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Familiares e amigos de Vanessa Carvalho pedem justiça em ato

A enfermeira foi assassinada no dia 29 de setembro, após ser atropelada pelo empresário Pablo Henrique Campos.

18/10/2019 10:10h - Atualizado em 18/10/2019 20:04h

Familiares e amigos da enfermeira Vanessa Carvalho, assassinada no dia 29 de setembro, após seratropelada pelo empresário Pablo Henrique Campos, realizaram uma caminhada na manhã desta sexta-feira (18) para pedir justiça pelo assassinato da jovem.

O ato teve início às 9h próximo ao prédio do Departamento de Estradas e Rodagens do Piauí (DER), na Avenida Frei Serafim, e teve como destino a sede do Tribunal de Justiça do Piauí, na Rua Josefa Lopes de Araújo, no Centro da Capital.



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Em entrevista ao O Dia, a mãe da jovem, Vânia Carvalho, comentou que a família espera que o processo seja julgado com celeridade e que o acusado de cometer o crime não fique impune. O medo, segundo ela, é de que o empresário seja solto antes de cumprir pena por ter cometido o crime.

“Daqui uns dias o Pablo está solto e quem perdeu foi a minha filha, não tem nada que traga ela de volta. Eu quero que ele pegue pena máxima. Nós assistimos a uma audiência em que o cara pegou só 18 anos, mas vai pagar só sete e ser solto para fazer a mesma coisa. Não queremos que isso aconteça”, diz, fazendo referência a Eduardo Pessoa, condenado por matar a jovem Lara Fernandes em novembro do ano passado.


Vânia Carvalho é mãe de Vanessa e disse esperar que Pablo Henrique seja condenado com pena máxima - Foto: Assis Fernandes/O Dia

O pai de Vanessa, Edson Carvalho, relato que o objetivo da caminhada é sensibilizar a população de que os agressores são um perigo para a sociedade. Para ele, as leis contra a violência de gênero ainda são brandas e não estão sendo suficientes para intimidar os homens autores dessa violência.

“Minha filha foi brutalmente assassinada, sem piedade. A violência contra a mulher no país está muito grande. Onde vamos parar? Nossos filhos não podem mais ter lazer, sair, se divertir, por causa de pessoas inescrupulosas que não sabem viver em meio à sociedade. É necessário que nós nos juntemos para que eles sejam tirados do meio da sociedade, senão não vamos ter vida”, destaca.


Edson Filho, pai de Vanessa, diz que a lei precisa ser mais severa para casos de violência contra a mulher - Foto: Assis Fernandes/O Dia

A marcha realizada pela família de Vanessa também foi acompanhada por familiares de outras vítimas de feminicídio no estado do Piauí, como a família da estudante de direito Camila Abreu, brutalmente assassinada pelo ex-capitão da Polícia Militar, Allysson Wattson do Nascimento. Para o pai de Camila, Jean Abreu, o assassinato da enfermeira não foi acidente e reflete uma mentalidade machista que ainda mata dezenas de mulheres piauienses por ano.


“A gente não aguenta mais ver tantos casos de feminicídio acontecendo no Piauí. Não foi acidente, todo mundo pode ver [nas imagens] que foi proposital, ele quis matar mesmo as duas, mas infelizmente a Vanessa se foi. Não sei por que eles não deixam as mulheres. Não deu certo? Deixa, passa pra outra. O correto não é matar”, ressalta.

'Não foi acidente'

Para a acusação, independentemente da tese sustentada pela defesa, o entendimento é de que os autos possuem informações suficientes para adequar a conduta do empresário a um crime doloso contra a vida. O advogado da família, Leonardo Queiroz, afirma que a probabilidade do Poder Judiciário reconhecer nesta primeira fase o crime como culposo [quando não há intenção de matar] é considerada mínima.

Segundo ele, o entendimento da acusação é de que o acusado praticou o crime consciente. “Até antes desse crime praticado por ele, ele não demonstrou nenhum outro comportamento que pusesse em dúvida a sua sanidade, embora seja uma tese que possa ser sustentada pela defesa, essa tese não deve prevalecer”, destaca.


Leonardo Queiroz é advogado da família de Vanessa - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Além disso, o advogado ressalta que Pablo Henrique já possui um histórico de crimes de violência doméstica e familiar enquadrados na Lei Maria da Penha contra uma ex-companheira e isso demonstraria que o feminicídio de Vanessa Carvalho e a tentativa de feminicídio da ex-namorada Anucha Alencar não foram fatos isolados.

“Foram aplicadas medidas protetivas com relação a essa outra companheira, mas não foi suficiente para que tivesse o efeito pedagógico inerente a essa medida cautelar, e evitasse que ele voltasse a delinquir. Agora ele praticou um fato ainda mais grave que culminou em um feminicídio e uma tentativa de feminicídio”, finaliza.

O inquérito policial referente ao crime foi finalizado no último dia 8 de outubro e entregue à Justiça. O Ministério Público ofereceu a denúncia e reiterou o entendimento do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de que o empresário Pablo Henrique teria cometido um homicídio consumado, no caso de Vanessa, e homicídio tentado, no caso de Anucha Leite. Os dois crimes possuem a qualificadora do feminicídio.

A audiência de julgamento e instrução do caso, para determinar se o acusado irá ou não a júri popular, ainda não tem data definida.

Entenda o caso

A enfermeira Vanessa Carvalho foi morta ao sair de um buffet na Avenida Homero Castelo Branco no último dia 29 de setembro. Ela e sua amiga , Anucha Kelly Leite de Alencar, saíam de um casamento quando o namorado de Anucha, o empresário Pablo Henrique Campos Santos, teria atropeladoas duas com um Jeep Renegade branco de placa PIT-5842. Anucha ficou ferida e Vanessa morreu em uma ambulância do SAMU.

Segundo a Polícia, o namorado de Anucha teriadiscutido com ela durante a festa e, na saída, jogou o carro contra ela e a amiga como vingança. Vanessa, que estava inconsciente, veio a óbito após várias tentativas de reanimação por parte dos socorristas do SAMU. Já Anucha foi encaminhada consciente para o HUT, onde recebeu atendimento médico. A jovem já recebeu alta e se recupera em casa.

Por: Nathalia Amaral e Maria Clara Estrêla

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