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Notícias Tecnologia

31 de dezembro de 2017

Start-up lança app para quem quer cumprir as metas de Ano-Novo

Rodolfo Ribeiro, 32, cofundador da empresa, conta ele próprio ter o hábito de criar metas a cada início de ano.

A start-up 7Waves quer fazer com que muitas promessas de Ano-Novo, dessa vez, virem realidade. 

Pretende fazer isso com seu aplicativo para gerenciamento de metas, que chegou ao mercado neste mês.

Rodolfo Ribeiro, 32, cofundador da empresa, conta ele próprio ter o hábito de criar metas a cada início de ano.

Chegava a ter mais de 20 objetivos anotados em planilhas. Mesmo com a disciplina, ao final de cada ciclo, cumpria cerca de 20% deles.

Entre as dificuldades para alcançar o que se promete estão erros na própria definição das metas, que podem ser baseadas em desejos que não são genuínos, e a falta de acompanhamento delas, avalia.

Seu aplicativo permite a usuários cadastrar seus objetivos e prazos para cumprimento de cada um deles.

O serviço ajuda nessa definição, com sugestões personalizadas. Para isso, busca informações sobre interesses dos usuários a partir do que eles compartilham em redes sociais.

A partir daí, sistema baseado em inteligência artificial busca conteúdos na internet que possam ajudar os usuários do serviço a conquistar o que querem.

As indicações são avaliadas por profissionais da empresa e, caso aprovadas, são enviadas rotineiramente para uma linha do tempo personalizada para cada usuários semelhante às presentes em redes sociais.

O uso do serviço é gratuito. A empresa espera ganhar dinheiro a partir de parcerias com marcas que queiram aparecer na linha do tempo dos usuários.

É possível, por exemplo, que alguém que tenha como objetivo viajar para a Disney passe a receber conteúdo patrocinado por uma agência de viagens, explica Ribeiro.

O projeto obteve R$ 200 mil da Fapesp, recursos usados para a pesquisa e desenvolvimento do sistema.

Ribeiro diz que, em 2018, a empresa fará uma nova captação de investimentos, dessa vez para serem aplicados no marketing.

O 7Waves foi lançado para aparelhos com sistema operacional Android há cerca de um mês. Versão para celulares da Apple deve ser lançada nos próximos dias.

30 de dezembro de 2017

Empresa analisa até 5.000 exames por dia com inteligência artificial

O fundador da empresa, conta que a inteligência permite a priorização dos casos mais urgentes

A start-up Portal Telemedicina vem usando inteligência artificial para levar laudos de especialistas a regiões remotas com agilidade. A empresa, que começou a funcionar em 2013, desenvolveu tecnologia que extrai informações de equipamentos médicos variados e as envia para outros aparelhos, como computadores, tablets e smartphones.

Com isso, um enfermeiro ou clínico-geral pode realizar exames e enviá-los para médicos especialistas que dedicam parte de seu tempo a fazer laudos para a companhia. O economista Rafael Figueroa, 31, cofundador da empresa, diz que os médicos conseguem analisar até 100 exames por hora. Em dias de pico, a companhia analisa até 5.000 exames.

A empresa conta com serviços regulares de 25 médicos, parte contratada e parte que realiza o trabalho de modo autônomo, em algumas horas por dia. Também pode chamar outros 100 em dias de demanda maior, diz. v"A média de tempo para um paciente receber um laudo no Brasil é de 60 dias. Devolvemos os nossos em minutos", afirma.

Foto: Reprodução/ Thinkstock

A análise à distância também permite que médicos de centros de referência, como Incor e Albert Einstein, em São Paulo, façam laudos exames de pacientes de cidades com menos acesso à saúde, segundo Figueroa.

O alto volume de análises é feito com apoio de inteligência artificial desenvolvida pela companhia, a partir de plataforma do Google chamada TensorFlow. O sistema analisa um banco de dados com milhões de exames já diagnosticados e, percebendo semelhanças entre o que já foi analisado e os novos exames, aponta qual o provável diagnóstico.

Figueroa afirma que a inteligência permite a priorização dos casos mais urgentes. Assim que o sistema percebe algo que parece ser mais grave, sobe o exame na fila dos que serão avaliados por médicos, para que o paciente receba uma resposta logo.

Entre os exames que recebem laudos dos especialistas da companhia estão eletrocardiograma, eletroencefalograma, ressonância magnética, raio-x e mamografia. A tecnologia é usada por 200 clínicas em 100 cidades de 18 estados pelo Brasil.

Parcerias 

Neste mês, Figueroa participou de viagem empresarial para a França promovida pelo programa Start Out Brasil, que tem entre seus parceiros o Ministério do Desenvolvimento e a Apex (agência ligada a pasta que promove a internacionalização de empresas brasileiras).

Figueroa afirma que a empresa busca oportunidades para estabelecer um centro de pesquisa no país, devido ao papel de destaque da França no campo da neurologia.

Ele conta já ter fechado acordo com o Hospital Saint Joseph Paris para que médicos de lá possam ser acionados em caso de dúvidas a respeito de um resultado de exame. Especialistas de lá também poderão ser chamados caso seja a preferência do cliente.

A start-up também deverá ter parcerias com o governo de São Paulo. Foi a vencedora do Pitch Gov.SP deste ano, programa que busca parceiros de tecnologia para o governo em áreas variadas.

No Estado, o foco do trabalho da start-up não será a telemedicina , ao menos neste momento. Figueroa explica que usará a experiência da empresa em convergência de sistemas (algo que foi importante para extrair informações de equipamentos médicos) para integrar sistemas variados usados na saúde pública paulista.

Um objetivo do empreendedor é criar um aplicativo para cidadãos em que será possível armazenar histórico médico e exames realizados, diz. No início deste ano, a empresa foi para San Francisco (EUA) participar do programa de aceleração do Google para start-ups de países emergentes Launchpad Accelerator. Lá, teve acesso a apoio de executivos da empresa e de outras companhias de destaque no setor de tecnologia.

A empresa tem atualmente 30 funcionários. Figueroa conta ter 40 vagas em aberto. Foram investidos até agora R$ 6,5 milhões no projeto, incluindo recursos de órgãos como Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

29 de dezembro de 2017

Instagram muda e agora 'obriga' você a ver fotos; entenda

Posts curtidos por outros perfis começam a ser sugeridos no feed da rede social

O Instagram começou a mostrar no feed dos usuários um novo tipo de conteúdo vindo de contas que não são seguidas. Marcados com o rótulo “Recomendado para você”, os posts são exibidos no fim da rolagem, ao terminar de ver as publicações do dia. A novidade é similar ao que já existia na aba Explorar, porém gerada somente a partir de curtidas de perfis seguidos.


Instagram já mostra posts recomendados para usuários brasileiros. Foto: Reprodução 

Segundo o site TechCrunch, a função já está liberada para todos os usuários do aplicativo em smartphones Android e iPhone (iOS). Alguns usuários brasileiros já veem as postagens recomendadas no aplicativo, mas a rede social ainda não se manifestou sobre a novidade.

Essa é a segunda vez em menos de um mês que o Instagram apresenta um recurso para descobrir conteúdo novo no feed. Há cerca de duas semanas, a rede social passou a permitir seguir hashtags além de perfis. Com isso, a plataforma abriu espaço para acompanhar temas de interesse do usuário, e não apenas pessoas ou marcas. A diferença para os posts recomendados é que a novidade mais recente parece ser obrigatória.

Não há uma maneira de cancelar o recebimento de posts sugeridos, ao menos, por enquanto. Segundo a página de ajuda do Instagram, a única maneira de remover posts recomendados é abrindo o menu e tocando em “Ocultar” (hide). A ação, porém, esconde a publicação temporariamente. Mais tarde, o usuário continua vendo fotos e vídeos de contas que não são seguidas.

28 de dezembro de 2017

Operadoras de telefone podem 'acabar' com barra de sinal do celular

Código oculto no Android 9 permite ocultar a informação

As barras que indicam a potência do sinal da rede de telefonia no celular podem estar com os dias contados em smartphones que rodam Android. Segundo o portal XDA Developers, um código vazado do sistema mostra que operadoras não serão mais obrigadas a fornecer o nível de sinal proporcionado na área de cobertura. Até então, a informação era exigida para as empresas de telefonia.

Barras de sinal de telefonia podem sumir na próxima versão do Android (Foto: Paulo Alves/TechTudo)

A novidade indica que o Google está, ao menos, estudando a possibilidade de ocultar a potência do sinal de telecomunicações no telefone. Se for confirmada, a mudança pode chegar no Android 9 (P), próxima versão do sistema operacional.

Não se sabe o motivo que levaria a gigante da internet a permitir a ocultação das barras de sinal. O XDA Developers levanta a hipótese de pressão exercida por operadoras.

Apesar da possibilidade de esconder a informação, o código em desenvolvimento mostra que ainda deverá ser possível consultar a potência do sinal no aparelho. Atualmente, a potência do sinal é vista de duas formas no Android. Uma delas é na linha fixa na parte superior da tela, em forma de barras. A outra é nas configurações do sistema, acessando o menu Sobre o telefone > Status do chip > Intensidade de sinal.

Atualização

Ainda deverá demorar para que celulares Android removam as barras de sinal. A novidade, se ocorrer, chegará somente no Android P, que ainda deverá ser anunciado no primeiro semestre de 2018. A tendência é que a primeira leva de atualizações comece a partir de setembro de 2018, se seguir o mesmo calendário do Android 8 (Oreo).

A versão mais recente do sistema foi liberada para poucos aparelhos até o momento. No Brasil, o Xperia XZ Premium, da Sony, é um dos poucos que já rodam o novo Android. Se a tendência se mantiver, o Android P, com ou sem barras de sinal ocultas, terá presença maior no Brasil somente em 2019.

22 de dezembro de 2017

Correios agora exigem que nota fiscal venha na parte externa das encomendas

Quem descumprir a nova regra, terá o envio recusado por parte dos Correios

A partir do dia 2 de janeiro, todo e qualquer lojista que enviar encomendas pelos Correios precisará anexar a nota fiscal da venda no lado externo das embalagens. A obrigatoriedade se faz necessária para que o serviço se adeque às determinações das leis tributárias vigentes no Brasil.

Foto: Reprodução/CanalTech

Caso o lojista não tenha emitido a nota fiscal (como acontece com empresas do tipo MEI, que não são obrigadas a fornecer o documento ao comprador), será necessário imprimir um formulário de declaração de conteúdo, que, assim como a NF, deverá ser afixado na embalagem no momento da postagem. Quem descumprir a nova regra, terá o envio recusado por parte dos Correios.

Até então, exibir a nota fiscal na embalagem das encomendas era algo opcional. Grandes e-commerces já adotavam essa prática, que, a partir do início de 2018, se torna obrigatória para todos. Com a mudança, as lojas que não têm integradas em suas rotinas a impressão física das notas fiscais, bem como sua anexação às embalagens, precisarão ajustar suas logísticas para cumprir os prazos de entrega atualmente praticados.

Importante ressaltar que a nota fiscal, ou a declaração de conteúdo, não pode ser colada na caixa de maneira avulsa, sendo necessário que esteja devidamente protegida por uma embalagem plástica. Dessa maneira, o papel fica protegido durante o transporte, não arriscando chegar danificado para o consumidor.

21 de dezembro de 2017

Apple confirma que deixa iPhones antigos mais lentos de propósito

Consumidores diziam há tempos que empresa que estava por trás da piora da performance do celular; agora, ela confirmou que faz isso com alguns modelos.

A Apple confirmou a suspeita de muitos donos de iPhone ao revelar que intencionalmente torna o smartphone mais lento conforme o modelo envelhece.

Alguns usuários acusavam a fabricante de fazer isso para levar as pessoas a trocarem de celular, mas a Apple afirmou que isso se deve à piora da performance da bateria de íon-lítio com o tempo. O objetivo seria prevenir que o telefone desligue sozinho e "prolongar a vida útil" do aparelho.

A prática foi confirmada após um consumidor compartilhar pelo fórum Reddit resultados de testes de performance de seu iPhone 6S, dizendo que o celular tinha ficado mais lento conforme envelhecia e melhorado de repente com a substituição da bateria.

O site Geekbench então analisou vários iPhones com diferentes versões do sistema operacional iOS e disse que alguns de fato pareciam ter ficado mais lentos de propósito.

O que disse a Apple?

A empresa confirmou ter feito mudanças por meio de atualizações do sistema operacional para lidar com a piora da bateria de íon-lítio e "oferecer a melhor experiência de performance para os consumidores".

Com o tempo, afirma a Apple, a bateria perde a capacidade de fornecer energia para que o aparelho funcione com sua capacidade máxima nos momentos de pico de uso. Isso ocorre em condições de frio extremo, quando estão com a carga baixa ou ao envelhecer, fazendo com que o celular desligue por conta própria para impedir que isso danifique seus componentes.

A empresa disse ter liberado no ano passado, com uma atualização do iOS, um recurso para iPhone 6, iPhone 6S e iPhone SE para resolver esse problema. Na prática, isso limita a performance do smartphone, reduz a demanda por energia nos picos de uso e impede que o telefone apague de repente.

"Agora, liberamos isso para o iPhone 7 com iOS 11.2 e planejamos dar suporte para outros produtos no futuro."

Por que baterias de íon-lítio se deterioram?

Isso se deve ao ciclo de carga e descarga. Em ambos os casos, íons migram entre os eletrodos positivos e negativos da bateria, atravessando o eletrólito, material que forma a bateria, normalmente uma composição de sal de lítio e uma solução orgânica.

Estudos mostraram que, cada vez que os íons fazem isso, ele promovem pequenas mudanças na estrutura do eletrólito. O efeito é semelhante "à ferrugem se espalhando de forma desigual pelo aço", segundo um cientista que estudou o fenômeno.

Essas alterações provocam uma erosão do material, prejudicando sua capacidade de reter uma carga e de ser uma fonte de energia constante.

Voltagens mais altas podem acelerar a erosão, assim como temperaturas mais elevadas.

A Apple deveria ter contado isso aos consumidores?

"Ao escolher implementar isso sem alarde, parece ser algo mais nefasto do que realmente é. Isso não inspira confiança", escreveu o blogueiro Nick Heer.

"A Apple é boa em lidar com as expectativas... Mas, desta vez, estragou tudo. Sem necessidade, eu acho."

Na visão de John Poole, do blog Geeckbench, "isso faz os usuários pensarem 'meu telefone está lento, tenho de trocá-lo', e não 'meu telefone está lento, tenho de trocar a bateria'".

Substituir a bateria antiga dos modelos afetados deve recuperar a performance do telefone. O site da empresa informa que, no Brasil, serviços de reparo da bateria fora da garantia custam R$ 499.

"Entendo os motivos deles, mas deveriam ser mais transparentes sobre isso", disse o consultor de tecnologia Chris Green, da empresa Bright Bee.

"Você está limitando a performance pela qual alguém pagou. Se você vai tornar o telefone mais lento com o tempo, deveria dizer que é para mitigar o problema da piora da bateria, para que as pessoas entendam que, no fim das contas, isso é benéfico para elas."

19 de dezembro de 2017

Vivo lança fibra ótica em Teresina, mas só 26 bairros são contemplados

Centro, Acarape, Aeroporto, Cabral, Ilhotas, Marquês, Piçarra e Pirajá são alguns dos bairros onde a rede já está disponível.

A Vivo lançou nesta terça-feira (19), em Teresina, sua rede de internet 100% fibra ótica, tecnologia de última geração, que, segundo a empresa, permite garantir ao usuário o aproveitamento quase integral da velocidade contratada, diferente do que ocorre com os outros tipos de conexão. O evento ocorreu num hotel da capital, e reuniu jornalistas, gestores públicos e executivos da empresa, que faz parte do grupo Telefônica S.A..

A empresa diz estar realizando um investimento de R$ 35,2 milhões na implantação da rede de fibra ótica em Teresina, atendendo 26 bairros nesta primeira etapa, o que corresponde a 66 mil domicílios aptos a receber a conexão, além de 21 mil empresas.

Inicialmente, a operadora está disponibilizando 30,5 mil ligações.

O serviço já está disponível para quem mora no centro, Acarape, Aeroporto, Cabral, Ilhotas, Mafuá, Marquês, Matinha, Morro da Esperança, Piçarra, Pirajá, Porenquanto, Vila Operária e nas imediações da Avenida Frei Serafim.

Em janeiro, a rede de fibra da Vivo também estará disponível no Ininga, Horto, Fátima, Jóquei, Noivos, Planalto, São Cristóvão, São João e Zoobotânico. E até abril a empresa pretende disponibilizar o serviço para outros três bairros: Piçarreira, Santa Lia e Morada do Sol.

De acordo com Ricardo Vieira, diretor da Vivo na região Nordeste, ainda não há um prazo para que a cobertura da rede de fibra seja ampliada para outros bairros da capital, mas a empresa fará estudos constantes no sentido de verificar o momento mais oportuno para futuras expansões. 

Ricardo Vieira, diretor da Vivo na região Nordeste (Foto: Cícero Portela / O DIA)

"Nós mapeamos primeiro os bairros onde já tínhamos identificado uma demanda reprimida, pela análise de mercado que fazemos, inclusive do que a concorrência cobre hoje", destaca o diretor, que não descarta a implantação do serviço em outras cidades do estado num futuro próximo.

Além da internet de ultra velocidade, a Vivo também lançou pacotes de TV por assinatura e de telefonia fixa. Além disso, a empresa vai oferecer combos que incluem os três serviços, bem como a telefonia móvel.

Como oferta de lançamento, ao adquirir o Vivo Fibra, o usuário ganhará, por doze meses, o dobro da velocidade contratada. Na aquisição do Vivo Fibra 50 mega, por exemplo, – no combo com TV e telefonia fixa – a internet sairá por R$ 99,99 e o cliente terá uma banda larga de 100 mega por um ano.

Pacotes

A Vivo oferece cinco planos de banda larga em planos independentes, ou seja, que não fazem parte de combos.

As velocidades variam de 25 Mbps a 300 Mbps, com mensalidades que vão de R$ 119,99 a R$ 244,99, respectivamente.

Confira a seguir os valores de todos os planos:

02 de dezembro de 2017

"Redes sociais reduzem noção de vergonha, diálogo ", diz psicoterapeuta

Para Aaron Balick, mais preocupados com "curtidas" do que com sentimento dos outros, usuários aproveitam plataformas online para ficar "menos inibidos" e, com isso, acabam, por vezes, gerando casos de humilhação pública

Gravadas em vídeo pela socialite brasileira Day McCarthy, essas e outras declarações em que ataca Titi, filha dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, vêm causando polêmica desde a semana passada nas redes sociais.A criança tem apenas 4 anos e é negra.

"Eu senti o que qualquer ser humano decente sentiria: tristeza, uma sensação de impotência. Covardia, não é? É uma criança", disse Gagliasso, em entrevista coletiva quando registrou queixa na delegacia, em 27 de novembro. "Mais tarde", segundo ele, a filha vai ter noção do que aconteceu.

"Quando der um Google, ela vai saber que os pais dela estiveram do lado dela, que os amigos estiveram do lado dela. Vai saber que eu acho que a sociedade inteira esteve do lado dela", acrescentou, afirmando que a agressora "precisa ser presa". A polícia abriu inquérito e deve intimá-la a prestar depoimento.

Vergonha

O caso exemplifica o que Aaron Balick, psicoterapeuta, palestrante e autor americano baseado em Londres, chama de "novo tipo de vergonha" ─ que ganha força no ambiente digital e também é visto em situações como ridicularizar alguém publicamente. "A resposta para o porquê de esse tipo de comportamento estar ficando mais comum é curta: as redes sociais reduzem a noção de vergonha", afirma ele em entrevista à BBC Brasil, se referindo ao fato de muitos usuários se sentirem com o poder de postar o que quiserem, como quiserem, doa a quem doer.

Aaron Balick, psicoterapeuta: Redes sociais abrem espaço para polarização, mas há possibilidades de melhorar esse cenário. Foto:Reprodução/ Javier

"Esses usuários geralmente estão pensando mais nas curtidas que a postagem vai receber, sem ponderar como essa postagem pode fazer os outros se sentirem".

As forças que movem as pessoas online são explicadas no livro The Psychodynamics of Social Networking: connected-up instantaneous culture and the self ("A psicodinâmica da rede social: cultura instantânea conectada e o eu", em tradução livre), escrito originalmente em inglês e ainda sem previsão de publicação no Brasil.

Segundo Balick, é possível envergonhar alguém sem ter a intenção, mas também fazer isso de forma proposital e, nesse caso, "é muito fácil expor a vítima em uma escala imensa", tendo em vista o tamanho do público que serve de testemunha. "As redes sociais, ajudadas e instigadas pelas tecnologias móveis, geralmente ignoram nossos sistemas de autocrítica e nos dão uma sensação de onipotência que pode ter sérias consequências na esfera social", alerta.

Um bom exemplo disso, diz ele, ocorre quando internautas fotografam estranhos, sem consentimento, para postar nas redes sociais. A partir daí, imagens de alguém comendo no metrô, de pessoas que os outros consideram estar mal vestidas e até de "pessoas atraentes" acabam brotando em grupos virtuais e em meio às timelines - sujeitas a julgamentos em massa.

"Sentimentos ignorados"

Especialista analisa que busca por curtidas e "validação" nas redes sociais traz riscos e pode afetar outras pessoas. Foto: Reprodução

"O objetivo do fotógrafo é registrar a imagem e postar, por curtidas e aprovação. Os sentimentos das pessoas que foram fotografadas são comumente ignorados", diz Balick. "Isso significa que estamos mais propensos a objetificar os outros e a pôr nossas próprias necessidades de validação à frente da necessidade de privacidade deles".

A noção de vergonha reduzida nas redes sociais é perigosa, segundo o psicoterapeuta, porque torna todos mais vulneráveis ─ não só os alvos da postagem, mas também quem posta. "As redes sociais operam como uma extensão do nosso mundo social. Nossos 'eus' são estendidos online e nos deixam vulneráveis à percepção dos outros de um jeito que nunca vimos", opina Balick.

"Além disso, há uma escala de exposição, isto é, muitas pessoas podem testemunhar o evento que causa vergonha, junto ao fato de que qualquer evento é propenso a ficar eternamente disponível - o que pode ser fatal para a reputação de alguém".

Mesmo em uma rede social como o Facebook, que ele avalia como "mais amigável", as pessoas podem estar inclinadas a serem mais rudes, porque não conseguem o retorno emocional normal de quem está lendo a mensagem ou assistindo do outro lado da tela.

Desinibição online: quando o usuário perde os freios

As redes sociais evocam diferentes aspectos psicológicos do usuário e podem causar o chamado "efeito desinibição online". Na visão de Balick, isso significa que, na internet, as pessoas ficam mais encorajadas a agir de forma antissocial, comportamento que muitas vezes evitariam se estivessem cara a cara com o outro. O freio que impede a adoção de certas posturas "na vida real" muitas vezes não funciona no ambiente virtual justamente por causa desse "efeito", diz ele.

"Esse freio vem da nossa capacidade crítica, ou do que os psicólogos chamam de funcionamento executivo. A função executiva pode ser contornada ou evitada online de diversas formas". A principal que ele cita é o efeito de desinibição online.

Fakes

A situação fica ainda pior quando os posts são disparados por perfis falsos, que "muitas vezes apelam para o lado mais obscuro" do usuário. "Como ele não está identificado, os aspectos mais agressivos ou antissociais de sua personalidade podem ser ativados, o que pode estimular bullying, trollagem, ou geralmente apenas comportamentos desagradáveis", diz.

Ao se esconder por trás de um "fake", o indivíduo consegue contornar mais facilmente normas sociais, evitando a crítica direta dos outros. É como se fugisse das consequências por um mau comportamento.

Se o que vai prevalecer na rede é o lado "social ou o antissocial" da pessoa vai depender da plataforma que está usando e, claro, de como escolhe usá-la com base na sua própria psicologia, diz Balick.

Essencialmente, segundo ele, as pessoas buscam nas redes sociais conexão e autoexpressão em um contexto social, mas não conseguem, com isso, substituir o que a vida off-line proporciona.

"Redes sociais são capazes de oferecer uma forma disso, mas não podem substituir o tipo de autoexpressão e conexão recebidos via ambientes sociais off-line", reforça, frisando que enquanto a rede social é usada apenas como extensão da rede social off-line ela pode ser um benefício adicional. "O problema acontece quando ela vira substituta".

Suspeitas e acusações online

Para Aaron, muitas vezes os usuários desconsideram como suas postagens podem fazer os outros se sentirem. Foto: reprodução/arquivo pessoal

Casos de racismo - não só o relacionado à Titi - e suspeitas de abuso sexual envolvendo pessoas famosas viraram "trending topics" nos últimos meses, ou seja, ficaram entre os assuntos mais comentados nas redes sociais. Entre acusadores e defensores, Balick defende uma postura mais ponderada por parte dos internautas e aponta potenciais riscos nessa espécie de tribunal online.

"Devemos viver em uma sociedade em que somos inocentes até que se prove o contrário e, hoje, a reputação de alguém pode ser arruinada por um único tuíte, seja ou não esse tuíte verdade e seja ou não o indivíduo absolvido após o fato. Pode ser realmente que aqueles acusados e publicamente humilhados tenham cometido os crimes ou pode ser que sejam inocentes", diz ele.

"Contágio perigoso"

O especialista alerta sobre os riscos do "contágio social e emocional" - que é como a reação a esse tipo de caso comumente ganha adeptos e se espalha, o que ele classifica como "perigoso". "Virar uma cultura de multidão reativa - em que as pessoas se engajam para exigir punição, por exemplo - é assustador: Isso costumava levar as pessoas a lincharem e a cortarem cabeças (no passado)", analisa.

"Para ser claro, a questão não é absolver maus comportamentos. No entanto, devemos ser muito cuidadosos em encorajar uma sociedade baseada em regras populares e humilhação pública".

Um outro ponto de "perigo" que levanta é que, hoje, esse tipo de reação se expressa em casos que envolvem ações ilegais e nocivas. "Mas e se isso mudar?", questiona. "E se as pessoas começam a ficar envergonhadas pelas escolhas privadas que estão fazendo? O meu medo é que esse patrulhamento social possa sair muito rapidamente do controle".

Para o psicoterapeuta, histórias de indivíduos sendo mal interpretados, tirados de contexto e expostos nas redes sociais por causa disso são vistas todos os dias e usadas, por muitos, para obtenção de ganhos pessoais e até políticos.

"Em uma era em que a capacidade de concentração das pessoas é curta, e ainda mais em que as pessoas não estão dispostas a investigar mais fundo para encontrar a verdade ou contextos mais profundos, as pessoas podem ser condenadas ao bel prazer de um tuíte", reforça.

Menos empáticos e mais polarizados

Pela ausência de complexidade nos relacionamentos e de profundidade emocional, segundo Balick, as redes sociais tendem a reduzir a empatia e o diálogo, acentuando a polarização entre os usuários.

"As redes sociais certamente não são desprovidas de empatia, mas em uma escala cultural de massa, elas parecem estar mais inclinadas ao bairrismo e isso acaba reduzindo, em vez de ampliar, o diálogo através de divisões ideológicas".

Essas divisões, observa ele, são cada vez mais aparentes através das redes e ampliadas por elas. Isso ocorre "porque é fácil tomar partido sem se envolver na nuance de um argumento". "O mundo se divide em bom e mau e a nuance se perde. Em encontros cara a cara isso é mais difícil de manter isso porque o diálogo atenua o pensamento polarizado simplista ao permitir que vejamos a humanidade no outro", diz.

Isso não significa, porém, que seja impossível encorajar mais pensamentos empáticos nesse meio e os desenvolvedores desses sites teriam papel importante nesse sentido.

Adaptações

Se esconder por trás de perfis fakes ajuda a driblar normas sociais e muitas vezes desperta o lado mais obscuro do usuário, diz especialista. Foto: Reprodução

O caminho que aponta seria a criação de ferramentas que permitam mais diálogo, envolvimento, além de modos de ser e pensar mais complexos. "Eu acho que há a possibilidade de integrar essas mudanças a plataformas que já existem. Tome como exemplo o botão de curtir do Facebook. Por anos ele foi a única opção, mas agora há variações que expressam surpresa, raiva, tristeza e etc. É uma pequena mudança, mas ela admite outra camada de complexidade", diz Balick.

Outra adaptação possível, exemplifica ele, seria quando "um valor político" fosse consistentemente apresentado no perfil do usuário o Facebook sugerir algo como "você gostaria de ler sobre uma visão diferente?".

"Tipos diferentes de interações também poderiam ser encorajados entre indivíduos diferentes. Por exemplo, nos Estados Unidos, encorajar pessoas de posição conservadora a se envolverem com pessoas de visão liberal; no Reino Unido, fazer isso para pessoas anti-Brexit falarem com pessoas pró-Brexit, ou em Israel/Palestina para israelenses falarem com palestinos".

Dada a crescente polarização entre ideologias políticas, ele diz considerar que "ser mais empático é fundamental".

"Como temos visto, as redes sociais têm sido um pouco boas demais em isolar pessoas em seus próprios círculos e alimentá-las com notícias (reais e falsas) para reforçar suas posições", diz. "Mas concessões, compreensão e empatia são cruciais em diversas sociedades e nós precisamos educar nossas tecnologias rapidamente para lidar com isso", conclui.





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