• Banner OAB
  • Campanha da Santa Missa
  • Vencer 03
  • Vencer 02
  • Vencer 01
  • Prerrogativas da advogacia
  • Peregrinos da fé
  • Novo app Jornal O Dia

Uma em cada três mulheres sofre violência física ou sexual

Mulher detalha como começou a perceber a agressividade do companheiro e hoje não está mais com ele

18/02/2020 08:50h - Atualizado em 18/02/2020 16:41h

“Teve um dia que eu estava mexendo no meu telefone e ele bateu na minha perna dizendo ‘você pensa que eu sou idiota?’. E eu estava conversando com umas amigas que falavam sobre relacionamento abusivo e desceu uma lágrima. Ele pensou que eu estava falando com um homem. Outro dia, ele bebeu muito e deu um murro na televisão e eu fiquei pensando que se ele bateu na televisão, ele poderia me bater também e eu precisava me sair. São pequenas coisas que chegam até o feminicídio”. Esse relato é de Bárbara Silva*, uma lutadora de jiu-jítsu, que tem 28 anos e duas filhas, e mesmo sendo independente e sabendo se defender, foi vítima de violência doméstica

Bárbara faz parte dos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que revelam que aproximadamente uma em cada três mulheres, ou seja 35% da população feminina em todo o mundo, sofre violência física ou sexual por parte do parceiro ou de terceiros durante a vida.

“Eu vivi um relacionamento com um rapaz durante 8 anos. E após várias decepções amorosas, encontrei esse rapaz e com ele eu vivia presa, ele mexia com meu psicológico, era ciumento e eu não aguentava mais, porque eu só pensava nele e isso me sufocou, eu não conseguia trabalhar, não tinha amizades”, lembra Bárbara.


Segundo a OMS, o Brasil é o quinto maior do mundo em homicídios contra mulher - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Este mês, a lutadora se livrou do parceiro que a torturava. Ela contou com a ajuda de uma amiga que também viveu um relacionamento abusivo. Ao decidir sair de casa, o ex-companheiro se ofereceu para levar a mudança de Bárbara, pois queria saber o seu novo endereço; mas ela não aceitou a ‘ajuda’.

“Eu consegui o dinheiro emprestado para pagar o frete e levar as coisas pra casa da minha amiga. E hoje estou me sentindo leve. Eu me encorajei e mostrei pra ele que ele também conseguia viver sem mim”, desabafa.

O relacionamento da lutadora começou de forma repentina. Em um mês já estavam morando juntos. E o então companheiro começou a ficar agressivo com as filhas da Bárbara, com os pais e com ela.

“Eu meio que supri uma necessidade. Como ele entrou na minha vida como um príncipe, ele me fez ser dependente, e aquela mulher que criou as filhas, que cuidava dos pais doentes, não existia mais. Eu sei quem eu sou, a mulher que cuida de tudo e eu não quero mais um homem mandando em mim”, empodera Bárbara Silva.

* Nome fictício usado para preservar a identidade da vítima

“Ele colocava a faca no meu pescoço e perguntava se eu duvidava que ele me matasse”

O Brasil é o quinto maior do mundo em homicídios contra mulher, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O índice aponta que são 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres. A maioria dos crimes é cometida dentro de casa, por pessoas próximas às vítimas. O número de notificações de agressões também é assustador. Em 2017, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde registrou 230.078 casos de agressão física doméstica contra mulheres.

Regina Moraes* sofreu violência psicológica, física e moral. Ela estava casada há 2 anos e tem uma filha de 5 anos. “Ele me dizia coisas como: ‘Eu não te quero mais’, ‘vai procurar um macho’, ‘vai viver a sua vida’, ‘nega macaca’, ‘você não vale nada, é vagabunda’. Ele colocava a faca no meu pescoço e perguntava se eu duvidava que ele me matasse. E ele falava alto para minha mãe escutar, e eu ficava com medo porque ele queria colocar minha família no meio. Queria ver sangue e eu não. Eu só fazia chorar, e pensei que eu não queria viver minha vida toda desse jeito”, lamenta.

Regina está separada há mais de um ano, mas as consequências psicológicas ainda são sentidas. Ela tem crises frequentes e buscou ajuda psicológica após procurar a Defensoria Pública do Piauí para pedir a retirada do companheiro da casa.

“Depois do casamento, ele mudou completamente, tanto fazia eu sofrer como minha mãe que estava debilitada, e com isso piorou. Ele vinha com agressões pra mim, minha mãe escutava e passava mal; ele me xingava, me agredia, eu saia correndo. Eu não deixei tudo isso afetar minha filha, mas mesmo ela sendo pequena, ela lembra que ele quebrou a porta. Mas digo que agora ele está bem, vivendo com outra mulher, e eu estou bem também”, fala Regina.

Um dos principais motivos que levou Regina a sair da violência foi um pedido da sua mãe antes de falecer. Atualmente, a sua principal arma é o sorriso no rosto e a busca por independência.

“Quando minha mãe estava no leito na morte e disse que não queria ver eu sofrendo com essa vida, foi o ponto final. Eu prometi que ia resolver minha vida e me separar dele. Minha mãe não o viu saindo da casa, mas aonde ela estiver, ela está vendo que eu estou bem e feliz”, conclui Regina.

* Nome fictício usado para preservar a identidade da vítima

Por: Sandy Swamy, do Jornal O Dia

Deixe seu comentário