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Ataques a bancos no Piauí reduzem 85% no primeiro semestre

Segundo Secretaria de Segurança, foram apenas três ataques em seis meses. Em 2018, houveram 20 no mesmo período.

09/09/2019 09:56h - Atualizado em 11/09/2019 11:59h

Barulho de tiros, explosões seguidas e a cidade amanhecendo em meio ao caos. Parece a descrição do cenário de um filme de bang-bang, mas foi a realidade vivenciada por muitos piauienses que viram suas cidades invadidas por quadrilhas extremamente organizadas e muito bem armadas que atuam especificamente nos ataques a instituições financeiras.


São roubos de grande porte, que demandam uma estrutura maior por parte dos criminosos e, por vezes, desafiam o poder de fogo e de resposta ostensiva do Estado. Em Castelo do Piauí, em fevereiro deste ano, por exemplo, o grupo armado metralhou a sede do Grupamento de Polícia Militar da cidade enquanto adentrava o Banco Bradesco e explodiam caixas eletrônicos.


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Um mês depois, em abril, uma quadrilha fortemente armada invadiu Campo Maior e explodiu, simultaneamente, as agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, causando pânico nos moradores e deixando o município praticamente desassistido de serviços financeiros. Nem a Capital, onde o policiamento ostensivo tecnicamente é mais forte, escapa.

Bandidos armados explodiram caixas eletrônicos do autoatendimento da Caixa em um posto de gasolina localizado na Avenida Frei Serafim. Era Centro da cidade, a principal via de acesso dos teresinenses e aquele 07 de julho estava amanhecendo. A ação foi classificada pelos policiais que atenderam à ocorrência como “ousada”. Viaturas fazem ronda por aquele trecho durante boa parte do dia.

Foram estes os três ataques a banco registrados pelas Forças de Segurança do Piauí no primeiro semestre de 2019 e o número é positivo, se for comparado com a quantidade de registros do mesmo período do ano passado. É que de janeiro a junho de 2018, o Piauí teve 20 ocorrências desta natureza, com uso de extrema violência e danos consideráveis às estruturas das agências. A redução é de 85%, segundo os levantamentos feitos pela Secretaria de Segurança.

Sem atendimento

Os prejuízos gerados por estas ações vão muito além do dinheiro que muitas vezes é levado pelas quadrilhas. Há casos em que a população fica sem ter como fazer transações bancárias simples como saques e depósitos, porque as agências ficam inoperantes. No último ataque ocorrido em Campo Maior, por exemplo, o impacto das explosões foi tanto que a estrutura do Banco do Brasil ficou completamente comprometida, tendo que ser demolida em parte, segundo o que informou a Polícia Civil.

Mas o problema vai além disso. Os bancos estão deixando de instalar caixas avulsos pelas cidades e concentrando seus terminais dentro das próprias agências. É uma questão de segurança não só para quem precisa usar o autoatendimento, como também para o estabelecimento que recebe aquele terminal. Lugar que guarda dinheiro chama a atenção. 

A movimentação financeira em cédulas, que são o alvo das quadrilhas especializadas, tende a diminuir também nesse sentido. Quem afirma é o secretário de Segurança, Fábio Abreu: os bancos cada vez mais estão diminuindo as agências e investindo no dinheiro de plástico [cartões]. Não é só pela tecnologia que é mais avançada. É questão de segurança também. A tendência agora é a gente começar a combater com mais força os crimes de desvio de dados de aplicativos. Ir do dinheiro físico ao dinheiro virtual, o que dificulta um pouco a ação desses criminosos em atacar a estrutura física dos bancos”.


Foto: O Dia

Para o tesoureiro do Sindicato dos Bancários do Piauí, Arimatea Passos, os ataques a instituições financeiras no interior são ainda mais danosos que os praticados nos grandes centros urbanos, mesmo que estes últimos tenham uma maior concentração de dinheiro. É que a vida comercial das pequenas e médias cidades gira praticamente em torno do ente bancário.

“Um banco no interior, ele é diferenciado. Toda aquela população depende, muitas vezes, de uma única agência e geralmente aquele banco ali atende a várias cidades nos arredores. Produtores rurais, aposentados, pequenos comerciantes, toda a população dos espaços por ele assistidos acabam ficando completamente desassistido”.

Arimatea acrescenta que quando a instituição atacada é pública, demora ainda mais para ela voltar a operar, devido aos trâmites legais mais burocráticos do processo, como a abertura de licitação para reparos no prédio e expedição de novos alvarás e afins.


Após ataques, cidades inteiras ficam sem atendimento, diz sindicato - Foto: O Dia

Quem ataca?

São grupos heterogêneos, com gente de vários estados que se juntam em uma espécie de consórcio. Eles alugam armas e planejam cada ação com antecedência, procurando estudar a cidade que vão invadir antes de agirem. A descrição foi dada pelo secretário de Segurança. Segundo ele um dos fatores que contribui para que o assalto a banco não seja praticado com tanta frequência como um roubo qualquer é justamente a logística envolvida.

“Pra fazer um roubo dessa magnitude tem que ter organização e uma estrutura muito grande e isso carece de recursos. Eles geralmente conseguem o dinheiro para planejar um assalto, assaltando antes, então uma coisa vai levando à outra. Eles se juntam, planejam, cometem o crime e depois dividem o que conseguiram e se separam, cada um voltando para seu estado”, discorre Fábio Abreu.


"Eles geralmente conseguem o dinheiro para planejar um assalto, assaltando antes", disse Fábio Abreu - Foto: Ascom/SSP

As ações geralmente são marcadas pela violência. No ataque ao banco de Castelo, por exemplo, os criminosos metralharam a sede da PM do município para impedir a reação dos policiais. Em Campo Maior, os ataques foram praticamente simultâneos em agências diferentes. Questionado sobre o poder de resposta da polícia, o secretário de segurança afirmou que têm sido feitos investimentos em armamento, sobretudo na compra de fuzis, que é a principal arma utilizada por estes criminosos.


Viatura da Polícia Militar foi metralhada em Castelo do Piauí - Foto: PM-PI

“Na maioria dos municípios, nós já temos homens fazendo ronda com fuzil, porque isso, de certa forma, intimida as quadrilhas que se instalam nessas regiões para fazer o levantamento antes do roubo. Eles já pensam duas vezes antes de agir porque veem que ali tem um poder de fogo maior”, finaliza Fábio Abreu.

Por: Maria Clara Estrêla

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