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Professor: uma profissão que inspira gerações

Em São João da Varjota, as quatro filhas de Maria de Fátima dos Santos seguiram a profissão da mãe e ensinam as crianças da comunidade.

15/10/2019 06:41h - Atualizado em 15/10/2019 11:23h

Ser professora no sertão do Piauí não é uma tarefa fácil. Mas para as cinco Marias isso não foi empecilho, pois a inspiração veio de dentro de casa. A mãe Maria de Fátima dos Santos, de 64 anos, se formou em pedagogia, atualmente está aposentada, mas trabalhou como professora por 37 anos.

As Marias - Maria Edimar, Maria Evaneide, Maria Edilza, Maria Edima e Maria Edilene - nasceram em São João da Varjota, município localizado a 300 km de Teresina. A população da cidade é estimada em apenas 4.840 pessoas, segundo estimativa do IBGE divulgada em 2019. E para quem mora no semiárido, ter formação superior é uma honra, pois as dificuldades em ingressar e permanecer estudando em outros municípios são inúmeras. 


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A mãe, Maria de Fátima dos Santos, conseguiu se formar em uma época onde as oportunidades eram escassas. E, através de incentivo político, viu na profissão a única oportunidade para trabalhar. 

“Pra mim é um motivo de orgulho ver minhas filhas sendo professoras, pois é uma oportunidade que elas tiveram, mas eu não as incentivei. Ser professora é uma profissão onde, para conseguir ter qualquer outra profissão, você vai precisar de um professor. Por isso, é tão importante”, diz Maria de Fátima dos Santos.

Já a filha Maria Edimar dos Santos, formada em Ciências Biológicas, descreve que ser professora é uma satisfação e também um privilégio, por ver o crescimento do estudante que batalha todo dia para chegar à escola por um futuro melhor. 

“O que mais me motivou a seguir na profissão de professora foi a minha mãe, pois crescemos vendo-a ensinar e aquilo foi despertando o desejo em nós.  Assim, as cinco fizeram Escola Normal e nos formamos professoras. Acredito que para todo professor é uma grande alegria quando você transmite um certo conteúdo e vê que seus alunos conseguiram aprender, e ainda tem o reconhecimento dos pais”, conta.

Uma ajuda a outra

Por ser uma cidade pequena, em São João da Varjota é comum encontrar pessoas de uma família trabalhando na mesma empresa. Para as Marias, este fato nunca foi problema. Maria Edilza dos Santos, formada em Licenciatura Plena em Física, fala que é um prazer trabalhar com as irmãs, pois é um incentivo a mais para realizar atividades extraclasse. 

“É muito bom ter pessoas próximas na mesma profissão, sempre trabalhei junto com minhas irmãs. Trabalhar com irmã é bom para elaborar os projetos, tirar dúvidas, ir aos eventos juntas; quando uma precisa faltar, a outra está ali para apoiar. Já trabalhei em duas entidades e nas duas eu tinha parceira de escola”, diz Maria Edilza.

Na família tem ainda a professora que foi encontrada pela profissão, pois sua alma de criança a deixa livre para ensinar e brincar com seus alunos. “Ser professora não foi uma escolha, eu trabalhava na área da saúde e fiz o curso superior e depois um concurso. Mas hoje faço com carinho, trabalho na área da educação infantil e gosto de poder contribuir na escola, sou uma professora divertida, igual as crianças, faço tudo com eles, até pulo na cama elástica. Pra mim é uma alegria compartilhar momentos com eles”, descreve Maria Edilma.

Falta de apoio das autoridades e omissão dos pais são desafios na educação

Porém, nem sempre são só alegrias. Segundo as Marias, o Governo não prioriza as escolas do interior do Estado e os educadores se sentem desvalorizados por causa dos baixos salários e dos direitos adquiridos que são retirados.

Maria Evaneide dos Santos, graduada em Educação Física e Letras Espanhol, dedica sua vida a ensinar. Ela trabalha em uma escola de tempo integral na zona rural da sua cidade. Pela manhã vai de moto para trabalhar e, à tarde, volta caminhando. Para ela, ser professora por amor e vocação ajuda a driblar os problemas diários da falta de assistência na formação dos jovens no semiárido. 


Foto Ilustrativa - O Dia

“A minha maior alegria é poder contribuir para a formação de muitos jovens. Mesmo com as dificuldades que a gente enfrenta, como a falta de reconhecimento dos governantes, o baixo salário e falta de participação dos pais, pois alguns vão na escola somente no final do ano, quando seu filho já está quase perdido”, critica Maria Evaneide.

Ela acrescenta ainda que a falta de material para as atividades também desmotiva os professores. E diante de toda a situação, assim como as irmãs, aprendeu a amar a profissão que, na época, era uma formação mais acessível. E que, ainda assim, não mudaria de profissão se tivesse a oportunidade.

“É uma alegria ver minhas crianças terminando o ano letivo e alcançar o objetivo que colocamos. A minha escola é pequena, mas contamos com ônibus escolar, não na quantidade que deveria ser, mas já temos. Em relação aos pais, por ser uma comunidade pequena, eles acham que é só mandar o estudante para escola, não ajudam no desenvolvimento da criança, não fazem função deles em casa”, conclui Maria Edilene.

Por: Sandy Swamy, do Jornal O Dia

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