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Renda, trabalho e emprego não são prioridade do governo, diz sociólogo

Professor comenta os fatores que contribuem diretamente para o aumento da desigualdade social e da pobreza no Brasil

06/11/2019 13:56h

A pobreza e extrema pobreza estão diretamente ligadas à ampla desigualdade social que se observa no Brasil, sobretudo nos últimos anos. Faltam políticas públicas voltadas para a população mais carente e um norte na gestão para geração de emprego e renda. É isso o que afirma o professor e sociólogo Francisco Mesquita, especialista em desigualdade social. Para ele, o governo não tem priorizado o tripé renda, trabalho e emprego, e isso reflete na concentração de renda e aumento da desigualdade social.


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“Desde 2015 que a pobreza bem crescendo no Brasil e se acentuou mais fortemente de 2017 para cá. Isso significa que a população brasileira está cada vez mais empobrecida pela falta de trabalho. Fala-se em 12% da população hoje desempregada. Também reflete nisso a falta de políticas governamentais para atenuar a situação dessa população. O Brasil é um país de dimensões continentais com uma população que vem crescendo e não tem sequer um Ministério do Trabalho que possa pensar estratégias para reduzir a desocupação das pessoas”, pontua.

Outro aspecto que, segundo o professor Francisco, contribui bastante para a desigualdade social é a concentração de renda que no Brasil possui proporções extremas. Mesquita explica que 1% da população apresenta 33,8 vezes mais rendimentos que os 50% mais pobres. A falta de políticas de combate à pobreza soma para agravar ainda mais essa situação. 


Renda, trabalho e emprego não são prioridade do governo, diz o sociólogo Francisco Mesquita - Foto: Jailson Soares/O Dia

“Não se tem uma ação de combate efetivo à desigualdade e aqui no Piauí, pelo estado ser pobre, o governo não pensa políticas específicas para complementar a renda da população mais necessitada. Há falta de participação do governo em complementar as políticas nacionais, que já são escassas”, afirma Francisco Mesquita.

O professor comentou ainda a fala recente do ministro Paulo Guedes de que “os ricos capitalizam seus recursos. Os pobres consomem tudo”. No entendimento de Francisco, o ministro desconhece a realidade do Brasil e mostra compreensão demais em assuntos financeiros, mas compreensão de menos na área social. 

“É a fala de uma pessoa que não tem compromisso em traçar estratégias institucionais para a população pobre e desempregada. Renda, trabalho e emprego não são prioridade do governo e não temos ações que minimizem a desigualdade. A pobreza tende a aumentar e falta planejamento”, finaliza o professor.

Por: Nathalia Amaral e Maria Clara Estrêla

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