Reforma da previdência: Servidores protestam e chamam de “reforma do Dr. Peçonha”

Um novo projeto aumenta a alíquota do imposto previdenciário de 11% para 14%, adequando a reforma aprovada em Brasília em 2019

24/11/2021 12:42h - Atualizado em 24/11/2021 12:55h

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Servidores de sete carreiras do serviço público municipal protestaram contra a reforma da previdência, proposta pela Prefeitura de Teresina, na manhã desta quarta (24). Representantes das áreas de saúde, educação e assistência social estiveram na porta da Câmara Municipal de Teresina e atacaram duramente o texto dos dois projetos que readequam o regime de previdência da capital. O primeiro projeto, que cria o novo regime de previdência complementar, seria votado nesta quarta,porém, devido aos protestos, a matéria foi retirada de pauta. Já o segundo projeto, aumenta a alíquota do imposto previdenciário de 11% para 14% para todos os servidores e ainda não foi enviado a Câmara. A prefeitura busca uma forma de tornar o texto da matéria menos agressivo aos servidores para evitar o desgaste.

Durante os protestos servidores de diversas carreiras chegaram a chamar o prefeito Dr. Pessoa, de “Dr. Peçonha”, em referência a substância tóxica produzida por animais. Os funcionários públicos criticam a falta de comando na cidade afirmando que o real prefeito do município seria o vice, Robert Rios.

O Presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresina (Sindserm), Sinésio Soares, criticou a reforma apresentada por Dr. Pessoa e ressaltou que a matéria não foi sequer discutida com os trabalhadores. “É mais um projeto que a prefeitura encaminha para a Câmara sem a discussão devida com os servidores, sem nenhuma conversa e nenhum diálogo com qualquer servidor. A medida representa no final das contas redução salarial, há cinco anos não temos reajuste salarial e essa medida retira ainda mais do nosso poder aquisitivo” afirmou. Sinésio ainda criticou o tom “politiqueiro” da gestão de Pessoa e afirmou que a reforma beneficiará somente a cúpula política da administração. “Eles não conseguem achar fórmulas para beneficiar o servidor, apenas para beneficiar os seus projetos de se manterem no poder. Queremos saber como vai ser a gestão desse recurso também, isso está muito nebuloso” finalizou o dirigente.  

FOTO: Tarcio Cruz/ODIA

Já o líder do prefeito na Câmara, Renato Berger (PSD) voltou a defender que a emenda será um projeto “bom” para os servidores. “O projeto é totalmente transparente, é uma emenda da constituição, apesar da agressividade como eles se colocam quando se referem a minha pessoa, pelo contrário é um estímulo e um benefício para os servidores”, disse. De acordo com Berger a prefeitura ainda irá discutir uma maneira para não aumentar a alíquota para os trabalhadores. “Existe um projeto da reforma da previdência, se não aprovarmos o município será penalizado, essa altera a alíquota de 11% para 14%, o prefeito não mandou porque ele está preocupado e busca uma maneira de suprir essa necessidade. Não sabemos qual é a demanda deles, se tem alguma coisa que a Prefeitura possa melhorar nós iremos analisar”, finalizou Berger.  

FOTO: Assis Fernandes/ODIA

Privatização camuflada

De acordo com o presidente do Sindserm o novo modelo de previdência complementar do município será uma espécie de “Privatização Camuflada”, com uma empresa, que não será contratada por licitação, administrando a verba dos trabalhadores de Teresina.

“Esperamos achar com um diálogo alguma maneira para que não haja perda de poder aquisitivo dos servidores municipais que já sofrem bastante. Essa reforma do Dr. Peçonha são dois projetos que atingem a todos os servidores municipais, quase 20 mil trabalhadores. Não escapa nenhum servidor desse ataque, todos serão atingidos” criticou. Para Sinésio Soares a saída, caso não se chegue a um consenso, é a greve geral “Na educação já existe uma greve sanitária, aqui nós vamos tentar uma saída com uma compensação, se isso não ocorrer vamos organizar a greve geral”, concluiu o dirigente sindical. 

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