, onde a população pode encontrar um campo de futebol iluminado e com alambrado, pista de caminhada, academia popular, palco para apresentações culturais e quiosques. Seu funcionamento é nas segundas-feiras, das 5h30 às 10h (somente pista de caminhada); de terça a domingo, das 5h30 às 10h e das 16h às 21h30.

Prática esportiva deve estar associada ao bem-estar e prazer

Prática esportiva deve estar associada ao bem-estar e prazer

O personal trainer Gustavo Isaías afirma que realizar atividades que despertam interesse é um meio de não desistir de se movimentar.

A prática de exercício físico pode ser indicada por médico, fisioterapeuta ou ser uma iniciada individual, mas é importante que esteja associada ao bem-estar e prazer. O personal trainer Gustavo Isaías afirma que realizar atividades que despertam interesse é um meio de não desistir de se movimentar.

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“A prática esportiva deve estar intimamente ligada ao lazer, assim a probabilidade de permanência aumenta consideravelmente, mas é claro que devemos levar em consideração alguns fatores como idade e doenças”, alerta Gustavo.

De acordo com o personal, a musculação se mostra efetiva contra hipertensão e diabetes, porque permite, em pouco tempo, um maior controle dos níveis de colesterol e glicose presentes no corpo. Para idosos com osteoporose ou não, a musculação também se mostra eficaz devido ao fortalecimento ósseo e à prevenção de dores e lesões.

“Pra quem procura uma melhoria na qualidade de vida e fortalecimento muscular, o ideal é que se pratique musculação com pesos adequados à sua força e faixa etária. Inicialmente, não pegue muito pesado para que o corpo não entre em processo inflamatório, o que vem a gerar dores e desconforto no dia seguinte ao treino, às vezes até impede a continuidade. É importante sempre tirar dúvidas e seguir os conselhos e ensinamentos do instrutor da academia ou personal trainer”, orienta.

Há ainda os que preferem atividades aquáticas. Para estes, a natação é uma boa escolha em qualquer idade. A hidroginástica é outra opção para idosos, por não haver impacto, preservando, assim, a estrutura óssea.

Para crianças e adolescentesa natação, futebol e lutas são opções atrativas. “A prática esportiva não distingue e nem restringe seu público por idade, o importante é praticar algo que sinta prazer e, ao mesmo tempo, lhe proporcione saúde e qualidade de vida”, afirma Gustavo Isaías.


Prática esportiva deve estar associada ao bem-estar e prazer. Arquivo pessoal

Já para quem não é adepto à musculação e prefere caminhar, é indicado que use um tênis confortável, assim como as roupas. A alimentação tem que ser feita pelo menos de 30 a 40 minutos antes da caminhada, com alimentos leves e sempre procurando se manter hidratado.

Corrida exige respeito ao condicionamento físico

Já a corrida segue outras dicas, como: calçar tênis apropriado para não criar calos e machucar os pés; roupas que facilitem a transpiração; além de respeitar o condicionamento físico e cardiorrespiratório, que é diferente em cada pessoa.

“Inicie com pequenas distâncias, com o tempo e após manter a frequência da corrida, aos poucos pode ir adicionando cada vez mais distância. É importante também não se comparar a ninguém durante qualquer tipo de treino, essa simples dica pode evitar vários tipos de lesões, das mais simples até as mais graves”, pontua o personal trainer Gustavo Isaías.

A postura correta durante qualquer prática de exercício físico é também indispensável. O educador destaca que se deve manter a cabeça com olhar fixo para a frente, ombros relaxados, braços com os cotovelos flexionados, de forma que o braço à frente do corpo seja sempre o contrário à perna. Por exemplo, o braço direito estará à frente do tórax junto com a perna esquerda.

Todavia, o tórax e o pescoço devem estar eretos e levemente inclinados à frente. Durante a corrida, é preciso estar atento para nunca deixar a perna que toca o chão ficar ereta. O joelho deve permanecer sempre semi-flexionado e, por fim, deixar os tornozelos relaxados, para que durante a corrida realize o movimento correto de flexão e extensão – o que ajuda no amortecimento do impacto e na prevenção de lesões.

Emagrecimento saudável está ligado à saúde física e mental

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De acordo com a nutricionista comportamental, Maria Luz, este sentimento vem da mentalidade de dieta, um ciclo doentio que pode desencadear transtornos alimentares.

Com o início do ano, é comum as pessoas terem a sensação de culpa por exagerarem nas comidas e bebidas durante as festividades de fim de ano. De acordo com a nutricionista comportamental, Maria Luz, este sentimento vem da mentalidade de dieta, um ciclo doentio que pode desencadear transtornos alimentares como compulsão alimentar, bulimia ou anorexia. Por isso, a especialista defende que, antes de adotar novos hábitos, é preciso compreender como acontece a perca de peso tão desejada. 

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Crossfit: a modalidade esportiva que desafia vencer os limites “O processo de emagrecimento deve existir com o que chamamos de déficit calórico. Então, não existe um alimento que engorda, ou um alimento que lhe emagrece. O que existe é uma diminuição da quantidade total de calorias que, juntamente com exercício físico, vai fazer com que aconteça o emagrecimento. As pessoas pensam que emagrecer é perder peso, só que é um processo que você está diminuindo a quantidade de tecido adiposo (responsável por armazenar gordura)”, explica Maria Luz.

A nutricionista revela ainda que, no processo de perder peso, a pessoa pode estar perdendo água, músculo,quase nada de tecido adiposo; assim continua com percentual de gordura alto. Por isso, é mais interessante que não foque no peso e, sim, no contexto geral, porque o sobrepeso pode estar relacionado a fatores como: dietas, sedentarismo, hormônio, situação socioeconômico e psicológico.


Emagrecimento saudável está ligado à saúde física e mental. Arquivo Pessoal

“Para quem quer emagrecer, a alimentação tem que ser variada, assim como pra quem não tem este objetivo, porque eu vou estar nutrindo meu organismo de forma mais eficaz, além de estabelecer a quantidade de calorias junto com a prática de exercício físico. E tem que deixar de lado todas as neuras que envolvem o processo, evitar balança e comparações com outras pessoas, pois existem vários biótipos e somos todos diferentes”, ressalta Maria Luz.

A profissional lembra ainda que é importante abandonar alguns comportamentos, como o consumo de alimentos processados, ricos em açúcares, fast-foods. E aderir à alimentação saudável, que é a que você descasca, não a que você abre a embalagem. Com um planejamento é possível consumir arroz, carnes, verduras, frutas, legumes, sementes, oleaginosas e outros alimentos que dão prazer.

“Se a pessoa não tiver alguma restrição, pode estar consumindo sorvete, pizza, contudo, tem que ter uma cautela. A cada 15 dias, se você gosta de sair para jantar, não precisa parar de ter vida social, porém ter cautela ao consumir alguns alimentos. Não usar a ocasião para comer a mais, como se estivesse se despedindo da comida. Se conscientizar que o alimento sempre vai existir e vai poder comer de forma moderada. Quando a pessoa tem essa mentalidade, ela começa a identificar a fome e quando está saciado”, indica Maria Luz.

Alimentação para o pré-treino tem que ser feita uma hora antes

Após decidir qual exercício praticar, levando em conta que seja algo que traga prazer, além de já ter se consultado com o médico, estar com atestado em mãos, a próxima preocupação é o que comer antes do treino, o famoso pré-treino. A nutricionista comportamental Maria Luz afirma que é interessante que a pessoa consuma algo que vai dar energia, mesmo que esteja no processo de emagrecimento. 

“É importante lembrar de fazer o pré-treino uma hora antes do treino, para não ter desconforto gastrointestinal. A cafeína, por exemplo, principalmente para quem está em restrição calórica, dá um up para realizar o exercício. Mas no geral, pode estar comendo uma fonte de carboidrato, uma fruta, banana amassada com aveia, água de coco batida com fruta, uma vitamina”, comenta Maria Luz.

Outra fonte rica de nutrientes indicada pela profissional é a beterraba,um alimento que aumenta a vaso dilação das artérias e, durante o exercício físico, o sangue vai estar percorrendo essas artérias com facilidade, além de oxigenar melhor os tecidos. E quando a beterraba é consumida em suco com gengibre, melancia e limão, é possível ter mais energia por conta do gengibre e da melancia. Fora que é suco funcional, antioxidante, que ajuda a liberar radicais livres.

“Quando falo sobre emagrecimento, gosto de falar sobre curtir o momento, beba muita água, tenha sempre uma garrafa, não beba água somente quando estiver com sede. Tente conhecer seu corpo, se conecte, indico a meditação, pois é uma terapia interessante, nem que seja por meio de aplicativo, para promover o autocuidado”, orienta.


Alimentação para o pré-treino tem que ser feita uma hora antes. Ilustrativo

Já em relação as dietas que são aliadas às atividades físicas, a nutricionista explica que a melhor dieta é a que está adequada ao paciente, levando em consideração a questão econômica, o objetivo a ser alcançado e alguma restrição de saúde.

 “Além disso, tente identificar quando você está com fome fisiológica, pois às vezes você está com um problema e sente vontade de comer, então você se pergunta, estou com fome ou com vontade de comer? Porque a comida não vai resolver o problema de ansiedade. Antes de comer, senta, respira, se acalma, sente o cheiro da comida, para ter consciência plena. E quando estiver satisfeito, pare de comer, mesmo que tenha comida no prato”, conclui.

“Se puder escolher um hábito para mudar, opte sair do sedentarismo

“Se puder escolher um hábito para mudar, opte sair do sedentarismo"

O sedentarismo é considerado a doença do século. Um extenso estudo, feito na Austrália e publicado em 2012, provou que o sedentarismo não só provoca doenças, como encurta a vida.

O sedentarismo é considerado a doença do século. Um extenso estudo, feito na Austrália e publicado em 2012, provou que o sedentarismo não só provoca doenças, como encurta a vida. A pesquisa avaliou mais de 200.000 pessoas acima de 45 anos e descobriu que as mais sedentárias tinham duas vezes maiores chances de morrer em um período de três anos do que os sedentários que se exercitavam mais.

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Além do aumento de peso, a falta de atividade física pode causar fraqueza muscular, dor nas articulações, aumento do colesterol, triglicerídios plasmáticos e glicose sanguínea, apneia do sono, dificuldade de respiração, diminuição da circulação do sangue, raciocínio lento, redução da densidade mineral óssea, gordura no fígado, Diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares como AVC ou infartoUma infinidade de doenças que podem ser prevenidas com a iniciativa de se movimentar. Segundo destaca o médico do esporte, Rafael Levi, a prática de esporte é fundamental em todas as faixas etárias. 

“Eu costumo falar que se você quiser mudar apenas um hábito de vida, deixe de ser sedentário, porque isso te faz ganhar dias de vida. Qualquer esporte é bom, desde que a pessoa faça com bom senso, saiba começar devagar, dentro de suas condições.Mas destaco que abaixo dos 35 anos, se o paciente não tem nenhum tipo de morbidade, você está autorizado a começar uma atividade física”, afirma o especialista.


“Se puder escolher um hábito para mudar, opte sair do sedentarismo". Foto: Jailson Dias

O médico destaca ainda que é fundamental praticar atividades físicas regularmente, pelo menos três vezes por semana, bem como manter uma alimentação balanceada“Uma pessoa que pratica atividade mais de três vezes ao dia já é considerada atleta e um atleta precisa de uma equipe multidisciplinar para atender suas necessidades. Mas, não tenham dúvida: o benefício do esporte é muito maior que o risco. Mas funciona como tudo na vida: se for em excesso, pode fazer mal; se for em pequenas doses, não faz efeito”, constata.

As amigas Nayra Sila e Maira Beatriz, de 19 anos, decidiram fazer do começo de ano uma oportunidade para começar a se exercitar. O objetivo é claro: sair do sedentarismo. “A gente tá tentando ganhar mais disposição e, como consequência, um corpo mais bonito”, explica Nayra. Para isso, elas utilizam os espaços públicos e ao ar livre do Parque Lagoas do Norte, intercalando atividades de caminhada, corrida e musculação.

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A fotógrafa Andressa Sipauba resolveu aderir à prática há quase um ano e afirma que mudou toda sua vida.

Andar de bicicleta é o sonho de muitas crianças e até de adultos. Agora imagina quando se pode aliar bike, trilhas, mudanças de hábitos alimentares e perda de peso? A fotógrafa Andressa Sipauba resolveu aderir à prática há quase um ano e afirma que mudou toda sua vida.

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“Sempre tive muita vontade de andar de bike, mas sempre tive muito medo também, por dois motivos, o primeiro a violência na cidade, e o segundo a falta de respeito no trânsito. Mas eu tomei coragem e fui pro Giro Noturno, que era o mais próximo de casa. Minha vida mudou completamente, a começar pela saúde que hoje tá 100% melhor, melhorei da ansiedade que eu sentia e hoje em dia eu tenho muito mais disposição, condicionamento físico e o humor melhorou demais também, estou mais feliz”, destaca Andressa.

O ciclismo é um esporte que proporciona interação, onde é possível conhecer gente nova e lugares inimagináveis. Andressa faz parte de um grupo de ciclismo e, quando vão pedalar dentro da cidade de Teresina, são cerca de 30 pessoas, o que dá mais segurança. Se a rota for em trilhas aos finais de semana, em média, comparecem 15 pessoas. Às vezes, ela ainda aproveita a companhia do namorado para pedalar, mas ressalta que ainda é algo perigoso a se fazer na capital.


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Para 2020, a meta da fotógrafa é participar de competições e levar a família para praticar o esporte. Só em 2019, Andressa pedalou quase 4 mil quilômetros, é como se ela tivesse ido de Teresina ao Rio Grande do Sul, de bicicleta.

“Eu já conheci muitos lugares, a maioria foram povoados, mas os mais bonitos mesmo são as paisagens das trilhas. Uma das que eu mais gosto é da que passa pelo povoado Soinho. Também já fui pra Altos de bike, já conhecia, mas ir até lá de bike e voltar dá uma sensação de superação muito grande”, lembra.

Andressa é exemplo de superação. Desde que começou a pedalar, perdeu cerca de 10 kgconciliando mudanças de rotina e alimentação. E para quem quer fazer o mesmo, ela indica que é preciso perder o medo procurar algum dos inúmeros grupos de pedal que têm na cidade, pois, segundo ela, pedalar muda vidas.

13 de janeiro de 2020

“Passo a noite acordada quando escuto um trovão”, diz moradora

“Passo a noite acordada quando escuto um trovão”, diz moradora

A precariedade das moradias, localizadas em pontos historicamente suscetíveis a alagamento são uma junção perigosa para a vida das pessoas.

A chuva deixa em alerta as pessoas que tem moradia fixa. Em Teresina, 52 locais identificados pela Defesa Civil são considerados áreas de risco por conta do período chuvoso. A precariedade das moradias, localizadas em pontos historicamente suscetíveis a alagamento são uma junção perigosa para a vida das pessoas. 

A Vila Apolônio, na zona Norte de Teresina, é um desses locais. Vanda Tavares já passou momentos de pesadelo com os filhos e o marido em dias de chuva onde mora. A casa, perto de uma lagoa, recebe uma grande quantidade de água que mina do solo e, por vezes, já deixou o imóvel todo alagado. Morar no lugar, para a família, é questão de necessidade. Com quatro filhos e apenas a renda do marido para custear todos os membros, pagar aluguel não é uma opção. 

Vanda Tavares já passou por momentos de pesadelo com os quatro filhos e o esposo. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

“A gente não dorme direito nesse período chuvoso. Passo a noite acordada quando escuto um trovão. Só eu, Deus e meu marido sabe o que a gente já viveu”, explica. 

Em uma das chuvas do ano passado, Vanda, que ainda estava de resguardo do último filho que hoje tem 11 meses, teve de sair de casa às pressas por conta de um alagamento repentino. Ela ainda lembra das incontáveis vezes que, junto ao esposo, trabalhou em obras de reforço e proteção às chuvas. 

Na parte de trás da casa, onde iniciam os alagamentos, as obras de intervenção já começaram para o novo período chuvoso. Lonas, um pequeno muro de contenção e reforço no piso tentarão fazer com que, este ano, o pesadelo de ver a casa alagada não retorne a acontecer. 

De acordo com as análises climatológicas, o período chuvoso em Teresina ainda está dentro do esperado, sem precipitações tão elevadas.

“Estamos no começo da estação chuvosa, então as possibilidades de eventos de chuva intensa são variáveis, não podemos ter certeza absoluta. Mas já registramos precipitações de 34 milímetros de chuva até agora. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia temos um volume esperado de 1755 milímetros para o mês. Até agora, estamos dentro da média entre 50 e 55 milímetros”, explica Ewerton Costa. 

11 de janeiro de 2020

Período chuvoso em Teresina vira pesadelo para pessoas de rua

Período chuvoso em Teresina vira pesadelo para pessoas de rua

A chuva, apesar de celebrada por muitos, é motivo de preocupação para quem vive em áreas de risco e nas ruas

Quando João Anderson, 34 anos, vê o céu aderir a tons de azul mais forte e o vento soprar com mais constância, ele sabe: é dia de procurar abrigo que não sejam os das praças da cidade, locais que são, cotidianamente, seu local de perma­nência. Essa atenção é compartilhada por outras centenas de pessoas em situação de rua e, também, por quem mora em áreas de risco em Teresina. A chuva, nes­te período, apesar de muito celebrada por quem passa o ano todo sentindo os efei­tos do forte calor resistente na cidade, é motivo de preocupação para quem está suscetível por conta da mudança de tem­po. Uma situação que abarca uma parcela considerável da população.

Tem que ter cuidado para não adoecer, porque eu não tenho mais documentos e não posso ir ao hospital - João Anderson

O último levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Cidadania, Assis­tência Social e Políticas Integradas (Sem­caspi), por exemplo, mostra que o número de moradores de rua passou de 300 em 2017 para 500 em 2018, um aumento de 40%. Sem local fixo para estar, nos perío­dos chuvosos, essas pessoas aderem as mais diversas estratégias.

No caso de João, que é deficiente físico e leva em uma sacola os poucos bens que possui, a estratégia é ocupar uma casa abandonada na zona Leste da cidade. “Os períodos extremos são ruins para a gen­te, muita chuva ou muito calor atrapalha. Mas aí todo mundo dá um jeito. Eu e ou­tros colegas ocupamos uma casa abando­nada na zona Leste para se proteger nes­ses dias”, explica com naturalidade.

Há quatro anos morando na rua depois que problemas de dependência química e saúde o afastaram de casa, ele também destaca a suscetibilidade para as doenças que aparecem neste período. “Tem que ter cuidado para não adoecer, porque eu não tenho mais documentos e não pos­so ir ao hospital. Quando estou doente compro algum remédio na farmácia e tomo por conta própria”, diz em tom de resistência.

Outra situação que também coloca em alerta quem vive nas ruas são as descar­gas elétricas comuns a Teresina neste período. O climatologista Werton Costa explica que o fenômeno é comum em áreas urbanas.

“As descargas acontecem sobre alguns pontos que reúnem condições favoráveis, a quantidade de calor e o arranjo das cida­des é uma delas, por isso temos, em cidades médias e grandes, a tendência de acontecer essas descargas elétricas. Esses locais tem muito material construído e eles têm ten­dência em absorver muita energia radian­te. As nuvens, eletricamente carregadas, são estimuladas a despejar essas descargas sobre a cidade. Então principalmente para pessoas que não estão protegidas, que estão na rua debaixo de árvore, em campo, em locais sem isolamento, essas pessoas estão muito vulneráveis”, destaca o professor.

João intuitivamente sabe disso e, por isso, não se esquiva de segurança. En­quanto conversa, sentado em um banco da Praça da Bandeira, Centro de Teresi­na, ele destaca que aquele é dia de ir dor­mir na casa que, nesta temporada, o deixa melhor protegido.

O céu naquele dia não estava com sinais tão evidentes que poderia chover, mas pela expertise de quem aprendeu a ler sinais do tempo, João sabia da provável queda d’agua. Duas horas mais tarde, em Teresi­na, choveu.

Abrigos atingem capacidade máxima em dias de chuva

Em Teresina, mantidas pelo poder estadual ou municipal, algumas instituições funcio­nam para receber moradores de rua em regime de per­noite. No Centro da cidade, uma dessas casas, localizada na Rua Félix Pacheco, 1984, mantida pela Prefeitura de Te­resina, costuma ver seus leitos com a capacidade máxima de ocupação por conta do perío­do chuvoso.

Edson Araújo, gerente exe­cutivo da casa, explica que são ofertados 40 leitos no es­paço, mas que, em média, 80 usuários são atendidos a cada semana. “A rotatividade é um pouco alta, porque às vezes eles vêm um dia e depois não aparecem mais. Outras, pas­sam de três dias e se deslocam para outra cidade. Mas nota­mos que nos dias chuvosos, a capacidade costuma lotar”, esclarece.

No local, que atende ho­mens e mulheres, são ofere­cidos produtos para higiene e alimentação divididos em jantar, ceia e café da manhã. Para dar entrada, basta chegar ao local por volta de 16 horas e fazer a identificação e visto­ria simples – não é permitida a entrada de drogas ou armas.

Manoel Otávio Mendes, 32 anos, é de União, interior de Teresina, mas está na Capital atrás de emprego. O abrigo é uma opção para se proteger da chuva e manter as poucas mercadorias a salvo. “Já pas­sei várias noites na rua, mas é sempre bom estar em um lugar seguro. Às vezes, saio daqui de manhã cedo e vejo gente encolhida na rua, mo­lhada, sem nenhum cobertor, eu sinto pena, mas não posso fazer nada pra ajudar”, explica.

Foto: Jailson Soares. 

O abrigo também sente va­riação no número de usuários a depender do período do ano ou dia da semana. Aos do­mingos, o local costuma lotar, segundo o gerente executivo, muito pela pouca movimen­tação de comércio no Centro e incapacidade dos bicos para quem está em situação de rua. Da mesma forma acontece nos períodos de festividade de fim de ano que, com o cen­tro mais movimentado e as pessoas mais abertas para so­lidariedade, costuma deixar o abrigo esvaziado.

“De qualquer forma, funcio­namos de segunda a segunda. Muitas vezes tentamos, em conjunto com o Centro Pop (Centro de Referência Es­pecializado para População em Situação de Rua), buscar restabelecer os vínculos fa­miliares dessas pessoas, mas é algo muito difícil. Muitos tem família, mas por conta dos ví­cios e outros problemas estão impossibilitados de voltar”, fi­naliza Edson.

04 de janeiro de 2020

População jovem é a mais acometida com HIV/Aids

População jovem é a mais acometida com HIV/Aids

“Existem estudos que explicam que é a população que não chegou a ver pessoas debilitadas devido ao HIV/Aids na época que o tratamento não era eficaz"

A coordenadora municipal de IST/Aids, Alana Niége, revela que, desde 2018, as estatísticas apontam que a população jovem é a mais acometida pelas infecções sexualmente transmissíveis.

 “Existem estudos que explicam que é a população que não chegou a ver pessoas debilitadas devido ao HIV/Aids na época que o tratamento não era eficaz como temos atualmente. Vemos também que o uso do preservativo pelo público jovem não está sendo tão rotineiro, por isso levamos mais informação a essa população”, destaca.

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“Hoje, qualquer pessoa que faça sexo sem preservativo está vulnerável a ter uma infecção sexualmente transmissível. De 2015 a 2017, tivemos uma crescente bem significativa no número de mulheres com HIV. Alguns estudos dizem que isso pode estar acontecendo por fatores como a vulnerabilidade da mulher em frente ao marido; não usar o preservativo visto que tem um parceiro fixo; violência doméstica que também está aumentando. Essa vulnerabilidade feminina pode estar ajudando para o aumento de casos em mulheres”, ressalta.

Infecção não apresenta sintomas

O HIV não apresenta sintomas, por isso, todos que têm uma vida sexualmente ativa devem fazer o teste para garantir que não foram contaminados. “Quando falamos de HIV, estamos falando de infecção e não obrigatoriamente vai apresentar sintomas. Quem pedimos para procurar e realizar os testes? Qualquer pessoa que tem vida sexual ativa. O tempo de realizar o exame vai depender da forma de vida de cada paciente”, explica Alana Niége, coordenadora municipal de IST/Aids.

Se você se expõe mais ao sexo, deve fazer o teste pelo menos duas vezes ao ano ou a cada três meses. Mas se tem um parceiro fixo e uma vida sexual somente com aquela pessoa, o teste pode ser feito uma vez ao ano. Contudo, se você passou por uma situação de risco, apresenta diarreia crônica que está demorando muitos dias e não apresenta melhoras; infecções oportunistas; pneumonia que passou por tratamento e não curou e está com o sistema imunológico mais enfraquecido, deve realizar o teste.

“Mas não se deve esperar ter esses sintomas para realizar o teste de HIV. A janela imunológica é o tempo que a pessoa precisa, desde o tempo que ela se infectou até fazer o teste, que são de 30 dias. Alguns casos levam até três meses para que a gente consiga identificar”, conclui.


A coordenadora municipal de IST/Aids, Alana Niége, revela que, desde 2018, as estatísticas apontam que a população jovem é a mais acometida. Assis Fernandes

Teste rápido dá resultado para HIV em apenas 30 minutos

O diagnóstico de HIV é feito através de um teste simples, rápido, gratuito e seguro; é feito pela polpa digital e leva apenas 30 minutos para sair o resultado. Se for diagnosticado com HIV, seja na Atenção Básica, em campanha ou unidade hospitalar, o paciente é encaminhado para as unidades de referência para quem reside em Teresina, que fica no Serviço de Atendimento Especializado (SAE) do Hospital Lineu Araújo, nos turnos manhã e tarde.

O local dispõe de enfermeiros e médicos infectologistas capacitados para dar o andamento e monitoramento daquele paciente. Ele cria um vínculo com aquele serviço, frequentando o SAE durante toda a vida por conta do uso da medicação.

Já o Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela é mais voltado para as pessoas que residem em outros municípios do Piauí e também dispõe de profissionais capacitados para realizar o teste e acolhimento. No Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), esse teste acontece de segunda a sexta-feira, nos turnos manhã e tarde, somente não funciona aos finais de semana.

O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA Estadual) fica localizado na Rua 24 de Janeiro, 124, 2º andar, Centro/Norte. O telefone para contato é (86) 3216- 2046.


O diagnóstico de HIV é feito através de um teste simples, rápido, gratuito e seguro. Assis Fernandes

Tratamento

Se for diagnosticado com HIV, o usuário recebe sua medicação na unidade de referência, faz exames complementares e é acompanhado durante toda sua vida. O tratamento é uma terapia antirretroviral, que antigamente chamava de coquetel, já que o paciente tomava vários comprimidos. Hoje, com o advento da medicina e atualização das medicações, esse medicamento se resume a um ou dois comprimidos.

“Quem vai escolher a medicação que o paciente vai fazer é o médico infectologista que está fazendo o acompanhamento. Hoje não se tem mais os efeitos colaterais como antigamente, que era o que fazia com que as pessoas abandonassem o tratamento.

O medicamento dolutegravir foi um grande ganho para os pacientes com HIV/Aids, pois é uma medicação extremamente eficaz, que consegue reduzir a carga viral a um nível indetectável, ou seja, a pessoa não está curada, mas a carga viral diminui tanto no organismo que inviabiliza a transmissão para outra pessoa.O tratamento também é uma medida de prevenção, pois diminui os riscos de transmissão”, disse Alana Niége.

Aconselhamento com psicólogo auxilia no diagnóstico da doença

Além dos métodos preventivos, ao procurar o Centro de Testagem e Aconselhamento Estadual (CTA) para realizar o teste de HIV e Aids, o paciente vai ter direito a dois apoios psicológicos: no pré-teste, feito para preparar a pessoa e informando sobre as ISTs, e no pós-teste, o momento da entrega do resultado, sendo ele positivo ou negativo.

 Laiane Lopes é psicóloga e trabalha no Centro de Testagem e Aconselhamento Estadual (CTA) há 10 anos. A profissional explica que, ao atender o paciente, ela busca saber quais informações já tem sobre sexualidade e as prevenções e, a partir disso, tirar as dúvidas e investigar o que traz a pessoa a ir fazer o teste.

“O profissional tem que estar pronto para ouvir, acolher a pessoa com a demanda e as peculiaridades dela, respeitar a forma de vida e a sexualidade sem juízo de valor. Quando a pessoa vem fazer o teste, ela vem por algum motivo e a gente vai esclarecer sobre os possíveis resultados”, diz Laiane Lopes.


Laiane Lopes explica que, ao atender o paciente, ela busca saber quais informações já tem sobre sexualidade e as prevenções. Assis Fernandes

De acordo com a psicóloga, ainda existe muito preconceito em relação às pessoas portadoras do vírus do HIV e da Aids. Muitos não sabem como a infecção é transmitida. Existe até os dias atuais o receio de sentar na mesma cadeira das pessoas que têm HIV, de comer com o mesmo talher. Então, o seu papel, segundo Laiane, é desmistificar estes estigmas, pois é possível conviver com a pessoa que tem o vírus, ela só precisa controlar através de medicamento e usar o preservativo para se proteger.

“O HIV não é mais sinônimo de morte, a gente diferencia o vírus da síndrome, nem todo mundo que tem HIV vai ter Aids. E vamos mostrar para a pessoa que, para evitar isso, as ações estão nas mãos delas, ou seja, a boa adesão ao tratamento, o uso dos insumos de prevenção como: preservativo masculino, feminino, gel lubrificante, pois isso lhe protege de outras doenças”, afirma Laiane Lopes.

 Entretanto, algumas atitudes podem atrapalhar no tratamento como: negação, a pessoa não faz corretamente o uso dos medicamentos; há os que acreditam que não tem a infecção e que o exame está errado e refaz várias vezes; o desconhecimento sobre os sintomas e as estimas que a pessoa trás sobre o HIV.

PrEP e PEP: prevenção além do preservativo contra HIV/Aids

PrEP e PEP: prevenção além do preservativo contra HIV/Aids

Esta ainda não é uma medicação aberta à população em geral, como recomenda o Ministério da Saúde.

O preservativo é o carro chefe na prevenção do HIV/Aids por ser o método mais simples, eficaz e que protege também contra outras ISTs além de gravidez indesejável. Todavia, existem outras formas de prevenção como a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) e a PEP (Profilaxia Pós- Exposição).

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“Podemos comparar a PEP como a pílula do dia seguinte, que é uma medicação antirretroviral em 28 comprimidos que deve ser iniciada até 72 horas após uma exposição de risco, ou seja, uma relação sexual sem preservativo. Essa é uma medida de urgência e não exime o uso da camisinha.O paciente precisa passar por uma entrevista para analisar se esse usuário está apto ou não a realizar essa profilaxia”, explica Alana Niége, coordenadora municipal de IST/Aids. Além da PEP, também existe a PrEP, que é uma medida de pré-exposição. 

Esta ainda não é uma medicação aberta à população em geral, como recomenda o Ministério da Saúde. Inicialmente, era voltada para o  grupo mais vulnerável, sendo tomada diariamente e no mesmo horário para proteger contra o vírus HIV. Porém, a pessoa também deve fazer uso da camisinha, já que a PrEP só protege contra esse vírus.

“O temor maior ainda continua sendo a Aids, mas não podemos esquecer que estamos vivendo um período sensível com relação à Hepatite B, gonorreia, clamídia e sífilis, que também são Infecções Sexualmente Transmissíveis. E esta última vem com os números aumentando bastante. A sífilis é uma doença silenciosa, mas, apesar de ter cura, estamos tendo uma dificuldade de abarcar essa população por conta da não procura da realização do teste rápido”, fala Alana Niége.

Paciente usando medicação, descuidou do uso do preservativo e contraiu sífilis

O estudante Henrique*, de 24 anos, não tem parceiro fixo, mas busca usar preservativos em suas relações sexuais. Porém, após alguns descuidos, ele teve que fazer o uso da PEP por duas vezes. E há cinco meses, faz o tratamento com a PrEP para reforçar a prevenção

Henrique lembra que algo que o incomodava era a questão de que, quando usava o preservativo, acabava estourando e ele ficava muito apreensivo. Ao procurar o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), foi recomendando que ele iniciasse o tratamento da PrEP para reforçar a prevenção do HIV, juntamente com o uso do preservativo.

“Eu sempre tive comigo de fazer exames periódicos a cada 30 dias no início (das relações sexuais) e, recentemente, por conta da medicação (PrEP), a cada 15 dias. Porque como eu confio muito na medicação para prevenção do vírus HIV, eu acabo fazendo relações sem proteção do preservativo. E reconheço, por ser uma pessoa bem estruída, eu sei que é errado”, confessa Henrique.

Mesmo possuindo informações sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis e se prevenindo com medicação contra HIV e Aids, Henrique adquiriu a sífilis, que é uma infecção curável causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios: sífilis primária, secundária, latente e terciária.

“Por confiar na PrEP como prevenção do HIV eu estava vulnerável a contaminação de outras doenças e, infelizmente, eu contraí a sífilis, que a medicação não inibe. Mas imediatamente eu procurei o tratamento na Unidade Básica de Saúde e já terminei o tratamento, agora vou fazer outros exames de rotina. E mesmo com o tratamento da PrEP não deixo mais de usar preservativo, pois um complementa o outro contra infecções”, afirma.

Em relação aos efeitos colaterais dos dois métodos farmacêuticos, o acadêmico diz que só sentiu tontura nas primeiras semanas ao ingerir o PrEP. Após dois meses de uso, não teve mais nenhum sintoma.

*Henrique é um nome fictício para preservar a identidade do entrevistado.

Aids: luta para desmistificar a infecção sexualmente transmissível

Aids: luta para desmistificar a infecção sexualmente transmissível

HIV e Aids: entenda a diferença e como se prevenir

“Eu fui diagnosticado com Aids em julho de 2018; adquiri por meio do sexo sem uso de preservativo. Quando eu descobri, já estava no quadro da Aids. A minha reação ao saber foi o medo de morrerporque o que eu ouvia falar sobre Aids era aliado a Cazuza pessoas que morrem em decorrência da doença, e eu não estava preparado para a notícia. Mas eu saí muito rápido do luto para a luta”. Este relato é do jornalista maranhense e influencer digital, Francisco Garcia (@fgnico)que, aos 27 anos, descobriu que tinha Aids.

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 Após o diagnóstico, ele pediu demissão do emprego, adesivo o carro e saiu pelo Brasil fazendo palestra educativas em escolas, praças públicas e presídios sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)Francisco Garcia já viajou por 12 estados, passando por 450 cidades e palestrou para quase 100 mil pessoas. A sua história de superação se tornou exemplo para jovens que, assim como ele, não tiveram informações sobre as ISTs na adolescência. Além disso, as suas redes sociais, que possuem mais de 260 mil seguidores, se tornaram uma ferramenta de aproximação com a população.

“Eu decidi tornar público porque eu não tinha referência de pessoas que viviam de HIV ou com Aids de forma saudável. E poucas eram as pessoas que eu conhecia que falavam abertamente sobre isso. Então, eu decidi me tornar essa referência, porque eu não tive educação sexual em casa, na escola e eu quis me tornar essa porta aberta para muitos jovens que têm dúvidas e querem saber mais sobre o assunto”, conta Francisco Garcia.

Atualmente, o jornalista faz tratamento diário da Aids com dois comprimidos que o tornam indetectável, ou seja, ele não transmite o vírus do HIV por via do sexo e leva uma vida saudável, fazendo uso do preservativo e de medicação. Todavia, Francisco acredita que no país ainda há muito a se fazer em relação à conscientização das ISTs e a principal ferramenta é o diálogo dentro de casa, na escola e nos espaços públicos.

“Nós continuamos muito atrasados, o preconceito continua sendo um dos maiores problemas para quem convive com vírus do HIV e a Aids no Brasil. Ainda não há o diálogo como se deveria e pouco são os incentivos. A gente não vê políticas públicas voltadas para implantar uma matéria na escola, ou que o diálogo aconteça com mais frequência”, conclui.

HIV e Aids: entenda a diferença e como se prevenir

“Hoje não chamamos mais de Doença Sexualmente Transmissível (DST), mas sim de Infecção Sexualmente Transmissível (IST), pois, a exemplo do HIV/Aids, na maioria das vezes não há nenhuma sintomatologia. Então, se você não tem nenhum sinal e sintoma, isso não se trata de uma doença, mas sim de uma infecção. Por isso a mudança da nomenclatura”, explica Alana Niége, coordenadora municipal de IST/Aids da Fundação Municipal de Saúde (FMS).

Mas, você sabe a diferença entre HIV e Aids? Elas são bem distintas. A infecção pelo HIV não quer dizer que você está com Aids, mas que você convive com o vírus. “Se fizer o tratamento, tomar a medicação e ter acompanhamento com o infectologista, você não vai virar um caso de Aids, ou seja,não vai adoecer e precisar de uma internação”, explica Alana Niége.

Desde 2014, a infecção por HIV é considerada uma doença de notificação. Assim, automaticamente, esse paciente já entra no sistema e dá início à sua terapia retroviral, que é a medicação. Desta forma, o paciente terá uma vida saudável como qualquer outra pessoa que não convive com o vírus HIV.

E por que, mesmo com várias campanhas, os números de casos de HIV/Aids têm crescido? A coordenadora municipal comenta que, desde 2015, vem aumentando a detecção desta doença em todo o Brasil, vez que o diagnóstico vem sendo descentralizado e expandido.


HIV e Aids: entenda a diferença e como se prevenir. Foto: Assis Fernandes

“Fazemos esse diagnóstico em campanhas nas ruas, praças, parques, nos centros de testagens e aconselhamento, onde são atendidos esse público considerado vulnerável, como travestis, transexuais, pessoas em situação de rua, homens que fazem sexo com homens.Todos podem se dirigir ao CTA para que seja diagnosticado, pois quanto mais cedo, menos casos de Aids teremos no sistema, porque as pessoas não chegam a adoecer”, disse.

Alana Niége enfatiza que as campanhas preventivas são feitas durante todo o ano e inicia ainda nas prévias carnavalescas, em blocos, bares e clubes. Durante o carnaval, duas equipes trabalham de forma volante distribuindo material de prevenção, que são os preservativos masculinos, femininos e o gel lubrificante, além de distribuírem material informativo.

“Vamos também nas instituições privadas e públicas. Levamos campanhas de testagens para empresas, parques e fazemos testagem para aquela população que não tem tanto acesso. Também estamos treinando todas as equipes das Unidades Básicas de Saúde para que esse teste rápido, que te dá o resultado em 30 minutos, seja feito também nas UBSs. Algumas já fazem, mas queremos ampliar para todas as unidades”, acrescenta.

Tabu prejudica doações de órgãos no Piauí, afirma coordenadora

Tabu prejudica doações de órgãos no Piauí, afirma coordenadora

No Estado, ainda há muitas manifestações pela não doação, sobretudo por falta de conhecimentos legais sobre os procedimentos.

O processo de doação de órgãos ainda é visto pelos piauienses como tabu. No Estado, ainda há muitas manifestações pela não doação, sobretudo por falta de conhecimentos legais sobre os procedimentos. É o que informa a médica e coordenadora do sistema de transplantes no Piauí, Maria de Lourdes de Freitas Veras.

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“Quando a família não tem conhecimento prévio, ou acredita que não teve o bom atendimento que o ente querido deveria ter, ela se manifesta pelo não. Por isso, temos que fazer um atendimento assistencial de excelência na emergência, porque todo processo de doação de órgãos é regulamentado por lei federal e tudo que é feito segue um protocolo predeterminado.Desde o início da notificação de um potencial doador na unidade terapia intensiva (UTI) até o seguimento pós-transplante, a gente acompanha o passo a passo”, diz Lourdes de Freitas. 

A médica descreve que os potenciais doadores são pessoas jovens vítimas de mortes violentas, como acidentes; são pessoas sadias que tiveram sua vida tirada por uma fatalidade ou hemorragias intracranianas, onde se tem problemas no cérebro, mas os órgãos estão íntegros.


Tabu prejudica doações de órgãos no Piauí, afirma coordenadora. Fotos: Assis Fernandes

“Uma vez dada entrada na terapia intensiva e na grande urgência, havendo o diagnóstico de morte encefálica, os médicos têm por obrigação no Brasil de informar a família, independente de doação. São dois exames clínicoscom dois médicos diferente e, no país, ainda é feito o exame complementar gráfico, você tem que provar que o cérebro está morto, para não ter dúvida”, explica Lourdes de Freitas.

Segundo a coordenadora, após o diagnóstico, os médicos estão autorizados a assinarem o atestado de óbitoem seguida a família tem o direito de se manifestar e decidir sobre doar ou não os órgãos.

“Após a aprovação da família, começa uma corrida contra o tempo, porque após a morte encefálica, todos os órgãos começam a entrar em deterioração. Temos que ter leito de terapia intensiva, ventilação para ter oxigenação no pulmão, nas células, medicamentos para manter a pressão arterial, o coração funcionando, porque eu tenho que fazer exames antes da retirada desses órgãos. Uma vez que os exames sorológicos são negativospartimos para os exames imunológicos para procurar compatibilidade, com profissionais que trabalham 24 horas. E tendo em mente que quanto menos tempo eu levo neste processo, eu aumento a viabilidade do órgão, tudo tem que ser feito com muita agilidade”, afirma Lourdes de Freitas.

Excesso de medicamentos pode causar cirrose crônica

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Este relato é da professora doutora Edite Maria de Morais Malaquias. Há 5 anos, ela é transplanta de fígado.

“A doação de órgão é importantíssima. Se eu não tivesse feito o transplante, eu já estava do outro lado. Hoje continuo dando aula, viajando, todo mundo deveria deixar um documento dizendo ‘eu sou doador de órgão’”. Este relato é da professora doutora Edite Maria de Morais Malaquias. Há 5 anos, ela é transplanta de fígado. Ela precisou fazer o procedimento aos 59 anos, após descobrir uma cirrose causada pelo consumo em excesso de medicamentos.

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Edite lembra que começou a ter sangramentos vaginais, que não eram comuns em sua idade. Ao se consultar com vários médicos, teve um especialista que a indicou procurar uma doutora que trabalhava com transplantes e pessoas com problema no estômago.

“A médica pediu uma ultrassonografia e disse que eu tinha cirrose crônica, e eu disse que não bebia. Mas ela informou que poderia ser de medicamento, porque sou diabética e hipertensa, mas a gente nunca está preparada. Um dia, eu cheguei com os exames e ela disse ‘a senhora está pronta para fazer o transplante’ e eu me assustei. Mas Deus me preparou, eu não me desesperei, liguei para a minha família e começamos os processos”, conta Edite Malaquias.

A especialista indicou à professora que fosse para o Ceará realizar todos os procedimentos exigidos. Mas por ter familiares em Recife, todo processo de exames e acompanhamento mensal para poder receber o novo fígado aconteceu na cidade. Neste período, Edite estava cursando doutorado e, portanto, afastada das atividades na universidade em que trabalha.

Outro ponto que favoreceu o rápido transplante da docente foi uma crise de encefalopatia, uma doença causada por substâncias tóxicas normalmente eliminadas pelo fígado, que se acumulam no sangue e chegam ao cérebro. 

“Eu comecei a surtar, ter crise, olhava para as pessoas e não conhecia, só lembrava da minha família. Tive uma crise no dia da consulta e o médico se assustou porque não conseguia me dar injeção. Depois disso, fui para o grupo dos mais graves e só tinha uma moça na minha frente, justamente a que me doou o fígado, porque ela tem um problema hereditário que o fígado dela, aos 30 anos, não serve mais para o corpo dela”, descreve.

Edite e a sua doadora ficaram no mesmo quarto no dia do transplante. Sua cirurgia durou mais de sete horas. Após o procedimento, a docente ficou irreconhecível, pois todo o seu corpo ficou inchado.

“Senti dores na coluna, nunca senti nada na barriga. E em todo momento tinha fé em Deus que iria ficar boa, eu nunca chorei, me desesperei. Eu sentia que não estava só, minha família foi maravilhosa. O pior foram as crises, nem a calcinha eu acertava tirar, horrível, não desejo pra ninguém, minha crise demorava dois dias, no máximo. Mas estou bem, até morrer vou tomar quatro comprimidos todo dia, e tenho que fazer exames periodicamente e levar para ao médico”, conclui Edite Malaquias.

Brasil tem o 2º maior volume de transplantes no mundo

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O país é referência mundial na área de transplantes na rede pública por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), que financia cerca de 96% dos procedimentos.

O Brasil é referência mundial na área de transplantes na rede pública por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), que financia cerca de 96% dos procedimentos no país. Em números absolutos, o Brasil tem o segundo maior volume de transplantes no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, conforme dados do Ministério da Saúde. A rede pública oferece a assistência integral e gratuita, incluindo os exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante.

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A coordenadora da Central de Transplantes do Piauí, Lourdes Veras, explica que no início de 2001, quando o Ministério da Saúde firmou parceria com as companhias aéreas, o Piauí ainda tinha o apoio de empresas conveniadas pelo SUS, tendo o Estado realizado naquele ano 17 transplantes de coração bem sucedidos.

Depois disso, apenas o Hospital Getúlio Vargas assumiu esta função, mas não conseguiu mais dar conta da demanda e o Estado deixou de realizar este tipo de procedimento.

“Temos perspectiva futura para podermos transplantar outros órgãos, mas precisamos melhorar a infraestrutura”, afirma a coordenadora da Central. Ainda segundo Lourdes, a indústria farmacêutica evoluiu e hoje já existem medicamentos que diminuem muito o número de rejeição do órgão transplantado pelo corpo. O rim, segundo ela, é o que mais tem grau de rejeição. Já o fígado tem um período pós-operatório muito grande, no entanto, é raro haver rejeição nos casos.

“No Brasil, são doados coração, rim, pâncreas, fígado, intestino, córnea, pele, que geralmente tira a pele do dórico e atrás dos membros inferiores; osso do fêmur, tíbia, vasos e tendões. Na Europa, transplante composto, mãos, face, pé. É importante dizer ainda que, quando se indica o transplante, é porque é o último estágio da pessoa, não há mais possibilidade de outros tratamentos”, finaliza a médica.

A coordenadora da Central de Transplantes do Piauí, Lourdes Veras, afirma que Piauí já fez 17 transplantes de coração bem sucedidos. Assis Fernandes

Como ser um doador de órgão

No Brasil, foi assinado em 2017 um decreto onde retira a doação presumida de órgãos do RG, desde então, a família passou a ser a responsável por autorizar o ato. Na doação presumida, todo brasileiro que não registrasse sua vontade na identidade afirmando “não ser doador de órgãos e tecidos”, era um doador em potencial.

“Quando foi promulgada a lei para regular os transplantes, o Brasil quis copiar o modelo dos países em que mais se realiza transplantes, mas eles têm uma cultura diferente, só que no Brasil nós não estamos preparadosnosso sistema não tem assistência de qualidade”, conta médica e coordena o sistema de transplante no Piauí, Maria de Lourdes de Freitas Veras.

Portanto, é importante dialogar com a família, sobre o desejo de ser um doador, pois, pela legislação brasileira, não há como garantir efetivamente a vontade do doador, mesmo se for registrada em cartório, não terá validade.

Mais de 500 pacientes estão na fila de espera por doação de órgão no Piauí

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Transporte aéreo garante recebimento de órgãos a quem precisa de transplante no Estado.

No Piauí, há 504 pacientes classificados como potenciais recebedores de órgãos transplantadosSão 388 ativos na lista de espera por córnea 136 ativos na lista de espera por um rim (dados de dezembro de 2019). No entanto, os números são bem superiores ao que de fato se recebe de doação. Segundo a Central de Transplantes do Piauí, já existem feitas 71 doações de córnea e rim e as doações de múltiplos órgãos não ultrapassam quatro.

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O Estado realiza apenas os procedimentos de transplantes de córnea e rins, já tendo feito 105 de córnea e 19 de rim. Demais órgãos, como fígado e coração, são apenas retirados aqui, no caso de doações, e encaminhados para transplantes em outros estados.

Para garantir a agilidade no transporte destes órgãos, que possuem um reduzido tempo de vida fora do corpo, os hospitais contam com o apoio das companhias aéreas comerciais brasileiras. Pela lei, elas não são obrigadas a transportar órgãos de transplante. O trabalho é voluntário e gratuito, mas garante que pacientes em listas de espera de todo país possam contar com doações de todos os estados brasileiros, o que pode reduzir o aguardo pela realização do procedimento.

Dentro do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), órgão do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), há representantes da Central Nacional de Transplantes (CNT) exclusivamente designados para acompanhar esse processo de retirada, transporte e recebimento de órgãos no país.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), a cada ano, cerca de 9 mil órgãos e tecidos doados chegam a tempo aos pacientes graças à agilidade do transporte aéreo. Só em 2018, foram transportados pela malha aeroviária brasileira 5.198 órgãos. Em 2017, esse número chegou a 9.160. A aviação civil realiza mais de 80% destes transportes por via aérea para transplantes. Os outros 20% correspondem a casos excepcionais em que empresas não operam nos locais de destino e esse transporte acaba sendo feito por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e aeronaves estaduais ou particulares.

  

Adrian Alexandri diz que aeronaves transportando órgãos têm prioridade no pouso e na decolagem em todos os aeroportos. Foto: Assis Fernandes

Adrian Alexandri, representante da Abear, explica que as aeronaves que transportam órgãos para transplante são as mesmas que levam e trazem passageiros por toda a malha aeroviária brasileira. No entanto, elas possuem prioridade no pouso e na decolagem em todos os aeroportos do país. 

“Sempre que há uma distância muito grande, a Central é acionada e o primeiro voo de uma companhia comercial que sair daquele local recebe o órgão, se não tiver um avião da FAB para transportar. Ele vai numa caixa, normalmente junto com o piloto. Nessa caixa, vão um documento contando o nome do médico que assinou a retirada do órgão e o hospital para onde ele vai”, explica Alexandri.

Ele comenta que o fato do Brasil ser um país de dimensões continentais não dificulta a agilidade do transporte. Segundo o representante da Abear, quando um órgão é retirado e precisa ir para outra cidade ou estado, ele é colocado no primeiro voo que sai para aquele destino ou na aeronave que tenha o menor e mais rápido trajeto de modo.

02 de janeiro de 2020

Não negligenciar saúde mental é fundamental para qualidade de vida

Não negligenciar saúde mental é fundamental para qualidade de vida

Para 2020, o não negligenciamento da saúde mental é fundamental para a garantia de uma sociedade com mais qualidade de vida.

Falar sobre saúde mental, depressão, ansiedade e suicídio exige cuidados, mas os temas não podem ser deixados de lado, sobretudo em um cenário de crescimento dos casos de suicídio e diagnósticos de doenças psíquicas em todo o mundo. 

De acordo com especialistas, a dificuldade existe porque há estigmas e pouca compreensão da sociedade dando margem, com frequência, a visões que carregam preconceito

Muitas vezes, o tabu interdita a circulação da informação, o que é importante para evitar novas ocorrências de suicídio. Para 2020, o não negligenciamento da saúde mental é fundamental para a garantia de uma sociedade com mais qualidade de vida. 

“A maior parte das pessoas negligenciam sua saúde mental e acabam cometendo um grande erro, porque não existe saúde sem a saúde mental. Elas buscam auxílio no consultório de psicologia quando estão em grande sofrimento psíquico e fisiológico, devido elas não conseguirem mais se adaptar a sua rotina ou pela frustração de não conseguirem desenvolver suas atividades de vida diária. Isso não pode ser sempre deixado de lado”, alerta a psicóloga Maria Claudineia. 

Os sintomas de alerta para saúde mental são muitos e podem ser percebidos quando se manifestam não só o desgaste mental, mas também falta de concentração, dificuldade para dormir, constante tensão, nervosismo, medo de que aconteça coisas ruins, falta de energia, irritabilidade e perda de interesse pelas atividades que antes eram prazerosas.

 “A organização mundial de saúde alerta que a saúde precisa ter englobada a qualidade de desenvolvimento psíquico, físico e social, algo bem complexo porque nem todos têm esses fatores facilitados, mas é imprescindível que possamos buscá-los ainda mais neste novo ano, depois de tantos acontecimentos impactantes vivenciados coletivamente Brasil a fora”, avalia a especialista. 

A prevenção ao suicídio, por exemplo, deve ser estabelecida por meio de uma abordagem educativa e reguladora, com o objetivo de evitar hábitos que possam favorecer o aparecimento de transtornos mentais. 

Segundo a psicóloga, a prevenção pode ser feita através de campanhas de saúde pública, levando informações à comunidade e lembra que o tratamento adequado de certos transtornos mentais e comportamentais podem reduzir os índices de suicídio, sejam essas intervenções orientadas para indivíduos, famílias, escolas ou outros setores da comunidade em geral. 

“Atualmente a depressão e ansiedade são os transtornos que mais levam as pessoas a buscarem atendimento clínico em psicoterapia. Vários fatores contribuem para o estabelecimento dos quadros citados. Alguns estão estabelecidos na genética do paciente e são potencializados por contextos ambientais e comportamentais. Por isso, é muito importante, desde muito cedo, trabalhar com as crianças as habilidades para lidarem com suas questões emocionais, ajudá-las com as interações sociais e ensiná-las modelos positivos de solução de problemas”, finaliza.

Teresina deve rever verticalização e aproveitar melhor as vias

Teresina deve rever verticalização e aproveitar melhor as vias

Bons locais de moradia, saneamento básico, iluminação, interligação de modais são itens que devem receber total atenção do poder público na área do planejamento urbano.

A garantia de uma boa mobilidade urbana é fundamental para melhorar a qualidade de vida da população das grandes cidades. Mas não só ela. Bons locais de moradia, saneamento básico, iluminação, interligação de modais são itens que devem receber total atenção do poder público na área do planejamento urbano

E são esses aspectos que o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Piauí (CAU/PI), Welligton Camarço, destaca como critérios que devam considerados para a estrutura da cidade neste ano de 2020. A mobilidade, sem dúvidas, deve ganhar especial atenção. Para Camarço, há morosidade nos avanços desta área em Teresina

Welligton Camarço, destaca como critérios que devam considerados para a estrutura da cidade neste ano de 2020. (Foto: Elias Fontenele/O Dia)

“Tudo ficou acomodado pela facilidade que Teresina dar, por ser uma cidade plana e por muito tempo não ter grandes problemas no tráfego; então, as políticas públicas para este setor demoraram a chegar. Agora, por exemplo, foram criadas novas grandes vias sem as devidas faixas para ciclistas, os prédios públicos e privados não estão preparados para receber o trabalhador com este modal. É fácil ver um grande engarrafamento e encontrar uma pessoa por carro; não temos política de carona, de sermos mais generosos com o outro. São coisas que precisam mudar”, afirma.

A grande extensão territorial de Teresina também impõe desafios. Isso porque à medida que as cidades vão crescendo, existe um efeito de espalhamento das atividades ao longo do território e isso faz com que as distâncias percorridas pelas pessoas, para atender às suas necessidades de trabalho, educação, compras, lazer, fiquem cada vez maiores. Com a cidade mais “espalhada”, fica mais difícil atender a essas necessidades a pé, de bicicleta ou com o transporte público. 

Essa, inclusive, é a principal razão dos problemas de mobilidade que se enfrenta hoje no Brasil: o crescimento desordenado das cidades, em um modelo de desenvolvimento que estimulou, por muito tempo, o uso do carro. E segundo o presidente do CAU/PI, Teresina é a maior Capital em termo de área urbana do Nordeste. São mais de 45 km do extremo norte ao extremo sul possíveis de serem percorridos. 

“Para se ter uma ideia, Fortaleza e Recife, juntas, cabem dentro do perímetro de Teresina. Então temos de tentar verticalizar a cidade, aproveitar os vazios urbanos e a Prefeitura está buscando isso, em não permitir que o perímetro urbano da cidade cresça e, assim, reduzir custo de transporte, infraestrutura. A verdade é que Teresina precisa passar por uma revolução de verticalização e aproveitamento de suas vias”, atesta. 

Inthegra

O Inthegra, sistema de transporte público de Teresina, já mostra os primeiros resultados do aproveitamento das vias. A conclusão total do sistema, implementado há um ano e meio, está prevista para o mês de janeiro deste ano. No entanto, para Welligton Camarço, a integração dos ônibus não é suficiente. “Estamos vivendo um ajuste de um modal que é o ônibus. E a bicicleta, o metrô, o barco? Teresina tem potencial para todos estes outros modais, mas ainda estamos focando apenas em um. Não damos o devido valor aos nossos rios e a potencialidade do transporte fluvial. Temos que entender que o transporte público não é só para o pobre andar, é para todos andarem. Então, a gente percebe que é um bom primeiro passo o Inthegra, mas está longe de considerar que é uma transformação de transporte público em Teresina”, conclui.

Perspectiva 2020: Com mudanças, setor econômico tem boas expectativas

Perspectiva 2020: Com mudanças, setor econômico tem boas expectativas

Entre os desafios estão responder a aspectos como taxa de desemprego, volume de exportação, inflação, taxa de juros e finanças públicas.

A economia brasileira está se recuperando de forma lenta. No entanto, uma série de mudanças implementadas pela gestão econômica do governo Bolsonaro tentam garantir, para este ano de 2020, um fôlego a mais no setor. Entre os desafios estão responder a aspectos como taxa de desemprego, volume de exportação, inflação, taxa de juros e finanças públicas.

Todavia, entre todos os problemas, o desemprego ainda é um dos que mais impactam negativamente a população. Em 2019, o tema foi apresentado diante das apurações oficiais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,4 milhões de pessoas estão sem emprego no Brasil. 


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Empreendimentos tiveram que se reinventar para sobreviver 


A taxa de desocupação no país fechou o trimestre encerrado em novembro em 11,2%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE. 

O estudo, divulgado no último dia 27 de dezembro, considera desocupadas as pessoas que estão sem emprego, mas que buscaram efetivamente um trabalho nos 30 dias anteriores à coleta dos dados. O levantamento aponta que 11,9 milhões de pessoas compõem a população desocupada.

Para o advogado e professor Antônio Cláudio da Silva, muitos aspectos têm de ser considerados para, de fato, a geração de empregos e o realinhamento da economia brasileira consigam avançar. Para o especialista, os passos certos estão sendo tomados.

“O governo precisava reduzir a dívida pública, a previsão de chegar até o fim do ano era de R$ 156 bilhões, vamos chegar com R$ 120 bilhões. Então, o governo se empenhou em aprovar a Reforma da Previdência e ela gera uma dívida fiscal imensa, mas que, com a Reforma, a dívida fiscal foi jogada pra dez anos à frente. O governo vai ter dez anos pra poder se reorganizar. A partir deste trabalho sinalizou para o mercado uma segurança econômica e uma segurança jurídica”, destaca. 

Segundo o especialista, agora as pessoas começaram a ter mais interesse em fazer investimentos. Ele pontua como positivo o fato de alguns investidores estrangeiros terem voltado para o Brasil, a finalização da privatização da gestão de alguns aeroportos, a realização de leilões das áreas da Petrobras. 

“Na economia, você não consegue fazer algo e ter resultado imediato. É uma coisa que você vai pontualmente fazendo e os resultados vão aparecendo gradualmente. A taxa de juros foi baixando, a dívida pública vai reduzindo, com isso, sobra um pouco mais de dinheiro para investir na economia. Uma área que já cresce muito é a construção civil, o PIB estava com previsão de fechar com 0,9% e já estávamos falando 1,23%. Então todas essas iniciativas começaram a refletir na economia, a forma como o governo está trabalhando está no caminho economicamente correto. O que nós precisamos agora é mais dinheiro circulando na economia”, considera. 

Em termos de ocupação, o ano de 2019 sai, agora, com crescimentos sucessivos da população ocupada. Em novembro, foram 94,4 milhões de pessoas ocupadas com várias atividades absorvendo trabalhadores, como indústria, comércio, serviços.

Classes sociais

No entanto, apesar dos avanços, para os mais pobres, as transformações demorarão a serem sentidas de fato. O professor Antônio Cláudio lembra que a gestão de um governo liberal prioriza a classe média. “Temos que ver se o governo equilibra as contas públicas para depois pressionar esse governo a investir nas classes C, D e E”, resume.

Projeção FGV

Outro importante destaque está nos apontamentos do relatório publicado no dia 20 de dezembro pelo Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas). A expectativa do Instituto é que o desempenho da atividade econômica quase dobre em 2020 em relação ao ano que terminou na terça-feira (31), com um crescimento de 2,2% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2020. A projeção feita pelo tradicional Boletim Macro, lançado todo mês, tem como base a perspectiva de melhora no cenário externo e por uma expansão do crédito no Brasil. Os economistas do Ibre também esperam que uma melhora nos setores de extração mineral e agropecuária ajudem a puxar a economia brasileira no próximo ano. O texto fala em “otimismo moderado”.

31 de dezembro de 2019

Receio de cortes atormentaram universitários

Receio de cortes atormentaram universitários

No primeiro semestre, o presidente Jair Bolsonaro anunciou cortes nos orçamentos das universidades federais

No primeiro semestre de 2019, após quatro meses de vigência do novo governo federal, a equipe do presidente Jair Bolsonaro anunciou cortes nos orçamentos das universidades federais. As instituições, corpo docente e discente permaneceram em alerta, sob o risco de verem comprometidos seus serviços, suas atividades e produções acadêmicas.


Relembre

Luziário Silva, o Luze, estava na expectativa de chegar ao patamar de 60% de seu curso superior concluído em 2019. Vindo de uma família de baixa renda do interior do Maranhão, o jovem necessitava de auxílio estudantil para manter os estudos e suas demandas básicas na capital do Piauí, sobretudo porque os pais estavam desempregados.


O estudante Luze Silva, para quem as bolsas universitárias significam a sua permanência na graduação, foi um dos que ficou sobressaltado durante o ano. No entanto, a manutenção dos benefícios o fez ter mais tranquilidade e esperança para o próximo ano.

“Eu basicamente vivia das bolsas que a universidade me oferecia, seja participando de bolsas de pesquisa ou da Praec (Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários). E eu tinha muito receio por conta do contexto político que a gente está vivendo, em imaginar como isso ia garantir ou prejudicar minha permanência dentro da universidade. A verdade é que esse receio me acompanhou durante boa parte do ano e, em virtude desse medo, fui buscando outras possibilidades de permanência. Busquei estágios fora e consegui me integrar à empresa, então visualizo que, daquilo que tinha projetado para o ano, apesar do atropelo e do medo, foi um ano muito produtivo”, descreve o universitário.

(Foto: Elias Fontinele)

Para Luze, as bolsas são tão importantes porque ele é um dos milhares de universitários que adentram à universidade sem ter nenhum aporte financeiro da família. Oriundo do Maranhão, sua dependência em Teresina é custeada por si mesmo.

Na Ufpi, ele recebe uma bolsa de auxílio residência, que o acompanhará até o final da graduação, e também possibilita acesso ao restaurante universitário. “Hoje eu até faço parte, voluntariamente, de um grupo de pesquisa dentro da universidade, a gente tenta continuar produzindo artigos, eventos, porque basicamente não nos vimos tendo aporte financeiro, esse ano foi muito disso”, relembra.


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As universidades públicas, entretanto, são responsáveis por 95% da produção científica brasileira, segundo o relatório “Research in Brazil”, realizado pela empresa americana de análise de dados Clarivate Analytics, divulgado em 2017.

De acordo com dados da Web of Science, plataforma internacional de indexação de citações científicas da Clarivate Analytics, em 2019, das 50 instituições que mais publicaram pesquisas científicas no Brasil, 44 são universidades (36 federais, 7 estaduais e 1 particular), 5 são institutos de pesquisa e um é instituto federal de ensino técnico.

Empreendimentos tiveram que se reinventar para sobreviver

Empreendimentos tiveram que se reinventar para sobreviver

Para Alexandro, mesmo com as dificuldades, ele conseguiu manter a equipe de funcionários

O ano de 2019 foi marcado por muitos altos e baixos na esfera econômica. Um período que contou com reduções sucessivas dos juros, altas e quedas históricas da cotação do dólar e, mais recentemente, o aumento do preço da carne bovina para o consumidor final.

Para quem escolheu o empreendedorismo como atividade principal, a palavra-chave foi: reinvenção. É esta a principal definição do empresário Alexandro de Moraes, que trabalha no ramo de confecções com lojas em Teresina e no interior.


Relembre

O empresário Alexandro de Moraes estava animado, no final do ano passado, com a perspectiva de melhora da economia com a mudança política em âmbito nacional. Apesar da empolgação, ele reclamava da alta carga tributária que incidia sobre a venda de seus produtos, direcionados mais às classes C e D. Para sobreviver, empreendimentos tiveram de se reinventar


“O ano de 2018 não foi tão ruim, mas o 2019, comparando com os anos anteriores, senti o impacto da economia e tive que reajustar o meu comércio. Fui diminuindo os custos para saber onde estava melhor, onde estava pior, e fui reinventando todo o negócio. Fiquei frustrado com as expectativas que tinha”, destaca o empresário.


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Em maio, sem sinais de retomada do emprego e da renda, a confiança dos consumidores atingiu seu ponto mais baixo. As lojas de Alexandro oferecerem roupas a baixo custo. Mas mesmo com produtos com custo reduzido, as vendas estancaram. “Este ano senti que a clientela ficou mais receosa em gastar, ficou mais difícil levar o cliente. Hoje a economia está tão incerta que a gente fica sem saber o que investir”, fala.

(Foto: Elias Fontenele/ODIA)

Alexandro, que, mesmo com as dificuldades, conseguiu manter a equipe de funcionários. A estratégia foi fechar uma das lojas maiores e segmentá-la em dois outros lugares, procurando atrair mais clientes e resultados. Deu certo, sem ganhos representativos ou perdas impactantes, as estratégias de negócio do empresário o fazem, mais uma vez, ter esperança de melhoria para o próximo ano.

Mas não só os empresários estão preocupados com o aquecimento da economia, como os próprios consumidores. Janaina Lira, que sempre procura preços acessíveis na hora de ir ao Centro, explica que diminuiu o ritmo das compras. “Mesmo sendo uma pessoa que busca os lugares mais em conta, eu não parei de comprar mesmo. É que quando as coisas apertam, a gente pensa na necessidade primeira”, declara.

Reforma da Previdência concedeu novo fôlego à economia, avalia especialista

Segundo o especialista Eliézer Marins, advogado tributarista e consultor empresarial, o recente encaminhamento da Reforma da Previdência concedeu novo fôlego à economia brasileira em 2019. “No período anterior, é verdade, já havia alguns bons indica dores. Afinal, o segundo trimestre do desempenho econômico do país conquistou um aumento do investimento. Em resumo, há uma quase unanimidade dos economistas quanto à lentidão da recuperação da economia brasileira em 2019. Mas com relação ao futuro, o I PEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) prevê um crescimento econômico de 2,1% para 2020”, destaca.

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Noemia dos Anjos estava desempregada em 2018 e sem perspectivas de melhoras

Seis realidades distintas se cruzaram no final do ano de 2018 para prospectar os próximos 365 dias. Eles foram a voz de grande parte da população que, assim como eles, esperava melhores oportunidades de emprego, transporte público de qualidade e recuperação da economia ao ponto de consolidar e ampliar negócios. Eles também sonhavam em deixar a zona de vulnerabilidade social, de concluir seus estudos sem percalços e de se aposentar de forma justa. Todavia, os sentimentos se misturavam. As palavras esperançosas se confundiam com o receio do que estava por vir; talvez um medo maior de que tudo continuasse como estava, ou quiçá pior. Então, um ano se passou. A reportagem de O DIA revisitou essas pessoas. Alguns personagens não são mais os mesmos, porém, mantivemos a essência daquilo que eles nos relataram. Nas páginas a seguir, você descobrirá como foi o ano de 2019 delas.


Relembre

Moradora da zona Norte de Teresina, Noemia dos Anjos Silva, de 54 anos, estava desempregada em 2018 e sem perspectivas de melhora. Mãe solteira, ela cuidava de uma filha deficiente e de outra que ainda não tinha conseguido se inserir no mercado de trabalho. Ela se queixava da alta dos preços dos alimentos e das dificuldades em conseguir emprego.


Passado um ano desde que a equipe de reportagem de O DIA visitou Noemia dos Anjos Silva, ela revela que sua renda não mudou. Mas os custos dos serviços básicos, sim. Desempregada por precisar cuidar da filha em tempo integral, ela continuou a ter como fonte de renda a quantia que recebe do programa Bolsa Família e a aposentadoria da filha. Porém, os custos de vida para manter serviços básicos, como saúde, alimentação, energia e abastecimento d’água, mudaram; e para pior. Nas palavras da dona de casa, “falta tudo” e, um ano, ela diz que não melhorou.

A sensação ruim que a dona de casa ressalta é também comprovada por números. A extrema pobreza subiu no Brasil e já soma 13,5 milhões de pessoas sobrevivendo com até R$ 145 mensais. O contingente é recorde em sete anos da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

(Foto: Elias Fontenele/ODIA)

A alta do desemprego, os programas sociais mais enxutos e a falta de reajuste de subvenções, como o Bolsa Família, aumentam o fosso dos mais pobres no país. O indicador de pobreza do Bolsa Família, por exemplo, é de R$ 89, abaixo do parâmetro de R$ 145 utilizado pelo Banco Mundial.

“A gente se vira como pode, a carne subiu, o frango subiu, peixe, tudo subiu. Como é que a gente vai passar com um salário com isso tudo? A alimentação tá difícil, mas falta tudo. Se eu disser que falta só alimentação, eu estou mentindo, porque falta roupa, calçado, remédio, falta tudo”, considera Noemia.


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Pobreza é fio condutor para violência, avalia cientista social

Para o cientista social da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Arnaldo Eugênio, a pobreza não só impacta a população mais pobre, como também é o fio condutor para uma sociedade mais violenta, que penaliza a vida de todos.

“À medida que o Brasil entrou em crise, a partir de 2013 até 2016, também aumentou a violência. Isso porque a crise econômica faz com que a sociedade fique ainda mais dividida, faz com que o fosso das vulnerabilidades aumente ainda mais, então, você vai ver, em consequência, mais suicídios, mais crimes violentos, mais dificuldade”, considera.

(Foto: Arquivo/ODIA)

Para Noemia, em 2018, a perspectiva de um ano melhor estaria na garantia da continuidade dos auxílios que recebe, bem como na redução dos preços para o consumo de alimentos, além da possibilidade da filha conseguir uma ocupação.

Em 2019, apenas os benefícios continuaram sendo garantidos, as demais expectativas foram frustradas.

24 de dezembro de 2019

Especial de Natal: O nascimento do menino Jesus e sua simbologia

Especial de Natal: O nascimento do menino Jesus e sua simbologia

Carregada de símbolos, a lembrança da vinda de Jesus Cristo ao mundo, segundo padre Cabrini, representa a libertação da humanidade do pecado.

Natal é tempo de festejar com a família o nascimento de Jesus Cristo. O presépio, as luzes, a estrela e a manjedoura são alguns dos símbolos natalinos que os cristãos utilizam para celebrar sua vinda. 

O padre Francisco Cabrini argumenta que o dia 25 foi uma data escolhida pelos cristãos, mas que não se sabe ao certo em que data o menino Jesus nasceu. Mas de toda forma o que é mais importante é o significado de sua vinda: livrar a humanidade de todos os pecados. 


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“O nascimento de Jesus é importante, pois ele veio até nós, assumindo a carne humana, se solidarizando com a humanidade. Fazendo todo aquele processo que cada ser humano faz, que é ser gerado no útero da mãe, se desenvolver, nascer, crescer, passar pela adolescência, pela juventude, pela fase adulta, sentir dores e morrer, contudo sem deixar de ser Deus”, assinala padre Cabrini. 

De acordo o padre Cabrini, outras representações importantes são Jose e Maria. Já a árvore de natal e o papai não são símbolo de natal para a igreja e os cristãos, por que foi algo colocado depois. 

“O presépio é a representação que nos faz reviver o contexto do nascimento de Jesus fora de Belém, temos manjedoura que nos diz muito, pois foi onde Jesus nasceu. Ele poderia ter nascido no berço de ouro, mas nasceu em local simples, humilde, sem brilho. Que significa simplicidade que é vontade de Deus. A estrela representa a luz, pois Deus vem clarear a humanidade com essa luz, representa também uma seta, indicativo de algo que é fonte de libertação, vida e esclarecimento”, explica o sacerdote. 

Todavia, ainda existem os símbolos como a Coroa do Advento, confeccionada com folhas verdes e composta por quatro velas.  A cada domingo, uma vela é acesa simbolizando a luz que chegará, a luz que iluminará aqueles que estão nas trevas.  

Em algumas situações as velas são coloridas, mas o sentido deve ser o mesmo: uma vela para cada domingo do advento, sem importar a cor. A guirlanda, com seu formato em círculo, significa a perfeição e o ciclo infinito do universo, assim como infinito é o amor de Deus. 

O pinheiro, é a árvore que sobrevive ao inverno e lembra que a fé em Deus supera a morte. Com bolas coloridas e luzes, a árvore deve conter a estrela guia, aquela que guiou os reis magos até  Jesus. As luzes lembram que “Ele é a Luz do mundo” (Jo 8,12) que “ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo 1,9). Os reis magos levaram presentes ao menino Deus, e por isso, mantem-se a tradição de colocar presentes sob a árvore de natal.  

Já as meias são uma atribuição a São Nicolau. Conta-se que ainda jovem, ele soube que um dos vizinhos enviaria as três filhas para a prostituição, pois não teria mais recursos financeiros para sustentá-las ou pagar o dote do casamento. Diante dessa situação, Nicolau jogou moedas de ouro pela chaminé da casa vizinha, e com isso remediou a situação evitando a prostituição das jovens. Há uma versão apontando que essas moedas caíram dentro de meias colocadas na chaminé, com objetivo de aquecer a vestimenta. A Liturgia da Igreja, nesse período tem a cor roxo, tal qual na Quaresma. Onde a Igreja vive a expectativa por um momento que vai chegar.