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Antirracismo: bandeira deve ser levantada pela sociedade

A prática deixa chagas nas diferenças que existem na educação, na saúde e até na economia, entre pessoas brancas e negras.

15/11/2019 09:46h - Atualizado em 15/11/2019 11:40h

No mês em que é comemorado o Dia da Consciência Negra, dois episódios de racismo ganharam repercussão em partidas de futebol dentro e fora do país: um no clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG, no dia 10 de novembro, no Mineirão, em que um segurança foi confrontado por dois torcedores que chamaram atenção para a sua cor; e o outro sofrido pelos jogadores brasileiros Dentinho e Taison, ambos do Shakhtar Donetsk, que foram vítimas de racismo durante um clássico na Ucrânia contra o Dínamo de Kiev, também último domingo (10).

Os cenários evidenciam que a luta antirracista é uma bandeira que não pode ser deixada de lado na sociedade atual. Como enfatiza Ângela Davis, professora e filósofa estado-unidense: “em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”. Engana-se quem acha que os efeitos do racismo no Brasil limitam-se a agressões verbais ou violências diretas. A prática deixa chagas nas diferenças que existem naeducação, na saúde e até na economia, entre pessoas brancas e negras.


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De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua), os salários pagos pelo trabalho de pretos, pardos e brancos são, em média, diferentes. Enquanto brancos ganharam em média R$ 2.897 em 2018, pardos ganharam R$ 1.659 e pretos R$ 1.636. Para se ter uma ideia, a média nacional dos rendimentos pelo trabalho é de R$ 2.234.

Segundo análise dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feita pela Fundação Perseu Abramo, em 2016, pretos e pardos são 78% entre os mais pobres e somente 25% entre os mais ricos. A consequência desse fato pode ser vista na desigualdade social e econômica no Brasil.

A pesquisa da PNAD-Contínua, que analisou todo o ano de 2018, mostra que em relação à cor ou raça foram registrados 10,3 anos de estudos para as pessoas de cor branca e de 8,4 anos para as de cor preta ou parda. A média brasileira foi de 9,3 anos. Atualmente, o Nordeste é a região do Brasil com maior percentual de pessoas autodeclaradas pretas.


(Foto: Folhapress)

O Piauí é o terceiro estado do Nordeste com maior percentual da população autodeclarada negra já que, aqui, 80% da população se considera preta ou parda. Dia da Consciência Negra O Dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro em todo o país. A data homenageia Zumbi, um pernambucano que nasceu livre, mas foi escravizado aos seis anos de idade. Mais tarde, ele voltaria para sua terra natal e seria líder do Quilombo dos Palmares. Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695.

Por: Glenda Uchôa - Jornal O Dia

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