Covid-19: projeção mostra novo aumento de casos a partir de março

Segundo o professor de Matemática da Universidade Federal do Piauí, a chegada da Ômicron no Piauí pode multiplicar o número de novos diagnósticos da doença.

13/01/2022 09:00h - Atualizado em 13/01/2022 09:21h

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O avanço da variante Ômicron e o relaxamento das medidas de higiene preconizadas pelas autoridades sanitárias, como o uso de máscara, higiene das mãos e o distanciamento social, podem ser os responsáveis por um aumento expressivo do número de casos de covid-19 a partir do mês de março no Piauí. Segundo o professor doutor do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Jefferson Leite, o estado pode chegar a registrar 3 mil novos casos da doença por dia.


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Para traçar uma projeção da pandemia, Jefferson Leite explica que é necessário avaliar os cenários possíveis, como, por exemplo, os índices de isolamento, uso de máscara, entre outras medidas. O matemático já havia feito uma projeção, em janeiro do ano passado, de que o Piauí atingiria o pico da segunda onda no final de março de 2021, com 40 mortes por dia, cenário que acabou se concretizando. Desta vez, ele alerta que, com as aglomerações de final de ano e o relaxamento das medidas de proteção, além da chegada da Ômicron no Piauí, a doença voltará com força nos próximos meses.

Professor Jefferson Leite. (Foto: Assis Fernandes/O Dia)

“Por conta da vacina, muita gente se descuidou, em relação ao uso de máscara, álcool em gel, limpeza das mãos e dos materiais que utilizamos. O Natal e o Ano Novo, assim como o Carnaval, trará um aumento do número de casos, nesse caso bem maior do que o anterior.  Considerando essa situação em que estamos cada vez usando menos máscara, cada vez aglomerando mais, principalmente na prerrogativa de termos vacinado, sem considerar que a Ômicron não está coberta pela vacina, temos um aumento do número de casos e vamos ter números muito similares à época do pico, que tivemos em agosto do ano passado, com início em março”, afirma o professor.

Segundo ele, o fato da população estar, em sua maioria, vacinada, contribuirá para manter o índice de óbitos proporcionalmente reduzido, já que a imunização diminui em até 20 vezes as chances dos casos evoluírem para óbito e, em caso de contágio, diminui em até 17 vezes a chance de progredir para casos graves.

“A vacina não veio para eliminar o número de casos, ela veio para dificultar o contágio e para fazer com o que os casos que tivermos de covid sejam casos mais leves, o que também não faz com que não tenha mortes. A gripe ao longo do tempo sempre foi sinônimo de algumas mortes, principalmente naqueles com comorbidades e com idade mais avançada”, alerta.

Foto: Mário Oliveira/Fotos Públicas

Para o professor, a variante Ômicron é a grande responsável pelo aumento do número de casos de covid-19 em todo o mundo, por ser mais contagiosa e resistente às vacinas. Jefferson Leite avalia ainda que o avanço dos casos de Ômicron é equivalente à falta de vacinas no início da pandemia, contribuindo para novos diagnósticos. Caso a variante comece a ser registrada no Piauí, a estimativa é de que, em breve, poderemos chegar a 1 mil casos por dia.

Outra preocupação é que, além do avanço da covid-19, o vírus Influenza A H3N2 também pode ser um complicador para as autoridades de saúde. Por isso, ele reitera a importância de manter os cuidados básicos, mesmo entre as pessoas já com o esquema vacinal completo, como o uso de máscara, álcool em gel e manter o distanciamento social.

“Nossa estimativa em termos numéricos é que a gente chegue a 1 mil, 2 mil e até 3 mil casos por dia, lá para março, justamente por essa situação da Ômicron chegar no Piauí com força e não termos as medidas protetivas que nós tínhamos antes. A questão das mortes certamente não chega ao nível que estávamos antes, porque temos a proteção da vacina, mas de número de casos é possível”, conclui.

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