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Fotografias levam vida de comunidades ribeirinhas de THE Brasil a fora

Maurício Pokemon utiliza a fotografia como linguagem de aproximação para retratar modos de vida das comunidades ribeirinhas que resistem em Teresina. Atualmente, o artista tem duas exposições que transportam as histórias para a cidade de São Paulo.

21/09/2019 11:52h

O que o retrato de uma pessoa transferido em tamanho real, por meio de colagens, para diferentes lugares da cidade pode causar em quem se depara com a intervenção? O artista visual Maurício Pokemon descobriu, a partir do trabalho Existência, 2015, que as respostas podem ser as mais variadas possíveis. Aliás, Pokemon não descobriu, como um fato consolidado, mas descobre, continuamente, que ao conhecer e retratar vidas por meio da fotografia, novos prismas que perpassam não só quem vê seu trabalho, mas para ele que produz e também aqueles que são eternizados pelos cliques, a fotografia transmuta diferentes impressões. Atualmente, o artista tem duas exposições que transportam histórias de teresinenses para a cidade de São Paulo


Maurício Pokemon trabalhou com fotografias analógicas para compor o Inventário que se transformará em livro - Foto: Elias Fontinele/O Dia

“Eu uso a fotografia como estratégia de encontrar pessoas, assim, eu sinto que o trabalho se potencializa e não fica no lugar da fotografia pela fotografia, da estética pela estética. Fica no lugar de conviver, de conhecer, de ter uma relação de vidas com as pessoas”, pontua. 

No Existência, são retratados moradores da comunidade Boa Esperança, zona Norte da Cidade, que passam por um processo de luta e organização social para permanecerem na comunidade em virtude da ameaça de desapropriação pelo projeto municipal Lagoas do Norte. Inicialmente, as fotos foram espalhadas por colagens em Teresina, mas com convites e aprovações em editais culturais, a exposição já circula o Brasil. Em 2017, por exemplo, o trabalho participou do Sesc Amazônia das Artes, e Maurício pôde circular em nove estados da Amazônia Legal para conviver com comunidades ribeirinhas. 


O Inventário da Boa Esperança mostra a relação dos moradores com o verde

“E esse trabalho serviu para me trazer questões do que é ser morador ribeirinho em Teresina e o que é ser na Amazônia, que é completamente outra coisa. Aqui em Teresina fui criado vendo a cidade negando os dois rios que temos, então, sempre meu imaginário dos rios foi só na perspectiva de construção de pontes. Convivendo com pessoas que vivem diretamente em contato com eles, eu pude confrontar essas questões”, discorre. 

Atualmente, as colagens compõem a exposição “Raiz, memória e humanidade”, que acontece até o dia 17 de novembro, de terça a domingo, das 10h às 19h, no Sesc Santana em São Paulo. 


Colagem de moradores da comunidade Boa Esperança espalham-se pela cidade pelo trabalho "Existência"

Mas o convívio e aproximação com os moradores da Boa Esperança não renderam apenas este trabalho para o artista visual. Pokemon também idealiza e constrói o Inventário Verde da Boa Esperança, que também pode ser visto na exposição n´O Tempo das Coisas – Mostra Rumos 2017-2018, no Itaú Cultural, em São Paulo. 

A pesquisa para a criação do material também contou com a colaboração do artista e professor Alexandre Sequeira do Pará e de historiadores e moradores da Boa Esperança. Nas imagens são retratadas elementos, texturas, modos de vida de quem convive diretamente com o verde presente na comunidade. Foram feitas mais de 500 fotografias analógicas do inventário que se tornará um livro. 

“O Inventário mostra a relação dessas pessoas com o verde, não apenas como cor, mas percebendo nuances que tinha e comecei a pesquisar o que via nos vestidos das mulheres da comunidade, nas textura, nas plantas medicinais. Dessa vez, é mais um trabalho sobre gestos que propriamente retratos. Todas as imagens do inventario foram feitas no sentido de mostrar uma relação direta com as pessoas, e dessas pessoas com esses verdes”, esclarece. 

Para o artista visual, estar em Teresina produzindo a partir da cidade que é seu berço de criação, dá sentido ao pertencimento que sente com a Capital. “Sei que o trabalho que estou fazendo em Teresina dialoga com o mundo, o recorte geográfico é Teresina, mas poderia não ser. Pra mim ainda é importante estar em Teresina, produzindo a partir daqui, da precariedade, da gambiarra, e conhecer nossos lugares a partir dessas ações”, finaliza.

Edição: Glenda Uchôa

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