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Empreendedorismo “por necessidade” volta a crescer no Estado do Piauí

Quase 3 mil empresas foram criadas neste ano no Estado por pessoas que enxergaram no empreendedorismo a possibilidade de voltar ao mercado de trabalho.

16/12/2019 08:40h - Atualizado em 16/12/2019 13:19h

Depois de passar cinco anos vendendo chips de uma operadora de telefonia móvel, de segunda à sábado no Centro de Teresina, Samara de Sousa, de 26 nos, decidiu abrir o seu próprio negócio em 2019. Cansada de trabalhar por lucros baixos e com aluguel mensal para pagar, abriu uma loja de variedades no bairro Promorar, zona Sul da Capital, utilizando parte do dinheiro que ela e o esposo receberam na rescisão contratual de seu antigo emprego. Hoje divide a rotina com o trabalho em casa e fatura cerca de R$ 2 mil por mês.

“O meu trabalho com a venda de chips foi onde tudo começou, quando estou na rua meu esposo toma conta da loja. Eu trabalho mais com o Whatsapp. A melhor coisa é a gente acordar todos os dias, ver que tem um negócio e fazer de tudo para ele dar certo”, disse.

Assim como ela, muitos piauienses que não possuem emprego ou estão longe do trabalho formal, enxergam no empreendedorismo a saída para voltar ao mercado de trabalho. Segundo Junta Comercial do Piauí (JUCEPI), quase 3 mil empresas foram criadas por necessidade este ano no Estado.

A crise econômica abriu espaço para o empreendedorismo por necessidade, que é aquele onde uma parcela maior de pessoas abriu uma empresa por falta de trabalho e não porque escolheram ser empreendedoras ou viram uma boa oportunidade de negócio. De 2014 para cá, o número de desempregados no país cresceu e, em decorrência disso, o número de pessoas apostando em um empreendimento também aumentou.

“As pessoas desempregadas procuram alternativas para sustentar a família e encontram essa alternativa de empreender. Ninguém empreende quando tem a segurança do emprego fixo, mas quando perde esse emprego, passa a tentar outras coisas, explorar algum talento que tenha", avalia a presidente da JUCEPI, Alzenir Porto.

Segundo a gerente de atendimento e mercado do Sebrae Piauí, Kelly Campêlo, a falta de planejamento é o principal fator para o fechamento de empresas no Estado. Ela explica que não basta apenas empreender, é necessário seguir algumas recomendações na hora de abrir um negócio.

“Se eu quero que meu negócio dê certo eu preciso planejar, e o planejamento envolve desde conhecer o mercado até entender o valor dos produtos. Comprar bem por exemplo, significa vender bem. Outra coisa, é preciso fazer um levantamento de capital de investimento e giro, ou seja, eu preciso de quanto para colocar a minha empresa e quanto para manter ela funcionando? Porque independente de vender ou não a empresa vai ter despesas”, conta.

Campêlo conta ainda que existe muito desconhecimento da população e, por essa razão, é indispensável a procura de capacitação.


Gerente Estadual de Atendimento individual e mercado, Kelly Campelo: "Planejamento é fator importante" - Foto: Elias Fontinele/O Dia

“O que existe ainda é muito desconhecimento. Então se eu buscar cursos de capacitação, conhecer o que tem ao meu redor, conhecer o que o mercado oferece ou até mesmo o que o Sebrae pode me oferecer, é bem provável que trile um caminho mais seguro. A gente tem observado que o brasileiro é um povo criativo, inovador, mas necessita de apoio para manter o negócio funcionando”, esclarece.

O boom dos MEIs

A crise fez disparar o número de microempreendedores individuais (MEIs) no Piauí, ou seja, uma pessoa que trabalha por conta própria e se formalizou como pequeno empresário.

Dados divulgados pela Portal do Empreendedor do Governo Federal apontam que em 2019 o número de microempreendedores no Piauí bateu recorde chegando a 94.323. O levantamento mostrou ainda que 57.447 deste total atuam em estabelecimento fixo, representando 60,96% da pesquisa. A internet também foi um campo explorado para empreendimentos. Pelo menos 7.064 (7,5%) microempresários apostam em negócios no ambiente virtual.

Cenário nacional dos MEIs

Segundo o Serasa, a representatividade dos MEIs no mercado acompanhou o desemprego no país. Das 955,3 mil empresas abertas entre janeiro e maio deste ano, 79,2% eram MEIs. Em 2013, essa parcela ficava em 42%.

Edição: Adriana Magalhães
Por: Jorge Machado, do Jornal O Dia

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