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Ufpi cria grupo de trabalho para discutir adesão ao Future-se

Programa do Ministério prevê, dentre outros, fechamento parcerias público-privadas com as Federais e a geração de recursos próprios pelas instituições.

28/08/2019 10:16h - Atualizado em 28/08/2019 10:56h

No último dia 14, o Ministério da Educação prorrogou até 29 de agosto o prazo para a consulta pública do Future-se, programa do Governo Federal que prevê a criação de um fundo de natureza privada para financias universidade federais e institutos federais. Uma das propostas do Future-se é fechar parcerias público-privadas e permitir que as instituições arrecadem receitas próprias.

Os reitores das universidades e IFES têm autonomia para decidir se vão aderir ou não ao Future-se e. Pelo menos 20 instituições já teriam demonstrado apoio e manifestado interesse em fazer parte do programa. A informação foi repassada pelo secretário de Ensino Superior do MEC, Arnaldo Lima, durante o 3º Internacional de Jornalismo de Educação, que aconteceu em São Paulo nos últimos dias 19 e 20 de agosto, em São Paulo.


Arimateia Dantas Lopes, reitor da Ufpi - Foto: Jailson Soares/O Dia

A Universidade Federal do Piauí, no entanto, ainda não definiu um posicionamento a respeito. Em conversa com a reportagem de O Dia, o reitor da Ufpi, professor Arimateia Dantas Lopes, informou que criou um grupo de trabalho formado por professores de Economia e Direito para analisarem a proposta. O documento com as diretrizes do Future-se está disponível na página da Ufpi na internet, aberto ao público.

O objetivo do grupo de trabalho é basicamente nortear a administração superior da universidade sobre os prós e contras do programa e definir os impactos que ele teria a longo prazo sobre a universidade. Na próxima segunda-feira (02), o reitor se reunirá com membros do Conselho Universitário para apresentar o documento e deliberar a respeito da adesão ou não à proposta do MEC.

“Estamos ainda cautelosos quando ao posicionamento e queremos ouvir a opinião da comunidade para não ser a posição do reitor e sim a posição da comunidade acadêmica e da comunidade como um todo”, explicou Arimateia.


Foto: Jailson Soares/O Dia

Na avaliação do reitor, o Future-se possui pontos positivos, mas nem tudo que ele prevê vai ao encontro das necessidades e desejos das universidades federais. Uma dessas divergências, segundo ele, é a questão da arrecadação própria pelas instituições. “Se a arrecadação gerada pela universidade ultrapassar o orçamento previsto, a receita não fica pra instituição, ela vai para a União e o que queríamos era uma legislação que flexibilizasse essa relação”.

Outra crítica que Arimateia faz diz respeito à gestão da universidade poder ser feita por uma organização social, segundo o que propõe o Future-se. Para ele, as federais devem ter administração própria e não ter decisões tomadas por entes que não conhecem de dentro o funcionamento das instituições.

“Tenho certeza que no momento oportuno, aderirão”, diz secretário do MEC

Para o secretário de Ensino Superior do MEC, Arnaldo Lima, a adesão das universidades federais ao Future-se é apenas uma questão de tempo. No seu entendimento, quantificar as instituições que já apoiaram o programa não é o objetivo no momento. É tempo para esclarecer pontos que por ventura gerem dúvidas e dar subsídios para que as instituições tomem decisões conscientes.

“Não há que se falar em apoiar ou não apoiar o Future-se, porque ele ainda está em fase de consulta. Mas recebemos o apoio de pelo menos 20 reitores que já entendem que o programa pode dar certo. Recebemos todos os gestores, ligamos para eles e o principal desafio que eles citaram era a liberdade em relação às receitas próprias. Isso é tudo que o Future-se faz. Então todos aqueles que chegaram e pediram, eu tenho certeza que no momento oportuno, consultado o Conselho Superior, aderirão”, disse o secretário.


Arnaldo Lima participou de um debate com a reitora da URF, Denise Carvalho; o reitor da USP, Vahan Agopyan e a presidente da Associação Nacional dos Programas de Pós-Gradução, Flávia Calé - Foto: Divulgação/Jeduca

Lima destacou que o carro-chefe do Future-se é o fomento ao empreendedorismo e o combate à evasão, através do diálogo com as empresas juniores e a geração de startups. A ideia, segundo ele, é premiar os resultados e dar incentivos para que os alunos não abandonem as universidades. As oportunidades de trabalho também se ampliariam. No entendimento do representante do MEC, apoiadas por instituições privadas, as universidades poderão ser uma ponte maior entre os recém-formados e o mercado de trabalho.

Universidades criticam

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Roraima (UFRR) estão entre as que criticaram duramente as propostas do Future-se, alegando, dentre outras coisas, falta de clareza.  A reitora da UFRJ, professora Denise Pires de Carvalho, participou de uma mesa no 3º Congresso de Jornalismo de Educação, em São Paulo, na presença do secretário do MEC e destacou que o Future-se, a princípio, não fortalece a autonomia da universidade.

Além destas três instituições, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Universidade Federal do Ceará (UFCE) também já se manifestaram contra o Future-se.

ITA quer aderir

O Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) anunciou nesta quarta-feira (28) que quer aderir ao Future-se. A intenção foi anunciada pelo  comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro do ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, e pelo reitor do ITA, Cláudio Jorge Pinto Alves. O reitor destacou que o programa abre a possibilidade de ampliar os recursos para os trabalhos, pesquisas e infraestrutura do ITA. “O Future-se, eu acredito, vai facilitar e vai viabilizar uma série de intenções que pessoas e empresas têm, de colaborar com o ITA, e de ter seu nome associado à instituição”, observou Cláudio Alves.

Por: Maria Clara Estrêla e Breno Cavalcante

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