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Notícias Tecnologia

12 de julho de 2018

Lei de proteção de dados vai mudar cotidiano de cidadãos e empresas

O texto define dados pessoais como informações que podem identificar alguém (não apenas um nome, mas uma idade que, cruzada com um endereço, possa revelar que se trata de determinada pessoa)

A nova lei geral de proteção de dados pessoais, aprovada terça-feira (10) pelo Senado, colocou o Brasil ao lado de dezenas de países que já têm legislação sobre o tema, como as nações europeias e boa parte da América do Sul. Ao estabelecer direitos e responsabilidades, a lei vai trazer também impactos no cotidiano dos cidadãos, de empresas e dos órgãos públicos. O texto ainda precisa ser sancionado pelo presidente Michel Temer, e as novas regras só vão entrar em vigor daqui a um ano e meio.

O texto define dados pessoais como informações que podem identificar alguém (não apenas um nome, mas uma idade que, cruzada com um endereço, possa revelar que se trata de determinada pessoa). Além disso, disciplina a forma como as informações são coletadas e tratadas em qualquer situação, especialmente em meios digitais. Estão cobertas situações como cadastros ou textos e fotos publicados em redes sociais.

A nova regra também cria o conceito de dados sensíveis, informações sobre origem racial ou étnica, convicções religiosas, opiniões políticas, saúde ou vida sexual. Registros como esses passam a ter nível maior de proteção, para evitar formas de discriminação. Esse tipo de característica não poderá ser considerado, por exemplo, para direcionamento de anúncios publicitários sem que haja um consentimento específico e destacado do titular. Já registros médicos não poderão ser comercializados.

Se sancionada, a lei valerá para atividades e pessoas em território nacional, mas também para coletas feitas fora, desde que estejam relacionadas a bens ou serviços ofertados a brasileiros. Um site que vende pacotes de viagens com conteúdo em português e ofertas para brasileiros teria as mesmas responsabilidades de uma página sediada no país.

Finalidade específica e consentimento

O uso de dados não poderá ser indiscriminado, mas para uma finalidade determinada. Um prédio que solicite nome dos pais de alguém para acesso ao local, por exemplo, pode ser questionado. Os “testes de personalidade”, como o aplicado no Facebook que originou o vazamento de dados de 87 milhões de pessoas, usados pela empesa Cambridge Analytica, inclusive para influenciar eleições, são outro exemplo.

“As empresas vão ter de justificar o tratamento de dados o que pode fazer com que, em alguns casos, eles não precisem ser usados. Isso tende a racionalizar a coleta e o uso de dados, seja porque a lei pode proibir ou porque ele não vai valer a pena por gerar risco pouco razoável”, comenta Danilo Doneda, especialista em proteção de dados e consultor que participou ativamente do processo de discussão da lei.

Além de uma finalidade específica, a coleta só pode ocorrer caso preencha requisitos específicos, especialmente mediante autorização do titular (o chamado consentimento). Ou seja, o pedido de permissão (por exemplo, ao baixar aplicativos) passa a ser a regra, não um favor das empresas. “Por um lado, caminhamos, portanto, no sentido de minimizar a produção de dados que podem ser considerados excessivos para a prestação dos serviços. O que, diante dos inúmeros incidentes de vazamento de dados que vemos a cada semana, é também uma forma de segurança”, avalia Joana Varon, da organização de direitos digitais Coding Rights.

Se o titular consentir ao aceitar as “regras” em redes sociais, os chamados “termos e condições” usados por plataformas como Facebook, Twitter e Google, as empresas passam a ter o direito de tratar os dados (respeitada a finalidade específica), desde que não violem a lei. Contudo, a lei lista uma série de responsabilidades. Entre elas estão a garantia da segurança dos dados e a elaboração de relatórios de impacto à proteção de dados, se solicitados pela autoridade regulatória.

A norma permite a reutilização dos dados por empresas ou órgãos públicos, em caso de "legítimo interesse” desses. Estabelece, no entanto, que esse reúso só pode ocorrer em uma situação concreta, em serviços que beneficiem o titular  e com dados “estritamente necessários”, respeitando os direitos dele.

“Não é possível prever todas as situações, especialmente quando se trata de tecnologia. Por isso, é fundamental a previsão de uma norma fluida como o legítimo interesse, capaz de se adaptar às evoluções tecnológicas. Esse conceito indeterminado é justamente o que impedirá que a lei se torne obsoleta diante do usos novos dos dados, inimagináveis hoje”, observa Fabiano Barreto, especialista em política e indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI).


Foto: Reprodução

Direitos

De outro lado, o titular ganhou uma série de direitos. Ele poderá, por exemplo, solicitar os dados que a empresa tem sobre ele, a quem foram repassados (em situações como a de reutilização por “legítimo interesse”) e para qual finalidade. Caso os registros estejam incorretos, poderá cobrar a correção. Em determinados casos, o titular terá o direito de se opor a um tratamento.

O titular terá ainda direito à portabilidade de suas informações, assim como ocorre com número de telefone. A autoridade regulatória, se criada, deve definir no futuro como isso será feito. Mas a possibilidade de levar os dados consigo é importante para que uma pessoa possa trocar de aplicativo sem perder seus contatos, fotos ou publicações.

Outra garantia importante é a relativa à segurança das informações. Os casos de vazamento têm se multiplicado pelo mundo, atingindo inclusive grandes empresas, como a Uber. Além de assegurar a integridade dos dados e sua proteção contra vazamentos e roubos, as empresas são obrigadas a informar ao titular se houve um incidente de segurança. No caso envolvendo o Facebook e a empresa Cambridge Analytica, por exemplo, a empresa norte-americana teve conhecimento há anos do repasse maciço de informações, mas foi comunicar aos afetados somente meses atrás.

A lei entra em uma seara importante, na decisão por processos automatizados (como as notas de crédito). “Há também o direito à revisão de decisões tomadas com base no tratamento automatizado de dados pessoais que definam o perfil pessoal, de consumo ou de crédito. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados também terá o papel de realizar auditorias para verificação de possíveis aspectos discriminatórios nesse tipo de tratamento”, destaca Rafael Zanatta, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).

O texto listou garantias específicas para crianças e pessoas com idade até 12 anos. A coleta fica sujeita a uma série de restrições, deve ser informada de maneira acessível para esse público e fica condicionada à autorização de pelo menos um dos pais. “Para as famílias, isso significa ter, finalmente, uma forma de garantir que não estão usando dados de seus filhos de forma não autorizada. Isso é fundamental. Afinal, as crianças estão em um processo peculiar de desenvolvimento e, por isso, são mais vulneráveis”, afirma Pedro Hartung, do Instituto Alana, organização voltada à defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

Negócios

Ao estabelecer garantias e responsabilidades às empresas, a lei vai ter impacto importante nos negócios realizados no Brasil e com parceiras estrangeiras. A primeira mudança é que, com sua aprovação, o país passa a atender a exigências de outros países e regiões, como a União Europeia. Sem isso, as empresas nativas poderiam ter dificuldades para fechar negócios.

Na avaliação do coordenador da área de direito digital da firma Kasznar Leonardos Advogados, Pedro Vilhena, as empresas deverão passar por um processo de adaptação. Elas tendem a racionalizar a coleta, uma vez que passarão a estar suscetíveis a sanções por parte da autoridade regulatória. De acordo com o texto, as penalidades poderão chegar a R$ 50 milhões.

“O valor de R$ 50 milhões é considerável para algumas, mas, para outras, é irrisório. A principal sanção é a proibição de tratamento de dados. Algumas empresas podem ter que deixar de operar porque não cumpriram obrigações da lei”, destaca Vilhena.

Autoridade regulatória

O detalhamento de boa parte dessas regras, direitos e responsabilidades depende da autoridade regulatória prevista no texto. Ela poderá definir parâmetros (como as exigências mínimas de segurança), realizar auditorias, solicitar relatórios de impacto à proteção de dados e será a responsável por fiscalizar e definir possíveis punições.

Contudo, sua criação vem sendo alvo de polêmica. Segundo o professor de direito da Universidade Mackenzie e fundador da organização Data Privacy Brasil Renato Leite, há questionamentos no Executivo tanto de caráter jurídico quanto político e orçamentário. Mas a não criação da autoridade, alerta o especialista, pode afetar duramente a efetividade da lei. “Termos a regra sem uma autoridade que faça a sua aplicação é abrir espaço para uma grande chance de insucesso. É o risco de ser uma lei que na prática ´não pegue´”.

11 de julho de 2018

Nova Lei de Informática deve liberar bilhões para inovação

As 564 empresas que se beneficiam da lei investem cerca de R$ 1,5 bilhão ao ano

Após recusar, com até uma década de demora, grande parte dos investimentos em inovação obrigatórios feitos nos últimos 10 anos pelas empresas que recebem benefícios fiscais da Lei da Informática, o governo criou novas regras para permitir que as companhias reapliquem esses recursos em pesquisas. Não há cálculos oficiais sobre a quantia que será reinvestida, mas especialistas e executivos estimam que a soma dos valores rejeitados pode ir de R$ 1 bilhão a R$ 5 bilhões.

A mudança foi feita a partir de medida provisória sancionada em junho. A Lei de Informática, de 1991, permite que empresas que produzem hardwares no Brasil tenham desconto em IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Para isso, devem investir 5% de seu faturamento obtido com os itens incentivados em inovação.

As 564 empresas que se beneficiam da lei investem cerca de R$ 1,5 bilhão ao ano. Para ter a redução no imposto, as empresas realizam seus investimentos e enviam relatórios indicando onde foram feitas as aplicações de recursos. Os documentos são avaliados posteriormente.

Quando o investimento da empresa é glosado, ou seja, rejeitado por não cumprir os requisitos exigidos, valor equivalente deve ser depositado com multa e juros (de 12% ao ano, mais a TJLP, atualmente em 6,6%) no FNDCT, fundo gerido pela Finep. Originalmente com a função de financiar pesquisa e desenvolvimento, o fundo vem sendo sistematicamente contingenciado para melhorar o resultado das contas públicas.


Foto: Reprodução

A demora de até dez anos do governo para avaliar os investimentos das empresas entre 2006 e 2014 terminou em muitas glosas do governo e reclamações das empresas, diz Francisco Tripodi, diretor da consultoria especializada em inovação Pieracciani. Ele afirma que maior parte dos investimentos das empresas foi rejeitada: "Temos caso de empresa que investiu R$ 20 milhões e teve apenas R$ 400 mil aprovados", diz.

Tripodi diz acreditar que, em razão da liberação de novos investimentos, o valor aplicado anualmente a partir da lei (os R$ 1,5 bilhão) será praticamente o dobro do habitual pelos próximos quatro anos (prazo que as empresas têm para fazer o reinvestimento).

Carina Leão, diretora de relações governamentais da consultoria ABGI, do mesmo setor, confirma o grande número de glosas. Por outro lado, diz que, antes de aderir ao reinvestimento, a maioria das companhias irá apelar ao Ministério da Ciência fornecendo mais informações e argumentos para que seus projetos do passado sejam considerados inovadores. "Primeiro elas vão tentar defender o que fizeram."

Segundo Leão, a falta de confirmação do governo sobre se considerava ou não os investimentos das empresas adequados à lei nos últimos anos fez com que companhias persistissem em erro.

Anderson Jorge, diretor executivo da Abinee (associação do setor eletroeletrônico), diz que a análise dos investimentos feita no ano passado levou em conta critérios atuais para avaliar pesquisas feitas em outro contexto tecnológico. "Um projeto de aplicativo hoje não é considerado pesquisa, mas, em 2006, era uma tremenda novidade."

Para tornar a avaliação de projetos mais rápida, a lei passou a prever que as opções adotadas pelas empresas sejam avaliadas por uma auditoria independente antes de passarem pelo crivo do Ministério da Ciência. O ministério disse que não ser possível informar qual o valor das glosas que serão reinvestidas, pois muitas empresas estão em período de contestação. Existe a possibilidade de que muitas recusas sejam revertidas após a apresentação de informações.

A pasta afirma que a demora na avaliação aconteceu, entre outros motivos, pela falta de pessoal e pela metodologia antiga usada para avaliação. A pasta diz esperar que, com as mudanças na lei, o processo seja mais eficiente. "A fiscalização será realizada 'in loco' e não por meio apenas de um relatório entregue".

Além de poderem aplicar recursos em projetos internos de inovação e em institutos de ciência e tecnologia, a nova legislação prevê que as empresas tenham a opção de direcionar seus investimentos obrigatórios para fundos que apostam em startups.

A mudança é vista como positiva por Isabela Dias, diretora da Anpei, associação que reúne empresas que investem em pesquisa e inovação. "É saudável para o país ter mais empresas de base tecnológica."

Jovem morre ao sofrer descarga elétrica quando colocava celular para carregar

O adolescente teria encostado o dedo no pino da tomada quando foi conectar o carregador no interruptor. Ele veio a óbito ainda no lcoal.

Um jovem de apenas 15 anos, identificado como João Lucas Campelo de Sousa Peres (foto abaixo), morreu no final da tarde desta terça-feira (10) em Teresina após sofrer uma descarga elétrica enquanto colocava o aparelho celular para carregar. O adolescente teria encostado o dedo no metal da tomada e acabou sendo atingido pelo choque, vindo a óbito ainda no local. 


João Lucas  (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo a polícia, o jovem ainda chegou a ser socorrido pelos vizinhos, mas quando chegou ao Hospital do Dirceu já estava sem vida. Ele estava sozinho em casa no momento do ocorrido e foi sua mãe que o encontrou caído no chão do quarto. A perícia do IML atestou que o adolescente sofreu uma forte descarga na mão esquerda e que estaria molhado quando o acidente aconteceu. 

Segundo a perícia, o corpo do adolescente chegou com marcas roxas no braço e na altura esquerda do peito e mão estava rígida por conta da tensão muscular causada pelo choque. O adolescente teve uma parada cardíaca e morte imediata.

João Lucas morava com a mãe e o avô no Dirceu, era filho do sargento Peres, lotado no Rone, e estudava na turma do 1º Ano do Ensino Médio na Fundação Bradesco.

O que acontece no corpo em caso de choque

De acordo com o eletricista Gezivaldo Lima, as antigas tomadas que só possuem dois pinos, não isolam a área que fica exposta. “Quando uma pessoa manuseia a tomada de forma incorreta e acaba acidentalmente encostando o dedo no pino, a corrente tem acesso ao corpo dela e ela se torna um fio condutor de energia (fio-terra), que é por onde a corrente elétrica é balanceada para se estabilizar”, explica Gezivaldo.

O problema reside no fato de que a carga que vem da tomada é muito mais alta que aquela que o corpo humano suporta, o que causa danos físicos e até mesmo a morte. A partir de 9 miliampéres, a pessoa sente dor. De 9 a 20 miliampéres, além de dor, ela perde o controle muscular. Acima de 75 miliampéres, a descarga interfere no coração, provocando uma arritmia cardíaca, podendo levar a óbito.

10 de julho de 2018

Brasil sobe para o 64º lugar em ranking mundial de inovação

O índice é calculado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual e tem como parceiro local a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O Brasil ocupou o 64º lugar no ranking mundial de inovação. O país ganhou cinco posições em relação ao ano anterior, quando ficou em 69º na listagem mundial. O índice é calculado pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual e tem como parceiro local a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A liderança do ranking ficou com a Suíça. O país foi seguido por Holanda, Suécia, Reino Unido, Cingapura, Estados Unidos, Finlândia, Dinamarca, Alemanha e Irlanda. Entre os países de renda média-alta, o destaque foi da China, seguida por Malásia, Bulgária, Croácia e Tailândia. Entre os de renda média-baixa, os mais bem posicionados foram Ucrânia, Vietnã e Moldávia. Já nos países de renda baixa, alcançaram melhor desempenho Tanzânia, Ruanda e Senegal.

(Foto: Divulgação/Agência Brasil)

O Brasil foi classificado na categoria das nações de renda média-alta, ocupando a 15ª posição neste grupo. Dentro da região latino-americana, o país ficou na 6ª colocação.

Insumos e condições institucionais

O Brasil subiu no ranking quando considerados os chamados insumos de inovação, ficando na 58ª posição. Neste indicador, são levados em consideração itens como instituições, capital humano, pesquisa, infraestrutura e sofisticação de mercado e negócio. No ano anterior, havia ficado em 60º lugar.

Os melhores índices registrados no país foram nos quesitos de gastos em educação (23º colocado) , investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (27º), dispêndio de empresas em P&D (22º) e qualidade das universidades (27º). Os autores também destacaram a capacidade de absorção de conhecimento (31º), pagamentos em propriedade intelectual (10º), importações de alta tecnologia (23º) e escala de mercado (8º).

Já os pontos fracos foram apontados pelo relatório nas instituições (82º), ambiente de negócios (110º), facilidade de abertura de negócios (123º), graduados em engenharias e ciências (79º), crédito (104º) e a formação de capital bruto (104º).

Produtos e inovação

Já nos produtos da inovação, o Brasil foi para o 70º lugar. Nessa categoria são considerados produtos científicos e tecnológicos e indicadores relacionados a eles, como patentes e publicações em revistas e periódicos acadêmicos. O índice subiu em relação ao ano anterior, quando ficou na 80ª colocação.

No índice de eficiência de inovação, o Brasil pulou para a 85ª posição. Esse indicador mede o quanto um país consegue produzir tecnologia frente aos insumos, condições institucionais e estrutura de capital humano e pesquisa. Neste quesito foi registrada a maior diferente na comparação com 2017, quando a posição conquistada foi a de número 100.

07 de julho de 2018

Energia solar é opção para baratear conta de luz em até 95%

Teresina, onde há forte radiação, baixa umidade, muitas horas e dias de sol, tem se destacado em investimentos nesse setor

O período do B-R-O-BRÓ está se aproximando e, nestes meses mais quentes, o aumento do consumo de energia elétrica é quase inevitável e faz com que os piauienses busquem alternativas para amenizar o valor da conta. Uma das saídas tem sido investir na instalação de módulos fotovoltaicos, que transformam luz solar em energia elétrica, barateando a tarifa no final do mês. 

No Piauí, onde sobra sol e vento, a geração de energia solar ganhou investimentos e está mudando a vida de muita gente, pois traz economia na conta de luz de residências e empresas. As iniciativas para o aproveitamento dos recursos naturais que o Estado possui se multiplicam a cada dia, tanto em Teresina quanto no sertão piauiense, com empresas especializadas em transformar a luz do sol em energia não poluente e inesgotável. 

Placas solares ou módulos fotovoltaicos podem ser instalados no telhado das residências. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

" Todo mundo pode gerar essa energia solar e está ao alcance de todos", garante a engenheira civil Ludmilla Car valho, da Estação Solar, com sede na Capital. Teresina, onde há forte radiação, baixa umidade, muitas horas e dias de sol, destaca-se neste cenário e, apesar dos custos para instalação dos módulos fotovoltaicos, a procura por esta tecnologia cresce na Capital à medida que as facilidades de financiamento são colocadas à disposição a juros baixos. 

O Banco do Nordeste, por exemplo, dispõe de uma linha de crédito para quem deseja obter o Sistema Solar, seja ela pessoa física ou jurídica. "Não há rendimentos financeiros em aplicações que sejam melhores do que a economia no final do mês na conta de energia elétrica. Energia solar é investimento, não tem como comparar com aplicações em fundos. Com energia solar, a residência ou empresa pode reduzir em até 95% o seu custo na conta de luz no final do mês", afirma Ludmilla Carvalho, acrescentando que o gasto feito é tirado em cerca de três anos e meio. 

E o Piauí tem se destacado nos últimos anos na atração de empreendimentos voltados à geração de energia renovável, a exemplo das eólicas. Agora, o Estado deu um importante passo nesse sentido, com a instalação do Parque Solar Nova Olinda, da Enel Green Power Brasil. A usina está localizada no município de Ribeira do Piauí. A instalação abrange uma área de 690 hectares, com capacidade instalada total de 292 megawatts, energia suficiente para abastecer diariamente uma cidade de 1,2 milhão de pessoas.

Créditos podem ser descontados em outras contas

A engenheira civil Ludmilla Carvalho exemplifica a economia na conta de luz mostrando o gasto de um cliente no final do mês com o consumo de energia elétrica e o que ele passou a pagar após investir na instalação de módulos fotovoltaicos para gerar energia solar. Esse cliente, diz ela, pagava uma conta mensal de R$ 1.500, correspondente ao consumo de 1.474 KW/h. Após aderir ao sistema solar, sua conta reduziu para a taxa mínima da Eletrobras, que é de R$ 157, correspondente apenas a 100 KW/h mais taxa de iluminação pública. 

Ludmilla Carvalho explica como funciona o sistema de módulos fotovoltaicos. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

"O investimento dessa pessoa foi de R$ 55 a R$ 60 mil, incluindo projeto, instalação e módulos fotovoltaicos para geração de energia solar. Gasto este que o cliente tira em três anos e meio a quatro", completa. Ainda de acordo com a engenheira civil, quando a pessoa produz energia solar superior ao consumo, gera um crédito em KW/h na conta. E essa reserva acumulada pode ser utilizada em até cinco anos, sem nenhum prejuízo. 

Tudo isso depende do direcionamento do sistema, da quantidade de KW/h a ser usado pelo usuário, que pode usar esse crédito em outras unidades consumidoras do mesmo proprietário. "É muito vantajoso, nos dias atuais, investir em energia solar, tendo em vista que, a cada dia, consumir energia elétrica fica mais caro, dependendo das condições climáticas. Apesar dos custos, mesmo assim, é compensável, já que é um sistema de durabilidade de 25 anos ou mais, dependendo dos cuidados com manutenção preventiva no tempo certo, feita geralmente a cada ano", argumenta Ludmilla Carvalho.

Custo de implantação depende do consumo médio do imóvel

Para ter energia solar em casa, basta procurar uma das empresas especializadas em projetos e instalação de placas de energia solar (módulos fotovoltaicos), apresentar a conta de luz para verificação de quanto é o consumo mensal em KW/h de energia elétrica para que seja feito o estudo. Além das residências, empresas, faculdades e condomínios estão buscando esta tecnologia como alternativa para reduzir a conta de energia elétrica. Os valores são variáveis e dependem muito do consumo médio do imóvel. 

As empresas que trabalham na instalação de módulos fotovoltaicos primeiro avaliam o consumo em KW/h para fazer o projeto, de quantas placas são necessárias para geração de energia solar equivalente ao consumo de energia elétrica mensal fornecida, no caso, pela Eletrobras. A partir daí, são calculados os custos de instalação das placas. A engenheira civil Ludmilla Carvalho cita que uma placa gera 42 KW/h, duas placas 84 KW/h e assim por diante. Os custos do projeto, instalação e módulos funcionando depende do número de placas a serem instaladas. 

"O cálculo é baseado na conta de luz do cliente, de quanto é o consumo dele em KW/h de energia elétrica por mês, a partir daí fazemos o projeto. Geralmente, os valores variam entre R$ 12 mil, R$ 15 mil ou acima de R$ 60 mil. Uma das vantagens do uso de energia solar é que o consumidor fica livre dos aumentos de tarifa da energia elétrica, porque a energia consumida da rede é a mesma quantidade gerada pelo sistema solar. Ele só paga a taxa mínima em ligação monofásica de 30 KW/h mais a taxa da Cosipa (iluminação pública) ou [a tarifa] trifásica de 100 KW/h mais Cosipa", esclarece. 

A instalação das placas solares, em residências, geralmente é feita no telhado, utilizando, por vezes, o teto de garagem ou no próprio solo. Nos condomínios, o uso de energia solar é mais para abater no consumo de energia da área interna e externa e reduzir o valor da conta de luz no final do mês. À medida que as pessoas vão tomando conhecimento das vantagens em ter uma energia limpa e renovável em casa, dos financiamentos para os projetos na rede bancária, cresce a procura pelo sistema solar

12 de junho de 2018

Golpe perigoso no roteador pode roubar seus dados bancários

Vírus pode agir sem levantar suspeitas diretamente no roteador de Internet; saiba tudo sobre a ameaça

VPNFilter, malware que pode roubar senhas de usuários, já infectou pelo menos 700 mil roteadores no mundo inteiro. Apesar de ter feito vítimas principalmente na Ucrânia, a ameaça já é motivo de alerta do FBI, nos Estados Unidos, e do Ministério Público, no Brasil.

O vírus infecta o aparelho responsável por distribuir a Internet dentro de casa, e pode interferir na navegação de todos os celulares e computadores conectados. Vítimas podem ter até suas contas bancárias varridas pelos criminosos sem levantar suspeitas. Veja oito coisas que você precisa saber sobre o problema e descubra como se proteger.

Roteadores de várias marcas são vulneráveis ao malware VPNFilter (Foto: Reprodução/Pond5)

1. O que é o VPNFilter?

O VPNFilter é um malware que infecta roteadores para manipular sites visitados por usuários na mesma rede Wi-Fi. Como a ameaça age na origem do sinal de Internet, ela não precisa afetar diretamente os smartphones e computadores das vítimas. O problema pode passar despercebido pela maioria dos usuários porque não gera alerta do antivírus no PC ou no celular. Assim, ele pode trabalhar de forma oculta, sem levantar suspeitas.

2. O que ele pode fazer?

A principal habilidade do malware é intermediar o tráfego e Internet do usuário e manipular as páginas visitadas. Ele pode tanto roubar senhas digitadas, incluindo em sites bancários, quanto criar cópias falsas da página para não deixar a vítima saber que está sendo alvo de golpe. Especialistas da Talos (braço de inteligência da Cisco) apontam que o vírus é capaz de imitar o site de um banco para exibir o seu saldo em conta intacto enquanto os hackers realizam transferências no Internet banking verdadeiro.

Malware VPNFilter em roteadores: oito fatos que você precisa saber (Foto: Arte/TechTudo)

A ação do código malicioso se baseia em grande parte na sua capacidade de manipular a tecnologia HTTPS. O malware pode roubar dados sigilosos de sites sem proteção HTTPS, ou que possam ter o protocolo de segurança alterado de maneira forçada.

O VPNFilter também tem uma função de autodestruição, responsável por eliminar todos os rastros dos criminosos do roteador depois de executar o golpe.

3. Como o VPNFilter altera o HTTPS?

O HTTPS é o protocolo de Internet que mantém segura a conexão entre o usuário e o site visitado. O recurso já funciona em quase todos os sites da web, mas ainda há páginas que seguem oferecendo a opção insegura HTTP para quem tem computadores antigos. Essa fase de transição que ainda permite conexões inseguras facilita o trabalho do VPNFilter, que força a abertura das páginas na versão sem proteção mesmo que o usuário tenha um aparelho compatível com HTTPS.

O alto nível de sofisticação do VPNFilter também seria eficaz em sites como Google e Twitter, que contam com uma série de medidas de proteção contra a manipulação do HTTPS. Isso significa que até mesmo suas contas nesses dois serviços podem ser gerenciadas pelo malware em alguma medida, forçando a abertura do Gmail ou do microblog usando HTTP.

Uma vez alterado o protocolo HTTPS para HTTP, o VPNFilter ganha passe livre para espionar o tráfego, enviar informações para os criminosos e ativar novas fases do golpe, como o roubo de senhas.

4. Como o malware afeta o roteador?

O VPNFilter infecta roteadores com falhas de segurança ainda não corrigidas. Boa parte das brechas que permitem a ação do malware já foram solucionadas, mas os pacotes de correção nunca foram instalados pelo usuário. A instalação deve ser feita por meio da atualização do firmware do aparelho, algo raramente feito por usuários ou provedoras de serviço de Internet.

O resultado é um alto número de roteadores vulneráveis que podem ser explorados por hackers, desde que utilizem malwares altamente sofisticados como o VPNFilter. O código malicioso é capaz de identificar o modelo do roteador infectado para saber como explorar uma possível vulnerabilidade e abrir caminho para baixar demais pacotes de ataque.

5. Quais dispositivos e sistemas ele atinge?

Inicialmente se acreditava que apenas roteadores das marcas Linksys, Netgear, TP-Link e MikroTik eram vulneráveis, mas o número aumentou. Atualmente, já se sabe que produtos fabricados por Asus, D-Link, Huawei, Ubiquiti e ZTE também podem ser infectados, e outros podem entrar na lista em breve. Autoridades recomendam que os usuários considerem que seus roteadores sejam passíveis de ataque, independentemente da marca.

Como o ataque ocorre no roteador, qualquer dispositivos conectado a ele está sujeito a ter dados interceptados. Dessa maneira, usuários de Windows, macOS, Linux, Android e iPhone (iOS) são potenciais vítimas.

6. O que está por trás do ataque?

O FBI considera que o nível de sofisticação do VPNFilter indica o envolvimento do governo russo. As autoridades dos EUA já teriam identificado alguns servidores ligados ao malware com pistas sobre a conexão entre os ataques e o Kremlin. O governo de Vladimir Putin nega.

7. Como saber se você é vítima?

Como a ação do VPNFilter é baseada na manipulação de HTTPS, é possível tomar medidas simples para evitar problemas. Cheque pelo rótulo verde (ou de cadeado) na barra de endereços do site visitado para ter certeza de que a proteção está ativada. É importante também verificar se o domínio do site está correto. Sites de banco, por exemplo, nunca usam domínios diferentes de .com, .com.br ou .br. Ao visitar uma página e ver apenas a inicial “https” no endereço, saiba que o tráfego poderá ser monitorado por eventuais invasores da rede, incluindo o VPNFilter.

8. Como posso me proteger?

O FBI e o Ministério Público recomendam que todos os roteadores sejam reiniciados para interromper o funcionamento do VPNFilter. No entanto, dificilmente a medida será suficiente contra um malware tão perigoso. Para garantir proteção, é importante atualizar o firmware do roteador para aplicar correções às falhas de segurança existentes, além de desativar o gerenciamento remoto e trocar os dados de login e senha de acesso do aparelho.

Estudo sobre meme na política aponta efeito 'democratizador'

Segundo o estudo do Centro de Ciências Humanas Sociais e Aplicadas, a linguagem usada na internet, conhecida como 'meme', facilita a compreensão sobre os temas ligados a política.

Uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Ciências Humanas Sociais e Aplicadas da Unicamp (ICHSA), em Campinas (SP), aponta os "memes" - linguagem que viralizou nas redes sociais - como uma ferramenta de democratização da discussão política no país. O público é conquistado pela facilidade de compreender um conteúdo que ele acredita, compartilha, e se vê como um influenciador.

O estudo, elaborado como dissertação de mestrado pelo publicitário Renato Frigo, analisou uma série de memes políticos entre 2014, período em que ocorreu a última eleição presidencial, até 2017.

Sob a orientação do professor Rafael de Brito Dias, ele buscou entender o papel dos memes e medir até que ponto eles ajudam na construção de uma "ciberdemocracia", conceito desenvolvido pelo filósofo e sociólogo Pierre Levy.

Em um espaço como a internet, onde é possível a elaboração de seus próprios problemas e questões, a criação dos memes acaba refletindo a autonomia experienciada no ambiente virtual.

"Muitas vezes os memes substituem o papel da mídia tradicional, pois apresentam os personagens e os termos do jogo político através de um viés pré-estabelecido", afirma o publicitário.

O Brasil é um dos países que mais produzem memes políticos, aponta a pesquisa. Dos 2,5 mil analisados, foi constatado que os de tendência ideológica de direita são os que mais se propagam. A figura de linguagem acaba "reforçando posicionamentos", segundo o pesquisador.

Pesquisa da Unicamp analisou memes disseminados durante as eleições de 2014 (Foto: Reprodução/ Política, Memes e o Facebook no Brasil: em busca da ciberdemocracia/ICHSA/Unicamp)

Meme: origem e anonimato

De acordo com o levantamento do publicitário, o conceito de meme foi criado pelo pesquisador Richard Dawkins, em 1976. Por definição, ele é considerado uma unidade de evolução cultural que se autopropaga.

A figura de linguagem pode consistir em ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos ou morais. São "híbridos e mutantes por conceito".

Para ser classificado como meme é necessário que essa unidade de informação se repita e autopropague. Exemplos de "memes históricos" seriam as canções infantis, como "Atirei o pau no gato" , a música temática de aniversários "Parabéns para você" e superstições como a crença sobre "passar debaixo da escada dar azar".

Segundo Frigo, o meme, como é conhecido atualmente, é um fenômeno típico da internet com foco nas redes sociais e que pode se apresentar como uma coleção de textos, imagens, vídeos, comportamentos difundidos ou memórias compartilhadas.

"Devido sua natureza diversificada e não linear, os memes conseguem criar relações com todos os tipos de assuntos", diz.

Os memes têm como característica o anonimato daqueles que os criam. A não lineriedade faz com que todas as pessoas, independentemente do perfil, se sintam cativadas por eles.

Meme analisados na pesquisa do publicitário Renato Frigo, realizada pela Unicamp (Foto: Reprodução/ Política, Memes e o Facebook no Brasil: em busca da ciberdemocracia/ICHSA/Unicamp)

Democratização de discussões políticas

O número de memes produzidos no país com a temática política aumenta a cada ano, de acordo com a pesquisa.

"Segundo a definição de ciberdemocracia, a internet proporciona um progresso da democracia, já que, nela, pessoas podem por si próprias elaborar seus próprios problemas e questões e, eventualmente, submetê-los às autoridades responsáveis", diz Renato Frigo.

Para que se atinja a plenitude da democracia, no mundo virtual, o publicitário acredita ser necessário o desenvolvimento da educação, o combate à pobreza e a facilitação do acesso à internet pelas classes ainda fora da grande rede.

"Então, esses indicadores nos mostram que ainda estamos um tanto distantes da plena democracia digital. Mas, por outro lado, o uso de memes políticos no Brasil vem aumentando significativamente desde 2014, o que mostra a participação de mais pessoas neste tipo de discussão", afirma o pesquisador.

'Memes' disseminados durante o período de eleição presidencial de 2014 (Foto: Reprodução/Política, Memes e o Facebook no Brasil: em busca da ciberdemocracia/ICHSA/Unicamp)

Quanto mais divulgado, mais 'oficial'

O meme mantém a principal informação por meio do mecanismo de repetição. Quando divulgado várias vezes, pode se tornar o discurso oficial e influenciar a opinião pública. Por isso, apesar de marcar presença no mundo virtual, o fenômeno pode alcançar os eventos "reais", como eleições.

"Nos Estados Unidos foi possível medir o aumento do uso dos memes nas últimas três eleições presidenciais. No Brasil temos um grande uso dos memes para manifestações populares, valores partidários, eleições, ataques pessoais e principalmente humor", explica Renato.

Os memes não dependem de verba para serem produzidos. Atualmente, eles podem ser criados em aplicativos e ferramentas virtuais. Por isso, conseguem ser mais "atrativos e efetivos do que a publicidade tradicional, além de ser muito fácil de produzir e propagar".

''Podemos esperar que todos os partidos utilizem de memes para poder, assim, chegar mais perto do seu eleitor e também para se opor aos seus adversários, nas eleições de 2018", afirma.

08 de junho de 2018

Falha faz posts de 14 milhões ficarem expostos no Facebook

Erro ocorreu enquanto desenvolvedores da rede social estavam criando novas formas de compartilhar conteúdos na plataforma.

O Facebook informou nesta quinta-feira (7) que uma falha em seus sistemas tornou públicas durante quatro dias as mensagens de 14 milhões de usuários publicadas apenas para amigos.

"Recentemente detectamos uma falha informática que sugeria automaticamente tornar públicas as mensagens criadas por algumas pessoas", disse Erin Egan, responsável por temas de privacidade do Facebook.

Este erro ocorreu enquanto o grupo de desenvolvedores estava trabalhando em uma nova forma de compartilhar certos elementos do perfil dos usuários, como as fotos.

Quando publicam algo na rede social, os usuários podem escolher deixar a publicação visível para:

- todo mundo dentro do Facebook;

- a lista de amigos na rede social;

- contatos selecionados;

- apenas para eles mesmos.

Foi essa configuração que a falha afetou, ao tornar públicas as publicações privadas ou restritas somente ao usuário. A falha afetou a rede de 18 a 27 de maio. O Facebook começou a reparar o problema em 22 de maio, mas precisou de mais cinco dias para que todos as mensagens ficassem privadas novamente.

"Resolvemos este problema e começamos hoje [quinta-feira] a advertir todas as pessoas afetadas, pedindo que verificassem as mensagens publicadas durante esse tempo", disse Egan.

Os cerca de 14 milhões de usuários envolvidos deverão ver, assim que se conectarem à rede social, uma notificação convidando-os a ver uma página que reúne as publicações afetadas por este erro.

O problema chega em um momento em que o Facebook está envolvido em vários casos polêmicos relacionados com a segurança dos dados pessoais.

O grupo tem sido fortemente criticado desde março por ter deixado vazar dados de milhões de usuários para a Cambridge Analytica.

30 de maio de 2018

Sinal analógico na região de Teresina será desligado às 23h59 desta quarta

Para permitir que o sinal digital chegasse ao maior número de residências, cerca de 100 antenistas foram capacitados e atuaram em 260 mutirões.

Às 23h59 desta quarta-feira, dia 30, o sinal analógico de TV será desligado em Teresina, Demerval Lobão, Lagoa do Piauí, Nazária e Timon (MA). A decisão foi tomada pelo Gired, grupo liderado pelo presidente da Anatel, Juarez Quadros, e homologada por Gilberto Kassab, Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), após apresentação da pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, que aferiu que 92% da população desta região já está preparada para receber o sinal digital. A partir de 31 de maio, só será possível assistir à programação da TV aberta pelo sinal digital, que traz muito mais qualidade de som e imagem, sem interferências, fantasmas ou chuviscos.

O trabalho realizado nos últimos meses pela Seja Digital teve como principal objetivo não deixar ninguém sem acesso às programações dos canais de TV. Para isso, a entidade contou com o apoio de diversos parceiros, entre eles as prefeituras dos 5 municípios, o Governo do Estado do Piauí, mais de 470 voluntários e mais de 430 servidores, que atenderam a população nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). O trabalho de mobilização social, realizado em conjunto com a campanha nas TVs, rádios, jornais, impressos, portais e redes sociais, permitiu que a informação sobre a mudança no sinal de TV chegasse aos mais de 1 milhão de moradores.

Para apoiar a população na instalação na antena digital e do conversor, equipamentos que permitem que televisores antigos tenham acesso ao sinal digital, a Seja Digital, em parceria com a Fundação Educare, capacitou 100 antenistas que atuaram em 260 mutirões. O trabalho desses profissionais alcançou diversos bairros e comunidades, contabilizando mais de 7,6 mil instalações gratuitas. Além disso, para facilitar o acesso da população ao sinal digital, a entidade fechou parcerias com o varejo local. Foram realizados 26 Feirões Digitais em lojas, além do Feirão Digital Itinerante, que percorreu diversos bairros oferecendo antenas digitais e conversores a preços mais acessíveis. 

"Tivemos muitos parceiros durante todo esse processo e isso nos ajudou bastante. Muitos líderes comunitários e voluntários também abraçaram a causa da Seja Digital fazendo com que a informação chegasse mais rápido às pessoas. Além do empenho de mobilizadores, agentes comunitários, promotores, antenistas, servidores, lojistas e voluntários. Os veículos de comunicação também atuaram como importantes multiplicadores das informações”, afirma Luciane Soares, gerente regional da Seja Digital em Teresina.

O líder comunitário Albertino Ribeiro da Silva foi um desses agentes multiplicadores. Residente na zona norte de Teresina, ele abriu as portas de sua casa para realização de reuniões com outros líderes da região. “Me senti muito bem em ajudar representando a zona norte nesse processo e levando informação às pessoas. Muitas delas estavam aguardando uma oportunidade para atualizar seus dados e ficaram ainda mais felizes em ganhar o kit gratuito”, disse Albertino. 

Até o momento, a Seja Digital distribuiu mais de 130 mil kits gratuitos, com antena digital e conversor, que permitiram que as famílias de menor renda continuassem assistindo aos canais abertos de televisão. Mesmo após o desligamento do sinal analógico, a entidade continuará distribuindo os kits gratuitos por pelo menos mais 30 dias.

Nos pontos de retirada, as famílias também recebem um treinamento sobre como realizar a instalação da antena digital e do conversor para que possam assistir aos seus programas favoritos com muito mais qualidade de som e imagem. 

Além dos canais de atendimento, os agendamentos também foram realizados em ações de mobilização social, como as Caravanas da TV Digital, mutirões de agendamentos, blitz, entre outros. Ao todo, mais de 23 mil agendamentos foram feitos nessas ações. Na residência do casal Silvestre das Chagas e Ivone Ferreira, assistir à TV com a qualidade digital é motivo de alegria. “Aqui em casa estamos todos felizes. Antes nossa TV pegava apenas um canal e hoje temos vários canais funcionando com muito mais qualidade”, afirma Ivone. 

Lilian Gomes de Assunção também é um exemplo. Ela está inscrita no Programa Bolsa Família, agendou e retirou seu kit gratuito e após fazer a instalação anotou o código para participar da Instalação Premiada, promoção realizada pela Seja Digital. Lilian foi uma das vencedoras já no primeiro sorteio. Moradora de Timon (MA), ela ficou maravilhada ao saber que havia sido comtemplada com R$2 mil reais. “Quando soube que tinha ganhado quase não acreditei, pensei que estavam fazendo uma brincadeira comigo. Depois liguei para a central e confirmei que iria receber o prêmio. Fiquei muito feliz, além de ter uma TV com imagem muito melhor, esse dinheiro veio em ótima hora”, conta. 

As ações realizadas pela Seja Digital e diversos parceiros durante os mais de 4 meses de trabalho na região mobilizaram milhares de pessoas. As Patrulhas Digitais, por exemplo, envolveram cerca de 300 voluntários, que percorreram mais de mil casas com o objetivo de informar e orientar a população, além de auxiliar na instalação dos equipamentos. 

As escolas também tiveram grande importância no projeto. Cerca de 205 instituições de ensino apoiaram o trabalho, permitindo a realização de ações que impactaram mais de 60 mil alunos. As Caravanas da TV Digital nas Escolas, apresentações culturais com a temática da TV Digital; edições da ExpoDigital, exposição sobre a diferença entre o sinal analógico e o digital; e o Papo Digital, palestras para os alunos sobre a transformação da televisão brasileira e a migração do sinal de TV, são alguns exemplos. 

“O resultado alcançado só foi possível porque tivemos a ajuda de todos. Esse momento com certeza é um marco na história da região e mudará a vida de muitas pessoas que agora terão som e imagem de qualidade na sua TV”, completa Luciane Soares, gerente regional da Seja Digital. 

A expectativa é que a região de Teresina siga os passos de Brasília, São Paulo e Recife, e em pouco tempo 100% dos domicílios tenham acesso ao sinal digital. Os canais de atendimento também continuarão à disposição da população para oferecer todo suporte necessário mesmo após o desligamento. O site www.sejadigital.com.br e a central telefônica 147 (ligação gratuita) continuam disponíveis para os moradores que ainda tiverem dúvidas sobre como se preparar para o sinal digital.

Sobre a Seja Digital 

A Seja Digital (EAD - Entidade Administradora da Digitalização de Canais TV e RTV) é uma instituição não governamental e sem fins lucrativos, responsável por operacionalizar a migração do sinal analógico para o sinal digital da televisão no Brasil. Criada por determinação da Anatel, tem como missão garantir que a população tenha acesso à TV Digital, oferecendo suporte didático, desenvolvendo campanhas de comunicação e mobilização social e distribuindo kits para TV digital para as famílias cadastradas em programas sociais do Governo Federal. Também tem como objetivos aferir a adoção do sinal de TV digital, remanejar os canais nas frequências e garantir a convivência sem interferência dos sinais da TV e 4G após o desligamento do sinal analógico. Esse processo teve início em abril de 2015 e, de acordo com cronograma definido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, mais de 1300 municípios terão o sinal analógico desligado até 2018.

23 de maio de 2018

22 de maio de 2018

Microsoft anuncia compra de startup focada em interfaces de linguagem

A inovação parece ter estabelecido um novo patamar para a comunicação de inteligências artificiais

Durante a demonstração da capacidade de comunicação do Google Duplex, na Google I/O, Mountain View maravilhou o mundo com uma inteligência artificial tão bem articulada que as pessoas presentes não perceberam se tratar de uma máquina falando. A inovação parece ter estabelecido um novo patamar para a comunicação de inteligências artificiais, tanto que a Microsoft anunciou a compra da startup Semantic Machines, voltada para o desenvolvimento de interfaces de linguagem, parceria que pode dar uma mãozinha para melhorar as habilidades da Cortana, assistente da empresa.


Foto: Reprodução

A Microsoft, desde o ano passado, vem se empenhando em melhorar as habilidades de conversação de seus chatbots, como a Cortana e o Xiaoice, sendo que esse último já registra mais de 30 bilhões de conversas com usuários chineses. Com a compra da Semantic Machines, a empresa disse estar "estabelecendo um centro de excelência de conversação em Berkeley para avançar os limites do que é possível em interfaces de linguagem". O objetivo dos negócios é trazer ao público "experiências mais poderosas, naturais e mais produtivas, que levarão a computação conversacional a um novo nível".

A busca pela excelência vem em boa hora: a Acer anunciou laptops com Windows 10 que trazem, além da Cortana, a assistente da Amazon, Alexa, já pré-instalada. Vale lembrar que, em 2017, a Microsoft e a Amazon realizaram um acordo colaborativo para o desenvolvimentos de suas respectivas IAs, então a concorrência entre as assistentes digitais pode ser benéfica e trazer avanços para a área caso a Microsoft consiga acompanhar o ritmo das rivais.

20 de maio de 2018

Tudo sobre o uberAIR: saiba como vai funcionar o táxi voador da Uber

Serviço está previsto para começar a operar em 2023, mas ainda precisa enfrentar desafios

A uberAIR é a próxima aposta da Uber para o serviço de transporte. Como um táxi aéreo, o projeto vai permitir que usuários peçam um voo com a mesma simplicidade que se pede um carro atualmente. A ideia é fazer um modelo elétrico e autônomo, e os primeiros testes serão em 2020 – com início das operações previsto para 2023.

Há também projetos voltados para receber e embarcar passageiros, em uma espécie de aeroporto próprio para o serviço: o Skyport. Conheça um pouco mais da novidade que pode surgir nos próximos anos e entenda como vai funcionar o taxi aéreo da Uber.

DJI e Microsoft anunciam parceria para inteligência artificial em drones

Serviço de 'carona aérea' poderá entrar em operação em 2023 com aeronaves autônomas (Foto: Divulgação/Uber)

Ficha técnica

Previsão de início dos testes: 2020

Previsão de início da operação: 2023

Controle na aeronave: autônomo

Capacidade: quatro passageiros

Velocidade prevista: de 240 a 320 km/h

Expectativa de duração da bateria por carga: 60 milhas (equivalente a 96,5 km)

Glossário

uberAIR: serviço da Uber que vai permitir ao usuário solicitar voos pelo aplicativo

eVTOL: veículo elétrico de pouso e decolagem verticais que será usado no uberAIR

Skyport: estação planejada para ficar no topo de prédios para que as aeronaves possam decolar e pousar

O que é o UberAir?

Procedimento para pedir uberAIR deverá ser semelhante à solicitação de um carro (Foto: Divulgação/Uber)

O uberAIR é o futuro serviço de transporte aéreo da Uber. Iniciado em 2016 a partir da publicação de um artigo técnico sobre mobilidade aérea urbana pela Elevate, o projeto tem como um dos objetivos tornar a rede de veículos aéreos acessível a pessoas comuns que querem evitar o trânsito em distâncias longas.

O projeto propõe que as aeronaves contem com um piloto a bordo. No entanto, ao longo do tempo, a ideia é tornar os eVTOLs – veículos elétricos para voos – autônomos. A capacidade deve ser de quatro passageiros, com espaço para pequenas bagagens. Além disso, deve ter autonomia de bateria para até 60 milhas (equivalente a 96,5 km) e tecnologia avançada para fazer uma recarga completa em até cinco minutos durante horários de pico.

Para utilizar a tecnologia, o usuário precisará apenas reservar o voo pelo aplicativo da Uber e encontrar a aeronave na estação Skyport mais próxima. Ainda não se sabe, porém, qual será o preço do serviço.

Datas e locais de testes

Proposta do uberAIR inclui estações para pousos e decolagens; este é o projeto "Connect" (Foto: Divulgação/Uber)

De acordo com a Uber, o período de testes do uberAIR está previsto para começar em 2020. Já as operações com o serviço podem ter início em 2023. Três locais serão selecionados para participar da etapa de "cidades lançamento" do projeto. Por enquanto duas já estão definidas: Dallas e Los Angeles, ambas nos Estados Unidos.

Preocupação sustentável

Segundo a companhia do app de caronas, atualmente o deslocamento médio por terra dentro de megacidades do mundo passa de 90 minutos, representando "menos tempo com a família, menos tempo de trabalho para o crescimento das economias e mais dinheiro gasto em combustível". Para resolver a questão, a meta com o uberAIR é aproveitar o espaço aéreo para aliviar os congestionamentos, criar uma forma de transporte menos poluente e ajudar na qualidade de vida dos cidadãos.

Dentro do projeto, os veículos – que não vão utilizar combustíveis como gasolina – devem ter capacidade de propulsão elétrica para voar de forma ultra-sileciosa. Além disso, os níveis de ruído das aeronaves devem ser baixos a ponto de se misturarem com os sons da cidade.

Parcerias

Aeronaves poderão ter espaço para até quatro passageiros sem pilotos a bordo (Foto: Divulgação/Uber)

Para auxiliar no projeto, a Uber firmou parcerias com a Nasa (Administração Nacional Aeronáutica e Espacial dos Estados Unidos), e com o Exército do país. No primeiro caso, a coparticipação deve criar simulações do serviço e de voos considerando tráfego, espaço aéreo e riscos de colisões. Com o grupo das Forças Armadas, a proposta é testar as aeronaves para avançar nas pesquisas.

A empresa também estabeleceu acordos com fabricantes de aeronaves de todo o mundo, entre elas a brasileira Embraer, responsável por aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares. O objetivo é ampliar a possibilidade de criação dos eVTOLs como planejados.

Skyports

Outras parcerias no projeto do uberAIR são com empresas de arquitetura e engenharia, pensando nas Skyports, estações de embarque e desembarque. Após a avaliação interna de dezenas de propostas, a Uber selecionou seis modelos com infraestruturas consideradas viáveis para colocar a operação do serviço em prática.

"Uber Hover" se baseia na ideia de colmeias e abelhas para receber pousos e decolagens do uberAIR (Foto: Divulgação/Uber)

Além de precisarem acompanhar as exigências ambientais para não prejudicar o meio ambiente e a comunidade em torno das estações, os projetos devem levar em conta as recargas rápidas dos eVTOLs e tráfego de mais de quatro mil passageiros. Segundo o diretor de Design da Uber, John Badalamenti, o uberAIR está mais perto do que pensamos, apesar de parecer um sonho distante. Para ele, a infraestrutura urbana precisa começar a evoluir desde já para acompanhar a novidade.

Entre os projetos selecionados está o "Connect", um modelo com conceito futurista de Mega Skyport que promete comportar até mil pousos por hora. Além dele, há o "Uber Hover" e o "The Hive", ambos baseados em colmeias e na forma como as abelhas utilizam várias portas de entrada e saída. Outra opção para as estações de pouso e decolagem do uberAIR é a "Sky Tower", um único módulo com capacidade para até 1.800 passageiros em horários de pico e 180 voos por hora.

"Sky Tower" promete capacidade para até 1.800 passageiros em horários de pico (Foto: Divulgação/Uber)

Desafios

Mesmo com as parcerias com a Nasa, Exército dos Estados Unidos, fabricantes de aeronaves e empresas de arquitetura, a Uber aponta alguns obstáculos que precisam ser trabalhados para que o uberAIR entre em operação, sendo o principal a colaboração dos órgãos reguladores. De acordo com a empresa, novos conceitos de aeronaves passam por um processo lento de certificação até cumprirem todas as regras das autoridades de aviação mundiais.

Além disso, as baterias elétricas precisarão ser suficientes para viagens de longo alcance e os veículos deverão ter um bom desempenho em condições climáticas variadas. O controle de tráfego aéreo nas grandes cidades também poderá ser um desafio para o projeto.

Concorrência

Drone autônomo já foi testado em mais de mil voos e pode concorrer com uberAIR (Foto: Divulgação/Ehang)

Apesar de parecer um projeto bastante futurístico e a longo prazo, o uberAIR já conta com um concorrente mundial: o Ehang 184. Apresentado na CES 2016, o "drone táxi" autônomo realizou mais de mil voos de testes com passageiros a bordo. De acordo com a fabricante, a aeronave foi capaz de transportar mais de 230 kg com velocidade máxima de 130 km/h.

A maior distância alcançada foi de 15 km, com experimentos em diferentes condições climáticas – neblinas, altas temperaturas e até um tufão de categoria 7 com ventos fortes. Apesar dos avanços, ainda não há data para o serviço da fabricante chinesa chegar ao mercado.

16 de maio de 2018

Twitter muda estratégia para combater usuários violentos

Rede social vai identificar contas agressivas com base em seu comportamento.

Twitter apresentou nesta terça-feira (15) uma revisão de sua estratégia para combater usuários violentos. O microblog vai usar sinais comportamentais para identificar assediadores na rede social para limitar a visibilidade de seus comentários. O Twitter vem tentando se livrar de conteúdo nocivo por temer que ataques pessoais estejam afastando os usuários de seu serviço.

O Twitter já tem regras que proíbem o abuso e punem com suspensão ou bloqueio os usuários que forem denunciados. Também há mecanismos para silenciar usuários considedos ofensivos.

O que muda

O presidente-executivo do Twitter, Jack Dorsey, informou que a empresa agora tentará encontrar contas problemáticas examinando seu comportamento. Alguns dos aspectos analisados serão a frequência com que as pessoas tuítam sobre contas que não as seguem ou se confirmaram o endereço de e-mail vinculados a elas.

Os tuítes dessas contas aparecerão mais abaixo em determinadas áreas do serviço, como resultados de pesquisa ou respostas a tuítes, mesmo que as próprias mensagens não tenham violado nenhuma regra. Os tuítes, no entanto, não serão removidos só com base em sinais comportamentais, disse Dorsey.

O executivo disse que os 336 milhões de usuários ativos mensais do Twitter devem esperar uma série de outras mudanças nos próximos meses, enquanto a empresa explora maneiras de encorajar os tuítes menos agressivos.

14 de maio de 2018

Devolver lança novo jogo para Super Nintendo; lucros vão para caridade

Fork Parker's Crunch Out é o título do novo game, e também uma brincadeira com o nome do suposto CFO da Devolver, Fork Parker

Os grandes entusiastas de games retro, em especial os de Super Nintendo, já podem comemorar com a proposta da Devolver Digital de distribuir jogos para o console. Por sinal, a empresa não está apenas distribuindo desta vez, mas também codesenvolvendo um novo game com o Mega Cat Studios que será lançado em um cartucho para SNES. A melhor parte de toda esta história? 100% dos lucros serão entregues à caridade.

Fork Parker's Crunch Out é o título do novo game, e também uma brincadeira com o nome do suposto CFO da Devolver, Fork Parker. Além disso, o jogo também faz referência a um problema que vem sendo enfrentando cada vez mais por desenvolvedores, o "crunch time" (tempo decisivo, em tradução livre). O termo faz referência ao tempo muito curto que os profissionais têm para concluir seus trabalhos. Após a conclusão desses projetos, eles são realocados para outros imediatamente.


Ilustrativa. Foto: Divulgação

Uma pesquisa da IDGA realizada em 2016, concluiu que 37% dos desenvolvedores de jogos não são compensados pelas horas extras de trabalho, o que lhes causa um grande estresse mental. O intuito da Devolver Digital, com a proposta, é, em suma, aumentar a conscientização sobre o assunto através de seu novo jogo para o Super Nintendo, que promete ser bem ao estilo Game Dev Story . Os lucros do título serão 100% revertidos para a Take This, uma instituição de caridade focada em aumentar a conscientização sobre saúde metal.

Em Fork Parker's Crunch Out , os jogadores estarão no papel do "pior executivo de games do mundo", que está tentando competir com uma nova, grande e poderosa publisher no mercado. Será necessário motivar seus funcionários usando todos os meios possíveis para ganhar da competidora. O game também irá brincar com elementos que tornam um jogo único, envolvendo a integridade artística dos desenvolvedores, jogabilidade envolvente, eliminação de "elementos" ou mecânicas que não fazem sentido, dentre outros tópicos constantemente avaliados.

Além disso, a empresa que o jogador controlar poderá utilizar de "poderes especiais", o que inclui contratar estagiários não-remunerados que trabalham com serviços expositivos, até utilizar "café, disciplina e tratamento de choque" para manter os desenvolvedores dentro do cronograma. Seria hilário se não fosse trágico.

13 de maio de 2018

Popular e de difícil controle, WhatsApp mira notícias falsas

Com 120 milhões de usuários no Brasil, aplicativo é visto como a maior ameaça na geração de desinformação política.

O WhatsApp armou uma estratégia em três frentes para se contrapor às notícias falsas no ano eleitoral, no Brasil. O aplicativo de mensagens, que pertence ao Facebook e se assemelha a uma rede social pela propagação de informações por meio de grupos, passou dos 120 milhões de usuários no Brasil e agora é visto como a maior ameaça na geração de desinformação política.

Pelo que a reportagem apurou, a plataforma vai buscar um primeiro grupo de ações voltadas aos usuários, estimulando-os a reportar casos de conteúdo indesejado e a bloqueá-los. Prevê também modificar sua própria ferramenta para evidenciar quando a mensagem é uma retransmissão, como acontece com e-mails.

Na segunda frente, o WhatsApp recorrerá a mecanismos que já tem para detectar spam via metadados, sinais como a transmissão de número inusitadamente alto de mensagens, que servirão de base para identificar eventuais fontes de conteúdo malicioso.

Na terceira, a plataforma -sediada nos EUA e sem representação formal no Brasil- busca maior proximidade com a Justiça Eleitoral e outros órgãos públicos, visando responder mais prontamente a ordens "válidas" que apontem tentativas de manipulação eleitoral e disseminação de notícias falsas.

A integração das frentes permitirá ao WhatsApp, sobretudo nos momentos críticos do processo eleitoral, bloquear usuários mal-intencionados.

Diferentemente de Facebook e outras redes, as mensagens no aplicativo são criptografadas, codificadas, impedindo o acesso ao conteúdo por terceiros, inclusive a própria plataforma. Ações indiretas foram a saída do WhatsApp para responder aos questionamentos crescentes de que estimula "fake news".

Ouvido sobre o projeto da plataforma para as eleições brasileiras, o jornalista Edgard Matsuki, cujo site de checagem Boatos.org se dedica desde 2016 às notícias propagadas no WhatsApp, avalia que ele "tende a minimizar um problema que está tendo atenção muito grande", mas o foco deve ser no usuário.

"É importante pensar para além das plataformas", diz. "Se as próprias pessoas não tiverem consciência de que compartilhar notícia falsa é nocivo, que boatos têm uma gravidade na internet, não adianta WhatsApp, Facebook, YouTube tomarem essas medidas."

Ele vê na primeira frente de ação, com o estímulo às denúncias pelos usuários, o caminho mais promissor.

Pablo Ortellado, professor da USP e colunista da Folha de S.Paulo, é ainda menos otimista, avaliando que muito do que o WhatsApp pretende "é para dizer que está fazendo alguma coisa, é enxugar gelo".

Ele acredita que as ações da plataforma vão se concentrar em combater "aquela coisa de comprar uma base [de usuários] na Santa Ifigênia [centro comercial de eletrônicos em SP] e jogar spam para todo mundo. Vão tentar ver quando um cara está mandando para centenas e interrompê-lo".

Mas isso é só parte do problema. "Os boatos políticos têm a maneira mais insidiosa, do ator malicioso que está semeando em diversos grupos, numa dinâmica muito lenta, de deixar a coisa correr sozinha", diz. Contra isso, a estratégia do WhatsApp teria pouco ou nenhum efeito.





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