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Piauienses que residem no exterior relatam reclusão social

Da Itália, teresinense diz que, no início da disseminação do vírus, a população duvidou da gravidade da doença.

18/03/2020 08:28h

O mundo inteiro tem adotado medidas para barrar o avanço do novo coronavírus (Covid-19). As estratégias envolvem medidas em nível macro, como fechamento de fronteiras, instituições e recomendações para teletrabalho; como também o incentivo a condutas individuais necessárias, que passam pelo estímulo ao isolamento e cuidados constantes com a higienização. Pelo mundo, piauienses relatam como têm sido impactados pelas mudanças de rotina ocasionadas pelo vírus. Entre as novas realidades estão episódios de desabastecimento e reclusão social.

Na Itália, o segundo país mais afetado pelo surto depois da China, todo o território se mantém em quarentena até 3 de abril. O teresinense Anthylhon Denis, de 39 anos, que há sete meses está na Lombardia, região do norte da Itália que mais vem sofrendo com o surto de coronavírus na Europa, conta que, no início da disseminação, a população duvidou da gravidade da doença.

“Parecia tudo muito distante, mas quando surgiram os primeiros casos na região da Lombardia, o governo decretou o cancelamento das aulas nas escolas, universidades, cultos, missas, teatros e qualquer lugar que tivesse aglomeração de gente. Mas as pessoas levaram como férias. Os pais não levavam as crianças para a escola, mas levavam para os parques. Os jovens ocupavam as ruas. Era como se o governo tivesse decretado férias”, relembra.


Anthylhon Denis conta que os italianos agora estão mais alertas à pandemia - Foto: Arquivo Pessoal

Mas nas últimas semanas, o cenário mudou. Os quadros de pessoas infectadas e mortes ocasionadas pelo vírus deixaram a população em estado de constante alerta. “Depois que piorou, que as pessoas vieram se precaver. Aí começou a mudar, mas também todos os dias sabíamos de mais de mil pessoas contaminadas”, alerta.

Para o teresinense, algo que o conforta é saber que o governo abraçou a causa e assumiu o papel de não abandonar a população, buscando deixar todos informados e os hospitais abastecidos. “Mas ainda assim houve falta de máquinas para respiração mecânica, mas logo foi resolvido. O volume de pessoas infectadas é muito grande, mas conforta saber que o sistema de saúde da Itália é muito bom”, alerta.

Desabastecimento em Londres e deliverys sobrecarregados

Já em Londres, a teresinense Lívia Moura, de 31 anos, explica que a corrida aos supermercados já deixou sinais de desabastecimento. “Esse fim de semana fui fazer o supermercado da semana e já não tinha itens como pão, massa, arroz, frango; apenas carne porque é um produto mais caro e as pessoas não compram tanto”, comenta.

Além disso, a sua preocupação também se dá pela impossibilidade de acessar serviços de delivery que, nos próximos 15 dias, não estão mais recebendo demandas, pois já estão sobrecarregados. “Quem está isolado vai ter que sair de casa, isso é meio preocupante”, ressalta.

Ao todo, já foram confirmados 1.140 casos do novo coronavírus na Inglaterra e 21 mortes decorrentes da doença. Caso a situação piore, funcionários do governo avaliam manter a rainha e o marido, príncipe Philip, de 98 anos, em quarentena na cidade de Sandringham, onde fica a casa de campo da família.


Lívia Moura foi liberada para trabalhar de casa - Foto: Arquivo Pessoal

Lívia, que mora em Londres há cinco anos e, atualmente, trabalha como assistente de marketing em uma empresa de tecnologia de informação, foi liberada para trabalhar em casa. Assumir posições de home office tem sido comum na região.

Apesar de ter cuidados constantes para a higienização e evitar aglomerações, Lívia ressalta que conviveu com uma amiga que visitou a Itália e espera a confirmação sobre testar positivo ou negativo para o vírus. “Ela estava na Itália e está com sintomas de febre e tosse. Eu tive em contato com ela depois que ela voltou e, apesar de não ter apresentado nenhum sintoma, vou esperar o resultado do exame dela para também tomar medidas de reclusão e tratamento”.

No Reino Unido, a teresinense destaca que o acesso à saúde é eficaz. Em cada região, a população tem um hospital de referência e, atualmente, para atender as demandas por conta da pandemia, a recomendação é não ir imediatamente às clínicas, mas entrar em contato por um número de telefone disponibilizado e receber orientações e os devidos encaminhamentos.

Em meio à crise, boas práticas também mostram esperança na terra da rainha. Lívia destaca que grupos tem se organizado pela internet para oferecer a pessoas que estão em isolamento, especialmente idosos, a ida a supermercados e farmácias.

Portugal tem isolamento e turismo impactado

O governo de Portugal decretou estado de alerta para mobilizar o serviço de proteção civil em seus esforços para controlar a pandemia provocada pelo novo coronavírus. Foram aprovadas quase 30 medidas de exceção, dentre elas a interdição de praias no Norte do país e o fechamento de creches, escolas e universidades. O objetivo geral é limitar a propagação da pandemia.

Justamente em Porto, região Norte de Portugal, a teresinense Romana Naruna, de 30 anos, explica que as medidas do governo tem levado a população a se manter em reclusão social. Mãe de duas meninas, de 6 e 4 anos, ela já tem criado estratégias para mantê-las com a nova rotina em casa.


Naruna fala que bares e restaurantes estão fechando aos poucos - Foto: Arquivo Pessoal

“Já trabalho em casa, pessoalmente não teve muito impacto, mas agora tenho que trabalhar em casa com as duas filhas. O meu marido, a partir de amanhã [hoje], vai entrar em isolamento em casa também. A orientação geral é não sair, os parques públicos estão fechados com fita, então, estamos buscando nos adaptar a esta nova rotina”, explica.

Naruna ainda lembra que muitos serviços públicos passaram a funcionar em sistema de teletrabalho; os bares e restaurantes estão fechando aos poucos; consultas de rotina estão sendo canceladas e o transporte público não tem cobrado passagem.

No setor de saúde, como em Londres, a população é orientada a entrar em contato com hospitais de referência por telefone em caso de surgimento de sintomas como tosse seca e febre e, então, receber as orientações para atendimento ou tratamento.

“A grande questão é que essa linha está sobrecarregada e as pessoas ficam uma hora e meia, duas horas e meia, esperando pra serem atendidas. Mas o Sistema Nacional de Saúde português é bastante bom, só que os médicos disseram que não têm condição de suportar a pandemia, porque é muita gente recorrendo ao mesmo tempo”, pontua.

O cenário ainda leva a população a se preocupar com a economia do país, que já prevê uma queda de 50% no fluxo de turistas, setor essencial para geração de emprego e renda em Portugal.

Por: Glenda Uchôa, do Jornal O Dia

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