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Notícias Tecnologia

11 de novembro de 2018

Sem isenção, 5G não trará revolução na economia, diz novo chefe da Anatel

Novo presidente aguarda a aprovação do projeto de lei que modifica o marco regulatório do setor para reduzir "exigências desnecessárias" hoje impostas às operadoras.

Indicado pelo presidente Michel Temer a menos de dois meses do final de seu mandato, o novo presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Leonardo Morais, tomou posse nesta quinta-feira (8) com uma agenda que sinaliza sua permanência no cargo quando o presidente eleito Jair Bolsonaro tomar posse.

Leonardo Morais, presidente da presidente Agência Nacional de Telecomunicações (Foto: Divulgação)

Servidor há 13 anos, Morais é o primeiro técnico a assumir o comando da agência desde sua criação, em 1997. O novo presidente aguarda a aprovação do projeto de lei que modifica o marco regulatório do setor para reduzir "exigências desnecessárias" hoje impostas às operadoras.

Também quer fazer o leilão das frequências de 5G no próximo ano. Para ele, a nova tecnologia levará ao aumento da produtividade mas somente se for aprovada uma lei que retire a cobrança do Fistel, taxa anual fixa, sobre os chips 5G.

Folha - O senhor toma posse em um momento de mudança de governo. Existe acordo com o presidente eleito Jair Bolsonaro para sua permanência no cargo?

Leonardo Morais - Eu conheço economistas da equipe de transição, mas o cargo de presidente não tem mandato e cabe ao presidente [Bolsonaro] decidir quanto à minha permanência ou não [na presidência]. Um dos presidentes será um dos conselheiros. Caso Boslonaro prefira nomear outra pessoa à presidência, eu continuarei exercendo minhas funções como conselheiro que, aí sim, tem mandato.

Folha - A indicação do atual secretário de radiodifusão do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Moisés Moreira, para compor o conselho facilita sua permanência, já que Bolsonaro não poderá indicar um nome para o conselho e para a presidência?

Leonardo Morais - Não tem relação. O Moisés é um quadro preparado, conhece radiodifusão e vai agregar muito como conselheiro na Anatel.

Folha - É primeira vez que um funcionário de carreira assume o comando da agência. O que isso representa na sua avaliação?

Leonardo Morais - Sou avesso a questões corporativas. Mas espero que minha presidência contribua para a percepção de que as agências ganham com quadros de carreira no comando. À medida que os servidores de carreira se mostrarem preparados para assumir funções de comando, será bom para o amadurecimento institucional.

Folha - Acredita que o governo Bolsonaro possa desidratar as agências devolvendo para os ministérios competências que hoje estão nos órgãos reguladores?

Leonardo Morais - Não acho que isso deve ocorrer. A sinalização é que esse governo promova investimentos e, para isso, precisa fortalecer o estado regulador.

Folha - A lei das agências deve avançar?

Leonardo Morais - Um marco legal que fortaleça o papel institucional das agências é importante.

Folha - O que levou o projeto de lei que modifica o marco regulatório a avançar depois de ficar parado mais de dois anos no Congresso?

Leonardo Morais - O que importa é que essa discussão avança porque se trata da principal reforma microeconômica desde a desestatização do setor, que culminou com a privatização da Telebras. Esse projeto é fundamental porque, como está hoje, trava investimentos em banda larga.

Folha - Como esse projeto vai destravar investimentos na prática?

Leonardo Morais - A lei atual define como serviço público, em regime de concessão, a telefonia fixa. Os demais serviços são prestados com autorizações, em regime privado. Desde a privatização, o avanço tecnológico permitiu oferecer serviços de banda larga e até de celular na rede por onde é prestada a telefonia fixa. Em 2025, quando o contrato de concessão se encerrar, há dúvida sobre a necessidade de se devolver ou não os bens [incorporados à rede de telefonia fixa] à União. O projeto cria uma segurança jurídica sobre isso. A reversibilidade de bens é uma coisa que só existe no Brasil. Sem essa trava para novos investimentos, áreas menos providas de infraestrutura poderão ser atendidas.

Folha - Quanto é o saldo decorrente da mudança de contrato a ser investido?

Leonardo Morais - Estamos ainda discutindo a metodologia para o cálculo. A reversibilidade é uma parte desse valor [saldo]. Implantação e manutenção de orelhões, por exemplo, deixam de existir e esse valor estará computado no saldo. Entre 2015 e 2018, essas obrigações consumiram R$ 1,1 bilhão. Se isso tivesse sido alocado em infraestrutura de banda larga, o retorno social e econômico teria sido muito maior. Quanto mais nos aproximarmos de 2025, menor será o valor exigido das empresas em contrapartida de investimento. É uma pedra de gelo derretendo.

Folha - Quais serão suas propostas?

Leonardo Morais - A redução do fardo regulatório desnecessário, especialmente no atendimento ao consumidor. Mas esse fardo só será retirado à medida que as empresas tomarem providências para melhorarem sua relação com os clientes. Outro ponto é mexer na política sancionatória, que não funcionou como o esperado. Precisamos de outros mecanismos. Pretendo, por exemplo, estimular os TACs [Termos de Ajustamento de Conduta, que trocam multas por compromissos de investimento]. Acredito na coexistência dos interesses públicos e dos privados.

Folha - Prevê o leilão da telefonia 5G?

Leonardo Morais - Estou trabalhando para disponibilizar a faixa de 3,5 GHz no final do ano que vem ou no primeiro trimestre de 2020. Estamos fazendo estudos e testes para verificar possíveis interferências [deste serviço] com a recepção de sinais de TV na banda C [por satélite]. Outra barreira é a existência de um ecossistema [cadeia fornecedora de aparelhos e equipamentos]. Além disso, também gostaria de colocar as faixas de 4G nas frequências de 2,3 MHz e o último lote de 700 MHz.

Folha - Vai ser um leilão pela maior outorga?

Leonardo Morais - Se eu coloco só dois blocos [para o 5G], haverá mais competição [e duas das quatro principais operadoras ficarão fora]. Quem adquirir os blocos de 2,3 MHz ou 700 Mhz se consolida na tecnologia 4G. Prefiro obrigações de investimento do que obrigações de pagar [maior outorga]. O Brasil tem lacunas de infraestrutura e isso poderia ser contrapartida prevista no edital.

Folha - O 5G não será só mais uma tecnologia voltada à classe de renda mais elevada?

Leonardo Morais - Essa tecnologia vai remodelar a sociedade e os meios produtivos. Teremos a internet das coisas, sensores de diversos tipos de aplicações, que elevarão a produtividade de diversos setores. No agronegócio, que responde por 23% do PIB, será possível reduzir os custos dos insumos ao saber o melhor momento de plantar ou de colher. Toda a indústria 4.0 dependerá disso. Mas nada ocorrerá se o Fistel [taxa anual fixa que incide sobre linhas ativas da telefonia] for cobrado sobre esses sensores [chips], porque eles vão gerar pouca receita [para as operadoras].

20 de outubro de 2018

WhatsApp bane 100 mil usuários por uso irregular do aplicativo

A iniciativa da empresa ocorre após reportagem da Folha de S.Paulo da última quinta-feira (18) revelar o financiamento por empresas.

O aplicativo de mensagens WhatsApp anunciou ter banido cerca de 100 mil usuários no Brasil nesta semana para conter desinformação, spam e notícias falsas.

A iniciativa da empresa ocorre após reportagem da Folha de S.Paulo da última quinta-feira (18) revelar o financiamento por empresas, como a varejista Havan, de campanha contrária ao PT com pacotes de disparo de mensagens em massa. Esse tipo de doação é proibido pela legislação eleitoral.

O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), um dos filhos do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), teve a conta suspensa. Segundo o WhatsApp, Flávio foi impedido de usar o mensageiro porque estava disseminando spam, isto é, mensagens não solicitadas. Ele já recuperou o número.

Na sexta (19), o WhatsApp também bloqueou as contas ligadas às agências de mídia Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market, que são suspeitas da prática mostrada na reportagem da Folha de S.Paulo.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) abriu investigação sobre o caso; e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu à Polícia Federal um inquérito sobre a disseminação de notícias falsas.

A reportagem da Folha de S.Paulo monitorou 123 grupos, com mais de 10 mil usuários desde setembro e viu a multiplicidade coordenada de núcleos de disseminação de conteúdos feitos por apoiadores do capitão reformado para a Presidência.

Não há irregularidade se a ação é voluntária e se as pessoas que estão nos grupos são adicionadas com consentimento.

Entre as mensagens compartilhadas, há um vídeo em que Fernando Haddad (PT) sai de uma Ferrrari. Uma mensagem diz que o carro seria do ex-prefeito de São Paulo. A informação é falsa. A imagem foi feita na inauguração do autódromo de Interlagos, em 2016, quando Haddad era prefeito.

Do outro lado do espectro político, proliferam grupos pró-Haddad, sobre os quais eleitores dizem que foram adicionados sem permissão.

Os nomes dos grupos contêm a frase "Defesa Democracia". "Somos defensores da democracia e de Haddad presidente. Você foi inserido aqui porque seu nome consta como filiado ao PT no TSE. Se você não é filiado, simpatizante ou mesmo defensor da democracia, desculpe-nos", diz a mensagem de boas vindas aos integrantes, que termina com o link do site oficial da campanha petista.

O PT afirma que os grupos não foram criados por qualquer pessoa ligada ao partido e avalia que eles podem ser uma "arapuca" para a esquerda.

No começo de outubro, o Facebook, empresa que também é dona do WhatsApp, removeu 11 páginas e 42 perfis administrados pela empresa de marketing digital Follow Análises Estratégicas, ligada ao deputado federal Miguel Corrêa (PT-MG). 

A Follow é a mesma empresa que contratou a agência Lajoy, que recrutou influenciadores digitais que disseram, em agosto de 2018, terem sido pagos para falar bem de candidatos do PT no Twitter.

Em julho de 2018, em ação semelhante, o Facebook removeu uma rede de 196 páginas e 87 perfis falsos ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre).

22 de setembro de 2018

Facebook anuncia medidas para combater contas falsas e desinformação

De acordo com a empresa, foram removidas páginas inicialmente criadas para reunir pessoas com interesses diversos (como esportes e música) e que tiveram seus nomes e propósitos alterados para apoiar um candidato ou tomar partido na disputa eleitoral.

O Facebook divulgou nesta semana nota com novas medidas para evitar abusos na plataforma relacionados ao debate eleitoral. Ao longo do ano, a empresa já havia anunciado diversas iniciativas para o pleito de outubro relacionadas à propaganda eleitoral paga, a contas “não autênticas” e à disseminação de desinformação, como as chamadas notícias falsas. 

Segundo comunicado divulgado pela companhia, foram removidas páginas inicialmente criadas para reunir pessoas com interesses diversos (como esportes e música) e que tiveram seus nomes e propósitos alterados para apoiar um candidato ou tomar partido na disputa eleitoral.

“Removemos essas páginas porque nossas políticas não permitem mudanças de nome de páginas que resultem em conexões falsas ou não intencionais, e que alterem substancialmente o assunto das páginas”, justificou o informe. A empresa, contudo, não divulgou o nome das páginas.

A plataforma também derrubou o que chamou de contas impostoras. Perfis que se faziam passar por candidatos disputando as eleições. Essa violação foi enquadrada no que a companhia chama de “comportamento não autêntico”, conduta que foi usada para remover 186 páginas e 97 perfis ligados ao Movimento Brasil Livre em julho.


Foto: Reprodução

Aplicativos e santinhos

No comunicado, o Facebook relatou ter retirado aplicativos que convidavam pessoas a votar pela internet. Esses programas “poderiam levar eleitores a acreditar que tinham efetivamente votado, ferindo nossas políticas que impedem apoio a fraude”, pontuou a nota. Pessoas que usaram esses aplicativos estão sendo notificadas.

A companhia está removendo também fotos nas quais o número não corresponde ao candidato, bem como molduras com números trocados. “Nossas políticas não permitem declarações de intenção ou apoio a fraude, por isso a remoção dessas imagens”, reiterou a empresa no comunicado divulgado.

Verificação de fotos e vídeos

No dia 13 de setembro, em outro comunicado,  o Facebook anunciou ter iniciado a verificação de desinformação também em fotos e vídeos. Até então, o monitoramento era focado apenas em textos. A partir deste mês, os sistemas automatizados da plataforma passarão a fiscalizar fotos e vídeos em busca de indícios de problemas, como manipulações.

Essa análise é complementada pela realizada por agências de checagem parcerias do Facebook. No Brasil, realizam este trabalho Lupa, Aos Fatos e Agência France Press. Conteúdos identificados como enganosos por essas agências têm seu alcance reduzido na plataforma.

21 de setembro de 2018

Acelerador de partículas do país terá R$ 70 mi para 1ª volta de elétrons

A obra, que ao todo deve custar cerca de R$ 1,8 bilhão, deve permitir que o Brasil assuma posição internacional destacada nos estudos que dependem desse tipo de dispositivo.

O MCTIC (Ministérío da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) liberará R$ 70 milhões para conclusão da primeira etapa da construção do Sirius, acelerador de partículas brasileiro que, em alguns aspectos, será o melhor do mundo.

A obra, que ao todo deve custar cerca de R$ 1,8 bilhão, deve permitir que o Brasil assuma posição internacional destacada nos estudos que dependem desse tipo de dispositivo, como os que envolvem a visualização em altíssima resolução de estruturas de vírus e proteínas (de olho em novas vacinas), de solo (com a ideia de aprimorar fertilizantes) e de rochas e de novos materiais (para melhorar a exploração de gás e petróleo), por exemplo.

Com a liberação recém-anunciada, será possível concluir a obra civil (são 68 mil m², tamanho similar ao de um estádio de futebol) e finalizar a montagem dos três aceleradores que compõem o Sirius. Com o aporte, serão R$ 134 milhões destinados ao projeto em 2018. O total já investido soma R$ 1,29 bilhão.

Trata-se de uma boa notícia em meio à estagnação e aos cortes que afetam a área da pesquisa científica no país. "Nada pode parar. Temos tido uma boa convivência com o Ministério do Planejamento. Nesses últimos anos, as deduções [do MCTIC] foram menores que as dos demais ministérios", disse à Folha de S.Paulo o ministro Gilberto Kassab.

Dessa forma, em novembro será possível que os elétrons acelerados pelo aparato deem sua primeira volta em dois dos três aceleradores do Sirius, provavelmente no dia 15, dia da Proclamação da República. "É como se estivéssemos testando as turbinas de um foguete", compara Antônio José Roque da Silva, diretor do projeto Sirius e diretor-geral do Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas, do qual o novo acelerador faz parte.

Depois disso, o projeto entrará em uma fase delicada: a criação de um vácuo próximo ao existente no espaço sideral dentro dos túneis percorridos pelos elétrons. Só aí o terceiro acelerador poderá entrar em ação. As partes do Sirius têm que ser ligadas e calibradas uma de cada vez. Sem isso, explica José Roque, há risco de danificação de componentes eletrônicos sensíveis e todo o potencial da construção, que tem precisão milimétrica inclusive no nível do solo, pode não ser explorado.

Só então entrará em operação a primeira linha de luz -estação experimental que utiliza radiação gerada pelo acelerador para conduzir experimentos das mais diversas áreas. Se tudo correr bem, as primeiras pesquisas poderão acontecer com alguma sorte no segundo semestre de 2019.

O projeto final, com 13 linhas de luz (a capacidade total é de 40), deve ficar pronto somente em 2020 e ainda depende da liberação de mais R$ 510 milhões. Para o ano de 2019, o governo colocou a previsão de R$ 270 milhões para o Sirius no projeto de lei de orçamentária anual. "Estamos confiantes que o Congresso vai entender a importância desse investimento para o país e aprovará a verba", diz José Roque.

"Já existem dezenas de projetos, de estrangeiros, inclusive, querendo usar a máquina. Experiências que nunca puderam ser feitas agora poderão acontecer no Brasil", afirma o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, presidente do conselho de administração do Cnpem e um dos entusiastas do projeto. Ele foi um dos idealizadores do acelerador de segunda geração do Cnpem em operação desde 1997, o primeiro do hemisfério sul. O atual é de quarta geração.

"Além da versatilidade na análise de materiais biológicos, metais e outros materiais, um segundo efeito importante é na autoestima do brasileiro. Nós temos uma espécie de complexo de vira-lata. Isso vai mudar um pouco. Essa máquina, se bem usada, vai colocar os cientistas brasileiros em outro nível", diz Cerqueira Leite.

Manter a o fluxo de verbas é importante para garantir a permanência de pessoas altamente especializadas no projeto, explica José Roque.  "O risco que estávamos sofrendo não era somente o de atrasar em alguns meses a instalação e a montagem. Ao longo desses anos, desenvolvemos tecnologias que não existiam e formamos pessoas que têm muito valor para o mundo inteiro. A demora poderia significar a perda desses profissionais, que sofrem muito assédio de outras instituições."

Outro ponto importante, afirma o pesquisador, é a participação de empresas de pequeno, médio e grande porte na obra e na produção de componentes para o acelerador -80% dos componentes têm DNA nacional . "Elas se organizam na estrutura de RH e de logística para o fornecimento em um determinado prazo. Com cancelamentos de contratos ou diferenças de velocidade da obra, fica difícil saber se conseguiríamos nos reorganizar mais para frente. O descrédito pode comprometer o cronograma", diz.

Para Kassab, o papel da pesquisa é fundamental para o desenvolvimento econômico e social de qualquer país, não só do Brasil, e o país será colocado na fronteira do conhecimento com o novo acelerador.

"Meu sonho é que cada brasileiro venha conhecer o que é feito aqui, é algo transformador", diz José Roque.

14 de setembro de 2018

Espécie de crocodilo de 85 mi de anos é batizado de 'caipira mineiro'

Os detalhes anatômicos do fóssil, oriundo da Fazenda Três Antas, no município de Campina Verde (MG), deixam claro que ele era muito diferente dos crocodilos modernos.

Um esqueleto de 85 milhões de anos, preservado de modo quase perfeito em rochas do interior de Minas Gerais, corresponde a uma nova espécie de crocodilo pré-histórico, afirmam pesquisadores. Batizado de Caipirasuchus mineirus, o réptil de apenas 70 cm foi apresentado ao público nesta sexta (14).

Os detalhes anatômicos do fóssil, oriundo da Fazenda Três Antas, no município de Campina Verde (MG), deixam claro que ele era muito diferente dos crocodilos modernos. Para começar, era um bicho 100% terrestre -trata-se, na verdade, de uma característica comum da rica fauna desse grupo durante a Era dos Dinossauros.

Além disso, os diferentes formatos de seus dentes, o padrão de desgaste em alguns deles e a maneira como sua mandíbula se articulava indicam que ele deve ter incluído quantidades consideráveis de vegetais em sua dieta, algo impensável para jacarés e crocodilos de hoje.

Para completar o rol de esquisitices, suas patas traseiras eram bem maiores que as dianteiras. "A gente poderia pensar numa postura similar ao dos suricatos", compara um dos responsáveis pela descoberta, o paleontólogo Thiago Marinho, referindo-se aos pequenos mamíferos africanos que se tornaram conhecidos graças ao personagem Timão, de "O Rei Leão".

Os suricatos às vezes assumem a postura ereta, e talvez os membros do C. mineirus lhe permitissem fazê-lo também. 

Marinho, que trabalha no Centro de Pesquisas Paleontológicas L.I. Price, da UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro), assina a descrição formal da nova espécie em artigo na revista científica de acesso livre PeerJ.

O trabalho foi coordenado por Agustín Martinelli, do Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia, e conta ainda com a participação de Luiz Carlos Borges Ribeiro, também da UFTM, e Fabiano Iori, do Museu de Paleontologia Professor Antonio Celso de Arruda Campos (Monte Alto, interior paulista).

O nome latino mineirus é quase autoexplicativo: embora já fossem conhecidas três espécies do gênero extinto Caipirasuchus, todas achadas em rochas do interior de São Paulo, esta é a primeira vez que um animal do grupo aparece do lado mineiro da fronteira interestadual.

Portanto, as quatro espécies são bichos com parentesco relativamente próximo entre si, embora uma série de detalhes anatômicos tenha sido suficiente para propor que o C. mineirus deveria ser classificado como uma espécie à parte.

Os pesquisadores ainda estão tentando entender como e por que essa diversidade dentro do gênero se estabeleceu. É possível que houvesse algum tipo de barreira entre as populações, levando-as a seguir caminhos evolutivos ligeiramente distintos durante mais ou menos a mesma época. Ou então, se houver diferença significativa de idade entre os espécimes paulistas e mineiros, pode ser que os paleontólogos estejam vendo o processo de diferenciação do grupo ao longo de alguns milhões de anos. Para saber qual possibilidade é a mais provável, é preciso avançar nos estudos sobre a idade geológica das camadas de rocha em São Paulo e Minas. 

Alguns detalhes do esqueleto, como a falta de fusão entre determinados ossos, indicam que se tratava de um indivíduo que ainda não chegara à idade adulta, embora já estivesse quase com o tamanho "final" da espécie, segundo Marinho. Mais descobertas devem vir da região de Campina Verde: desde 2009, o grupo já achou por lá vários exemplares de outro crocodilo extinto, o Campinasuchus dinizi, ovos (de crocodilo), dentes e ossos de dinossauros carnívoros e diversos fósseis de peixes.

O grau de preservação do C. mineirus, mesmo em meio a uma colheita tão rica quanto essa, chama a atenção. "A gente tem o esqueleto da ponta do focinho à ponta da cauda. Certamente está no 'top 3' dos mais preservados entre os crocodilos fósseis do Brasil", estima Marinho. 

28 de agosto de 2018

Vetado na Rússia, Telegram aceita abrir dados de suspeitos de terrorismo

Em abril, a Justiça do país determinou o bloqueio do aplicativo, o terceiro mais popular no país de Vladimir Putin.

O aplicativo de troca de mensagens Telegram mudou sua política de privacidade, e poderá entregar dados de seus usuários à Justiça caso alguma corte aponte que um suspeito de terrorismo o utiliza.

A decisão, publicada nesta terça-ferira (28) nas definições de privacidade do app, se insere no contexto da batalha que o Telegram trava com a Rússia. 

Vetado na Rússia, Telegram aceita abrir dados de suspeitos de terrorismo. (Foto: Divulgação)

Em abril, a Justiça do país determinou o bloqueio do aplicativo, o terceiro mais popular no país de Vladimir Putin. A empresa vinha se negando sistematicamente a entregar dados de usuários a pedido do FSB, o serviço secreto russo, que apontava a criptografia do Telegram como um entrave ao monitoramento de terroristas operando no país.

Um exemplo disso foi a coordenação do ataque ao metrô de São Petersburgo, no ano passado, feita a partir do app.

A agência reguladora de telecomunicações russa, a Roskomnadzor , requisitou e conseguiu na Justiça o bloqueio do Telegram. Na prática, não funciona muito bem, pois a agência precisa localizar o IP (endereço na internet) de cada usuário e identificar o provedor por onde o serviço do Telegram está sendo ofertado. Mas o app pode migrar sua oferta para outros provedores, em diversos países.

Isso dito, o serviço fica algo intermitente quando em uso na Rússia. O fundador do Telegram, o russo  Pavel Duron, disse que nada mudou em relação à sua relação com as autoridades de seu país natal. "Nós não estamos considerando nenhum pedido dos serviços [de segurança] russos", ele escreveu em rede social.

Duron foi o criador da mais popular rede social russa, o VKontakte. Ele foi acusado informalmente de colaborar com manifestantes anti-Rússia na Ucrânia, e acabou expulso da empresa. Comprou cidadania do arquipélago caribenho de São Cristóvão e Névis e desenvolveu, com base em Londres e Berlim, o Telegram.

É considerado uma espécie de persona non grata pelo governo de Vladimir Putin. O que não fica claro agora é se a ordem de uma corte russa irá ser acatada pelo Telegram -afinal de contas, os juízes russos têm uma longa fama de alinhamento com as políticas do Kremlin.

O site LinkedIn também enfrenta banimento na Rússia, mas por motivos comerciais: não mudou seus locais de armazenamento de dados de usuários para o território russo, conforme o Rozkomnadzor determinou.

27 de agosto de 2018

Aplicativo dá transparência e dificulta abusos no Facebook

A ferramenta foi produzida pela organização brasileira Coding Rights, que atua com direitos humanos e tecnologias digitais.

Ao abrir uma "Linha do Tempo" do Facebook, usuários são inundados com mensagens. Uma parte importante delas é de anúncios ou conteúdos patrocinados (ou impulsionados, no jargão usado pela rede social). Desde o início da campanha eleitoral, os brasileiros passaram também a receber propaganda de candidatos e partidos, canal utilizado pela primeira vez na disputa deste ano.

Mas muitas pessoas não sabem o porquê de estarem recebendo essas publicações pagas. Outras não diferenciam esse tipo de mensagem daquelas enviadas por amigos. Um aplicativo lançado nesta semana pode ajudar usuários a lidar com essas práticas de direcionamento, ao dar mais transparência e dificultar o uso de dados para a segmentação de anúncios. O Fuzzify.me é uma extensão (plug-in) e pode ser instalada gratuitamente em navegadores Chrome e Firefox.

A ferramenta foi produzida pela organização brasileira Coding Rights, que atua com direitos humanos e tecnologias digitais. O desenvolvimento contou também com a participação de pesquisadoras de outras entidades internacionais, como Human Rights Watch.


Foto: Reprodução

Transparência

Depois de instalada, a extensão é mostrada na forma de um botão no canto superior direito do navegador, ao lado do menu. Ao abri-la, é possível ver os anúncios publicados na "Linha do Tempo" e o motivo de eles serem mostrados. Assim, o recurso ajuda o usuário a compreender melhor como seu perfil está sendo construído e que tipo de segmentação está sendo adotada por cada anunciante.

“A ideia é que, olhando a Linha do Tempo e porque você está sendo alvejada com anúncios, vá entendendo como o Facebook está te perfilando e te vendendo. Pensamos que seria interessante no contexto de eleições para pegar os anúncios políticos também”, explicou Joana Varon, uma das criadoras da ferramenta.

Dificultando anúncios

Mais do que apenas mostrar ao usuário como seus dados estão sendo usados, o Fuzzify.me ajuda a pessoa a “limpar” as preferências de anúncios. O controle dessas configurações já existe no Facebook, mas a extensão facilita tanto a visualização das diversas fontes de informação usadas para segmentar anúncios (como seus interesses ou os anunciantes com quem se relaciona) quanto a remoção destas da plataforma.

Essa “limpeza” das preferências ajuda a reduzir o número de anúncios publicados na sua Linha do Tempo. Além disso, expõe ao detentor da conta os “interesses” que o Facebook está atribuindo a ele. Um dos desafios é o fato de o Facebook “recolocar” as preferências rapidamente após elas serem apagadas.

Assim, apesar de a plataforma afirmar que o usuário tem o controle sobre essas configurações, para que os dados coletados não sejam usados para “vender” a pessoa a anunciantes, o usuário deve recorrer frequentemente à página de controle dessas preferências, o que dificilmente ocorre. Outra funcionalidade do Fuzzify.me é “automatizar” essa limpeza, exatamente para que a tarefa não tenha de ser feita de forma repetida.

Experimento

Além do Fuzzify.me, a Coding Rights promoveu uma ação de usar os anúncios segmentados para alertar as pessoas sobre essa forma de direcionamento e a coleta de dados envolvida nela. Ao projeto foi dado o nome “Vocês está vendo isso porque é uma….”.

Os responsáveis pela iniciativa definiram determinados perfis e publicaram anúncios com perguntas a partir dessas informações. Um dos perfis, por exemplo foi o de mulheres que andam de moto e estão em um relacionamento a distância.

“Pensamos narrativas com essas informações pra chamar a atenção das pessoas e discutir proteção de dados e possíveis implicações de ter esse grau de segmentação tão detalhado. As pessoas ficaram perguntando que bruxaria foi essa”, relatou Joana Varon.

25 de agosto de 2018

Carteira de motorista terá formato de cartão de crédito e recursos antifraude

Carteira de motorista terá formato de cartão de crédito e recursos antifraude

Além das alterações físicas, o governo pretende editar uma medida provisória que aumentará o prazo de validade do documento.

A CNH (Carteira Nacional de Habilitação) vai mudar de formato e de material em 2019. No lugar do papel-moeda entra o plástico, com mais recursos antifraude. O processo de obtenção deve ser simplificado.
Além das alterações físicas, o governo pretende editar uma medida provisória que aumentará o prazo de validade do documento.
Na proposta que está sendo estudada pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), os motoristas terão que fazer exames médicos a cada cinco anos, sem que seja necessário pagar taxa, apresentar documentação e tirar outra foto no Detran para receber a nova CNH, como acontece hoje.

Frente do novo documento (Foto: Reprodução)

Após o condutor completar 55 anos, a periodicidade dos exames cai para dois anos e meio. A partir dos 70, passam a ser feitos anualmente. O motorista deverá economizar R$ 53 a cada cinco anos, que é a soma das taxas atuais de emissão e de entrega em domicílio do documento.
A nova regra só será possível com a adoção de tecnologias de segurança. Conforme a resolução 718 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), a nova carteira terá o formato de um cartão de crédito e reunirá dados cadastrais do motorista tanto na parte impressa quanto na memória digital.
As informações poderão ser lidas por smartphones dotados de aplicativos desenvolvidos para agentes de trânsito.
Sérgio Yoshioka, mestre em engenharia de computação e professor da Unisal, afirma que unir dados biométricos e cadastrais que possam ser lidos digitalmente praticamente elimina as possibilidades de fraude.
O especialista diz que seria importante utilizar tecnologia de leitura facial, a mesma já disponível em alguns celulares. Com isso, não haveria a necessidade de apresentar o documento em uma blitz, por exemplo.

Verso do novo documento (Foto: Reprodução)

"Também será interessante incluir dados que podem ser utilizados em caso de acidente, como o tipo sanguíneo e o número da carteira do SUS, informações que, por ficarem descentralizadas, dificultam o socorro", diz Yoshioka.
A primeira medida para reduzir as fraudes entrou em vigor em maio de 2017. Desde então, todas as CNHs emitidas no Brasil trazem QR Code (código para leitura digital de informações) com dados dos motoristas, mas ainda impressas em papel-moeda. Há também versão digital.
Esse código estará na carteira do professor de geografia Carlos Augusto de Oliveira, 32. "Decidi só obter a CNH agora por reunir três itens essenciais: dinheiro, tempo e interesse. Quando mais novo, não tinha nenhum deles", diz Oliveira. Ele terá habilitação para moto e carro, categorias A e B.
O professor afirma que, ao longo do processo iniciado em março, não recebeu nenhuma informação sobre como será a futura carteira, nem sobre a CNH digital. "Soube apenas pela mídia", conta.
O Departamento Nacional de Trânsito diz que "as empresas [que produzirão as carteiras] serão previamente credenciadas e posteriormente habilitadas pelos Detrans, seguindo o mesmo modelo de negócio atual". Esse processo ainda não teve início.
O cronograma publicado pelo Contran prevê que as novas carteiras sejam emitidas a partir de janeiro, mas são esperados atrasos. A adoção do QR Code, bem mais simples, só começou cinco meses após a data que constava na resolução.
Já a medida provisória que modificará a forma de emissão deverá ser publicada antes das eleições, e é vista como uma tentativa de melhorar a popularidade do governo Michel Temer em sua reta final. O responsável pela proposta é o ministro das Cidades, Alexandre Baldy.
Para Sérgio Yoshioka, as mudanças esbarram no desconhecimento de parte da população e obrigam que o documento físico continue a existir por muito tempo. "Nem todos são adeptos de tecnologia, embora haja mais celulares que habitantes no Brasil, e muitos não têm acesso a esses recursos", diz o professor.

Carteira de motorista terá formato de cartão de crédito e recursos antifraude

Além das alterações físicas, o governo pretende editar uma medida provisória que aumentará o prazo de validade do documento.

A CNH (Carteira Nacional de Habilitação) vai mudar de formato e de material em 2019. No lugar do papel-moeda entra o plástico, com mais recursos antifraude. O processo de obtenção deve ser simplificado.
Além das alterações físicas, o governo pretende editar uma medida provisória que aumentará o prazo de validade do documento.
Na proposta que está sendo estudada pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), os motoristas terão que fazer exames médicos a cada cinco anos, sem que seja necessário pagar taxa, apresentar documentação e tirar outra foto no Detran para receber a nova CNH, como acontece hoje.

Frente do novo documento (Foto: Reprodução)

Após o condutor completar 55 anos, a periodicidade dos exames cai para dois anos e meio. A partir dos 70, passam a ser feitos anualmente. O motorista deverá economizar R$ 53 a cada cinco anos, que é a soma das taxas atuais de emissão e de entrega em domicílio do documento.
A nova regra só será possível com a adoção de tecnologias de segurança. Conforme a resolução 718 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), a nova carteira terá o formato de um cartão de crédito e reunirá dados cadastrais do motorista tanto na parte impressa quanto na memória digital.
As informações poderão ser lidas por smartphones dotados de aplicativos desenvolvidos para agentes de trânsito.
Sérgio Yoshioka, mestre em engenharia de computação e professor da Unisal, afirma que unir dados biométricos e cadastrais que possam ser lidos digitalmente praticamente elimina as possibilidades de fraude.
O especialista diz que seria importante utilizar tecnologia de leitura facial, a mesma já disponível em alguns celulares. Com isso, não haveria a necessidade de apresentar o documento em uma blitz, por exemplo.

Verso do novo documento (Foto: Reprodução)

"Também será interessante incluir dados que podem ser utilizados em caso de acidente, como o tipo sanguíneo e o número da carteira do SUS, informações que, por ficarem descentralizadas, dificultam o socorro", diz Yoshioka.
A primeira medida para reduzir as fraudes entrou em vigor em maio de 2017. Desde então, todas as CNHs emitidas no Brasil trazem QR Code (código para leitura digital de informações) com dados dos motoristas, mas ainda impressas em papel-moeda. Há também versão digital.
Esse código estará na carteira do professor de geografia Carlos Augusto de Oliveira, 32. "Decidi só obter a CNH agora por reunir três itens essenciais: dinheiro, tempo e interesse. Quando mais novo, não tinha nenhum deles", diz Oliveira. Ele terá habilitação para moto e carro, categorias A e B.
O professor afirma que, ao longo do processo iniciado em março, não recebeu nenhuma informação sobre como será a futura carteira, nem sobre a CNH digital. "Soube apenas pela mídia", conta.
O Departamento Nacional de Trânsito diz que "as empresas [que produzirão as carteiras] serão previamente credenciadas e posteriormente habilitadas pelos Detrans, seguindo o mesmo modelo de negócio atual". Esse processo ainda não teve início.
O cronograma publicado pelo Contran prevê que as novas carteiras sejam emitidas a partir de janeiro, mas são esperados atrasos. A adoção do QR Code, bem mais simples, só começou cinco meses após a data que constava na resolução.
Já a medida provisória que modificará a forma de emissão deverá ser publicada antes das eleições, e é vista como uma tentativa de melhorar a popularidade do governo Michel Temer em sua reta final. O responsável pela proposta é o ministro das Cidades, Alexandre Baldy.
Para Sérgio Yoshioka, as mudanças esbarram no desconhecimento de parte da população e obrigam que o documento físico continue a existir por muito tempo. "Nem todos são adeptos de tecnologia, embora haja mais celulares que habitantes no Brasil, e muitos não têm acesso a esses recursos", diz o professor.

20 de agosto de 2018

Projeto de brasileira combate extremismo entre jovens na internet

outras manifestações extremistas que preocupam atualmente são o racismo, a xenofobia contra refugiados venezuelanos e o surgimento de grupos neonazistas na região Sul, diz pesquisadora.

O homem que matou três pessoas em um ataque a bomba na Maratona de Boston em 2013 tinha 19 anos. Em 2017, atentados na Catalunha, foram executados por jihadistas que tinham entre 17 e 24 anos. No mesmo ano, uma alemã de 16 anos foi presa por ter se unido ao Estado Islâmico ao se apaixonar por um combatente pela internet. Se os jovens são os mais visados por recrutadores de grupos extremistas, é para eles que devem ser dirigidas as mensagens antirradicalização - e esse trabalho tem que ser feito nas redes sociais, onde boa parte das mensagens de ódio são propagadas.

Foi essa ideia que deu origem ao Words Heal the World (palavras curam o mundo), projeto criado por uma brasileira que produz conteúdo na internet de combate à intolerância e ao extremismo. A jornalista Beatriz Buarque, 32, envolveu-se com a temática quando fez um curso em Israel sobre conflitos no Oriente Médio, em 2015. "Naquela época, os jihadistas estavam recrutando muita gente. Fiquei tocada quando vi que produziam um conteúdo altamente profissional na internet. Voltei pensando que queria intervir de alguma maneira", afirma.

Dois anos depois, ela foi para Londres fazer mestrado na área. Antes de se mudar, porém, já tinha dado início ao projeto, que começou com um site e passou a atuar também em outras frentes, produzindo campanhas para redes sociais, documentários, palestras e eventos.


 Beatriz Buarque (terceira da dir. para a esq.) no lançamento do documentário 'Behind the scarf', sobre o uso do véu por muçulmanas, em Londres. Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

"Existem várias organizações que estão usando a palavra para prevenir o extremismo, mas a maioria não tem equipe de mídia social por falta de recursos. Elas são praticamente invisíveis na internet", afirma Beatriz. "Buscamos dar visibilidade a essas iniciativas."

Atualmente, o projeto tem parceria com 22 entidades - três são brasileiras. A Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras) também é parceira. O conteúdo é produzido por estudantes de comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e da Universidade de Westminster, no Reino Unido.

"Achei importante colocar os jovens como principais atores do processo. Isso preenche uma lacuna muito usada por grupos radicais, que oferecem um senso de pertencimento, puxam aqueles que não se sentem incluídos na comunidade dizendo que entrarão para uma causa maior", diz ela.

Um vídeo com uma canadense que perdeu o filho para um grupo jihadista, uma entrevista com um ex-combatente que teve contato com grupos radicais no Afeganistão e uma transmissão ao vivo de um somali desconstruindo mitos sobre o Islã são exemplos de posts já feitos. O foco inicial no radicalismo islâmico foi ampliado para incluir também o combate ao racismo, à homofobia, ao antissemitismo e à intolerância religiosa. Um documentário sobre ataques sofridos por religiões afro-brasileiras, por exemplo, vai ser produzido no Rio.

Segundo Beatriz, apesar do Estado Islâmico ter perdido força nos últimos anos, o grupo segue sendo motivo de preocupação: "Eles perderam território, mas continuam muito ativos na internet." Um dos problemas é com relação a crianças que foram criadas na região controlada pelo grupo. "Elas tiveram contato com a violência muito cedo, não sabem o que é empatia. Isso é um grande perigo, e há quem diga que a próxima onda de jihadistas vai ser ainda pior do que a atual", diz ela.

Outro desafio atual é como lidar com os "returnees", radicalizados que estão voltando aos seus países de origem - muitos deles, ocidentais. No Brasil, além da intolerância com religiões afro, outras manifestações extremistas que preocupam atualmente são o racismo, a xenofobia contra refugiados venezuelanos e o surgimento de grupos neonazistas na região Sul, diz Beatriz. A brasileira agora planeja transformar o projeto em uma organização social.

Ela também tem ampliado a atuação fora da internet, promovendo seminários em escolas e eventos como o Diálogos pela Paz, que reunirá líderes de diferentes religiões no Rio em setembro.

11 de agosto de 2018

11 de Agosto: Dia da Televisão; Entenda como surgiu a data

Ao contrário do que você possa imaginar, essa data em nada tem a ver com a invenção do primeiro aparelho televisivo ou o dia da primeira transmissão realizada.

Você consegue imaginar o mundo sem a televisão? Mas que um aparelho ligado ao entretenimento, é um item fundamental para a comunicação e informação. Neste sábado, dia 11 de agosto, comemora-se o Dia da Televisão. E ao contrário do que você possa imaginar, essa data em nada tem a ver com a invenção do primeiro aparelho televisivo ou o dia da primeira transmissão realizada. 

Neste sábado, dia 11 de agosto, comemora-se o Dia da Televisão. (Foto: Reprodução)

A data comemorativa, celebrada desde 1958, remete à morte de Santa Clara de Assis, “Padroeira da Televisão”. De acordo com a tradição católica, Santa Clara, por alguma circunstância estava impossibilitada de assistir à missa matinal do dia de Natal. Enquanto meditava e orava ao menino Jesus, em seu quarto, milagrosamente, conta-se que Santa Clara conseguiu ouvir e “assistir”, tudo o que se passava na missa. 

O Papa Pio XII, que via a televisão como um fenômeno extraordinário, na época das primeiras transmissões, comparou essa tecnologia ao milagre vivido por Santa Clara. Assim, sugeriu que o Dia da Televisão fosse comemorado em memória pela morte da santa. Logo, ao longo dos anos, Santa Clara foi atribuída por muitos, como a “Padroeira da Televisão”. 

A televisão é um invento do começo do século XX. O aparelho, que é capaz de transmitir imagens através da captação de ondas elétricas, foi pensado pelo escocês John Logie Baird. Após estudos e tentativas, Baird consegue, em 1925, obter a imagem de um rosto humano, com a definição de 30 linhas – os televisores atuais têm 500 linhas de definição. 

No ano seguinte, o modelo foi apresentado para cientistas na Royal Institution. A qualidade foi criticada, mas o princípio da TV, aprovado. Assim como ocorreu com a fotografia e o cinema, por exemplos, paralelamente na mesma época outros inventores também estavam trabalhando em cima de um aparelho semelhantes. Por isso, na invenção da televisão, destaca-se ainda o russo-americano Vladimir K. Zworykin que desenvolveu a televisão eletrônica no ano de 1929. 

No Brasil a televisão vai chegar anos depois, na década de 1950, através do empresário Assis Chateaubriand. Ele foi o responsável por fundar a primeira emissora de TV do país, a TV Tupi. Ele primeiro construiu uma emissora e só depois lembrou que era preciso importar aparelhos receptores para que os brasileiros tivessem a chance de ver TV. A PRF-3, TV Tupi de São Paulo, foi inaugurada em 18 de setembro de 1950, e a TV Tupi do Rio, em 20 de janeiro de 1951. 

A televisão chegou ao Brasil na década de 1950, através do empresário Assis Chateaubriand.  (Foto: Reprodução)

Em todo o mundo, a televisão só foi funcionar plenamente depois da Segunda Guerra. Passado os anos do conflito, os Estados Unidos, em 1960, conseguiu eleger seu presidente após um debate, em que um candidato usava terno claro (Richard Nixon) e o outro (John Kennedy), terno escuro. Nixon transpirava muito e Kennedy transmitia jovialidade e simpatia. Anos depois, o assassinato de Kennedy e a renúncia de Nixon foram os momentos mais marcantes da TV, em um contexto mundial. A partir daí, a televisão passou a mobilizar multidões em finais de Copa do Mundo, capítulos de novelas, coberturas jornalísticas e até permitiu que 600 milhões de pessoas pudessem acompanhar a chegada e os passos do homem na Lua.

Curiosidades do mundo da telinha 

- Até 1927 as transmissões se limitavam a figuras sem definição e imagens sem estabilidade. Quem primeiro conseguiu transmitir imagens estáveis de um lugar para outro foi o engenheiro norte-americano Philo Taylor Farnsworth, inventor do tubo dissector de imagens.

- A primeira transmissão de TV no Brasil ocorreu em 10 de setembro de 1950. Na época, apenas 200 aparelhos de televisão estavam instalados em São Paulo.

- A primeira transmissão da TV brasileira seria feita com três câmeras, mas uma delas quebrou pouco antes do evento. O diretor Jorge Edo então decidiu levar o cenário do estúdio em que ela estava para outro e deixar uma câmera móvel, a cargo do cinegrafista Walter Tasca. A ideia, felizmente, deu certo, e a transmissão transcorreu sem maiores problemas.

- Hebe Camargo foi convidada por Assis Chateabriand para cantar o "Hino da Televisão" na primeira transmissão, mas faltou e acabou substituída por Lolita Rodrigues. Há várias versões para o motivo de ela ter faltado - uma das hipóteses é que ela tenha ido acompanhar seu namorado da época a uma premiação.

- O primeiro telejornal brasileiro se chamava "Imagens do Dia" e ia ao ar pela TV Tupi, a primeira emissora fundada no país. A primeira novela diária brasileira, no entanto, foi transmitida pela TV Excelsior, em 1953. "25499 Ocupado" era o nome da trama.

- O primeiro país a adotar a cor em seus aparelhos foram os Estados Unidos em 1955. Seu sistema foi baseado numa série de experiências da National Television System Committee, de onde vem a sigla NTSC. Por ter sido o pioneiro, o sistema apresentou algumas deficiências. Apenas em março de 1972 foi realizada a primeira transmissão em cores da televisão brasileira.

- Sabe a "Terezinhaaa? Aquela que Chacrinha gritava e o auditório respondia: "Uuhuhuu"! Ela não era uma ex-namorada nem uma funcionária querida de Abelardo Barbosa. O chamado era um bordão adotado pelo apresentador para chamar um dos anunciantes no programa sem parecer um merchan descarado. A marca de água sanitária Clarinha faliu e ele trocou de nome. Ele também gostava de promover os concursos mais inusitados como "A Mais Rápida Datilógrafa" ou "O Cão com Mais Pulgas". Sabe quem levou o título de "A Criança Mais Bela do Brasil"? Angélica, em sua primeira aparição na TV.

01 de agosto de 2018

Streaming: Globoplay revela mudanças para enfrentar Netflix

Sobre a Netflix, o diretor-geral do Globoplay afirmou: "Não vamos concorrer direto com ninguém. Vamos oferecer coisas novas, coisas diferentes. Muito provavelmente será um complemento, será uma opção", afirmou.

 Na primeira apresentação pública do novo Globoplay, serviço de streaming do Grupo Globo que passou a dirigir no início do ano, o executivo João Mesquita adiantou algumas das atrações que devem estar em seu catálogo até o final do ano, para torná-lo um concorrente de maior peso da Netflix. Em vídeo com "conteúdos que estão fechados", ou seja, contratados, e outros que ainda "não estão necessariamente fechados", como alertou Mesquita, foram destacadas pela ordem as séries "The Handmaid's Tale", originalmente do streaming americano Hulu, "The Good Doctor", da ABC, e "The Gifted", da Fox.

Também a animação francesa "As Aventuras de Ladybug", do TF1, e séries infantis do próprio grupo, como "D. P. A. - Detetives do Prédio Azul", "Escola de Gênios" e "Valentins", produzidas pelo Gloob. O serviço terá ainda séries dramáticas exclusivas produzidas pela TV Globo, já divulgadas anteriormente, como "Ilha de Ferro", que deve ficar pronta no final deste ano, e "Assédio". O vídeo termina com o bordão "porque a melhor escolha é a sua, e o melhor conteúdo é o nosso".

"Estamos numa fase de muito trabalho de bastidor, quer em matéria de tecnologia, quer em matéria de negociações de conteúdo", disse Mesquita, durante o Pay-TV Fórum, evento do setor realizado na zona sul de São Paulo.

O Globoplay visa "um catálogo rico, com acordos com os grandes estúdios, mas também com muitas empresas menores, europeias e de outros lugares do mundo", porque "está mais que provado que o SVOD [streaming por assinatura] traz a possibilidade de fugir um pouco do padrão típico da TV americana". As mudanças estão sendo introduzidas aos poucos na plataforma, até agora mais voltada ao chamado "catch up" –quando o espectador assiste na plataforma ao programa que perdeu na TV. Parte das atrações já está acessível apenas aos assinantes, que pagam R$ 18,90 por mês, mas as novidades "mais substanciais" deverão entrar até dezembro.


Foto: Divulgação

Sobre a Netflix, o diretor-geral do Globoplay afirmou: "Não vamos concorrer direto com ninguém. Vamos oferecer coisas novas, coisas diferentes. Muito provavelmente será um complemento, será uma opção. Para muita gente, será a primeira opção. Para outros, a segunda". Ele argumenta que "o Brasil ainda tem muito para caminhar, hoje tem um único serviço que domina todo o segmento, mas há espaço para dois, três, fácil".

Entre as muitas indefinições sobre o novo Globoplay está o próprio nome. Vêm sendo testados "vários", em pesquisas que abrangem outras questões. Também há pendências quanto à relação com duas empresas de TV paga do grupo, Telecine e Globosat, que já desenvolveram serviços de streaming, só que vinculados às operadoras e de menor alcance.

"Como o grupo tem interesses específicos no Telecine, o Globoplay não vai, com certeza, estar nos mercados concorrendo por filmes", diz Mesquita. "Os grandes filmes, em primeira janela [primeira plataforma de exibição], estarão no Telecine."

Com a Globosat é um pouco diferente. "Ela desempenha um papel fundamental hoje na relação com o segmento de TV por assinatura, mas muitos conteúdos que estão acumulados, que não estão hoje em horário nenhum, estarão conosco", diz. De qualquer maneira, o objetivo do Grupo Globo é desenvolver novos segmentos consumidores, ou seja, "o foco é conteúdo novo e não espalhar os mesmos conteúdos em mais uma plataforma".

31 de julho de 2018

Londres sugere tributo para pagar regulação do Facebook

Os padrões de precisão e imparcialidade aos quais as empresas de tecnologia se atêm podem se basear nas regras reguladoras britânicas para TV e rádio, disseram os legisladores.

Empresas de tecnologia como o Facebook devem ser responsabilizadas por material "ofensivo e enganoso" em seus sites e pagar um imposto para que as redes possam ser reguladas, disseram parlamentares britânicos. Para eles, uma crise na democracia pode estar a caminho por causa do mau uso dos dados pessoais dos usuários. O Facebook tem se tornado cada vez mais o centro das atenções de uma investigação sobre notícias falsas na comissão de mídia do Parlamento, depois que dados de 87 milhões de usuários foram impropriamente acessados pela consultoria britânica Cambridge Analytica.

"Empresas como o Facebook tornaram mais fácil que desenvolvedores acessem dados de usuários e os usem para campanhas sem seu conhecimento ou consentimento", disse Damian Collins, presidente da Comissão Digital, de Cultura e de Mídia, em comunicado no domingo (29). "Eles devem ser responsabilizados, e passíveis de punição, pela maneira como o conteúdo nocivo e enganoso é compartilhado em seus sites."

O relatório do comitê também sugeriu um imposto sobre as empresas de tecnologia que poderia contribuir para um aumento do orçamento para a agência de direitos de informações do Reino Unido (ICO, na sigla em inglês) da mesma maneira que o setor bancário paga pela manutenção de seu órgão regulador, a Financial Conduct Authority (Autoridade de Conduta Financeira). No início deste mês, a ICO multou o Facebook pelo escândalo da Cambridge.

Os padrões de precisão e imparcialidade aos quais as empresas de tecnologia se atêm podem se basear nas regras reguladoras britânicas para TV e rádio, disseram os legisladores. As emissoras britânicas, públicas ou privadas, devem, em geral, aderir a regras estritas de equilíbrio político e precisão factual, supervisionadas por um regulador.

A TechUK, associação comercial de empresas de tecnologia que opera no Reino Unido, disse que seria desafiador mantê-las em um padrão mais alto do que os jornais ou políticos do país. "Determinar o que é e o que não é informação precisa nem sempre é simples, e tanto a mídia tradicional quanto os políticos eleitos podem ser fontes de notícias imprecisas ou falsas", afirmou o vice-diretor da TechUK, Antony Walker.

30 de julho de 2018

Administradora de grupo de WhatsApp é condenada por permitir bullying

Vítima foi xingada de "bicha", "gay", "garoto especial" por membros do grupo.

A Justiça condenou uma mulher de 19 anos a pagar R$ 3.000 por danos morais a um jovem vítima de bullying em um grupo de WhatsApp. Tudo começou em 2014, em Jaboticabal, região metropolitana de Ribeirão Preto (313 km de SP), quando a garota tinha 15 anos e criou um grupo no aplicativo com o nome "jogo na casa da Gigi", convidando colegas da escola para verem os jogos da Copa de 2014 em sua casa.

Passado o evento, o grupo continuou ativo e membros começaram a ofender a sexualidade da vítima, chamando-o de "bicha", "gay", "garoto especial". Apesar da ré não ter feito ofensa direta, a decisão dada em junho alega que ela se divertiu com a situação e, como criadora e administradora do grupo, poderia ter removido quem proferiu as ofensas.

Neide Noffs, professora e psicopedagoga da PUC-SP e o advogado Ariel Castro Alves, especialista em direitos da criança e adolescente, disseram que uma condenação de bullying por WhatsApp é inédita para eles e abre precedente e jurisprudência. "Ainda mais por ser adolescente na época dos fatos, pode ser um precedente importante para combater o bullying", disse Alves.

"O bullying é uma situação que está no cotidiano, mas precisa ser abolida. Essa punição tem a ver com referência para outras pessoas. É parecido com criar notícias falsas, permitir que elas se propaguem. O bullying, no fundo, é uma notícia falsa. Se não for, é sigilosa e outras pessoas se apropriam para ofender", explicou Neide.

Para ela, qualquer pessoa do grupo poderia intervir. "O pagamento é simbólico para servir de exemplo, mas deveria haver uma mediação entre o menino e ela."

O advogado Ariel Castro Alves, especialista em direitos da criança e adolescente, explica que compete aos pais representar judicial e extrajudicialmente os filhos até os 16 anos e, depois, os pais os acompanham até a maioridade. "A demora é comum nesses processos", disse.

Alves também diz que na área civil, quanto às reparações de danos, existe a "culpa in vigilando" (culpa na fiscalização) da ré que criou o grupo e não o controlou, e também se aplica aos pais o" erro in vigilando" (erro ao vigiar) e eles respondem pelos danos cíveis causados pelos filhos até completarem 18 anos. Na área criminal, não se aplica punição a quem cometeu ato infracional antes dos 18 anos se quando o processo for concluído e a pessoa tiver 21 anos ou mais.

OUTRO LADO

O advogado da vítima, Helder Moutinho Pereira, disse que ainda faltam cinco pessoas que foram membros do grupo para serem julgadas. "Entendemos que a condenação foi correta. A ré se omitiu quando poderia ter fechado o grupo e fez colocações com emojis. Queremos dar luz a um assunto de importância como é esse".

O advogado da ré, Marcos Rogério dos Santos, disse que ele e a acusada optaram por não recorrer na decisão. "Não concordamos, mas vamos respeitar", disse.

Grupo de Facebook, Rededots vai ter shopping virtual para empreendedores

. A rede nasceu há três anos como grupo no Facebook para troca de ajuda entre empreendedores e para divulgação de seus produtos e serviços.

Depois de acumular 245 mil participantes, a Rededots virou empresa e inaugura nesta segunda-feira (30) um marketplace, site que funcionará como shopping virtual para empreendedores. A rede nasceu há três anos como grupo no Facebook para troca de ajuda entre empreendedores e para divulgação de seus produtos e serviços. A entrada na rede depende de convites de outro participante, o que não foi empecilho para que mantivesse um crescimento contínuo desde que foi criada.

Ela também criou sua cultura e dinâmica própria. Para conseguir apoio e fazer negócios, não basta entrar no grupo e sair anunciando qualquer coisa. A rede tem regras para valorizar relacionamentos entre membros e as histórias cada um. Antes de vender qualquer coisa, é preciso contar quem é, o que faz, o que gostaria ou o que tem a oferecer e o que há de especial nisso tudo.

Para manter esse espírito, o site, que entra no ar nesta segunda, terá uma linha do tempo semelhante a do Facebook para que os membros possam contar o que precisam e como podem ajudar os outros. As 1.500 lojas que já estarão no ar nesta segunda também terão em suas páginas textos explicando quem são seus responsáveis e de onde vêm os itens que eles comercializam.

Kuky Bailly, 50, idealizadora da rede, conta que o grupo no Facebook recebe cerca de 1.000 postagens por dia. Todas são avaliadas antes de se tornarem públicas -a rede conta com 15 moderadores voluntários que dão dicas para que elas se adequem ao modo de interagir do grupo.

Bailly explica que também será feita uma seleção dos produtos que são adequados para o site. São valorizadas criações autorais e não são aceitos itens produzidos em massa. "Essa é a alma da rede, permitir que as pessoas se relacionem com pessoas, não com marcas e produtos."

A Rededots ficará com 10% do valor das vendas. Em caso de páginas de serviços, será cobrada mensalidade de R$ 9,90 dos cadastrados. Bailly diz que o aumento do número de participantes do grupo fez com que ferramentas que não estão disponíveis na rede social se tornassem necessárias para o funcionamento adequado dele. "A gente começou a sentir as dores do crescimento. No Facebook, não temos ferramentas para fazer transações de maneira segura, por exemplo."

Foto: Reprodução/

CRISE

Segundo ela, grande parte do grupo é formada por pessoas que perderam seus empregos durante a crise e precisaram buscar novas formas de se sustentar. Ela própria criou a rede para incentivar a troca de ajuda entre seus amigos desempregados após ser demitida de empresa do ramo de cosméticos em 2015. A demissão também está na história da publicitária Fernanda Summa, 41, que em 2016 foi desligada de empresa do ramo de eletrônicos. Pouco depois, ainda sem uma ideia do que faria em seguida, foi aconselhada por amiga a entrar no grupo, que tinha cerca de 15 mil participantes.

Ali, inspirada pelos projetos de outros empreendedores, passou a vender alimentos orgânicos pela internet. Fernanda conta que se beneficiou da rede tanto para encontrar fornecedores, incluindo designer, contador e transportadora, como também para vender seus produtos. Segundo ela, o marketplace permitirá ampliar a divulgação de sua marca, a [EU] Orgânico, para chegar a um público ainda maior.

"Meu negócio está em momento em que ele já se paga, está estruturado. Agora é hora de crescer, aumentar a divulgação, investir em mídias sociais."

A Rededots também é o principal canal de vendas para Gisela Heivenreder Cury, 57, coordenadora da marca Sacola Tropical e criadora da ONG Instituto Rampa. Pela rede, ela vende sacolas, necessaires, jogos americanos e bolsas térmicas desenvolvidas por costureiras de bairros periféricos de São Paulo, como Paraisópolis, Campo Limpo e Capão Redondo. "As pessoas não querem só adquirir um produto, querem algo com valor agregado, que esteja ajudando famílias", diz.

Cury diz acreditar que o novo site para vender produtos irá facilitar seu dia a dia. "Hoje, as vendas acontecem via WhatsApp, Instagram, Facebook. Centralizar as coisas nesse marketplace vai me facilitar a vida."

INVESTIMENTOS

Bailly conta que houve contratempos para viabilizar seu projeto. Em 2017, ela fez uma campanha de financiamento coletivo para tentar levantar R$ 500 mil para colocá-lo em produção, mas só conseguiu 30% do valor. A alternativa foi usar o dinheiro que recebeu para contratar uma consultoria e montar um plano de negócios. Com a ideia de como tornar o grupo um negócio mais estruturada, ela conseguiu atrair investidores que colocaram R$ 800 mil no projeto, conta. Segundo ela, será preciso levantar mais recursos em breve.

A Rededots está entre os 12 negócios da América Latina que disputarão a premiação do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) de inovação inclusiva. No continente, o desafio recebeu 720 inscrições de 16 países. Ela concorre com outras duas empresas na categoria de serviços de inclusão financeira. A apresentação final dos projetos para banca avaliadora será na próxima segunda-feira (6).

28 de julho de 2018

Golpe aplicado via WhatsApp promete internet grátis e espalha vírus

A dica primária é não clicar em promoções fáceis do WhatsApp e desconfiar de alertas de segurança que exigem o download de programas no celular.

 A startup de segurança PSafe alertou na sexta-feira (27) para um novo golpe via WhatsApp. Um anúncio oferece até 20 GB de internet gratuita por até 60 dias para usuários de qualquer operadora de telefonia móvel no Brasil. Ao clicar no link, o usuário é direcionado para uma página falsa, que apresenta um número fictício de quantidade de pacotes grátis disponíveis para a escolha.

O site faz perguntas como "Quantos dias de internet gratuita você deseja ativar?" e "Quantos GB você gostaria de receber de sua operadora?". Ao finalizar o questionário, a pessoa é informada de que precisa compartilhar o conteúdo com três amigos e grupos de WhatsApp.

Depois, uma página aparece no celular da vítima e informa supostos problemas no celular. Para resolvê-los, a pessoa precisa baixar aplicativos, que são maliciosos e instalam vírus nos dispositivos. Pouco antes da Copa, um golpe semelhante prometia uma camisa gratuita da seleção. Também disseminada pelo WhatsApp, a fraude consistia em induzir as vítimas ao compartilhamento de um link no aplicativo mensageiro.

Segundo alerta da Kaspersky Lab na época, o golpe era diferente para Android e iOS. No sistema do Google, surgia uma página falsa afirmando que o celular estava infectado por vírus e que, por isso, era preciso instalar um aplicativo. Essa prática é conhecida por phishing e tenta lançar uma isca a internautas desavisados. O WhatsApp é um aplicativo bastante mirado pelo cibercrime porque os usuários espalham vírus com facilidade ao compartilhar mensagens e porque é muito popular no país.

Para testar a veracidade da página, a PSafe sugere que os usuários testem o link no site do dfmdr lab (https://www.psafe.com/dfndr-lab/pt-br), laboratório da empresa especializado em cibersegurança, que detecta endereços eletrônicos maliciosos.

A dica primária é não clicar em promoções fáceis do WhatsApp e desconfiar de alertas de segurança que exigem o download de programas no celular.

26 de julho de 2018

Facebook perde valor de mercado desde divulgação de balanço

Em um dia, a empresa já perdeu US$ 119 bilhões (cerca de R$ 443,7 bilhões) em valor de mercado.

As ações do Facebook recuam mais de 18% nesta quinta-feira (26), refletindo o balanço negativo da empresa divulgado na véspera, com receita abaixo das projeções e desaceleração no crescimento da rede social.

Em um dia, a empresa já perdeu US$ 119 bilhões (cerca de R$ 443,7 bilhões) em valor de mercado.

No after market (negociação após o fechamento do pregão tradicional) desta quarta (25), os papéis do Facebook caíram até 24%. Em duas horas, a gigante da tecnologia perdeu cerca de US$ 150 bilhões (R$ 555 bilhões) em valor.

No primeiro trimestre completo depois do escândalo da Cambridge Analytica, a receita total do Facebook cresceu 43%, para US$ 13,2 bilhões (R$ 47,5 bilhões), abaixo da projeção de consenso de US$ 13,4 bilhões (R$ 49,6 bilhões), no período encerrado em junho. 

O ritmo de crescimento na base de usuários também se desacelerou ligeiramente. Havia sido de 13% no segundo trimestre de 2017 e agora caiu para 11%. O número de usuários da maior rede social do planeta avançou para 2,2 bilhões por mês e 1,5 bilhão por dia.

Em comunicado, Mark Zuckerberg, fundador e presidente-executivo do Facebook, disse que a comunidade da empresa e seus negócios crescem rapidamente. "Temos o compromisso de investir para manter as pessoas seguras e protegidas e para continuar a criar maneiras novas e significativas de  ajudar as pessoas a se conectarem."

A rede social tenta sobreviver às tempestades políticas criadas em torno de suas práticas de proteção da privacidade de dados de usuários e do uso de sua rede para desinformação, sem gerar rejeição pelos usuários ou anunciantes.

Os investidores vêm acompanhando com atenção se a campanha #deletefacebook afetou o crescimento da base de usuários da companhia, depois das revelações de um grande vazamento de dados para a Cambridge Analytica, consultoria política que trabalhou para a campanha de Donald Trump em 2016.

A consultoria obteve acesso a dados de 86 milhões de usuários da rede social sem o consentimento deles. Zuckerberg foi ao Congresso dos EUA responder a perguntas sobre o escândalo e passou a ser alvo de pressão de autoridades regulatórias em vários países.

As margens de lucro foram prejudicadas pelo aumento nos gastos, que inclui a contratação de milhares de novos moderadores para fiscalizar o site em busca de notícias falsas e de mensagens de ódio.





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