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Não só do canal vive o Panamá - Confira locais vale visitar

Maria das Graças Targino - Especial para o Jornal O Dia

10/06/2019 11:54h - Atualizado em 14/06/2019 17:52h

Eis o Panamá! Tão próximo e demoramos tanto a conhecê-lo! Nenhuma razão explícita. Talvez, o preconceito inconsciente de que o fantástico desse país, cuja Capital é seu homônimo, é tão somente o célebre Canal do Panamá, construído em 1914! De fato, é ele importante para a vida de sua gente e de outros povos. Afinal, a República do Panamá é o país mais meridional da América Central, situado ao centro de dois extensos territórios que constituem as Américas (América do Norte e América do Sul) e entre os oceanos Atlântico e Pacífico, de tal forma que sua posição geográfica favoreceu desde sempre a redução das rotas mercantis mundo afora 


Canal do Panamá

Após conseguir independência da Espanha, ano 1821, a Província do Panamá contou com o apoio dos Estados Unidos para se libertar da Colômbia, 1903. Mas, como sempre ocorre, os EUA impuseram seu poderio, mantendo o Panamá como colônia por longos 97 anos, ao ponto de habitarem por lá cerca de 160 mil norte-americanos! Construíram o Canal e, por décadas, mantiveram o direito de exploração. Tão somente em 1999, após intensas e duras negociações, o Panamá conseguiu autonomia sobre o território. Em três anos sob gestão panamenha, a arrecadação correspondeu ao mesmo valor da soma de 85 anos, período correspondente à administração conjunta com o Governo norte-americano.

Como decorrência, a nação demorou a deslanchar. Oligarquias e militares em permanente conflito perduraram até a Queda da Ditadura, quando Manuel Antonio Noriega governou o Panamá entre 1983 e 1989, com mão de ferro, em meio a histórias transformadas em chacota e lendas. Por exemplo, contam que, em suas aparições públicas, empunhava sempre um facão, literalmente rugindo: “Nenhum passo atrás!” As espetaculosas manifestações de suas Brigadas, nomeadas como Batallones Dignidad, tinham o intuito explícito de defender o Panamá contra invasão liderada pelos EUA, o que terminou por acontecer ao final de 1989, com o objetivo de capturar Manuel Noriega, acusado tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção. 

O mundo desconhecia que, em meio aos discursos inflamados, Noriega era associado da CIA e mantinha contatos sistemáticos com outros serviços de inteligência, como o de Moscou, além de apoiar narcotraficantes e ditadores. Extraditado para os EUA, cumpriu pena por mais de 20 anos. De volta ao Panamá, ano 2011, sentenciado por 60 anos, quando de sua morte, ano 2017, estava em prisão domiciliar, por problemas de saúde. A este respeito, o atual presidente do país, Juan Carlos Varela, limitou-se a escrever em rede social: “a morte de Noriega encerra um capítulo de nossa história.”

Após esta rápida digressão acerca da complexa história do Panamá, o fato é que, por fim, o desenvolvimento se delineia, trazendo consigo, além de um regime democrático, uma série de facilidades para atrair investidores, de forma a impor a geração de empregos e o ritmo acelerado de crescimento econômico, que posiciona o país, hoje, como importante nação para a economia da região. Conecta o Sul ao Norte. Conecta todos com o Caribe. 


Pontos de atração 

Isla Toboga

A Capital, cidade do Panamá, fundada em 1519, é um recanto cosmopolita, mesclando certa aura de encantamento histórico e traços de modernidade. Não deixa a desejar para outros recantos, em termos de lazer; gastronomia para todos os gostos, em especial, para os amantes dos frutos do mar; áreas verdes, com jardins e parques de beleza ímpar, a exemplo dos parques Darién e La Amistad. 

O consumismo faz a festa para quem não resiste às inovações tecnológicas, incluindo eletrônicos em geral, smartphones, computadores, relógios, além de bebidas, perfumes e roupas de marcas sofisticadas. Mas ao contrário do que se pensa, tão somente em Cólon (na extremidade do Caribe no canal do Panamá) vale o sistema de tax-free e numa ou outra loja, incluindo o aeroporto de Tocumen, que é per se um complexo de lojas. Mas os valores estão longe de ser acessíveis, incluindo o artesanato, pouco original e muito caro por toda parte.

Ruínas do Panamá Viejo

Dentre suas atrações, o Canal do Panamá não perde sua posição! Com 80km de extensão, funciona diuturnamente. Embarcações de diferentes portes nos levam para lá e para cá, ou seja, nos permitem atravessar o Oceano Atlântico ao Pacífico ou do Pacífico ao Atlântico, sem dar volta no continente. Funciona por meio do sistema de eclusas, ênfase para Miraflores, Gatun Lake e Pedro Miguel. Apesar de um pouquinho distante do centro da cidade, a primeira é a que permite melhor visão aos visitantes e possui infraestrutura mais adequada. 

É comum os mais desavisados, dentre os quais me incluo, pensarem que as eclusas do Canal existem porque o Atlântico e o Pacífico possuem alturas diferentes. Ao contrário: sua altura é quase a mesma. As eclusas resultam da topografia da região, que faz com o que o lago do Canal fique acima do nível do mar. Funcionam como “elevadores”: os navios sobem durante o percurso no Canal e descem até o outro oceano. Afinal, eis uma obra de engenharia por mãos humanas, que deixa uma marca indelével em nossa memória. Impossível sair imune após passeio tão singular, coalhado de histórias e causos para lá de interessantes! 

A Ponte Las Americas, 1962, época ainda da supremacia norte-americana, une os dois lados do Canal do Panamá, isto é, o Pacífico e o Atlântico. Ponte com grandes estruturas metálicas e um grande arco, além do mirante, que dá boas-vindas aos 150 anos da cultura chinesa no país, incitam os visitantes a sacarem dezenas de foto. 


Panamá Viejo

Como a designação antevê, o Panamá Viejo (Panamá Velho, 1519-1671) é a primeira Cidade do Panamá e portanto, a área mais antiga. Consiste em sítio arqueológico, com construções magníficas feitas em pedras, a exemplo do Museu Patronato Panamá Viejo, que conta a história panamenha; a Puente del Matadero; e a Torre da Catedral.


Casco antiguo

Casco Antiguo

Transcorrido o tempo, a segunda sede da Cidade do Panamá passou a ser o Casco Antiguo ou Casco Viejo (Casco Antigo, bairro San Felipe), cuja construção se deu, em 1671, quando o Panamá Viejo foi totalmente saqueado e destruído por piratas, restando ruínas, hoje, abertas à visitação. Reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, abriga museus, praças, igrejas e conventos, além de prédios e ruas íngremes de pedra, que dispensam saltos altos para que a turista possa caminhar ao sabor do vento e do céu azul, e desfrutar a vida noturna para lá de animada, com “n” opções de casas noturnas, restaurantes e bares, com uma esticadinha na Calle Uruguay.

Para quem gosta de jogo de azar, é possível encontrar cassinos em várias partes da cidade e no bairro El Cangrejo, local que merece capítulo à parte. Há de tudo: o Parque Andres Bello; um pôr do sol inesquecível no The Roof; karaokê ao vivo na Via Argentina; lanche à meia-noite em Del Prado, etc. etc. 

Ainda no Casco Antiguo, dentre suas construções, eis o antigo Convento de Santo Domingo ou, simplesmente, Arco Chato, face a um detalhe de sua construção: o arco de formato achatado mantinha a função de sustentar o coro do convento. Hoje, em seu pátio, vez por outra, há exposições de arte em suas variações. Ainda por lá, estão a Igreja de São Francisco de Assis; a Catedral e o Museu do Canal Interoceânico, que explora a história do Canal do Panamá. A Universidade do Panamá está na Avenida Transístmica e em seu caminho, é possível visitar a Igreja de São José, construção entre 1671 e 1677, e que sobreviveu a um terrível incêndio. Seu altar, estilo barroco com pintura de ouro, é de beleza indescritível. 

Aliás, o ensino superior é de boa qualidade, com 11 instituições, sete das quais privadas, que, de forma consensual, segundo a população, prezam pela qualidade e pelo rigor. A saúde pública não está no alvo das lamentações, mas estranhamente, os panamenhos se queixam da falta de medicamentos e de seus preços para lá de elevados! 


Zona Nova

Dubai das Américas

Deixando a zona antiga da charmosa Capital panamenha, é a hora de curtir a parte nova, sem esquecer de visita ao Mercado de Mariscos, um dos mais tradicionais, mas que deixa muito a desejar no quesito limpeza. Na Cinta Costera, orla marítima recentemente revitalizada, em seu calçadão, esportistas (ou não) se perdem em longas caminhadas ou passeios de bike e de patins, desfrutando a beleza de parques onde estão esculturas e maravilhosos espelhos d'água. Num arroubo de patriotismo, como de lá é possível avistar os numerosos edifícios do Panamá, a Capital já chegou a ser nomeada como “Dubai das Américas”, devido à grandiosidade de suas construções mais recentes. Algumas delas estão no Punta Pacífica, bairro mais ou menos novo, com edifícios de grande porte, à semelhança da Trump Tower, em homenagem a Donald Trump. Um passeio pelo Corredor Sur nos permite apreciar mais de perto as modernas construções que dão charme ao novo Panamá.

Eis a hora de El Paseo Amador (Amador Causeway). É o elo entre continente e às pequenas ilhas Naos, Perico e Flamenco, repletas de restaurantes, lojinhas e uma marina. Trata-se de avenida construída com as pedras remanescentes da construção do Canal. Sua beleza convida qualquer um a passeios de bike ou a uma paradinha num barzinho qualquer para conviver com o panamenho que se distribui em quatro segmentos bem nítidos – brancos, negros, mestiços e índios. Aliás, no país, convivem sete etnias indígenas, disseminadas por todo seu território: ngäbe; buglé; kuna; emberá; wounaan; naso tjerdi; e bri, mas, na Capital, é mais frequente a presença dos kuna yala (ou guna yala ou hoy kuna), embora seja mais fácil a inesquecível visita à comunidade dos emberá, ao largo dos rios Gatun e Chagres. 

Comunidade dos  emberás

No Amador Causeway, o BioMuseo é imperdível, tanto por sua arquitetura multicolorida, obra do arquiteto canadense Frank Gehry, de 85 anos, naturalizado norte-americano, quanto por seu acervo valioso. O foco central é difundir a biodiversidade do Panamá e, ao mesmo tempo, conscientizar a população sobre a relevância da conservação do planeta. Suas exposições permanentes se espalham por oito galerias: Galeria de biodiversidade; Panamarama; A ponte emerge; A grande troca; A pegada humana; Oceanos divididos; A rede viva; e Panamá é o Museu. Seu conteúdo é inarrável e requer visita in loco ou, no mínimo, ao site oficial www.biomuseopana ma.org.


Há mais...

O Cerro Ancón (Morro Ancón) também é imperdível. Em suas proximidades, há interessante mesquita com um templo, onde ocorrem cultos da fé Bahái. O morro mais alto da região (200m de altura) está cercado por densa vegetação, onde vivem diferentes espécies de animais. Além de ostentar uma enorme bandeira panamenha, o Ancón favorece uma das melhores vistas panorâmicas da Capital, incluindo parte do Canal e dos novos edifícios. Trata-se de área ora ocupada por militares panamenhos em vez dos norte-americanos, que partiram, deixando alguns remanescentes e certas heranças, a exemplo da moeda. Oficialmente, é ela o balboa, mas o que circula para valer é o dólar americano, até porque o balboa só existe em moedas! 

Dentre as excentricidades, está a localização do Palácio do Governo. Diante do Pacífico, as águas nem sempre plácidas do Oceano impedem a entrada pela frente das instalações do prédio, e, então, quaisquer manifestações contrárias ao Governo. Aqui, destaque para algo fenomenal e que deveria ser implantado em qualquer regime democrático: presidente, governadores e prefeitos não podem ser eleitos mais de uma vez (cinco anos) e somente os deputados são reelegíveis, com tendências que emergem para que os mandatos também sejam restritos!  Outra singularidade, desta vez, também a favor do povo, os maiores de 60 anos, turistas ou não, em qualquer restaurante, têm direito a desconto, salvo as redes internacionais de fast food. 

Arquipélagos e ilhas

A Cidade do Panamá não possui praias, face à formação de mangues, quando da edificação da Capital, que impediam a formação do arenal. No entanto, visitar o Panamá e não conhecer suas ilhas e seus arquipélagos, é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa! Dentre eles, para quem dispuser de tempo para ir mais longe, sobretudo, os aficionados por praia e esportes aquáticos, destino certo: praias de Santa Catalina (387 km da Capital) ou arquipélago Bocas del Toro, 250 km. Mais próximo, está San Blás, arquipélago-paraíso distante 148km da Capital, com suas ilhas caribenhas de águas mornas e areia branca. Taboga, mais ou menos a 22km da costa panamenha, é imperdível como o próprio cognome sugere: Ilha das Flores!


Mas nem tudo são flores

Ônibus desconforto e colorido

Como o Brasil e os demais países em desenvolvimento, a cidade do Panamá ainda carece de infraestrutura ideal para o turismo, com problemas da segurança pública e áreas de risco. A polícia única conta com um contingente significativo de mulheres e é totalmente segmentada – para turistas, mulheres, rodoviárias, famílias, fronteiras, drogas, etc. O transporte público é bastante deficitário. O metrô barato (cerca de 35 centavos), possui apenas duas linhas, a segunda recém-inaugurada. Os ônibus coloridos são bem antigos e lembram os de países, como Índia. Os táxis não adotam o taxímetro e os preços variam de uma forma incrível, que torna a negociação para lá de cansativa! Embora haja queixa generalizada contra mosquitos, eles só fazem a festa no período chuvoso. Mas, definitivamente, chama atenção o amor do panamenho ao Brasil, em especial, nos quesitos futebol (embora o beisebol seja o esporte número um do país), carnaval e novelas. Há um clima de idolatria! Enfim, tudo nos leva a viver as delícias dessa nação de povo sorridente e de locais tão aprazíveis! Para nós, nenhum problema, mas o calor panamenho põe o de nosso Piauí no chinelo! É de matar! 


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