Horticultores amargam prejuízos com aumento do nível do Rio Parnaíba

O avanço das águas na região da Vila Apolônia, na zona Norte de Teresina, está afetando as plantações

15/01/2022 08:47h - Atualizado em 15/01/2022 11:54h

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As frequentes chuvas, típicas desse período do ano, estão alterando o nível dos rios que passam por Teresina. Na horta comunitária da Vila Apolônia, o Rio Parnaíba já se misturou a pequenas lagoas e acabou com plantações de feijão, mandioca, melancia e até cacau.  

Foto: Jorge Machado/ODIA 

Edísio Evangelista, de 80 anos, que construiu uma pequena casa próxima ao leito do rio, conta que viu sua plantação de macaxeira ser completamente destruída por causa das águas. Ele mantém a casa e o quintal cercados e teme as consequências do período chuvoso na Capital. 


“Eu tenho receio porque a gente não tem como segurar a água. A nossa parte da plantação já foi praticamente perdida e tememos mais prejuízos por causa do nível do rio. A água já destruiu parte da plantação do outro horticultor, prejuízo que não consigo medir, já que vivemos das hortas”, lamenta. 


Foto: Jorge Machado/ODIA 

A aposentada Maria das Graças do Nascimento, de 71 anos, também perdeu parte da colheita. Segundo ela, com o terreno encharcado fica impossível plantar novamente. 

“O nível do Rio Parnaíba atrapalhou porque ele joga água e enche as lagoas que ficam próximas das hortas. Isso tem trazido muitos prejuízos, pois acaba com toda horta e fica impossível fazer novas plantações. A gente só vê mato e água”, conta. 


É da venda de hortaliças que Maria das Graças complementa a renda. Com o início do período chuvoso, ela estima que os prejuízos já ultrapassam R$ 1 mil. “É da horta comunitária que eu tiro meu ganha pão, que ajuda a comprar muitas coisas – pagar um açúcar, sal, pagar um talão de água - porque eu vendo em uma banca. No período desse, de cheia no rio, nós horticultores não temos nada. Até agora não tivemos ajuda de ninguém. Já foi embora mais de R$ 1 mil porque comprei estrume, carrada de cimento e tudo isso foi perdido. E para gente começar de novo? Como fazer? No tempo do outro prefeito a gente recebia cestas básicas, mas agora nem isso”, ressalta. 


Valdeci Machado, de 51 anos, perdeu parte da produção de melancia. “É uma situação difícil. A gente vive da horta e não temos nenhum tipo de assistência do poder público. A gente sabe que é um poder da natureza, mas também sabemos que poderíamos ser ajudados por conta das cheias. Só queremos poder plantar e sustentar as nossas famílias”, disse. 

Valdeci acredita que uma obra de contenção no leito no rio poderia minimizar os efeitos da cheia. “Poderia resolver até o problema, mas o poder público não faz. Todos os anos a gente sabe que chove bastante e que a água vai entrando nas plantações. É meio natural porque a ação vai cedendo a terra. Então uma obra de contenção no leito já ajudaria para que água não invada os terrenos onde plantamos”, sugere. 

Outro lado 

O DIA procurou a Superintendência das Ações Administrativas Descentralizadas Norte (Saad Norte) para saber sobre projetos para a região que atenda os horticultores, mas fomos informados que as ações para hortas comunitárias partem da Secretaria Municipal de Produção Agropecuária (Semp). Esse órgão, no entanto, não retornou o nosso contato até o fechamento desta edição. 

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