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Teatro de bonecos: arte milenar encanta piauienses

Um universo colorido e rico em histórias. Assim pode ser definido esse espetáculo que desperta a fantasia em crianças e adultos

05/10/2019 08:03h

Cores, movimentos e histórias. A magia existente na arte do teatro de bonecos é algo que encanta pessoas de todas as idades. Considerado mais velho que o próprio teatro com atores reais, esse tipo de espetáculo tem o poder de emocionar aqueles que o assistem, fazendo com que saiam de suas realidades e viajem para um universo extremamente colorido e rico em histórias. Dar vida a seres inanimados nunca foi uma missão fácil e é por isso que pessoas que trabalham com essa vertente estão ganhando destaque em Teresina.

Considerada uma expressão artística milenar, cada parte do mundo possui a sua forma especifica de fazer teatro. Segundo estudos, as primeiras manifestações vêm desde a antiguidade, mais especificamente na Pré-História, quando os homens projetavam suas sombras em movimento nas paredes das cavernas. Desde então, o teatro de marionetes atravessou oceanos e fronteiras, remodelando-se as mais variadas culturas.

O teatro de bonecos possui a incrível missão de educar, de desenvolver críticas sociais e assim como no teatro tradicional, os artistas retratam a realidade como conta o bonequeiro Fernando Machado, que vive nessa arte há 32 anos. "Atuo na parte educativa, lúdica, falando sobre todos os tipos de tema que ajudem na construção educativa das crianças. Falo sobre a questão do lixo, das drogas e outras coisas. O mais legal é que as crianças entendem e absorvem a mensagem que estramos passando. Assim como toda arte cultural, o teatro de bonecos é algo que deve ser abraçado, valorizado porque ele transforma vidas".

Quanto a sua origem, os países do Oriente Médio foram os primeiros a se destacarem. Por lá, a atividade tirava suspiros e era fonte de entretenimento. No Japão os chamados bunraku, bonecos que chegavam ao tamanho de uma criança e manipulados por várias operadores por meio de mecanismos fixados nas costas do fantoche, são os mais populares e considerados herança da cultura popular por contar histórias do Japão Antigo. Já na Índia, os bonecos de vara, gênero derivado do wayang, existente na Ilha Java, na Indonésia, são os mais tradicionais. Do outro lado do globo terrestre, na Europa e na América, quem ganham destaque são as marionetes e os fantoches.

No Brasil, o teatro de bonecos chegou com a tradição dos fantoches que, utilizada como instrumento de doutrinação religiosa, conquistou imediatamente o gosto dos nordestinos e depois todo o resto do território nacional. O Pernambuco é, sem dúvida, o maior exemplo de estado brasileiro que caiu nas graças dessa expressão artística, tendo como destaque o mamulengo, espetáculos populares improvisados com repentes e cordéis que manipulavam de forma rápida bonecos feitos de luva. As apresentações eram realizadas em praças, feiras e ruas, semelhantes com as que ocorrem atualmente em Teresina, que somente no final da década de 80 voltou a valorizar e abraçar essa arte.

"O teatro de bonecos retornou para Teresina a partir de oficinas e experiências minhas e de outros bonequeiros em Recife. Aprendendo sobre a cultura do mamulengo, dos fantoches, trouxemos no intuito de revitalizar todo essas manifestação artística. Desde então, vários grupos foram formado, sendo que hoje temos uma faixa de 8 grupos que trabalham e sobrevivem dessa linda expressão de arte e cultura", afirma o coordenador de cultura popular da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMC) e bonequeiro, Wellington Sampaio.

Apesar de ainda passarem por muitas dificuldades no atual cenário piauiense, pessoas e grupos procuram várias formas de levarem sua arte para pessoas de todos os cantos do estado. Projetos itinerantes com oficinas de criação e espetáculos têm sido desenvolvidos nos últimos anos na tentativa de consolidar de vez a expressão artística que está cativando vários corações. "Nós, que trabalhamos com o teatro de bonecos, ainda passamos por muitas dificuldades. Ainda são poucas as pessoas que se dedicam a essa arte que vai muito além de somente brincar com o fantoche, tem toda uma confecção, uma construção histórica, mas não desistimos. Continuamos com a nossa arte que é linda e rica", diz  Wellington Sampaio.

Ainda este ano, com o objetivo de difundir essa vertente como parte importante da cultura popular piauiense e brasileira, a Prefeitura de Teresina, por meio da FMC realiza, de 9 a 11 de outubro, o Bonecarte (Mostra de Teatro de Bonecos de Teresina). O evento acontecerá no Teresina Shopping e trará uma programação recheada de atrações que oferecerão à população o acesso a essa arte e suas mais diversas formas de manifestação.

Tipos de Bonecos

Rico em diversidade, o teatro de bonecos no Brasil é para todos os tipos e gostos, trabalhando com os mais variados tipos de bonecos. O fantoche, por exemplo, é um boneco que possui um corpo de tecido, vazio, a cabeça feita de madeira, papel machê ou borracha, o fantoche é comumente movimentado pelas mãos, usando o dedo indicador para a cabeça e o polegar e o dedo máximo para os braços. Diferente do anterior, a marionete é controlada por cima através de fios ou cordões que vão dos membros para um suporte que fica nas mãos do operador. Outro exemplo é o boneco com varas que possui um tamanho grande e são manipulados por baixo por meio de uma vara que atravessa todo o corpo. Há também o teatro de sombras, um estilo semelhante ao dos homens das cavernas que usa a projeção de sombras em um telão semitransparente. O deboche é bastante parecido com o fantoche, divergindo apenas pela estatura que é no tamanho de um dedo. Por último, tem o já citado mamulengo que são encontrados em Pernambuco. A cabeça do boneco é entalhada em mulungu, uma madeira leve e resistente, e o corpo é feito de tecidos com estampas coloridas e as apresentações acontecem nas ruas com muita música e dança.


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