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Arquitetura da cidade: História revelada em detalhes

Teresina é uma cidade relativamente nova. Enquanto se estruturava em seus primeiros anos, outros centros urbanos cresciam exponencialmente

13/01/2018 09:33h - Atualizado em 13/01/2018 09:44h


Foto: Jailson Soares

A rotina corrida, talvez, impede que os detalhes sejam notados. Mas eles estão lá interagindo com o contexto urbano e, ao menor olhar apurado e de percepção, se revelam. Os prédios que dão forma a Teresina carregam características não somente estruturais. Seus traços arquitetônicos contam muito sobre o processo de urbanização da capital em seus distintos momentos. Pouca gente imagina, mas é possível acompanhar o desenvolvimento da cidade a partir de um entendimento das suas edificações. 

Teresina é uma cidade, do ponto de vista histórico, relativamente nova. Enquanto se estruturava em seus primeiros anos, outros centros urbanos cresciam exponencialmente. Além disso, o Piauí teve um processo de crescimento do interior para os extremos, em virtude da economia rural. Tudo isso contribui para que a urbanização e os traços arquitetônicos das construções de outras cidades fossem referência, é o que explica a arquiteta Priscila Viana.

“Nossa arquitetura de modo geral, ao longo do tempo, teve influências das grandes capitais, o que não daria para dizer que temos um estilo próprio. Apenas existe identidade quando nos referimos às antigas casas de fazendas, fruto de uma economia rural e quando nos voltamos para a moradia popular com as casas de taipa e palha. Ambas tem influência da matéria prima local e do clima e, portanto são pouco estudadas”, pontua.


Foto: Jailson Soares

Priscila explica que em Teresina é possível ver com frequência fachadas contemporâneas com traços mais limpos – reflexos da urbanização tardia em um comparativo nacional. De acordo com ela, a cidade possui muitos edifícios que representam o modernismo e pós-modernismo, principalmente órgãos públicos. Além disso, alguns prédios seguem os estilos neoclássico e ecletismo. Todos eles retratando períodos diversos da cidade.

“A primeira influência do modernismo foi por volta 1950, período que capital cresceu bastante devido à produção de cera de carnaúba no estado e da chegada de pioneiros no comércio de Teresina. Nessa época pessoas de maior poder aquisitivo que viajavam para cidades onde predominavam esse estilo, passaram adotá-lo em suas residências. Depois disso, em 1960, chegaram os primeiros profissionais com diploma universitário, para atuar no setor na construção civil, e sob forte influência das escolas nacionais, onde se predominava o modernismo, começaram a executar projetos com características modernas, não apenas residências, mas também prédios administrativos da capital”, conta a arquiteta.

O modernismo, portanto, guiou boa parte da urbanização de Teresina. Não tão somente pela conjuntura nacional, que estava inserida nesse contexto estético, mas também, segundo Priscila, pela influência econômica e politica do período, além do processo de modernização das cidades que já estava se passando em todo país. Os principais arquitetos responsáveis por trazer o conceito de modernismo para os prédios da capital foram Luiz Dutra, Anisio Medeiros, Acacio Borsoi, Miguel Caddah e Raimundo Dias. 

Com o surgimento de outros estilos estéticos, os prédios se tornam registro de um período e ajudam a contar e reviver a evolução da cidade. Priscila alerta sobre a preservação dessas construções, mesmo com o aparecimento de novas edificações. “É importante, pois arquitetura é uma obra viva que conta a história de uma cidade ou município, traz lembranças e enriquece culturalmente o local”. 

Por: Yuri Ribeiro

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